Chefe da ONU diz não haver alternativa à solução de dois Estados entre Israel e Palestina

          
Depois de mais de um século de hostilidades incluindo 50 anos de contínua ocupação militar, israelenses e palestinos ainda não estão perto da paz, disse um enviado especial das Nações Unidas nesta terça-feira (20), alertando que, enquanto muitos na região estão perdendo a esperança em uma mudança positiva, os inimigos da paz estão cada vez mais confiantes.
Também presente em reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou o apoio da Organização para uma solução de dois Estados, declarando que “não há plano B”.
O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nikolay Mladenov, fez seu novo informe mensal ao Conselho de Segurança, afirmando que este é feito em um momento em que “as tensões regionais estão dando uma volta cada vez mais perigosa”.
Seus comentários ecoaram as declarações feitas pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que abriu a reunião enfatizando seu compromisso com a conquista de dois Estados democráticos vivendo lado a lado e em paz.
Guterres enfatizou o apoio da Organização para uma solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina, declarando que “não há plano B”.
“É hora de diálogo, de reconciliação, de razão”, disse o chefe da ONU, manifestando preocupação de que o consenso global em torno da questão esteja erodindo.
Alertando que “obstáculos em terra têm o potencial de criar uma realidade irreversível de um Estado”, Guterres declarou, no entanto, que “é simplesmente impossível desenhar o círculo de uma realidade de um Estado incluindo as aspirações nacionais legítimas, históricas e democráticas tanto de israelenses como de palestinos”.
“Neste momento de muita importância, apelo a uma ação concertada efetiva de todas as partes. É mais importante do que nunca.”
Mladenov falou sobre a necessidade de manter o apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), que enfrenta uma substancial falta de recursos.
Ele também abordou a violência enfrentada por ambos os lados, incluindo o assassinato de sete palestinos pelas forças de segurança israelenses e o homicídio de um civil israelense cometido por um palestino na Cisjordânia.
Mladenov também disse que era hora de “quebrar o ciclo” em Gaza, que está sob o controle do Hamas há uma década e que enfrenta atualmente o que ele descreveu como uma “calamidade humanitária, econômica e ambiental”.
Ele pediu que Gaza seja devolvida ao controle da Autoridade Palestina, acrescentando que “não poderá haver um Estado palestino sem uma unidade palestina”.
Mladenov também pediu que a comunidade internacional continue defendendo mudanças “substanciais” nas políticas israelenses relacionadas à Cisjordânia, incluindo a interrupção da construção de assentamentos — algo que a ONU considera ilegal sob a lei internacional.
“Nesta sala, frequentemente falamos sobre a necessidade de liderança nos dois lados para chegar a um acordo, um compromisso, por meio de negociações que permitiriam aos israelenses e palestinos serem donos de seu próprio destino. Mas essas negociações não ocorreriam entre iguais”, disse.
“Um lado está sob ocupação militar. Sua liderança se comprometeu com uma solução pacífica para o conflito por meio das negociações. Eu peço que a comunidade internacional não desista de apoiar as lideranças palestinas moderadas ou a construção de instituições que aumentarão as chances de sucesso. Nossa janela de oportunidade está se fechando e, se não aproveitarmos rapidamente, o conflito Israel-Palestina será engolido pelo redemoinho da radicalização religiosa que permanece presente na região.”
Também presente na reunião, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, manifestou preocupação com o status de Jerusalém, considerada sagrada tantos por judeus como por muçulmanos e cristãos. Ele lembrou a decisão anunciada em dezembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer a cidade como capital de Israel.
“A decisão ignora que Jerusalém Oriental é parte do território palestino. Está ocupada desde 1967. E é nossa capital, aberta a todos os fiéis das três religiões monoteístas”, disse.
Abbas descreveu a situação do povo palestino como “não mais suportável”, e pediu que uma conferência internacional pela paz seja realizada este ano como uma forma de encontrar uma solução para o impasse.
O representante de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, também tocou no tema de Jerusalém, observando que o líder palestino deixou a reunião antes de sua apresentação.
“Deixe-me ser claro: por milhares de anos, Jerusalém tem sido o coração e a alma de nosso povo. Jerusalém tem sido nossa capital desde os dias em que o Rei Davi, e Jerusalém permanecerá a capital indivisível do Estado de Israel para sempre”, declarou.
“Vamos sempre insistir na soberania de Israel, mas mesmo observadores justos concordariam que sob qualquer acordo possível, Jerusalém seria reconhecida internacionalmente como nossa capital.”
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