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    O povo judeu

    O povo judeu
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    Ele a conheceu no ponto de ônibus. Morena, muito bonita, cabelos pretos caídos sobre os ombros, indo até a cintura. Sapatos de salto alto davam à moça muitos outros centímetros, além daqueles que a natureza já havia lhe concedido.
    Disse em tom acanhado que perdera o ônibus por causa do celular. Prendeu-lhe a atenção, o ônibus passou e ela ficou. Riu sozinha de sua própria ignorância, dizendo que o ônibus passaria só depois de uma hora e meia, aproximadamente.
    Morava no Padre Libério, bem no final dele, nas proximidades do condomínio da família Sveletyah. Disse ela que todos ali tinham hábitos interessantes. Eram judeus. Os homens, pelo menos os mais velhos, usavam barba com certo tamanho, bem como usavam em algumas ocasiões o Kipá (chapéu que os judeus ortodoxos utilizam), roupas longas, com cinto de corda, sandálias. Os mais jovens usavam roupas comuns, como todas as outras pessoas. As moças usavam sempre roupas muito comportadas, com cabelos bem presos e bonitos. É um povo muito alegre.
    Sempre pensara que os judeus eram tais como os libaneses, turcos, ou outros povos islâmicos: atenção desmedida com dinheiro (ser chamado de turco é sinônimo no nosso país de pessoa “munheca”, gananciosa, que gasta o mínimo possível), predileção pelo comércio, que tem lábia e sempre consegue vender alguma coisa para alguém.
    Os judeus são diferentes. Tem amor á família, são extremamente religiosos, no bom sentido da palavra, educados, calmos. Não bebem, não fumam, não são escandalosos ao falar. Econômicos nos gestos, se comunicam com muita facilidade.
    Fiquei próxima de um menino, Benjamim. Da mesma sala na escola, estudamos vários anos juntos. Íamos e voltávamos juntos à escola, ao clube. Algumas vezes fui com ele até a sua igreja. Entretanto não entendi muita coisa e acabei não voltando. Mas é lindo lá na sinagoga deles.
    Existe um senhor chamado “Rabino”, que é o mestre religioso deles. Interessante os seus sermões, apesar das citações do Antigo Testamento bíblico me entediarem um pouco. Mas aprendei que algumas tradições que temos no Brasil são de origem judia: sangrar o animal antes de retirar as suas carnes, antes de arrumar a carne; um costume judeu. Dar banho em defunto: o ato de dar banho em defunto é um costume existente na cultura judia há muitos e muitos anos. Influenciou o mundo todo. O uso de mortalhas em defuntos (copiado por egípcios e outros povos, lembremos que os judeus viveram no Egito por muitos anos); passar a mão na cabeça das crianças, dizendo “Deus te crie”! principalmente no interior, esse é um costume bem arraigado na tradição.
    Não apontar o dedo para as estrelas, a fim de não dar verruga; a frase “vestir a carapuça”… são expressões culturais judias. Outra tradição que em muitos países foi amplamente difundida foi a “faxina da sexta-feira”.
    Como o sábado para o judeu é um dia sagrado, a faxina semanal era toda feita na sexta-feira, a fim de que não se trabalhe no sábado. O Benjamim passou no vestibular em uma Federal e mudou-se para a capital. Nunca mais o vi. Uma pena. Cresceu de uma hora pra outra e virou um rapaz lindo. Aí já era tarde.
    Foi até a minha casa, entrou, sentou-se no sofá, conversou com o meu pai, com a minha mãe, agradando a todos. Até a minha tia que é muito louca, gosta de funk, de baile, de bebida, de dança, gostou do rapaz. Mas eu queria era viajar, passear e naquele momento namorar era a última coisa que eu estava pensando. Perdi a minha chance, como disse a minha tia.
    E por causa dessa história fiquei com muita vontade de conhecer Israel, o muro das lamentações, o Gólgota, o calvário, a via sacra, o “Santo Monte”, o “Poço de Jacó”, o povoado de Betânia e tantos outros lugares. O Mar Morto, o rio Jordão, o Mar da Galileia… tantos lugares. Ah! O ônibus de novo… Até já.
    O povo judeu é misterioso mas ao mesmo tempo são interessantes. O judeu é o único que reza por todos os povos, por todas as pessoas, sem qualquer tipo de discriminação. Ele sabe que a sua história de vida influencia a história de vida de todas as pessoas do mundo.
    Acho que não possuo nenhum tipo de ligação com Israel, como o povo judeu. Quando era mais jovem, pra falar a verdade, visto que Benjamim e sua família tinham dinheiro e a nossa não possuía, todo mundo era pobre, mas pobre mesmo (ainda somos, risos, mas melhorou muito a vida lá em casa), não tinham muita simpatia por ele, pelas pessoas do condomínio. Quando explodia aquelas guerras entre os árabes, muçulmanos, sei lá, contra Israel, ficava torcendo contra os judeus.
    Só que em toda a minha vida nunca vi aquele pessoal perder uma guerra sequer, uma briga. São brigões, todos. Até as meninas. Lutam Kravmagá. Batem em todo mundo. Até nos meninos que lutam jiu jitsu eles batem. Uma coisa.
    Esses degraus do ônibus são muito altos pra gente entrar com bolsa e sapato de salto alto.
    Passei a gostar de judeu depois que comecei a sentir saudades de Benjamim. Meu nome? Dalila…
    Histórias que o povo conta…

    Isaías Santos

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