12 passos para se livrar do alcoolismo

O vício do alcoolismo – como qualquer outro vício – é difícil de ser superado. Os Alcoólatras Anônimos nos EUA têm um plano de 12 Passos, que é a base para a recuperação de qualquer vício.

Nesta porção semanal, Noé (Noah) plantou uma videira pouco depois de sair de sua Arca. Logo que a planta produziu suas uvas, ele preparou vinho e começou a beber, até ficar embriagado. O Midrash nos conta que quando uma pessoa bebe um copo de vinho, ela se torna dócil e tranquila como um carneirinho. Depois de dois copos, torna-se como um leão, prepotente e orgulhosa de todas as coisas que acredita poder executar. Depois de três copos, ela dança como um macaco. Depois de quatro copos, rola na lama como um porco.
Conta-se a história de um homem que bebia até chegar à total embriaguez e depois dormia nas calçadas. As crianças o insultavam e atiravam objetos nele. Seu filho, um proeminente membro da comunidade, estava muito triste e envergonhado com as bebedeiras do pai e procurava uma maneira de mantê-lo em casa. Certo dia ele viu outro bêbado caído na sarjeta e um monte de crianças rindo dele. Rapidamente correu até em casa para trazer o pai, para que testemunhasse os malefícios da bebida. O pai, ao ver o homem deitado e sendo zombado pelas crianças, foi até o bêbado, abaixou-se e conversou com ele. No caminho de volta para casa, o filho lhe perguntou: “O que o senhor disse para o homem?” O pai respondeu: “Eu não disse nada. Apenas perguntei onde ele havia conseguido um uísque tão bom”.
O vício do alcoolismo – como qualquer outro vício – é difícil de ser superado. Os Alcoólatras Anônimos nos EUA têm um plano de 12 Passos, que é a base para a recuperação de qualquer vício. Todos pensamos que temos controle sobre nossas vidas e assim sendo, é quase impossível quebrar vícios ou mudar nosso caráter. A essência dos Alcoólatras Anônimos e grupos similares é fazer com que a pessoa perceba que não tem controle verdadeiro sobre sua vida e que precisa da ajuda de uma Força Maior.
Os Doze Passos dos Alcoólatras Anônimos (nos EUA):
1) Admitimos que somos impotentes em relação ao álcool e que nossas vidas se tornaram incontroláveis.
2) Chegamos à crença que uma Força Maior que nós pode restaurar a nossa sanidade.
3) Tomamos a decisão de modificar o caminho de nossas vidas e nossa vontade, submetendo-nos aos cuidados de D’us, como O entendemos.
4) Fizemos, sem medo, uma pesquisa e um inventário moral de nós mesmos.
5) Admitimos a D’us, a nós mesmos e a outros seres humanos a natureza exata de nossos erros.
6) Estamos inteiramente prontos para que D’us remova todos estes nossos defeitos de caráter.
7) Humildemente pedimos a D’us para remover nossas deficiências.
8) Fizemos uma lista de todas as pessoas que prejudicamos, e desejamos indenizar a todos.
9) Faremos indenizações e reparações diretas sempre que possível, exceto quando isto puder prejudicar a elas ou a outras pessoas.
10) Continuaremos a fazer um balanço pessoal e, sempre que estivermos errados, prontamente o admitiremos.
11) Procuraremos através da prece e da meditação melhorar nosso contato consciente com D’us, da forma que O entendemos, orando pelo reconhecimento de Sua vontade por nós e pelo poder de conseguir isto.
12) Tendo conseguido um despertar espiritual como resultado destes passos, tentaremos passar esta mensagem a outros alcoólatras e a praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
O Rabino Doutor Abraham J. Twersky, fundador e diretor médico do Gateway Rehabilitation Center, um famoso e bem sucedido programa para a recuperação de dependentes químicos nos EUA, contou a história de um homem que se recusou a trabalhar como conselheiro de um alcoólatra ateu em recuperação, a menos que este concordasse em rezar todos os dias. O alcoólatra professou sua descrença em D’us, mas concordou com aquilo que achou uma ‘exigência ridícula’. Depois de algum tempo, relatou o alcoólatra em recuperação: “Eu ainda não acredito em D’us, mas agora percebo que eu não sou Ele!”.
Uma pessoa e D’us já são uma maioria. Tragamos nossos problemas ao Todo-Poderoso e peçamos ajuda – teremos assim uma chance maior de êxito. Ele não é chamado de ‘Todo-Poderoso’ à toa. Ele possui o poder de ajudar e, quando pedimos o Seu auxílio, isto já nos torna merecedores de receber uma ‘mãozinha’ Dele. Nosso objetivo na vida é nos aperfeiçoarmos e imitar o comportamento Divino – e isto só é possível se reconhecermos Sua existência e Seu poder. Talvez lhe interesse também o livro Starting Over – Using Torah and the Twelve Steps of Recovery to Find Happiness, escrito por Sima Devorah Schloss, sobre como se recuperar de vários tipos de vícios.

Dvar Torá: baseado no livro Growth Through Torah, do Rabino Zelig Pliskin
Depois do Grande Dilúvio, o Todo-Poderoso disse: “Coloquei meu arco-íris nas nuvens e ele será um sinal do pacto entre Eu e a Terra (Bereshit 9:13)”. Que lição para a vida podemos aprender do simbolismo do arco-íris?
O arco-íris simboliza a paz e a unidade. Um arco-íris é composto de várias cores e tonalidades de cores e, embora sejam muito diferentes umas das outras, elas reúnem-se para formar um todo. De modo similar, as pessoas são muito diferentes umas das outras: elas vêm de ambientes diferentes e têm diferentes personalidades.
Entretanto, se elas se enxergarem como uma unidade, certamente poderá haver paz e harmonia apesar das diferenças entre si. Isto é algo básico para a existência do mundo e para o bem-estar dos indivíduos. Por esta razão o arco-íris é o símbolo do pacto entre o Todo-Poderoso e a Terra.
Toda vez que virmos um arco-íris, ou o desenho de um arco-íris, que ele possa nos servir como um lembrete para trabalharmos em direção à harmonia com as outras pessoas – mesmo que haja grandes diferenças entre nós. Embora diferenças em interesses e personalidades possam tornar difícil que nos tornemos amigos próximos de determinada pessoa, ainda assim seguramente podemos ter um relacionamento harmonioso e pacífico com ela.

Pensamento: “É possível entender a natureza de uma pessoa por três coisas:
  •  Seu copo – quando está sob influência do álcool
  • Sua carteira – sua generosidade
  • Sua raiva – fácil ou difícil de enervar; fácil ou difícil de acalmar” (em hebraico a frase soa melhor: B’kosso, B’kisso, B’kaasso)

RABINO KALMAN PACKOUZ – Do Aish Hatorá, é o criador do Meór Hashabat, boletim semanal com prédicas. 

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