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    Judaizantes os cristãos-novos do Brasil colonial

    Judaizantes os cristãos-novos do Brasil colonial

    O descobrimento do Brasil em 1500 veio a ensejar uma nova oportunidade para o povo judeu na diáspora. Já em 1503 milhares de “cristãos-novos” vieram para o Brasil auxiliar na colonização. Em 1531, Portugal obteve de Roma a indicação de um Inquisidor Oficial para o Reino, e em 1540, Lisboa promulgou seu primeiro Auto-de-fé. Daí em diante o Brasil passou a ser terra de exílio, para onde eram transportados todos os réus de crimes comuns, bem como judaizantes, ou seja, aqueles que se diziam aparentemente cristãos-novos, porém, continuavam em secreto a professar a fé judaica. E é nesses judaizantes portugueses que vieram para o Brasil nessa época que queremos concentrar nossa atenção.

    De uma simples terra de exílio a situação evoluiu e o Brasil passou a ser visto como colônia. Em 1591 um oficial da Inquisição era designado para a Bahia, então capital do Brasil. Não demorou muito, já em 1624, a Santa Inquisição de Lisboa processava pela primeira vez contra 25 judaizantes brasileiros (os nomes abaixo foram extraídos dos arquivos da Inquisição da Torre do Tombo, em Lisboa).

    Os nomes dos judaizantes e os números dos seus respectivos dossiês foram extraídos do Livro: “Os Judeus no Brasil Colonial” de Arnold Wiznitzer – página 35 – Pioneira Editora da Universidade de São Paulo:

    Alcoforada, Ana 11618
    Antunes, Heitor 4309
    Antunes, Beatriz 1276
    Costa, Ana da 11116
    Dias, Manoel Espinosa 3508
    Duarte, Paula 3299
    Gonçalves, Diogo Laso 1273
    Favella, Catarina 2304
    Fernandes, Beatriz 4580
    Lopes, Diogo 4503
    Franco, Lopes Matheus 3504
    Lopes, Guiomar 1273
    Maia, Salvador da 3216
    Mendes, Henrique 4305
    Miranda, Antônio de 5002
    Nunes, João 12464
    Rois, Ana 12142
    Souza, João Pereira de 16902
    Teixeira, Bento 5206
    Teixeira, Diogo 5724
    Souza, Beatriz de 4273
    Souza, João Pereira de 16902
    Souza, Jorge de 2552
    Ulhoa, André Lopes 5391

    Continuando nossa pesquisa, podemos citar outras dezenas e dezenas de nomes e sobrenomes, devidamente documentados, cujas pessoas foram também processadas a partir da data em que a Inquisição foi instalada aqui no Brasil. È importante ressaltar que nesses processos os sobrenomes abaixo receberam a qualificação de “judeus convictos” ou “judeus relapsos” em alguns casos. Por questão de espaço citaremos apenas nesta primeira parte os sobrenomes, dispensando os pré-nomes:

    Abreu Álvares Azeredo Ayres
    Affonseca Azevedo Affonso Aguiar
    Almeida Amaral Andrade Antunes
    Araújo Ávila Azeda Barboza
    Barros Bastos Borges Bulhão
    Bicudo Cardozo Campos Cazado
    Chaves Costa Carvalho Castanheda
    Castro Coelho Cordeiro Carneiro
    Carnide Castanho Corrêa Cunha
    Diniz Duarte Delgado Dias
    Esteves Évora Febos Fernandes
    Flores Franco Ferreira Figueira
    Fonseca Freire Froes Furtado
    Freitas Galvão Garcia Gonçalves
    Guedes Gomes Gusmão Henriques
    Izidro Jorge Laguna Lassa
    Leão Lemos Lopes Lucena
    Luzaete Liz Lourenço Macedo
    Machado Maldonado Mascarenhas
    Martins Medina Mendes Mendonça Mesquita
    Miranda Martins Moniz Monteiro
    Moraes Morão Moreno Motta
    Munhoz Moura Nagera Navarro
    Nogueira Neves Nunes Oliveira
    Oróbio Oliva Paes Paiva
    Paredes Paz Pereira Perez
    Pestana Pina Pinheiro Pinto
    Pires Porto Quaresma Quental
    Ramos Rebello Rego Reis
    Ribeiro Rios Rodrigues Rosa
    Sá Sequeira Serqueira Serra
    Sylva Silveira Simões Siqueira
    Soares Souza Tavares Telles
    Torrones Tovar Trigueiros Trindade
    Valle Valença Vargas Vasques
    Vaz Veiga Vellez Vergueiro
    Vieira Villela

    (A lista dos sobrenomes citados acima não exclui a possibilidade da existência de outros sobrenomes portugueses de origem judaica. – Fonte: Extraído do livro: “Raízes judaicas no Brasil” – Flávio Mendes de Carvalho – Ed. Nova Arcádia 1992).

    Todos esses judeus brasileiros, cujos sobrenomes estão citados acima, foram julgados e condenados pela Inquisição de Lisboa, sendo que alguns foram deportados para Portugal e queimados, como por exemplo o judeu Antônio Felix de Miranda, que foi o primeiro judeu a ser deportado do Brasil Colônia. Outros foram condenados a cárcere e hábito perpétuo.

    Quando os judeus aqui chegavam, desembarcavam na maioria das vezes na Bahia, por ser naquela época o principal porto. Acompanhando a história dessas famílias, nota-se que grande parte delas se dirigia em direção ao sul, muitas vezes fixando residência nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Outros subiam em direção ao norte do país, destacando a preferência pelos Estados de Pernambuco e Pará. Esses estados foram bastante influenciados por uma série de costumes judaicos, que numa outra oportunidade gostaríamos de abordar.

    É importante ressaltar que não podemos afirmar que todo brasileiro, cujo sobrenome constante desta lista acima seja necessariamente descendente direto de judeus portugueses.

    Para saber-se ao certo necessitaria uma pesquisa mais ampla, estudando a árvore genealógica das famílias, o que pode ser feito com base nos registros disponíveis nos cartórios. Mas, com certeza, o Brasil tem no seu sangue e nas suas raízes os traços marcantes deste povo muito mais do que se imagina, quer na sua espiritualidade, religiosidade ou mesmo em muitos costumes.

    Constatamos que o Brasil já se destaca dentre outras nações como uma nação que cresce rapidamente na direção de uma grande potência mundial. A influência histórica judaica-sefardita é inegável. Os traços físicos de nosso povo, os costumes, hábitos e algumas tradições são marcas indubitáveis desta herança. Mas, há uma outra grande herança de nosso povo, a fé. O brasileiro na sua maioria pode ser caracterizado como um povo de fé, principalmente, quando esta fé está fundamentada no conhecimento do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, ou seja, no único e soberano Deus de Israel.

    Isto sim, tem sido o maior, o melhor e o mais nobre legado do povo judeu ao povo  brasileiro e à humanidade.

    10 comentários:

    1. Eu graças a Adonai tenho vários sobrenomes judaicos!Três..

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    2. Eu Carlos, também tenho na família, três nomes judaicos: Miranda, Merces, Bastos.

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    3. Sou Marcos,tenho dois nomes judaicos na família: Padilla,Ribero.

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    4. Impossível o Brasil ter recebido milhares de cristãos novos em 1503. A colonização só começou em 1530. E os sobrenomes acime descritos são de origem cristã e foram adotados por cristãos novos. A maioria dos que têm estes sobrenomes não são descendentes de convertidos.

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      Respostas
      1. tem de ler a hstoria di reinado de D /manuel. Pesquise o periodo de 1430 ate 1700 os reinados, ira perceber. a Verdade esta para aquela que a procura.

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    5. " Os traços físicos de nosso povo,,," Existem traços físicos característicos de judeus ? Até onde sei podem ser loiros de olhos azuis, morenos de cabelos encaracolados ou até negros ( os falashas ).

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    6. Sou Moreira de Oliveira. Duas vezes judeu! Queira o Eterno que sim! Podem me confirmar? Tenho o maior orgulho disso (caso seja verdadeiro) e um carinho imenso pelo povo hebreu

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    7. Sou Moreira de Oliveira. Seria duas vezes hebreu? Permita assim o Eterno! Ficaria mega lisonjeado

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