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    História da Rainha Esther em Literatura de Cordel

    História da Rainha Esther em Literatura de CordelHistória da Rainha Esther em Literatura de Cordel.

    Quem poderia imaginar! A história de Purim contada em prosa e verso na literatura de cordel do nordeste brasileiro? Essa realmente me pegou de surpresa.

    Mas o que é em realidade a literatura de cordel? O velho Aurélio diz o seguinte: Romanceiro popular nordestino, em grande parte contido em folhetos pobremente impressos e expostos à venda pendurados em cordel, nas feiras e mercados. (Dicionário Aurélio Buarque de Holanda).

    Trazida pelos portugueses que aportavam por volta de 1850 em terras tropicais, com o passar dos anos, essa literatura foi aos poucos se afirmando especialmente pelo seu baixo custo e hoje é encontrada praticamente em estados do nordeste como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia.

    Muitas vezes repleto de um belo tom humorístico e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região, a literatura dos livretos pendurados em cordas tipo barbante, daí o nome Literatura de Cordel, contagia a população nordestina e principalmente os turistas que por ali andam. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades, etc.

    Pensando bem, a história da Rainha Esther é sem dúvida um belo tema para um bom poeta da literatura de cordel desenvolver. Ela foi uma heroína do povo judeu, com coragem e muita determinação enfrentou a possível morte ao apresentar-se diante do Rei sem ter sido autorizada com o único intuito de salvar o seu povo do decreto perverso do ministro Haman.

    Acrescentaria ainda um outro ponto importante. Talvez pela conotação de libertação e pela facilidade de identificação com os exilados que viviam na antiga Pérsia, Purim e sobretudo o jejum de Esther, foram enormemente populares entre os Bnei Anussim. Não há dúvida que os conversos ibéricos viam Esther como a libertadora do povo judeu. Vale lembrar, que a rainha Esther conseguiu ajudar seu povo justamente quando este se encontrava na clandestinidade, ocultando sua própria identidade judaica. O que, em outros contextos, poderia apresentar um desafio à normatividade judaica, exatamente o fato de sua clandestinidade, é que despertou nos Bnei Anussim, um alto grau de identificação com esta Festa.

    No Ha-La- ESTHERpid número 109 de 1942, o jornal organizado e elaborado para os então descobertos criptojudeus nas montanhas do norte de Portugal pelo idealizador da Obra do Resgate, Capitão Arthur Carlos de Barros Basto, encontramos um artigo de autoria de José A. Pereira Gabriel no qual ele escreve: “Sejamos como Mordechai; não tenhamos receio de nos dizermos judeus, pois a nossa lei, o nosso ideal, é de todos o mais perfeito, e o que moralmente a todos se impõe. Não tenhamos receio de divulgar a nossa crença religiosa… isto é admirável!”.

    Exatamente por isso a Festa de Purim é sem dúvida uma das mais conhecidas e preservadas pelos Bnei Anussim durante séculos.
    Mas o que faria uma poeta de literatura de cordel se interessar por essa história e como ele a conhecia?

    O despertar dos Bnei Anussim pelo mundo é um fato consumado hoje em dia. No Brasil, e principalmente no nordeste, historiadores e pesquisadores afirmam que a presença de seus descentes é numerosa já que um percentual respeitável dos brancos portugueses que vieram para colonizar o país eram cristãos-novos que escondiam sua verdadeira fé, eram portanto, criptojudeus. Seus descendentes estão por aí e com certeza muitos deles enraizados como trovadores, compositores e poetas da literatura de cordel.
    Assim, já estou mais tranqüilo e na verdade não tão surpreso de encontrar a História da Rainha Esther em Literatura de Cordel.

    E com vocês… a “História da Rainha Ester” do Poeta da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana Lima.

    Supremo Ser Incriado
    Santo Deus Onipotente
    Manda teus raios de luz
    Ilumina a minha mente
    Para transformar em versos
    Uma história comovente
    Falo da vida de Ester
    Que na Bíblia está descrita
    Era uma judia virtuosa
    E extremamente bonita
    Por obra e graça divina
    Teve venturosa dita

    Foi durante o cativeiro
    Do grande povo Judeu
    Um rei chamado Assuero
    Naqueles tempos viveu
    E com o nome de Xerxes
    Na História apareceu.

    O rei Assuero tinha
    Pelo costume pagão
    Um harém com muitas musas
    As mais belas da nação
    Mas era a rainha Vasti
    Dona do seu coração.

    Porém a rainha Vasti
    Caiu no seu desagrado

    Mardoqueu disse à sobrinha:
    – Não revele a sua vida!

    – Pois nosso povo é cativo
    E vive na opressão
    Talvez o rei não a queira
    Vendo a sua condição
    É melhor guardar segredo
    Sobre seu povo e nação.

    Não pretendo alongar-me,
    Porém vos digo o que sei:
    Mardoqueu era versado
    Na ciência e na Lei
    Trabalhava no palácio
    Era empregado do rei.

    Mardoqueu um dia soube
    Que dois guardas do portão
    Tramavam secretamente
    Perversa conspiração
    Eram Bagatã e Tares
    Homens de mau coração.

    Tramavam matar o rei
    E Mardoqueu descobriu
    A conversa dos dois homens
    Ele sem querer ouviu
    Foi avisar a Ester
    E ela ao rei preveniu.

    Assuero indignado
    Com esta conspiração
    Mandou ligeiro prender
    Os dois guardas do portão
    Eles descobriram tudo
    Quando os pôs em confissão

    Os dois guardas receberam
    Um castigo exemplar
    Provada a sua traição
    O rei os manda enforcar
    Depois mandou os escribas
    Em seus anais registrar.

    Mardoqueu perante o rei
    Subiu muito de conceito
    Deu-lhe o rei um alto posto
    Por ser honrado e direito
    Por isso era invejado
    Por Aman, um mau sujeito.

    Este Aman de quem vos falo
    Era o Primeiro Ministro
    Um dos homens mais perversos

    Sem ele próprio chamar
    Por um decreto real
    Manda na hora enforcar.

    Deixemos aqui Ester
    Lamentando pesarosa
    Vamos tratar de Aman
    Criatura orgulhosa
    E saber o que tramava
    Esta cobra venenosa.

    Disse ele a Assuero:
    – Há um povo no reinado
    Que tem um costume estranho
    Não cumpre nenhum mandado
    Que fira algum mandamento
    Por seu Deus determinado.

    – Constitui um mau exemplo
    Para outros povos e assim
    Considero que este povo
    Viver conosco é ruim
    Eu quero a tua licença
    Porque quer dar-lhes fim.

    Lavrou-se então o decreto
    Do extermínio judeu
    Aman pegou uma cópia
    E em praça pública leu
    Somente por ter inveja
    Da glória de Mardoqueu.

    Naquela noite Assuero
    Não podendo dormir mais
    Mandou chamar seus escribas
    Para lerem os editais
    Entre estes documentos
    Encontravam-se os Anais.

    O leitor sabe que o rei
    Foi salvo de um atentado
    Por dois porteiros teria
    Sido ele assassinado
    Se não fosse Mardoqueu
    Ter o caso desvendado.

    Pergunta então Assuero
    Depois que o escriba leu
    Os anais onde constavam
    Os feitos de Mardoqueu:
    – Me diga qual foi o prêmio
    Que este homem recebeu?

    E pelas ruas de Susa
    Foi Mardoqueu aclamado
    Vestindo as roupas reais
    Num bom cavalo montado
    E pelo ministro Aman
    O ginete era puxado.

    O leitor deve lembrar
    Que Ester, a bela rainha
    Já sabia do decreto
    E qual a sorte mesquinha
    Destinada a seu povo
    Porém o medo a detinha.

    Há dias que ela esperava
    Uma oportunidade
    Para falar com o rei
    Contar-lhe toda a verdade
    E, em favor de seu povo
    Implorar-lhe a piedade.

    Mas o tempo ia passando
    Como o rei não a chamou
    A dura pena de morte
    Decidida ela enfrentou
    Foi à presença do rei
    Lá chegando se curvou.

    Disse o rei: – Minha querida
    A lei não é para ti
    Não temas, pois não pretendo
    Fazer qualquer mal a si
    Diga-me logo o que queres
    Porque tu vieste aqui?

    Disse ela: – Majestade
    Viva em paz, a governar
    O motivo que me trouxe
    É que vim te convidar
    Para um singelo banquete
    Que pretendo preparar.

    Este banquete eu vou dar
    Na noite de amanhã
    Quero apenas que convides
    O nosso ministro Aman
    Espero que não me faltes
    Espero com grande afã.

    Disse o rei: – Vá sossegada
    Por certo, não faltarei
    Ao banquete que darás
    Como sem falta eu irei
    E o Primeiro Ministro
    Em breve convidarei.

    Pois embora fosse bela
    Não cumpriu um seu mandado
    Vasti, durante um banquete
    Não quis ficar a seu lado.
    Com isto o Rei Assuero
    Bastante se enfureceu
    Mandou buscar outras moças
    E por fim ele escolheu
    Ester, a bela judia
    Sobrinha de Mardoqueu.

    Porque os seus conselheiros
    Consideraram uma ofensa
    A bela rainha Vasti
    Não vir a sua presença
    Perdeu a rainha o posto
    Foi esta a dura sentença.

    Ester era flor mais bela
    Filha do povo judeu
    Porém perdeu os seus pais
    Logo depois que nasceu
    Foi viver na companhia
    De seu tio Mardoqueu.

    Dentre as mulheres mais belas
    Ester foi a escolhida Pra ser a nova Rainha
    Pelo rei foi preferida
    De quem se teve registro
    Tramava contra os judeus
    Um plano mau e sinistro.

    Por força de um decreto
    Queria que o povo inteiro
    Se ajoelhasse a seus pés
    Sendo ele um embusteiro
    Queria ser adorado
    Igual ao Deus Verdadeiro.

    Isso era um grande martírio
    Para a raça dos judeus
    Porque só dobram os joelhos
    Em adoração a Deus
    Fato que desperta a ira
    Dos pagãos e dos ateus.

    O Ministro indignou-se
    Com todo o povo judeu
    Porque não obedeciam
    Aquele decreto seu
    Pensava em aniquilar
    A raça de Mardoqueu.

    Mandou baixar um Edito
    Marcando a hora e o dia
    Para o povo ajoelhar-se
    Porém Aman não sabia
    Que a bela rainha Ester
    Era uma princesa judia.

    Mardoqueu leu o decreto
    Gelou de medo e pavor
    Comunicou a Ester
    Que Aman, em seu furor
    Queria exterminar
    A raça do Redentor.

    – Querida Ester, disse ele
    Venho triste lhe contar
    Que o Primeiro Ministro
    Jura por Marduk e Isthar
    Que o nosso povo judeu
    Decidiu eliminar.

    – Esse Decreto já foi
    Pelo rei sancionado
    Armou para nós a forca
    O dia já está marcado
    Matará todo judeu
    Que não ver ajoelhado.

    – Meu tio, responde Ester
    Eu nada posso evitar
    Pois quem se apresenta ao rei
    – Nenhum prêmio, majestade…
    Responde o escriba ao rei
    Então Assuero disse:
    – Agora compensarei
    O grande favor prestado,
    Gratidão é uma lei!

    No outro dia Aman
    Foi ao Palácio enredar
    Quando Assuero o viu
    Tratou de lhe perguntar:
    – Que deve ser feito ao homem
    Que o rei pretende honrar?

    Pensando que era pra si
    Aquela grande honraria
    Aman disse: – Majestade
    Eis então o que eu faria
    Com minhas roupas reais
    Este homem eu vestiria

    Depois o faria montar
    Um cavalo ajaezado
    Com os arreios de ouro
    E o brasão do reinado
    Por alguém muito importante
    Ele seria puxado.

    E nas ruas da cidade
    O guia deve bradar
    Assim o rei Assuero
    Manda agora publicar:
    – Este é um homem de bem
    Que o rei pretende honrar!

    – Muito bem, diz Assuero
    Bonito plano, este seu
    Mande selar meu cavalo
    Da forma que concebeu
    E nele faça montar
    Nosso amigo Mardoqueu.

    Aman ficou constrangido
    Mas resolveu perguntar
    Qual o homem, majestade
    Que o cavalo irá guiar
    Disse o rei: – És tu, Aman
    Quem o deve anunciar.

    Aman saiu se mordendo
    Foi o cavalo arrear
    Depois mandou Mardoqueu
    Sobre o mesmo se montar
    Mas intimamente dizia
    Em breve irei me vingar.

    Ester não disse mais nada
    Tratou de se retirar
    Chamou as suas criadas
    Foi depressa preparar
    O banquete que em breve
    Ela haveria de dar.

    No outro dia Aman
    Pelo rei foi convidado
    Porém, como ignorava
    O que estava preparado
    Compareceu orgulhoso
    Bastante lisonjeado.

    Na presença do ministro
    Assuero perguntou
    Diz-me agora, ó rainha
    Por que razão me chamou?
    Então Ester decidida
    Por esta forma falou:

    – Majestade eu tenho a honra
    De ser a tua consorte
    Porém a mão do destino
    Quer turvar a minha sorte
    Porque o meu próprio povo
    Está condenado à morte!

    Diz o rei: – Quem concebeu
    Este plano tão malvado?
    Por que motivo o teu povo
    À morte foi condenado?
    Disse ela: Foi Aman
    Ele é o grande culpado!

    Pois este homem se julga
    Acima do próprio Deus
    Quer que todos se ajoelhem
    E cumpram os desígnios seus
    Por isso ele planeja
    Exterminar os judeus.

    Quando ela disse aquilo
    Aman não pôde falar
    Tremia ali de pavor
    Sem puder se explicar
    E o rei indignado
    O mandou encarcerar.

    No outro dia Aman
    À morte foi condenado
    Na forca que ele havia
    Pra Mardoqueu preparado
    Por um capricho da sorte
    Foi nela própria enforcado.

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