Header Ads

  • Breaking News

    Ex-guarda de Auschwitz é julgado na Alemanha

    Ex-guarda de Auschwitz é julgado na Alemanha
    Reinhold Hanning, ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz de 94 anos,
    deixa tribunal na cidade de Detmold, na Alemanha (Foto: PATRIK STOLLARZ / AFP)
    Começa na Alemanha julgamento de ex-guarda de Auschwitz Reinhold Hanning de 94 anos.

    Julgamento de vai até 20 de maio. Pena pode chegar a 15 anos de prisão. 

    Reinhold Hanning, ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz de 94 anos, deixa tribunal na cidade de Detmold, na Alemanha (Foto: PATRIK STOLLARZ / AFP)
    O julgamento de Reinhold Hanning, de 94 anos, ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz e acusado de cumplicidade na morte de milhares de pessoas, começou nesta quinta-feira (11) em Detmold, no oeste da Alemanha.

    Devido à enorme atenção midiática que o caso gera, e ao número de partes civis - 40, procedentes de vários países (Canadá, Israel, Hungria) - o julgamento não é realizado na sede do tribunal e foi transferido à sede da Câmara de Comércio e Indústria, afastada do centro da cidade.

    Uma hora antes da abertura do julgamento, 50 pessoas esperavam ante o edifício para poder entrar na sala. Vários carros da polícia, assim como dois agentes a cavalo, estavam presentes no local, constatou um jornalista da AFP.
    O início da audiência será dedicado à ata de acusação contra Reinhold Hanning, cujo julgamento durará ao menos até 20 de maio.

    O ex-guarda do campo de concentração, cujo estado de saúde lhe permite apenas duas horas de audiência por dia, é acusado de cumplicidade na morte de ao menos 170 mil pessoas entre janeiro de 1943 e julho de 1944.

    É passível de três a 15 anos de prisão, uma pena essencialmente simbólica, dada sua idade.

    Não existe nenhuma prova contra Hanning de que tenha cometido um ato criminoso preciso. Ele é acusado de ter feito parte do "funcionamento interno" do campo de Auschwitz, no qual 1,1 milhão de pessoas foram exterminadas, a grande maioria judeus.
    Ex-guarda de Auschwitz é julgado na Alemanha
    Foto:
    Júri é fotografado antes do início de julgamento de ex-guarda 
    de campo de concentração de Auschwitz (Foto: PATRIK STOLLARZ / POOL / AFP)

    Hanning, um jovem funcionário que entrou nas Waffen SS - unidade de elite do regime de Hitler - em julho de 1940, foi transferido no início de 1942 a Auschwitz. 

    Foi membro das Totenkopf, uma unidade das SS cuja insígnia era um crânio, trabalhou no campo de base Auschwitz-I e supervisionava às vezes a chegada de prisioneiros ao campo de Birkenau.

    Julgamentos tardios

    Hanning é o terceiro acusado de uma onda de julgamentos tardios, iniciada com a condenação em 2011 de John Demjanjuk, ex-guarda de Sobibor, condenado a cinco anos de prisão. Este julgamento, que levantou grande interesse, relançou a busca dos últimos nazistas, em uma tentativa de recuperar o tempo perdido após décadas de letargia judicial.

    No ano passado, também foi realizado o julgamento de Oskar Gröning, ex-contador de Auschwitz. Outros dois antigos membros das SS serão processados no fim de fevereiro em Neubrandenburg (nordeste) e posteriormente em abril em Hanau (oeste).

    "A idade não tem nenhuma importância", estimou na imprensa o procurador Andreas Brendel, responsável pela acusação contra Hanning. A justiça alemã "deve às vítimas e aos seus familiares" julgar os crimes do III Reich.

    'Nunca é tarde'

    Também se trata de reparar in extremis as "carências da justiça alemã", lembra Christoph Heubner, vice-presidente do Comitê Internacional Auschwitz. Dos 6.500 SS do campo que sobreviveram à guerra, menos de 50 foram condenados, em um ambiente caracterizado na Alemanha pelo desejo de virar a página, e também devido à forte presença de ex-nazistas na magistratura.

    "Este julgamento deveria ter sido realizado há 40 ou 50 anos. Mas nunca é tarde para reviver o que ocorreu", afirmou na véspera do julgamento Justin Sonder, de 90 anos, que perdeu 22 membros de sua família sob o regime nazista e foi deportado aos 17 anos.

    Um total de quarenta sobreviventes da Shoah e descendentes destes últimos, que farão a viagem a partir de Israel, Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, se constituíram em parte civil. Mais de 70 acompanharam no ano passado o julgamento de Groning, que foi condenado a quatro anos de prisão.

    Testemunha

    Angela Orosz, aposentada canadense de origem húngara de 71 anos, foi um dos dois bebês que sobreviveu a Auschwitz e testemunhará para manter viva a memória das vítimas do Holocausto, e porque acredita que todos os funcionários do campo "contribuíam para a maquinaria de morte".

    Ainda que tenha a palavra nesta quinta-feira, nada indica que Hanning falará. Diferentemente de Oskar Groning, que testemunhou em um texto distribuído aos meios de comunicação para "lutar contra o negacionismo", antes de pedir perdão no julgamento às vítimas, Hanning jamais se referiu em público ao seu passado.

    Fonte: France Presse

    Nenhum comentário

    Deixe sua opinião

    Post Top Ad

    Post Bottom Ad

    Loading...
    Web Statistics