27 de fev. de 2015

Morre ator e judeu Leonard Nimoy

Morre ator e judeu Leonard Nimoy


Saudação de Spock vem de rito judaico e significa 'Todo Poderoso' 



O ator e judeu Leonard Nimoy se inspirou no rito judaico para criar o gesto de saudação do seu personagem Sr. Spock (foto), na série “Jornada nas Estrela” (Star Trek), que se tornou cult. Nimoy morreu no dia 27 de fevereiro de 2015, aos 83 anos em decorrência de doença pulmonar.

Quando teve de criar o gesto, Nimoy lembrou-se que, quando criança, sempre lhe chamava a atenção durante o serviço religioso o momento em que os rabinos abriam as mãos e separava os dedos (ver ilustração ao abaixo). 


 
Origem do gesto está na
"Benção dos Cohanim"
A origem desse gesto está na "Bênção dos  Cohanim" (plural de Cohen), ou "Birkat Kohanim", em hebraico.  Formam  os Cohanim  uma casta de sacerdotes judeus (é uma linhagem familiar),  que seriam descendentes de Aarão, o irmão mais velho de Moisés  —  hoje identificados pelo haplotipo chamado Cohen Modal Haplotype (CMH). 

Acompanhado de três versos, o gesto é feito com ambas as mãos. E reproduz a sefiroth (letra hebraica) Shih, que significa "Todo Poderoso".

 
Gestual reproduz "Todo
 Poderoso" em hebraico
Nas sinagogas, os rabinos de linhagem cohen fazem o gesto, mas quem pronuncia os versos é o chazan (cantor litúrgico), e só então os cohanim os  repetem:  “Que D'us te abençoe e te guarde! / Que a face de D'us brilhe sobre ti e que Ele faça que encontre graça (a Seus olhos)! / Que D'us erga Sua face para ti e te dê a paz!”

É curioso que Nimoy tenha recorrido à religião para compor o personagem de orelhas pontiagudas que é a antítese de um religioso. 

O mestiço de vulcano com humano Spock, oficial de ciência da nave, se diferencia dos demais integrantes da Enterprise por ser extremamente racional. Suas orientações ao capitão Kirk são com base em informações lógicas, sem qualquer tipo de contaminação da emoção ou de alguma fé. Spock é apresentado como uma espécie de símbolo da superioridade da razão absoluta. 

 
Gesto é usado por uma casta de sacerdotes judeus
Em uma entrevista à Veja em outubro de 2003, Nimoy disse ter estranhado que os judeus ortodoxos nunca tenham reclamado do uso por Spock do gesto dos rabinos.

Ainda mais porque ele, Nimoy, foi criticado por religiosos ortodoxos por ter feito um livro de fotografias, o Shekhina, com modelos femininas vestidas com objetivo rituais tradicionalmente masculinos, como o xale de orações. 

“O meu livro eleva as mulheres ao mais alto patamar do judaísmo, e isso perturba alguns homens”, disse Nimoy na entrevista. 

Ele contou que chegou a ser “desconvidado” pela Federação Judaica em Seattle (EUA) para um jantar e uma palestra na qual falaria sobre o livro. 

Outra curiosidade é que, nos anos 60, os fundamentalistas religiosos americanos fizeram uma campanha para que o seriado “Jornada nas Estrelas” não fosse levado ao ar porque Spock era a representação do Satanás.

“Jornada nas Estrelas” abordou diretamente o tema “deus” no roteiro Who Mourns for Adonais, exibido em 1967.

No episódio 33, a nave é aprisionada por um ser poderoso que se identifica como Apolo, o deus grego-romano. 

Apolo comunica ao capitão Kirk que pode libertar a nave e proporcionar uma vida de prazer aos seus integrantes, desde que eles o adorem. 

Kirk rejeita a proposta porque conclui que Apolo quer, na verdade, transformá-los em escravos de luxo. E o capitão dá um jeito de se livrar do suposto poderoso Apolo. 

Derrotado, Apolo não consegue entender porque a sua proposta generosa foi recusada.

Kirk responde com a lógica de Spock: “Crescemos, e a humanidade não mais precisa de deuses”.

Em outro episódio, uma referência à divindade cristã, o próprio Spock diz: “Se isto é seu deus, ele não é muito impressionante. Ele tem problema psicológicos e é tão inseguro que existe que seus fiéis o louvem sete dias por semana. Ele criou homens imperfeitos e depois os culpa pelos seus próprios erros. Para um ser supremo, ele realmente deixa muito a desejar”.



Líderes israelenses e palestinos condenam ataque a complexo greco-ortodoxo

Líderes israelenses e palestinos condenam ataque a complexo greco-ortodoxo


Dirigentes israelenses e palestinos condenaram na quinta-feira o incêndio premeditado e as pinturas ofensivas rumo ao cristianismo, em um complexo pertencente à igreja greco-ortodoxa em Jerusalém Oriental.



O presidente israelense, Reuven Rivlin, dialogou nesta quinta-feira por telefone com o Patriarca Teófilos III de Jerusalém, a quem expressou “tristeza e consternação” pelo incêndio premeditado e as pinturas em edifícios do complexo eclesiástico no Monte Sião.
“É inconcebível que possa ocorrer um ato semelhante em uma casa de oração, trata-se de um crime atroz, deve ser investigado e os responsáveis têm que ser levados perante a justiça. Estes criminosos não só ameaçam incendiar lugares sagrados para todos nós, mas o barril de dinamite regional no qual nos encontramos”, diz um comunicado da presidência israelense.
O incêndio aconteceu em um seminário junto ao popular Portão de Jaffa, um dos acessos à Cidade Antiga de Jerusalém, e em uma parede divisória há várias pinturas com graves insultos a Jesus Cristo.
A polícia indicou que abriu uma investigação para esclarecer os fatos e se existe relação entre as pinturas e o incêndio.
O fato, que causou danos materiais, segue outro ocorrido na quarta-feira em uma mesquita na aldeia de Yaba, na Cisjordânia, que foi incendiada de madrugada.
Também ali apareceram pinturas em hebraico, indício de que pode se tratar de um ataque premeditado de radicais judeus.

O dirigente palestino Saeb Erekat, responsável do departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), condenou tanto o incêndio no recinto cristão em Jerusalém Oriental, como o ataque à mesquita na véspera, na Cisjordânia, ambos em território ocupado por Israel desde 1967.

“Estes terroristas foram instigadados e protegidos por um governo que reivindica monopólio sobre esta terra e que justifica sua ocupação ilegal e colonização baseado em alegações religiosos distorcidos”, manifestou em comunicado Erekat.

O funcionário da OLP assinalou que “esses ataques são consequência direta das chamadas para que Israel seja reconhecido como “estado judeu” e Jerusalém como “capital eterna e indivisível do povo judeu”.

Erekat advertiu que a direção palestina “não tolerará nenhum ataque contra lugares religiosos cristãos ou muçulmanos, incluídos grafite que atacam Jesus ou o profeta Maomé” e chamou à comunidade internacional a responsabilizar Israel por suas agressões aos palestinos.

Durante 2013 e 2014 foram registrados em Israel e no território ocupado da Cisjordânia cerca de 20 de ataques contra centros de culto tanto cristãos como muçulmanos, sem que a polícia tenha encontrado os autores na imensa maioria dos casos. 

Líder de rabinos dá conferência sobre auto-defesa

Líder de rabinos dá conferência sobre auto-defesa

Líder de rabinos dá conferência sobre auto-defesaUma conferência de auto-defesa para rabinos europeus realizou-se em Praga ontem, 26 de Fevereiro. 
O objetivo foi ensinar aos judeus como se defender de possíveis ataques, uma vez que o antissemitismo está mais visível.

Reunindo cerca de 100 rabinos, o líder da conferência, Menachem Margolin, explicou como se podem defender de ataques com armas brancas e até como tratar feridas enquanto não chegam aos cuidados médicos. "Não podemos pedir a um polícia que acompanhe todos os rabinos da Europa. Então a melhor maneira é ensinar os rabinos como se defender caso sejam atacados".

Margolin é também director general do Centro Europeu de Rabinos e da Associação Judaica Europeia e afirmou que os rabinos são alvos mais fáceis de atacar. "Quando um rabino anda pela rua a caminho da sinagoga ou a voltar para casa, é um alvo. A maioria dos ataques, que são feitos são àqueles que se parecem com judeus", explicou. 

Para ele, não tem havido um crescimento do antissemitismo, apenas tem estado mais visível. "As pessoas não têm vergonha de falar abertamente contra os judeus e isso é um caso sério", disse. 
Jordânia e Israel fecham acordo para levar água do Mar Vermelho para o Mar Morto

Jordânia e Israel fecham acordo para levar água do Mar Vermelho para o Mar Morto

Jordânia e Israel fecham acordo para levar água do Mar Vermelho para o Mar MortoA Jordânia e Israel firmaram ontem (26), na capital jordaniana, Amã, acordo para combater a escassez de água na região, por meio da transferência de água do Mar Vermelho para o Mar Morto. 

Segundo a agência de notícias jordaniana Petra, o acordo abrange a execução da primeira parte de uma carta de intenções assinada em dezembro de 2013, em Washington, entre representantes de Israel,da Jordânia e da Autoridade Palestina para tentar salvar o Mar Morto.

O acordo prevê a construção de um sistema de bombeamento anual de 300 milhões de metros cúbicos (m³) de água do Mar Vermelho para o Mar Morto. Parte da água deverá ser canalizadas através de quatro condutores para o Mar Morto, um mar fechado, com elevada concentração de sal e que corre o risco de secar até 2050. Outra parte da água será dessalinizada e distribuída em Israel e na Jordânia. O acordo prevê também fornecer aos palestinos 30 milhões de m³ de água dessalinizada por ano.

“A Jordânia vai preparar nas próximas semanas os documentos para lançar um concurso para iniciar os trabalhos”, disse o ministro da Água jordaniano, Hazem Nasser. Para o ministro da Cooperação Regional israelense, Silvan Shalom, "a cooperação construtiva entre Israel e a Jordânia contribuirá para reabilitação do Mar Morto e para criar uma solução para a falta d'água na Jordânia e no sul de Israel”.

O acordo foi assinado na presença de representantes dos Estados Unidos e do Banco Mundial.
Sexta-feira, 27 Fevereiro, 2015

Sexta-feira, 27 Fevereiro, 2015


8 Adar, 5775
Nesta Data:
Juramento sobre a Torá é Permitido (1674)

Nos anos de 1660 a comunidade judaica de Barbados foi estabelecida e se tornou de importância considerável. Havia, porém, uma desvantagem porque seu testemunho não era admissível em casos no tribunal devido à sua recusa em prestar juramento sobre uma Bíblia cristã. Em 1669 a comunidade judaica apresentou ao rei uma petição requisitando permissão para prestar juramentos sobre os Cinco Livros de Moshê, a Bíblia judaica.

Vários anos depois, na quarta-feira 14 de fevereiro de 1674, Barbados aprovou uma lei garantindo à comunidade judaica a permissão requisitada.

Judeus Habilitados a Trabalhar no Serviço Público em Maryland

Em 1715, a Colônia da Coroa de Maryland aprovou uma lei exigindo que qualquer cidadão que quisesse exercer um cargo público fizesse um juramento que continha as palavras: “sob a verdadeira fé de um cristão.” Em 1776, a nova constituição do Estado de Maryland reafirmou esta lei, exigindo que todo juramento de cargo contivesse uma declaração de crença na religião cristã.

Nas décadas seguintes, a luta para abolir esta lei atraiu atenção nacional.

Em 26 de fevereiro de 1825, um ato “para o alívio dos judeus de Maryland” foi passado pela Casa dos Deputados de Maryland. A carta permitia que todo cidadão judeu fizesse um juramento professando sua fé num “futuro Estado de Recompensas e Punições, no lugar da declaração agora exigida pela Constituição e forma de governo deste estado.”

26 de fev. de 2015

Israel constrói maior estação de energia solar em Ruanda

Israel constrói maior estação de energia solar em Ruanda

Uma estação com mais de 28.360 placas de energia solar foi construído pela empresa Gigawatt Global, de Israel, em Agahozo-Shalom Youth Village (Ruanda), um orfanato em estilo kibutz (comunidade agrícola) para as vítimas do genocídio ocorrido em 1994, permitindo o abastecimento de eletricidade para 15.000 casas. A estação tem o formato do continente africano e foi construída em menos 12 meses. Na África Subsaariana, cerca de 70% da população, 600 milhões de pessoas, não tem eletricidade.
Novo museu judaico de SP será o maior da América Latina

Novo museu judaico de SP será o maior da América Latina

Diário escrito entre 1941 e 1942 pela adolescente
alemã Lore Dublon, assassinada em Auschwitz,
fará parte do acervo do Museu Judaico de São Paulo
Mais de 700 peças cotidianas usadas por famílias judias vão fazer parte do acervo do novo museu judaico de São Paulo, que será inaugurado no ano que vem no espaço da antiga sinagoga Beth-El, construída no final dos anos 1920 e fechada em 2007. 
São itens de momentos distintos na vida de refugiados judeus - dos campos de concentração, do dia a dia na Europa durante a Segunda Guerra e após a chegada ao Brasil. 

O Museu Judaico de São Paulo
deve ficar pronto em 2016
O investimento na restauração e ampliação do prédio histórico deve alcançar R$ 26 milhões, dos quais R$ 900 mil vêm do governo alemão. 

De acordo com o presidente da entidade, Sérgio Simon, “a meta é criar uma espaço de referência sobre as relações históricas do Brasil tanto com judeus, quanto com os nazistas", afirma, esclarecendo que, diferente de vários museus mundo afora, o valor da maioria das peças que serão expostas é simbólico, e não financeiro.
Israelenses descobrem relação entre o diabetes e o Mal de Parkinson

Israelenses descobrem relação entre o diabetes e o Mal de Parkinson

Israelenses descobrem relação entre o diabetes e o Mal de ParkinsonCientistas israelenses, da Universidade Ben Gurion, no Negev, descobriram uma relação entre o diabetes tipo II e a propensão a desenvolver o Mal de Parkinson. 

Após pesquisarem por três anos, Yifat Miller e seu aluno de pós-doutorado Yoav Atsmon-Raz conseguiram que suas descobertas fossem confirmadas em experimentos. 

“Publicar nossos resultados permitirá que outros cientistas usem essas informações para saber mais sobre o Parkinson, seus mecanismos e tratamentos. 

Agora, será possível desenvolver uma droga para evitar essa interação, evitando que o diabetes leve ao Mal de Parkinson”, afirma Miller.
Discurso de Netanyahu é destrutivo para relações de EUA e Israel

Discurso de Netanyahu é destrutivo para relações de EUA e Israel

Netanyahu rejeitou um convite para se encontrar de forma privada com senadores democratas durante sua visita, dizendo que a reunião "poderia alimentar a percepção errada de partidarismo" que cerca sua viagem.

O discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em audiência sobre o Irã no Congresso norte-americano, em março, prejudicou as relações do país com os EUA, afirmou a conselheira de segurança nacional do presidente Barack Obama, Susan Rice.

A decisão de Netanyahu de aceitar o convite de congressistas republicanos para ir a Washington a apenas duas semanas das eleições em Israel "injetou um grau de partidarismo, que não é só infeliz, mas destrutivo para as relações", disse Rice em entrevista a um programa de TV na noite desta terça-feira (24).

Também na terça, Netanyahu rejeitou um convite para se encontrar de forma privada com senadores democratas durante sua visita, dizendo que a reunião "poderia alimentar a percepção errada de partidarismo" que cerca sua viagem.

Nesta quarta-feira (25), a Casa Branca tentou esclarecer os comentários de Rice afirmando que reduzir a relação dos EUA e de Israel aos dois partidos políticos do país -republicano e democrata- é "destrutivo".

Os EUA negociam com o governo do Irã um acordo sobre o programa nuclear de Teerã -cujo objetivo é impedir o desenvolvimento de armas nucleares.

Desde o início do ano, Obama tem ressaltado ao Congresso que vetará quaisquer tentativas de impor novas sanções ao Irã até que as negociações sejam concluídas.

Para enfrentar o presidente, deputados republicanos convidaram Netanyahu -que se opõe às negociações- para falar sobre o tema na Câmara no próximo dia 3.

Netanyahu aceitou o convite sem consultar a Casa Branca, desatando um mal-estar diplomático entre os dois países desde janeiro. O comentário de Rice, no entanto, é a crítica mais forte feita por um integrante do governo americano desde então.

Obama já anunciou que não se encontrará com o primeiro-ministro israelense durante sua passagem por Washington. Oficialmente, o motivo seria a política do governo de não encontrar líderes de Estado em datas próximas às eleições em seus países. Esse protocolo, porém, já foi quebrado em outras ocasiões.

Netanyahu já havia dito nesta semana que viajará aos EUA porque é sua obrigação "fazer tudo o que puder para evitar" um acordo com o Irã.

Nesta quarta, em Israel, ele afirmou que o maior desafio do país é "a ameaça do Irã se armando com armas nucleares com o objetivo declarado de nos aniquilar".

"Pelo acordo que está se formando, parece que eles [os países envolvidos nas negociações] desistiram de seu compromisso e estão aceitando que o Irã desenvolva gradualmente, em alguns anos, a habilidade de produzir materiais para armas nucleares", disse. "Eles podem aceitar isso, mas eu não aceitarei".

Os países devem chegar a um esboço do acordo até o fim de março. Uma versão mais detalhada teria de estar pronta em junho.
O Juízo Sobre o Coração

O Juízo Sobre o Coração

O Juízo Sobre o Coração  Comentário sobre a Porção Semanal da Torá Tetsavé

Rabino Nissan Ben Avraham


A segunda metade do livro de Shemot (Êxodo) caracteriza-se pela descrição do Tabernáculo, primeiro, fornecendo as instruções para a sua construção e, em seguida, contando como, de fato, o fizeram.

Entre os muitos detalhes da construção, consta, também, as instruções de como preparar as vestes dos sacerdotes.

Os sacerdotes que serviam no Tabernáculo, e mais tarde no templo, deveriam utilizar, precisamente, quatro peças de vestuário, sendo estas: as calças, a túnica, uma faixa e um turbante. O Sumo Sacerdote acrescentava mais quatro: o envoltório, a estola sacerdotal, um peitoral e uma vestimenta frontal, com a diferença de que estes quatro continham fios ou placas de ouro, o que faz com que o Talmud os chame de ‘Vestimentas de Ouro’.

O Sumo Sacerdote era instruído a usar estas roupas diariamente, durante todas as horas do dia que fosse possível, uma vez que o simples fato de vesti-las também constituia um serviço no tabernáculo. Por exemplo, se, inadvertidamente, um sacrifício tocasse uma impureza, este, automaticamente, se tornava invalidado e deveria, assim, trazer um outro em seu lugar. Contudo, se neste momento, o Sumo Sacerdote estivesse vestindo as Vestimentas de Ouro, o sacrifício era aceito, pois o versículo, ao tratar do “vestimenta frontal” nos instrui que este ” Estará sobre a testa de Aharon, assim ele levará a culpa de qualquer pecado que os israelitas cometerem em relação às coisas sagradas, ao fazerem todas as suas ofer¬tas. Estará sempre sobre a testa de Aharon, para que as ofertas sejam aceitas pelo Senhor.”(Shemot 28:38).

Desta mesma forma, o restante das peças do vestuário tinham um objetivo e valor, muito além do que poderia parecer à primeira vista.

O Lugar

Tudo isso visa melhorar e facilitar a missão do Tabernáculo e os sacrifícios oferecidos nele. O Tabernáculo é o meio escolhido pelo Criador para expressar a sua presença neste mundo. Infelizmente, após o erro cometido por Adam e Hava (Adão e Eva), a Presença Divina não estava mais palpável, como antes do erro. E quanto mais o homem deteriorava seu comportamente, mais difícil era captar novamente a Presença Divina neste mundo.

Até que os Patriarcas a tornaram palpável novamente, para gradualmente corrigir os erros anteriores, mas ainda era algo esporádico e imprevisível. Á partir da Saída do Egito alcançamos uma nova experiência, uma vez que a Presença Divina se estabelece em um lugar determinado: o Tabernáculo, movendo-se junto com os Filhos de Israel no deserto. Mais tarde, depois de várias vicissitudes, Esta se estabele no Monte Moriá, chamado de “O Lugar” na Torá (Devarim 12: 5), em Jerusalém, nunca mais se movendo de lá.

Muitos ficam surpresos e não conseguem entender por que o Criador criou uma realidade aonde “vive” em um determinado lugar, uma vez que a Sua glória preenche todo o universo. Esta questão, perguntou o Rei Shlomo (Salomão), em seu discurso de abertura do Templo (Reis 1 08:27): “Mas, na verdade, habitaria D’us na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado”. Portanto, devemos entender que esta “casa” não é nada mais do que a capacidade de compreender com nossos sentidos e nossa alma que, o Criador governa o mundo. Assim, podemos sentir-lo não somente de maneira inconsciente, por uma “fé cega”, mas de uma forma perfeitamente racional: um “racional sobrenatural”.

Aproximar a Presença Divina

Entretanto, somente a Presença Divina não é suficiente. Devemos poder acessá-la.

A melhor maneira é, tornando-se um profeta, ou seja, em pessoas que educam sua personalidade de modo a limpar suas impurezas, seus erros e seu lado negativo, para, assim, se tornarem beneficiários da Divindade.

Mas nem todo mundo é capaz de chegar a este nível em sua vida, muito menos, a cada dia. Por isso, o Criador nos ordenou a construir um Tabernáculo, e, em seguida, um Templo, onde, assim, poderiamos nos aproximar dEle.

Os sacrifícios, em hebraico são chamados de ‘Korban’ (קרבן), um termo que vem da raíz ‘Karev’ (קרב), que significa “se aproximar”. Deste modo, sacrificar é, na verdade, o caminho para se aproximar de D’us. E o único lugar adequado para isso é o Tabernáculo, assim como, os únicos responsáveis pela realização desta abordagem são os sacerdotes.

Portanto, todos os instrumentos, vestimentas e ações que são executados e usados neste lugar santo, visam, precisamente, aproximar as pessoas ao Criador. Quando alguém comete um erro e, portanto, se afasta da Vontade Divina, deve, através dos sacrifícios, recuperar esta proximidade perdida.

Definitivamente não se trata de feitiçaria ou atividades esotéricas que, como “mágica”, apagam os pecados da pessoa, sem que, na verdade, ocorra uma mudança de atitude neste que está oferecendo os sacrifícios. Quando o povo perdeu o verdadeiro significado dos sacrifícios, os profetas vieram para lembrar que os serviços do Templo são inúteis caso não sejam acompanhados por uma mudança de atitude no comportamento da pessoa.

A Intenção

Portanto os sacerdotes deveriam estar, sempre, muito atentos as intenções por trás dos serviços no Templo. O profeta Malachí (Malaquias) explica que o sacerdote deveriam ajudar as pessoas que vinham ao Templo, ensinando-lhes o comportamento adequado, como retificar suas vidas e como banir seus vícios e erros.

É verdade que as ações também tinha um grande poder, uma influência sobrenatural intrínseca que, para aqueles que ainda não possuiam a capacidade ou preparação intelectual para entender, ou que, estavam demasiado afundados em seus vícios, permitia um impulso inicial, um primeiro “empurrão” na sua consiência, para, deste modo, deixar o mal. E esta era a principal função dos Utensílio Sagrados que possuíam diferentes “intenções”, gravadas no momento de sua fabricação e desenvolvidas no serviço do Templo, como instrumentos cirúrgicos que são utilizados para remover os males físicos.

O Juízo Sobre o Coração

A Torá repete sobre as vestes do Sacerdote que “levará os nomes dos filhos de Israel so-bre o seu coração no peitoral de decisões, como memorial permanente perante o Senhor” e “para que estejam sobre o coração de Aharon sempre que ele entrar na presença do Senhor.” (Shemot 28: 29-30). A intenção é indispensável para os sacerdotes, mesmo quando auxiliam aqueles que, com seus sacrifícios ainda não atingem o nível adequado, mas sim um primeiro passo que o levará a uma forma mais consciente e intencional de melhorar se caráter e, assim, melhorar também, o “juízo” do Povo.

Fazem já quase dois milênios que não têmos um Templo, nem sacrifícios ou mesmo, as vestes sacerdotais. Mas tem crescido muito a compreensão de por que e como conduzir estas “mudança de personalidade”, de uma maneira mais pessoal, através de mais esforços.

O estudo aprofundado dos mandamentos da Torá, com seus ensinamentos morais e o mais alto nível espiritual e ético, nos obriga a lutar para implementar todos seus ensinamentos na nossa vida prática, é o caminho que devemos percorrer para liberar as barreiras que nos impedem de avançar. Os avanços na tecnologia moderna estão eliminando as últimos desculpas que poderiamos apresentar. Hoje, qualquer um pode acessar Aulas de Torá, diretamente da boca de rabinos qualificados, tendo o cuidado, claro, para não cair na armadilha dos “falsos profetas” que querem nos fazer crer que possuem a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade. Aconselhando-nos adequadamente, podemos e devemos realizar grandes avanços em nossos estudos, que não são mais exclusividade dos estudiosos, dos rabinos ou estudantes de “yeshiva”, mas, sim, abertos a qualquer um de nós.

Desta maneira, construímos um novo tipo de aproximação à Presença Divina, que está, a cada dia, mais e mais presente e palpável em nossas vidas.

25 de fev. de 2015

Pracinha e sobrevivente encontram-se nos 70 anos da tomada de Castello

Pracinha e sobrevivente encontram-se nos 70 anos da tomada de Castello

Pracinha e sobrevivente encontram-se nos 70 anos da tomada de CastelloEm 21 de fevereiro de 1945, dois jovens viveram momentos fundamentais em suas vidas, que recordariam juntos exatos 70 anos depois, ao se encontrarem no último sábado, 21 de fevereiro, durante a homenagem prestada pelo Exército Brasileiro aos pracinhas que tomaram Monte Castello, na Itália.

Aleksander Henryk Laks, jovem judeu polonês, acabava de ser libertado dos campos nazistas, onde resistiu cinco longos anos. Israel Rosenthal, jovem judeu brasileiro, era tenente da Força Expedicionária Brasileira, que ajudou a derrotar os nazistas.

No Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Parque do Flamengo – Rio de Janeiro, eles assistiram ao desfile das tropas representativas das unidades que entraram em ação na Itália.

A cerimônia foi presidida pelo General Montezzano, chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército. Estavam presentes o General Modesto, Comandante Militar do Leste; o General Ramos, Comandante da Vila Militar e ex-adido militar em Israel (2005/2007); e o General Rosendo, presidente da Casa da FEB.

O presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Paulo Maltz, foi representado pelo diretor de Cidadania da entidade, Israel Blajberg.

Além do Tenente Rosenthal, quatro outros veteranos, todos com mais de 90 anos de idade, participaram da cerimônia.
Conib realiza primeiro Encontro Nacional de Escolas Judaicas

Conib realiza primeiro Encontro Nacional de Escolas Judaicas

Conib realiza primeiro Encontro Nacional de Escolas JudaicasA Confederação Israelita do Brasil promoverá nos dias 8 e 9 de março, em São Paulo, um encontro inédito com os principais protagonistas da área de Educação Judaica formal no Brasil.

Participarão integrantes das entidades mantenedoras, diretores gerais e coordenadores da área judaica de 15 escolas, que contemplam um universo de 8.300 alunos.

O evento, que tem curadoria da Conib, contará com os seguintes especialistas: o ex-reitor da USP Jacques Marcovitch; Fernando José de Almeida, diretor de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo;  Eloisa Blassis, do Cenpec- Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária; a socióloga Ana Maria Wilheim; Marcos Kisil, do IDIS - Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social; Sonia Kramer, professora da PUC-RJ, especialista em Educação Infantil e em Estudos Judaicos; José Ernesto Bologna, fundador da Ethos, psicólogo e consultor em desenvolvimento humano e organizacional; Silvio Hotimsky, educador e psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae; Celso Zilbovicius, diretor educacional do Projeto Marcha da Vida Universitários; e Revital Poleg, representante geral da Agência Judaica no Brasil. Bernardo Sorj, da USP e Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, escritor e pensador da identidade judaica, fechará o encontro.

Também participarão Alberto Milkewitz, diretor da Fisesp; e Sergio Napchan, Eduardo Wurzmann e Karen Didio Sasson, diretores da Conib.
O objetivo principal do encontro é incrementar o papel das escolas na continuidade da comunidade judaica brasileira. 
Festival de Ópera Israelense começa no mês de junho

Festival de Ópera Israelense começa no mês de junho

Festival de Ópera Israelense começa no mês de junho A 5ª edição do Festival de Ópera de Massada, em Israel, contará com as produções de “Tosca” de Giacomo Puccini, conduzida pelo renomado maestro Daniel Oren, bem com “Carmina Burana” de Carl Orff, conduzida por James Judd.  Seguindo o sucesso das produções de 2010, 2011, 2012 e 2014, o Festival de Ópera de Massada conquistou seu lugar no circuito internacional de verão de ópera ao ar livre e é um grande evento turístico e cultural em Israel.   

O festival retorna aos pés da fortaleza de Massada, Patrimônio Mundial da Unesco situado no ponto mais baixo da Terra no Mar Morto, com a espetacular produção de duas obras-primas. Como nos anos anteriores, milhares de turistas são esperados para uma experiência inesquecível em um cenário único.   A fortaleza de Massada serve como pano de fundo para a ópera, que é encenada em um anfiteatro e a vila da ópera especialmente erguidos no chão do deserto. As límpidas noites do deserto, a brisa fresca e deslumbrante vista prometem uma inesquecível experiência para os amantes de ópera.   

A apresentação de Tosca em Massada acontecerá às quintas, 4 e 11 de junho, e aos sábados, 6 e 13 de junho. Tosca será dirigida por Nicolas Joel, um dos mais experientes diretores de ópera do mundo. Maestro Daniel Oren escolheu meticulosamente um time de solistas internacionais e israelenses. 

O elenco internacional de solistas inclui a soprano búlgara Svetla Vassileva como Tosca, o tenor italiano Fabio Sartori em conjunto com o tenor argentino Gustavo Porta no papel de Cavaradossi, barítono americano Scott Hendricks em conjunto com o barítono russo Sergei Murzaev como Scarpia, o italiano contralto Carlo Striuli como Angelotti, bem como os solitas da Ópera Israelense Vladimir Braun, Joseph Aridan, Oded Reich, Noah Briger entre outros. Além disso, o coral da Ópera Israelense se apresentará em conjunto com coral infantil Moran e a orquesta da ópera – a Orquestra Sinfônica de Israel Rishon Le Zion.   As apresentações de Carmina Burana acontecerão às sextas-feiras, 5 e 12 de junho, em uma produção completamente encenada e conduzida por James Judd e dirigida por Michael Znanieck. 

A agitada criação de Carl Off vai assumir um caráter especial com a participação de um elenco de  centenas de cantores, músicos, dançarinos e atores, pirotecnia e iluminação espetaculares. Os solistas incluem o soprano Alla Vasilevitsky, contra-tenor Alon Harari e o barítono italiano Enrico Maria Marabelli.  Também participará o coral da Ópera Israelense, o coral infantil Ankor e a orquesta da ópera – a Orquestra Sinfônica de Israel Rishon Le Zion.   

Este ano a produção do Festival de Ópera será o maior e mais complexo já realizado em Israel com o emprego de 2,5 mil pessoas em conjunto com os 700 participantes e equipe de operações.   

O Festival de Ópera de Massada é produzido em parceira com Arkia Airlines, Conselho Regional de Tamar, Ministério do Turismo, Associação de Hotéis do Mar Moro e Bimot. A venda de pacotes turisticos será realizada pela Eshet Tours e Amiel Tours   

Informações: www.israel-opera.co.il 

Candidato a suceder Netanyahu retomará processo de paz

Candidato a suceder Netanyahu retomará processo de paz

Candidato a suceder Netanyahu retomará processo de paz
Jerusalém - O dirigente trabalhista israelense Isaac Herzog, principal candidato a substituir o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira que se conseguir formar governo após as eleições de 17 de março retomará o processo de paz com os palestinos.

"Buscarei reatar o processo com nossos vizinhos palestinos baseado em uma plataforma regional, predominantemente com a Jordânia e Egito", disse hoje a imprensa estrangeira. Herzog concorre às eleições em uma coalizão com Tzipi Livni, líder do partido centrista Hatnuah e ex-chefe da equipe negociadora israelense.

Segundo as últimas pesquisas, o líder trabalhista disputaria com Netanyahu a possibilidade de formar um governo, mas tudo dependerá, como costuma ocorrer no fragmentado cenário parlamentar israelense, da capacidade para formar uma coalizão estável.

Herzog ressaltou, no entanto, que "se ocupar o cargo de primeiro-ministro" buscará medir qual é o "espírito" dos palestinos e se desejam realizar um novo processo bilateral com Israel ou continuar pelo caminho do unilateralismo.

"Não sei que tipo de espírito observaremos entre os palestinos a partir de 17 de março, nem sei que tipo de liderança palestina encontrarei", comentou o político israelense, que em várias ocasiões se reuniu com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, inclusive na sede de seu Executivo, em Ramala.

"Pode se tratar de uma liderança apaixonada em demasia dos passos unilaterais, incluídas ameaças a nossos filhos e filhas na Corte Internacional de Justiça, algo totalmente inaceitável para mim, e pode optar por não retornar às negociações bilaterais", afirmou.

Herzog, no entanto, disse que fará todo o possível para retomar o diálogo de paz, mas mostrou certo grau de incerteza sobre o momento que o conflito atravessa.

"Farei todo o possível para retornar as conversas e reavivar o processo com nossos vizinhos, mas sejamos lúcidos a respeito: a situação hoje entre israelenses e palestinos não é a melhor, mas um dos piores períodos em nossas relações", opinou.

Apesar disso, defendeu a construção de medidas de confiança mútua e o diálogo como elementos para sair do atoleiro em que se encontra o processo de paz.

No plano interno, comprometeu-se a impulsionar uma agenda econômica social que provoque uma mudança em Israel, e em âmbito internacional reforçar e melhorar a relação estratégica com os Estados Unidos.

Além disso, considerou um "erro" Netanyahu fazer um discruso no Congresso dos Estados Unidos, em 3 de março, a convite da maioria republicana.
O vegetarianismo e a Bíblia

O vegetarianismo e a Bíblia

O vegetarianismo e a Bíblia
“Tudo que se move vos servirá de alimento,
como toda verdura e erva que já vos dei.”
Gênesis 9:3
Qual é a atitude judaica em relação ao vegetarianismo? Apesar da predileção por jantares de carne no Shabat e nas festas, será que é espiritualmente preferível que nos alimentemos somente com arroz, feijão, couve-flor e cenouras?
Com a criação de Adão, o Todo-Poderoso ordena à humanidade, bem como aos animais, que comam apenas frutas e vegetais. Somente após o dilúvio e o resgate de Noé é que Deus, depois de abençoá-lo para que seja frutífero, se multiplique e volte a preencher a terra, declara que, de agora em diante, lhe é permitido comer de cada ser vivente que se move.
Eu diria que esta permissão é, na verdade, uma concessão. Ela é manifestada após a afirmação do Eterno de que “o impulso (iétser) do coração do ser humano é mau desde sua mocidade”, a inescapável conclusão do Eterno como resultado da perversão e violência que imperavam antes do dilúvio. O Rabino Joseph B. Soloveitchik dizia que a Torá não somente registra o caminho do homem buscando compreender o Divino, mas documenta também Deus em Sua crescente compreensão, e mesmo desapon-tamento, com a fraqueza e corrupção do ser humano.
Essa concessão a Noé é seguida imediatamente pela ordem de não comer um membro de um animal vivo ou de beber sangue, de não cometer suicídio e de não tirar a vida de outro ser humano. Com efeito, Deus reconhece que já que o impulso e a habilidade de destruir se mostraram um elemento da personalidade humana, que pelo menos ele fosse expresso no tirar a vida de um animal, e não na destruição de seres humanos.
Visto sob esta perspectiva, as leis de cashrut servem para limitar nosso consumo de carne, como um lembrete da ambiguidade moral envolvida no próprio consumo dela. Muitos animais, pássaros e peixes são completamente proibidos, e aqueles que nos são permitidos precisam ser abatidos de uma forma muito mais espiritual e humana do que a maneira pela qual os animais são normalmente mortos por todo o mundo.
Na verdade, as leis de cashrut, conforme expressas na Bíblia, estão certamente relacionadas à elevação de nossa sensibilidade para com o mundo animal. São principalmente os animais carnívoros e as aves de presa que nos são proibidos. Além disso, o consumo de sangue é proibido. Mesmo a carne que nos é permitida deve ser salgada e enxaguada a fim de remover tanto sangue quanto possível, porque “sangue é vida“. Finalmente, carne e leite não podem ser comidos juntos, sendo costume entre os judeus ashkenazitas da Polônia manter um intervalo de 6 horas entre comer carne (mesmo que seja de ave) e fazer uma refeição de leite, pois “não cozinharás a carne do filho embebida no leite da mãe” (Êxodo 34:26). Isto é um apelo à compaixão e à sensibilidade estendida ao mundo animal.
O primeiro Rabino-Chefe de Israel, o Rabino Abraham Isaac Hacohen Kook, percebia, mesmo nessa orientação, uma censura àquele que se alimenta de carne. Ele explica (de acordo com a interpretação do Nachmânides) que, quando os judeus ainda estavam no deserto e o Santuário (lugar dos sacrifícios) estava literalmente no meio do povo, a única carne que se permitia comer era a dos sacrifícios. Obviamente, isso limitava a quantidade de carne usada para alimentação. Somente depois que deixaram o deserto e devido ao fato de muitos israelitas morarem longe do Santuário é que foi permitido comer carne não proveniente dos sacrifícios, mas somente de acordo com as leis dacashrut.
Além disso, o Rabino Kook explicou que nas próprias palavras da Bíblia encontra-se uma advertência:
“Quando o Eterno, teu Deus, expandir tuas fronteiras... e disseres ‘comerei carne’ porque tua alma está ávida por carne...”
É somente por causa de tua “avidez” por carne – sem dúvida, um comentário nada lisonjeiro – que Deus permitiu aos israelitas comer carne. Por fim, ele diz que, no futuro período do Terceiro Templo, voltaremos ao ideal original de vegetarianismo e a única oferenda no Templo Sagrado será de grãos – a oferenda de Minchá.
Explicando o sacrifício animal de uma forma geral, o Rabino Kook defende que o mundo animal recebe seu ticun(conserto espiritual) ao ser trazido ao altar do Eterno, uma vez que, sendo desprovido de razão, os animais não podem se elevar, exceto por meio de algo que seja feito com eles. No futuro, entretanto, quando “a terra estará repleta do conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9), uma abundância de conhecimento se espalhará e alcançará até a vida animal. E, como nossos profetas ensinam que durante a Era Messiânica “Não causarão dano e nada destruirão em Meu santo Monte” (ibid.), é inconcebível que a vida animal seja destruída para servir ao Divino. Nesta época, “as oferendas (de farinha e vegetais) de Judá e de Jerusalém serão prazerosamente aceitas pelo Eterno” (Malaquias 3:4).
Uma noção similar pode ser encontrada nos escritos do Rabino Chaim David Halevi. Ele afirma – e cita o Rabino Kook como prova para seu argumento – que este será apenas o primeiro estágio da Era Messiânica, que incluirá sacrifícios animais no Terceiro Templo, uma vez que no primeiro estágio messiânico o mundo funcionará e existirá como é agora, incluindo os pecados e a necessidade de sua expiação. Entretanto, uma vez que a Era Messiânica alcance o seu clímax espiritual de arrependimento universal, os sacrifícios de animais se tornarão uma mera recordação do período anterior, mais primitivo. Afinal de contas, ele escreve, se não há pecado, qual é a necessidade de sacrifício animal para expiação?
O Rabino Halevi conclui que, no período do Terceiro Templo, a Presença Divina será revelada em todo Seu esplendor e glória, e não haverá outro sacrifício além da oferenda de Minchá, composta de farinha e óleo.
Há um costume muito bonito que consiste em cobrir a faca com a qual se corta a chalá enquanto recitamos a Bênção de Graças Após as Refeições, a fim de destacar nossa repulsa por implementos que podem ser usados para matar e destruir. Que chegue logo o tempo em que as espadas se transformarão em arados e as lanças em foices, quando não haverá mal nem destruição no mundo inteiro e as únicas facas serão para fatiar a chalá a ser comida com leite e mel – não com carne – em homenagem ao Shabat e às festas!

Extraído da obra Luzes da Torá (Gênesis): Sobre Vida, Amor e Família, do Rabino Shlomo Riskin.
A festa de Purim

A festa de Purim

A festa de PurimPurim é a época de carnaval no ano judaico. Assim como o jejum e as orações judaicas têm uma caraterística distinta, assim também há um sabor especial em seu regozijo. 

Esta festa anual é uma alegria derivada de uma das mais pavorosas e graves situações ocorridas na história judaica.

Ela comemora a virada de mesa contra o mais poderoso e malicioso antissemita que o mundo antigo conheceu. É um respiro histórico de alívio de que Pur, as sortes que Haman (que seu nome seja apagado) escolheu cinicamente para o dia de nossa destruição, acabou se revelando o dia de sua destruição. Este dia, 14 de Adar, é um misto de alívio abençoado, um toque de vingança, um pouco de temor e uma vaga descrença de que os dias de luto antecipados poderiam acabar se transformando diante de nosso olhos em dias de regozijo. “E foi invertido” – diz a Bíblia.

Esta inversão é expressa a cada ano pela rápida alternação de jejum e festa nos dias 13 e 14 do mês de Adar. O dia anterior a Purim é um dia de jejum, mas um jejum menor, observado apenas entre o nascer e o pôr-do-sol, denominado Taanit Ester (Jejum de Ester). Segundo o Livro de Ester, foi neste dia que Haman (que seu nome seja apagado), o primeiro-ministro da Pérsia, havia designado para o assassinato de todos os judeus do Reino Persa de Ahashverosh. A Rainha Ester, que era judia, convocou todos os judeus a jejuar junto com ela e, assim, evitou o mau decreto. (Um motivo adicional é que o jejum era para orar pelo sucesso do contra-ataque dos judeus.) O Jejum de Purim foi no dia em que os judeus “viraram a mesa” contra Haman (que seu nome seja apagado) e ele foi enforcado e seus comparsas destruídos. A celebração de Purim é definida pela observância de quatro Mitsvót especiais.


As Quatro Mitsvót de Purim

A MEGUILÁ


Enquanto Chanucá é mencionada apenas de passagem pelo Talmud, Purim tem um tratado inteiro, chamado Meguilá, dedicado a ela – onde se detalham as Mitsvót deste dia, principalmente a obrigação de ler o Livro de Ester, a Meguilá.

Na Noite de Purim e no serviço religioso do dia seguinte, a “Meguilá (ou pergaminho) de Ester” ou, como o Talmud a denomina, “A Meguilá”, é lida e cantada com um tom expansivo e alegre, adequado para a narração da história de Purim.

A Meguilá é geralmente lida numa sinagoga lotada, mas com um toque de preocupação. É preciso fazer um ajuste fino entre as exigências da Halachá e as das multidões de pessoas. A lei exige que cada palavra da Meguilá seja escutada atentamente; a multidão também exige que seja mantido o costume de que, a cada vez que se menciona Haman, o seu nome seja “apagado”, afogado pelo barulho de matracas, batidas de pés, vaias, trombetas ocasionais, sirenes de polícia ou tambores. A leitura da Meguilá é um acontecimento – seu sucesso é julgado pela comunidade com base no volume de decibéis de ruído, a impaciência dos idosos com as brincadeiras dos netos dos outros, as caretas que os rabinos mascaram em seus sorrisos enquanto tentam manter o cumprimento das exigências haláchicas, mantendo-se à liderança do tumulto nesta congregação frenética, quase furiosa, de sobreviventes de Haman (que seu nome seja apagado).

A FESTA


Como Purim é um feriado alegre, deve-se comer, beber e ficar contente, revivendo o incrível alívio de tensão que nossos ancestrais devem ter experimentado, motivo pelo qual a declararam “um dia de festa e satisfação”. Uma Seudá especial, ou “refeição festiva”, é feita no fim da tarde, as velas são acesas e toda a família senta-se para um jantar divertido, recordando o banquete no qual Ester buscou a anulação do mal decreto de Haman (que seu nome seja apagado) e onde come-se uma espécie de pastel com três pontas, cheio de ameixas secas ou sementes de papoula, que simboliza o chapéu que o Haman (que seu nome seja apagado) usava. (É a coisa mais próxima que existe a ter a sua cabeça!) Era costume, como nos dias inicias das Mishná, fazer um apelo comunitário especial em prol dos pobres em Purim, para que eles possam ter uma Seudá de Purim adequada.

O Talmud cita exemplos de júbilo extraordinário dos próprios sábios em Purim. Em algumas universidades talmúdicas ou Yeshivót, os alunos elegem um Rabino de Purim especial e se dedicam ao caos controlado de satirizar seus mestres de boa índole em poemas humorísticos e canções, enquanto preservam o respeito; de fantasiar-se, embora retendo a dignidade; de apresentar a “Torá de Purim”, aulas-trote que seus rabinos dão, mas, ainda assim, demonstram um aprendizado profundo. Em sua mais fina expressão é, de fato, um humor artístico único.


SHALACH MANOT


Cada pessoa envia “porções” a seu amigo. As “porções” consistem de presentes de comida e bebida. No mínimo, deve conter duas unidades de algum alimento cozido ou assado, geralmente incluindo Hamantashen e um doce ou bebida (suco, refrigerante ou vinho). Embora a obrigação mínima seja cumprida mandando-se tal presente para uma pessoa, é costume enviar-se Shalach Manot para todos os amigos próximos e rabinos de suas relações, e fazer as crianças trabalharem na entrega dos mesmos.


PRESENTES AOS NECESSITADOS


Cada pessoa deve dar para caridade a pelo menos duas pessoas ou causas necessitadas. Se onde a pessoa vive não houver pessoas pobres ou for impossível distribuir o dinheiro dos fundos naquele dia, o dinheiro deve ser deixado separado para posterior distribuição. Mesmo uma pessoa pobre que seja ele mesmo o objeto de caridade, deve dar algo também a outros.

Talvez o presente aos necessitados, demonstrado especialmente pelo presente que o pobre dá a outro pobre, é um modo brilhante pelo qual a tradição declara que, embora os jogos e a diversão sejam saudáveis, mesmo às custas de professores reverenciados e avós de barbas brancas, o sério empreendimento em ajudar os outros não tira férias, nem mesmo para celebrar o destronar da tirania e a oportunidade de respirar livremente mais uma vez.

Neste ano, Purim cai no dia 5 de março. 
Na véspera, no dia 4, comparecemos à leitura da meguilá na sinagoga e no dia 5 novamente. 
Durante o dia 5, também, devemos cumprir os outros preceitos deste dia.
6 Adar, 5775

6 Adar, 5775



Quarta-feira, 25 Fevereiro, 2015
6 Adar, 5775

Nesta Data:
Moshê Completa a Torá (1273 AEC)
Moshê completou o Livro de Devarim, concluindo sua revisão da Torá que tinha começado várias semanas antes, a 1º de Shevat. Ele então escreveu os Cinco Livros de Moshê completos, palavra por palavra, como lhe foi ditado por D'us. Este Rolo de Torá foi colocado na Arca Sagrada, próximo às Tabuas do Testemunho.

Primeira Impressão da Torá com Onkelos & Rashi (1482)
A primeira edição dos Cinco Livros de Moshê (Torá) com o Targum Onkelos (tradução aramaica da Torá) e o comentário do famoso Rabi Shlomo Yitschaki, conhecido como Rashi, foi publicada nesta data em 1482. Foi publicada em Bolonha, Itália, por Joseph Abraham Caravita, que montou uma gráfica em sua própria casa.

Falecimento de R. Shmaryahu Gurary (1889 - 1989)
O pai de Rabino Shmaryahu era um próspero homem de negócios, estudante erudito e chassid do 5º Rebe de Lubavitch, Rabino Sholom DovBer Schneersohn (1860-1920). Em 1921, o Rabino Shmaryahu casou-se com Chana Schneersohn (1899-1991) filha mais velha do 6º Lubavitcher Rebe, Rabino Yossef Yitzchak Schneersohn (1880-1950). Quando o Rebe Yossef Yitzchak faleceu, em 1950, muitos viram no Rabino Shmaryahu seu sucessor natural, sendo o genro mais velho. Mas quando o genro mais jovem, Rabi Menachem Mendel, foi o escolhido para suceder o Rebe, Rabi Shmaryahu tornou-se seu chassid devoto além de diretor executivo da Yeshivá Tomchei Tmimim.

24 de fev. de 2015

A Torá e o Guia de Ecologia

A Torá e o Guia de Ecologia

A Torá e o Guia de Ecologia
Por Ann Helen Wainer –  Publicado na Revista Morashá (Edição 68 - junho de 2010)

Dilúvio e inundação são temas presentes na mente do brasileiro, em razão das chuvas que castigaram São Paulo e o sul do Brasil, nos primeiros meses do ano, e a tragédia que assolou o Rio de Janeiro. Entretanto, estas e outras questões ecológicas foram, há muito, contempladas na Torá.

Portanto, posso afirmar, maravilhada, que não há nada de novo sob o sol nesta habitação global chamada planeta Terra. A propósito, a palavra ecologia pode ser traduzida por ciência da habitação. Tomo de empréstimo estas salomônicas palavras: por meio das passagens bíblicas constato o pioneirismo das questões ambientais minuciosamente previstas na Torá, o maior tesouro do Povo Judeu, por isto conhecido como o Povo do Livro. Costumo, inclusive, declarar que o glossário da Ecologia está na própria Torá. Aliás, a palavra Torá advém do hebraico horaá, que significa instrução, e or, luz, ou seja, a luz que ilumina.

Há inúmeras festas, no calendário hebraico, ligadas ao meio ambiente: Shavuot, Sucot e Tu Bishvat. Oportuno ressaltar que o Rebe Menachem Mendel Schneerson, Rebe de Lubavitch, compara o homem à árvore do campo, ressaltando nela alguns aspectos básicos: raízes, tronco, galhos e folhas; e frutos. Pelas raízes, a árvore retira o alimento que lhe possibilita suportar os ventos. Os galhos e troncos representam o crescimento e a aparência, enquanto os frutos contêm as sementes que fornecem as espécies com o potencial para o futuro. De forma análoga, o Rebe explica que as raízes de um homem representam sua qualidade espiritual, elo de ligação com D’us, sua verdadeira fonte de nutrição. O tronco, galhos e as folhas podem ser equiparados aos atos gerados pelo estudo da Torá, que permite ao homem crescer e se desenvolver. Já os frutos representam a perpetuação de atitudes dignas em relação aos familiares e à comunidade.

A festa de Shavuot tem vários nomes: “Festa das Semanas”, pois Shavuot em hebraico significa semanas; “Festa da Colheita”, pois em Israel é celebrada na época da safra do trigo; ou “Dia das Primícias”, por marcar o início da colheita das frutas. A tradição recomenda que se coma uma refeição de leite, produto da “terra que emana leite e mel”. Nessa festa, as sinagogas e casas judaicas são decoradas com galhos de árvores e flores. Em Shavuot, há 3.322 anos, diante de todo o Povo Judeu, D’us lhes outorgou a Torá na qual constam pioneiros mandamentos ecológicos.

Conforme orienta a filosofia judaica, existem dois tipos de leis. A lei que cria a vida – a Torá, e a lei criada pela vida, ou seja, a lei humana. Pois, enquanto as Leis Divinas são eternas, as humanas têm caráter temporário e geográfico.

No início do livro Gênese, após alertar Noah sobre o Dilúvio que faria cair sobre a Terra, D’us lhe ordena: “Faz para ti uma arca”, e o instrui de levar para a Arca toda espécie de animal. Esse episódio é uma demonstração da responsabilidade do homem em relação ao meio ambiente, e à conservação da Terra. O Criador determina que sete casais de cada espécie de animais puros e dois casais de cada espécie de animais impuros fossem levados para a Arca antes do Dilúvio. Dois cuidados podem ser percebidos: um, com a preservação das espécies animais; e outro, com a diversidade biológica, já que tanto os animais puros – casher – e impuros – não casher – deveriam ser salvos obrigatoriamente das águas do Dilúvio e consequente inundação. O Rebe de Lubavitch faz distinção quanto às características que diferenciam o animal puro do impuro. Ensina que os dois aspectos que separam as espécies animais – ruminantes e com casco fendido – são metáforas da conduta que deve ser adotada pelo homem. Tal qual o animal necessita ruminar antes de digerir por completo o alimento, o homem precisa meditar e raciocinar antes de agir, não devendo fazê-lo sob impulso ou emoção. Quanto ao aspecto do casco fendido, o Rebe afirma que o homem deve ter sua conduta dividida em dois sentidos: emocional e racional – lado esquerdo e direito. Integrá-los de modo a obter o equilíbrio é o objetivo da conduta correta. Em se tratando de animais puros e impuros, a porção semanal da Torá, parashá Shemini, cuja leitura é feita antes de Shavuot, contém a listagem dos animais puros e impuros, ou seja, os animais adequados ou não ao consumo alimentar (Levítico, 11: 1-47).

É impressionante que esteja nesta parashá tão especial.

De forma clara e definida, a Torá traz uma relação expressa dos animais que podem ou não ser ingeridos. Essa relação continua em vigor até hoje, não tendo nunca sido alterada, pois jamais foi encontrado algum outro animal com ambas as características.

Desafio mesmo algum biólogo a provar o contrário. Também, não poderia deixar de ser de outra forma, pois as Leis divinas são eternas. Vale notar que o consumo da comida, adequada, a cashrut, juntamente com o principio da shemitá, pelo qual de sete em sete anos a terra descansa e não pode ser cultivada, e qualquer um pode colher o que quiser das árvores; juntamente com o Shabat, quando o Povo Judeu descansa no sétimo dia, e o ritual do abate dos animais sem causar dor e sofrimento, denominado de shechitá, são exemplos das restrições expressas na Torá ao domínio absoluto da natureza pelo homem, conforme determinado por D’us (Levítico, 25:4 e Deuteronômio, 15:1-2).

Voltando a Noah, é na referida Arca que aparecem os primeiros registros sobre a destinação do lixo, já que um andar inteiro era reservado para seu depósito, a fim de evitar a poluição das águas. A Arca tinha três andares. O terceiro andar inferior destinava-se ao depósito de lixo, o intermediário para alojamento dos animais e o superior para o homem (Gênese, 6).

Cumpre notar que existem outros mandamentos que tratam do cuidado com o lixo, no livro Deuteronômio, onde D’us expressamente ensina que os dejetos devem ser obrigatoriamente cobertos (Capítulo 23: 13-15).

É importante destacar que, ainda dentre os acontecimentos marcantes no episódio da Arca de Noah, ocorre um histórico marco divisor quanto ao uso dos recursos naturais pelo homem, bem como em relação ao seu comportamento: o Criador lhe ordena a construção da Arca utilizando, pela primeira vez, a madeira (Gênese, 6:14). Após o dilúvio, D'us permite ao homem, até então vegetariano, comer carne de animal, desde que respeite certas limitações: a proibição de retirar e comer de membro do animal vivo ou de seu sangue (Gênese, 9:3 e 4).

Em se falando de alimentação, dois preceitos negativos norteiam o consumo de carne. Impede-se que se cozinhe carne no leite e que se coma carne cozida em leite. Na Torá – de forma enfática – consta a proibição de se cozinhar o cabrito com o leite de sua mãe, ordenamento estendido a qualquer tipo de animal (Êxodo, 23: 19). Tais proibições são motivadas em função do significado do leite – que representa a vida – e da carne – que representa a morte. Interessante observar que o leite aparece na fêmea por ocasião do parto (início da vida). O leite e a carne são opostos. Um começa onde termina o outro, pois para consumir a carne é necessário matar, uma vez que é proibido comer parte de animal vivo.

A Torá contém inúmeras histórias poéticas da estreita ligação do homem com a árvore. Como, por exemplo, quando o Criador faz nascer uma aboboreira, que subiu por cima do Profeta Jonas, fazendo sombra sobre a sua cabeça, a fim de livrá-lo do seu enfado. Contudo, no dia seguinte, D’us envia um bicho, o qual feriu a aboboreira e esta secou. Jonas declara a extrema compaixão por uma árvore que, numa noite nasceu e na outra pereceu. O Profeta não plantou nem tampouco trabalhou para que a aboboreira crescesse. A esse respeito, também é curioso notar que a Torá não permite o corte de árvores frutíferas, mesmo em caso de guerra (Deuteronômio, 20: 19). Veja-se aqui representado o princípio do consumo sustentável, pois mesmo em caso de guerra, a Lei Divina determina que as árvores não devem ser destruídas. Esta proibição é semelhante ao princípio do bal taschit (proibição do desperdício), da não-destruição desnecessária.

O texto bíblico não demonstra apenas compaixão pelas árvores. Estende o manto protetor aos animais em inúmeros ordenamentos. Oportuno mencionar que as modernas sociedades protetoras dos animais têm origem bíblica. Note-se que existe Lei Divina determinando que o boi, carneiro ou a cabra, ao nascerem, fiquem por sete dias junto de sua mãe (Levítico, 22: 27). Com este ensinamento da Torá aprendemos a agir com os animais com a mesma cautela que agimos com o ser humano. Isto porque, de acordo com os preceitos judaicos, o menino recém-nascido fica sete dias com sua mãe, antes da circuncisão, o brit milá, símbolo da Aliança Sagrada de D’us com o Povo Judeu, por intermédio de nosso patriarca Abrahão.

Outrossim, vale registrar que o ápice da misericórdia se traduz em outro mandamento divino que proíbe que se peguem passarinhos ou ovos de um ninho, quando a mãe os estiver chocando. Aquele que poupa tal sofrimento ao animal é abençoado pela Torá com o prolongamento de seus dias. Esse mandamento contrasta de forma tão violenta com o que os nazistas submeteram às mães, no cúmulo da crueldade humana, de forma imperdoável, no Holocausto, há apenas pouco mais de 70 anos. Em lembrança aos meus familiares dentre os seis milhões de judeus assassinados, ao veicular e reavivar essa preciosa lição da Torá, do cuidado com o olhar e sofrimento da mãe animal ao serem levados seus filhotes, estou apontando uma norma de conduta a ser seguida pela espécie humana. Cabe, pois, uma reflexão: se assim deve-se comportar o homem em relação ao animal, que dirá em relação ao próprio semelhante?

Rabi Shimon Bar Yochai, autor do Zohar, o Livro do Esplendor, revela através de uma parábola a interdependência dos atos humanos. “Certa vez, vários homens se puseram ao mar. Num momento de lazer e leviandade, um dos passageiros começou a fazer um buraco no fundo do barco, no lugar em que estava sentado. ‘Que está fazendo?’ – gritou um dos seus companheiros de viagem, alarmado. ‘Que lhe interessa saber o que eu estou fazendo?’ – respondeu o homem. ‘Não estou fazendo um buraco onde você está sentado, e sim sob o meu assento!’ ‘Pode ser sob seu lugar’, responderam os outros, ‘mas a água encherá o bote, que adernará. E todos nós nos afogaremos!’ ”

Hoje, estamos perfeitamente cientes de que os problemas ecológicos locais ultrapassam fronteiras e produzem, de fato, conseqüências planetárias. Conta o Midrash que o Rei Salomão, ao deparar com um camponês muito velho plantando uma árvore, perguntou-lhe por que estaria fazendo isso se não comeria de seus frutos. Respondeu o ancião que tendo-se aproveitado do trabalho de seus avós, plantava agora para os netos e, ele também, preocupava-se ainda mais pelos seus netos. Assim é que, a explicação tão simples do camponês ao Rei traduz-se na ideia de uma responsabilidade ética e coletiva em relação ao meio ambiente, o conceito de shomrei adamá, guardiães da terra. Afinal, não somos obrigados a acabar o trabalho, mas não podemos recusar o seu concurso, conforme nos ensina o indispensável Pirkei Avot (Capítulo 2: 21). Por fim, D’us não criou a Terra para se tornar um caos, e sim, para ser habitada. Para tanto, ordenou que as cidades disponham de juízes e policiais (Deuteronômio 16: 18). E não é este um princípio de Direito Ambiental, dividido em medidas preventivas e repressivas? A atuação coordenada de juízes e policiais permite que a sociedade viva de acordo com as leis corretamente interpretadas e aplicadas.

Algo interessante: o princípio da não-destruição expresso através da proibição do corte de árvores frutíferas está na porção semanal de Shoftim, Juízes, assim como, logo em seguida, está a determinação de responsabilidade por novas construções. Enfim, o fato é que tudo está na Torá, e não se pode transgredir a lei, alegando desconhecimento – esta é uma regra mundial. No Pirkei Avot, Rabi Iochanan perguntou um dia aos seus discípulos: o que é que o homem há de escolher de preferência? E dentre os atributos apontados, tais como, o bom olhar, um amigo sincero, um bom vizinho, a Providência, ele ficou com o bom coração (Capítulo 2: 13). Concluindo, espero que possamos todos, sociedade, empresários, juristas e governo, refletir sobre as diretrizes pelas magníficas lições dos Livros Sagrados, que estão perto de todos nós – judeus e não judeus. Finalmente, tendo em vista que os problemas ambientais são “socializantes”, independentes de classe social, profissão, credo ou raça – afinal, somos parte da raça humana – devemos ter em nossas mentes e corações a sábia conclusão, uma vez mais recorrendo ao Rei Salomão, de que uma geração vai e outra vem, mas a Terra permanece para sempre.

Ann Helen Wainer é advogada inscrita na OAB/RJ. É autora dos livros Legislação Ambiental Brasileira (Editora Forense, 1991) e Olhar Ecológico através do Judaísmo (1996), este último agraciado na categoria de Ensaio Ecológico do ano de 1998 pela União Brasileira de Escritores. Vive nos Estados Unidos, onde fez o mestrado em Artes e Estudos Religiosos.