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    Portugal oferece cidadania a descendentes de judeus expulsos

    Países da península Ibérica buscam reparação a judeus perseguidos e expulsos desde século 15
    O governo português aprovou novas regras, segundo as quais descendentes de judeus expulsos do país há mais de 500 anos podem pedir cidadania.
    Muitos judeus sefarditas ─ originários de Portugal e da Espanha ─ foram mortos, forçados a converter-se ao cristianismo ou a deixar o país no final do século 15.
    O Parlamento abriu caminho para uma mudança nas leis de cidadania há dois anos, mas precisava da aprovação do gabinete.
    A partir de agora, descendentes de judeus sefarditas que puderem provar ligações fortes com Portugal podem pedir um passaporte.
    Segundo o governo, as provas podem ser uma combinação de sobrenome, língua falada na família ou evidência de ascendência direta.
    Presença antiga
    Milhares de judeus sefarditas foram expulsos na península Ibérica, primeiro da Espanha e depois de Portugal.
    Alguns deles vieram para o nordeste brasileiro, onde fundaram a primeira sinagoga das Américas, em Recife.
    Outros, que foram para outras partes da Europa e do continente americano, continuaram a falar uma forma de português em suas novas comunidades.
    O governo português reconhece que os judeus viveram na região muito antes de o reino português ter sido fundado, no século 12.
    "Não é possível mudar o que já foi feito", disse que a ministro da Justiça portuguesa Paula Teixeira da Cruz. Ela afirmou ainda que a mudança da lei era a "atribuição de um direito".
    A comunidade judaica de Portugal, que já teve dezenas de milhares de membros, foi reduzida a apenas 1 mil pessoas – a maioria delas judeus asquenazi, com raízes no leste europeu.
    A Espanha também debate uma lei similar como forma de reparação ao tratamento que o país deu a judeus no passado.

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