30 de dez. de 2014

Historiador destaca importância da judiaria de Leiria nos descobrimentos


Historiador destaca importância da judiaria de Leiria nos descobrimentos
“A cidade de Leiria projecta-se no mundo por alguns acontecimentos de história judaica que decorreram aqui, entre eles as edições tipográficas da família Orta”
O historiador Saul António Gomes destacou hoje a importância da judiaria de Leiria, onde, no século XV, foi impresso o “Almanach Perpetuum”, obra que “guiou” os navegadores portugueses nos Descobrimentos, e defendeu a valorização da herança judaica da cidade.

“A cidade de Leiria projecta-se no mundo por alguns acontecimentos de história judaica que decorreram aqui, entre eles as edições tipográficas da família Orta”, afirmou à agência Lusa Saul António Gomes, explicando que o livro de Abraão Zacuto, de matemática e astronomia, foi “impresso pela primeira vez em Leiria”, cidade que fica “indelevelmente associada à história das ciências e à história das navegações e dos Descobrimentos portugueses”.

Para o historiador, “é muito provável” que o livro “tivesse servido às mais famosas navegações portuguesas, como seja a descoberta do caminho marítimo para a Índia que Vasco da Gama realizou ou depois outros grandes navegadores que voltaram a essa rota, como seja o Pedro Álvares Cabral e muitos outros depois disso”.

A tipografia ocupou uma de três casas no gaveto do edifício conhecido como Orfeão Velho, no centro histórico de Leiria, que o município quer recriar no âmbito do projecto de instalação de um Centro de Diálogo Interculturas na Igreja da Misericórdia, construída sobre uma sinagoga, para potenciar também o turismo judaico.

Segundo Saul António Gomes, em Leiria, “no ponto máximo da presença judaica, ou seja, nos finais da Idade Média”, pode falar-se de “algumas dezenas a uma centena de famílias judaicas instaladas na cidade”, o que “faz uma grande comunidade judaica para o Portugal dos finais da Idade Média”.

“Era uma judiaria próspera, com uma importantíssima vida económica, muito laboriosa no domínio das actividades artesanais” são outros dos atributos que o docente da Faculdade de Letras de Coimbra reconhece à comuna, que tinha “alguns físicos ou médicos na época cujos serviços eram muito requisitados pela população cristã”.

A este propósito, o autor de vários estudos sobre a história judaica em Portugal relata um pedido dos representantes da cidade ao rei D. Afonso V para que autorizasse que a casa de um dos mestres físicos de Leiria “pudesse ter uma porta aberta para a cristandade”, porque por vezes “era preciso chamar-se um físico ou um médico, sobretudo durante a noite”, quando “não era possível entrar na judiaria porque as portas da comunidade estavam fechadas”.

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