29 de set. de 2014

Recicle, reduza e reutilize

Recicle, reduza e reutilize

Recicle, reduza e reutilize
Sem Desperdício: Não É Seu!
 
“Recicle, reduza e reutilize” tem raízes profundas na tradição judaica. Mesmo antes de o Greenpeace entrar em cena, a Torá já tinha mostrado uma ética ambiental, conforme verificamos neste versículo de Devarim (20:19): “Quando sitiares uma cidade durante muitos dias para promover guerra contra ela e capturá-la, não deves destruir suas árvores.”

Os rabinos do Talmud explicaram: “Se durante os tempos de guerra estamos proibidos de abater as árvores dos nossos inimigos, então certamente não podemos destruir árvores produtivas em tempos de paz.”

E isso não fica apenas nas árvores. Destruir ou arruinar alimentos, roupas, vasilhas, palntas, fontes de água, ou qualquer coisa que possa ser benéfica a alguém está fora dos limites, mesmo que não tenham dono.

“Mas é meu!” grita um sujeito que quebrou um vaso. “Por que não posso fazer o que quiser com aquilo que me pertence?”

Apesar disso, não é preservação em prol da preservação. Quando não há maneira de consertar ou construir exceto destruindo algo ao longo do processo, então destruir é realmente construir. Há alguns casos em que árvores devem ser cortadas (consulte um rabino ortodoxo competente para orientação nesse respeito).

Porém, há limites para o que é considerada destruição produtiva. Por exemplo, quebrar um vaso de cristal para demonstrar aos seus filhos o quanto você está aborrecido pelo mau comportamento deles não é considerado produtivo para esses propósitos.

“Mas é meu!” um pretenso quebrador de vaso poderia gritar. “Por que não posso fazer o que quiser com minha propriedade?”

A resposta, segundo a Torá, é que na verdade não é sua propriedade. Você não criou aquilo. Tudo que você possui lhe foi dado com um propósito divino. Não é seu para desperdiçar - é sua posse para usá-lo para o bem. Tudo que D'us fez neste mundo, dizem os sábios, Ele criou para Sua glória.

Fonte: Chabd.org
O Futuro do Passado

O Futuro do Passado

O Futuro do Passado

 Rabino Jonathan Sacks

É estranho, muito estranho. Rosh Hashaná é o início de aseret yemei teshuvá, os dez dias de arrependimento. 

Refletimos sobre o ano que passou, lembramos o que fizemos de ruim e o bem que deixamos de fazer, pedimos desculpas, confessamos e pedimos perdão.

Porém, não há quase nada disso em Rosh Hashaná. Não há confissão, nem Ashanu bagadnu, nem Al chet, nenhuma referência ao ano passado, não há uma retrospectiva. Uma das poucas referências de que estamos embarcando num processo de teshuvá é a prece Unetanê Tokef, lembrando-nos de que hoje nosso destino está sendo escrito: quem viverá e quem morrerá.

Certamente o início dos dias de arrependimento deveria começar com arrependimento. A resposta é uma das verdades mais profundas do Judaísmo. Para consertar o passado, primeiro você tem de garantir o futuro.

Aprendi isso com os sobreviventes do Holocausto que conheci. Eles estavam entre as pessoas mais extraordinárias que jamais encontrei, e eu quis entender como eles puderam sobreviver, sabendo o que sabiam, vendo aquilo que viram.
O que vim a entender foi que muitos deles não falaram sobre aqueles anos, nem mesmo aos cônjuges ou aos filhos, às vezes durante quarenta ou cinquenta anos. Somente quando tinham garantido o futuro eles se permitiram olhar para o passado. Somente quando tinham construído uma vida foi que se permitiram relembrar a morte.

Foi quando entendi dois estranhos personagens na Torá, Nôach e a esposa de Lot. Após o dilúvio, parece, Nôach olhou para trás. Esmagado pelo pesar, ele buscou refúgio no vinho. Antes do dilúvio ele era a única pessoa em todo o Tanach que podia ser chamado de justo, porém terminou seus dias bêbado e nu. Dois dos seus filhos tinham vergonha de olhar para ele.

A esposa de Lot desobedeceu aos anjos, voltou-se para olhar a destruição de Sodoma e foi transformada numa estátua de sal. Creio que os sobreviventes do Holocausto sabiam que se eles olhassem para trás também seriam reduzidos ao sal das lágrimas.

Os judeus sobreviveram a toda tragédia porque olharam para a frente. Quando Sarah morreu, Abraham tinha 137 anos de idade. Ele tinha acabado de perder a mulher que partilhara sua jornada de vida e que por duas vezes tinha lhe salvado a vida. Ele poderia ter sido paralisado pelo sofrimento. Porém, é isso que lemos: “Abraham entrou em luto por Sarah e chorou por ela. Então Abraham se levantou do lado de sua esposa morta” (Bereshit 23:2-3): meras dez palavras em hebraico.

Lemos então como Abraham comprou o primeiro pedaço de terra em Israel e buscou uma esposa para seu filho. Muito tempo antes, D'us tinha prometido filhos e uma terra para ele. Quando Sarah morreu ele não tinha terra, e seu filho não era casado. Em vez de reclamar a D'us por Ele não ter cumprido Suas promessas, ele entendeu que tinha de dar o primeiro passo. Primeiro tinha de construir o futuro. Foi assim que ele honrou o passado.

E é isso que fazemos em Rosh Hashaná. As leituras da Torá são sobre o milagroso nascimento de dois filhos, Isaac para Sarah e Samuel para Hannah, porque filhos são o nosso mais profundo investimento no futuro. Proclamamos a soberania de D'us como se o dia fosse uma coroação, o início de uma nova era. Então, tendo nos comprometido com o ano vindouro, nos dias seguintes e em Yom Kipur podemos olhar para trás e pedir desculpas pelo ano que passou. Paradoxalmente no Judaísmo o futuro vem antes do passado. Essa visão única poderia transformar o mundo. 

Após o Holocausto, os judeus não se sentaram paralisados pelo sofrimento. Construíram o futuro, acima de tudo a terra e o estado de Israel. Se outras nações realmente se preocupassem com o futuro em vez de tentarem vingar os erros do passado, teríamos paz em algumas das piores zonas de conflito do mundo. E o mesmo ocorre conosco. Primeiro temos de nos concentrar em construir um futuro melhor. Então, e somente então, podemos redimir o passado.
Fonte: Chabad.org
Lady Gaga e a sua visão de Israel

Lady Gaga e a sua visão de Israel

Lady Gaga e a sua visão de IsraelLady Gaga: A visão do mundo de Israel não corresponde à realidade.
Lady Gaga deu este mês um concerto em Tel-Aviv, contrariando a atitude de muitos artistas que se recusaram a deslocar a Israel devido aos conflitos políticos na região.

Ao The Independent, Gaga não se poupou em elogios. «Fantástico! Tel Aviv foi magnífico», sublinhou sobre o espetáculo de dia 13.

A visão do mundo de Israel não corresponde à realidade. É um lugar muito bonito. As pessoas têm bom espírito. Fiz um concerto muito emocional com os fãs. Foi incrível, comentou.

Gaga editou esta semana o álbum conjunto com Tony Bennett «Cheek to Cheek». O cantor supreendeu ao aparecer em Tel Aviv para cantar «Anything But Love».

Eu sabia que ele vinha [a Tel Aviv] para um espectáculo mas chegou um dia mais cedo e perguntou-me: «Hey, queres cantar Anything But Love» no «Artrave»? E eu pensei quão incrível era fazer a ponte entre o jazz e a pop».

Gaga conta que as 25 mil pessoas sabiam a letra de cor. A 10 de Novembro, a atual digressão de Lady Gaga passa pelo MEO Arena. 

27 de set. de 2014

Tzimmes de Batata Doce e Ameixas

Tzimmes de Batata Doce e Ameixas

Tzimmes de Batata Doce e Ameixas

Tzimmes, tradicional iguaria judaica feita com cenouras e mel, é servida em Rosh Hashaná – o Ano Novo Judaico, quando tudo é adoçado com mel.

Ingredientes
3 a 4 batatas doces de tamanho médio
3 cenouras médias
200 gramas de ameixas secas
Suco de laranja
Canela
1/3 xícara de mel
assadeira média
margarina ou spray para untar
Papel alumínio

Preparo
Lave e descasque as batatas doces e as cenouras. Se quiser um sabor mais doce, coloque mais batatas e menos cenouras.
Corte os vegetais em pedaços pequenos.
Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte a assadeira. Coloque as cenouras e as batatas e acrescente as ameixas picadas. Estas irão adoçar o prato, portanto se quiser um sabor menos adocicado, diminua a quantidade.
Coloque o suco de laranja para umedecer os vegetais – cerca de 1⁄4 de xícara de suco.
Cubra os tzimmes com cerca de 1/3 de xícara de mel, cobrindo-os por igual.
Salpique a canela sobre os tzimmes e cubra a vasilha com papel alumínio.
Leve ao forno e asse por cerca de 60 minutos, checando periodicamente para ver se mais mel é necessário.
Retire a assadeira do forno quando as batatas estiverem tenras e remova o papel alumínio. Deixe esfriar ligeiramente antes de servir.

Tashlich

Tashlich

A prece de Tashlich nos desperta para o arrependimento. Nos lembra da insegurança da vida do peixe, e o perigo de ser atraído pela isca, ou de ser apanhado na rede do pescador. Nossa vida, também, está repleta de ciladas e tentações.

Em sua explicação sobre nossos costumes e tradições, o Rabi Yaacov Levi, conhecido como Maharil, codificador de leis, retrata a origem do costume de Tashlich até épocas muito remotas. É realizado pouco antes do pôr-do-sol na tarde do primeiro dia de Rosh Hashaná, indo às margens de um rio, lago, ou algo semelhante, onde certas preces são recitadas, seguidas pelo simbólico agitar dos cantos de nossas roupas.
Os três últimos versos do profeta Michá, que recitamos em Tashlich, contém a explicação para este costume. Dizemos: "Quem é um D'us como Vós, perdoando a iniqüidade e perdoando a transgressão aos herdeiros de Seu legado. Ele não reteve Sua ira para sempre, porque Ele se regozija na bondade. Ele mais uma vez terá misericórdia de nós. Ele suprimirá nossas iniqüidades; sim, Vós jogareis nossos pecados às profundezas do mar."

Naturalmente, sacudir os cantos da roupa não nos livra de nossos pecados. Mas certamente nos recorda de que devemos fazer uma boa limpeza no coração e livrá-lo de todo o mal.


O Maharil nos fornece uma explicação mais completa de Tashlich. O Midrash nos diz que quando Avraham (Abraão) e Yitschac (Isaac) foram ao Monte Moriyá para a Akedá (amarração de Yitschac), precisaram cruzar um rio, uma das formas que Satan (o Acusador) usou para impedi-los de cumprirem as ordens de D'us. A correnteza ameaçava levá-los, mas Avraham rezou: "Salve-nos, D'us, pois a água atingiu nossas próprias vidas," e foram salvos da correnteza.
Assim, diz Maharil, nenhum obstáculo deveria impedir-nos de obedecer às ordens de D'us. Aquele que pode mostrar o amor abnegado de Avraham sua prontidão para morrer pela palavra Divina, pode estar certo de que "seus pecados serão jogados ao mar".

Nós e os peixes

A prece de Tashlich, recitada às margens de um rio, lago ou mar, onde quer que haja peixes, tem um outro significado, despertando-nos pensamentos de arrependimento. Pois isto nos lembra da insegurança da vida do peixe, e o perigo do peixe ser atraído pela isca, ou de ser apanhado na rede do pescador. Nossa vida, também, está repleta de ciladas e tentações.
Somos lembrados da clássica parábola de Rabi Akiva, que desafiou o decreto proibindo o estudo de Torá que o imperador romano Adriano tentou impor aos judeus.

Ao lhe perguntarem por que arriscava sua vida estudando e espalhando os ensinamentos da Torá, Rabi Akiva replicou com a seguinte parábola:
"Uma raposa faminta chegou até a margem de um regato. Viu os peixes nadando incessantemente. A astuta raposa disse aos peixes: 'Vejo que estão vivendo num terror mortal de que caiam na rede do pescador. Saiam aqui para a margem seca, e escaparão da rede do pescador, e então viveremos felizes para sempre, como meus antepassados viveram com os seus.'
"Mas os peixes zombaram da esperta raposa, e responderam: 'Se na água, que representa nossa própria vida, estamos em perigo, certamente deixar a água significaria morte certa para nós!'
"A Torá é nossa própria vida, e não podemos viver sem ela, assim como os peixes não podem viver sem a água. Podemos salvar-nos abandonando nosso modo de vida, os caminhos da Torá?"

Tais são as reflexões que Tashlich desperta no coração.

Finalmente, o peixe nos serve de lembrete adicional do "olho sempre vigilante" da Providência, pois os peixes não têm pálpebras; seus olhos estão sempre abertos. Assim, nada pode ser oculto de D'us. Pelo mesmo padrão, a pessoa extrai coragem e esperança da fé em D'us, pois o Guardião de Israel jamais dorme ou cochila.

Tempo precioso

Na Idade Média o costume de Tashlich era usado muitas vezes para acusar os judeus de fazer um feitiço sobre a água, ou mesmo envenená-la, e os Rabis eram, naquela época, obrigados a proibir a observância de Tashlich pelas suas comunidades, de forma a não ameaçar-lhes a vida
Rabi Abahu disse: "Os Anjos Auxiliares perguntaram ao Todo Poderoso: 'Mestre do Universo, por que os judeus não recitam a canção de Halel perante Vós em Rosh Hashaná e Yom Kipur?'
"Respondeu-lhes D'us: Quando um rei senta-se no Trono do Julgamento, com o Livro da Vida e da Morte aberto à Sua frente, é correto que os judeus cantem a Mim nesta época?"

O peixe nos serve de lembrete adicional do "olho sempre vigilante" da Providência, pois os peixes não têm pálpebras; seus olhos estão sempre abertos. Assim, nada pode ser oculto de D'us. O Guardião de Israel jamais dorme ou cochila.

Não há horário para se dormir em Rosh Hashaná: o tempo é precioso demais. Nem bem acabamos a refeição, e voltamos para a sinagoga. No primeiro dia de Rosh Hashaná, Minchá (a prece vespertina) é recitada cedo devido ao Tashlich, e além disso, queremos recitar o maior número de Salmos. Alguns conseguem dizer todo o livro de Tehilim (Salmos) diversas vezes durante os dois dias de Rosh Hashaná. Depois de Minchá, as pessoas saem para Tashlich, ao local mais próximo onde haja água natural e peixes (lago, rio ou oceano).

Ali, à beira da água, fazemos as orações de Tashlich e sacudimos os fios do tsitsit. Isto é simbólico das palavras do profeta Michá: "E atirarás para a profundeza do mar todos os seus pecados..."

Naturalmente, sacudir os cantos da roupa não nos livra de nossos pecados. Mas certamente nos recorda de que devemos fazer uma boa limpeza no coração e livrá-lo de todo o mal.


E de fato, temos a sensação depois do Tashlich de termos nos livrado de um pesado fardo. É uma sensação reconfortante, que nos ajuda na realização das nossas boas decisões para o ano que entra.


Tashlich

1) MI El Camocha, 2) nossê avon,3) veovêr al pesha, 4) lish’erit nachalato, 5) lo hechezíc laád apo, 6) ki chafêts chessed Hu. 7) Iashuv ierachamênu, 8) yichbosh avotênu, 9) vetashlich bim’tsulot iam col chatotam. 10) Titên emet le Yaacov,11) chessed leAvraham, 12) asher nishbá’ta laavotênu, 13) mimê kedem. 1) Min hametsar caráti Yáh, 2) anani bamerchav Yáh. 3) A-do-nai li, 3) lo ira, 5) ma iaassê li adam. 6) A-do-nai li beozrai, 7) vaani er’ê vesson’ai. 8) Tov lachassot b’A-do-nai mibetoach baadam. 9) Tov lachassot b’A-do-nai mibetoach bindivim.


RANENÚ tsadikim b’A-do-nai, laisharím navá tehilá. Hodú l’A-do-nai bechinór, benêvel assór zamerú ló. Shíru ló shir chadásh, hetívu naguên bit’ruá. Ki iashár devar A-do-nai, vechol maassêhu beemuná. Ohêv tsedacá umishpát, chéssed A-do-nai maleá haárets. Bidvar A-do-nai shamáyim naassú, uvrúach piv col tsevaám. Conês canêd mê haiám, notên beotsarót tehomót. Yireú me’A-do-nai col haárets, miménu iagúru col ioshevê tevel. Ki Hu amar vaiéhi, Hu tsivá vaiaamód. A-do-nai hefir atsát goyím, heni mach’shevót amím.

Atsát A-do-nai leolám taamód, mach’shevót libó ledór vadór. Ashrê hagói asher A-do-nai Eloháv, haám bachár lenachalá ló. Mishamáyim hibit A-do-nai, raá ét col benê haadam. Mimechón shivtó hishguíach, él col ioshevê haárets. Haiotsêr iáchadlibám, hamevin él col maassehém. Ên hamélech noshá beróv cháyil, guibór ló yinatsêl beróv cóach. Shéker hassús lit’shuá, uv’rov chelo ló iemalêt. Hinê ên A-do-nai él iereáv, lameiachalím lechasdó. Lehatsíl mamávet nafshám, ul’chaiotám baraáv. Nafshênu chiketá l’A-do-nai, ezrênu umaguinênu Hu. Ki vó yismách libênu, ki veshêm codshó vatáchnu. Iehí chassdechá A-do-nai alênu caasher yichálnu lách.

LO iarêu velo iash’chítu bechol har codshí, ki mal’á haárets deá et A-do-nai camáyim la’iám mechassim.

IEHÍ ratson milefanecha, A-do-nai E-lo-hê-nu v’Elohê avotênu, El Elion muchtar beshlosh esrê midot mechilin derachamê shetehê shaá zu êt ratson lefanecha vihê olá lefanecha keriát shelosh esrê mechilin derachamê shebipessukê " Mi El camocha", ham’chuvanim el shelosh esrê midot "El Rachum ve Chanun", asher carínu lefanecha, keílu hissagnu col hassodot vetserufê shemot hakedoshim haiots’ím mehem, vezivuguê midotehen, asher achat beachat yigashu lehamtíc et hadinim takifin. 
Uvechên tashlich bim’tsulot iam col chatotênu, vetashpía alênu shefa ieshuá verachamim mehen, vezochrênu lechayím, Melech chafêts bachayím, vechotvênu bessêfer hachayím, lemaanchá Elohim chayím, venizke lit’shuvá ilaá, ki ieminchá peshutá lekabêl shavim, uk’rá roa guezar dinênu, vyicar’u lefanecha zechuiotênu, vetaarich apechá alênu letová, Amên.

YIHIÚ leratson imrê fi veheguion libí lefanecha, A-do-nai Tsurí veGoalí. 
Sacode-se as pontas do talit catan (a roupa de quatro pontas com franjas, usadas pelos varões).

TRADUÇÃO

MI 1) Quem é um D’us como Tu, 2) que perdoa a iniquidade 3) e desculpa a transgressão 4) ao restante de Seu patrimônio? 5) Ele não mantém Sua ira para sempre. 6) pois Ele deseja [fazer] bondade. 7) Voltará a mostrar-Se misericordioso conosco, 8) eliminará nossas iniquidades; 9) e Tu atirarás todos os seus pecados às profundezas do mar. 10) Concede verdade a Yaacov, 11) bondade a Avraham, 12) tal como juraste aos nossos pais 13) desde os dias de outrora. 1) Desde a opressão chamei a D’us; 2) com abundante alívio, D’us me respondeu 3) A-do-nai está comigo, 4) não temo – 5) O que pode fazer-me o homem? 6) A-do-nai está comigo entre os que me ajudam, 7) e eu verei [a queda de] meus inimigos. 8) É melhor depender de A-do-nai do que confiar no homem. 9) É melhor depender de A-do-nai do que confiar nos nobres.

RANENÚ Cantem jubilosamente a A-do-nai, vocês, os justos; é digno aos retos oferecer louvor. Louvem a A-do-nai com harpa; cantem-Lhe com lira de dez cordas. Cantem-Lhe uma nova canção; toquem habilmente sons de júbilo. Pois a palavra de A-do-nai é justa; todas Suas obras são feitas com fidelidade. Ele ama a retidão e a justiça; a bondade de A-do-nai preenche a terra. Pela palavra de A-do-nai foram feitos os céus, e pelo sopro de Sua boca todas suas hostes. Ele reúne as águas do mar como um montículo; Ele aloja as profundezas em depósitos subterrâneos. Toda a terra tema a A-do-nai; todos os habitantes do mundo tremam perante Ele. Porque Ele falou, e foi; Ele ordenou, e perdurou. A-do-nai anulou o conselho de nações; Ele desbaratou os ardis dos povos.

O conselho de A-do-nai perdura eternamente; os pensamentos de Seu coração durante todas as gerações. Feliz é a nação cujo D’us é A-do-nai, o povo que Ele elegeu como patrimônio para Si. A-do-nai olha do céu; Ele contempla toda a humanidade. De Sua morada Ele observa atentamente a todos os habitantes da terra. É Ele quem forma os corações de todos eles, quem percebe todas suas ações. Um rei não é salvo graças a um grande exército; um guerreiro não é resgatado graças a uma grande força. Um corcel é uma falsa garantia de vitória; com todo seu grande vigor não concede a fuga. Mas o olho de A-do-nai está dirigido àqueles que O temem, àqueles que esperam Sua bondade; para salvar sua alma da morte e para provê-los durante épocas de fome. Nossa alma anseia por A-do-nai; Ele é nossa ajuda e nosso escudo. Pois n’Ele se alegrará nosso coração, pois temos confiado no Seu santo Nome. Esteja Tua bondade, A-do-nai, sobre nós, assim como temos depositado nossa esperança em Ti.

LO Não farão o mal nem destruirão em toda a Minha montanha sagrada, pois a terra estará cheia do conhecimento de A-do-nai, como as águas cobrem o mar.

IEHÍ Que seja Tua vontade, A-do-nai nosso D’us e D’us de nossos pais, D’us exaltado, coroado com treze atributos, qualidades de misericórdia, que seja este um momento propício diante de Ti e que Tu consideres a recitação dos Treze Atributos de Misericórdia nos versículos "Quem é um D’us como Tu" que correspondem aos treze atributos "D’us benevolente, misericordioso e gracioso, etc.," que recitamos diante de Ti como se tivéssemos compreendido todos os significados esotéricos e as combinações dos santos Nomes que se formam com eles, e a união de seus atributos, que, um a um, se aproximarão para "adocicar" os julgamentos severos. E assim, atira todos os nossos pecados nas profundezas do mar, e concede-nos dele a plenitude da salvação e da misericórdia. Recorda-nos para a vida, Rei que deseja a vida; inscreve-nos no Livro da Vida, por Ti, D’us vivo. Que sejamos merecedores de alcançar a teshuvá ilaá ("arrependimento do nível mais elevado") pois Tua destra está estendida para receber os penitentes. Rasga o (aspecto) maligno do veredito decretado contra nós; que nossos méritos sejam mencionados diante de Ti, e que Tu Te mostres paciente conosco para o bem. Amén.

YIHIÚ Que as palavras de minha boca e a meditação de meu coração sejam aceitáveis perante Ti, A-do-nai, minha Força e meu Redentor.

(Sacode-se as pontas do talit catan: a roupa de quatro pontas com franjas, usadas pelos varões).
Maccabi Tel Aviv vence o Flamengo no mundial de basquete

Maccabi Tel Aviv vence o Flamengo no mundial de basquete

Maccabi Tel Aviv vence o Flamengo no mundial de basquete


Flamengo perde para o Maccabi Tel Aviv  o primeiro jogo da final do Mundial de Basquete.

Vacilo do Rubro-Negro no fim do último quarto fez o Maccabi Tel Aviv vencer o duelo por 69 a 66
 A frente durante quase toda a partida, o Flamengo vacilou no fim do último quarto e perdeu para o Maccabi Tel-Aviv por 69 a 66, no primeiro jogo do Mundial de Clubes de Basquete. Com a derrota, o Fla precisa vencer por pelo menos quatro pontos de diferença no próximo domingo, às 12h, na HSBC Arena, para ficar com o título da competição.

A equipe rubro-negra pecou e forçou muito a bola de três pontos onde teve um péssimo aproveitamento (quatro acertos em 31 tentativas), o que comprometeu a atuação do time no jogo. O trio Benite, Olivinha e o estreante da noite, Derrick Caracter, que vieram do banco, foram peças fundamentais para ajudar o Fla a se manter próximo no jogo com 31 pontos e 22 rebotes juntos.

Pelo clube da Gávea, Olivinha terminou como cestinha da partida com 13 pontos, além de 7 rebotes (6 ofensivos). Em seu primeiro jogo com a camisa rubro-negra, o norte-americano Caracter teve atuação espetacular com 10 pontos e 11 rebotes, terminando com um duplo-duplo. Pelo lado israelense, o armador Jeremy Pargo foi decisivo para vitória com 21 pontos, cinco rebotes e duas assistências.

O JOGO

O início de jogo foi de muitos erros para cada lado. O Flamengo optou por forçar com as bolas de três (foram sete arremessos e somente um acerto) mas sem sucesso. Marcelinho fez os dois primeiros pontos da partida em lances livres. O Maccabi e o Fla ainda tentavam se estudar no início de jogo e cada um buscava encaixar seu jogo. Após dois bons ataques o Rubro-Negro conseguiu abrir uma vantagem de 11 a 7 sobre o rival, mas a entrada do armador Ohayon mudou o jeito de jogar do Maccabi e o time cresceu em quadra.

Comandados pelo camisa 12, a equipe israelense virou o jogo para 14 a 11. Então Neto promoveu a estreia do pivô norte-americano Derrick Caracter que ajudou o Fla a fechar o primeiro quarto na frente com um parcial de 15 a 14 depois de uma bandeja de Laprovittola.

O segundo quarto começou com o Flamengo melhorando a marcação e passando a dificultar o ataque israelense. Em duas cestas de Olivinha e Benite, a equipe carioca logo abriu cinco pontos de vantagem na parcial de 19 a 14. Com um time mais leve com a entrada dos dois jogadores, o Fla passou a dominar as ações da partidas. O estreante da noite, o pivô Caracter (com seis pontos e e quatro rebotes), comandava o ataque e a defesa e o Rubro-Negro conseguiu abrir uma vantagem de de oito pontos: 31 a 23.

Porém nos últimos dois minutos, Neto mexeu na equipe e o time desandou. O Maccabi cresceu e em três ataque seguidos encostou no placar: 33 a 29. O quinteto em quadra para o Fla passou a abusar dos erros nos ataques e na defesa não conseguia pressionar o time israelense, mas com uma cesta de Benite, a equipe reencontrou o rumo no quarto e fechou o primeiro tempo de partida em vantagem: 35 a 30.

No início do terceiro quarto o Flamengo começou acertando o que mais errou no primeiro tempo: a bola de três. Em um arremesso certeiro, Marquinhos iniciou bem a segunda parte do jogo, mas o Maccabi logo encontrou seu jogo e cortou a vantagem do Fla para apenas dois pontos: 40 a 38. A partida ficou equilibrada para os dois lados e a equipe rubro-negra foi mantendo sua vantagem que varia entre um e dois pontos.

Apesar de o jogo interno funcionar bem, os cariocas continuaram forçando a bola de três que insistia em não cair. Já no final do quarto, em duas bolas seguidas em baixo da cesta com Olivinha e Herrmann o Fla foi para o último quarto em vantagem: 51 a 46.

O time israelense começou melhor a última parte da partida e com duas cestas seguidas, empatou o jogo pela primeira vez desde o primeiro quarto. O Fla continuou em vantagem e administrando o resultado mas o americano Pargo, do Maccabi, estava inspirado e colocou duas bolas de três seguidas para manter os israelenses no jogo. A dupla vinda do banco formada por Olivinha e Caracter comandava as ações dentro do garrafão tanto no ataque quanto na defesa e mantinha a diferença a favor do Fla.

Com um jogo forte de transição e com muita infiltração, comandado por uma atuação espetacular de Pargo, o Maccabi finalmente passou a frente do Flamengo faltando um minuto para o fim do jogo: 67 a 64. A vantagem para o time de Israel afetou a equipe carioca, que após estar por quase todo o jogo na frente, sofreu a virada no fim. Faltando nove segundos para o fim, Marcelinho forçou uma bola de três tentando empatar a partida mas errou. Porém, o pivô Meyinse catou o rebote e com uma cravada espetacular, manteve o Fla vivo no jogo. No último arremesso da partida, Pargo quase desequilibrado derrubou a bola e aumentou a vantagem do Maccabi para o segundo jogo no domingo.

Colaborou: Edsel Britto

25 de set. de 2014

Uma religião difícil

Uma religião difícil


É algo que todos percebem desde o primeiro momento que conhecem o judaísmo: não se trata de uma religião fácil de seguir. São muitos detalhes, muitos comandos, muitas demandas. Você não tem permissão para trabalhar ou viajar no sábado, não se pode comer uma enorme gama de alimentos saborosos e populares, tanto homens quanto mulheres devem vestir-se modestamente, feriados judaicos não coincidem com o calendário local e etc, etc, etc…

Bom, há muitos judeus que se abstêm de algumas responsabilidades do judaísmo e deixam de cumprir rigorosamente todas ou algumas das leis e costumes, para, desta maneira, não se desligar dos prazeres ou, das necessidades, do mundo moderno. Porém, todos aqueles que estudaram ou que conhecem minimamente o assunto, quando deixam de cumprir corretamente algumas das orientações da Torá e de seus sábios, ficam com um sentimento interior de que está faltando alguma coisa, sentimento esse, que nem sempre são capazes de explicar. Não estou buscando criticar ninguém, (afinal, quem sou eu para criticar, tendo minhas próprias falhas?) apenas estou descrevendo um grupo amplo e diversificado de judeus.

De outro lado, estão aqueles que realmente se sobrecarregam com o cumprimento de todos os mandamentos e seus muitos detalhes mas que nunca estão satisfeitos consigo mesmos (mesmo com aqueles que o rodeiam) e desesperadamente buscam mais e mais detalhes desconhecidos para tapar os buracos deste espesso muro que constroem.

O Parecer da Torá

Entre esses dois grupos de judeus, qual que você acha que vai de acordo com a opinião da Torá?

Nossa Parasha traz alguns versos que dizem “não está coberto e nem está longe”, “Não está no céu, para que você diga: ‘Quem subirá ao céu, para trazer-nos e fazer-nos ouvir’?” “Nem do outro lado do mar, para que você diga: ‘Quem atravessará o mar e nos trará para que sejamos capazes de ouvi-la e cumpri-la?’” e então, “Pois está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para cumpri-la”(Deuteronômio 31:11-14).

Na verdade estes versículos estão dizendo que, se necessário, deve-se ascender ao céu ou atravessar o mar para poder estudar a Torá, pois sem esta, estaríamos perdidos, pois não teríamos as condições necessárias para o bom cumprimento da vida. Quando entendemos seu valor, todas as dificuldades se tornam, poucas e sem importância.

Ou talvez deveríamos tomar nosso tempo para aprender corretamente uma ciência estrangeira e estranha que nos dê grande benefício.

Acontece que esta ciência não é nem estranha para nós e nem longíqua. Ela está registrada tanto em nossas bocas quanto em nossos corações. Na nossa boca, pois todo mundo conhece os conceitos de “Amor do Criador” e “Amor ao Próximo”, que são os dois grandes pilares que formam a base de toda a Torá. Como disse Hillel, o ancião, a todos os prosélitos que vieram se juntar ao Povo de Israel (e, foi copiado pelo cristianismo, anos mais tarde). Também esta gravada em nossos corações, pois quando nos afastamos do cumprimento dos mandamentos, o nosso coração protesta e nos deixa sozinhos, nos enviando sonhos e ilusões, até voltarmos ao bom caminho.

Desesperados de Nós Mesmos

Isso ocorre porque o Criador nos impôs estas condições em nosso DNA, em nossa personalidade, e, embora não sejamos conscientes, temos um fardo que nos impede de viver em verdadeira tranquilidade. Podemos tentar contornar a guarda por um tempo, podemos tentar afogar esses sentimentos que surgem nas profundezas de nosso coração, mas se o fizermos entraremos em uma situação mais lamentável ainda, em que significa que temos perdido a esperança em nós mesmos, nossas possibilidades e capacidades. Mas enquanto exista algo de bom em nós, o Criador não nos deixará que nos percamos.

Em que consiste, então, o problema? Simplesmente em descobrir essas qualidades em nós mesmos, nestes termos. A ciência tem sido capaz de descobrir muitas condições das quais, ao segui-las, se torna mais propício gozar de uma boa saúde, como: não negligenciar o corpo, alimentação e exercícios adequados e etc. Mas não há necessidade de se estressar com exercícios contínuos e pesados, ou cálculos compulsivos de calorias por grama de carboidrato ou de gordura que comemos.

O Corpo Saudável

O corpo em boas condições é capaz de reconhecer suas necessidades sozinho. O problema é que não estamos em boas condições. Desde o primeiro momento de nossas vidas, somos rodeados de condições falsas, como, por exemplo, ao devorarmos alimentos que não são necessários. Que nem mesmo comida são. Nos acostumamos a passar horas intermináveis ​​sentados no escritório, usando dois ou três músculos e negligenciando todos os outros. Nos esquecemos de sorrir, pular, sonhar. Todos sabemos que vivemos mal, que devemos buscar outra coisa, mas estamos com preguiça de encontrar a solução. E assim, esperamos que os cientistas descubram a verdadeira fórmula que nos permita recuperar a saúde perdida.

O mesmo se aplica para a nossa saúde espiritual. Esta é inata em nós, enquanto não a destruímos. Mas esquecemos dela há séculos, através de repetidos descuidos, ao desconsiderar ou, pelo menos, subestimar tais condições.

613

Nossos Sábios nos dizem que há 613 mandamentos na Torá, subdivididos em 248 positivos, que correspondem ao número de membros e órgãos de nosso próprio corpo, ev365 negativos, que representam os 365 dias do calendário solar. Desta maneira, entendemos que cada membro e cada dia tem a sua própria condição de nos levar a nossa satisfação pessoal.

E então fugirmos de nós mesmos ao pensar que se tratam de imposições estrangeiras e estranhas de um D´us cruel ou inflexível, sem compreender que são as condições de nossa própria condição humana, que nos levam a nossa realização.

Não está no céu

‘Não está no céu’ tornou-se um provérbio em hebraico moderno para designar missões, tais como parar de fumar, ou qualquer outra que, à primeira vista, parecem impossíveis, mas ao implementá-las se percebe que não eram tão graves. A Torá nos diz que os mandamentos de D´us não são uma punição e nem são uma imposição estrangeira, se trata da nossa vida, as condições de nossa própria existência. Que grande tolice deperdiçá-las! Que grande erro subestimá-las,inventando-nos desculpas!

As vésperas do Dia do Julgamento, Rosh Hashanah, revisamos sobre o verdadeiro valor dos mandamentos da Torá e tomamos um primeiro passo para pôr em dia o cumprimento adequado, sem estresse, sem perder a boa vontade e a perseverança.

Shana Tova! (Um Bom Ano!)

Fonte:shaveiisrael
A assimilação

A assimilação

Assimilação no judaísmo
“Simu levavchem lechol hadevarim asher anochi meid bachem hayom asher tetsavum et benechem laassot et col divrê Hatorá hazot. Ki lô davar rec hu mikem ki hu chayechem uvadavar hazê taaríchu yamim al haadamá asher atem overim et Hayarden shama lerishtá” (Devarim 32:46-47) – E disse-lhes Moshê: Fiquem atentos sobre tudo o que lhe testifico hoje, para que possam ordenar a seus filhos, para que cuidem de cumprir todas as palavras desta Torá. Porque vosso esforço não será sem recompensa, pois é sua vida e por intermédio destas coisas prolongar-se-ão teus dias na terra que estão atravessando o Jordão a fim de herdá-la.

Com estas palavras, Moshê faz o Povo de Israel entender que toda a sua existência depende do cumprimento das mitsvot e de sua transmissão de geração em geração. Em Bereshit (18:19) vemos que justamente por este motivo o Todo-Poderoso louva Avraham Avínu, dizendo gostar dele porque sabia que ordenaria a seus filhos e à sua casa que continuassem, depois dele, guardando o caminho do Eterno, fazendo caridade e justiça.

A existência do Povo Judeu é um dos fatos mais surpreendentes da história da humanidade. Um povo perseguido e disperso entre as nações. Sua existência torna-se um milagre evidente perante os olhos de qualquer um que repasse em sua mente a história de nosso povo.

Enquanto gigantescos impérios desapareceram da face da Terra, este povo sem nenhuma defesa física continua existindo e guardando suas características especiais durante muitos anos. Tivemos o mérito de vermos se concretizar o versículo: “Hinê lô yanum velo yishan Shomer Yisrael” (Tehilim 121: 4) – O Todo-Poderoso não cochila e nem adormece, guarda o Povo de Israel. A cada dia que passa vemos concretizar-se também a promessa do Todo-Poderoso: “Veaf gam zot bihyotam beêrets oyvehem lô meatim velô guealtim lechalotam lehafer beriti itam ki ani Hashem Elokehem” (Vayicrá 26:44) – Mesmo estando eles em terras estranhas não os rejeitarei e não me enfadarei deles para consumi-los e violar minha aliança com eles, porque Eu sou o Eterno seu D’us.

Nossa existência como povo é uma realidade graças à promessa do Todo-Poderoso. Porém, infelizmente, muitas camadas de nosso povo na diáspora estão abandonando nossas fileiras. O perigo da assimilação cresce justamente nas cidades grandes, em épocas que praticamente nosso povo não cor-re nenhum perigo físico. É então que devemos estar mais atentos para combatê-la, e conforme já nos disse o rabino Saadyá Gaon zt”l: “En umatênu umá ela Betoratecha” – Nossa nação somente é considerada nação por conta de Sua Torá (Escrita e Oral). Somente quando nosso povo está próximo à Torá concretiza-se o versículo (Devarim 4:4): “Veatem hadevekim Bashem Elokechem chayim culechem hayom – E vocês que se uniram ao Eterno, seu D’us, estão todos vivos hoje”.

A história de nosso povo atesta que nossa existência física deve-se graças a nossa força espiritual no cumprimento da Torá e suas mitsvot. A herança da Torá, que nos é transmitida de geração em geração, é o que nos une em um só povo, apesar de os conceitos universais definirem uma nação por um aglomerado de pessoas, que falam o mesmo idioma e moram na mesma terra. Estas duas condições foram-nos privadas durante 2000 anos, e durante este período desapareceram do mapa muitas potências, muitas culturas e ideologias, surgiram outras novas nações, e nosso povo, apesar de pequeno em número, presenciou tudo isso.

Por mais hesitante que alguém esteja, fica forçado a reconhecer a definição do rabino Saadyá Gaon zt”l: “En umatênu umá ela Betoratecha”. O Povo de Israel somente se solidifica como nação por meio da Torá.

A mitsvá do Shabat, da sucá e tantas outras que foram cumpridas no decorrer das gerações com dedicação e sacrifício árduo, foram os fatores da união dos judeus. Judeus dos lugares mais distantes possíveis, quando se encontram, comprovam ter o mesmo sistema de vida, baseado no cumprimento das 613 mitsvot com seus detalhes e minúcias.

A deduçao lógica que se faz, é que o enfraquecimento e a falta de observância de nossa Torá eterna tem como resultado o desligamento da Fonte da Vida do povo judeu. Centros judaicos na diáspora perdem o elo de ligação com nossas fontes e dessa forma, aparece o perigo iminente da assimilação com outros povos. Todos os que pregam a necessidade de fortalecimento do povo de Israel e não têm como intenção que este fortalecimento seja por intermédio do cumprimento das mitsvot e de uma educação direcionada ao sistema de vida da Torá – conservado com sacrifício em todas as gerações – estão pregando apenas demagogia sem fundamento. Todos os que alertam sobre o perigo da assimilação e desprezam a educação de nossos jovens baseada em nossas fontes eternas, não estão encarando a realidade de como este povo sobreviveu até então, ou ignoram sua história.

Pesquisas comprovam que nos centros judaicos onde a educação nas escolas e no lar é baseada na Torá, a assimilação não existe. Nestes ambientes, a criança aprende o que é viver como judeu desde sua tenra infância, freqüentando a sinagoga, vivenciando o autêntico  Shabat, o Kidush, vendo seu pai colocar as tefilin diariamente, observando as leis de Pêssach e aprendendo a estudar Torá, que é a Fonte mais preciosa e mais importante do judaísmo.

Não podemos nos iludir que podemos combater de alguma forma a assimilação, vivendo como os outros povos, praticando seus hábitos e costumes e abandonando os nossos, porque pensamos estar em uma era avançada. A assimilação tem apenas uma solução e um único remédio já comprovado com o decorrer das gerações – o modo de vida estabelecido pela Torá, sem concessões e sem médias, com o cumprimento das mitsvot na sua íntegra e com o estudo da Torá sendo praticado em todos os Batê Midrash.

Assim como no passado, no presente a verdade é uma:
“En umatênu umá ela Betoratecha”.

Baseado no livro Siach Chinuchi
do Rabino Binyamin Sharanski

Da Revsita Nascente
www.revistanascente.com.br
Chag Sameach, feliz 5775

Chag Sameach, feliz 5775

ROSH HASHANA- YOM KIPPUR  5775/2014

Em Rosh Hashana refletimos sobre a passagem do tempo, lembrando que estamos todos imersos na mesma travessia.     

Porque viver é fazer, e quem faz erra.
Porque viver é acreditar, e quem acredita se ilude.
Porque viver é amar, e quem ama sofre.

Porque ninguém escolheu nascer.
Nem a época, lugar ou família.
Nem morrer.

Porque não controlamos o futuro.
Nem podemos prever as consequências de nossos atos.

Porque um dia temos saúde e outro dia estamos doentes.
Porque um dia triunfamos e outro dia fracassamos.

Porque temos que conviver com sentimentos de ansiedade sobre o futuro e com o desejo de que os outros se adaptem a nossa vontade e a nossa forma de ver o mundo.

Temos que ter compaixão por nos mesmo e pelos outros.   

Em Yom Kippur lembramos as palavras do profeta Isaias que diz    que não é o jejum que purifica as pessoas mas nossos atos de solidariedade. 

Por isso o perdão deve ser procurado naqueles que prejudicamos e humilhamos.

Não permitindo que projetemos nossos conflitos internos, nem enxerguemos os outros pelo filtro de nossas inseguranças.

Sem   perder o senso de humor e ironia, sem os quais nossa vida e a da que nos rodeiam se torna opressora.


Nem que nossas obsessões e a procura de poder, dinheiro e prestigio, nos empobreçam, criando a ilusão que controlamos a realidade ou que somos melhores que os outros.  

Lembrando que as qualidades humanas nada têm a ver com o lugar em que nos encontramos na escada social, e que o sucesso e a riqueza podem empobrecer nossa sensibilidade.

Por isso em Rosh Hashana e em Yom Kippur ficamos mais tempo   em silencio e procuramos esvaziar nossa mente.  Pois só quando deixamos de falar, fazer ou digitar, entendemos que valorizamos demais o que não é essencial.   

E que a vida é um esforço constante de superar nossa omnipotência narcisista e desenvolver nossa capacidade de aprender, compreender e discernir.

Porque a tradição judaica se alimenta de uma história milenar que nos ensina que preconceitos, injustiças e o sofrimento produzido pela sociedade são inaceitáveis, e que  corresponde   em cada ano e a cada um encontrar sentido na celebração de Rosh Hashana e Yom Kippur, agradecemos: 

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze.
Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.

Rosh Hashana e  Yom Kipur 5774

Festejamos Rosh Hashana, o ano novo, para afirmar o direito de cada comunidade a ter sua própria memória coletiva da passagem do tempo, e Yom Kipur para refletir sobre o sentido desta passagem para cada um.

O novo ano separa o tempo que é contínuo. Separamos para organizar nossas vidas, mas quem só separa esquece que o mais bonito não é o dia ou à noite, mas o amanhecer e o pôr do sol, que as outras culturas nos enriquecem porque são diferentes, que o puro e o impuro estão sempre juntos.

Toda separação do tempo é artificial e só é relevante se não nos permite realizar um balanço do que temos realizado e refletir sobre o que desejamos atingir. Sabendo que querer controlar o futuro só produz ansiedade e que as transformações não dependem de promessas infantis no início do ano, e sim de um esforço constante, pois as mudanças nos deixam inseguros e nos aprisionamos nas nossas formas de ser, ainda que empobrecedoras.

A passagem do tempo produz perdas, mas só graças à impermanência, a mudança é possível, e permite transformar a vida numa experiência enriquecedora.

Por isso devemos enfrentar nos medos, que não nos permitem:

·        Superar nosso lado criança que quer que todos se ajustem a nossos desejos e vontades, que fala mais não ouve, e não entende o porquê das atitudes dos outros.

·        Enfrentar nossas inseguranças, que nos fazem autoritários e enrijecem nossa sensibilidade.

De forma que possamos como adultos construir um mundo de respeito mútuo, aceitando nossas imperfeições e erros.

E no lugar de dar tanta importância em possuir objetos que são perfeitos, pois não são humanos, investir mais:
·        Na convivência e na leitura, que nos enriquecem para o resto de nossas vidas.

·        Em nos perdoar quando erramos e compreensivos com quem erra, em particular as pessoas queridas e as mais fracas, pois são as que mais precisam de nossa compaixão.

·        Em não confundir amor com possessão, educação com imposição;

·        Em ajudar outras pessoas, contribuindo para que todas vivam num mundo onde possam desenvolver suas capacidades e individualidades.

Lembrando que o melhor presente que podemos dar a nós mesmos e aos seres queridos nunca é um objeto, e sim:
·        Um gesto de carinho e valorização.

·        Aconselhando e não reprimindo.

·        Ouvindo e compreendendo antes de julgar. 

·        Diferenciando entre o essencial do secundário.

E nunca perdendo nosso lado infantil, que:
·        É curioso e interessado em tudo.

·        E se pergunta o porquê das coisas.

·        E gosta de brincar e de rir.

Porque nossas vidas podem ser melhores se procuramos nos superar, agradecemos:
Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze.
Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.

Bernardo Sorj

Rosh Hashana e  Yom Kipur- 5773


Rosh Hashana nos coloca a pergunta: o que aprendemos no ano que passou? 
E Iom Kipur nos lembra de que o mais difícil é aprender a julgar.

Por isso neste período refletimos sobre a nossa relação com os outros, pois é neles que espelhamos nossos desejos e nossos temores, nossas idealizações e nossos preconceitos, nosso egoísmo e nossa solidariedade.

Em cada julgamento que realizamos estamos julgando a pessoa que somos. 

Iom Kipur nos lembra de que a capacidade de julgamento é o que nos faz humanos, mas também pode nos desumanizar, quando:  

·        Julgamos em forma apresada, e fomos injustos.
·        Julgamos sob o efeito da cólera ou do medo, e agimos errado.
·        Julgamos em forma preconceituosa, e humilhamos.
·        Julgamos em forma dogmática, e desrespeitamos quem pensa diferente.
·        Julgamos em função da opinião dos outros e não do que sentimos, e nos tracionamos.
·        Julgamos a forma e não o conteúdo, e fomos banais.
·        Julgamos quando o que deveríamos ter feito era só compreender.
·        E usamos o poder no lugar do diálogo, e oprimimos.
·        E valorizamos o que não merecia e desvalorizamos o que não devia.
·        E humilhamos com nosso olhar ou com um comentário, incapazes de sair de nossa forma estreita de ser.
Porque o dia do perdão deve ser o dia em que nos propomos mudar nossa forma de julgar.

·        E sermos mais prudentes e menos afobados.
·        E sermos mais compreensivos e menos preconceituosos
·        E sermos mais cautelosos e menos apressados.
·        E sermos  mais curiosos   e menos dogmáticos.
·        E sermos mais generosos e menos egoístas.
·        Valorizando  o essencial e não o supérfluo.
·        Protegendo nossos interesses sem prejudicar os outros.
·        Levando em conta nossos sentimentos sem perder a noção de justiça. 
·        Superando nossos preconceitos que são uma couraça empobrecedora.
·        E não permitindo que os medos nos dominem.

De forma que possamos chegar ao próximo Rosh Hashana Yom Kipur tendo julgado menos porque nos conhecemos  mais,  nos colocando  ainda que seja por um instante na pele do outro, acumulado assim menos arrependimentos e mais atos de amor, produzido menos dor e mais satisfação.
        
Porque queremos ser melhores, vale a pena viver e brindar:

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze.
Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.


Bernardo Sorj



Entre Rosh Hashana e Yom Kipur- 5772

Porque Rosh Hashana marca a passagem do tempo e Yom Kipur nos interroga sobre o sentido de nossa vida, lembramos que ha:

·        Tempo de olhar para o futuro e tempo de lembrar nosso passado.
·        Tempo de nos pensar como indivíduos e tempo de nos pensar como comunidade. 
·        Tempo de realizar e tempo de refletir.
·        Tempo de ficar sós e tempo de ficarmos juntos.
·        Tempo de lembrar e tempo de esquecer.
·        Tempo de ensinar e tempo de aprender
·        Tempo de dar e tempo de receber.
·        Tempo de falar e tempo de calar.
·        Tempo de acreditar e tempo de duvidar.
·        Tempo de se sentir culpado e tempo de se perdoar.
·        Tempo de julgar e tempo de suspender o julgamento.
·        Tempo de se entregar e tempo de se dissociar.
·        Tempo de viver e tempo de morrer.
·        Tempo de rir e tempo de chorar.
·        Tempo de ser prudente e tempo de arriscar.
·        Tempo de trabalhar e tempo de descansar.
·        Tempo de semear e tempo de colher.
·        Tempo de ser orgulhoso e tempo de ser humilde.
·        Tempo de estar alegre e tempo de estar triste.
·        Tempo de ter ilusões e tempo de perdê-las.
·        Tempo de esperar e tempo de agir.
·        Tempo de amar sem ser amado e tempo de ser amado sem amar.
·        Tempos sem sentido e tempos com sentido.

E que a sabedoria se encontra em compreender que o tempo é sempre um, no qual:

·        Nosso passado esta sempre presente no nosso futuro.
·        A comunidade é   formada por indivíduos livres e os indivíduos não esquecem que sempre são parte de comunidades.
·        Quem faz deve refletir e quem reflete deve agir.
·        Porque os mortos continuam vivos em nos e a vida não pode desconhecer a morte.
·        Paramos de falar para ouvir e ouvimos para entender o que estamos falando. 
·        A prudência   não deve eliminar nossa coragem para ariscar e o risco deve ser responsável.
·        Quem recebeu já retribuiu e quem deu já recebeu.
·        Só aprendemos desaprendendo e só se ensina aprendendo. 
·        Quem semeou já recolheu e quem recolheu não deixa de semear.
·        Não podemos ser orgulhosos se não somos humildes e somos humildes porque somos orgulhosos. 
·        Estamos sós quando estamos juntos e estamos juntos quando estamos sós.
·        Acreditamos sem dogmatismo e duvidamos sem deixar de lutar pelo que acreditamos.
·        Só somo livres para encontrar sentido à vida quando descobrimos que ele simplesmente é o que fazemos de nossas vidas.
·        Choramos de alegria e rimos para não chorar.
·        Não há culpa sem perdão, nem julgamentos que não sejam questionáveis.

Porque o tempo nos permite amar e aprender, e ambos são o maior dom da vida, agradecemos:
Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze
Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.  

Bernardo Sorj


Rosh Hashana e  Yom Kipur- 5771

Rosh Hashana é a experiência coletiva da passagem do tempo e Yom Kipur é o dia que procuramos entender o que esta passagem significa para cada um.

Rosh Hashana é sobre o destino, pois o tempo não para, enquanto Yom Kipur é sobre a liberdade, a possibilidade de exercermos a nossa capacidade de julgar, e de não julgar.

A passagem do tempo, apesar do que ele nos traz de perdas e sofrimento, nos abre a possibilidade de aprender coisas novas e expandir nossos sentimentos, essencial para suportar nossas limitações e criar um mundo melhor para nós mesmos e para os outros.

Somos privilegiados por vivermos uma situação sem penúria materiais que nos possibilita múltiplas formas de enriquecer nossa percepção do universo: viajando, lendo, amando, comendo coisas gostosas, conhecendo pessoas, ouvindo musica ou olhando uma obra de arte. Mas todas elas são extremamente limitadas se permanecemos fechados dentro de marcos estreitos de julgamento de nós mesmos e dos outros.

Pois quem julga de forma estreita mal enxerga a si mesmo, pensa que possui a verdade e exclui a possibilidade de outras formas de percepção da realidade.

Na tradição talmúdica o Yom Kipur é o dia em que Deus julga as pessoas, mas para os humanos que não temos contato com os desígnios divinos, como diz o significado da palavra Kipur, é um dia de reparação e reconciliação.

Reparação e reconciliação somente são possíveis se deixamos de julgar. Yom Kipur é, portanto,  o dia em que suspendemos nosso julgamento.

Pois nada é mais opressivo do que depender do julgamento do outro.
E nada nos produz mais sofrimento que o julgamento sobre nós mesmos.
Julgar é sempre uma forma de querer que o outro seja igual a nos, e que nos atinjamos um ideal irrealizável. 

Julgar sem antes compreender é a forma mais grave de ignorância, pois, ao ignorar o outro, ficamos fechados no nosso pequeno mundo.

Julgar sem antes refletir é medo de que outro nos mostre aspectos que nos deixam inseguros em relação a nos mesmos.
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Yom Kipur é o dia que lembramos que muitas vezes julgamos não em função de valores de justiça, mas porque nos desagrada que o outro seja diferente a nos.

·        É o dia em que jejuar significa desintoxicar-se de nossos julgamentos apressados.
·        É o dia em que não precisamos perdoar, pois deixamos de julgar.
·        É o dia em que não há expiação, pois não há culpa.
·        É o dia em que não nos deixamos oprimir pela obsessão de dividir entre o certo e o errado e procuramos compreender.
·        É o dia em que deixamos de culpar e nos culpar para termos mais compaixão conosco e com os que são diferentes a nós.
·        É o dia em que não nos fechamos em sistemas rígidos que são sempre narcisistas e reconhecemos que vivemos numa zona cinza, porque nossos sentimentos são complexos e o ser humano é finito.
·        É o dia em que aceitamos que não somos onipotentes e devemos fazer escolhas frágeis entre valores, interesses e afetos conflitantes.
·        É o dia em que não há atos certos ou errados, mas só afirmação de melhorar nossa vida e a dos outros.
·        É o dia em que podemos perdoar e nos perdoar porque paramos de julgar.   
           
Porque a passagem do tempo nos permite amar e aprender, e ambos são o maior dom da vida, agradecemos:

Shehechyanu, ve´quimanau ve’higuianu lazman haze
Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.  

Bernardo Sorj

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Yamit Cohen - Uma soldada pela pazNo último dia 18 de setembro, a Wizo-Rio recebeu em sua comemoração festiva de Rosh Hashaná a visita de Yamit Cohen, uma jovem soldada israelense nascida no Brasil que, tendo feito aliá com sua família há aproximadamente 20 anos, relatou um pouco de seu dia a dia como jovem, como mulher, como israelense e como soldada.

Suas palavras, vibrantes e de grande importância, foram absorvidas pelas mais de 150 pessoas presentes ao evento. Um depoimento que vale a pena compartilhar por sua relevância, por sua simplicidade e pela mensagem que nesta véspera de Rosh Hashaná merece ser lida e compartilhada:

Yamit Cohen e Lúcia Balassiano, presidente da Wizo-Rio"Sirenes...

O que vocês fariam ao ouvir essa sirene sabendo que restam 15 segundos pra vocês salvarem suas vidas? Infelizmente essa é a realidade do povo de Israel nos últimos 9 anos, desde 2005 quando Israel saiu da Faixa de Gaza e deu aos palestinos em troca da paz. Infelizmente, ao invés de aproveitar essa área e construir boas escolas, hospitais, bares e tudo que uma cidade tem direito, eles usaram os recursos para comprar armamentos e construir túneis contra Israel, o que deixou a Faixa de Gaza e seus civis muito pobres.

Vou me apresentar, meu nome é Yamit Cohen, tenho 24 anos. Nasci no Rio de Janeiro e, com 4 anos, fui morar em Tel-Aviv com minha família, agora só estou de férias no Brasil. Servi o exército por 2 anos na parte norte da fronteira com a Faixa de Gaza. Minha função no exército era trabalhar em uma sala de operação que observa toda a Faixa de Gaza através de câmeras espalhadas pela área. Quando via algum movimento errado ou estranho acontecendo, eu passava a informação para o comandante da unidade e ele tomava as decisões de acordo com que eu mostrava para ele. Não vou mentir, vi imagens difíceis que não vou esquecer nunca, ficava com medo e, como servia perto da fronteira, ouvia as sirenes com maior intensidade e maior frequência do que os demais, em todo o país. 

De tão perto estava da Faixa de Gaza que às vezes a sirene tocava depois que a bomba caia, e ai já nem adiantava mais correr para procurar abrigo, nesta hora, é só você e Deus. Os civis israelenses que moram perto da fronteira enfrentam isso quase todos os dias e, como a gente vem observando, o poder de alcance deles vem aumentando e fazendo 70% do país se esconder nos bunkers para sobreviver. Em Israel, a gente costuma dizer que nossas crianças são pequenas demais para atravessar uma rua porque é perigoso, e grandes o suficiente para saber o que fazer quando toca a sirene.

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Não é porque não estamos mais nas manchetes dos jornais que podemos nos iludir que o conflito acabou. Hoje é apenas o vigésimo terceiro dia do acordo de 30 dias de cessar fogo. Aliás, há 3 dias atrás um missel foi lançado contra Israel. Assim como o Hamas, existem outros grupos terroristas radicais ameaçando a existência dos judeus, das minorias e de todos aqueles que não fazem parte do islamismo. 

Hoje se fala muito do grupo terrorista ISIS que é o Estado islâmico do Iraque e da Síria. Para mim é um grupo terrorista como qualquer outro que já conheço, mas para o mundo não, o mundo está se sentindo ameaçado pelo ISIS. E Israel continua seu trabalho de sempre, tentando impedir que eles não se espalhem mais pelo mundo. Gostaria que o mundo soubesse fazer essa relação entre os grupos terroristas e que possam ver que ISIS é igual ao Hamas, ao Hezbollah e ambos são iguais ao ISIS, e talvez assim possam entender melhor com quem Israel lida há anos.

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Na verdade, não vim para dar minhas opiniões sobre a guerra nem para falar o que o governo de Israel tem que fazer. Confio no meu país e sei que seu governo vai tomar a melhor decisão possível para um futuro melhor. Mas o que é importante para mim que vocês saibam é que durante o conflito o povo se manteve unido por uma missão que é ajudar e dar o maior apoio possível aos soldados que lutam dia a dia por nós. 

Eu falo por nós porque é pelos judeus do mundo todo. Por isso acho importante manter essa união aqui também, vocês também fazem parte de tudo que está acontecendo, vocês também estão sentindo aqui o antissemitismo sendo espalhado por causa dos últimos acontecimentos e por isso vocês precisam saber que têm uma grande função nesse conflito: se unir e representar Israel da melhor forma possível. Vocês são as vozes dos soldados, dos civis que sofrem com os mísseis, do povo israelense que quer mostrar ao mundo a verdade. Vocês tem essa força e devem usá-la em todos os idiomas possíveis.

Hoje, no ano de 2014, sabemos o que aconteceu no Holocausto, o que nossas famílias passaram somente por serem judeus. Hoje existe o Estado de Israel que é a maior afirmação que o Holocausto não se repetirá. Hoje temos o Estado de Israel que é a nossa maior força. O nome Wizo já era familiar para mim pois, perto da minha casa, em Tel-Aviv, existe uma sede que minha mãe faz as doações de nossos pertences. Sei que minha avó trabalhou na Wizo durante muitos anos e hoje minha tia também trabalha. Foi muito difícil para mim estar no Brasil durante o último conflito, pois ainda sou reservista do exército e senti que daqui não pude cumprir o meu dever como cidadã e soldada mas, por outro lado, foi importante pra mim participar desses encontros com vocês e perceber como vocês atuam nesses momentos difíceis. Por isso queria agradecer em nome de todos que lá se beneficiam deste trabalho. 

Estou feliz em comemorar o Rosh Hashaná este ano, mas é difícil para mim devido aos nossos 72 soldados e civis mortos nesse conflito e pela dor de suas famílias. Mas, como judeus, devemos erguer a cabeça e celebrar mais um ano de nossa existência. Há 3 dias atrás estava em São Paulo e lá tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Musab Hassan Yosef, mais conhecido como “filho do Hamas”.

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Em uma conversa rápida antes de sua palestra, ele percebeu que meu nome é israelense e que se relaciona a mar- "Yam", em hebraico. Assim começamos a falar de Israel e contei para ele que moro lá e que servi o exército na Faixa de Gaza. Agradeci o seu trabalho importante por Israel e ele me agradeceu igualmente pelo meu trabalho. 

Fiquei emocionada em ouvir um agradecimento de uma pessoa tão importante e influente no mundo mas foi mais do que isso: foi ali que percebi que nós judeus e palestinos temos muito em comum. Todos têm o desejo de crescer na vida, construir uma família, ter uma casa bonita, amar e ser amados. Mas o que nos difere é a nossa cabeça, religião, a forma que fomos criados e isso é muito difícil de ser mudado e foi isso que Musab conseguiu fazer em sua vida, ver o mundo fora do islamismo. 

O homem comum para o islamismo radical não é o mesmo homem comum para os judeus e a maioria do mundo. A guerra é por pedaços de terra mas tudo começa na religião, no radicalismo, no fanatismo e no extremismo e é ai que deve começar a mudança. Quero terminar e dizer em nome dos que não estao mais entre nós, dos soldados e civis que morreram para que possamos estar aqui hoje - Quando morreram nos deram a ordem de viver- עם ישראל חי"

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Na oportunidade a Wizo-Rio homenageou
todas as soldadas de Israel, forças vivas da nação,
por sua brilhante atuação. Confira: acesse.

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

Yamit Cohen - Uma soldada pela paz

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