Israel aceita proposta egípcia de cessar-fogo em Gaza

Israel aceita proposta egípcia de cessar-fogo em Gaza
Limite Protetor



Mas braço armado do Hamas rejeita oferta de trégua e exige acordo completo sobre confronto
GAZA — O gabinete de segurança israelense, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aceitou nesta terça-feira a proposta de trégua em Gaza apresentada pelo Egito. Netanyahu advertiu que o Exército ampliará as operações na Faixa de Gaza se o Hamas rejeitar o acordo e prosseguir com os lançamentos de foguetes. Nesta terça-feira, sirenes de alerta aéreo voltaram a soar em todo o país com o disparto de projéteis a partir do terrotório controlado pelo grupo militante islâmico.

— Se o Hamas não aceitar a proposta egípcia, como é o caso atualmente, Israel terá toda a legitimidade internacional para ampliar suas operações militares com o objetivo de restabelecer a calma — ameaçou Netanyahu durante um encontro com o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, em Tel Aviv.

Pela proposta egípcia, a trégua deveria entrar em vigor a partir das 9h da manhã (3h no horário de Brasília), depois de uma semana de ofensiva. A rádio militar israelense indicou que a resposta do gabinete de segurança, que reúne os principais ministros, se deu alguns minutos antes do prazo fixado.

O braço armado do movimento islâmico palestino Hamas, as Brigadas Ezzedine al Qassam, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou a proposta egípcia de trégua, exigindo um acordo completo sobre o confronto.

“Se o conteúdo desta proposta (de cessar-fogo) for exato, trata-se de uma rendição e o rejeitamos sem apelação”, indicaram as Brigadas em um comunicado. “Nossa batalha contra o inimigo se intensificará”, acrescentou.
Israel aceita proposta egípcia de cessar-fogo em Gaza
O governo do Egito propôs a israelenses e palestinos um cessar-fogo na Faixa de Gaza a partir das 3h desta terça-feira (horário de Brasília). O pedido para interromper as hostilidades foi feito um pouco antes de uma reunião de emergência dos ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe no Cairo, convocada em caráter de urgência para discutir a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

O gabinete israelense anunciou que discutirá a proposta do Egito, o que deve ocorrer às 8h30m (horário de Brasília) em Tel Aviv.

A proposta de cessar-fogo egípcia teria como base o fim das hostilidades mútuas. Israel pararia com todo e qualquer ataque por ar e mar, além de estancar os preparativos para uma incursão terrestre. Ao mesmo tempo, todas as facções palestinas atuantes em Gaza deixariam de disparar mísseis, foguetes e morteiros contra Israel. As condições também incluem a reabertura dos postos de fronteira entre Israel e Gaza para a passagem de produtos e o relaxamento da proibição de ir e vir de pessoas. A oferta egípcia também incluía a abertura de negociações para a entrada de bens de primeira necessidade na região onde acontece o conflito. O país ainda havia sugerido receber nas 48 horas seguintes delegações de Israel e da Palestina para iniciar discussões que ponham fim ao confronto.

Em sua primeira aparição desde o começo do confronto, na segunda-feira, o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, tinha admitido, em vídeo, os contatos para uma possível trégua. O governo israelense também havia confirmado, afirmando que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu discutirá a proposta egípcia para encerrar a operação Limite Protetor. O ministro da Economia, Naftali Bennet, do partido de extrema-direita Casa Judaica, afirmou na noite de segunda-feira que votará contra.

KERRY EXORTA TODOS OS PARTIDOS A ACEITAREM A PROPOSTA

O cessar-fogo teria então 12 horas para ser completamente implementado. Conversas estão sendo feitas com os dois lados separadamente. No Cairo para participar do esforço de negociação, o secretário de Estado americano, John Kerry, exortou a todos os partidos israelenses a aceitarem a proposta.

— A proposta egípcia para um cessar-fogo e negociações oferecem uma oportunidade para acabar com a violência e restaurar a calma. Saudamos a decisão do gabinete israelense de aceitá-la. Pedimos a todos os outros partidos que aceitem a proposta.

Pouco antes, os Estados Unidos advertiram Israel contra qualquer incursão terrestre na Faixa de Gaza, há duas semanas sob bombardeio israelense e de onde partem vários foguetes disparados pelo grupo Hamas. É a primeira vez que os EUA fazem uma advertência pública contra uma invasão israelense à Gaza.

— Ninguém quer ver uma ofensiva terrestre à Gaza porque isso colocaria mais civis em risco — disse o porta-voz da Caca Branca Josh Earnest.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma que uma incursão pode ser necessária para enfrentar o Hamas.

Apesar do aviso aos aliados israelenses, a Casa Branca não condenou as mortes de palestinos, dezenas deles crianças. O governo americano mantém que Israel tem o “direito” e a “obrigação” de defender seus cidadãos contra os ataques de mísseis vindos de Gaza.

Os EUA também vem pressionando pelo cessar-fogo. Na última sexta-feira, o governo americano reforçou, por meio de seu porta-voz, Josh Earnest, que pode ajudar a alcançar um acordo utilizando a influência que tem na região. O presidente americano, Barack Obama, já havia telefonado para Netanyahu, oferecendo a mediação dos EUA para resolver a crise.

— Estamos interessados em levar adiante os passos que demos há um ano e meio, em novembro de 2012, para proporcionar um cessar-fogo e tentar voltar para a situação anterior — disse o porta-voz da Casa Branca.

Em 2012, as negociações do cessar-fogo foram mediadas com a ajuda do Egito, que na época era governado por Mohamed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, grupo com fortes ligações com o Hamas. A situação agora se inverteu. Mursi foi deposto e Abdel Fattah al-Sisi, um ex-general, preside o país. E a Irmandade passou a ser considerada um grupo terrorista.



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