27/05/2014

Como pode uma pessoa pecar?

Como pode uma pessoa pecar?Sotá: A Mulher Infiel
 
A Parashá Nassô contém o trecho da sotá – uma esposa cujo comportamento é impróprio.

Ao analisar o conceito com mais profundidade, descobrimos o simbolismo por trás das palavras da Torá, em que o marido refere-se a D’us, e a esposa representa o povo judeu.

Sobre o versículo: “Se a esposa de um homem se desvia”, nossos Sábios comentam: “Um indivíduo só peca se um ‘espírito de tolice’ o penetra”. No hebraico, a palavra “tolice” está etimologicamente ligada à palavra que significa “sair do caminho”.

Com essa afirmação nossos Sábios tentaram explicar um fenômeno que escapa à nossa compreensão: como pode um judeu pecar? Como pode um fato tão absurdo ocorrer? Todo e qualquer judeu, devido a sua alma Divina, tem uma ligação profunda com D’us. Como então pode ele se permitir cometer uma transgressão, que é algo que o separa de sua Fonte Superior?

A resposta para isso é “o espírito de tolice”, uma força externa que, temporariamente, assume o controle e oculta a fé de um judeu. O “espírito de tolice” impede que o judeu perceba a verdadeira consequência de suas ações – o desligamento de D’us que o pecado provoca. Se um judeu estivesse consciente disso o tempo todo, jamais conseguiria desobedecer a uma ordem Divina.

O que é, exatamente, esse “espírito de tolice”?

Nada mais, nada menos que o desejo de gratificação física, o que diminui a percepção espiritual.

Consequentemente, a pessoa imagina que nada vai acontecer se cometer um pecado, e que continuará tão ligada a D’us quanto estava antes. Seu desejo de gratificação a cega a ponto de até mesmo a mais leve das infrações prejudicar sua ligação com D‘us.

O lado reverso desse princípio é que mesmo quando um judeu peca, isso não significa que ele seja uma pessoa ruim. Sua natureza é boa, e seu desejo mais profundo é obedecer a vontade de D’us. É o “espírito de tolice” que é o culpado, um fator externo que é estranho à sua própria natureza. No sentido figurativo, D’us é comparado a um marido do povo judeu.

Um judeu que comete um pecado assemelha-se a uma esposa, cujo comportamento impróprio despertou a suspeita do marido. Não há certeza de que a sotá tenha cometido um pecado. Ela simplesmente se comportou de um modo que levantou suspeitas e dúvidas. E do mesmo modo que uma sotá é recompensada quando é considerada inocente – “mas se estiver pura conceberá semente (terá bons partos)” – D’us promete que todo judeu acabará por se arrepender e retornar a Ele, pois a natureza íntima de um judeu permanece sempre fora do alcance do pecado.

Em Likrat Shabat on line da Yeshivá Tomchei Tmimim Lubavitch
Adaptado de “Likutê Sichot” do Rebe, Vol. 2.
(L’Chaim Weekly, www.lchaimweekly.org)

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