O testamento político de Hitler

O testamento político de Hitler

Neste texto foi mantida a grafia original

O ex-"Führer" declara haver escolhido a morte para escapar à renúncia ou rendição — O suicídio de Eva Braun

NUREMBERG, 29 — O General Lucian Truscott, Comandante do Terceiro Exército dos Estados Unidos, anunciou hoje a descoberta, em uma casa do campo, de quatro importantes documentos que formam o testamento de Adolf Hitler.

O testamento de Hitler

NUREMBERG, 29 — Entre os documentos encontrados hoje, em uma casa de campo, situada em Tegernsee, figura o testamento pessoal de Hitler, cujos termos são os seguintes:
"É do meu desejo que Eva Braun, que se tornou minha espôsa quando assim o quis, para compartilhar do meu destino, dentro de Berlim cercada seja cremada imediatamente no local onde executei maior parte do meu trabalho, durante meus doze anos de serviços ao meu povo.
Minha espôsa e eu escolhemos a morte para escapar à desgraça de sermos forçados à renúncia ou à rendição.

Os documentos encontrados

NUREMBERG, 29 — As primeiras informações relativas a descoberta do testamento de Hitler revelam que os documentos foram descobertos em uma casa de campo situada em Tegernsee, 48 quilometros ao sul de Munique, nas vizinhanças da residência do General Truscott. Comandante do Terceiro Exército dos Estados Unidos.
O testamento que constitui uma prova definitiva da morte de Hitler, foi descoberto por elementos da unidade britânica de contra-espionagem, que trabalham com os norte-americanos. É datado do dia 29 de abril de 1945, e conta com o testamento de Joseph Goebbels, ex-Ministro da Propaganda do Reich do ex-Vice-"Führer" do Reich, Martin Bormann, do ex-representante de Himmler na Tchecoslaváquia, Hans Krebs, e de Wilhelm Bergdorf.
Foi também descoberto o original do contrato de casamento de Hitler com Eva Braun, testemunhado por Martin Barmann e por Goebbels. Outro documento descoberto, além do testamento político Hitler foi o seu testamento particular dispondo de sua fortuna pessoal. Êste conta com o testamento de Martin Bormann, Goebbles e Nikolaus von Below, ajudante de Martin Bormann. Foram encontradas, também, três fotografias, duas, ao que se acredita, de Eva Braun, e a terceira de um menino desconhecido, aparentando uns doze anos de idade. Ainda não se sabe se o menino é filho de Eva Braun.
Outro documento encontrado foi um passe de viagem datado do dia 16 de maio de 1945 e fornecido pelo Burgo-Mestre de Seinbeck a Frederick Wilhelm Paustin, então ajudante de Bormann. Paustin foi localizado por elementos da unidade britânica de contra-espionagem em Tegernsee, pequena vila situada nas margens do lago do mesmo nome. Paustin vivia sob o pseudônimo de Sander. Paustin não estava em casa quando os investigadores chegaram. Contudo, prolongadas investigações realizadas na residência da irmã da amiga de Paustin resultaram na descoberta de uma maleta contendo os documentos que estavam sendo procurados em todo o mundo. Paustin está agora detido. Todos os documentos estão datados de 29 de abril de 1945, pouco antes do colapso da resistência alemã.

Hitler não se considerava responsável pela guerra

NUREMBERG, 29 — Em meio aos documentos secretos de Hitler, hoje descobertos em Tegernsee, encontra-se uma carta de Bormann dirigida ao Grande Almirante Doenitz, na qual transmitia ao seu cuidado os documentos já do conhecimento do público e que são o testamento político e particular, além de outros.
Nessa missiva, Martin Bormann revela o desespero da Alemanha, que então já se convencera da derrota.
"Desde que todas as nossas divisões malograram - afirma Bormann em sua missiva - e como a situação já não mais comporta quaisquer esperanças, o "Führer" ditou os testamentos aqui juntos que são entregues ao vosso cuidado. Heil Hitler".
O General Lucien Truscott, Comandante do 3º Exército dos Estados Unidos, procurado pelos jornalistas, declarou que o texto de alguns dos documentos teriam de ser conservados em segredo até a conclusão de novas investigações.
Contudo, o General Truscott liberou algumas passagens do testamento que, no fim, Hitler tentou jogar a culpa da guerra aos ombros da Inglaterra a do semitismo internacional.
"Não é verdade —escreveu Hitler— que eu ou qualquer outra personalidade da Alemanha tenha desejado a guerra em 1939. Ela foi planejada e provocada inteiramente por aqueles estadistas internacionais que eram de origem semita ou trabalhavam em benefício dos interêsses judeus. Eu mesmo fiz numerosas propostas para a redução e limitação dos armamentos, que a posteridade não poderá compreender por toda eternidade.
Portanto, as razões do desencadeamento desta guerra não devem ser atribuídas a mim. Além de tudo, nunca desejei que, após a primeira terrivel guerra mundial, viesse a surgir uma segunda guerra contra a Grã-Bretanha ou contra a América." 

Hitler escreveu ainda que o ódio votado ao povo alemão desapareceria eventualmente e que o mundo julga-lo-ia o único responsavel. Afirmou que até três dias antes do início da guerra entre a Alemanha e a Polônia, propusera a solução do problema ao Embaixador britânico em Berlim, isto é, um plebiscito sob fiscalização internacional, como no Sarre.
"Esta proposta —escreveu Hitler— foi rejeitada sem explicações. Mas foi rejeitada unicamente porque os circulos responsáveis na política inglêsa desejavam a guerra e também, em parte, por motivos dos esperados negócios que poderiam surgir e ainda em resultado da propaganda realizada pelos judeus internacionais. Todavia, não deixei dúvidas quanto ao fato de que os verdadeiros culpados deste conflito criminoso, os judeus, teriam de pagar pelos seus crimes, se é que se quisesse que os povos da Europa fôssem novamente tratados como tal. Também não deixei dúvidas de que não toleraríamos desta vez que milhões de crianças européias arianas perecessem a fome, que milhões de homens desaparecessem e que centenas de mulheres e crianças fôssem queimadas e bombardeadas até a morte em suas cidades, sem a mínima culpa por esta punição, mesmo que ela fôsse administrada por métodos mais humanos."

Hitler também escreveu no seu testamento político que a primeira guerra mundial foi "imposta ao Reich" e disse que naquela guerra "empreguei minhas modestas fôrças como voluntário em 1914".

O contrato de casamento de Hitler com Eva Braun, com a qual o "Führer" declarou ter "gozado de muitos anos de verdadeira amizade", revelou que ela nasceu em Munich em 6 de fevereiro de 1910.

Mesmo ainda quando Hitler e Eva Braun contemplavam a morte, de preferência à desgraça da renúncia ou da rendição Hitler recusou-se a acreditar que a causa alemã estivesse perdida, muito embora os russos já estivessem batendo às portas de Berlim.

Em seu testamento político, Hitler formou outro Gabinete, composto de "homens honrados, que continuarão a guerra por todos os meios", a saber: Almirante Doenitz, Joseph Goebbels, Martin Borman, Arthur Seise Inquart, Paul Gaisler (gauletter) de Munich e Primeiro-Ministro da Baviera; Comandante-Chefe do Exército, Marechal Ferdinand Schoerner, que estava na frente Oriental; Comandante-Chefe da "Luftwaffe", Marechal Ritter von Greiz, que se suicidou com Veneno, no hospital de Salzburg, a 21 de maio de 1945; lider para o Reich dos "SS" o Chefe da Polícia alemã, Kari Hanke, "gauleiter" da Baixa Silesia; Ministro da Economia, Walter Funk; Ministro da Agricultura, Herbert Backs; Ministro da Justiça, Otto Thieerack; Ministro das Finanças, Conde Schuerin von Krosigk; Ministro das Igrejas e da Educação. Gustav Schefl, "Chergrupphenführer" dos "SS"; Ministro do Trabalho, Dr. Huppesuer; auxiliar do Ministério de Armamentos, lideração por Spoor; armamentos, Saur, prisioneiro agora do VII Exército americano; Chefe da Frente do Trabalho, Robert Ley, que se suicidou a 26 de outubro, em sua cela de Nurembergue, estrangulando-se com uma toalha.
Funk Thierack e von Krossigk, ocuparam os mesmo postos anteriormente.
Embora Hitler tivesse "muitos anos de verdadeira amizade" com Eva Braun, não se casou com ela até que as granadas soviéticos começaram a cair em Berlim, a 29 de abril de 1945. O casamento foi realizado por Walter Wagner, Conselheiro Municipal de Berlim, conforme consta do documento apenso ao contrato matrimonial.

Wagner escreveu:
"As pessoas que vão ser casadas declararam ser de pura descendência ariana e não estar infetadas de doenças hereditárias, o que se excluiria do matrimônio. Considerando a situação da guerra e as especiais circunstâncias, requerem o matrimônio conforme as leis especiais de guerra. Também requerem a publicação oral dos proclamas seja suprimida, assim como as delongas legais. O requerimento é aceito. A parte oral do proclama foi conferida e encontrada em ordem."

A declaração de Wagner continua:
"Vamos iniciar a cerimônia do matrimônio. Em presença das testemunhas, pergunto-vos, meu "Führer", Adolf Hitler: "Aceitais a Srta. Eva Braun como vossa espôsa? Se a aceitais, responde: "aceito". Agora pergunto-vos, Srta. Eva Braun: "Aceitais nosso "Führer" Adolf Hitler, como vosso espôso? Se aceitas, respondei "aceito". Depois de os dois nubentes terem manifestado suas intenções, declarei ser legal êste matrimônio perante a lei".
O documento está datado de 29 de abril de 1945.
Hitler, Goebbels e Burmann assinaram a ata matrimonial. Quando Eva assinou, usou pela primeira vez seu nome de casa, "Senhora Hitler".

O General Truscott acrescentou:
"Êstes documentos são de inestimável valor para formarmos uma visão dos últimos dias de derrocada do nazismo."
O Chefe do Serviço Secreto, General Truscott, declarou que apostaria sua reputação na crença de que os documentos eram genuínos.

Eis a história de como o testamento de Hitler foi afinal descoberto:
"No dia seguinte ao Natal, um agente do serviço secreto britânico cujo nome não pode ser divulgado, forneceu ao Corpo de informações Secretas britânico nº 303, uma indicação de que "Paustin - ou Zanner, para se lembrar aqui seu suposto nome - estava morando nas vizinhanças do Q. G. do III Exército, em Bad Tols. O agente britânico declarou que sabia que Paustin fôra o ajudante de confiança de Bormann, tendo deixado Berlim precisamente após a entrada dos russos na Capital germânica, levado consigo numerosos documentos sôbre os acontecimentos passados no último dia do regime nazista. No dia 27 de dezembro - ou seja quinta-feira passada - os norte-americanos começaram suas buscas, tendo descoberto registros relativos a Friederich Wilhelm Paustin, demonstrando, através dos mesmos, que a pessoa portadora de tal nome estivera recolhida a um hospital alemão denominado "Secheim", desde 6 de junho a 24 do mesmo mês, em 1945, tendo então dado alta e seguido como prisioneiro de guerra para Bad Albling.

Êsse homem, ao que se evidenciou, procurou ocultar-se nas fileiras da "Wehrmacht", na esperança de escapar a exames em tôrno de sua identidade, tendo sido depois licenciado do campo, juntamente com milhares de outros prisioneiros de guerra do Exército alemão. Entretanto, conferindo-se os registros do Serviço Secreto, veio-se a observar que Paustin estava morando em Tegerneses, onde estava empregado, exatamente a 15 milhões do Q. G. do 3º Exército. Agentes do Serviço Secreto norte-americano, acompanhados de colegas britânicos, deram uma busca na residência de Paustin. Vieram a saber que o homem procurado partira logo antes do Natal para Wilshmen, perto de Nassau, sôbre o Danúbio, onde fôra visitar a namorada, na área do III.o Exército.

Agentes britânicos seguiram imediatamente para Wilshoven, a fim de prenderem Paustin, enquanto um destacamento de secretas norte-americanos prosseguia na caçada aos documentos.

Diversas casas foram varejadas por agentes à paisana e por fim um investigador descobriu uma cunhada da garota de Paustin. Durante o interrogatório, a moça declarou:
"Paustin não tem vindo aqui ultimamente, mas quando se foi embora da última vez, uma velha mala de roupas, sem se importar em ir procurará desde essa ocasião".

Debaixo de uma cama, no quarto mais acanhado da casa, um dos agentes atinou com a velha mata, bem desleixada, deixada propositalmente por certo, nessas condições a fim de dar a entender que não poderia encerrar nada de importante. Entretanto quando o agente secreto abriu a mala, seus olhos contemplaram com assombro os documentos que contavam a história do "César", que reduziu a Europa a farrapos e que arrastou consigo, para o túmulo, na sua hora mais amarga, sua derrota e a mulher que êle não conseguiu converter em imperatriz da Europa.

Postar um comentário

0 Comentários