28 de fev. de 2014

Histórico:  Bnei Anusim Retornam ao Judaísmo no Brasil

Histórico: Bnei Anusim Retornam ao Judaísmo no Brasil

Coisas Judaicas
Coisas Judaicas
 Durante os dias 17 à 20 de fevereiro a Congregação Judaica P´nei Or coordenou trabalho para o retorno de Bnei Anusim ou “filhos dos forçados” (descendentes de judeus perseguidos pela Inquisição), na sua sede, na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro. O Beit Din (Tribunal Rabínico) foi presidido pelo Rabino Abraham Deleon Cohen, da Abarbanel Foundation de Miami (EUA) e seguiu todas as determinações daHalachá (Lei Judaica).

         Rabino Deleon, é membro da Rabinical Association of Greater Miami e também do IFR - International Rabbinic Fellowship, Nova Iorque, EUA. É conhecido pelo se trabalho em várias comunidades de Bnei Anusim em países da América Latina, Europa e África. Além disso, exerceu os cargos de Rabino no Peru, na Colômbia e nos estados norte-americanos de Connecticut e Carolina do Norte.

         Ao todo, 19 pessoas foram selecionadas para o processo, sendo avaliadas pelo Beit Din em diversos quesitos: documentações relacionadas à descendência, práticas judaicas em família, além das questões Haláchicas (de lei judaica). Todas passaram por entrevistas pessoais, para checagem das informações coletadas, além de avaliar seus conhecimentos e real desejo com relação ao Judaísmo. Vale lembrar que estes selecionados são uma ínfima parcela das inúmeras pessoas de várias partes do Brasil que candidataram ao Beit Din.

         Em seguida, os candidatos fizeram uma declaração pública ao Beit Din, de compromisso com a Fé Judaica, renunciado a quaisquer resquícios de práticas religiosas do passado. Todo o processo envolveu Mikvê (imersão ritual), Brit Milá (circuncisão, no caso dos homens), além de muito empenho por parte de pessoas que vêm praticando e estudando Judaísmo há anos e pela primeira vez tiveram a oportunidade de estar em uma sinagoga, de fato. Candidatos vieram de Belém (PA), Porto Alegre(RS), Curitiba (PR), Ilhéus (BA) e Petrolina (PE), Juiz de Fora (MG), Nova Iguaçu (RJ) Itaboraí (RJ), Niterói (RJ) e Rio de Janeiro (RJ).

                 O Beit Din, que atuou durante quatro dias na sinagoga, finalizou seu trabalho com a entrega dos certificados de retorno (dentre os quais sete foram conversões), Bar e Bat Mitzvá, além das Ketubot(contratos religiosos de casamento). A cerimônia foi prestigiada por personalidades da Comunidade Judaica carioca, em especial sefaradita, que interagiu com os retornados numa bela festa, que coroou o trabalho. Este foi o terceiro Beit Din desta natureza no Brasil. O primeiro ocorreu em 2009, em Porto Seguro (BA) e o segundo em 2012, também em Petrópolis.

         O Brasil possui o maior número de Bnei Anusim em todo o mundo, fruto da terrível perseguição conduzida por séculos durante a Inquisição, que matou milhares de judeus, além de forçar um número ainda maior à conversão ao cristianismo. Segundo a maior autoridade no assunto, a historiadora Dra. Anita Waingort Novinsky, da USP, existem milhões deles, sendo que hoje o mundo está experimentando como nunca, um despertar de pessoas buscando retornar às suas origens judaicas.

Outras fotos: 





Clonagem humana

Clonagem humana


Já que este assunto é muito complexo e comentado, submetemos dez perguntas essenciais ao Rabino David Weitman a fim de conhecer a sua opinião sobre a relação existente entre a clonagem e o judaísmo.


Quatro anos após o nascimento da ovelha Dolly, a clonagem de mamíferos é uma realidade incontestável. Será que tal realidade contradiz a fé judaica?
É verdade que Dolly se tornou o símbolo da clonagem animal, mas é bom lembrar que este campo de análise não é perfeito ainda. Todas as tentativas de clonar macacos, primatas, fracassaram; até o momento, mostraram-se infrutíferas. Vemos, então, que a técnica utilizada ainda está longe da perfeição, mesmo quando aplicada em animais.

Agora, se isto contradiz a fé judaica, a resposta é não, de forma alguma. Parece-me que a grande novidade na tecnologia da clonagem é o fato de que, pela primeira vez na ciência moderna, descobriu-se um meio de originar uma criatura sem a necessidade do macho. Para tanto, basta possuir o núcleo de uma célula até de uma mulher e inseri-lo em um óvulo. Se observarmos atentamente as fontes judaicas, veremos que esta "novidade" já está prevista em nossos livros. Maimônides, grande legislador e filósofo do século XII, escreve em sua obra Sefer HaMitsvot (lei proibitiva nº.- 179): "Aqueles que pensam que formigas ou insetos não podem ser gerados do apodrecimento dos alimentos são ignorantes, pois não possuem conhecimento científico bastante e imaginam que as espécies apenas podem procriar-se quando há macho e fêmea."

Vemos, então, que apesar de Maimônides abordar um tema com que os cientistas atuais não concordam (a geração espontânea), isso não subtrai nada do vigor de suas palavras, de que existe a possibilidade de procriação sem o elemento masculino. Ou seja, Maimônides não se preocupou se este fato contradizia a Torá ou a fé judaica. Aliás, também o Rabi Menachem Meiri (século XIII) escreve em seu comentário ao Talmud (Sanhedrin 67b) o seguinte: "Tudo o que é feito de forma natural não está sujeito à proibição de feitiçaria. Mesmo que consigam criar belas criaturas sem recorrer ao acasalamento — como a ciência sustenta ser possível — é permitido fazê-lo, porque este é um caminho natural." Percebemos aqui não haver dúvidas sobre a possibilidade da geração de uma criatura desta forma, uma vez que D'us, na verdade, participa do milagre e da grande maravilha do nascimento. E isto pode ocorrer de várias maneiras, quer um nascimento normal, quer uma outra forma de concepção. Este fato não contradiz o judaísmo. A pergunta que tem de ser feita é se esta seria a vontade do Criador, já que há muitas tecnologias que Ele não deseja que utilizemos. Nem tudo o que é possível é o que D'us quer.


Todos os cientistas são unânimes em afirmar que dos 100 primeiros embriões humanos clonados e implantados em várias mães de aluguel, 98 serão abortados espontaneamente por causa das anomalias genéticas. E mesmo que nascessem, seriam seres alterados, com um peso bem maior do que o normal, portadores de problemas cardíacos, circulatórios, com pulmões subdesenvolvidos, diabetes e outras insuficiências. Por esta razão, não apenas os humanistas como também os cientistas, concordam que tentar aplicar e testar em seres humanos uma tecnologia perigosíssima, que ainda não é dominada, é um ato criminoso. Até mesmo em uma situação onde um casal esteja tentando fazer uma "cópia", uma clonagem de uma criança falecida prematuramente, é ilógico que uma criança falecida "gere" muitas outras crianças ou embriões mortos. Para alcançar este objetivo seria preciso destruir muitos embriões humanos que, conforme o judaísmo, já têm vida.

No que diz respeito ao segundo tipo de clonagem, a terapêutica, a ciência afirma que é a grande promessa em matéria de clonagem. Não se trata de "copiar" aqueles que faleceram, mas salvar os que estão doentes. Sabemos que a técnica consiste em fabricar embriões geneticamente idênticos à pessoa em tratamento e tais células troncos, como são chamadas, após serem cultivadas, poderão ser induzidas a formar células cardíacas, pancreáticas, cerebrais etc. Isto, obviamente, poderia ajudar no tratamento do Mal de Parkinson e outras doenças. Porém para nós, judeus, este procedimento é imoral e absolutamente inaceitável. Existem inúmeras objeções morais a respeito, pois o ser humano não pode ser visto apenas como um depósito de peças avulsas. Fiquei profundamente chocado ao ler que um cientista teria dito que, afinal, "o embrião não passa de um amontoado de células, de uma pequena bola, menor do que a cabeça de um alfinete". Desde quando a vida tem tamanho? Se é grande ou pequena, é uma vida! Um embrião existe para gerar filhos, bebês, e não para fabricar peças de reposição. Quem sabe quantos embriões vamos ter de "matar" para obter uma célula tronco? Teremos, no processo, uma matança maciça de embriões, D'us nos livre.

Será que as legislações e a moral das nações estão prontas para este passo?
Sem dúvida, a ciência evoluiu em um ritmo de acúmulo de conhecimentos e isto não depende, necessariamente, de princípios morais. Muitas vezes o conhecimento está desvinculado da ética adequada. Assim, já que estamos vendo que, mesmo na clonagem animal, menos de 3% de todos os esforços obtiveram êxito, e que a clonagem humana pode gerar anomalias genéticas perigosas para a vida além de outros problemas imprevisíveis, não há duvida que as nações deveriam proibi-la. Muitos países, como por exemplo os E.U.A., proibiram qualquer ajuda financeira federal à pesquisa na área de clonagem humana. O Brasil, me parece, também proíbe esta tecnologia.

Tudo isto pode ter conseqüências em matéria de responsabilidade, herança etc. De acordo com a Lei judaica, o homem que der o núcleo de sua célula para a clonagem será considerado o pai da criança. Não fará diferença se a procriação ocorrer mediante uma célula reprodutiva (o sêmen) ou por meio de uma célula adulta. Assim, não caberá recorrer a um outro judeu que não seja o marido, pois mesmo que não tenha havido adultério (uma vez que não houve relacionamento), permanece a suspeita de que esta criança possa vir um dia a se casar com a sua meia-irmã, já que o seu pai é o doador do núcleo, podendo ele ter também outros filhos biológicos.



Na sua opinião, quais são os perigos da clonagem humana?
Há o perigo óbvio de que os neonazistas, saudosos da guerra, queiram clonar Hitler ou um outro anti-semita. Mas, é claro, existem outros perigos. Por exemplo, falamos antes que no processo haverá muitos fetos mortos. Para concretizar a clonagem são necessários muitos óvulos. A clonagem terapêutica precisa de muitas células troncos retiradas de embriões. O que pode vir a acontecer com o tempo é o comércio, um grande comércio de óvulos e de embriões. Todos os restos de embriões provenientes das clínicas de fertilização poderiam ser comercializados, D'us nos livre. O pior de tudo, sem dúvida, é que o ser humano passaria a ser tratado como matéria-prima barata. Como disse o cientista francês, Professor Axel Kahn, é preciso ficar bem claro que "um embrião não serve para criar um gatinho; o embrião existe para criar um bebê, um ser humano". Reduzir o homem à condição de matéria-prima, um simples depósito de peças, como se fosse um automóvel ou uma máquina, motivaria um comércio absolutamente assustador.


Seria o caso de os sábios da Torá proibirem a tecnologia da clonagem?
Como já mencionamos, uma vez que não há menção na Torá e no Talmud que a técnica seja proibida, não podemos proibir essa tecnologia pelo fato de que é contra o caminho natural. Já mencionamos também o famoso comentarista do Talmud, Rabi Menachem Meiri, que sustenta, claramente, que se um dia for possível gerar criaturas bonitas sem acasalamento, conforme encontrado nos livros científicos, é permitido fazê-lo. Por isto, proibir a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico é algo absolutamente impossível. O homem possui uma natureza que o impele a saber cada vez mais. Ele tem a curiosidade de aprender o que o mundo contém e de usá-lo, como diz o salmista no capítulo VIII: "Tu o fizeste [o homem] somente um pouco menos que os anjos, e o coroaste com uma alma e um esplendor. Tu lhe deste domínio sobre as obras de Tuas mãos, Tu colocaste tudo sob seus pés." Qualquer conhecimento adicional pode trazer grandes benefícios e bênçãos para a humanidade, da mesma forma que pode trazer, infelizmente, prejuízos e tragédias. Por exemplo, a descoberta da eletricidade trouxe benefícios para o mundo, que se traduzem em conforto, iluminação etc., mas trouxe também o perigo da eletrocução e o curto-circuito. Será que os sábios da Torá deveriam proibir o seu uso por causa disto? Claro que não! Seria um absurdo. O que se exige do homem, porém, é que seja responsável pelos seus atos e que utilize tudo o que descobrir em suas pesquisas unicamente para o bem. Tentar impedir a utilização de uma descoberta científica por aqueles que dela necessitam, por suspeitar que algumas pessoas mal-intencionadas poderão fazer mal uso dela, é uma decisão muito difícil pela halachá. Como disse o grande legislador desta geração, Rabino Shlomo Zalman Auerbach, não há razão para ser rigoroso e proibir o que é permitido para as pessoas boas e idôneas por causa de alguns perversos e levianos.

Até que ponto o homem pode modificar a natureza que D'us criou?
D'us é chamado o Arquiteto do Universo, como diz o Talmud em Berachot: "Ein tsaiar kelokeinu", não há desenhista como o nosso D'us. A pergunta é se nós, que somos o desenho, também podemos, de vez em quando, "desenhar", auxiliando D'us a "melhorar" a Sua obra. Observamos dois aspectos nesta questão. Por um lado, encontramos na Torá a proibição dos cruzamentos. É proibido cruzar espécies diferentes de animais, e também espécies diferentes de sementes. Não se pode cruzá-las, sendo tal proibição denominada kilaim. Nachmânides explica uma das razões: "Porque aquele que mistura as espécies nega a criação de D'us. É como se pensasse que D'us não fez o suficiente, que a obra não é perfeita e que precisa ajudá-Lo a acrescentar vários tipos de criaturas ou animais". O Sefer HaChinuch explica a razão pela qual D'us proibiu certas misturas: "Porque Ele sabe que são nocivas para o homem, e D'us, que quer o bem do homem, pede a ele não fazê-las".

Encontramos um episódio na Bíblia em que a Torá critica um homem chamado Aná (Gênese, XXXVI:24) que cruzou uma jumenta com um burro, vindo a nascer uma mula. Sabemos que todos os híbridos, inclusive a mula, são estéreis. Isto pode ser encarado como uma reação da natureza contra aquele que desrespeita a vontade Divina, contra aquele que transgride a proibição sobre o cruzamento das espécies. Este é um aspecto que nos ensina a não mexer na criação.

Mas, por outro lado, não podemos esquecer que no mundo e no Universo há muito espaço para descobrimentos, para as ciências e desenvolvimentos em geral. Aliás, este é um outro aspecto enunciado já no início da criação. No sétimo dia está escrito "Asher bará Elokim laasot" — "Esta criação que D'us criou para fazer". O Talmud explica que D'us deixou espaço para o homem melhorar e desenvolver a criação, contribuindo com a obra Divina. Afinal, porque deixaria de ser permitido já que o homem assim procede com a sabedoria que D'us lhe deu? Em outras palavras, estas descobertas do homem também são de D'us, como diz o profeta (Yeshaiau, XXVIII:29): "Gam zot meim Hashem Tsevakot yatsa hifli etsá higdil tushia" — "Também isto é de D'us, admirável em juízo, excessivamente sábio". Então, se D'us nos deu a sabedoria para encontrar cura e soluções, teremos de prestar contas caso não a utilizarmos para o bem da humanidade.


Então, concluindo, qual é a recomendação da Torá no caso da engenharia genética em geral e a clonagem em particular?
Parece-me que para extrairmos uma conclusão sobre a modificação da natureza pela clonagem precisamos levar em consideração alguns detalhes importantes. Por um lado, trata-se de uma solução para que as pessoas estéreis possam ter filhos. Um verdadeiro alívio para essas famílias. Por outro lado, não podemos esquecer de que se trata de uma decisão que pode criar uma absoluta anarquia no conceito da concepção, transformando o nosso mundo em um grande laboratório comercial. Isto pode criar graves problemas principalmente na estrutura familiar e, em geral, na forma e nos direitos do ser humano. Pode, inclusive causar um retrocesso de centenas de anos na humanidade. Como já demonstrou o Rabino Yigol Shafran (do Departamento de Medicina e Halachá do Rabinato de Jerusalém). Esta situação lembra muito um caso descrito no Talmud (Pessachim, capítulo IV): "O Rei Chizkiahu (Ezequias) pegou o Sefer HaRefuot, o livro das curas, e o enterrou, e os sábios concordaram com ele". Este livro era uma tradição passada de pai para filho. De acordo com o Midrash, após o dilúvio, um anjo ensinou a Noé os remédios naturais que existem nas plantas e nas ervas, que são a cura para qualquer doença. Este é o conteúdo deste livro que foi passado para Abraão, até chegar às mãos do Rei Chizkiahu. Maimônides explica: "Por que Ezequias ocultou este livro, já que nele não constavam apenas as curas para as doenças, mas também uma lista de todos os venenos fatais para o homem? E quando certos homens começaram a fazer mal uso dele, matando-se uns aos outros, o Rei Chizkiahu o ocultou". Aqui surge uma pergunta: por que os sábios judeus, conhecendo o livro, esperaram que o Rei fizesse isso e só depois concordaram com ele? Por que eles mesmos, conhecendo a situação imoral reinante, não proibiram o uso do livro? A resposta é que os sábios judeus só podem se opor a algumas proibições pela Torá (ou através de uma proibição momentânea, provisória, que é chamada de horahat shaá). Todavia, uma proibição emitida pela própria Torá é uma proibição eterna, atemporal e independente. Não podiam os sábios proibir o livro das curas, pois, afinal, ele continha a cura para muitas pessoas. O problema não era o livro, mas o mal uso feito dele. Por esta razão, os sábios esperaram o Rei Chizkiahu ocultá-lo. E como o Rei representa uma autoridade governamental, a proibição dele oriunda é uma proibição provisória. Então, os sábios dizem que o Rei ocultou o livro (e não o queimou), pois ocultação é como uma "inspeção federal e governamental" da parte do rei e, Tsadik Chizkiahu, assim procedeu a fim de vislumbrar as metas do conhecimento científico, para que não se fizesse mal uso dele.

Existem certos conhecimentos, principalmente na área da tecnologia, em nosso caso da engenharia genética, que devem permanecer ocultos. Uma vez caindo em domínio público podem acarretar conseqüências tão desagradáveis quanto irresponsáveis. Esta me parece a recomendação da Torá. Precisamos de soluções para a infertilidade. Queremos melhorar muitas coisas e, sem dúvida, isso pode ser feito pela engenharia genética e, quem sabe, através da clonagem. Porém, é necessário um controle, uma inspeção rigorosa para que isto não seja explorado para o mal, D'us nos livre.

O Sr. tem algum exemplo positivo do que podemos aprender da clonagem?
O décimo terceiro princípio da fé judaica é crer na ressurreição dos mortos. Após a revelação messiânica, virá o dia em que D'us ressuscitará os mortos. Os falecidos se levantarão. Quando ensinava este conceito aos meus alunos, muitos me perguntavam: "e como é que ficam os corpos que foram cremados pelos nazistas ou pelos inquisidores nos atos de fé?" A resposta que eu dava, conforme consta nos livros profundos, é que em cada corpo humano existe um pequeno elemento que em hebraico se chama luz. Ele se encontra na espinha dorsal e nunca se acaba; é sempre preservado. A partir deste elemento, D'us irá reconstituir todos os corpos exatamente como eles eram. Quando eu falava isto, os meus alunos ficavam céticos, pois, afinal, de um corpo cremado não sobra nada. Parece ficção reconstituir um corpo a partir de um pequeno elemento. Hoje, graças à engenharia genética e, principalmente, à clonagem, estamos tendo um exemplo prático deste processo, em que se retira apenas um núcleo pequenino, ínfimo, que contém toda a informação genética, todo o DNA da pessoa, e a partir dele podemos clonar um ser humano. Este é um exemplo de como a ciência nos ilustra coisas já claras e escritas em nossos livros.

Quais as suas últimas considerações sobre o assunto?
Existe uma mitzvá na Torá em que o noivo deve dedicar o primeiro ano do casamento à sua esposa, conforme está escrito: "Vessimach et ishtó asher lakach." — "E alegrará sua esposa que tomou a si". (Deuteronômio, XXIV:5). Explica o Sefer HaChinuch, (mitsvá 582): "Fomos ordenados que o noivo alegre a sua esposa no primeiro ano porque D'us, Todo-Poderoso, teve a intenção de criar o mundo, e a Sua intenção é que ele fosse habitado por criaturas bonitas, que nascem de pai e mãe, e por isso ordenou ao povo escolhido que se dedicassem às esposas durante o primeiro ano para aumentar a vontade e a empatia entre eles, até o fundo do coração, de tal forma que quaisquer outras mulheres seriam estranhas para eles". Estamos vendo, em um texto antigo, que a vontade do Criador é que o mundo seja habitado por criaturas que nasçam de pai e mãe, apesar de que possam existir outros métodos. Porém, não é este o mundo que D'us quer que estabeleçamos. A Torá almeja um mundo de bondade e de benevolência, assim como diz o Rei David nos Salmos (LXXXIX:3): "Ki amarti olam chessed yibane". — "Pois o mundo está construído sobre a bondade e a benevolência".


Rabino David Weitman
Revista Morashá – Edição nº 33 – Junho/2001
30 Adar I, 5774

30 Adar I, 5774

Leis e Costumes:

Observâncias de Rosh Chôdesh

Hoje é o primeiro dos dois Rosh Chodesh (Cabeça do Mês), para Adar I (quando um mês tem 30 dias, o último dia do mês e o primeiro do mês seguinte servem como Rosh Chodesh do mês vindouro).

Porções especiais são acrescentadas às preces diárias: Halel (Tehilim 113-118) é recitado – em sua forma “parcial” – após a prece matinal Shacharit, e a prece Yaaleh V’yavo é acrescentada à Amidá e às Graças Após as Refeições; a prece adicional Mussaf é recitada (quando Rosh Chodesh é Shabat, adições especiais são feitas ao Shabat Mussaf). Tachanun (confissão dos pecados) e preces similares são omitidas.

Muitos têm o costume de marcar Rosh Chodesh com uma refeição festiva e redução na atividade de trabalho. Este costume prevalece entre as mulheres, que têm uma afinidade especial com Rosh Chodesh – o mês é o aspecto feminino do calendário judaico.
Quem é a juventude judaica que provocou polêmica nos últimos dias?

Quem é a juventude judaica que provocou polêmica nos últimos dias?

Você leu as duas matérias publicadas pelo jornalista Reinaldo Azevedo no site da Veja sobre a polêmica Freixo-Babá? Não, então aconselho, para a compreensão do que está por vir. Primeiro este, do último dia 22. Três dias depois, ele publicou outro.
Quem são os jovens judeus que apoiam Freixo? E os que partilham da opinião de Reinaldo Azevedo? São apenas jovens, com a diferença de que pertencem a uma minoria religiosa no Brasil. Aliás, como se pode perceber pela divergência de opiniões, eles não têm todos as mesmas ideias, assim como todos os outros jovens, que não pertencem a uma massa homogênea com pensamentos idênticos, sejam eles católicos, laicos, budistas, etc.
A "juventude judaica", de que Freixo alegou ter o apoio, é apenas um grupo de pessoas entre 16 e 22 anos, mas existem vários outros judeus pelo Rio de Janeiro. Sem dúvidas, o apoio não é unânime.
Alguns podem ter se perguntado o que é esse tal de Movimento Juvenil Sionista Betar. Quem são? O que fazem? Não só no Brasil mas em todo o mundo existem os movimentos juvenis judaicos. Eles são marcos educativos que pretendem difundir ideais judaicos utilizando a educação não formal e de jovem para jovem. Há uma gama de movimentos com diversas plataformas ideologias, posturas, meio de educar. Jovens reúnem-se semanalmente, dão atividades que condizem com seus ideais e, em alguns casos, militam pelo que acreditam. Esse modelo é seguido de maneira geral em quase todos os continentes.
O Betar, que foi fundado em 1923 na Letônia, é conhecido por ser um movimento sionista revisionista de direita, ou seja, não acredita na criação do Estado Palestino e, provavelmente, não apoiaria qualquer candidato do PSOL.
Já os "jovens judeus de esquerda", que protestaram contra aqueles que disseram que Freixo era antissemita, fazem parte de outro movimento juvenil, que tem ideais, além de sionistas, socialistas. Ou seja, são opostos.
Espalhados não somente pelo Brasil, mas pelo mundo, existem diversos tipos de movimentos juvenis judaicos. Suas opiniões divergem sobre linhas judaicas, tipos de sionismo (alguns até questionam se essa ideologia é válida), visões políticas (há até os apartidários), e muitos outros temas.
"Ah, então, vocês são judeus, e eu não? Não dou a mínima! Já recebi, digamos assim, o título de 'judeu honorário' das comunidades de São Paulo e Rio -- e não creio que seria diferente com outras, de outros estados -- e, lamento por vocês, sinto-me mais preparado para defender a causa de Israel do que vocês. Façam o seguinte: conclamem a comunidade judaica a lotar, sei lá, o Morumbi e o Maracanã: aí apareçam lá com as teses do PSOL, e eu compareço com as minhas. Se a questão é saber com quem estão os judeus, eu topo o confronto. Comigo, não, violão! Eu não me intimido com esses faniquitos e correntes na internet. E sou quem sou porque não me intimido", é o que diz Reinaldo de Azevedo em seu primeiro texto para a Veja. O que é realmente complicado em suas palavras, além da confusão do que seria um "judeu honorário", é o desmerecimento da opinião desses jovens, que têm direito de serem de esquerda, de apoiarem o PSOL, de serem sionistas à sua maneira.
Apoiar ou não o Estado Palestino não faz alguém mais ou menos judeu, como diz o colunista. Cada um tem suas opções de como militar, como se posicionar politicamente, como exercer sua religião. Isso não há quem no mundo possa julgar.

Fonte: http://www.brasilpost.com.br/
Obama irá pressionar Israel sobre acordo de paz

Obama irá pressionar Israel sobre acordo de paz

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, irá pressionar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que aceite o acordo de paz com os palestinos que está sendo preparado pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry. 

Obama irá aproveitar a próxima visita de Netanyahu à Washington deverá ocorrer em março, para pressioná-lo, segundo informou o jornal The New York Times.

    O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, também deverá viajar à capital dos Estados Unidos. 

O motivo é ter uma participação ativa nos esforços diplomáticos de Kerry para chegar a um acordo de paz entre Palestina e Israel. O acordo deverá abranger todos os temas principais: segurança, fronteiras, Jerusalém, refugiados, reconhecimento recíproco e o fim dos conflitos. (ANSA)

27 de fev. de 2014

The Megemeria Collection - Jewelry Design by Ethiopian Immigrants

The Megemeria Collection - Jewelry Design by Ethiopian Immigrants


Jews in Ethiopia thought their dream to return to their holy land was finally going to be realized with the establishment of the State of Israel. To their disbelief, much controversy surrounded their immigration to Israel, stemming from concerns that included the difficulty of integration into Israeli society. Despite these apprehensions, they successfully came to be recognized as Jews under the Law of Return and began to arrive in Israel as olim(Jewish immigrants).
Even after their long-time dream of returning to Israel came true, many of these immigrants faced struggles during their absorption in Israeli society.  Not only did they need to adjust to a new language and culture, but they also lacked any formal education or skills that would allow them to become a valued part of the Israeli workforce, a problem that hindered them financially and socially. From this need, Megemeria School was born.
The Megemeria School was founded in September 2010 by Isaac & Orna Levy, owners ofYvel Jewelry.  Isaac and Orna recognized that important aspects of successful absorption and social integration into Israeli society are professional training and career skills.  The school teaches Ethiopian immigrants to Israel the art of jewelry making, diamond setting, and Jewish jewelry design. The Megemeria School is located within the Yvel Design Center in Ramat Motza, Jerusalem, and its students are guaranteed a job in Israel’s jewelry making and design industry upon graduation.
http://pics.worldofjudaica.net/images/products/normal/63511_24k_gold_plated_clover_megemeria_by_yvel_earrings_with_sterling_silver_view_1.jpghttp://pics.worldofjudaica.net/images/products/large/63407_24k_gold_plated_friendship_hook_megemeria_by_yvel_earrings_view_1.jpg
The unique designs of the Megemeria Jewelry Collection were created by the students of the Megemeria School.  The word "Megemeria" means "Genesis" in Amharic and the collection is inspired by their personal and collective journeys to Israel. The Megemeriaaesthetic is a combination of Ethiopian tradition, Judaism, and modern styles resulting in an extraordinary collection of jewelry.  
 The students’ Ethiopian roots are displayed in this collection is by several of the pieces designed with Amharic inscriptions, the students’ native language.  Combining cultural expression with beauty, some necklaces in the collection feature an oval-shaped pendant hanging from a leather cord. This unique design is made using special hammered or smoothing techniques and are crafted from 24k gold plated brass. The pendants are then inscribed with personalized messages such as single words like "forever", "love" and "friendship", which appear in Amharic lettering.
http://pics.worldofjudaica.net/images/products/normal/63521_megemeria_by_yvel_flower_24k_gold_plated_brass_necklace_with_fresh_water_pearl_view_1.jpghttp://pics.worldofjudaica.net/images/products/original/63453_24k_gold_plated_brass_one_nation_megemeria_by_yvel_necklace_view_1.jpg
The design of the necklaces also integrates Ethiopian with Israeli culture by combining inscriptions in both Hebrew and Amharic texts. One such necklace is carved with the Hebrew text "Am Echad" (One Nation) and includes the same words in Amharic lettering.Yityish Titi Aynaw, an Ethiopian Israeli who was crowned Miss Israel 2013, was seen wearing this necklace.
Judaism is a prominent theme, as seen in the collection’s exquisite Star of David charm necklaces. The necklaces are designed with a combination of tradition and modernity and made from brass plated with 24k gold. The traditional designs include a Star of David embedded with beautiful fresh water pearls. The more modern looks are composed of two modular triangles welded together to create the Star of David.
http://pics.worldofjudaica.net/images/products/original/63537_24k_gold_plated_brass_friendship_megemeria_by_yvel_bangle_bracelet_view_1.jpghttp://pics.worldofjudaica.net/images/products/original/63475_sterling_silver_and_24k_gold_plated_brass_modular_star_of_david_pendant_megemeria_by_yvel_necklace_view_1.jpg
The bracelets of the collection exhibit contemporary and fashionable features of Jewish Ethiopian culture. The thick shape of the bangle bracelets resemble customary African jewelry and are inscribed with either Amharic or Hebrew lettering.  One of these stunning bracelets is decorated with an inscription in Hebrew text that states "Shema Yisrael", which means in English "Hear, O Israel". This strong message comes from the first line of the holy Shema Prayer.
The Megemeria jewelry collection by Yvel is a beautiful testament to many immigrants’ success in immigration and integration into Israeli society. The production and distribution of the Megemeria School’s jewelry helps ensure the success and growth of the Ethiopian community in Israel.

Israel testa sistema antimísseis para voos comerciais

Israel testa sistema antimísseis para voos comerciais

Israel realizou com sucesso os testes de um novo sistema de defesa antimísseis destinado aos aviões comerciais, anunciou o Ministério israelense da Defesa nesta quarta-feira.
De acordo com a pasta, o sistema laser batizado de "SkyShield" (escudo do céu, em português) poderia detectar mísseis antiaéreos portáteis e confundir seu sistema de direção, tornando-os inoperantes.
"Os testes, realizados (...) no sul do país, foram os mais complexos e sofisticados já conduzidos pelo Estado de Israel", declarou o Ministério, em um comunicado.
"A série de testes incluiu uma grande variedade de ameaças que o sistema 'SkyShield' teria tido de enfrentar para proteger os aviões de transporte de passageiros", acrescentou.
O Ministério não informou quando o sistema entrará em serviço.
Em agosto passado, o aeroporto de Eilat, balneário israelense à beira do Mar Vermelho, foi fechado por um curto período de tempo por questões de segurança. Situado perto da península do Sinai egípcio, Eilat foi várias vezes alvo de lançamentos de foguetes transfronteiriços.
Nesta quarta, a imprensa israelense informou que o "SkyShield" é voltado para voos domésticos tendo esse aeroporto como destino, assim como para voos internacionais.
Em 28 de novembro de 2002, um avião da companhia israelense de Arkia, com 261 passageiros a bordo, escapou por pouco de dois lançamentos de mísseis portáteis, após sua decolagem do aeroporto de Mombaça, no Quênia.

26 de fev. de 2014

25 de fev. de 2014

O Shemá

O Shemá

Coisas Judaicas
Coisas Judaicas

Habitamos uma miragem cósmica. Notamos milhares de criações, todas aparentemente seres autossuficientes e independentes. Mas, como judeus, acreditamos que na verdade há somente uma entidade verdadeira. Um D'us que é a essência de tudo. Um D'us manifesto numa quantidade infinita de criações.

Gravar essa ideia contra-intuitiva em nossa psique é nosso maior desafio, mas essencial para desenvolvermos uma verdadeira apreciação e um relacionamento com nosso Criador. Para esse fim, toda manhã e toda noite recitamos o Shemá – três parágrafos bíblicos (Devarim 6:4-9; 11:13-21; Bamidbar 15:37-41), que começam com a declaração que define o Judaísmo: Ouve, ó Israel, o Eterno é nosso D'us, o Eterno é Um. O Shemá então discute algumas bases do Judaísmo: amor a D'us, estudo de Torá, o princípio da Divina recompensa e punição, e nosso êxodo do Egito.

O Shemá é parte das preces matinais e noturnas. Recite o Shemá, mesmo que você não esteja recitando as preces


QUANDO
“Quando te deitares e quando te levantares” – Devarim 6:7. Manhã: durante a primeira quarta parte do dia – começando quando houver luz suficiente para reconhecer alguém a uma curta distância. Noite: a partir do instante em que as estrelas aparecem, até o amanhecer. De preferência, antes da meia-noite.

COMO:
Recite o Shemá em seu idioma se você não entende hebraico. Certifique-se de que seu ambiente está limpo e recatado, e articule e pronuncie cuidadosamente cada palavra. Não faça interrupções durante a prece.

Cubra os olhos com a mão direita enquanto recita o primeiro verso – bloqueando estímulos externos que o possam distrair. Recite o verso em voz alta, pelo mesmo motivo. O ideal é que os homens coloquem talit e tefilin para o Shemá matinal.

Cobrem-se os olhos com a mão direita ao recitar o primeiro versículo do Shemá.

Shemá Yisrael, A-do-nai E-lo-hê-nu, A-do-nai Echad.
(Em voz baixasorriso Baruch shem kevod malchutô leolam vaed. (descobrem-se os olhos)

Veahavtá et A-do-nai E-lo-hê-cha, bechol levavechá uvchol nafshechá, uvchol meodêcha. Vehayu hadevarim haêle, asher Anochi metsavechá hayom, al levavêcha. Veshinantam levanêcha vedibartá bam, beshivtechá bevetêcha, uvlechtechá vadêrech uvshochbechá uvcumêcha. Ucshartam leot al yadêcha vehayu letotafot ben enêcha. Uchtavtam al mezuzot betêcha uvish’arêcha.

Ouve, Israel, A-do-nai é nosso D-us, A-do-nai é Um.

(Em voz baixa) Bendito seja o nome da glória de Seu reino para toda a eternidade.

Amarás a A-do-nai, teu D-us, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo teu poder [tuas posses]. Estas palavras que Eu te ordeno hoje ficarão sobre teu coração. Inculca-las-ás diligentemente em teus filhos e falarás a respeito delas, estando em tua casa e andando por teu caminho, e ao te deitares e ao te levantares. Ata-las-ás como sinal sobre tua mão e serão por filactérios entre teus olhos. Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa e em teus portões.
Rabi Isaac Luria – O Ari Hakadosh

Rabi Isaac Luria – O Ari Hakadosh

5294-5332; 1534-1572)

Rabi Isaac Halevi Luria se tornou famoso como o "Ari", o leão sagrado; Ari representa as iniciais de "Ashkenazi Rabi Isaac". Como seu nome indica, sua família originalmente viveu na Alemanha, de onde foi para Jerusalém. Ali nasceu o homem que desempenharia um papel magnífico não apenas naquele século de revoluções culturais e espirituais, mas até os dias de hoje.

Rabi Isaac Luria perdeu o pai ainda muito cedo e foi para o Egito onde Mordechai Frances, o rico irmão de sua mãe, cuidou de sua educação e criação. Ele freqüentou a yeshivá de Rabi David ben Zimri, o Rabino Chefe do Egito, famoso como autor de muitos comentários notáveis e responsas sob o nome de Radbaz. O brilhante jovem tornou-se um dos discípulos mais chegados ao Radbaz, e seus estudos do Talmud logo o promoveram às alturas da erudição. A única obra sua em Guemara e Halachá a sobreviver é um comentário a Zevachim. Quando Rabi Mordechai Frances viu o grande sucesso de seu jovem sobrinho, deu-lhe a filha como esposa e tratou de assegurar-lhe os meios necessários para a subsistência.


Túmulo de Isaac Luria - Cemitério de Safed
Porém a natureza profunda e introspectiva de Rabi Isaac Luria não estava satisfeita somente com o estudo da Halachá. Ele adquiriu conhecimento da Cabalá e devotou sua vida inteira ao seu estudo e disseminação. Ainda muito jovem ele começou as suas longas estadias na solidão do Rio Nilo. Durante sete longos anos ele viveu sozinho, imerso no estudo do Zôhar, a obra magna da Cabalá, e outros escritos cabalistas de menor importância, e voltava somente uma vez por semana, no Shabat, para sua família no Cairo. 

Possuidor de uma alma ardente e nobre, ele foi totalmente atraído ao universo da sabedoria mais profunda e buscava a interpretação significativa de todas as fases da vida, a natureza e a prece. Passava muitos dias em jejum, oração e estudo. Em seus esforços incansáveis para penetrar os recessos mais recônditos da Torá, ele descobriu muito do verdadeiro significado da fé judaica. Foi capaz de criar todo um sistema de uma doutrina cabalista sobre o mundo, e no papel da Torá e seus mandamentos na vida do homem.

Animado pelo fogo da inspiração e do entusiasmo, ele esforçou-se para purificar o mundo do espírito de impureza e substituir o domínio do mal pelo reconhecimento de D'us. Em torno do ano 1569, emigrou com sua família para Jerusalém e de lá para Safed, o centro de todo o estudo e prática da Cabalá. Logo formou-se um grupo grande de discípulos ao seu redor, para ouvir suas interpretações sobre o profundo significado de todos os acontecimentos e ocorrências do mundo. Cada vez mais e mais homens acorriam a ele e aceitavam os dogmas de uma vida sagrada e ascética que o Ari Hakadosh estabelecera como exigência necessária para a participação no seu círculo de seguidores. Sob sua inspirada orientação, a prece assumiu um significado mais profundo, pois o significado de cada palavra e frase era interpretado por ele. Os dias de jejum e os feriados se transformaram em genuínos pontos altos da vida religiosa, e o Shabat se tornou o pivô da experiência sagrada e da inspiração, pois era devotado exclusivamente à atividade espiritual. 
Cada refeição do Shabat, repleta de canções de conteúdo sagrado, muitas delas escritas e compostas pelo próprio Ari Hakodosh, era um oferecimento a D'us, e a Melavê Malca representava um comovente tributo ao Shabat que se despedia.

De maneira semelhante, a maioria dos aspectos da vida e da fé judaica receberam novo conteúdo e colorido. Os ensinamentos de Rabi Isaac Luria era amplamente divulgados e chegaram a todos os cantos do mundo, onde quer que vivessem judeus. Dentre os expoentes mais inflamados dos ensinamentos do Ari estava seu discípulo e sucessor à liderança dos cabalistas, Rabi Chaim Vital.
 
Rabi Chaim Vital registrou as revelações e as explicações de seu notável mestre, e elas estão entre os livros mais editados naqueles primeiros dias da imprensa. Outro discípulo importante foi Rabi Israel Saruk.

A personalidade de Rabi Isaac Luria inspirou todos os grandes homens que tinham penetrado mais profundamente no mundo da Cabalá que a maioria dos mortais.

O Ari faleceu aos 38 anos, e foi pranteado por todo o povo judeu. Apesar de sua curta vida, ele deixou uma impressão indelével sobre a vida religiosa e o ensinamento judaicos. Ele introduziu muitos Minhagim (costumes) sagrados, que se tornaram parte integrante de nossos serviços e costumes. Suas canções e preces foram amplamente adotados e parcialmente incorporados no Sidur. Comunidades inteiras se guiavam pelo "Nussach HaAri" e muitos dos seus ensinamentos foram usados para formar a base do grande Movimento Chassídico. Graças à sua influência e inspiração, o Judaísmo foi capaz de enfrentar o surgimento de muitos credos e idéias que foram promovidos durante os séculos dezesseis e dezessete. Ele certamente se enquadra dentre os líderes mais sagrados e mais importantes do povo judeu.

Fonte: CHABAD.ORG.BR
Bolo pega marido

Bolo pega marido

Bolo pega marido - Coisas Judaicas

Bolo pega marido

1 lata de leite condensado
A mesma medida da lata de leite integral
1 vidro pequeno de leite de coco
A mesma medida da lata de farinha de trigo especial (ou comum)
1/2 medida da lata de açúcar
3 ovos grandes inteiros
3 colheres de sopa de margarina
Não vai fermento

MODO DE PREPARO
 
Bata todos tudo no liquidificador
Coloque em uma fôrma untada e enfarinhada
Leve ao forno médio (200°C) até dourar, 30 a 60 minutos, depende do forno
Faça o teste do palito para retirar do forno
O bolo fica com consistência de uma queijada e é muito gostoso
 
Informações Adicionais
 
Dica: Para fazer uma cobertura leve ao fogo 1 vidro de leite de coco, 2 colheres de sopa de açúcar e 1 pacote de coco ralado. Deixe ferver e coloque quente sobre o bolo. Obs.: A consistência não é a de um bolo comum. O tempo de forno varia de acordo com o forno, pode ser de 30 a 60 minutos.
Um Estado, dois Estados

Um Estado, dois Estados


Soluções para o conflito Israel-Palestina

Autor: Benny Morris

Um Estado, Dois Estados é um trabalho histórico-político. Descreve a evolução, ou a não evolução, da ideologia básica e das plataformas políticas de dois movimentos nacionais, o judaico (sionismo) e o árabe-palestino, de suas origens até os dias atuais. Está focado nas várias atitudes relativas a questões nacionais e à partilha, ou não, da Palestina, e nas trajetórias históricas dos dois movimentos, entre 1882 e 2009, data da primeira edição deste livro.

Os dados históricos e a análise fornecida neste trabalho levaram-me à conclusão política, quase inevitável, de que o movimento sionista e Israel estiveram e continuam abertos, em princípio, à ideia de um acordo de paz que contemple dois Estados. Não é o caso, por outro lado, do movimento nacional palestino, tanto de sua ala islamista quanto de sua ala secular.

A meu ver, nada mais mudou desde então. Ou, talvez, muito tenha mudado no Oriente Médio – mas nada que contribuísse positivamente para a solução do conflito israelo-palestino.

É verdade que as negociações de paz entre Israel e os palestinos foram retomadas em 2013, após uma interrupção de cinco anos, e que esse diálogo é por si louvável. Mas nada mudou em relação à disposição palestina de ceder. Os líderes palestinos continuam aferrando-se a posições que, explícita ou implicitamente descartam a ideia de dois Estados para dois povos: o Hamas, que venceu as eleições gerais palestinas em 2006 e controla a Faixa de Gaza, clama abertamente pela destruição de Israel e a criação de um Estado governado pela sharia em toda a Palestina histórica (ou Terra de Israel, conforme a nomenclatura israelense); e a Autoridade Palestina, liderada pelo presidente Mahmud Abbas, continua a exigir de Israel o “direito de retorno” para os refugiados de 1948 (que com seus descendentes, como reconhecidos pela ONU, somam aproximadamente 5 milhões). Considerando a população israelense de 6 milhões de judeus e 1,4 milhão de árabes, a implementação de tal retorno transformaria Israel em um Estado de maioria árabe, ou seja, eliminaria o Estado de Israel. Abbas também continua a se opor à ideia de reconhecer Israel como “Estado judeu” (e a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia majoritariamente habitada pelos palestinos certamente não contribui, levando muitos palestinos a sentirem que Israel não é séria em relação à paz). 

Mais amplamente, as enormes transformações que sacudiram o Oriente Médio árabe e o norte da África desde o início de 2011 resultaram, até agora, menos na emergência de democracias e mais na chegada ao poder de partidos e movimentos extremistas islâmicos. Enquanto estas linhas são escritas, os islamistas controlam a Tunísia, a Líbia e o Iêmen, e têm uma poderosa presença no Egito (onde governaram brevemente e de maneira absolutamente incompetente, tendo sido retirados do poder à força pelos militares). 

Na Síria, islamistas dominam diversos grupos que lutam contra o governo de Bashar al-Assad em uma sangrenta guerra civil. Em outras partes da região, no Bahrein e na Jordânia, os islamistas são menos proeminentes, mas apesar disso se mantêm como uma ameaça latente aos governos pró-ocidentais e à governança racional.

Todos os islamistas repudiam a legitimidade israelense e apoiam a destruição de Israel (como o faz o Irã, que concretamente apoia vários desses movimentos), fornecendo suporte material e político a aqueles palestinos que se recusam a negociar e assinar a paz com o Estado judeu. Com o fortalecimento do Islã militante nos corações e mentes ao redor do mundo árabe, há pouca esperança de que os palestinos farão importantes concessões para obter a paz. Ao contrário, com a sensação de que têm a história e a demografia a seu favor, podem sentir que tudo que precisam fazer é manter-se firmes e esperar, que Israel declinará e desaparecerá; e a Palestina – na sua totalidade – cairá em suas mãos como uma fruta madura.

Nas próximas décadas as coisas poderiam mudar: o Irã poderia se tornar uma democracia reformista; os seculares poderiam derrotar os islamistas no mundo árabe afora, instituir democracias verdadeiras e, eventualmente, mesmo de forma relutante, aceitar a existência de um Estado judeu em seu meio, no centro do Oriente Médio. Mas duvido que isso aconteça. Enquanto isso, os israelenses e palestinos golpearão uns aos outros e talvez continuem a negociar. Mas não sou capaz de visualizar o fim deste conflito. 

Prefácio do livro Um Estado, dois Estados