30 de nov. de 2013

Nazistas de volta ao poder na Europa

Nazistas de volta ao poder na Europa


Marian Kotleba criou uma milícia para expulsar ciganos na Eslováquia (Bloco Internacional Europeu)
A eleição do dirigente neonazi Marian Kotleba para o cargo de governador de uma região da Eslováquia é o último exemplo da ascensão da extrema direita na Europa
Há poucos dias, radicais ultranacionalistas poloneses deitaram fogo a uma instalação artística no centro de Varsóvia e logo depois incendiaram uma guarita junto à Embaixada da Rússia. Agora, o seu confrade eslovaco Marian Kotleba conseguiu ir mais longe. No último fim de semana venceu as eleições regionais e tornou-se zupan (governador) da região de Banska Bystrica.
À frente de uma das oito regiões em que se divide administrativamente a Eslováquia está um admirador da Eslováquia fascista e da expulsão dos judeus, que gosta que lhe chamem “vudcer” (líder), criador de uma milícia contra os ciganos, a exemplo das SA de Hitler e, mais recentemente, do Jobbik húngaro, e chefe do partido “Nossa Eslováquia”, cujo programa se resume como “uma improvisação populista com elementos neonazis”.
A chegada de Kotleba ao segundo turno proporcionou uma afluência às urnas mais elevada do que a verificada nas outras regiões. Os resultados irão catapultar Kotleba para as presidenciais e o seu partido para as eleições locais do próximo ano, as consultas a realizar antes das eleições gerais de 2016.
O primeiro ministro, Robert Fico, dedicou-se a combater o alegado “perigo húngaro” nas regiões de Nitra e Trnava apoiando diretamente os candidatos do Smer, o seu partido. No entanto, não realizou qualquer esforço no mesmo sentido na província de Banska Bystrica contra Kotleba. A direita conservadora, por seu turno, recusou-se a apoiar o candidato de Fico no segundo turno, o que abriu caminho à vitória neonazi.
O sociólogo Michal Vasecka considera que existe na sociedade eslovaca, face à crise econômica, às pressões de Bruxelas e às frustrações acumuladas após a independência, um vasto eleitorado com tendências autoritárias, como demonstram êxitos anteriores do Partido Nacional Eslovaco e do HZDS de Meciar. Ideia comum a este extrato populacional é a revisão da história  no sentido de negar a cumplicidade entre o Estado Eslocavo fascista de Jozef Tiso e o Holocausto. Vasecka considera que esta corrente tem vindo a ganhar peso desde meados dos anos noventa também devido à influência de uma hierarquia católica extremamente conservadora.
Os analistas explicam que Marian Kotleba soube aproveitar o facto de os partidos que têm ocupado o poder desde a independência não saberem como lidar com a comunidade cigana, que representa cerca de dez por cento da população. Tal como Kotleba, os partidos do poder consideram a questão cigana como um assunto de segurança e não de direitos humanos ou sociais, mas o dirigente neonazi decidiu agir através de uma estratégia de terror: comprou uma área onde está instalado um acampamento de ciganos e prepara-se para o desmantelar, expulsando os ocupantes, o que pretende fazer a título de exemplo para outros acampamentos.
Martin Butora, antigo dirigente do Partido Nacional Eslovaco, direitista mas que nunca se declarou admirador do nazismo e da sua vertente eslovaca, considera que a eleição de Marian Kotleba “é um caso mais sério do que parece”. Analistas políticos de Bratislava admitem que perante o perigo há duas atitudes a tomar pelos principais dirigentes políticos: tratar Kotleba como um pária, o que acabará por jogar a favor deste; ou desacreditá-lo como político no desempenho do cargo de governador. Esta opção, contudo, tem muito poucos adeptos.

29 de nov. de 2013

Dieta do profeta Daniel

Dieta do profeta Daniel

Dieta do profeta Daniel promete baixar colesterol e aumentar o bem-estar

LONDRES - Uma nova dieta à base de frutas, vegetais, grãos integrais e água. Sem carne, peixe, pão, alimentos processados, café, açúcar ou álcool. Baseada na alimentação do profeta Daniel, do Antigo Testamento, a novidade foi criada por Susan Gregory, que se baseou nas experiências de jejum do profeta.

Em um vídeo publicado no site do “Daily Mail”, ela explica que Daniel estava em um grupo capturado na Babilônia e que o rei Nabucodonosor queria que os homens se conservassem nas melhores condições - assim, insistiu que eles comessem a mesma comida do rei. 

Mas quando Daniel foi servido, recusou a comida, disse que estava comprometido com Deus e que a comida não tinha sido preparada dentro dos padrões judaicos. O profeta então passou a comer frutas e sementes e a beber apenas água.

Gregory descreve a dieta como vegana com mais restrições. Emagrece? Sim, mas também pode causar dor de cabeça, cansaço e câimbras. A criadora, no entanto, defende que a alimentação ajuda a perder peso e aumenta a sensação de bem-estar.

O jornal “The Atlantic” conta a história de Sarah Neumann, de Michigan, nos EUA que optou pela dieta do profeta como um exercício religioso e não conseguia comer em restaurantes com os amigos. Mas Sarah perseverou, perdeu peso e se sente mais saudável depois da experiência.

Apesar do sucesso, a nutricionista Zoe Harcombe disse ao “Daily Mail” que não está convencida dos benefícios da dieta, que pode até funcionar se seguida durante alguns poucos dias. Mas a longo prazo essa alimentação se torna deficiente em vitaminas e minerais de origem animal. 

Os pontos positivos da dieta são cortar junk food, açúcar, produtos processados e à base de farinha branca - reduz os riscos de obesidade, câncer, doenças cardíacas e diabetes. 

Os negativos são a falta das vitaminas A, D, E e B12, que afetam a visão, causam fraqueza muscular, dores nos ossos, e baixa do sistema imunológico.

Grupo Simchá, da Wizo-Rio, comemora a festa de Chanuká no Lar da Criança

Grupo Simchá, da Wizo-Rio, comemora a festa de Chanuká no Lar da Criança


Em uma tarde repleta de alegria, mais uma vez a tradição da festa e do evento foi mantida: eram as chaverot do Grupo Simchá, da Wizo-Rio, que estiveram no Lar da Criança Rosa Waissman para trazer as luzes de chanuká em forma de amor, carinho e solidariedade! Atração artística, brincadeiras, muitos sufganiot e lanche gostoso e, o mais aguardado por todos: brinquedos e presentes, que não podem faltar a esta grande comemoração! Kol a Kavod a todos! Parabéns ao Grupo Simchá e parabéns à equipe Lar da Criança Israelita Rosa Waissman!

















Roteiros turísticos incluem lugares frequentados por Hitler

Roteiros turísticos incluem lugares frequentados por Hitler


A lista, elaborada pela CNN, enumera lugares como:
1) Toca do Lobo, Polônia
Construída longe da civilização, no coração das florestas do nordeste da Polônia, a Toca do Lobo foi um importante Quartel-Geral dos Nazistas na região. Hitler passou cerca de três anos morando no local. Hoje, é um hotel. Oferece atividades que incluem tiro ao alvo e passeios em veículos militares.
2) Ninho da Águia, Alemanha
Situado no coração dos Alpes Bávaros, o chalé conhecido como Ninho da Águia era usado por Adolf Hitler para receber mandatários mundiais. Hoje, o local possui um elevador de 124 metros, abriga um restaurante e um centro de informações.
Tel Aviv terá transporte flutuante

Tel Aviv terá transporte flutuante

Em breve, Tel Aviv terá o Skytran, um monotrilho de levitação magnética movido a energia solar que ficará suspenso sobre as vias. Com capacidade para quatro pessoas, ele poderá ser acionado por um aplicativo de celular e promete ter custo inferior ao de um táxi convencional. 

O objetivo é massificar o que promete ser o transporte mais sustentável do mundo. Desenvolvido com tecnologia espacial no Space Ames Research Center da NASA e com painéis solares, o investimento em infraestrutura é muito baixo em relação a metrôs e trens tradicionais: US$ 9 milhões contra US$ 100 milhões necessários à construção de um metrô, por exemplo. O monotrilho, com altura de 6 metros em relação às ruas, terá estações afastadas a 400 metros das vias, sem interferir no tráfego. 

A estrutura do primeiro Skytran de Tel Aviv levará cerca de 18 meses para ficar pronta. Inicialmente, serão 6.5 quilômetros. Assista ao vídeo: acesse aqui.
Uma Chama de Sabedoria

Uma Chama de Sabedoria


A comunidade judaica celebra Chanuká, nossa festa das luzes. Embora os eventos que comemora sejam muito antigos, sua mensagem continua poderosa e atual.

Superficialmente, Chanuká é sobre as grandes batalhas pela liberdade religiosa. No terceiro e segundo séculos AEC, Israel tinha permanecido sob o domínio do Império Alexandrino – primeiro os Ptolomeus no Egito, depois os Selêucidas na Síria. Um governante selêucida, Antiochus IV, procurou forçar o ritmo da helenização.

Sob um sumo sacerdote em Jerusalém, Jason, os membros do sacerdócio passavam mais tempo no atletismo que servindo a D'us. Sob seu sucessor ainda mais helenizado, Menelau, foi erigida uma estátua de Zeus Olimpo no recinto do Templo. A prática pública do Judaísmo foi banida. Isso era demais para os judeus que continuavam fiéis à sua fé, e um pequeno grupo, liderado por um sacerdote idoso, Matathiyahu, se revoltou.
Num período de três anos, eles tinham derrotado os selêucidas, restabelecido a soberania judaica e rededicado o Templo. Foi uma vitória impressionante, e teve consequências históricas mundiais. Era o início do fim da Grécia como poder imperial. Porém, se isso tivesse sido tudo, não haveria judaísmo hoje, nem cristianismo e nem islamismo.

Para defender um país, você precisa de um exército. Mas para defender uma civilização, precisa de escolas.

O motivo é que a vitória militar não durou. Dentro de um século, Israel estava novamente sob jugo estrangeiro – dessa vez de Roma. Menos de 150 anos depois, após uma desastrosa rebelião, Jerusalém foi derrotada e o Templo estava em ruínas. Documentos daquela época nos contam que havia muitos judeus acreditando que Chanuká não podia mais ser celebrada. Era nula e vazia. O triunfo anterior fora substituído pela tragédia.

Foi então que um pequeno detalhe da rededicação adquiriu um novo significado. Procurando entre os destroços do templo profanado, os judeus descobriram uma única ânfora de azeite com o selo intacto. Isso permitiu que eles acendessem o candelabro do Templo, a menorá. Milagrosamente, durou oito dias, até que o novo azeite pudesse ser preparado. Aquilo se tornou a base do nosso costume de acender um candelabro em nossos lares durante oito dias, nessa época do ano.

A menorá simbolizou algo bem diferente da vitória militar. Representava fé, esperança, lealdade, coragem. Os judeus começaram a entender que o verdadeiro conflito entre o Antigo Israel e a Antiga Grécia não era político, mas cultural. Para defender um país, você precisa de um exército. Mas para defender uma civilização, precisa de escolas.

Lembrando da ênfase bíblica na educação, os judeus começaram a criar o primeiro sistema de educação pública universal da história. Em torno do final do primeiro século, estava completo. Os judeus se tornaram o povo que baseou sua sobrevivência na casa de estudo. Seus heróis eram mestres, e suas cidadelas, as escolas. A partir daquele dia até hoje, eles fizeram da educação sua maior prioridade comunitária. Isso permitiu que fizessem o que nenhuma outra nação tinha feito – preservar sua identidade intacta através de quase vinte séculos de exílio, dispersão e ausência de poder.

Chanuká conta uma história que fala ao nosso tempo. Em anos recentes as notícias têm sido dominadas por conflitos étnicos, terror e guerra. A História, no entanto, sugere uma narrativa diferente. A curto prazo, a violência faz as manchetes. Mas a longo prazo, não é isso que importa. O que faz a diferença é aquilo que ensinamos aos nossos filhos. As civilizações sobrevivem menos pela força de suas armas que pela força de seus ideais, e sua capacidade de transmiti-los às futuras gerações.

A mensagem de Chanuká é simples. O que perdura não é a vitória no campo de batalha, mas a vela da esperança que acendemos na mente de uma criança.

O que o mundo contemporâneo está ensinando às suas crianças? Nos países em desenvolvimento, há grandes porcentagens de analfabetismo. Em zonas de conflito, as crianças estão sendo ensinadas a odiar aqueles com quem um dia terão de aprender a conviver. Em muito poucos países estão sendo ensinados os princípios da liberdade, responsabilidade e respeito pela diferença. A mensagem de Chanucá é simples. O que perdura não é a vitória no campo de batalha, mas a vela da esperança que acendemos na mente de uma criança.

Chanuká aconteceu há muitos anos, ou está acontecendo agora?

Olhando para os eventos de hoje, você começa a se perguntar. A história de uma pequena vela expulsando o monstro da assustadora escuridão, da sensibilidade humana vencendo o terror e a força bruta, da vida e crescimento superando a destruição – a batalha está muito viva dentro de cada um de nós, e no mundo que nos cerca.

Afinal, a vitória da luz sobre as trevas é o megadrama cósmico – a eterna história de tudo que é. Ocorre novamente em todo solstício de inverno, a todo amanhecer de cada dia, com todo fóton de luz do sol que irrompe pela atmosfera da terra, trazendo seu calor e energia de vida. Com cada sopro de vida, cada grito de uma criança recém-nascida, toda folha de grama que brota no solo. Com todo lampejo de gênio, cada lance de beleza, toda decisão de fazer o bem em face do mal, de ser bom onde há crueldade, de construir onde outros destroem, de levar a humanidade para a frente quando outros a puxam na direção do caos.

E isso é Chanuká.

Chanuká é mais que um feriado; Chanuká é uma jornada espiritual de oito dias. Muitas pessoas conhecem a história de Chanuká – mas apenas como um pretexto histórico para dar presentes e comer latkes. Podemos chamar isso de corpo de Chanuká. A alma de Chanuká é a sua meditação, júbilo, calor e luz. Não apenas a celebramos em nossos lares com nossos entes queridos, mas com o mundo inteiro.

28 de nov. de 2013

O Rabino Nissan ben Avraham e os Bnei Anussim

O Rabino Nissan ben Avraham e os Bnei Anussim

Lugar: a cidade de Barcelona na Espanha.

Tempo: aproximadamente 500 anos atrás.

Um grupo de pessoas entrou em segredo em um dos prédios não tão aparente em uma ruela a beira da cidade. O trajeto até o lugar não foi fácil, e o tempo todo se viravam para trás para ver se as pessoas que os perseguem, não estavam nos seus rastros.

As dezenas de pessoas que se amontoaram no sotão do prédio, não chegaram alí juntas. Cada uma veio de seu próprio lugar, e até mesmo tentou aumentar o trajeto o quanto possível, e tudo para esconder o destino e o objetivo de sua ida até alí.

Eles chegaram alí com o objetivo de participar de uma aula de Torá, o que era proibido a eles de acordo com as regras que lhes foram impostas pelo governo em seu país.

Eles eram os “anussim”.

Os judeus “anussim” eram, como sabemos, judeus para todos os efeitos, que escondiam em público sua religião, após restarem-lhes somente duas opções: ou abandonar sua terra natal, a Espanha, ou converter-se ao catolicismo e abandonar sua religião, e assim poderiam ficar na Espanha e viver por longas e longas gerações. A maioria dos judeus que respeitavam a lei, optaram obviamente, por abandonar o país. Porém, muitos deles resolveram aceitar a segunda opção e converteram-se, mas apenas de modo aparente, e as escondidas, estes judeus continuavam a praticar as mitzvot (preceitos de D-us), e são eles os denominados “anussim”.

Hoje em dia, Sefarad (Espanha em hebraico) e outros países ao seu redor, estão repletos de pessoas que afirmam ser descendentes dos “anussim” (bnei anussim – descendentes de marranos ou anussim). Grande parte deles, até mesmo, sustentam a prática, durante gerações, de alguns costumes, como acendimento das velas e outros, e isso para provar que eles são realmente descendentes dos “anussim”. Porém, obviamente, devido os anos que se passaram, já não é mais possível comprovar quem realmente é filho de uma família judaica de anussim e que não tenha se assimilado durante essas gerações.

O Rabino Nissan ben Abraham, ele próprio é descendente dos “anussim”. Quando ele descobriu esta realidade, fez de tudo para retornar as suas raízes judaicas anteriores. Ele viajou para Israel, ficou por aqui por alguns anos, e finalmente fez a conversão de acordo com a “Halachá” (lei judaica) e hoje é um judeu temente aos céus e respeita as leis. Há dois anos atrás, começou o Rabino ben Abraham, a ocupar a função de “Rabino dos descendentes de Anussim”, esta função é muito especial, pelo interesse e a sede que existe entre os “bnei anussim”, em aprender e conhecer mais sobre o judaísmo, a religião que seus antepassados respeitavam e pertenciam e que tiveram de abandonar para não perder suas vidas.

“Nasci no ano 5718 (1948) em Maiorca”. Maiorca, explica o Rabino Nissan ben Abraham, é um ilha no Mar Mediterrâneo, em frente as praias espanholas e faz parte do território nacional espanhol. É um paraíso turístico visitado por muitos turistas o tempo todo. A cerca de 600 anos, houveram em Maiorca levantes anti-judaicos, partindo dos habitantes católicos da ilha. Nesses levantes, a comunidade judaica foi praticamente dizimada. Quase todos os judeus foram mortos e os que sobreviveram resolveram converter-se ao catolicismo, mas é claro que os seus corações continuavam judeus e tentavam, a medida do possível, continuar praticando o judaísmo as escondidas.

Até o ano de 1661 existem comprovações claras de que os “anussim” praticavam o judaísmo na ilha de Maiorca. E isso é possível aprender de um simples fato – até então a Inquisição praticava os Autos de Fé contra os “anussim” em Miorca. No ano 1690 morreram 36 judeus anussim pela mão dos inquisidores em um Auto de Fé, situação que deixou os anussim sobreviventes e que ainda resistiam, em uma situação difícil e eles procuraram, a partir daí, não mais “irritar” os inquisidores. Assim, a partir desta data, não houveram mais Autos de Fé, o que presumi que não haviam mais judaizantes (pessoas que praticavam o judaismo) na ilha.

A comunidade de descendentes de “anussim” de Maiorca hoje em dia tem cerca de 10000 pessoas. É nessa comunidade que cresceu o Rabino Nissan ben Abraham até seus 20 anos. “Todos os descendentes de “anussim” que vivem na ilha hoje, são católicos fervorosos, porém eu pessoalmente sou considerado entre os habitantes da ilha, judeu, e é melhor que seja assim. O tempo todo os católicos nos consideravam como judeus, na igreja chamavam os “anussim” de “judeus” e nos xingavam. Apesar de não termos nunca sofrido nenhuma violência física, sempre fomos tratados diferentes e com inferioridade pelos habitantes católicos da ilha.

“Pelos sobrenomes, que são exatamente 14, era possível saber quem eram os “anussim”, e essa separação clara persistiu por mais de 500 anos. Apesar de algumas outras famílias terem se misturado com os católicos da ilha, essas 14 famílias específicas foram discriminadas e não conseguiram se livrar de seu carma, e eu digo graças a D-us”.

“Meu pai, foi um dos primeiros que se casou com uma mulher fora do grupo, fora da comunidade após 600 anos que eles não se misturavam. Assim, ficou claro que para que eu me tornasse judeu de fato, teria que passar pela conversão, o problema é que naquela época eu não sabia disso. No ano 1970 fundaram na ilha uma comunidade judaica da linha conservadora, mas que os judeus pareciam mais ortodoxos que conservadores. Passei a frequentar a comunidade, depois que os seus membros me receberam de braços abertos.

O rabino Ben Abraham tinha então somente 14 anos, e os membros da comunidade estavam preocupados com o que poderia pensar o governo da ilha, e no que estariam “doutrinando” aquele rapaz de 14 anos. Logo, pediram a ele que trouxesse uma autorização de seus pais para fazer parte nas orações, eventos e festas comunitárias. Quando o rabino contou a seus pais sobre sua frequência nas atividades da comunidade, eles não responderam, ele então, entendeu que o fato de não opinarem era uma autorização para continuar frequentando.

“Quando terminei o meu serviço militar em Maiorca com 20 anos, fiz minha Aliah (imigração para Israel), e fui viver na cidade de Afula onde estudei durante um longo tempo para fazer o meu Guir (conversão). Quando terminei o meu processo de conversão, continuei para os estudos de rabinato e consequentemente ao final deste, recebi a Semichá (documento formal) de Rabino do Rabinato Chefe de Israel”.

Hoje em dia o Rabino Nissan Ben Abraham, mora em Shiló em Shomron (Samária), está casado e é pai de 12 crianças.

“No início trabalhei como professor no ishuv (pequenos vilarejos onde vivem famílias de colonos na Judéia e Samária) e também fazia serviços como Sofer Stam (pessoa capacitada pelo Rabinato para escrever objetos sagrados, como Tefilin, Mezuzot, Meguilot, Sefer Torá). Hoje em dia trabalho na Organização Shavei Israel presidida por Michael Freund, a cerca de dois anos. Viajo durante duas semanas todo mês, nesse curto espaço de tempo tenho que estar em quatro ou cinco cidades diferentes, encontrar-me com descendentes de “anussim”, ensinar-lhes judaísmo e suas leis. Explico-lhes o que é o povo de Israel e qual o objetivo de cumprir as Mitsvot. Conheço, portanto, essas pessoas e posso afirmar que existem entre eles, famílias inteiras que tem casa cem por cento kasher, mas que não são famílias judias de acordo com a halachá, ainda”.

O Rabino Ben Abraham afirma também que “existe uma diferença primordial entre as comunidades de “anussim” da Espanha e da Ilha de Maiorca. Maiorca era um lugar fechado, que deixa claro que os “bnei anussim”, casaram-se somente entre si, endogamia mesmo, e na minha opinião 99% dos descendentes de “anussim” na ilha são judeus mesmo, tanto que inúmeras vezes não pude sequer pedir-lhes que acendam a luz pra mim no Shabat. Entretando, os “benei anussim” da Espanha, talvez tenham preservado alguns costumes, mas não existe porém, nenhum testemunho de que tenham se casado entre si, ou que a mãe sempre se manteve judia. Por isso digo, na minha opinião, que ao contrário de Maiorca, 99% dos descendentes de “anussim” na Espanha não são judeus de acordo com a “Halachá””.

Especialmente na Ilha de Maiorca, onde existe um número grande de pessoas que pertencem ao grupo de descendentes dos “anussim”, e eles são quase que certamente judeus, essas pessoas não tem nenhuma intenção ou vontade de retornar a cumprir as mitzvot e isso porque? Eles ainda tem muito medo! Mesmo após, centenas de anos eles ainda tem muito medo. Explica o rabino Ben Abraham: “este medo existe sem nenhuma dúvida, mas não deveria existir por que não tem nenhuma lógica, quando falo sobre esse assunto com os anussim, eles negam completamente, e pra mim essa é a prova, pois eles tem medo do que dirão os seus vizinhos. Eu, obviamente, não posso andar pelas ruas dizendo para os bnei anussim voltarem a cumprir as mitzvot, é possível apenas dar aulas para aqueles poucos que nos procuram, na esperança de que eles divulguem e espalhem o que aprendem para as outras famílias de bnei anussim e quem sabe assim possamos trazer mais e mais almas judias que estão afastadas da prática das mitzvot”.

Fonte: Shaveiisrael
Israel privatiza fábrica da Uzi

Israel privatiza fábrica da Uzi

O grupo das Indústrias Militares Israelenses (IMI), que produz sistemas de ponta para forças terrestres, aéreas e navais, além da conhecida submetralhadora Uzi, será privatizado - anunciou nesta quarta-feira o ministro israelense da Defesa, Moshe Yaalon.

"Comemoro a autorização da privatização das IMI. É uma medida que deveria ter sido tomada há anos", afirmou Yaalon.
"A IMI é uma empresa que registra prejuízos significativos que ameaçam sua sobrevivência, embora produza excelentes equipamentos", acrescentou o ministro.
A decisão foi tomada pelo comitê ministerial de privatização, que adotou um plano que prevê a divisão do grupo, de acordo com o jornal econômico Globes.
Para proteger os "interesses nacionais vitais", uma parte da atividade será retomada por uma nova empresa pública a ser criada pelo governo. O restante será cedido.
Os terrenos onde se encontram atualmente as unidades de produção de Tel-Aviv e arredores serão desocupados e vendidos para fazer importantes projetos imobiliários privados, acrescentou Globes.
O jornal não especificou qual empresa estrangeira estará interessada na retomada de uma parte das atividades da IMI, que acumulou milhões de dólares em prejuízos nos últimos anos.
A IMI produz a Uzi, considerada a submetralhadora mais popular do mundo. Entre outros produtos do grupo, estão o fuzil de assalto Galil, metralhadoras, munições, foguetes, explosivos, veículos blindados, sistemas de varredura de minas e bombas de fragmentação.
O grupo também forma agentes de segurança e guarda-costas israelenses e estrangeiros.

27 de nov. de 2013

Alegria total em mais um evento da Wizo-Rio!

Alegria total em mais um evento da Wizo-Rio!


Unindo ativistas de todos os grupos da Organização, e também amigas, foi sucesso total a comemoração “Pré-Chanuká Wizo-Rio”, realizada ontem (dia 26 de novembro) no Bar do Tom/Leblon. A banda “Anjos da Noite” fez a festa, e não sobrou para mais ninguém! Reciclando energias, as ativistas se preparam para mais uma de suas tradicionais ações, o “Fashion Wizo Bazar”, que acontecerá no próximo dia 08 de dezembro na Escola Municipal Roma, no Lido!
Eliane Eidelman, presidente do Subcentro Henny Landau,
abriu a festa da Wizo-Rio, e a presidente Lucia Balassiano
recebeu, por seu importante trabalho, a homenagem da
Wizo-Brasil através de sua presidente Helena Kelner




Sarah Salomão Balassiano, do Grupo Yamit, foi sorteada com belo
presente, ofertado pela Empório Shalom, e Rosane Messer ganhou
uma linda “hamsa” das chaverot do Grupo Iachad, direto de Israel


Alegria total em todos os grupos da Wizo-Rio.Animação e congraçamento ímpares resultantes do 
sucesso de 2013
 e da união de objetivos entre todas






























Uma noite de muita alegria, muita música e amor sem fim!
Noite Wizo em todos os bons momentos!

Empório Shalom

Empório Shalom



A loja Empório Shalom, em Copacabana, de Alexandra e Dora Weiger, traz novidades diretamente de Israel. São desde artigos religiosos, presentes, produtos educativos infantis, CDs de música Israeli, DVDs em Hebraico, livros e até cosméticos do Mar Morto. Para o público feminino, uma linha de pashminas e lenços exclusivos diretamente do “Shuk” (famosa feira árabe de Jerusalém), além de bijuterias de vários designers israelenses. 

A preocupação das sócias é ter uma variedade de produtos para atrair todo o tipo de clientes, atendendo assim todos os gostos; e não apenas vender os produtos, mas também explicar às pessoas o significado e a simbologia de cada item. 

A loja também aceita lista de presentes e entrega a domicilio. 

Mais informações: (21) 2135-0588 e   site.
Programa sobre Israel estreia na GNT

Programa sobre Israel estreia na GNT

A apresentadora Cissa Guimarães no Muro das Lamentações
Hoje (dia 27 de novembro), às 22:30h, será a estreia de “Viver com fé/Israel” (canal GNT), apresentado por Cissa Guimarães. 

No programa, ela acompanha de perto a vida de pessoas que têm histórias interessantes relacionadas à fé. Em quatro episódios, abordará temas como respeito, superação, juventude e misticismo, além de participar de alguns rituais. 

A apresentadora também vai mostrar a Cabala, e a espiritualidade dos jovens judeus, mostrando a relação entre cultura e religiosidade, ritos e passagens judaicos. Sobre o país, ela diz: “Eu queria ficar lá. 

É uma energia inexplicável. Jerusalém Velha tem quatro bairros: um muçulmano, um judeu, um cristão e um armênio. E eles são impressionantemente harmônicos. Você transita entre eles naturalmente, como se estivesse andando de Copacabana para Ipanema. E sente uma paz...” Um dos momentos que Cissa considerou mais interessante foi no Muro das Lamentações. “Foi incrível porque eu levei vários papeizinhos com os nomes dos meus filhos, dos meus amigos, da minha peça e eu não sabia onde enfiaria tudo aquilo. E, quando cheguei perto, consegui botar todos os papeizinhos no mesmo buraquinho, eles foram entrando. 

Foi como se o muro tivesse absorvido todos os meus entes queridos. Eu não sabia se ria ou chorava”.

26 de nov. de 2013

Feliz Festa de Chanuká!!!

Feliz Festa de Chanuká!!!

Amanhã ao anoitecer começa a festa de Chanucá. Chanucá, também conhecida como a festa das luzes, é um festividade de oito dias que começa no dia 25 do mês judaico de Kislev. A história de Chanucá começa no reinado de Alexandre, o Grande. Alexandre conquistou a Síria, Egito e Judéia, mas permitiu que as pessoas sob seu controle, continuassem observando as suas próprias religiões. 

Mais de um século depois, o sucessor de Alexandre, Antíoco IV que estava no controle da região, começou a oprimir os judeus severamente, massacrando-os e proibindo a prática da religião judaica, profanando o templo, exigindo o sacrifício de porcos sobre o altar. Haviam dois grupos de oposição a Antíoco: um grupo basicamente nacionalista liderado por Matatias, o Hasmoneus e seu filho Judas Macabeu, e um grupo tradicionalista religioso conhecido como o Chasidim, os precursores dos fariseus (sem conexão direta com o movimento moderno conhecido como chassidim). 

Eles se uniram em uma revolta contra a assimilação dos judeus helenistas e a opressão por parte do governo Selucida grego. A revolução foi bem sucedida e o templo reaberto. Segundo a tradição, como registrado no Talmud, no momento da reabertura do templo, havia muito pouco óleo não profanado pelos gregos. 

O óleo deveria ser suficiente para manter a Menorá (candelabro) do Templo, queimando todas as noites porém havia apenas óleo suficiente para queimar por um dia, mas, milagrosamente, ele queimou por oito dias. Uma festa de oito dias então foi declarada então para se comemorar este milagre. A observância religiosa apenas relacionado com o feriado é a iluminação de velas. As velas são dispostas em um candelabro chamado Chanukiá. 

Muitas pessoas referem-se à Chanukiá incorretamente como uma menorá. A Menorá, nome apenas usado para descrever o candelabro de sete braços que foi alojado no templo judaico. A Chanukiá detém nove velas: uma para cada noite, além de um Shamash (servo) a uma altura diferente. Na primeira noite, uma vela é colocada no lado direito. 

A vela é acesa shamash e três Brachot (bênçãos) são recitadas: l'hadlik neir (uma oração geral sobre velas), ela-asah Nisim (uma oração agradecendo a D`s por realizar milagres para os nossos antepassados neste momento), e ela-hekhianu (uma oração geral agradecendo a D's por nos permitir chegar a esta época do ano). 

A primeira vela é acesa em seguida, usando a vela shamash, a vela shamash é colocado em seu suporte. A cada noite, uma vela é adicionada da direita para a esquerda (como a língua hebraica). 

As brachot são as seguintes: 

Baruch atah a-donai elo-heinu melech ha'olam asher kid'shanu b'mitzvotav v'tzivanu l'hadlik ner shel Chanukah. 

Baruch atah a-donai elo-heinu melech ha'olam she'asah nisim la'avoteinu bayamim haheim baz'man hazeh. 

Na primeira noite, o Shehecheyanu também é recitado. 
 Chanucá faz as honras da casa. É a famosa rededicação que os macabeus fizeram da Casa, da Casa da Santidade, o Beit Hamicdash. É a luz do fogo no coração, a lareira, o lar de um Povo.
Chanucat Habayit é a celebração de instalar-se numa casa nova, uma acolhida calorosa do tipo sagrado. É como se com cada mudança para uma casa nova nós celebrássemos um Chanucá em miniatura. Pois cada lar é a manifestação do Templo Sagrado em nossos tempos, em nossa própria vida. Assim nossas quatro paredes clamam por um Chanucá – uma dedicação – o acendimento de um fogo que aquece e santifica nosso espaço.

Luz a Cada Noite


E a iluminação de Chanucá na casa é nada menos que a iluminação do ser interior. Pois o ser com suas escadarias secretas, suas janelas de observação, é uma casa com muitos andares, a morada da alma.
Nossa tarefa nessas oito noites é rededicar o Templo, em nosso tempo, em nossa vida; cada noite ilumina um novo aspecto do ser, acendendo uma nova alcova de nossa Casa de Santidade interior.
Embora a mitsvá de Chanucá seja divulgar o milagre da menorá, há também algo vital por termos uma conexão pessoal com cada mitsvá que cumprimos. As meditações a seguir são baseadas nas minhas experiências e conexões pessoais com cada noite de Chanucá e as lições e ideias únicas que existem em cada noite. Descobri que concentrando-me dessa maneira, cada noite ganha vida e se torna uma parte de mim enquanto cresço com as luzes que vão aumentando.

Primeira Noite – Dedicada à Escuridão: o Porão


Antes de acender a primeira vela, fique quieta por um momento na completa escuridão, e deixe que ela seja de fato completa, sem necessidade de nada, nenhuma distração para a vista; simplesmente sinta o ser calmo que está ali esperando pacientemente que você perceba, desligue a televisão, desligue toda a visão, esteja calma e sinta o santuário que é o ser.
De pé no porão de mim mesma, com uma vela apagada na mão, no escuro, descubro um ser mais profundo do que com luz. Essa noite dedicada à escuridão interior, ao desconhecido, recantos indizíveis da alma. É a escuridão que me mantém procurando um oponente válido, provocando meu caminho a maiores conquistas, meus pensamentos a maiores profundidades. É como se fossem os aspectos ainda não iluminados, não respondidos de um ser não desvendado, a paisagem de sonhos e pesadelos, verdades e temores trágicos.
Dedico essa noite a toda questão que tenho buscado, a toda confusão que tem me humilhado, a todo desafio que venci, à excitação do segredo. À medida que essa vela lança uma sombra, meu ser num contorno escuro, integro e dedico a escuridão com a luz. A primeira noite é para o porão escuro do inverno, que ilumina uma percepção mais profunda.

Segunda Noite – Dedicada à Ascensão: A Escadaria


De pé na escadaria, a vista é para a ascensão.
Quando você acende a vela, visualiza uma escadaria se elevando à sua frente, cada degrau uma ascensão da alma feita com uma ação valiosa, cada palavra boa que você falou, cada obra boa feita pelas suas mãos. Veja como cada degrau leva ao próximo. Dedique-se aos passos singulares numa direção ascendente; saia do seu caminho para fazer um novo ato de bondade em cada um desses oito dias, pois cada qual é um elo na corrente sempre crescente de compaixão que se estende perante você.
Essa noite é dedicada a aumentar, ao segundo degrau de cada caminho.
Esse é o movimento para a abundância, para construir incrementos, um processo ordenado. Os tesouros da casa de Hilel falam de santidade que deveria somente aumentar, sempre crescer. Assim foi decretado que acendamos uma vela adicional para marcar cada noite. Pois a santidade, como a luz e toda a bondade luminescente, deveria sempre avançar, como uma escadaria ascendente, cada vez mais inclinada, ampliada.
Assim como cada boa ação provoca outra, uma centelha brota para um segundo pavio, enquanto uma fileira de velas espera.
Fico de pé na escadaria das minhas profundezas, pronta a me elevar, explorar. Tendo encontrado meu apoio na escuridão, eu me movo para um momento acima, a segunda noite, o segundo degrau, a força para começar…

Terceira Noite – Dedicada a Decisões: A Entrada


Imagine-se num hall de entrada, um corredor interminável. À sua frente há um leque de opções, uma série de portas de madeira escura; cada abertura se alarga com oportunidade, cada qual oferece um caminho desconhecido, deixando você escolher, exigindo que você se mova, desafiando-a a agir. Por qual porta você anseia?
É a estreiteza que leva à expansão.
O hall de entrada é onde abro meu caminho através do mundo. É a estreiteza que leva à expansão, onde uma batida determina destinos inteiros. Essa passagem chama pela precisão, decisão, pela análise de opções, o cuidado e a coragem para escolher o verdadeiro, o exato, o correto. Esse corredor é a tensão antes de qualquer ato notável – quando o momento clama por uma determinação mais profunda para elevá-lo da vasta pilha de acontecimentos mundanos, para deixá-lo se tornar uma grande ocorrência no curso da vida.
Essa noite é dedicada à direção, a tomar decisões no escuro, a dar o salto de fé que leva a milagres. A partir da estreiteza do domínio grego, os macabeus escolheram nada menos que a passagem para a liberdade mais vasta. Eles não ficaram confinados, mas sim correram para a passagem do auto-domínio e da independência, sem temer a luta do outro lado.
De pé num corredor vazio, as passagens cegando meus olhos, contemplo o caminho para o meu futuro, acendo três velas como minhas guias.

Quarta Noite – Dedicada aos Sentidos: A Sala de Jantar


Veja-se sentado à uma mesa prateada, arrumada para um banquete. Você é convidado e anfitrião, chamado a trabalhar, a comer. Como está o seu prato, cheio, qual o tamanho da sua necessidades. O seu espírito é nutrido à medida que o seu corpo se alimenta?
A quarta noite é dedicada à sala de jantar e seu espaço vizinho, a cozinha. Esse é o local do apetite, repleto com todas as coisas deliciosas para os sentidos. No centro da mesa está uma fina tigela de shemen, azeite de oliva, pois shemen é o símbolo do paradoxo do sensual, onde o sublime e o material se encontram e jantam juntos, seja em harmonia ou na mais completa discórdia. Shemen, o azeite da unção dos reis, as marcas do Messiah, o símbolo essencial de Chanucá, é a própria veste gotejante da Redenção. É o alimento para a vela, sobre o qual a chama sagrada se alimenta. É o máximo do sublime, mas é também o mais baixo do mundano. Como também quer dizer “gordura” (shuman), significa que é grosso e físico, a suprema imagem do mundo material, a massa onde o espírito reside. Essa noite é dedicada a equilíbrios delicados onde nossos desejos vão jantar oferecendo prazer em cada embelezamento, combustível para o fogo da vida embora o azeite unja e alimente, derramado ele irá apagar a luz.

Quinta Noite – Dedicada ao Desafio – O Pátio Externo e a Vontade Interior


Veja-se de pé num pátio manchado pelo sofrimento. Diante de você está Hannah e seus sete filhos. Eles olham para Antiochus e uma tarefa torturante – negar a própria identidade ou enfrentar a morte. Eles são uma família forçada até o limite da existência, recebem ultimatos que se recusam a cumprir. Você é um observador no pátio externo. O que diz a sua vontade interior?
É uma noite para conhecer a própria identidade.
A quinta noite vê minha força testada. Essa noite é dedicada a enfrentar fortemente as forças externas, recusando-se a ceder às vozes da hoste que me afastam do meu âmago. Essa é a noite de Hannah e seus sete filhos, apanhados num pátio externo, chamados a se converterem, a conformar-se com um mundo diferente. Essa é a noite dedicada à persistência, uma noite que não teme o sacrifício. É uma noite para conhecer a própria identidade, de estar baseado num pátio interior de calma e coragem, sem se importar com o caos do mundo exterior.
No frio do pátio externo, repleto de chamados para concordar, eu conclamo os poderes da minha própria vontade interior, para desafiar corajosamente.

Sexta Noite – Dedicada ao Renascimento: O Quarto de Dormir


Seus olhos estão nublados por baixo de uma canópia, seus membros sobre lençóis, em sua boca há um último suspiro. Relembra as cores dos seus dias, você está satisfeito com o caminho que trilhou. Faça as pazes consigo mesmo, eresigne-se a morrer, em vez disso encontre-se renascido.
A sexta noite me leva ao quarto, pintado com cenas do ser em seus diversos estágios, as mesmas quatro paredes decoradas e redecoradas. Durante uma vida testemunhou muitas vidas, muitos corpos gastos e abrigados, personalidades desenvolvidas e descartadas, muitos nascimentos e muitas mortes. Assim como o Templo de Jerusalém foi perdido e achado e perdido novamente, da mesma forma estamos para sempre caindo, e redefinindo, perdendo e reencontrando, um novo começo nascido a cada fim.
À noite coloco minha alma para descansar aqui, minha respiração diminui, o mundo se afasta, experimento o fim de tudo, somente pra sonhar e ser renascido, sem fardos, pela manhã. A cama é um suave casulo, um útero, um túmulo, uma sala de rejuvenescimento. Essas são as quatro paredes do renascimento – onde a cama do nascimento se torna o leito de morte – o anseio para terminar, porém, começar de novo.
As seis chamas se erguem da cinza como uma fênix, revivendo a vida em sua volta circular. Embora a história seja uma espiral com curvas, a Redenção está ao final da linha.

Sétima Noite – Dedicada a “Divulgar o Milagre”: A Luz na Janela

Enquanto você está perto da janela acendendo, levante os olhos para olhar lá fora, E veja uma face à sua frente, alguns passantes curiosos E então veja que é o seu reflexo, no vidro da janela, seus próprios olhos O que você viu no espelho da janela, que milagre você divulgou?
A sétima noite é dedicada à janela do mundo. É aí que a força e o propósito que tenho nutrido interiormente são celebrados à vista de outros. Esses é o show de luzes que brotam de dentro para fora. É o mandamento de Chanucá fazer pirsum hanes – “divulgar o milagre”, o milagre que foi forjado pela história, que está forjado dentro de mim. Que meus olhos possam contemplar os milagres brilhando com cada alma que passa.
E enquanto olho pelas janelas deles, que meu próprio milagre seja contemplado enquanto eu contemplo.

Oitava Noite – Dedicada à Transcendência: O Telhado


Esse é o show de luzes que brilham a partir do ser. Imagine-se de pé sobre um telhado, cumprindo aquele antigo rito humano de observar o cair da noite. À medida que o azul se aprofunda e enegrece, você observa uma única estrela aparecer, depois outra, e mais outra. A escuridão acende a luz das estrelas no céu tão seguramente quanto você acendendo a sua menorá. Quando a oitava estrela aparece, o céu inteiro libera sua provisão de centelhas. Impressionada pelas estrelas incontáveis, você encara o aparente infinito do espaço. Contemplando essa vastidão do alto do telhado, você é lembrada da infinidade da sua própria alma.

A oitava luz, a última.

A menorá está luminosa à nossa frente. Acesa por inteiro. Completa. Essas oito luzes são o grand finale de toda a jornada de Chanucá. E os finais, com todo o seu aparato, sempre informam que chegamos ao fim, Assim como o telhado é o limite superior da casa, esse é o limite das nossas luzes de Chanucá. E além disso, como estar de pé no telhado nos permite apreender um senso do infinito do céu, olhar para as oito luzes nos faz lembrar da luz de D'us, o or haganuz que não tem fim.
A oitava e última noite é então dedicada à transcendência. Assim como os sete dias da semana representam o tempo linear e a compleição do físico, o número oito é um salto elegante além do linear, e além da fisicalidade. O oito representa a transcendência. Assim como os próprios milagres transcendem os limites do âmbito físico, também o número oito nos chama à transcendência.

Embora a oitava noite seja o final exuberante da Festa, também sugere a santidade ilimitada de todo dia. Sim, houve oito noites de azeite milagroso, mas além disso – todo dia encerra seus próprios milagres. Quando estamos conectados com a luz infinita de nossas próprias almas, o próprio telhado de nós mesmos, então estamos em contato com a infinitude de D'us. Daquele local, os milagres não somente são possíveis, como são um presente. Essa noite final de Chanucá celebra nossos espíritos transcendentes, e a promessa de D'us de Sua miraculosa presença diária em nossas vidas. 

Chag Sameach a todos!