MNE iraniano desautoriza negação do Holocausto pelo ex-presidente

O chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, demarcou-se hoje, em mensagem no twitter, das declarações do anterior presidente, Mudama Ahmadinedjad, negando o Holocausto. A mensagem tem sido interpretada como parte de uma campanha iraniana para melhorar as relações com o Ocidente, sem excluir Israel.

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Javad Zarif, estava a comunicar pelo twitter com Chistine Pelosi, a filha da líder democrata na Câmara dos Representantes norte-americana, enviando-lhe um voto de bom ano novo judaico, extensível a todos os judeus. A jovem respondeu-lhe que o ano seria melhor se o Irã não continuasse a negar o Holocausto. A isto treplicou Zarif que “o Irã nunca o negou. O homem de quem se pensou que estava a negá-lo foi-se embora. Feliz ano novo”.

“O homem” era, evidentemente, Mahmud Ahmadinedjad, recentemente substituído na chefia do Estado iraniano pelo novo presidente, Hassan Rouhani. A tréplica de Zarif é ambígua: por um lado, ela desmente o negacionismo iraniano (“o Irão nunca o negou”) e nem sequer admite claramente que Ahmadinedjad tenha negado o Holocausto (“pensou-se” que ele o teria negado). Por outro lado, no entanto, ele demarca-se do ex-presidente, até em termos pejorativos, se a tradução inglesa foi fiel (“the man … is now gone”).

Na verdade, Ahmadinedjad mantivera até ao último instante uma atitude negacionista. Segundo o Times de Israel, ao deixar o cargo de presidente ele classificara a negação como “um tema tabu que ninguém no Ocidente era autorizado a ouvir”. E reivindicara o negacionismo como um mérito decisivo do seu mandato presidencial: “Proclamámo-lo a nível global. Isso partiu a espinha dorsal do regime capitalista”.

Já ontem o novo president iraniano, Hassan Rouhani, tinha mandado pelo twitter uma mensagem invulgar: “Desejo a todos os judeus, especialmente aos judeus iranianos, um [ano novo judaico] abençoado”. O voto de bom ano não se tornava menos invulgar pela utilização da expressão hebraica “Rosh Hashanah” e pela inclusão de imagens de um judeu a rezar numa sinagoga iraniana.

A sequência das duas mensagens, de Rouhani e de Zarif, no curto intervalo de 24 horas levou comentadores como Christiane Amanpour, da CNN, a suspeitarem de uma intenção de cosmética política.

Mas a suspeita constitui, ela própria, um acto de negacionismo – negação de que alguma coisa tenha mudado, desde o Ahmadinedjad autodidata pobre, com boa parte da sua socialização obtida na militância fundamentalista, formado em engenharia na Universidade de Teerã; e, por outro lado, a nova fornada de dirigentes, como o próprio Rouhani, jurista formado na Universidade de Glasgow, Escócia, ou Zarif, jurista também, formado na Universidade de Denver, EUA.

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