Idiche: O Idioma (Uma língua aínda viva entre nós)

Ídiche: 

O idioma 

 O ídiche originou-se às margens do Reno, por volta do séc. X. Judeus vindos dos países românicos adotaram o alto-alemão em sua passagem do período antigo para o médio. Misturando-o, desde logo, com palavras hebraicas desenvolveram o jüdisch-deutsch, judeu-alemão, de onde derivou o vocábulo iidisch. 

Inicialmente, não se diferenciou muito do médio alto-alemão, embora passasse a reunir contribuições de vários disletos alemães, formando o jargão específico do gueto. Sucessivas ondas de judeus ashkenazim (alemães) emigraram para o leste da Europa, levando o seu dialeto, como meio de expressão, à Polônia, Ucrânia etc., e desde a segunda metade do séc. XIX também nos E.U.A. 

Na Idade Média e até meados do séc. XVIII são numerosos os escritos em língua idiche; mas o valor desses textos é mais histórico que literário. Hassidismo e Haskalah Na segunda metade do séc. XVIII, na Europa oriental e na Alemanha, quase simultaneamente, desencadeiam-se dois movimentos de sentidos opostos, um místico-religioso, e outro, racionalista: o pietismo hassídico e a Haskalah (Ilustração). 

O Hassidismo, cujo cenário foi o leste europeu, produziu uma rica literatura de preces, parábolas e canções, e sobretudo de ditos e relatos dos e sobre os rabis e seus discípulos. São novelas e anedotas lendárias, na conceituação de Marim Buber, que condensam as maravilhosas e os ensinamentos do mestre hassídico mais na figura poética, na ponta arguta, na sugestão do exemplo, do que na lição conceitual, na exposição denotativa.

 Os rabis não escreviam essas histórias, mas improvizavam-nas diante dos seus hassidim (devotos), que as transmitiram oralmente. Entretanto, o núcleo original caia na corrente anônima da criação folclórica. Já no primeiro quartel do séc. XIX, circulavam coleções como Shibhei Ha-Bescht (Louvores de Bescht) e, mais tarde, Maase Tzadikim (Histórias dos justos), etc. Nesse literatura, salientam-se os contos e máximas do fundador do movimento, rabi Israel, dito o Baal Shem Tov (Mestre do Bom Nome[1700-1760]) e especialmente os relatos do rabi Nahman de Bratzlav (1772-1810), contista de invulgar talento. 

Anotadas por seu dedicado seguidor, rabi Nathan de Nemirov, são histórias que, sob uma grande simplicidade formal, configuram com extraordinário poder de sugestão um mundo de indagações espirituais. Sua História dos sete mendigos é considerada uma obra-prima do conto idiche. 

A Haskalah, inspirada pelas idéias da Ilustração francesa, promovida por comerciantes e intelectuais vinculados às aspirações sociais, se cristalizou sobretudo na comunidade judaica alemã: um humanismo racionalista que pretendia libertar o judeu das trevas da superstição e atraso medievais. 

Ela se propunha a modernizar seus costumes e seu espírito, para que pudesse reivindicar a emancipação política e a igualdade de direitos civis. Despojaram-se dos estigmas degradantes do gueto, inclusive do idiche, mero jargão sem valor na opinião de Moses Mendelssohn (1729-1786). 

Mas na Europa oriental, os adeptos da Haskalah, como Itzhak Baer Levinsohn (1788-1860), continuaram usando o idiche, assim como o narrador prolifico Aizic Meir Dick (1807-1893). 

Colaboração: Germano Brandes

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