Famílias judias da PB buscam reconhecimento




'Isoladas', famílias judias da PB buscam reconhecimento
judeus da Paraíba no coisas judaicas
Hugo Borges (esq.) conduz estudo do judaísmo na sala de sua casa em João Pessoa (PB)
Elas seguem a torá, o livro sagrado dos judeus, mas 35 famílias da Paraíba ainda buscam reconhecimento de autoridades religiosas em Israel. Até agora sem sucesso.

O problema, segundo a CIP (Congregação Israelita Paulista), é que, para que um não judeu ou descendente distante faça parte da religião, é necessária uma comunidade preexistente para inseri-lo --o que não existe em cidades como João Pessoa e Campina Grande (a 132 km da capital).

Hoje, apenas moradores de São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte podem se converter, diz a congregação.

Apesar de praticarem a religião segundo os preceitos da torá, as famílias lançam mão de "improvisos" para respeitar os mandamentos, já que nem sempre encontram na Paraíba o que precisam.

Na falta de um rabino, Hugo Borges, membro do grupo, realiza as cerimônias. A sinagoga, onde ocorrem os cultos, foi improvisada na sala de sua casa.
Às sextas-feiras, eles se reúnem para celebrar o "cabalat shabat", que comemora a chegada do sábado, dia sagrado para o judaísmo.
Ao pesquisar as origens de sua família, Borges, 31, encontrou um antepassado judeu, convertido forçadamente ao catolicismo durante a inquisição na Península Ibérica.
Conhecidos como "b'nei anussim", em hebraico, ou judeus ocultos, essas pessoas mantiveram a religião original em segredo.

Borges sustenta que é descendente desses judeus.

"É uma história de 500 anos atrás, muito escondida, e é muito difícil ter uma continuidade completa", afirma o rabino Ruben Sternschein, da CIP.
Um dos principais problemas dessa falta de reconhecimento é o casamento.
Ao mesmo tempo que os "b'nei anussim" não querem se casar com não judeus, também não conseguem casar com judeus tradicionais, já que não são reconhecidos como tais. Isso estimula casamentos internos no grupo.

Para o reconhecimento, eles reivindicam uma cerimônia de retorno à religião --e não de conversão.
Segundo Sternschein, a diferença é apenas no ritual final. Mas o processo, que envolve curso de um ano ou mais e passagem por um tribunal judaico, é o mesmo e exige proximidade territorial com uma comunidade preexistente.
"Uma pessoa que tem um interesse existencial tão forte vai viver entre judeus. Se não tem esse interesse, tudo bem. Não vai viver como judeu", afirma o rabino.

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