Antepassados seguiam tradição, dizem integrantes judeus na PB

Aos 13 anos, Luciano Canuto, 38, decidiu que queria ser judeu. 

"Uma vontade que apareceu sem explicação, porque na minha cidade não conhecia nenhum." Na época, morava em Campina Grande e sua família era católica. 'Isoladas', famílias judias da PB buscam reconhecimento 

 Hoje, ele é membro do grupo que se reúne toda semana na casa de Hugo Borges para celebrar a religião. Formado em medicina, é ele quem faz cirurgias de circuncisão, símbolo da conversão, em bebês e adultos que desejam entrar na religião em seu Estado. 

 Ele próprio passou pela cirurgia aos 16 anos. Mais tarde, descobriu que sua família mantinha tradições alheias ao catolicismo. Sua avó contava que, quando criança, às sextas, a casa era toda fechada, e os adultos rezavam em uma língua esquisita --"nem português, nem latim". No judaísmo, a cerimônia mais importante da semana, o cabalat shabat, é celebrada na noite da sexta. 

Tempos depois, visitou um tio-avô no Rio Grande do Norte e lá encontrou um oratório, relíquia da família. Para sua surpresa, no objeto havia sido talhado um "shin", letra do alfabeto hebraico. "A minha bisavó, trisavó e assim por diante casaram dentro desse oratório. Nenhuma delas casou na igreja." 

Borges também identificou hábitos em sua família, no sertão nordestino, que remontariam a esse passado. Um deles é enterrar os mortos em caixões de madeira vazada. Segundo ele, isso remete ao ritual judaico de enterrar corpos em contato direto com a terra, como é feito ainda hoje em alguns lugares de Israel. 

 A endogamia (casamentos entre parentes para conservar a linhagem) foi detectada oito vezes no levantamento genealógico de 11 gerações que fez de sua família. Borges casou-se com uma "b'nei anussim" (descendente distante de judeus ibéricos). E quer que sua filha de dez anos dê continuidade a essa tradição.

Fonte: FSP

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