Os negros e os judeus

                                                                           

Por  Jane Bichmacher de Glasman, escritora e doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica da USP 

 Consciência negra não é só Zumbi dos Palmares. Há muitas estórias para serem contadas. No mês da Consciência Negra, não vamos deixar de lado as boas histórias também. 

Você sabia que há judeus negros? 

Na África há dois povos muito antigos que só recentemente foram reconhecidos como judeus: os Falashas e os Lembas. 

Um teste de DNA feito em 1999 pelo geneticista inglês David Goldstein, da Universidade de Oxford, descobriu que uma tribo de negros do norte da África do Sul e arredores têm ascendência judaica. Os Lembas fazem circuncisão, casam-se apenas entre si, guardam um dia da semana para orações e não comem carne de porco ou de hipopótamo, considerado parente do porco. 

Segundo sua tradição oral, eles viviam num lugar chamado Sena. Há no Iêmen uma vila com esse nome que até o século X ficava num vale fértil, abastecido por um açude. Quando este secou, a maioria das pessoas partiu. Geneticamente, os lembas são parentes dos Cohanim que junto com os Levi e os Israel formam um dos três grupos em que se divide o povo judeu. Os cientistas afirmaram que o ancestral comum dos Lemba e dos Cohanim viveu entre 2.600 e 3.100 anos atrás. Pela tradição judaica o período coincide com a vida de Aarão, irmão de Moisés, de quem os Cohanim descendem. Provavelmente o grande pai também dos negros lemba. 

Os falashas (nome pejorativo que significa estrangeiro) ou Beta-Israel são totalmente negros como os demais abissínios. Na Etiópia formavam uma comunidade atrasada e fechada que preservava, intactos, usos e costumes que remontam a mais de dois milênios, dizendo-se descendentes da tribo perdida de Dan, fundada por Menelik, filho do rei Salomão com a rainha etíope de Sabá. Foram localizados em meados do século XIX e só em 1947 os rabinos-chefes de Israel admitiram formalmente serem eles judeus. Em 1860, missionários britânicos que viajavam pela Etiópia foram os primeiros ocidentais a encontrar a tribo dos falashas. 

Os membros dessa comunidade observavam o Shabat, mantinham rígidas leis rituais da forma como eram descritas na Torá. Pouco tempo depois, o estudioso Joseph Halevy decidiu conhecê-los pessoalmente. Foi recebido com curiosidade e desconfiança pelos nativos, que lhe perguntavam: “O senhor, judeu? Como pode ser judeu? O senhor é branco!” Mas quando Halevy mencionou a palavra Jerusalém, todos se convenceram. Os falashas haviam sido separados de outros judeus por milhares de anos. Nenhum deles jamais saíra de seu vilarejo. 

Consciência negra não é só Zumbi dos Palmares. Há muitas estórias para serem contadas. No mês da Consciência Negra, não vamos deixar de lado as boas histórias também. Você sabia que há judeus negros? Na África há dois povos muito antigos que só recentemente foram reconhecidos como judeus: os Falashas e os Lembas. 

Um teste de DNA feito em 1999 pelo geneticista inglês David Goldstein, da Universidade de Oxford, descobriu que uma tribo de negros do norte da África do Sul e arredores têm ascendência judaica. Os Lembas fazem circuncisão, casam-se apenas entre si, guardam um dia da semana para orações e não comem carne de porco ou de hipopótamo, considerado parente do porco. 

Segundo sua tradição oral, eles viviam num lugar chamado Sena. Há no Iêmen uma vila com esse nome que até o século X ficava num vale fértil, abastecido por um açude. Quando este secou, a maioria das pessoas partiu. Geneticamente, os lembas são parentes dos Cohanim que junto com os Levi e os Israel formam um dos três grupos em que se divide o povo judeu. 

Os cientistas afirmaram que o ancestral comum dos Lemba e dos Cohanim viveu entre 2.600 e 3.100 anos atrás. Pela tradição judaica o período coincide com a vida de Aarão, irmão de Moisés, de quem os Cohanim descendem. Provavelmente o grande pai também dos negros lemba. Os falashas (nome pejorativo que significa estrangeiro) ou Beta-Israel são totalmente negros como os demais abissínios. 

Na Etiópia formavam uma comunidade atrasada e fechada que preservava, intactos, usos e costumes que remontam a mais de dois milênios, dizendo-se descendentes da tribo perdida de Dan, fundada por Menelik, filho do rei Salomão com a rainha etíope de Sabá. Foram localizados em meados do século XIX e só em 1947 os rabinos-chefes de Israel admitiram formalmente serem eles judeus. Em 1860, missionários britânicos que viajavam pela Etiópia foram os primeiros ocidentais a encontrar a tribo dos falashas. 

Os membros dessa comunidade observavam o Shabat, mantinham rígidas leis rituais da forma como eram descritas na Torá. Pouco tempo depois, o estudioso Joseph Halevy decidiu conhecê-los pessoalmente. Foi recebido com curiosidade e desconfiança pelos nativos, que lhe perguntavam: “O senhor, judeu? Como pode ser judeu? O senhor é branco!” Mas quando Halevy mencionou a palavra Jerusalém, todos se convenceram. Os falashas haviam sido separados de outros judeus por milhares de anos. Nenhum deles jamais saíra de seu vilarejo. 

                Viviam na Etiópia até a grande seca de 1985 quando, para salvar-lhes a vida, Israel montou a operação Moisés para tirá-los secretamente, via aérea, da África e levá-los ao Estado de Israel. No dia 21 de novembro de 1984 começou esta operação. Em um dado momento, havia 28 aviões no ar. Um dos Jumbos, que normalmente poderia levar 500 passageiros, transportou de uma só vez 1.087 pessoas, num feito anotado no livro de recordes Guinness. Ao longo dos anos, a comunidade de judeus negros da Etiópia já chegou às 80.000 pessoas em Israel, mas o governo africano ainda retém entre 18 e 26.000 judeus em seu território. Ao chegarem em Israel, os médicos diagnosticaram nos falashas casos fisiológicos e de nutrição semelhantes aos encontrados nos sobreviventes dos campos de concentração. Chegaram magros, famintos, sem propriedades. Hoje eles são parte integrante da sociedade israelense. 


Nunca é demais lembrar que Israel foi o único país que retirou negros da África para lhes dar vida, conforto, estudo, trabalho e dignidade. 
Além da África, na Índia há duas comunidades de judeus negros. Os mais conhecidos são os Bene Israel, de Bombaim. Sua cor é escura e a língua cotidiana é o marata. Sua vida diária pouco difere da população indiana, exceto quanto à religião. No Sul da Índia, em Cochin, há os judeus totalmente negros como os demais indianos do sul, cuja língua é o malaiala, idioma falado antes das invasões indo-européias. Remontam suas origens a uma da 10 tribos de Israel desaparecidas no exílio assírio, embora não seja historicamente comprovado. 

Nos EUA há grupos de negros que praticam o judaísmo e se chamam de "judeus etíopes". Sua posição é um tanto radical em relação aos judeus brancos. No Brasil, além de negros, os quilombos reuniam “bruxas”, hereges, ciganos e judeus. Há registros da presença permanente nas aldeias de mulatos, índios e brancos. A perseguição da época a minorias étnicas, como judeus, mouros e outros, além do combate às bruxas, heréticos, ladrões e criminosos, explica brancos terem ido viver no quilombo de Palmares. Zumbi foi o maior líder quilombola e sem dúvida o mais enigmático e místico. Sob seu reinado viveu e lutou o maior quilombo da história; grande também pela sua face multiétnica, pois em suas fortificações se refugiaram os escravos foragidos, os judeus perseguidos, os hereges e os índios entre outros, segundo as últimas descobertas de arqueólogos e etnólogos. 

Por volta de 1590, os primeiros fugitivos africanos rompiam suas correntes e fugiam para se agrupar na floresta, nas matas e sertões do Nordeste do Brasil. Pouco numerosos, eles se organizavam em bandos de fugitivos. O número foi aumentando, eles se reagruparam em uma primeira comunidade, que ao longo de sua existência chegou a contar com uma população de mais de trinta mil rebeldes, homens e mulheres de todas as origens. Eles constituíram o primeiro governo de um Estado livre no novo mundo. Inicialmente a população era de negros e poucos índios. 

Com a chegada de numerosos judeus fugidos da inquisição, a população abriu-se aos brancos e estes últimos muito inspiraram a sua organização econômica e política a partir de então. O quilombo era organizado como um pequeno Estado. Havia leis e normas que regulamentavam a vida dos seus habitantes, algumas até muito duras; roubo, deserção ou homicídio eram punidos com a morte. As decisões eram tomadas em assembléias, da qual participavam todos os adultos, sendo aceitas, pois resultava da vontade coletiva. 

Zumbi tornou-se dirigente de Palmares ao questionar, em 1678, a liderança de Ganga Zumba, que, seduzido por um “acordo de paz”, aceitou transferir os quilombolas para uma espécie de “reserva”, onde eles teriam que viver sob vigilância. A resistência de Zumbi a esse engodo é exemplar. Desde muito cedo, negros perceberam que, para se livrar da escravidão, não seria preciso apenas se libertar das correntes; era necessário, também, construir um novo tipo de sociedade. 

Palmares significava esse desafio não só por organizar-se como uma República dentro de uma sociedade colonial, mas também por questionar as próprias bases do sistema. É o que fica evidente no relato do português Manuel Inojosa, em 1677: “Entre eles tudo é de todos e nada é de ninguém, pois os frutos do que plantam e colhem ou fabricam nas suas tendas são obrigados a depositar às mãos de um conselho, que reparte a cada um quando requer seu sustento”. 

Foi isso que motivou as dezenas de investidas militares contra o quilombo – que também abrigava judeus, índios, brancos pobres e gente perseguida pelos colonizadores – até sua completa destruição, pelo sanguinário bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694. Palmares, contudo, em vez de representar a história de uma derrota, é, até hoje, um exemplo da importância da luta. Zumbi dos Palmares abriu o quilombo para os judeus. Ele não abriu apenas aos negros foragidos da escravidão, mas também aos judeus que estavam fugindo da inquisição. Quando homenageamos no dia 20 de novembro a Consciência Negra, é preciso relembrar os horrores e a suprema vergonha do passado escravagista, da mesma forma que devemos relembrar os horrores do Holocausto dos judeus e outras minorias da II Guerra Mundial. 

Publicado no Rio Total, Cooljornal e AfroPress
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9 Comentários:

Mylena disse...

A tribo de Dan não foi fundada por Menelik. Além disso, quero enfatizar que o encontro da Rainha de Sabá com Salomão foi um encontro de dois chefes de Estado. A Bíblia nada conta se os dois tiveram uma relação mais íntima. Caso tivessem tido, as Escrituras teriam dito. Agora, que talvez ela tenha crido no Deus de Salomão e passado esse ensinamento aos seus filhos, é provável. Não sei de onde apareceu a mentira que Sabá e Salomão tenham tido um caso amoroso.
De qualquer forma, não quer dizer que eu acredite que os judeus etíopes sejam judeus. Só estou questionando as suas origens.

Mylena disse...

A tribo de Dan não foi fundada por Menelik. Além disso, quero enfatizar que o encontro da Rainha de Sabá com Salomão foi um encontro de dois chefes de Estado. A Bíblia nada conta se os dois tiveram uma relação mais íntima. Caso tivessem tido, as Escrituras teriam dito. Agora, que talvez ela tenha crido no Deus de Salomão e passado esse ensinamento aos seus filhos, é provável. Não sei de onde apareceu a mentira que Sabá e Salomão tenham tido um caso amoroso.
De qualquer forma, não quer dizer que eu acredite que os judeus etíopes sejam judeus. Só estou questionando as suas origens.

Ingrid Ribeiro disse...

É uma questão genética.
Independe do que vc acredita.
Geneticamente está comprovado.
E se está comprovado geneticamente é pq a história da Rainha de Sabá e do Rei Salomon pode até não ser real mas existe algum "parente" de ambos, pois existe gens!
Não que a conversão torne outros "tipos" de judeus menos ou mais, porém nesse caso existe uma comprovação genética.
De alguma forma esses povos se misturaram e a ciência comprovou.

STUDIO TEAM GAMER disse...

vc quer dizer que judeu nao pode ser negro entao vamos voltar na fizonmia de Jesus Cristo vc acha que eie e loiro dos olhos azuis?
la em apocalipse descreve a fisonomia de Jesus apostolo sao joao foi arrebatado e o que ele viu um ser de cor sardonica agora va estudar e descobrir que cor e a sardonica !!!!

Rivelino Dias disse...

Mylena refutar uma prova científica, por um texto transliterado? Q ue vem de várias copilações até chegar a Almeida e a João Ferreira no Brasil vindo do da septuagenta e dos manuscritos dos cortex de Alepo na Síria e olha q cortex signica conjunto de copilações, isso para chegar a essas copilações passou por inumeras mãos duvidosas de interretações textuais coniventes. O Gen não amiga ele permanece imodificável no organismo..me poupe e saiba ciência nesse quesito não falha..

Rivelino Dias disse...

Mylena refutar uma prova científica, por um texto transliterado? Q ue vem de várias copilações até chegar a Almeida e a João Ferreira no Brasil vindo do da septuagenta e dos manuscritos dos cortex de Alepo na Síria e olha q cortex signica conjunto de copilações, isso para chegar a essas copilações passou por inumeras mãos duvidosas de interretações textuais coniventes. O Gen não amiga ele permanece imodificável no organismo..me poupe e saiba ciência nesse quesito não falha..

Ingrid Ribeiro disse...

É verdade, Rivelino!

Coisas Judaicas disse...

Mylena por que não pode ter judeus etíopes? Ou ugandenses, nigerianos?

Unknown disse...

Contra fatos não há argumentos,a nação de israel é muito rigorosa em alguns assuntos ,tenho um amigo que é judeu_messiânico e ele está para voltar para israel como que ele foi nascido aqui no Brasil não pode ficar lá ,tem passar pelo um processo deles lá,ele é da pele morena e cabelo preto fino e olhos preto

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