30 de jan. de 2012

Sara Rus uma sobrevivente do holocausto

Sara Rus uma sobrevivente do holocausto


BUENOS AIRES - Sobrevivente do Holocausto relembra perda de filho em ditadura argentina
Sara Rus diz que a única coisa boa que aconteceu no gueto de Lodz foi ter conhecido seu marido.

 Elegante, jovial, Sara Rus, 85, irradia uma alegria que contrasta com os horrores que viveu. "Gosto do que eu tenho na minha vida", diz "Depois de tudo que passei, preciso."
Sara sobreviveu ao Holocausto judeu durante a 2ª Guerra Mundial, recordado pelas Nações Unidas neste mês. Perdeu o pai no terrível campo de concentração nazista de Auschwitz, peitou oficiais alemães, roubou comida para sobreviver, e sobreviveu.

Ao fim da guerra, fugiu para a Argentina, o país latino-americano com a maior comunidade judia na região, para onde contrabandeada através da fronteira com o Paraguai.

Quando Sara conseguiu estabelecer uma nova vida, ter os filhos que lhe haviam dito que não podia ter e virar uma página turva na sua história, mais uma campanha de extermínio ceifou a vida de um parente imediato: seu filho, Daniel, que em 1977 passou a engrossar a lista de cerca de 30 mil desaparecidos na repressão do governo militar argentino.

Conta sua história a quem lhe quem pede. "Para que não esquecer o que passamos", afirma.

Guerra

Sara tinha apenas 12 anos quando a 2ª Guerra Mundial estourou em 1939, filha única de uma família de classe média judia em Lodz, na Polônia.

A imagem que marcou o início do seu horror foi a de seu pequeno violino desfeito em pedaços nas mãos de um soldado alemão que fazia parte de um grupo que invadiu sua casa.

Antes vivendo em um confortável apartamento, pai, mãe e filha foram amontoados em um único quarto, onde passaram a viver na miséria. Em 1940, sua mãe ficou grávida e teve um bebê no gueto de Lodz - mas o filho morreu aos três meses de idade.

No ano seguinte sua mãe voltaria a ficar grávida, mas o segundo bebê seria morto por tropas alemãs logo no nascimento.

"A vida no gueto era terrível. Não só pelas condições, mas porque todo dia os alemães selecionavam pessoas para levá-las a outro lugar. Pessoas que nunca mais eram vistas", recorda.

Sara diz que a única coisa boa que aconteceu no gueto de Lodz foi ter conhecido Bernardo, que mais tarde se tornaria seu marido e pai dos seus filhos.

Sabendo que Sara tinha um parente que antes da guerra havia fugido para Buenos Aires, Bernardo prometeu à namorada que, se sobrevivesse à guerra, a encontraria na capital da Argentina no dia 5 de maio de 1945.

A data viraria um marco na sua vida.

Em 1944, todos os moradores do gueto foram levados para uma grande operação na estação de trens, foram transportados "como animais" para seu destino final: o hoje tristemente célebre campo de concentração de Auschwitz.

"Ao descer, os homens eram separados das mulheres. Não pude sequer dizer adeus ao meu pai", diz Sara. Nunca mais o viu.

Em Auschwitz, Sara e sua mãe foram submetidas a trabalho escravo. Quase não comia, o que aos poucos minava suas forças.

Meses mais tarde ambas foram trasladadas temporariamente a uma fábrica de aviões. "Eu não tinha força nem para levantar a broca", recorda Sara. Depois, foram para o campo de concentração e extermínio de Mauthausen.

Já no céu se viam batalhas aéreas entre aeronaves alemãs e aliadas. O fim da guerra estava próximo.

"Chegou um momento em que os alemães começaram a fugir da área. Alguns nos disseram para ir com eles, porque os americanos estavam chegando. Incrível!", relata.

Quando os ianques finalmente chegaram, Sara pesava 27 quilos e sua mãe, 26. Eram a sombra do que costumavam ser.

"Os soldados nos viam e choravam. Passei três meses sendo alimentada com soro, porque não conseguia reter alimentos. Houve gente que morreu depois de comer, porque o corpo não aguentou (a comida)", disse.

Foi resgatada no dia 5 de maio de 1945 - a data que Bernardo havia combinado para se encontrarem em Buenos Aires.

O segundo extermínio

Depois de passar por vários países da Europa, Sara, sua mãe e Bernardo finalmente chegam à Argentina, contrabandeados através do Paraguai, já que o então governo de Juan Domingo Perón não aceitava refugiados judeus.

Foram presos e ficaram detidos por várias semanas na cidade de Formosa, no norte da Argentina, até que Bernardo decidiu escrever - em polonês - a Eva Perón.

"Alguém deve ter traduzido a carta a Evita, porque logo recebemos uma resposta positiva dela e a permissão para ficar no país."

Sara se instalou em uma comunidade judaica em Buenos Aires.

Apesar de ter sido diagnosticada na Alemanha como impossibilitada de dar à luz, por conta de um acidente sofrido nos campos de concentração, Daniel nasceu em 1950. Cinco anos mais tarde, ela teve Natalia.

Formado em física nuclear, Daniel acabou trabalhando na Comissão Nacional de Energia Atômica. No dia 15 de julho de 1977, com o governo militar de Jorge Videla no poder, Daniel foi preso.

Anos depois, Sara descobriu que seu filho foi colocado junto com outros jovens em uma carroceria de caminhão.

Deduziu que o destino fora a Escola de Mecânica Naval, Esma, por onde cerca de 5 mil pessoas passaram. A maioria terminou morta.

"Seu pai (Bernardo) queria que ele saísse do país, mas Daniel não quis."

Na busca pelo paradeiro de seu filho, Sara se envolveu com as Mães da Praça de Maio e hoje é uma ativista de direitos humanos ativa e premiada.

Sua incrível história é contada através de lágrimas, dor e riso. Apesar do que viveu, transmite alegria, mesmo quando reconta os momentos mais sombrios de sua história.

Eu pergunto se ela se sente uma vítima de dois extermínios. "Como diz título do meu livro (uma obra de memórias lançada em 2007), sobrevivi duas vezes", responde Sara.
Os Judeus Acreditam em Karma?

Os Judeus Acreditam em Karma?



  Qual a opinião judaica sobre o karma?  

Por Tzvi Freeman
Karma é a ideia que permeia muitas culturas. No antigo Egito, era chamado “má’at” – em grego, “heimarmene” ou “destino” e em alemão, “wyrd”. Basicamente, a ideia é que tudo está dentro do sistema (em grego: cosmos) e portanto tudo termina voltando eventualmente. Você pode brincar com o sistema e até o manipular, mas não pode fugir dele.

A Divina Providência (Hashgachá) significa que podemos ir além do sistema. Podemos implorar ao Criador do sistema, ou fazer teshuvá (nos arrepender) e transformar a nós mesmos, até mudar nosso passado. 
Podemos nos libertar da prisão de nosso Egito pessoal e atingir a Luz Infinita pré-cósmica, ilimitada e livre.

Por exemplo, o “karma” de Avraham e Sarah era que eles não tivessem filhos juntos. A Torá nos diz que D'us elevou Avraham acima das estrelas e Sarah deu à luz a Yitschak. Similarmente, o “karma” de seu filho era ser escravizado pelo faraó. Mais uma vez, a intervenção Divina venceu aquele karma e eles foram milagrosamente libertados.

Sim, o karma nos envolve e a tudo que existe. Mas há uma maneira de escapar, através da teshuvá, através da Torá e da boas ações.
Tu Bishvat: o ano novo das árvores

Tu Bishvat: o ano novo das árvores



Antigamente, o povo judeu na Terra Santa comemorava o décimo quinto dia do mês hebraico de Shevat como o marco do início da nova estação dos frutos em Israel. Esta época do ano marca o ponto médio do inverno quando a força do frio diminui, a maioria das chuvas do ano já caiu e a seiva das árvores começa a subir. Como resultado, os frutos começam a se formar. Esta data até hoje é comemorada como o aniversário das árvores em Israel.

Da mesma forma como D'us faz com os seres humanos, no primeiro dia de Tishrei, Rosh Hashaná, D'us no dia 15 de Shevat determina qual a quantidade de frutos e folhas que cada árvore produzirá durante o ano; se crescerá satisfatoriamente, florescendo ou secará até morrer. Isto demonstra que o Criador do Universo e de todas as espécies, inclusive plantas e árvores, cuida de cada uma de Suas criaturas, determinando seu destino.

As frutas crescidas antes desta data eram consideradas frutas "velhas", e as que eram colhidas a partir desta data, eram recebidas como "novas". Esta distinção era essencial no tocante aos mandamentos da Torá de separar a terumá e o maasser - a separação dos frutos destinados aos cohanim e leviyim.

A tribo de Levi não possuía campos ou pomares. Seus membros dedicavam-se integralmente ao serviço Divino no Templo Sagrado e ao ensinamento do conhecimento de D'us ao povo. Por este motivo, a Torá ordena que uma certa parte da colheita deva ser outorgada a eles.

 Atualmente o Rosh Hashaná La'ilanot, Ano Novo das Árvores, é comemorado através da recitação de bênçãos antes e após a degustação de frutos novos da estação, especialmente as espécies de frutas da Terra de Israel: azeitona, tâmara, uva, figo e romã e outras novas para que se possa recitar a bênção adicional, Shehecheyánu. Ao provar dos novos frutos e recitar as bênçãos reconhecemos D'us como o Criador do mundo, da natureza e de tudo nela contido.

Uma analogia entre a árvore e o ser humano pode ser feita. Assim como a árvore está em constante crescimento, também nós devemos crescer; do mesmo modo como produz seus frutos, também devemos produzi-los. Em Tu Bishvat devemos renovar o crescimento pessoal, assim como as árvores começam a retirar a umidade e nutrientes da terra.

A raiz simboliza a conexão com a fonte, nossa fé; o tronco representa a parte principal que sustenta e representa o estudo da Torá e o cumprimento das mitsvot e o fruto está ligado com o resultado: a meta atingida, nossa influência positiva e contínua na preservação de nossos valores. Devemos constantemente lembrar que acima da natureza encontra-se D'us "regando" seus filhos através do legado do estudo e prática da Torá, os verdadeiros recipientes de bênçãos para que possam crescer continuamente em todas as estações.

   
Israel estuda como legalizar colônias em terrenos privados

Israel estuda como legalizar colônias em terrenos privados


Premiê Benjamin Netanyahu tenta, com anúncio, se aproximar de parte dos eleitores, de olho nas primárias de terça-feira
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, encarregou um juiz da tarefa de criar uma equipe para estudar uma forma de legalizar retroativamente as colônias judias em território palestino construídas sobre terrenos privados. O juiz Edmon Levy redigirá um relatório avaliando as distintas ferramentas jurídicas que poderiam ser utilizadas para legalizar assentamentos que inclusive a legislação israelense considera ilegais (para a legislação internacional, todas as colônias em território ocupado são ilegais), informou o serviço de notícias israelense Ynet.
O chefe do Governo israelense tenta, dessa forma, se aproximar dos colonos, entre os quais há uma parte importante de seus eleitores. A realização de eleições primárias em seu partido, o direitista Likud, será na próxima terça-feira.
A decisão acontece em um momento de mal-estar entre essa comunidade com Netanyahu por seu anúncio de que cumprirá as ordenes do Tribunal Supremo e desmantelará o assentamento de Migrón, no norte da Cisjordânia. Na quarta-feira, o Parlamento israelense debaterá uma norma que propõe a legalização dos assentamentos construídos sobre terras particulares palestinas em troca de compensação aos proprietários.
O projeto de lei, apresentado por cerca de 20 deputados de diferentes partidos da direita e religiosos, entre eles vários do Likud, propõe a proibição de esvaziar assentamentos se os donos da terra não apelarem aos tribunais antes de transcorrer quatro anos desde sua ocupação pelos colonos.
Estudo diz que 11% das israelenses sofrem assédio no trabalho

Estudo diz que 11% das israelenses sofrem assédio no trabalho


DA EFE, EM JERUSALÉM
Um estudo elaborado pelo Ministério de Indústria, Comércio e Trabalho de Israel divulgado nesta segunda-feira afirma que 11,4% das mulheres empregadas no país contam já terem sofrido assédio sexual no trabalho.

A pesquisa, realizada com cerca de 3.000 mulheres entrevistadas, mostra também que 21% das que sofreram assédio no local de trabalho consideram que sua produtividade se reduziu uma média de 30%, informou o jornal local "Ha'aretz".

Além disso, um décimo das trabalhadoras que se sentem assediadas ou têm que abandonar o posto ou são demitidas.

Mais de um terço das mulheres relatam sofrer assédio de seu superior direto, enquanto 26% afirmam que o assediador, apesar de não ter um cargo imediatamente superior, ostenta um posto de categoria superior no local de trabalho.

Das vítimas que permanecem em seu posto de trabalho, 30% dizem que o assédio continua. A maior parte (60%) das entrevistadas diz não saber a quem recorrer se sofrer assédio em seu trabalho e apenas 7,6% das assediadas dizem ter feito queixa pelos abusos.

A divulgação do relatório coincide com o escândalo da publicação nos últimos dias de um caso de assédio sexual no escritório do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Natan Eshel, chefe do escritório do primeiro-ministro, foi obrigado a tirar uma licença de dez dias enquanto é investigado pelas acusações feitas contra ele por três funcionários do escritório de que teria assediado sexualmente uma funcionária.
Bebê de 1 ano arranca cabeça de cobra com mordida em Israel

Bebê de 1 ano arranca cabeça de cobra com mordida em Israel

Israel - Uma criança de apenas 1 ano de idade matou uma cobra arrancando sua cabeça com uma mordida nesta quinta-feira em Shfaram, Israel. O réptil tinha 35 centímetros.

A mãe de Imad Gadir gritou quando viu o que tinha acontecido. Um vizinho pulou o muro, entrou no quarto e tirou a cobra da mão do menino.

A criança foi levada ao hospital, mas não ficou ferida.

Um especialista em répteis informou que a picada da cobra é dolorida, mas não é venenosa.
Costumes e rituais únicos de cripto-judeus revelam raízes judaicas

Costumes e rituais únicos de cripto-judeus revelam raízes judaicas

Costumes e rituais únicos de cripto-judeus revelam raízes judaicas
Introdução

Conquistas ao longo da história judaica foram substanciais e notáveis em todos os relatos. Judeus são consistentemente incluídos em números desproporcionais entre os grandes personagens da história nos ramos da ciência, invenção, educação, política, direito, medicina, artes visuais, indústria, filosofia, negócios e finanças. Estes incluem figuras como Albert Einstein, Sigmund Freud, Karl Marx, Salk Jonas, Albert Sabin, Spinoza Baruch, Marc Chagall, Irving Berlin, George Gershwin, Leonard Bernstein, Steven Spielberg, Arthur Miller, Herman Wouk, Philip Roth, Houdini, citando apenas alguns poucos. Mais de 20% de todos os premiados do prêmio Nobel até hoje foram judeus. Então, quantos judeus você acha que existem em todo o mundo?

Em 2010 tinha um total de 13,4 milhões de judeus no mundo inteiro. Para a maioria da pessoas, este número parece assustadoramente baixo, uma vez que representa menos de
1/4 de 1% do total da população no mundo, 6 bilhões. No entanto, o fato de que há mais de 13 milhões de judeus no mundo de hoje é uma conquista incrível. Ao longo da história, antiga e moderna, os judeus foram repetidamente perseguidos pelas Cruzadas, Inquisições, "Pogroms", anti-semitismo e assassinatos em massa, todos os quais contribuíram para diminuir o número de judeus, mas nunca conseguiram acabar com a religião. Assim como, num recente período, entre os anos  1933-1945, o regime nazista da Alemanha cometeu o genocídio sistemático de 6 milhões de judeus europeus, eliminando assim 50% da população judaica mundial em um terrível Holocausto.

Quem é considerado judeu?

De acordo com a lei judaica, apenas uma criança nascida de uma mãe judia ou um adulto que se converteu ao judaísmo é considerado um judeu. Como princípio, a religião judaica proíbe a coversão de não-judeus ao judaísmo, e só quem realmente provar que tem capacidade de se "amarrar" a fé judaica, será aceito ao judaísmo. Você nunca ouviu falar de uma cruzada judaica, porque nunca existiu uma ou nunca poderia haver um fenômeno desses, e qualquer  "missionário judeu" deve ser visto com desconfiança, pois não são verdadeiros representantes da fé judaica.

Assim, com exatas definições sobre quem é judeu, e sem conversões em massa de populações de diferentes etnias, como os judeus se manteram por mais de 5.000 anos, sujeitos a escravidão, a perseguição, ao assassino em massa e a hostilidade de quase todas as religiões que tentaram viver entre eles? E como eles conseguiram fazê-lo sem mesmo ter um proprio país antes do renascimento do Estado de Israel em 1948? Como é que o Judaísmo sobreviveu e como os judeus sobreviveram?

Fundamentos da fé e tradição judaicas

A resposta deste mistério que muitos têm tentado decifrar e que tem sido objeto de muitas discussões ao longo dos anos requer uma certa compreensão sobre a religião judaica. Como a resposta, obviamente, não tem nada a ver com características peculiares físicas ou mentais do povo judeu, a explicação está relacionada a este indiscutível fato: ser judeu significa  pertencer a uma cultura onde estão fortemente entrelaçadas a religião, a tradição e a herança.  Através das provações e dificuldades, os judeus continuaram a manter seus rituais de fé intactos, juntamente com seus livros sagrados, seus feriados religiosos, seu calendário, seus nomes judeus, seus valores, sua herança, e seu desejo pela Terra Santa e seu Templo.

A vida judaica permaneceu basicamente a mesma através das épocas e migrações, com os mesmos rituais e tradições da vida diária, apesar das diferentes sociedades e distintas línguas. Os judeus foram dispersos na diáspora e, portanto, podem ser encontrados hoje em todos os continentes e em quase todo os países do mundo, mas embora possam ter estabelecido comunidades em países diferentes, eles ainda estão profundamente ligados às suas raízes.

Contrariamente a outras religiões, o judaísmo não tem dogma (doutrina), ou nenhum conjunto de crenças formais obrigatórias que se devem manter para ser um judeu. No judaísmo, as ações são muito mais importantes do que as crenças, embora haja certamente um importante lugar para a crença dentro do judaísmo. Na verdade, quando o espanhol Maimônides elaborou seus 13 princípios básicos da fé judaica no século XII, mesmo estes estavam sujeitos a controvérsia e debate entre os rabinos. A cultura judaica não é apenas teórica ou acadêmica, ela se dá mais atenção às ações do que ao rigor das crenças ; tem as "Mitzvot" ou "Mandamentos" ditados pela Torá (os 5 primeiros livros da Bíblia) e pelo Talmud (a interpretação oral da Bíblia), abrangendo todas as áreas da vida, a pessoal, a familiar e a comunitária.

Estas regras sobre o que "fazer" e o que "não fazer" incluem tudo, desde a oração que se reza para comer, e até mesmo como se barbear de manhã. Hoje em dia, grande parte desses mandamentos não podem ser seguidos, até mesmo pelos judeus mais ortodoxos mesmo depois da destruição do Segundo Templo, embora eles ainda tenham um importante significado religioso. Mesmo para os judeus não-tradicionais que compõem a maioria dos judeus modernos, estas leis ainda determinam o seu modo de vida. Os ensinamentos transmitidos através das gerações determinam assuntos relacionados tanto a nascimentos como a mortes, a casamentos como a divórcios, bem como as festas religiosas que são festejadas e os códigos morais que são respeitados.

Agora, com estes fatos, podemos começar a compreender e apreciar a incrível história dos cripto-judeus (marranos).

Costumes dos Cripto-judeus
  
 A Inquisição espanhola foi incansável em seus esforços em perseguir e exterminar qualquer resquício da prática judaica entre os cripto-judeus, a fim de formar um Estado puramente cristão. Os oficiais da Inquisição analisavam, frequentemente, os recém-convertidos para verificar se eles tinham circuncidado seus recém-nascidos. Eles enviaram espiões para descobrir se eles se reuniam aos sábados para rezar, o sábado judaico, ou se eles estavam celebrando feriados judaicos, como Páscoa ou Yom Kippur. Eles muitas vezes forçavam os judeus suspeitos a comer carne de porco em público como uma forma de provar se eles eram ou não verdadeiros "Conversos".

Assim, os cripto-judeus, que não estavam dispostos a abandonar a sua fé baseada em  valores, rituais e tradições, reagiram de uma forma ainda mais secreta , o que significou que todo o processo de prática religiosa teve que ser transformado. Isto incluiu orações, feriados, escrituras e costumes.



Os feriados religiosos se modificaram durante a Inquisição espanhola. O feriado judaico mais sagrado é o Yom Kippur. Durante este feriado, os judeus jejuam por 24 horas, enquanto  eles pedem perdão a Deus. Em vez de rezar durante todo o dia, os cripto-judeus rezariam somente por algumas horas. E para esconder o fato de que eles estavam em jejum, eles colocavam um palito na boca, a fim de enganar os cristãos quando eles saíam  às ruas.

O feriado judaico da Páscoa também foi conservado de uma maneira diferente. Normalmente, o feriado começa com dois "Seders" (refeições) durante os quais é contada a história da fuga dos judeus do Egito, depois de décadas de escravidão. Os cripto-judeus podiam fortemente se identificar com esta história de libertação, já que eles também se sentiam escravizados pelos inquisidores. Depois dos Seders é proibido comer pão fermentado durante 1 semana. Os cripto-judeus começaram sem a leitura da história da Páscoa.

Durante esta semana de observação, muitos cripto-judeus decidiram jejuar, porque eles tinham se acostumado a jejuar durante feriados judaicos. Como os médicos judeus costumavam prescrever "matzo" (pão ázimo) aos cristãos com problemas digestivos, durante a semana da Páscoa, os judeus, muitas vezes, se queixaram de dores no estômago para justificar o uso da "matzá". Hoje na América Latina, algumas famílias comem pão sem fermento durante a Quaresma, que cai na mesma época da Páscoa.

A tradição judaica de um Bar Mitzvah (a cerimônia que se celebra aos meninos judeus quando atingem a idade de 13 anos, a partir da qual eles são considerados responsáveis por seus atos morais e religiosos) foi substituída para manter suas identidades ocultas. Na idade de treze anos, a criança foi levada de lado e foi contada a verdade sobre sua religião e as Leis de Moisés.

Eles não podiam guardar livros judaicos ou materiais religiosos e, portanto, tudo tinha que ser memorizado e transmitido oralmente. Este fato, obviamente, causou um declínio no conhecimento religioso através de cada geração. Os marranos tinham que professar sua lealdade à Igreja Católica, que muitas vezes se envolveram com as tarefas da igreja para ajudar a ocultar suas verdadeiras identidades, e isso resultou em uma grande mistura de costumes judaicos e cristãos.

Um aspecto interessante da vida cripto-judaica foi o papel das mulheres. As mulheres se tornaram líderes espirituais. Mulheres que tinham um bom conhecimento e uma familiaridade com as rezas judaicas conduziam os serviços de oração para confundir os inquisidores, uma vez que este foi um trabalho normalmente executado por homens. De fato, longo da história, tem sido demonstrado que as mulheres foram aquelas que mais se recusaram a se assimilar e assim, as mulheres cripto-judias desempenharam um papel importante na manutenção da fé judaica e seus costumes.

Com relação a língua hebraica, ela foi praticamente extinta. Os cripto-judeus não poderiam se arriscar a serem escutados falando ou escrevendo em hebraico. Por causa desse medo, todos os vestígios do idioma hebraico, tanto o verbal como o escrito, desapareceram nas últimas gerações dos cripto-judeus.

Era perigoso demais possuir um livro de orações judaicas em casa, entao, os cripto-judeus  memorizaram as orações. O único texto que ainda poderiam usar era a Bíbla. Este foi aprendido literalmente. Quanto às orações, a maioria delas eram originais. Infelizmente as orações originais haviam sido perdidas com o tempo e os cripto-judeus foram forçados a criar suas próprias orações.

Porque textos judaicos sagrados não poderiam ser usados​​, a comunidade cripto-judaica criou seus próprios livros de oração, um deles é chamado o "Manuscrito de Rebordelo" (Rebordelo é uma aldeia distante na província de Trás-os-Montes em Portugal). Dentro deste livro de orações manuscritas, haviam diferentes rezas para cada ocasião que aparentemente datam do início do século XVIII. O livro também contém uma lista de recomendações sobre como viver uma vida ética.

O casamento foi outro aspecto difícil da transformação cripto-judeu. A primeira condição era que os cônjuges deveriam ser judeus. Casamentos mixtos nunca foram uma opção. Os casais não poderiam se casados por um rabino, então, eles se casavam na igreja e, em seguida, eram abençoados por um rabino. O processo de casamento era indispensável para os judeus, como era a sua única garantia da continuação da sua religião.

Se um membro da comunidade falecia, um "minian" (um grupo de 10 homens judeus) se reuniam na casa da família do falecido, o que fazia parecer que eles estavam apenas consolando os enlutados, como nas tradições de reza católica.

A alimentação foi outro problema para os cripto-judeus. Eles fizeram o máximo para manter sua alimentação "casher" (lei judaica que se refere a cada aspecto do alimento desde a preparação até o consumo). Eles se recusaram a comer carne de porco, cujo consumo está proibido pelas leis judaicas-religiosas, e até contaram para seus filhos que aqueles que comiam carne de porco seriam transformados em porcos.

O cripto-judeus também tentaram preservar o Shabat. Eles tentaram não cozinhar entre sexta-feira à noite e sábado à noite, porque isso seria violar o sábado. Eles acendiam uma vela que ficava acesa durante o sábado. A vela ficava escondida dentro de potes de barro, para que a luz não pudesse ser vista do lado de fora.

Com respeito a tradição judaica sobre a caridade, os cripto-judeus davam caridade, dando atenção especial aos pobres da sua própria comunidade, de acordo com a tradição judaica.

Mas apesar de seus esforços e boas intenções, eles tinham um problema insuperável: sua conexão com o resto do mundo judaico havia sido cortada. Sem acesso a livros judaicos, ou até mesmo a um calendário judaico, tornou-se cada vez mais difícil lembrar de todas as orações e as leis. E haviam muitos mandamentos que eles não poderiam realizar ou foram forçados a transgredir, porque o perigo era muito grande. Para compensar, ao longo do tempo, os cripto-judeus começaram a desenvolver sua própria cultura, integrando orações e costumes especiais.

O despertar dos cripto-judeus

Nos últimos anos, uma imagem nova e fascinante surgiu desses descendentes de judeus secretos que vivem hoje como cristãos, mas mantém as tradições de suas famílias que são indicações inequivocamente claras de suas origens judaicas. Apesar de que muitas gerações viveram em sigilo em relação ao seu verdadeiro patrimônio e apesar da assimilação ao cristianismo na América Latina, Espanha e Portugal, muitas famílias ainda mantém resíduos das práticas do judaismo, mesmo aqueles descendentes que ainda não têm a menor idéia sobre sua identidade judaica.

Na verdade, às vezes as primeiras indicações de ascendência judaica de um indivíduo são os seus costumes familiares. Não ter tido qualquer contacto prévio com o costume judeu, a descoberta desta herança familiar misteriosa, com base em práticas de preservação judaísmo espanhol medieval, pode ser uma revelação chocante, concentrando-se na identidade espiritual e despertando uma nova perspectiva pessoal fazendo embarcar em uma jornada muito pessoal.

Até recentemente, revelações sobre essas práticas têm sido esporádicas e medidas. Até hoje, os descendentes desses judeus em países de idiomas espanhol e portugues  instintivamente hesitam sobre compartilhar a história sobre a sua verdadeira herança judaica. No entanto, nos últimos anos devido ao acesso amplo e generalizado à Internet, permitindo pesquisas individuais, mas abrangentes dos confins do próprio lar, rapidamente estas informações se transformam em um fluxo de conhecimentos compartilhados e depoimentos. (Para compartilhar sua história de família ....)

Histórias sobre famílias que até hoje acendem velas na noite de sexta-feira, circuncidam os filhos recém-nascidos, comem pão achatado fino (matzá) na Páscoa, usam nomes bíblicos e têm tradições familiares de não comer porco ou trabalhar no sábado, estão aparecendo cada vez mais. Alimentos judaicos, tradições orais, cultura, e secredo, costumes religiosos estão aparecendo hoje no folclore, língua, hábitos e práticas dos descendentes e ultimamente, estão sendo identificados como os costumes judaicos. Em sua maior parte, essas atividades são consideradas únicas tradições familiares e membros da família não as concedem como uma identidade judaica, até que esses fatos são claramente divulgados.

Muitos agora estão juntando os pedaços de sua própria família, peça por peça, pista após pista.

Alguns têm memórias compartilhadas de ter ouvido um avô ou tio ou tia dizer-lhes "Somos Judios", enquanto outras famílias continuam a manter em segredo sua ascendência ou simplesmente esqueceram o seu passado. Em algumas famílias este segredo profundo só é revelado quando algum familiar ou parente curioso empreende uma busca minuciosa em seu passado e começa a entrevistar seus parentes.


Se você se interessou pelo tema saiba mais sobre os cristãos-novos: 


Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto na Bahia

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto na Bahia



Neste domingo a presidenta Dilma Rousseff participou da solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador (BA). O evento foi promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), em parceria com a Sociedade Israelita da Bahia (Sib).

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, é celebrado oficialmente no dia 27 de janeiro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005, para lembrar o dia da libertação dos prisioneiros do campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, no sul da Polônia, ocorrida em 27 de janeiro de 1945.

Em resolução apoiada pelo Brasil, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede aos países membros que elaborem programas de educação sobre o Holocausto e “condena sem reservas todas as manifestações de intolerância religiosa, de incentivo ao ódio, de perseguição ou de violência contra pessoas ou comunidades por causas étnicas ou religiosas e rejeita qualquer negação do Holocausto como fato histórico”.

Na cidade de Salvador, que tem o maior número de afrodescendentes fora da África, a homenagem foi dirigida à parte dessa população que foi vítima do massacre. Havia cerca de 20 mil afrodescendentes na Alemanha quando os nazistas tomaram o poder, em 1933.

(Fotos Roberto Stuckert Filho/PR)

29 de jan. de 2012

28 de jan. de 2012

Shimon na luta contra o racismo

Shimon na luta contra o racismo


No cenário de recentes atos de racismo contra Israel 's comunidade etíope, o presidente Shimon Peres visitou recentemente a Escola de Amit Reshit em Jerusalém, onde crianças de descendência etíope foram integrados com sucesso. Lá, ele foi inspirado por Rachel, a cantora do coral da escola .
Depois de ouvir oitavo graduador Rachel cantar: "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém", Peres voltou a residência do presidente oprimido. Naquela noite, ele se sentou, colocou os seus pensamentos por escrito e compôs uma canção para ela e para a comunidade etíope.

Luta contra o racismo

Os  israelenses de todas as cores e raças devem juntar-se a guerra comunidade etíope sobre o racismo.

"Eu não posso esquecer belos olhos e tipo de Rachel", ele disse a seus assessores. "Quando eu olhei para ela vi através de seus olhos os judeus etíopes" dificuldades e anseio sem fim para a Terra de Israel. "

Mas Peres não se contentou com apenas escrever uma canção. Ele pediu a seus assistentes para enviá-la ao músico Idan Raichel e tê-lo adicionar músicas para as letras. Raichel trabalharam na melodia durante uma semana e pediu cantora Kabra Kasai, que imigrou para Israel da Etiópia, para executar a canção do presidente.

Quando ele soube que a música estava pronta, o presidente pediu para ouvi-la o mais rapidamente possível. Na quinta-feira ele chegou ao Internacional de Jerusalém Convention Center, onde Raichel revelou a música.
Só depois que ele terminou de cantar, Raichel informou ao público que as letras foram escritas por Peres e convidou o presidente para cantar.
Depois que os dois cantaram juntos, Peres disse: "Toda pessoa com uma memória histórica está repleta de emoções e memórias ao ver os imigrantes."
O presidente concluiu o evento afirmando: "Foi uma das noites mais emocionantes da minha vida."


Kabra Kasai

Kabra Kasai


Kabra Kasai (Hebrew: כברה קסאי‎; born August 3, 1982) is an Israeli singer, best known for her work alongside Idan Raichel in the Idan Raichel Project (Hebrew: הפרוייקט של עידן רייכל). 

She is also known for her participation in the first season of the Israeli version of American Idol, Kochav Nolad, where she reached the top 8.[1] Her most famous song is called Habaytah, Haloch Chazor, which means "Home, Back and Forth".

She was born in a Sudanese refugee camp, to Ethiopian Jewish parents on their way to Israel, in what was called Operation Moses. She arrived in Israel when she was one year old, in 1984. At 18, as mandatory in Israel, she began her military service, where she met Idan Raichel. 

Together, they performed in many military camps and facilities. When they left the army, the Idan Raichel project was acclaimed as a success, and they performed all over Israel and even went on some offshore tours.

27 de jan. de 2012

Os 13 Mandamentos

Os 13 Mandamentos



*por Jarbas Milititsky


A tragédia do Holocausto lembra que somos responsáveis uns pelos outros.

Há aqueles que não conhecem em profundidade os fatos históricos, porque são muito jovens. Estes precisam ser ensinados, para que possam aprender a cultivar o humanismo, o respeito à cultura e à diversidade, a recusa incondicional de regimes totalitários.

Há os que os desconhecem os fatos históricos porque supostamente não lhes dizem respeito. Estes também precisam ser ensinados que a omissão de hoje não é garantia de que não serão os perseguidos de amanhã. Quando o Estado fomenta a violência, seus agentes não precisam de argumentos lógicos para justificar o injustificável.

Existem também os que se recusam a reconhecer os fatos históricos, porque esta é uma posição que lhes convém, para justificar suas próprias posições políticas ou religiosas. A estes, talvez, não seja possível ensinar, mas devemos combater suas idéias, sua intolerância e seu obscurantismo.

Hoje, no Dia Mundial em Memória das Vítimas do Holocausto na Segunda Guerra Mundial, precisamos nos focar em três ações: a primeira é lembrar sobre a necessidade de ensinar às novas gerações sobre o que aconteceu e sobre as ameaças, ainda existentes, de ideologias que promovem a xenofobia étnica, cultural e religiosa.

A segunda é alertar a todos para o risco de discursos contemporâneos, que não apenas recusam a verdade histórica, mas fomentam o extermínio de povos ou grupos étnicos como política de Estado. A terceira é dirigida aos sobreviventes, aos seres humanos vítimas da barbárie. Eles merecem um pedido de perdão, em nome da humanidade por não ter impedido e manifestado o horror quando necessário e tratado de impedir os episódios mais degradantes da historia recente da humanidade. Desta forma devemos assumir o compromisso, como integrantes da sociedade civilizada, de manifestar nossa posição e repulsa, de forma veemente, em qualquer momento em que seja ameaçada a dignidade humana, seja como objeto de políticas de estado ou de ações de grupos organizados ou mesmo de indivíduos.

Durante um pronunciamento na ONU, no ano de 2006, o representante do Museu Yad Vashem (Museu do Holocausto de Jerusalém) lembrou aos ouvintes que o povo judeu legou para a humanidade os dez mandamentos, mas face ao horror do Holocausto sugeriu que faltaram três mandamentos: não seja algoz, não seja vítima e não seja ,jamais, mero expectador.
Ferramenta online para estudar o Holocausto

Ferramenta online para estudar o Holocausto

Os estudantes em todo o mundo terão a oportunidade de aprender mais sobre o Holocausto, graças a uma nova ferramenta educacional “online”, que foi lançada esta segunda-feira. O site chama-se “IWitness” e foi produzida pela Fundação Shoah da Universidade da Califórnia do Sul, possibilitando que professores e alunos tenham acesso a depoimentos em vídeo de mais de mil testemunhas do Holocausto a partir do arquivo do Instituto de quase 52 mil gravações. “Como hoje os alunos aprendem mais sobre o Holocausto e o significado desta história, logo vão descobrir uma ligação com as suas próprias vidas e comunidades”, disse Kiyo Akasaka, subsecretário-geral para as Comunicações e Informação Pública.
Documentos antigos revelam cultura judaica no atual Afeganistão

Documentos antigos revelam cultura judaica no atual Afeganistão

Coisas Judaicas
Uma série de antigos documentos judaicos encontrados recentemente no norte do Afeganistão tem causado alvoroço entre os acadêmicos, que dizem que o achado histórico pode desvendar um lado ainda não revelado dos judeus na Idade Média.

Os cerca de 150 documentos, datados do século 11, foram encontrados na província afegã de Samangan. O professor emérito israelense Shaul Shaked, que examinou alguns dos poemas, registros comerciais e acordos judiciais que formam o tesouro, disse que, embora se soubesse da existência de antigos judeus no Afeganistão, a sua cultura permanecia até agora um mistério.

"Aqui, pela primeira vez, vemos evidência e podemos estudar de fato os escritos dessa comunidade judaica. É muito empolgante", disse Shaked à Reuters por telefone desde Israel, onde ensina no departamento de Estudos Iranianos e Religião Comparada na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Os documentos estão sendo mantidos por comerciantes particulares de antiguidades em Londres, que têm apresentado uma série de documentos novos nos últimos dois anos. Shaked acredita que foi nessa época que a série de pergaminhos foi encontrada e levada para fora do Afeganistão em uma operação clandestina.
Steven Spielberg leva vida de Moisés ao cinema no estilo realista de «O Resgate do Soldado Ryan»

Steven Spielberg leva vida de Moisés ao cinema no estilo realista de «O Resgate do Soldado Ryan»

Steven Spielberg - Coisas Judaicas
Segundo a Deadline, Steven Spielberg (As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne) está muito perto de acertar todos os detalhes com a Warner Bros. para realizar «Gods and Kings», um épico sobre a personagem bíblica de Moisés.

Com o argumento de Michael Green e Stuart Hazeldine, esta cinebiografia iria contar a história da vida de Moisés, desde os primórdios em que foi abandonado, até ser adotado pela elite egípcia até à libertação dos escravos judeus e a sua condução pelo deserto.

No fundo estaríamos perante uma espécie de remake de «Os 10 Mandamentos», mas que terá um ambiente mais realista e duro na linha de «O Resgate do Soldado Ryan».

Outro dos detalhes avançados é que o projeto não está imaginado em 3D, o que faria algum sentido pois basta nos lembrarmos da obra de Cecil B. DeMille para pensar que o filme terá momentos em que são exigidos grandes efeitos especiais e um forte impacto visual. Recordamos que brevemente Steven Spielberg vai regressar às nossas salas com «O Cavalo de Guerra», uma obra nomeada aos Óscares na categoria de Melhor Filme.

 
Médico judeu de 100 anos de idade ainda cuida de seus pacientes

Médico judeu de 100 anos de idade ainda cuida de seus pacientes

Dr. Goldman - Coisas Judaicas
Com um século de idade o Dr. Goldman ainda trabalha e seus pacientes o adoram.

E ainda faz consultas na casa dos pacientes. É preciso, porque lá que estão os pacientes, ele explica: ‘Se estão doentes não podem sair de casa, então vou vê-los em suas casas’.

Na segunda-feira, vieram vê-lo. Pacientes, amigos e família - alguns usando andadores, alguns em cadeiras de rodas - se reuniram em número maior que os 100 anos de idade do médico, no seu consultório em Avondale, numa festa surpresa para o mais antigo médico que ainda clinica no estado de Ohio.

Porém foi ele quem os surpreendeu, pois sempre chega cedo, e naquele dia lá estava 90 minutos antes do horário para as consultas. Mas se assustou quando viu tanta gente o esperando.

Dr. Fred Goldman

"As pessoas me perguntam: 'Por que você vai a um médico de 100 anos?" falou Patti Levine, uma paciente de quarta geração do médico. Eu respondo, ‘porque ele já viu de tudo e sabe sobre tudo!’ Uma mulher empurrava um carrinho de criança com a filha de 10 meses de idade – ‘Ela não é sua paciente, ainda’.

Colegas médicos lá estavam para cumprimentá-lo.

Perguntado o Dr. Leo Wayne se aconselharia o Dr. Goldman para se aposentar ele respondeu "Eu não nem sonharia em aconselhá-lo a se aposentar" ele respondeu. "O Dr. Goldman é um diagnosticador excelente, conhece os seus pacientes, incluindo ele próprio.

A única concessão que fez foi diminuir de 5 dias para 3 dias por semana, porém consultando 8 horas por dia.

Como se sente aos 100 anos? Alguém perguntou. Então ele examinou suas mãos. Ele apertou uma, e depois a outra. ‘A maioria das pessoas da minha idade’, acrescentou, "não sentem nada. Estão mortos’. A multidão riu, e também o aniversariante.

Fred Goldman nasceu no dia 12 de dezembro de 1911. "A minha mãe, uma dona de casa, veio da Polônia. O meu pai da Rússia e tinha um pequeno comércio. Quando nasceu em Cincinnaty, William Howard Taft ocupava a Casa Branca como o 27º presidente dos Estados Unidos. O Czar Nicolau II ocupava o trono da Rússia. George V, avô da rainha Elizabeth II, era o rei da Inglaterra. Puxa vida, quando me formei médico em 1935 Freud ainda estava no começo de carreira, Goldman falou rindo.

"Quer ver o meu consultório?", perguntou ele levando os visitantes em uma turnê. Ele examina 12 pacientes por dia em sua sala sem computador. A sua agenda é controlada a mão pela sua secretária Patti Heath.

Comecei a trabalhar aqui quando ele tinha 91 anos. Pensei que seria um emprego temporário. Aqui estou depois de 9 anos e ele continua firme e forte. Nas minhas primeiras férias desabei numa praia. "Ele foi fazer trekking no Alasca e ficava numa tenda, disse Patti.

26 de jan. de 2012

Palestinos declaram esgotado prazo para reiniciar diálogo com Israel

Palestinos declaram esgotado prazo para reiniciar diálogo com Israel


O prazo de três meses fixado pelo Quarteto para o Oriente Médio (integrado por Estados Unidos, ONU, União Europeia e Rússia) a israelenses e palestinos para que acertassem a retomada do processo de paz terminou nesta quinta-feira com o anúncio palestino de que não prosseguirão com os contatos diretos.
"Há muita pressão para que sigamos adiante, mas nós tínhamos um mandato muito claro do Comitê Executivo da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) que nos permitia negociar só até hoje. Para nós, acabou", disse à Agência Efe uma fonte da equipe negociadora em Ramala.
"Não temos nenhum mandato para seguir discutindo com os israelenses, nossa posição é muito clara. Entregaremos um relatório à OLP no qual é dito o que todo mundo sabe: Israel não apresentou nenhuma proposta, não interrompeu a construção nos assentamentos e não ofereceu nada para negociar", acrescenta a fonte.
A posição da parte palestina é de que "não faz sentido negociar com uma parte que não aceita nem sequer os mínimos termos de referência da comunidade internacional, nem os compromissos adquiridos no Mapa de Caminho", que exigem que Israel detenha o crescimento das colônias e estabeleça as fronteiras anteriores a 1967 como base do futuro Estado palestino, entre outras condições.
Ambas as partes se comprometeram em 26 de outubro a apresentar no prazo de três meses suas propostas sobre dois dos principais assuntos que os opõem: fronteiras e segurança.
Neste meio tempo, os palestinos apresentaram um documento, entregue primeiro ao Quarteto e, em 3 de janeiro, aos israelenses.
Israel, no entanto, apresentou apenas uma carta que estabelece 21 pontos a serem negociados, mas que não oferece propostas concretas sobre os dois assuntos principais. O documento foi qualificado pelos palestinos como "inútil".
Um oficial israelense próximo ao processo reconheceu, em declarações à Efe, que o país "não apresentou uma posição definitiva, mas entregou um documento que tem como propósito facilitar uma negociação ordenada com uma frequência raciocinada de fases".
"Se eles desprezam este documento e afirmam que a posição israelense não merece sequer ser discutida, que podemos fazer?", questiona a fonte, que considera que os palestinos não levaram a sério os contatos diretos e "só buscaram pretextos para criar escândalos e abandonar a mesa de negociações".
"Se os palestinos não colaboram não é possível fazer nada. Essa oportunidade acabou e será preciso buscar outra", acrescenta.
Espera-se que em 4 de fevereiro, o presidente palestino Mahmoud Abbas trate a situação das negociações com a Liga Árabe para decidir os passos a serem seguidos.

O primeiro escândalo de Lapid

O primeiro escândalo de Lapid

Duas semanas depois de anunciar a entrada na política israelense, o jornalista Yair Lapid já enfrenta seu primeiro “escândalo”. O Conselho de Ensino Superior de Israel anunciou que vai abrir investigação quanto à aceitação de Lapid num programa de pós-graduação da Universidade Bar Ilan. 

O jornalista – ex-âncora do mais importante jornal semanal da TV israelense – não tem diploma de mestrado, mas, mesmo assim, foi aceito no doutorado em “Estudo de Cultura e Comentário” com base, segundo a universidade, em seus “feitos literários e jornalísticos”. 

O problema é que, formalmente, a universidade exige que os concorrentes ao doutorado tenham cursado, no mínimo, dois anos de mestrado e entreguem uma proposta de doutorado. 

Em reação à revelação, a Universidade Bar Ilan disse que “o senhor Lapid foi aceito sem o diploma de mestrado depois de um exame abrangente, considerando sua educação, realizações jornalísticas e recomendações que apresentou”. 

Em sua página do Facebook, Lapid escreveu que não está preocupado com a descoberta: “Olhem o lado bom: alguém está incomodado com a minha entrada na polícia”, afirmou. 

A entrada de Yair Lapid na política está mexendo com alianças partidárias depois de anos de marasmo. Ele é considerado um candidato popular que pode tirar votos do partido de centro-esquerda Kadima, da ex-premier Tzipi Livni, do Partido Trabalhista e até mesmo do partido governista Likud (centro-direita).

25 de jan. de 2012

Em Portugal, cidade medieval terá museu judaico

Em Portugal, cidade medieval terá museu judaico




Sinais hebraicos na região têm mais de cinco séculos

Por Sheila Sacks


Catalogada como uma das doze “aldeias históricas” de Portugal, a cidade de Trancoso, no centro-norte de Portugal, surpreende os visitantes pela imponência de suas muralhas e pela beleza de seus monumentos, igrejas e castelos medievais. Foi nessas paragens que, em 1282, Isabel de Aragão, então com 12 anos (canonizada 400 anos depois como Santa Isabel), entra na Igreja de São Bartolomeu para se casar com D.Dinis, rei de Portugal, que lhe dá o povoado como dote.

Situado a uma mesma distância de Lisboa e de Madri (em torno de 350 quilômetros dessas capitais), o município de Trancoso, no distrito da Guarda, subregião da Beira Interior, abriga 11 mil moradores e um patrimônio histórico e arquitetônico que engloba um antigo bairro judeu, provavelmente estabelecido no século 15 por judeus fugitivos da Espanha, após o édito de expulsão assinado em 1492 pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Nesse centro histórico rodeado por altas muralhas e um majestoso portão medieval – a antiga Porta d’El Rei em homenagem ao rei D.Dinis – está sendo construído pela municipalidade um museu judaico. Denominado “Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso”, em memória ao médico e filósofo judeu nascido em Trancoso, em 1603, o prédio terá uma sala de exposições, espaço museológico dedicado ao passado da presença judaica na região, sala de documentação bibliográfica e um pequeno templo de orações para visitantes judeus (Beth Mayim Haim – Casa das Águas Vivas). De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Julio Sarmento, está sendo investido 1,2 milhão de euros na construção do museu, com uma coparticipação comunitária de 85%.

Rabinos visitam Trancoso


Em dezembro de 2011 estiveram em Trancoso os rabinos Shlomo Riskin, presidente do “Centro para o Entendimento e Cooperação Judaico-Cristão de Israel” (Center for Jewish- Christian Understanding and Cooperation - CJCUC), e Elisha Salas, da organização “Shavei Israel” (que faz a conversão dos chamados “judeus perdidos”, aqueles descendentes dos judeus forçados a abandonar a religião), que atua em Portugal. Em visita ao local onde será implantado o museu, os religiosos mostraram-se entusiasmados com a solidariedade e o apoio do município de Trancoso e agradeceram à população, seus técnicos e os autores do projeto, arquitetos Gonçalo Byrne e José Laranjeira. “Este centro judaico dedicado a Issac Cardoso, uma destacada figura judaica portuguesa, e a sinagoga que vai comportar são uma expressão fantástica de que a memória dos perseguidos pela Inquisição e seus descendentes está viva, mais de 500 anos após a conversão forçada, a expulsão, a Inquisição e seus males, e a resistência, mesmo que em segredo, que preservou a cultura e a fé”, disse o rabino Riskin. 

Júlio Sarmento adiantou que serão produzidos vários conteúdos multimídia e que haverá referências a judeus naturais e residentes em Trancoso que foram vítimas da Inquisição. A historiadora Carla Santos, que investiga a presença judaica na região,  sustenta que os judeus já viviam em território português desde os primórdios da Idade Média e que essa vivência prolongou-se por um período de, pelo menos, mil anos, “balizados arqueológica e legalmente entre os anos de 482 e 1496”, data do édito de expulsão de Portugal da minoria religiosa. “Em consequência da expulsão dos judeus e mouros, alguns membros da comunidade judaica converteram-se ao cristianismo, ainda que, apenas, aparentemente. Naturalmente os mais abastados saíram do país constituindo parte da diáspora de origem sefardita”, explica.

Herança judaica

Outra estudiosa do tema, Antonieta Garcia, docente da Universidade da Beira Interior, afirma que é preciso aprofundar as investigações sobre as figuras judaicas que marcaram a região, mas cuja influência permanece desconhecida. “Por exemplo, onde houve uma forte presença judaica, o comércio teve um desenvolvimento espantoso. É o caso de Trancoso”, exemplifica. A historiadora aponta ainda como uma herança de prática religiosa e costumes judaicos, o forte significado da celebração da Páscoa. A proximidade com a Espanha é outro diferencial: “O que esta região tinha de diferente era a proximidade da fronteira. Desde que nasceu a Inquisição até o seu final, no século 19, circulavam muitos judeus neste local, entre Portugal e Espanha e por entre diferenças religiosas”, explica.

Atualmente várias excursões são realizadas tendo Trancoso e outras cidades do distrito da Guarda (antiga região da Beira Alta) como foco. Pesquisadores e turistas judeus de várias nacionalidades têm visitado essas localidades interessados em conhecer um passado medieval envolto em segredos e mistérios por força do poder do Santo Ofício que perdurou por três séculos em Portugal. A Rua da Alegria, no centro histórico de Trancoso, junto à muralha, seria uma das principais vias do antigo bairro judeu, cujos moradores, em 1496, antes do édito da expulsão, representavam a quinta parte de toda a população da cidade.

Um dos lugares mais característicos do antigo bairro é a “Casa do Gato Preto” ou a “Casa do Rabino”, que muitos acreditam ter sido uma sinagoga. O imóvel de arquitetura medieval apresenta desenhos de raízes hebraicas esculpidos na fachada principal. Investigadores interpretam como sendo as portas de Jerusalém, um pelicano ou pomba, quatro semblantes e o leão de Judá. Em um outro imóvel, descobriu-se uma mezuzá no interior da parede, artefato usado até hoje pelos judeus para santificar as suas casas. Colocado na parte superior do batente direito da porta de entrada, a mezuzá (do hebraico umbral) contém um pequeno rolo de pergaminho com duas passagens bíblicas e se constitui em uma proteção divina ao lar.

Sinais e caracteres gravados nas paredes de pedra e nos umbrais das portas da entrada das casas denominados cruciformes (cruzes de variados formatos) também revelam que aquelas habitações pertenciam aos chamados cristãos-novos, judeus que aparentemente professavam a fé cristã. Olhados com desconfiança pelos católicos tradicionais, que acreditavam que muitos desses conversos continuavam a praticar em segredo ritos judaicos, os cristãos-novos desenhavam cruzes nas portas de suas moradias com o intuito de serem poupados pela Inquisição, introduzida em Portugal em 1536.

Judeus ilustres

A cidade de Troncoso também é conhecida como o berço natal de Gonçalo Anes, o Bandarra (1500-1556), um misterioso trovador, provavelmente de ascendência judaica, que possuidor de um bom conhecimento das Escrituras, profetizou sobre o futuro do reino de Portugal. Seus versos messiânicos tiveram grande aceitação entre os cristãos-novos e serviu de inspiração e muitos escritores como Fernando Pessoa, o maior poeta português da era contemporânea. Acusado de judaísmo pela Inquisição, Bandarra – que era sapateiro de profissão – teve as suas trovas incluídas no catálogo de livros proibidos pela Igreja e foi condenado pelo tribunal do Santo Ofício a nunca mais interpretar a Bíblia e escrever sobre assuntos de teologia.

Sobre Bandarra, Fernando Pessoa escreveu: Sonhava, anônimo e disperso/ O Império por Deus mesmo visto,/Confuso como o Universo/E plebeu como Jesus Cristo./Não foi nem santo nem herói/Mas Deus sagrou com Seu sinal/ Este, cujo coração foi / Não português, mas Portugal (do livro “Mensagem” – uma coletânea de poemas sobre grandes personagens portugueses).

Já Isaac Cardoso, que dará seu nome ao Centro de Interpretação Judaica, embora nascido em Trancoso, ainda criança mudou-se com a família para a Espanha. Estudou em Salamanca e lecionou filosofia e depois medicina em Valladolid. Foi médico da corte real até que, em 1648, mudou-se para Veneza, onde assumiu publicamente a sua condição de judeu e adotou o nome de Issac (o de batismo era Fernando). De 1653 até o final de seus dias, em 1683, voltou a exercer a medicina em Verona, simultaneamente escrevendo dezenas de livros, entre eles, “Del Origen Del Mundo”, “Philosophia Libera” e “Las Excelências de los hebreus” (dedicado ao judeu português Jacob de Pinto), em que cita Bandarra como “o profeta de Trancoso”.

Encontro com Bento 16

No início de 2011, meses antes da visita a Trancoso, o rabino Shlomo Riskin se reuniu com o Papa Bento 16, no Vaticano, para falar sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro para o Entendimento e Cooperação Judaico-Cristão (CJCUC), entidade a qual preside e que promove o diálogo teológico e de fé com os cristãos que vivem em Israel. Membro do Grão-Rabinato de Israel, o rabino Riskin disse ao Papa que tem procurado aliviar a pobreza nessa comunidade religiosa. Também está empenhado em permanecer solidário com os irmãos e irmãs cristãos em Israel e advogar por eles. “Pela primeira vez na história dos judeus, nós, como maioria, devemos tratar das minorias religiosas, e é obrigação do judaísmo aderir ao preceito bíblico que diz: Amarás o estrangeiro que vive em tua terra.” De acordo com o rabino Riskin, o Papa se mostrou satisfeito e respondeu: “Temos de trabalhar juntos”.

Uma das ações propostas pelo CJCUC foi a de criar programas para instruir os rabinos de Israel e da diáspora no diálogo entre judeus e cristãos visando melhorar a compreensão e cooperação em questões religiosas e morais. “Eu tive a oportunidade de contar isso brevemente a Sua Santidade”, disse Riskin. “Falamos das atuais oportunidades de diálogo para que os cristãos que viajam a Israel possam conhecer mais as raízes judaicas de sua fé.”

Entusiasmado com o que viu em Trancoso, o rabino Riskin considera que o museu judaico vai se constituir em uma referência não só para Portugal, mas também e sobretudo para o mundo, valorizando a tradição e o passado da presença judaica em termos culturais, sociais, históricos e patrimoniais. “Funcionará como um centro de aglutinação para judeus e cripto-judeus que retornaram ou pretendem retornar à identidade judaica, sempre numa atitude de cultura, conhecimento, estudo e fé”, reafirmou Riskin que desde 1983 dirige a comunidade de Efrat, cidade que fica entre Belém e Hebron.

Em 24 de janeiro de 2012