Turquia: Repressão na Síria ameaça causar turbulência na região

O presidente turco, Abdullah Gul, alertou nesta quarta-feira que a violenta repressão do presidente sírio, Bashar al-Assad, à revolta que já dura oito meses na Síria ameaça "arrastar toda a região para turbulência e derramamento de sangue."

Os temores de Gul em relação à estabilidade regional seguem as críticas do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, no dia anterior, quando ele acusou Assad de "covardia" por apontar armas a seu próprio povo, evocando comparações com a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini. Sem rodeios, Erdogan disse para seu ex-amigo renunciar.

Em um sinal de que os líderes turcos podem estar indo além da retórica sobre a Síria, no passado considerada a vizinha mais amigável do membro da Otan, a mídia turca informou que o comandante da Turquia em terra havia inspecionado as tropas perto da fronteira.

"Nós empregamos enormes esforços publicamente e a portas fechadas a fim de convencer a liderança síria a liderar uma transição democrática", disse Gul em um discurso em Londres.

"Violência gera violência. Agora, infelizmente, a Síria chegou a um ponto sem retorno", acrescentou Gul.

O futuro de todo o Oriente Médio pode depender do destino da Síria, apontou Gul. "Definir essa luta democrática com linhas sectárias, religiosas e étnicas iria arrastar toda a região para turbulência e derramamento de sangue", advertiu.

A Organização das Nações Unidas diz que 3.500 pessoas foram mortas no levante, desencadeado por revoltas árabes que derrubaram líderes na Tunísia, Egito e Líbia. A Síria, que põe a culpa da instabilidade em "grupos terroristas armados", baniu boa parte da mídia independente.

Poucos especialistas acreditam que Assad, da seita minoritária Alawite, irá responder às revoltas com o tipo de mudança que muitos dos 22 milhões de cidadãos sírios, de maioria sunita, exigem.

Grupos de oposição na Síria pedem o desmantelamento da polícia estatal e do monopólio de poder do clã Assad, além de eleições livres e o fim da corrupção. Não está claro que controle eles exercem sobre aqueles que pegaram em armas contra o governo.

Assad, de 46 anos, parece preparado para um combate, tirando proveito dos temores de uma guerra sectária se o mosaico complexo etno-sectário da Síria quebrar. Ele pode levar em conta que nem as potências ocidentais, nem os vizinhos árabes correrão o risco de intervenção militar.

Os vizinhos da Síria -- Israel, Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia - temem as consequências de uma mudança de poder em uma nação em meio a diversos conflitos no Oriente Médio.

A instabilidade na Síria, um aliado do Irã xiita e do Hezbollah, poderia se espalhar para o Líbano ou o Iraque.

A maioria dos analistas acredita que Assad, que pode depender da lealdade de apenas duas unidades de elite Alawaite -- a Quarta Divisão Blindada e a Guarda Republicana -- não pode manter as operações militares atuais sem causar rachaduras nas forças armadas.

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