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    28/11/2011

    O Tanya

    Por Rachel Holzkenne

     Em 1796, um novo livro sobre filosofia judaica estava impresso e pronto a ser distribuído. Foi escrito por Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador do ramo Chabad do movimento chassídico, e em sua humildade ele o intitulou de Licutê Amarim, “uma compilação de ditos”. Muitos o chamaram simplesmente de “Tanya” (a primeira palavra da obra). 

    O Tanya rapidamente conquistou popularidade. A primeira edição tinha 15.000 exemplares. No ano seguinte uma segunda impressão, com 5.000 cópias, e um ano depois a terceira com 20.000 exemplares saiu da gráfica. Até a data de hoje o Tanya teve milhares de impressões e uma popularidade sempre crescente. Por que o Tanya foi tão inédito? Qual era o público alvo do Rebe, e qual seu objetivo para eles? 

    Olhando a página título do Tanya lemos a auto-declarada missão do Rebe, escrita com lucidez: … baseado no versículo: “Pois esta coisa está muito perto de você, em sua boca e em seu oração para que o faça” (Devarim 30:14), explicando claramente como está perto, tanto de maneira longa quanto curta, com a ajuda do Eterno, bendito seja. Vamos ao versículo que o Rebe cita como base para seus escritos. 

    No final de Devarim, Moshê faz um último discurso antes de seu falecimento. Nele Moshê faz esta declaração evasiva: “Pois essa coisa está muito próxima de você, em sua boca e seu coração, que você deve fazê-la.” Embora Moshê não especifique a que “coisa” está se referindo, pelo contexto de suas palavras fica claro para os comentaristas que aquilo que é “próximo ao seu coração” é amar a D'us, e aquilo que está “próximo de sua boca e ações” (i.e., “que você possa fazê-lo”) é o desempenho dos mandamentos de D'us. Moshê nos assegura que amar a D'us é próximo – acessível ao ser humano comum. 

    E levar um estilo de vida de Torá se torna um trabalho natural de amor quando se baseia no amor e na afeição pelo nosso Criador. Em outras palavras, comprometer-se com as restrições e obrigações que D'us dita não é como criar um personagem super imposto de moralidade para encobrir nosso verdadeiro ser animalesco. Ao contrário, com amor, as mitsvot de D'us ficarão perto de nós, elas ressoarão com tudo que realmente queremos da vida. 

    A maioria das pessoas tem uma afinidade natural com o dinheiro, um amor natural pela afeição e aprecia coisas boas. Porém para a maioria de nós, amar a D'us não vem simplesmente de maneira natural. O estresse, desapontamento e a apatia são obstáculos que se colocam no caminho dos que vivem inspirados. Porém Rabi Shneur Zlaman de Liadi vê nas palavras de Moshê uma afirmação e uma oportunidade. 

    Talvez seja possível desenvolver um relacionamento vibrante e emotivo com D'us. Tão confiante ele está, que devota os 52 capítulos do Tanya a explicar sistematicamente como concretizar a promessa de Moshê. Uma das primeiras coisas que o Rebe estabelece é que temos um amor inato por D'us. Um dom com o qual nascemos, um amor que jamais pode ser extinto. 

    O Rebe chama isso de ahavah misuteret, o (com frequência) “amor oculto”. Infelizmente este amor em geral se torna tão profundamente submerso em nossa consciência que não podemos senti-lo. Porém todos temos a capacidade de acessar este amor latente, despertá-lo e canalizar sua inspiração. 

     Às vezes o ahavah mesuteret se sente ameaçado e imediatamente entra em ação. Eis aqui um verdadeiro exemplo deste fenômeno: Morando em Hebron, Israel, nos anos de 1920, havia um adolescente judeu que se tornou alienado dos amigos e passou a sair com seus vizinhos árabes. Em 1929, um grupo de árabes irrompeu na Yeshivá de Hebron e massacrou mais de 50 pessoas a sangue frio. Naquele mesmo dia o garoto judeu estava jogando cartas com seus amigos árabes na casa deles quando os assassinos entraram na casa e gritaram: “Há algum judeu aqui?” 

    Os amigos árabes quiseram encobri-lo e gritaram: “Não!” A gangue saiu. Porém algo aconteceu dentro do rapaz judeu. Ele ficou inquieto e então, para desgosto dos seus amigos, saiu correndo da casa. Foi até o bando de assassinos e quando chegou perto gritou: “Eles estavam errados – eu sou judeu.” Foi imediatamente baleado e morreu. 

    Aparentemente seu amor por D'us não pôde tolerar ser abertamente negado e irrompeu para defender-se. Quando nossa identidade de amor não se sente radicalmente ameaçada, fica quieta e não nos domina. Ao contrário, espera que a estimulemos. O Rebe desenvolve uma notável estratégia para despertar este amor e o chama de “caminho curto e longo”. É longo porque exige esforço concentrado, mas curto porque é eficaz. 

    O Tanya fala ao judeu que se esforça profundamente para cumprir os mandamentos de D'us não por hábito ou obrigação social, mas sim para desenvolver um relacionamento com Ele. A metodologia do Rebe tem mudado a vida de milhões de pessoas que estudaram seu livro espetacular, o Tanya.

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