30 de abr. de 2011

29 de abr. de 2011

Kedoshim

Kedoshim


“O mais negativo da religião é que tira toda a responsabilidade ética do homem. Qualquer ato do mal pode ser justificado dizendo: se Deus é Todo-Poderoso e não o impediu, significa que o que eu fiz não estava errado. Se Deus quisesse que eu não mentisse ou não roubasse ou não matasse, Ele o teria impedido”. 

Assim, o grande filósofo da ética, Imanuel Kant, levantou uma das críticas mais fortes a toda religião. Segundo ele, a religião não apenas tira a responsabilidade ética da pessoa diante dela mesma, mas também diante do próximo por ele agredido. Kant insiste em que, quando uma pessoa religiosa já sente alguma culpa ou responsabilidade, ela surge apenas diante de Deus e não diante da pessoa agredida por ele. O perdão é solicitado de Deus e não do agredido. Deus é quem perdoará. Muitas vezes inclusive o perdão é pedido apenas por medo das consequências e não por verdadeira responsabilidade ética.

A parashá da semana, escrita pelo menos uns três mil anos antes de Kant nascer, desmonta maravilhosamente essa tese.

O texto começa dizendo “kedoshim tihiu ki kadosh ani”, “santos sereis, pois santo sou, Eu vosso Deus”. Ou seja, a instância divina não substitui a humana. Não é suficiente que Deus seja santo. Não estamos no mundo apenas para presenciar o que Deu é ou o que Deus faz. Não é Deus que faz tudo ou cuida de tudo e a quem devemos atribuir tudo passiva e irresponsavelmente. Pelo contrário. A instância divina é um modelo, um exemplo para imitarmos, um ideal para nós atingirmos um desafio constante de aperfeiçoamento Deus é santo e, portanto, nós devemos tentar sê-lo.

O midrash e depois Maimônides explicaram séculos depois que tudo o que atribuímos a Deus nos compromete e encoraja. Se Ele é bondoso, implica que você deve ser bondoso. Se Ele perdoa, indica que você tem que saber perdoar. Se Ele é sábio, significa que você precisa se esforçar por saber.

Na nossa era o rabino Mordechai Kaplan estabeleceu que Deus é a totalidade dos ideais humanos. Seu Deus é sua idéia da justiça, do amor, da verdade, do bem. Por isso escreveu: “não é tão importante saber o que Deus pede de nós ou pensa de nós e sim o que nós pensamos dele. O que Deus pensa ou pede será sempre uma especulação, pois não podemos conhecer Deus perfeitamente. O que nós pensamos de Deus é o que dizemos com respeito a tudo. O que acreditamos como valioso, verdadeiro e bom. O que deus pensa é mistério. O que nos pensamos dele diz respeito a nos mesmos.

A idéia de Deus não tira responsabilidades. Pelo contrário: as agrega, pois expressa nossas maiores aspirações pessoais e humanas que, colocadas em Deus, nos instam intensamente a alcançá-las.

A parashá segue com uma série de mandamentos éticos práticos que desafiam a consciência. Cada um deles acaba com a assinatura: Ani Ad-nai, ou seja, Eu sou Deus. O comentarista Rashi explicou que essa assinatura indica que Deus se coloca na intimidade da consciência, lá onde só cabe a verdade, e não há espaço para o autoengano. Segundo a parashá, Deus é a instância que nos leva justamente a assumir as maiores responsabilidades diante do tribunal mais exigente de todos: nossa intimidade, nossa verdade interior.

Shabat shalom,
Rabino Ruben Sternschein
Indique para um amigo!
O Rochedo e a estrela

O Rochedo e a estrela


A estréia do longa metragem O ROCHEDO E A ESTRELA da cineasta  Katia Mesel, acontecerá na solenidade de Premiação/Encerramento do 15ª  Cine PE Festival do Audiovisual , na sexta-feira, 06 de maio, a convite de Alfredo Bertini. 

Em 35 mm, o documentário de 85 minutos, dirigido pela pernambucana fará  a sua primeira exibição na Mostra Especial de Longas-Metragens como hors concours, sendo parte das homenagens no encerramento do Festival no Centro de Convenções.’

O longa O Rochedo e a Estrela, da Arrecife Produções, é um documentário com reconstituições de época, e aborda momentos marcantes  da historia de Pernambuco, ao longo do seu desenvolvimento histórico. 

É um panorama de como no século XVII o judaísmo foi permitido e se expandiu em Pernambuco, hora se adaptando a novas situações culturais, hora mantendo suas bases de referência para povos de várias nações.  Mostra também a grande mistura étnica nordestina em cujas veias corre o sangue português, africano, índio, judeu, holandês.

Enfoca principalmente o período Holandês e como Mauricio de Nassau foi fundamental ao favorecer esta liberdade religiosa, que permitiu a existência de uma comunidade judaica e a fundação no Recife, da primeira sinagoga das Americas, a Zur Israel.Narra como a expulsão de holandeses e judeus em 1654 culminou com a fundação da primeira colônia judaica da América do Norte, em Nova Amsterdã (Nova York), por judeus que tiveram que deixar Pernambuco.

O ROCHEDO E A ESTRELA, é um filme que já nasce internacional, pelo tema abordado, ao tratar das relações do Brasil com a Europa e com a América, não só do ponto de vista religioso e cultural, mas sob o aspecto econômico e comercial, sendo o açúcar o principal produto . É uma mistura lúdica de momentos do passado, algumas representações de época, interpretações, simbolismos, sonhos e liberdade.

A diretora Katia Mesel trabalhou com 60 horas de material, gravado em mais de 300 locações no Brasil, Holanda, Estados Unidos e Curaçao, 1.000 ilustrações, mapas e documentos digitalizados, 30 entrevistados brasileiros e estrangeiros, 2 línguas faladas, português e inglês. Foram 18 reconstituições de época, envolvendo mais de 200 pessoas, entre profissionais e figurantes, quase todos pernambucanos. A direção de fotografia do Rochedo e a Estrela é de Rodolfo Sanchez, Katia Mesel assina também o roteiro e a direção de arte, e a trilha sonora original é do eterno Lula Côrtes.
O trailer do filme pode ser conferido no endereço:

http://www.youtube.com/watch?v=KV0MhWI1OcI
Mordechai Anielewicz

Mordechai Anielewicz


Coisas Judaicas
Mordechai Anielewicz, o líder de 23 anos do Levante do Gueto de Varsóvia, escreveu em sua última carta (datada de 23 Abril de 1943):
"O que aconteceu está além dos nossos sonhos mais selvagens. Duas vezes os alemães fugiram de nosso gueto. 
Uma de nossas companhias resistiu por quarenta minutos, e a outra, por mais de seis horas... Não tenho palavras para descrever-lhes as condições em que os judeus estão vivendo. Apenas alguns escolhidos vão resistir; mais cedo ou mais tarde, todo o resto perecerá.
A morte esta lançada. Nos abrigos em que nossos câmaras estão se escondendo, nem mesmo uma vela pode ser acesa devido à falta de ar... O principal é: O sonho da minha vida se tornou realidade: Eu vivi para ver a resistência judaica no gueto, em toda sua grandeza e glória."
Juramento - Abraham Shlonsky (1900-1973)
Em nome dos meus olhos que viram o Holocausto
E carregaram clamores sobre meu coração agoniado
Em nome da piedade que me ensinou a perdoar
Até em dias terríveis quando perdoar era doloroso
Pronunciei um voto – Recordar tudo
Recordar tudo e não esquecer de nada.
Não esquecer nada. Por dez gerações.
Até que se apague a ofensa toda, completamente
Até que todas as humilhações sejam mortas
Juro não esquecer esta noite de furias
Juro não retomar a meu caminho amanhã
Sem haver aprendido também esta vez nada
Israelense está entre as vítimas de atentado em Marrakech

Israelense está entre as vítimas de atentado em Marrakech

JERUSALÉM, Israel — Uma mulher israelense e seu marido perderam a vida no atentado que deixou 16 mortos na quinta-feira em Marrakech, indicaram nesta sexta veículos da imprensa israelense.
Mishal Weizman Zikri, de 30 anos, grávida de mais de seis meses, estava no Marrocos, país natal de seu marido, Masud Zikri, para visitar a família durante o Pessach, a Páscoa judaica.
O casal vivia em Xangai, na China.
Um holandês faleceu e outros dois ficaram gravemente feridos nesta quinta-feira no atentado que deixou ao menos 15 mortos na cidade marroquina de Marrakech, informou à AFP o ministério das Relações Exteriores em Haia.
"Um holandês morreu", declarou o porta-voz da chancelaria Cristophe Kamp, acrescentando que outro cidadão e uma jovem, ambos da Holanda, ficaram gravemente feridos.
A explosão aconteceu em um café no centro de Marrakech, muito frequentado por turistas.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenaram o "atroz atentado" de Marrakech.
Os 15 países membros do Conselho de Segurança da ONU "condenam fortemente o ataque terrorista" em Marrakech e "expressam sua profunda simpatia e sinceras condolências às vítimas deste ato atroz".
O secretário-geral da ONU está "consternado" com o ataque, disse seu porta-voz Martin Nesirky.

28 de abr. de 2011

Abbas minimiza ameaça de Israel e diz que reconciliação favorece paz

Abbas minimiza ameaça de Israel e diz que reconciliação favorece paz


O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, minimizou nesta quinta-feira o tom de ameaça de Israel e disse que a reconciliação histórica com o grupo rival palestino Hamas vai favorecer as negociações de paz na região.

Nesta quarta-feira, os grupos rivais Hamas e Fatah, de Abbas, anunciaram um acordo histórico de reconciliação para a formação de um governo interino e a convocação de eleições gerais. O acordo, que deve ser assinado no próximo dia 5 de maio no Cairo, levaria à união da Cisjordânia e faixa de Gaza, hoje sob comando separado do Fatah e do Hamas, respectivamente.

Pouco depois do anúncio, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, advertiu a ANP para que escolha "entre a paz com Israel ou a paz com o Hamas". O premiê israelense disse ainda que a mera ideia de uma reconciliação palestina "reflete a debilidade da ANP" e leva a questionamentos se o Hamas tomará à força a Cisjordânia, como fez com a faixa de Gaza em 2007 --e que levou Israel e decretar um amplo boqueio ao território.

O mesmo argumento foi utilizado pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, que advertiu nesta quinta-feira que a recente reconciliação entre Hamas e Fatah pode levar o movimento islamita a tomar o controle da Cisjordânia.

Abbas, contudo, preferiu um tom mais otimista e indicou nesta quinta-feira que negociações de paz com Israel ainda seriam possíveis durante o mandato de um novo governo interino, formado como parte de um acordo de união com o Hamas.

Abbas disse ainda que a Organização pela Libertação da Palestina, que ele preside e que não inclui o Hamas, ainda seria responsável por "lidar com a política e as negociações".

Estas foram as primeiras declarações de Abbas desde o anúncio do acordo.

Um líder do alto escalão do Hamas disse, em condição de anonimato, que as negociações de paz não fazem parte do acordo.

Restaurar a união palestina é visto como crucial para reviver qualquer prospecto de um Estado palestino baseado em coexistência pacífica com Israel. As negociações de paz com Israel, atualmente congeladas diante do avanço dos assentamentos judaicos em solo palestino, são realizadas pelas pelo Fatah e ANP. O Hamas condena qualquer diálogo.

Nas últimas semanas, fontes do governo de Israel disseram que Netanyahu tem intenções de lançar uma nova iniciativa diplomática para impulsionar as negociações de paz com os palestinos, rompidas desde setembro passado.

Desde que Israel rejeitou a extensão de uma moratória sobre a construção em assentamentos judaicos em território palestino, as lideranças palestinas apostam em uma campanha para obter reconhecimento internacional e da ONU (Organização das Nações Unidas) a um Estado dentro das fronteiras antes da guerra de 1967.

27 de abr. de 2011

Fatah e Hamas superam divergências e acordam governo interino

Fatah e Hamas superam divergências e acordam governo interino


Representantes das facções palestinas rivais Fatah e Hamas chegaram nesta quarta-feira no Egito a um entendimento sobre todos os temas nos quais discordavam, incluindo os referentes a formação de um governo e uma data para as eleições gerais.
Uma fonte egípcia de alta representatividade citada pela agência Mena disse que o entendimento aconteceu durante as negociações realizadas no Cairo entre uma delegação do grupo nacionalista Fatah, presidida por Azam al-Ahmad, e outra da organização Hamas, liderada por Moussa Abu Marzuk. O encontro desta quarta-feira foi apenas um de muitos encontros secretos.
O acordo deixou muitas autoridades surpresas, já que Fatah (que comanda a Cisjordânia) e Hamas (que controla a faixa de Gaza) têm um histórico de profundas divisões sobre como reagir ao conflito com Israel.
"Os dois lados assinaram um rascunho para um acordo. Todos os pontos de diferença foram superados", disse Taher Al-Nono, porta-voz do Hamas. Ele afirmou ainda que Cairo deve convidar em breve as duas partes para assinar um acordo.
Restaurar a união palestina é visto como crucial para reviver qualquer prospecto de um Estado palestino baseado em coexistência pacífica com Israel. Fatah, principal corrente palestina até a vitória do Hamas nas eleições de 2006, apoia a negociação com Israel, já o grupo islâmico rejeita qualquer diálogo.
Al Ahmad e Abu Marzouk disseram que o acordo resolve todos os pontos de discórdia, incluindo a formação de um governo de transição, acordos de segurança e a restruturação da Organização pela Libertação da Palestina para que o Hamas passe a integrá-la.
Um funcionário do alto escalão da inteligência egípcia disse que Mahmoud Abbas, presidente do Fatah, e o líder do Hamas, Khaled Meshaal, que fica refugiado em Damasco, devem comparecer à assinatura do acordo no Cairo.
Massada - Uma história de resistência

Massada - Uma história de resistência


O ano 72 d.C. estava próximo de seu fim quando um sentinela judeu, que montava guarda num posto avançado nas montanhas, avistou uma nuvem de poeira aproximando-se no horizonte. Ele sabia que aquilo só podia significar uma coisa: os romanos estavam chegando. Foi dado o alarme. A última fortaleza da resistência judaica despertou. A guerra havia chegado a Massada.


A fortaleza

Massada, que, provavelmente, significa "lugar seguro" ou "fortaleza", é um imponente planalto escarpado, situado no litoral sudoeste do Mar Morto. O local é uma fortaleza natural, com penhascos íngremes e terreno acidentado. Na parte leste, a face do penhasco se eleva 400 metros acima da planície circundante. O acesso só é possível através de uma difícil trilha que serpenteia pela montanha.

As vertentes norte e sul são igualmente escarpadas, mas o lado oeste é um pouco mais fácil de atingir. Ali, embora a montanha ainda se eleve a mais de 100 metros de altitude, o terreno sobe com uma inclinação de vinte graus até cerca de 13 metros do topo. O platô de Massada tem a forma aproximada de um losango, com cerca de 600 metros de comprimento e 300 metros na parte mais larga.

Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século, é a principal fonte de informação sobre a história de Massada. Embora alguns de seus relatos e números sejam muitas vezes questionados, grande parte do que ele descreveu foi confirmado pela arqueologia.

Massada tornou-se uma fortaleza judaica durante o período dos hasmoneus (cerca de 150-76 a.C.). Mais tarde, o rei Herodes fez ampliações e reforçou suas defesas (37-31 a.C.). Como era de se esperar, as reformas de Herodes foram impressionantes. Uma dupla muralha de pedra, com 140 metros de extensão e quase seis metros de altura em alguns pontos, estendia-se por todo o perímetro do platô. No espaço de 4 metros de largura que separava as duas muralhas, foram construídos vários quartos, que eram usados para guardar armas e alojar as tropas. A muralha tinha quatro portões e mais de trinta torres.


Terma de Masada.


Herodes construiu dois palácios com todo
conforto e luxo da época: pisos de mosaicos,
afrescos, colunatas e até uma piscina.

Herodes também construiu dois palácios com todo conforto e luxo da época: pisos de mosaicos, afrescos, colunatas e até uma piscina. Para garantir a auto-suficiência de seu refúgio no deserto, Herodes mandou plantar hortaliças e grãos na montanha, além de construir enormes cisternas escavadas na pedra para coletar água da chuva, com capacidade para mais de 40 milhões de litros. Suas despensas guardavam jarros de azeite, vinho, farinha e frutas. Herodes também tinha um estoque de armas suficiente para um exército de dez mil homens.

Após a morte de Herodes, a fortaleza de Massada foi ocupada por uma guarnição romana que ficou aquartelada ali por quase cem anos.

Os sicários




Durante o censo de Quirino (6 d.C., cf. Lc 2.2), surgiu entre os judeus daquela região uma quarta filosofia ou seita (além dos fariseus, saduceus e essênios). Josefo apontou essa seita como responsável pela destruição do Templo de Jerusalém, em 70 d.C. Esse partido defendia a rebelião contra Roma e não reconhecia nenhuma autoridade, senão a divina. Seus seguidores eram conhecidos como sicários, do latim sica, que significa "adaga curva". Alguns estudiosos identificam os sicários com os zelotes.

Josefo não tinha muitas palavras boas a dizer sobre os sicários. Ele os definiu como bandidos, que não assassinavam só os romanos, mas matavam e saqueavam seus próprios compatriotas, cometendo crimes bárbaros e fomentando a revolta, sob uma capa de patriotismo e ideais libertários.

No ano de 66 d.C., um grupo desses rebeldes entrou furtivamente na fortaleza de Massada e dizimou a guarnição romana aquartelada ali. Pouco depois, o líder dos sicários, Manaém, chegou a Massada com seus homens, saqueou o arsenal e seguiu em direção a Jerusalém, como líder autoproclamado da revolta contra Roma. Chegando em Jerusalém, Manaém agiu com extrema crueldade, assassinando todos os que não se submetiam à sua autoridade. Sua opressão tornou-se tão insuportável que provocou um levante num grupo de judeus de Jerusalém que consideravam sua tirania pior que a de Roma. Nessa revolta, Manaém foi preso e executado. Muitos de seus seguidores, inclusive um parente seu chamado Eleazar ben Jair, fugiram para Massada, onde Eleazar tornou-se líder dos sicários.

Durante os seis anos seguintes, os sicários de Massada demonstraram fervorosa devoção religiosa. Entretanto, em total incoerência com essa aparente piedade, Eleazar e seus homens costumavam atacar as povoações vizinhas, até mesmo as de judeus, para roubar provisões. A vila de En-Gedi, situada a cerca de 25 quilômetros ao norte de Massada, foi alvo de seu ataque mais cruel. Os sicários investiram contra a aldeia durante a Festa dos Pães Asmos, roubaram todos os mantimentos, expulsaram os habitantes judeus e, segundo Josefo, mataram setecentas pessoas.

Quando Jerusalém foi finalmente destruída pelos romanos, no ano 70 de nossa era, um pequeno punhado de sobreviventes dirigiu-se para Massada. Na época em que os romanos atacaram a fortaleza na montanha, no final de 72 d.C., a população judaica que ali vivia já somava 967 pessoas.

O cerco

Após a tomada de Jerusalém, os romanos começaram a operação de limpeza das áreas conquistadas. Dois baluartes judaicos remanescentes – Herodion e Maqueronte – foram rapidamente esmagados. Massada foi deixada para o novo procurador, Flávio Silva.

Silva marchou em direção a Massada com a Décima Legião e uma tropa auxiliar de milhares de soldados, além de milhares de prisioneiros judeus que trabalhavam como escravos, produzindo alimentos e fornecendo água para o exército.

Ao chegar à base da fortaleza de Massada, Silva começou a elaborar uma estratégia para enfrentar o desanimador desafio que se erguia à sua frente. Após avaliar a situação, ele decidiu, primeiramente, construir oito acampamentos de base em torno da fortaleza. Um deles foi colocado na montanha que dava vista para Massada, no lado sul. O local era um ótimo posto de observação, permitindo acompanhar as atividades dos sicários. O quartel-general de Silva estava localizado num dos acampamentos maiores, a noroeste da fortaleza.

O primeiro objetivo de Silva era impedir que os sicários escapassem. Para isso, construiu uma muralha de três quilômetros de extensão e quase dois metros de espessura, circundando toda a montanha.


O general Silva decidiu construir uma rampa de assalto
sobre a elevação natural na encosta oeste de Massada,
um plano inclinado que deve ter tido uns 160 metros
de comprimento, 15 metros de largura e 8 metros
de profundidade, e que ainda hoje pode ser visto.

O segundo objetivo de Silva era transpor a muralha defensiva no alto da montanha e penetrar na fortaleza. Ele sabia que um cerco prolongado estava fora de questão, pois Massada tinha uma abundante reserva de provisões. Então, decidiu construir uma rampa de assalto sobre a elevação natural na encosta oeste de Massada. Esse feito não foi nada desprezível. As tropas de Silva levaram grande quantidade de terra e pedras para o local, e usaram vigas de madeira de tamargueira, com 60 centímetros a 1 metro de comprimento, para escorar a pilha de entulho. Com esse material, construíram um plano inclinado que deve ter tido uns 160 metros de comprimento, 15 metros de largura e 8 metros de profundidade.

Mas os sicários sabiam muito bem quais eram as intenções dos romanos, e não ficaram assistindo de braços cruzados. Enquanto os romanos tentavam construir sua rampa, os judeus juntavam grandes pedras, pesando uns 50 quilogramas cada uma, e as mandavam rolando morro abaixo. Além disso, outros sicários arremessavam pedras menores com suas fundas.

Mas a resistência foi em vão. O plano inclinado foi concluído e as enormes máquinas de guerra dos romanos entraram em ação. Uma dessas torres tinha entre 20 e 30 metros de altura, e, lá de cima, os romanos lançavam uma chuva de setas e pedras sobre os atarantados rebeldes.

A torre também tinha um poderoso aríete, composto de uma enorme tora de madeira com uma ponta de ferro no formato de cabeça de carneiro. A tora era suspensa por cordas, dentro da máquina de guerra. Os soldados empurravam a máquina até perto da muralha ou dos portões e, ao chegarem a uma distância suficiente, puxavam a tora para trás e depois a empurravam para a frente com toda a força. Josefo comentou que nenhuma muralha ou torre conseguia resistir à violência desses golpes.

Sabendo disso, os sicários usaram um sistema engenhoso para reforçar a muralha exterior. Usando as vigas dos telhados de 90 por cento das construções de Massada, eles construíram uma muralha de madeira por dentro da muralha de pedra e encheram de terra o espaço entre as duas. A muralha interna "deveria ter entre 20 e 25 metros de extensão, cerca de 18 metros de espessura e 7 a 8 metros de altura".

Aparentemente, o aríete tinha pouco efeito sobre este tipo de muralha, exceto o de compactar ainda mais a terra, a cada novo golpe. Mas o sucesso da nova muralha de madeira não durou muito, pois ela tinha uma grande fraqueza: podia ser queimada.

Silva ordenou que suas tropas lançassem tochas flamejantes sobre a muralha, e, em pouco tempo, ela estava em chamas. Quando um vento vindo do norte soprou as chamas de volta na direção dos romanos, os judeus cercados sentiram a esperança renascer. Mas os ventos mudaram outra vez, levando as chamas novamente para a muralha. Enquanto suas defesas queimavam rapidamente, os sicários perceberam que o fim estava próximo.

O suicídio

Em vez de investirem para a matança, os legionários voltaram a seus acampamentos para passar a noite, preparando-se para desferir o ataque final pela manhã. Porém, durante a noite, Eleazar ben Jair convenceu seus compatriotas, embora com certa dificuldade, de que era melhor morrerem livres do que sofrerem a tortura que certamente estaria reservada para eles e suas famílias, nas mãos dos romanos. O suicídio coletivo era preferível à escravidão. Com grande tristeza, cada chefe de família matou sua mulher e seus filhos. Em seguida, foram sorteados dez homens para matar os restantes. Desses, um foi selecionado para matar os outros nove, incendiar o palácio onde todos haviam tombado e, depois, suicidar-se.

Com o raiar do sol, as tropas romanas precipitaram-se pelas fendas da muralha, preparadas para entrar em combate contra a resistência, mas tudo o que encontraram foi o silêncio. Intrigados, os soldados gritaram para atrair os guerreiros. Em vez disso, viram surgir das sombras duas mulheres e cinco crianças, que haviam escapado do massacre da noite anterior escondendo-se em cavernas subterrâneas. Os sobreviventes contaram aos romanos o que os sicários tinham feito, mas eles só acreditaram quando entraram no palácio incendiado e contemplaram o monte de cadáveres.

As mortes ocorreram no décimo quinto dia do mês de nissan, segundo o calendário judaico, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos do ano de 73 d.C.

Atualmente, o moderno Estado de Israel homenageia Massada, não necessariamente por seus defensores, mas por seus ideais. As palavras do hino nacional israelense expressam o anseio do coração de todo judeu, desde que os romanos romperam as defesas de Massada: "Viver em liberdade na terra de Sião e Jerusalém".
Israel's top 10 tourist sites

Israel's top 10 tourist sites



Masada became the most visited pay-to-enter tourist site in 2010, climbing above the Jerusalem Biblical Zoo and the Ramat Gan Safari Park, according to Dun & Bradstreet Israel.
Last year, some 762,992 people visited Masada, the ancient fortification near the Dead Sea, while 718,902 people visited the second most popular site, the Jerusalem Biblical Zoo.

Masada reported that its revenue rose 26 percent to NIS 34 million in 2010, compared to NIS 25.7m. in 2009.

The Hermon National Park (Banias), one of the sources of the Jordan River in the Golan, also rose, from ninth place in 2009, to fourth place in 2010, with 663,000 visitors.
The trailways of the Ramat Gan Safari Park weren't quite as busy in 2010 as in 2009, when the safari park was the second most popular site. In 2010, it fell to fifth most popular pay-to-enter site.

As tourism to Israel grew last year, so too did the overall number of visitors to paid tourist sites across the country. According to Dun & Bradstreet Israel the aggregate revenue of Israel's top ten pay-to-enter tourist sites rose 13% to NIS 143 million in 2010.

The top 10 sites listed in order:

1. Masada
2. Jerusalem Biblical Zoo
3. Caesarea Antiquities National Park
4. Hermon National Park (Banias)
5. Ramat Gan Safari Park
6. Ein Gedi Nature Reserve
7. Hamat Gader Hot Springs
8. Underwater Observatory, Eilat
9. Kumran Caves, Dead Sea
10. Yamit 2000 Water Park, Holon


Noa Tishby, Hollywood hotshot and Israel advocate

Noa Tishby, Hollywood hotshot and Israel advocate

Actress Noa Tishby

Actress, model, singer and producer Tishby broke new ground by selling In Treatment to HBO, paving the way for Israeli TV in America.

Photo by Yaniv Edri for Zmanim Modernim
Sexy, smart, and trained to wield a weapon… Israeli actress and producer Noa Tishby.

Smart, sexy and successful, 30-something actress/producer Noa Tishby is in a class by herself. 


Not only is Tishby the first Hollywood honcho who can boast that her Israeli army service trained her to "wield any weapon like she means it and kick some serious ass," as she playfully reveals on herpersonal website, she's also unafraid to parlay her starpower into political clout on behalf of her native country.

"I started Act for Israel at the end of 2010," she tells ISRAEL21c in utterly unaccented English. Designed in cooperation with the Ministry of Foreign Affairs as a digital nexus for Israel advocacy, the organization aims "to win the war of ideas" and provide opportunities for media movers and shakers to experience Israel for themselves.
"I was frustrated by the lack of available information, and after the [Gaza] flotilla incident I saw the need to do something," she explains.
Sexiest woman in Israel
"Action" may as well be Tishby's middle name. She's been a household word in Israel since playing the lead in the musical King David at 16, followed by a major role on Israel's prime-time drama Ramat Aviv. Numerous TV shows and films later (as well as the first English-speaking album by an Israeli artist, which hit the top of the charts), Tishby's image was splashed across billboards and magazine covers in Israel and Europe.
By the time she was voted "sexiest woman in Israel" in 2007, she had one foot firmly planted in Los Angeles, racking up credits in films and TV shows including NCISCSI: MiamiLas Vegas and Nip/Tuck.
"I've been going back and forth for about nine or 10 years," she says. "When people ask where I live, I say ‘Tel Aviv and LA.' I go to Israel every two to three months."
Tishby broke new ground by selling In Treatment to HBO. She is co-executive producer for this Emmy- and Golden Globe-winning drama that premiered in 2008, based on the award-winning BeTipul -- the first Israeli television show to become an American series.
Actress Noa Tishby
Photo by Yaniv Edri for Zmanim Modernim
"When you are in Israel, you see what you’re fed in the media is not necessarily true,” says Noa Tishby.

Through her Noa's Arc production company, Tishby brought two additional Israeli television projects to HBO and another to MTV. The owner of rights to numerous television, film and theater projects from Israel and elsewhere, Tishby says only that she's "working on a couple of things," but word has it that she may bring King David to Broadway.
Changing perceptions in Hollywood
She's proud of having forged a new link between her two homes. "When I arrived in LA, there wasn't the kind of symbiotic relationship between Israel and Hollywood that exists today," she says.
But ask what accomplishment is her greatest source of pride, and Tishby becomes introspective. "Being able to have a career I love and a marriage I love is something to be proud of," she responds after a moment of thought.
She and her Australian husband, Andrew Günsberg, enjoy skiing together - they recently returned from the slopes in Montana - and doting on their white Labrador, Tuli.
Her striking good looks belie the truth that Tishby doesn't get much beauty rest. She simply has too much to do, much of it involving Israel advocacy. A vocal member of AIPAC (the American Israel Public Affairs Committee) and the Israeli Leadership Council), last December she hosted a star-studded Broadway gala for the OR Movement, an organization dedicated to developing and populating the Negev and Galilee.
And now there's Act For Israel, whose website declares, "We believe that Israel has the right to live in peace and security, and that all people deserve the right to live in dignity. Our goal is to share this centrist position with a wide audience to correct misinformation, end demonization, stop delegitimization, and to give Israel a well-needed voice."
In mid-March, the group sponsored its first press expedition for influential reporters and bloggers Claire Berlinski, Chuck DeVore, Seth Mandel, Tim Mak and Mollie Ziegler Hemingway. "It was extremely successful. When you are in Israel, you see what you're fed in the media is not necessarily true," says Tishby, who also continues to accept film and TV roles.
Growing up with four sisters and a brother in Tel Aviv, she spent a lot of time on the historic Kibbutz Degania in the Galilee, which her grandmother helped found. This is still one of her favorite spots on earth.
As a resident of both TA and LA, Tishby finds these two flashy cities quite dissimilar. "Life in Tel Aviv starts later and ends later, very much like in Europe," she says. "LA is very work-oriented, which I love, but nightlife in Tel Aviv is way better. It's a lot more accessible."
A smooth navigator of both cultures, Tishby feels that importing Israeli entertainment has shifted perceptions in Hollywood. "When they hear ‘Israel,' those in the industry definitely have new ideas of what they think of -- not war and conflict, but good material and content. This is very important to me."
Fast facts: Noa Tishby
Favorite movies: Casablanca and Moulin Rouge.
Last movie seen: Paul.
Favorite music: The Scottish pop band Travis, Queen, the Beatles and Israeli artist Gidi Gov-- "anything melodic that I can sing to and chill out to."
Favorite foods: Everything but cilantro.
Greatest personal fear: Disappointing people.


 By Abigail Klein Leichman
O Papel da Web e dos blogueiros no Oriente Médio

O Papel da Web e dos blogueiros no Oriente Médio



Num desdobramento da crise no mundo árabe, os insurgentes sírios perseguidos em seu país, promovem os protestos on-line a partir do exterior.


Em Beirute, num quarto silencioso, os dedos dos blogueiros sírios, como Rami Nakhle, dançam freneticamente sobre o teclado do computador, redigindo e enviando às suas listas de amigos em Damasco e outras cidades sírias, a massa de informações escrita e por imagens, da cadeia de TV Al-Jazeera, sobre a jornada mais sangrenta até agora da insurgência na Síria mantendo seus compatriotas a salvo das mentiras distribuídas pela imprensa estatal do regime.

Rami Nakhle, um dissidente sírio escondido em Beirute, coordena a cobertura dos protestos na Síria na sexta feira direto de seu apartamento.
À medida que os acontecimentos ocorriam, os nomes dos usuários surgiam e repentinamente desapareciam. O Twitter estourava com provocações agitadoras e insultos cruzados. O Facebook sobrepujou o G-mail e o Skype quando Nakhle se uniu a um grupo de discussão de sírios exilados que fomentava, informava e, mais ainda, dava forma ao maior desafio já enfrentado pela família Al-Assad em suas quatro décadas no poder ditatorial na Síria.
Nakhle escrevia: "Escutem isso", enquanto mostrava um vídeo com uma multidão cantando a exigência da queda do governo. "Isto, na Síria é inacreditável!", dizia ele a todos. Diferentemente das insurgências no Egito, na Tunísia e na Líbia, que foram televisadas para o mundo todo, na Síria ela está caracterizada pela ação de grupo de autodidatas patriotas no exílio, que enviam imagens e notícias que, embora incompletas, são esclarecedoras, e vão formando uma opinião pública subterrânea à repressão ostensiva do regime da ditadura de Al-Assad.
Há semanas, um pequeno número de ativistas, espalhado pelo mundo, do Oriente médioa, passando pela Europa e até nos Estados Unidos, conseguem se coordenar cruzando todos os fusos horários para fazer entrar na Síria, por contrabando, centenas de celulares conectados por satélites, modems, computadores portáteis e câmeras que tanto fotografam como filmam.
Lá chegando, de todos os modos, seus compatriotas ludibriam os controles da ditadura sobre a Internet com softwares recebidos por e-mail e fazem uploads de vídeos para a rede mundial através de conexões telefônicas do tipo 'dial-up'. Este trabalho possibilita o que até agora parecia ser impossível de ser feito.
Em 1982, a ditadura síria impôs regras severas sobre a imprensa para ocultar, por certo tempo, o massacre de pelo menos 10.000 pessoas na cidade de Hama, durante a feroz repressão sobre uma rebelião islâmica. Mas, neste fim de semana, o mundo pode testemunhar – quase em tempo real - os gritos de fúria e o pranto dos que caíam, enquanto as forças de repressão abriam fogo sobre os que acompanhavam os funerais dos mortos nas manifestações de protesto. Os ativistas fizeram cambalear o governo do presidente Bashar al-Assad, forçando-o a enfrentar a realidade de que tinha se rendido quase por completo ao discurso e à iniciativa da revolta de seus opositores, dentro e fora do país. "A atitude paranóica do governo fica cada vez mais evidente", disse Joshua Landis, professor de estudos sobre o Oriente Médio da Universidade de Oklahoma. "Estes ativistas romperam por completo o equilíbrio de poder dentro do regime, e tudo isso graças aos meios de comunicação social".
De fato, há diversas apreciações sobre a profundidade da rebelião popular em diferentes localidades e cidades, muito embora ninguém duvide que a insurgência seja real e crescente. Os ciber-ativistas sírios, no exílio, relançam slogans de unidade para uma revolta que, segundo insiste o governo, é fomentada por militantes islâmicos fundamentalistas. É até possível, mas as vozes dos manifestantes que chegam de contrabando do exterior afirmam sentir o contrário dos seguidores do ditador, entre eles a próspera elite y as amedrontadas minorias de cristãos e de seitas muçulmanas heterodoxas que não ousam contrariar o regime de Damasco.
Nakhe, de 28 anos, se encontra nesse conflito a partir de uma posição bem singular. Cheio de idealismo juvenil, em 2006 abandonou sua cidade natal e se mudou para Damasco, onde descobriu a Internet. "Um mundo totalmente novo para mim", disse, e logo ampliou seu ativismo com campanhas on-line pela libertação de presos políticos e até coisas mais cruciais, como acabar com o estado de sítio que vigora na Síria há quase trinta anos.
Adotou o pseudônimo de Malath Aumran e armou uma celeuma no Twitter e no Facebook publicando as fotos de 32 homens aprisionados pela ditadura. Em dezembro passado, a polícia secreta estava atrás dele. "Sou considerado suspeito", disse Nakhe. Em janeiro, contrabandistas de moto o levaram numa estressante viagem até a fronteira com o Líbano, por onde escapou por pouco da polícia. "Sou um ciber-ativista - disse. E acrescentou, "enquanto puder estar conectado, vou aonde a Internet alcança".
Na sexta feira, emagrecido e com seus olhos verdes injetados de sangue, Nakha circulou uma torrente de informações: uma conversa frenética no Skype com 15 pessoas na Síria, um vídeo clipe proveniente de Tartus, um telefonema de um amigo de Damasco, e consultas a jornalistas sobre possíveis contatos em cidades remotas do país.
Nakhe faz parte, literalmente, de uma rede que cobre todo o planeta, cujos membros incluem uma mulher sirioamericana de Chicago que simplesmente se fartou de escutar a rede de TV Al-Jazeera e de não fazer nada, e Ausama Monajed, um ativista londrino nascido em Damasco que maneja seu carro e, ao mesmo tempo, com seu computador conectado na Internet, no assento do acompanhante, dita suas opiniões por um software que converte suas palavras em texto, tanto em inglês como em sírio. Monajed calcula que haja entre 18 e 20 pessoas comprometidas a tempo integral com a coordenação e cobertura dos protestos na Síria, embora se jacte de contar com uma rede ampla de contatos que lhe permite conseguir quem o traduza do inglês para o francês às 4 da manhã. Monajed tem um contato em cada província da Síria; estes por sua vez, têm – cada um – uma rede de pelo menos 10 pessoas. "E o regime não pode fazer nada para impedi-los", afirmou.
Muitos deles dizem contar com apoio financeiro de empresários sírios. Depois de observar, em janeiro último, o êxito do governo egípcio em bloquear o acesso à Internet e às redes de telefonia móvel, fizeram uma tentativa concertada de evitar que o mesmo ocorresse na Síria e enviaram telefones que funcionam por satélites e modems a todo o país. Ammar Abdulhamid, um ativista de Maryland, estimou que foram enviados cerca de 100 telefones por satélites, câmeras e laptops. Essa rede espontânea e improvisada permitiu coordenar as manifestações contra um governo que põe em prática as noções soviéticas ensinadas e aplicadas pelo Ministério da Informação e os comunicados de governo.
Uma página do Facebook chamada Syria Revolution, administrada no exterior, se converteu no púlpito da insurgência síria, e as declarações que são aí publicadas se constituem de fato nas políticas desta revolta.
Nakhe disse que têm instado para que as pessoas utilizem palavreado livre de conotações religiosas ou sectárias dos islamitas. "Essa gente merece a nossa preocupação", admitiu.

Uma imagem de Muhammed Radwan, um egípcio-americano que foi preso na Síria nesta última sexta feira, como apareceu no sábado na TV estatal síria.
            Numa aparente tentativa de dar embasamento à alegação do governo sírio de que os protestos da semana passada resultaram de um estratagema proveniente do exterior, a ditadura síria por sua TV estatal enviou ao ar o que chamou de uma "confissão" de um egípcio-americano que foi preso pela polícia secreta em Damasco na sexta-feira.
            A agência de notícias estatal síria publicou que Muhammed Radwan, um engenheiro egipcio-americano que tem trabalhado na Síria por cerca de um ano, "disse que ele visitou Israel em segredo e confessou ter recebido dinheiro do exterior em troca do envio de fotos sobre os acontecimentos de rua na Síria".  O relatório também alega que "uma pessoa que fala espanhol de Columbia" tinha contatado Radwan "porque ele vivia na Síria e tinha uma câmera equipada com telefone móvel" e lhe ofereceu pagar 100 libras egípcias (cerca de 16 dólares) por cada foto e vídeo que enviasse.
            Diversos blogueiros e ativistas no Egito estão tentando atrair a atenção para a prisão de Radwan. Hossam el-Hamalaway, um jornalista e ativista, postou esta foto abaixo no seu blog mostrando seu amigo Radwan, em 29 de janeiro, depois de ter sido ferido por chumbo de cartucheira de baixo calibre disparado contra manifestantes no Cairo.
A foto de Radwan tem surgido no Twitter, e El-Hamalawy urge que seus leitores usem as redes sociais para espalhar a notícia da prisão de Radwan.
            O poder sem precedente de os ativistas de longa distância enviarem suas mensagens tem criado problemas para Camille Otrakji, um blogueiro político que vive em Montreal no Canadá. Onde outros enxergam coordenação, ele vê manipulação, argumentando que a capacidade dos ativistas de manipular imagens acaba gestando uma revolta mais sectária do que nacional, e surda aos medos das minorias. "Eu considero isso uma decepção", disse Otrakji, uma voz um tanto solitária no tumulto da Internet. "É como embrulhar um produto que não tem nada a ver com o que está dentro do embrulho. A coisa toda está sendo manipulada". 


Quantos Judeus Celebram o Pessach com Seder?

Quantos Judeus Celebram o Pessach com Seder?



Números divulgados pelo Escritório Central de Estatísticas de Israel revelam que somente 22% dos judeus seculares não comeram alimentos fermentados durante o período de Pessach. Sessenta e três por cento acredita que a influência da religião se tornou mais forte nos últimos anos.

Dados divulgados na semana passada pelo Escritório Central de Estatísticas mostram que a maioria dos israelenses seculares e tradicionais celebra o Seder de Pessach. Segundo uma pesquisa social, 82% dos seculares celebram o Seder, assim como 93% daqueles que se definem como "tradicionais, mas não tão religiosos" e 98% daqueles que se definem como "religiosos tradicionais".

No entanto, comer comida kasher de Pessach não é tão popular como a celebração do Seder. Noventa por cento dos "religiosos tradicionais" são estritos e não comem chametz (alimentos fermentados) durante o período, enquanto que apenas 68% dos "tradicionais, mas não tão religiosos" e 22% dos judeus seculares fazem o mesmo.



A pesquisa também analisou a percepção que os israelenses têm sobre a natureza da sociedade. Oitenta por cento acreditam que a religião tem uma forte influência sobre a vida no Estado de Israel, e 63% consideram que a influência da religião se tornou mais forte nos últimos anos (62% dos religiosos, seculares e seculares tradicionais e 60% dos haredim).

Mais da metade da população judaica (58%) considera que as relações entre os grupos religiosos e seculares não são boas. Os seculares têm esse sentimento mais forte do que os dos tradicionais, religiosos e haredim (67% contra 56%, 43% e 41%, respectivamente).

Cerca de um quarto (27%) da população religiosa acha que a área residencial em que moram tem se tornado mais religiosa nos últimos anos. Cinqüenta e nove por cento acham que a sua área residencial não se alterou, enquanto que 6% acham que sua área se tornou menos religiosa.

Metade dos moradores de Jerusalém diz que sua vizinhança se tornou mais religiosa, em comparação com 22% dos habitantes de Tel Aviv, 23% dos de Haifa e 18% dos moradores de Rishon Lezion. Em geral, cerca de metade da população judaica (49%) procura viver em uma área com um nível de religiosidade semelhante à sua.

Cinqüenta e sete por cento dos judeus de Israel são a favor da separação da religião do Estado. 77% dos judeus seculares apóiam esta separação enquanto que o apoio é significativamente menor entre os religiosos (23%) e judeus ortodoxos (14%).

A maioria da população judaica (64%) gostaria que os restaurantes, cinemas e bares permanecessem abertos no Shabat, 62% gostariam que eventos esportivos fossem realizados no Shabat (89% dos seculares) e 53% são a favor da disponibilidade de transporte público no Shabat.
Militante do grupo Hezbollah é preso em  Dom Pedrito

Militante do grupo Hezbollah é preso em Dom Pedrito


Na cidade, Abdul Rahman Khalaf, de 38 anos, é conhecido pelo nome de Alexandre

Nem mesmo as pessoas mais íntimas sabiam que o comerciante Haytham Abdul Rahman Khalaf, 38 anos, tinha um lado secreto na sua vida. Estabelecido há cinco anos em Dom Pedrito, na fronteira com o Uruguai, onde é conhecido pelo nome de Alexandre, ele e o seu cunhado Moacir Godoy, 32 anos, foram presos suspeitos de aplicar um golpe de R$ 100 mil em uma rede de lojas. Os dois estão presos no Presídio Estadual de Dom Pedrito. Paralelamente, o caso está sendo investigado pelo delegado Augusto Cavalheiro Neto, da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cachoeirinha.
A história começa em 2005, quando Khalaf desembarcou na estação rodoviária de Dom Pedrito. Logo conseguiu um emprego de balconista na loja de um palestino chamado Omar. Em 2008, os dois brigaram, e Khalaf comprou um pequeno comércio. Prosperou e logo a seguir adquiriu outras lojas. Envolveu-se com a filha de uma família de fazendeiros da região. O casal não vive junto, mas tem uma filha.
Foto por Reprodução/Senad 
Outro traficante, Abu Hamban: autoridades paraguaias dizem que ele faz parte do grupo Hezbollah.


No início do ano passado, segundo a polícia, ele descobriu um problema técnico no sistema de cartão de crédito de uma rede de lojas e iniciou uma bem-sucedida carreira que o transformou em suspeito de estelionato. Seis meses depois, Khalaf teria aplicado um golpe em Cachoeirinha e entrou na mira do delegado Neto. Os policiais montaram uma operação batizada de Sentinela, que culminou com a prisão da dupla e na apreensão de seis computadores, que ainda não foram periciados.

Foi durante a investigação que o delegado descobriu que Khalaf responde a dois inquéritos na Polícia Federal (PF), por contrabando e estelionato, em Naviraí (MS) e Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai. E que, em 2004, ele foi citado durante uma investigação da PF de contrabando de minério radioativo no Amapá. E que teria ligações com o movimento extremista Hamas, que atua nos Territórios Palestinos.

— Durante o interrogatório, ele negou que tenha ligações com o Hamas. Disse apenas que é simpatizante da luta — comenta Neto.
Khalaf falou a verdade para o delegado Neto. Ele não tem vínculo com o Hamas. Nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP) da PF, consta que ele era ligado ao Hezbollah, movimento extremista libanês.


Imigrantes Falashmura Comemoram o Primeiro Pessach em Israel

Imigrantes Falashmura Comemoram o Primeiro Pessach em Israel



Mais de mil imigrantes etíopes da região de Falashmura estarão comemorando o seu primeiro Pessach em Israel, muitos reunidos depois de anos separados, o que dá a essa ocasião um novo significado para o êxodo.
Os recém chegados cidadãos israelenses comemoraram o êxodo judeu em casa com suas famílias, ou ao lado de milhares de etíopes nos sedarim organizados pela Agência Judaica e pela Fraternidade Internacional de Cristãos e Judeus, realizados em 16 centros de absorção por todo o país. "Não tenho palavras para descrever a grandeza das minhas emoções" disse Macrau Tia, um homem Falashmura que se mudou para Israel há dois meses e atualmente reside em um centro de absorção de Nahariya. "Eu esperei por este momento por seis anos" Tia emocionado falou: "Apenas o pensamento de um seder na Terra Santa, me faz chorar".
Em novembro de 2009 o governo israelense se comprometeu para trazer mais de 8.000 judeus da comunidade judaica etíope em Falashmura para Israel. O governo nomeou a Agência Judaica como a responsável para trazer os imigrantes num prazo de três anos. A Agência Judaica cuidou dos imigrantes Falashmura em conjunto com a Fraternidade Internacional de Cristãos e Judeus, uma organização que investe centenas de milhões de shekels para a imigração e absorção em Israel, com ênfase em relação aos imigrantes etíopes.