28 de set. de 2010

"Não seremos influenciados pelo Ocidente", diz chanceler de Israel na ONU

 Em discurso na 65ª Assembleia Geral da ONU, o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, declarou que seu país não será "influenciado" pelo Ocidente e que a solução de dois Estados não garante a paz no Oriente Médio.

Durante o pronunciamento moderado e sem maiores novidades sobre o processo de paz entre israelenses e palestinos, Lieberman defendeu o sionismo e reiterou que Israel não é "só o local" onde seu povo está, mas também a própria definição do que os judeus "são" como etnia.
Em discurso às Nações Unidas, Lieberman disse que a solução dos dois Estados não garante a paz na região Ligado à extrema direita, o chanceler mostrou posições mais conservadoras do que as do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, ao dizer que "a criação de um Estado palestino" não garante a paz no Oriente Médio.

Mike Segar/Reuters
Em discurso às Nações Unidas, Lieberman disse que a solução dos dois Estados não garante a paz na região.
"Conflitos entre povos com línguas, culturas, religiões e tradições diferentes costumam ser de complexa resolução", disse Lieberman, citando exemplos como a Tchecoslováquia.
Em alusão à expansão dos assentamentos judaicos e à definição de fronteiras de um potencial Estado palestino, Lieberman disse que as decisões precisam ser tomadas levando em consideração fatos históricos -- demonstrando uma linha de argumentação polêmica.
"Não estamos falando em mover populações, mas sim em definir fronteiras que reflitam melhor as realidades geográficas da região", disse após citar os 4.000 anos de história do povo judeu e ler, em hebraico, passagens do profeta Isaías na Bíblia.
"Peço que o profeta Isaías nos oriente na solução deste conflito", concluiu. 

FIM DA MORATÓRIA
 
As declarações de Avigdor Lieberman chegam no mesmo dia em que o líder palestino Mahmoud Abbas deixou claro que pode abandonar as negociações de paz caso Israel não volte a suspender as obras nas colônias judaicas, liberadas na segunda-feira (27) após dez meses de interrupção. 

A decisão final, no entanto, só será divulgada no dia 4 de outubro, após uma reunião com os países da Liga Árabe. 

"Pedimos a moratória enquanto existirem negociações porque enquanto há negociação, há esperança", afirmou Abbas um dia após uma reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. 

Em uma entrevista coletiva ao lado de Sarkozy, Abbas declarou que desejava que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, prolongasse por três ou quatro meses a suspensão da colonização na Cisjordânia.
Abbas (esq.) se reuniu com Sarkozy na segunda-feira (27), em Paris; líder palestino falou sobre diálogo de pazNa segunda-feira (26), as colônias da Cisjordânia reiniciaram as obras de construção ao fim de uma moratória de 10 meses que não foi prorrogada por Israel.

John Schults/Reuters
Abbas (esq.) se reuniu com Sarkozy na segunda-feira (27), em Paris; líder palestino falou sobre diálogo de paz
Não queremos interromper as negociações. Mas se a colonização continuar, seremos obrigados a interrompê-las", afirmou o presidente palestino, para quem Netanyahu "tem que saber que a paz é mais importante que a colonização".
"O processo de paz é uma oportunidade histórica. E não sei quando voltará a aparecer", completou Abbas, que se disse "preocupado".
"A segurança nos territórios palestinos não estará ligada à negociação. Continuem ou não as negociações, a situação de segurança seguirá sob controle. Enquanto eu for presidente essa será minha política", garantiu.
Abbas acrescentou que os americanos pensam que a solução do conflito entre israelenses e palestinos "permitirá apagar os focos de violência e instabilidade no Oriente Médio". 

ENVIADO DOS EUA QUER "SALVAR" DIÁLOGO
Escavadora remove terra e pedras na retomada das construções em assentamentos judaicos na CisjordâniaEm vista da possibilidade de quebra do processo de paz retomado em Washington no início deste mês, o governo americano decidiu mandar George Mitchell, o enviado especial do país ao Oriente Médio para a região, onde tentará "salvar" as negociações.

Jim Hollander/Efe
Escavadora remove terra e pedras na retomada das construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia
Mitchell permanecerá na região por uma semana, e vai participar de vários encontros em Jerusalém e Ramallah para desbloquear o processo de pacificação, segundo fontes diplomáticas americanas. 

O mediador americano tentará encontrar uma saída aceitável para israelenses e palestinos após a crise provocada pelo reinício das construções nos assentamentos na Cisjordânia ocupada na última segunda-feira. 

LIGA ÁRABE
 
Abbas disse aos jornalistas nesta segunda-feira (26), em Paris, que não haverá um posicionamento oficial palestino antes do dia 4 de outubro.
O porta-voz do governo palestino, Nabil Abu Rudeina, disse que uma resposta só poderá ser divulgada após uma consulta dos palestinos os líderes dos países que integram a Liga Árabe.
"Neste dia, o presidente Abbas consultará os governos árabes e corresponderá à direção palestina adotar a decisão adequada e a resposta correta", completou Rudeina. 

APELO
 
As construções de casas foram retomadas nesta segunda-feira em várias colônias israelenses na Cisjordânia ocupada, poucas horas depois do fim da moratória de dez meses. 

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, fez um apelo a Mahmoud Abbas para que não abandone a mesa de negociação, minutos depois de terminar, à meia-noite de domingo (19h em Brasília), a moratória. 

A retomada das obras começou de forma discreta. Na colônia de Adam, tratores preparavam o terreno para a construção de 30 residências. 

O fim da moratória autoriza qualquer pessoa ou instituição que dispõe de uma permissão de construção em uma colônia a iniciar as obras. O governo deixou sem efeito uma série restrições relacionadas com as permissões de construção impostas aos municípios das colônias. 

Apesar das pressões internacionais e da ameaça da Autoridade Palestina de suspender as negociações, Netanyahu não prolongou a suspensão da colonização -- o que enfrentaria dura oposição dentro de seu governo e do eleitorado israelense.

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