29 de set. de 2010

Ministros pedem demissão de chanceler israelense após discurso na ONU

Ministros do Partido Trabalhista pediram a demissão do ministro das Relações Exteriores e líder do partido de extrema-direita Israel Beitenu, Avigdor Lieberman, depois de um discurso deste na ONU expressando as posições de seu partido e contradizendo a posição oficial do governo israelense.

O ministro Avishai Braverman acusou Lieberman de "subversão" e pediu ao premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que ele seja imediatamente afastado do cargo de chanceler.

"Seu discurso alucinado foi bem planejado, com o objetivo de acirrar os ânimos e sabotar o processo de paz", afirmou Braverman.

Outro ministro do Partido Trabalhista, Itzhak Hertzog, disse esperar que os avanços do processo de negociação de paz com os palestinos levem a uma "mudança na composição do governo o mais rápido possível", em uma referência à possibilidade de Netanyahu afastar Lieberman e seu partido da coalizão governamental e de colocar, em seu lugar, o partido de centro Kadima, liderado pela ex-chanceler Tzipi Livni.

'Impraticável'

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira, Lieberman afirmou que um acordo de paz com os palestinos dentro de um ano é "impraticável" e disse que a paz talvez seja possível em "algumas décadas".

Lieberman defendeu a polêmica ideia de transferir cidadãos palestinos israelenses a um futuro Estado palestino em troca de terras que possibilitem a criação deste novo Estado, e que os assentamentos israelenses nos territórios ocupados sejam anexados a Israel.

As posições de Lieberman contradizem a posição oficial do primeiro-ministro Netanyahu, que afirma querer alcançar um acordo de paz com os palestinos, baseado na solução de dois Estados, dentro de um ano.

A exclusão dos povoados árabes de Israel e a inclusão dos assentamentos é uma proposta do partido de Lieberman, Israel Beitenu, e não do governo israelense.

O chanceler israelense se encontra em uma posição delicada desde que assumiu o cargo.

Ele próprio anunciou que não vai participar das negociações de paz, pois mora em um assentamento e sua participação poderia incorrer em uma "contradição de interesses".

Lieberman mora no assentamento de Nokdim, a sudeste da cidade palestina de Belém, na Cisjordânia.

Analistas

Analistas locais também pediram a demissão do chanceler.

Alon Liel, ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores, disse ao site de noticias Ynet que ficou "boquiaberto" quando ouviu o discurso do chanceler na ONU.

"Ele (Lieberman) ainda não percebeu que existe uma diferença entre ser líder do partido Israel Beitenu e ser chanceler", disse Liel. "Depois de um discurso como esse, Lieberman tem que sair."

"Como ex-diretor do Ministério, posso afirmar que este é o pior momento da diplomacia israelense, sendo conduzida por um homem que cospe, em público, na cara do primeiro-ministro de Israel."

A analista política do canal estatal da TV israelense, Ayala Hasson, disse que o discurso de Lieberman faz parte de sua campanha, para se colocar como o "verdadeiro líder da direita em Israel".

O primeiro-ministro Netanyahu declarou que o discurso de Lieberman na Assembleia Geral da ONU "não foi coordenado com seu gabinete".

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