Rei da Jordânia acusa Israel de tentar impedir país de ter programa nuclear

Reservas de urânio foram descobertas recentemente perto dos desertos de Aman.

JERUSALÉM - O rei Abdullah, da Jordânia, acusou Israel nesta terça-feira, 15, de tentar prevenir seu país de desenvolver um programa nuclear de fins pacíficos, cujo objetivo seria a produção de energia nuclear, informa o jornal israelense Ha'aretz.

O rei revela em uma entrevista ao jornal americano Wall Street Journal, citado pelo Ha'aretz, que Israel se aproximou da Coreia do Sul e da França para pedir que esses países não vendessem tecnologia nuclear à Jordânia. As ações do Estado judeu têm contribuído para piorar as relações já estremecidas com os árabes.

"Há países, como Israel, que estão mais preocupados com nossa independência econômica do que com a questão nuclear, e eles estão expressando esses temores", disse Abdullah. "Há muitos reatores em todo o mundo e vários outros sendo fabricados. Por isso os israelenses deveriam cuidar da sua própria vida", completou.

As autoridades israelenses negaram investir em um plano para prevenir a Jordânia de obter tecnologia nuclear, também segundo o Ha'aretz.

A Jordânia planeja construir quatro reatores nucleares dentro de seu território e está negociando com a Coreia do Sul, com a França e com os EUA, este último país um histórico aliado de Israel e também o mais provável fornecedor da tecnologia atômica.

Grandes quantidades de urânio foram descobertas recentemente em reservas nos desertos perto de Aman, e a Jordânia quer aproveitar o material na produção de energia. Os EUA, porém, exigem que o país não produza seu próprio combustível nuclear e condiciona a venda de reatores à compra de material nuclear no mercado internacional por parte dos jordanianos.

A Jordânia argumenta que é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) da ONU e que tem o direito de produzir seu próprio combustível nuclear. O país não quer abrir mão de suas reservas de urânio pois crê que o material garantiria o crescimento econômico.

Segundo o governo do país, qualquer tentativa de tentar impedir que o urânio seja utilizado seria uma violação do TNP. Os planos da Jordânia são exportar o material nuclear e energia elétrica para países como a Síria e o Iraque.

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