28 de fev. de 2009

O Mês de Adar

O Mês de Adar



Segundo o Sêfer Yetzirá, cada mês do ano judaico tem uma letra do alfabeto hebraico, um signo do Zodíaco, uma das doze tribos de Israel, um sentido e um membro controlador do corpo que correspondem a ele.

Adar é o décimo segundo mês do Calendário Judaico.A palavra Adar é cognata ao hebraico Adir, que significa "força". Adar é o mês da boa sorte para o povo judeu. Nossos Sábios dizem a respeito de Adar: "Sua mazal [sorte] é forte."Purim, o dia festivo de Adar, comemora a "metamorfose" da aparente má sorte dos judeus (como pensava Haman) para boa. "Quando chega Adar, nós intensificamos em júbilo." A Festa de Purim assinala o ponto alto na alegria do ano inteiro.

O ano judaico começa com o júbilo da redenção de Pêssach e termina com a alegria da redenção de Purim. "O júbilo quebra todas as barreiras".O júbilo de Adar é o que faz deste mês o mês "grávido" do ano (i.e., sete dos dezenove anos no ciclo do calendário judaico são "anos embolísmicos" – "grávidos" com um mês de Adar adicional).Quando há dois Adars, Purim é celebrado no segundo Adar, para conectar a redenção de Purim com a redenção de Pêssach. Assim, vemos que o segredo de Adar e Purim é "o fim está cunhado no início".


Letra: kuf.

A letra kuf significa "macaco" (kof), o símbolo do riso no mês de Adar. Segundo a expressão "como um macaco no rosto do homem", o kuf também simboliza a fantasia, um costume aceito em Purim. Antes do milagre de Purim, o próprio D’us "ocultava Sua face" de seus filhos Israel (em toda a história de Purim, como está relatada no Livro de Ester, Seu nome não aparece uma vez sequer). Ao esconder inicialmente a própria identidade, fingindo ser outra pessoa, a essência interior do verdadeiro "eu" da pessoa torna-se revelado. Em Purim, atingimos o nível da "cabeça desconhecida" ("a cabeça que não se conhece nem é conhecida dos outros"), o estado de total ocultação existencial do ser pelo ser, pelo mérito de "dar à luz" um supremo novo ser.

A palavra kuf também significa "buraco da agulha". Nossos Sábios ensinam que nem mesmo no sonho mais irracional pode-se ver um elefante passando pelo buraco de uma agulha. Mesmo assim, em Purim vive-se esta grande maravilha que, na Cabalá e Chassidut, simboliza a verdadeira essência infinita da luz transcendente de D’us entrando no contexto finito da realidade física e revelando-se por completo à alma judaica.Mazal: dagim (Peixes).

Peixes são criaturas do "mundo oculto" (o mar). Assim também são as almas de Israel, "peixes" que nadam nas águas da Torá. A verdadeira identidade e sorte de Israel é invisível neste mundo. A revelação de Purim, a revelação da verdadeira identidade de Israel, reflete a revelação do Mundo Vindouro (o milagre de Purim é entendido para refletir neste mundo o supremo milagre: a ressurreição no Mundo Vindouro).

A palavra "dag" (singular de "dagim") é interpretada para representar o "tikun" (retificação) de da'ag – "preocupar-se". Na Torá, a palavra para peixe – dag – na verdade aparece escrita uma vez como da'ag: na época de Nechemiá, alguns judeus não observantes profanaram a santidade do Shabat vendendo peixe no mercado de Jerusalém. Seu "peixe" tinha se transformado em excessiva "preocupação" pelo ganho do próprio sustento.

Na direção oposta, o peixe do júbilo de Purim, a forte (embora inicialmente oculta, como peixe) mazal de Adar, converte toda a preocupação na alma do homem na suprema alegria da redenção com o novo nascimento do ser, da "cabeça desconhecida".

Tribo Naftali.

Na Cabalá, o nome Naftali é lido como duas palavras: nofet li, "doçura é para mim". A mitsvá em Purim, de atingir o nível da "cabeça desconhecida" ao beber vinho, etc., é expresso, nas palavras de Nossos Sábios, como: "A pessoa em Purim é obrigada a tornar-se doce, até que seja incapaz de diferenciar entre 'maldito seja Haman' e 'abençoado seja Mordechai'".

Esta é a expressão de júbilo e riso ao nível de Naftali – nofet li. Nosso Patriarca Yaacov abençoou seu filho Naftali: "Naftali é um cervo enviado [mensageiro], que dá [expressa] palavras eloqüentes." As "palavras eloqüentes" de Naftali provocam júbilo e riso aos ouvidos de todos que escutam. Ao final da Torá, Moshê abençoou Naftali: "A vontade de Naftali está satisfeita…" Na Chassidut é explicado que "vontade satisfeita" (seva ratzon) refere-se ao nível da vontade na dimensão interior de keter, onde toda experiência é puro deleite, o estado de ser no qual a pessoa não deseja nada além de si mesma.As três letras que compõem o nome Haman possui seis permutações. Haman = 95; 6 x 95 = 570 = rasha (perverso), razão pela qual Haman é chamado "Haman, o perverso". 570 (também) Naftali, que leva alegria e risos ao jogar o jogo de seis permutações de Haman.

Na Cabalá, está explicado que a "eloqüência" de Naftali reflete sua sabedoria para permutar palavras em geral (bem como examinar gematriot, tais como arur Haman ["maldito seja Haman"] = 502 = baruch Mordechai ["bendito seja Mordechai"], o "jogo mais prazeroso" (sha'ashu'a) do estudo de Torá.Como foi explicado previamente, os meses de Tishrei e Cheshvan correspondem (segundo o Arizal) às duas tribos de Ephraim e Menashe, os dois filhos de Yossef. Yaacov abençoou seus dois netos Ephraim e Menashe para serem como peixes: "E eles serão como peixes no meio da terra." Estas duas tribos (o início do ano a partir de Tishrei) refletem-se em Adar e Naftali (o final do ano a partir de Nissan), pois Adar divide-se em dois (assim como Yossef se divide em dois) peixes (Ephraim e Menashe).

O apoio numérico para isso é que quando Ephraim (331) e Menashe (395) se combinam com Naftali (570): 331 mais 395 mais 570 = 1296 = 36 ao quadrado = 6 para o quarto poder.

Sentido: Riso (tzchoc).

O riso é a expressão da alegria desenfreada, que resulta de testemunhar a luz saindo da escuridão – "a vantagem da luz sobre as trevas" – como é o caso do milagre de Purim. O epítome do riso na Torá é o caso de Sara no nascimento de Yitschac (cujo nome deriva da palavra tzchok): "D’us fez-me rir, quem quer que me escute rirá comigo." Dar à luz aos 90 anos (e Avraham aos 100), após ser estéril e fisicamente incapaz de ter filhos, é testemunhar a Divina Luz e o milagre emergindo da total escuridão. A palavra em hebraico para "estéril" é composta das mesmas letras (na mesma ordem) que a palavra para "trevas".

Purim vem da palavra pru, "crescei e multiplicai-vos". Sobre Yitschac, a personificação do riso na Torá, diz-se que "o temor [fonte de reverência, i.e., D’us] de Yitschac." Esta expressão também pode ser lida como "o temor rirá" – a essência do medo se metamorfoseará na essência do riso. Quanto a Purim, o temor de (o decreto de) Haman se transforma no riso exuberante da Festa de Purim.Controlador: o baço.Nossos Sábios declaram explicitamente que "o baço ri".

À primeira vista, isso parece paradoxal, pois o baço é considerado o local do "humor negro", a fonte de todos os estados de depressão e desespero. Assim como descrevemos acima, todos os fenômenos de Adar e Purim são essencialmente paradoxais, pois todos eles derivam da "cabeça desconhecida", e todos eles representam estados de transformação existencial e metamorfose. A "metodologia" na Torá que "modela" estes fenômenos é a sabedoria da permutação, como foi descrito acima. No que diz respeito ao "humor negro" – "mará shechorá" – suas próprias letras permutam-se para grafar "hirhur sameach" – "um pensamento feliz!"

27 de fev. de 2009

Hezbollah afirma estar pronto para enfrentar Israel

Hezbollah afirma estar pronto para enfrentar Israel

O número dois do movimento xiita Hezbollah, xeque Naim Kassen, afirmou que sua organização está "pronta" para um novo conflito com Israel, mas estimou que aos israelenses "não é conveniente uma nova guerra no Líbano".

Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, publicada nesta sexta-feira, o dirigente do grupo desmentiu o envolvimento do Hezbollah nos recentes disparos de foguetes do território libanês contra Israel, afirmando que "as circunstâncias atuais não justificam isto".

Israel bombardeou com sua artilharia em 21 de fevereiro passado a região de Qlailé, no sul do Líbano, em represália aos disparos de foguetes contra o Estado hebreu a partir do território libanês, reavivando as tensões na região.

"Prometemos uma resposta" à morte de Imad Moghniyé, um dos chefes do Hezbollah, assassinado em Damasco em 2008. "É nosso direito, mas não é do interesse de Israel declarar uma nova guerra".

26 de fev. de 2009

Show conjunto de judia e árabe incomoda esquerda e direita

Show conjunto de judia e árabe incomoda esquerda e direita

Show conjunto de judia e árabe incomoda esquerda e direita

Ethan Bronner

THE NEW YORK TIMES

Achinoam Nini, cantora e ativista da paz, há muito provoca controvérsia. Conhecida no exterior por seu nome artístico, Noa, ela já gravou com artistas árabes, se recusou a se apresentar na Cisjordânia ocupada, condenou os assentamentos israelenses na região e cancelou concertos por causa de ameaças de bomba da extrema direita.Mas ultimamente é a esquerda que está furiosa com Nini. Escolhida por Israel para representar o país no Festival da Canção Eurovision – que neste ano será realizado em maio em Moscou, com uma audiência esperada na televisão de 100 milhões de espectadores – Nini pediu se podia levar consigo sua atual colaboradora artística, a cantora árabe israelense Mira Awad.

O comitê de seleção gostou da ideia de ter tanto uma árabe quanto uma judia na competição pela primeira vez. Mas por coincidir com a guerra de Israel em Gaza e com a ascensão de Avigdor Lieberman, o político ultranacionalista que ameaça os árabes israelenses com um juramento de lealdade, a escolha do comitê foi rotulada por muitos na esquerda e na comunidade árabe como um esforço para embelezar uma situação horrível.

Uma petição começou a circular exigindo que a dupla se retirasse da disputa, dizendo que estavam dando a falsa impressão de coexistência em Israel e tentando proteger o país das críticas que merece. Ela acrescentou: "Cada tijolo no muro desta falsa imagem permite que o exército israelense despeje mais 10 toneladas de explosivos e mais bombas de fósforo".

Nem Nini, 39 anos, nem Awad, 33 anos, se deixaram abalar. Mas como se consideram defensoras da paz, ficaram um tanto surpresas. O movimento antiguerra, elas dizem, parece ter se transformado em uma força de apologia ao Hamas. Isto, juntamente com a guinada política para a direita em Israel, significa que apesar das duas estarem sendo enviadas para representar esta sociedade mista e complexa, elas também se sentem abandonadas por ela.

– Eu estou muito preocupada com a inclinação aos extremos tanto no lado israelense quanto no palestino – disse Awad, enquanto ela, Nini e o colaborador artístico delas, o guitarrista Gil Dor, faziam uma pausa no ensaio para discutir a controvérsia. – Esta não é a minha visão de um Estado palestino, um Estado de extremistas religiosos no qual as pessoas das quais eles não gostam são baleadas nas pernas. E então a eleição israelense premiou a direita.

Os três estão preparando quatro canções, todas compostas em partes iguais de hebreu, árabe e inglês, e buscando reconhecer a dificuldade inerente na coexistência.

"E quando choro, choro por todos nós, minha dor não tem nome", diz a letra de uma das canções. "Para onde podemos ir daqui? Irmã, tem sido uma longa noite".

Awad é um dos 1,5 milhão de cidadãos árabes entre os mais de 7 milhões de habitantes de Israel. As duas mulheres já colaboram há quase oito anos. No auge da segunda intifada, há seis anos, elas gravaram uma versão de We can work it out dos Beatles, que se transformou em um sucesso internacional.

Awad, filha de um médico árabe da Galiléia e de uma mãe búlgara, mora em Tel Aviv. Ela é mais conhecida em Israel como a atriz que aparece em uma popular comédia da TV, além de atuar ultimamente em uma forte peça teatral a respeito do conflito entre israelenses e palestinos, em cartaz no Cameri Theater, em Tel Aviv.

Mas é Nini que conta com uma verdadeira reputação internacional. Ela já vendeu mais de 1 milhão de álbuns e conta com um forte público na Europa, especialmente na Espanha, Itália e França, onde se apresenta com frequência. Ela tem uma voz cristalina acompanhada por vocais de apoio judeus iemenitas que dão à sua música uma rica qualidade étnica. Após ter passado sua infância em Nova York, fala inglês de forma impecável e combina vários instrumentos e ritmos para produzir música de vários estilos:

– Carrego uma bandeira multicultural, rompendo barreiras entre religiões. E também sou uma embaixadora da boa-vontade da ONU. Então me sinto como algo fusion, como Barack Obama.

Nini, apesar de admirada em Israel, é mais popular no exterior. Sua música, diferente daquela da maioria dos astros pop, é menos uma reflexão da sensibilidade de seu próprio país e mais um esforço de expressar algo universal – um motivo para o painel ter achado que ela poderia conquistar a quarta vitória de Israel no Eurovision em três décadas. Os dois principais programas humorísticos de Israel a retratam como mais interessada na Itália do que em Israel, assim como explorando Awad para atender seu interesse próprio.

Awad, de origem interracial, também é uma estranha em sua própria terra, uma cantora e atriz árabe cristã em um país dominado por judeus e muçulmanos. Isso explica em parte o laço entre elas. Durante a guerra, Nini postou uma carta em seu blog condenando os radicais islâmicos do Hamas e pedindo aos seus "irmãos palestinos" que se unam para eliminar o que chamou de monstro horrível do Hamas. Isto foi amplamente interpretado como um endosso à guerra de Israel em Gaza, apesar de ela ter dito que não.

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A LEGITIMIDADE DE ISRAEL

A LEGITIMIDADE DE ISRAEL

A LEGITIMIDADE DE ISRAEL
 
 
Por Manuel Tenenbaum
 
* Prof. Manuel Tenenbaum é um dos mais destacados intelectuais da comunidade judaica na América Latina, vivendo na Argentina. Foi Diretor-geral do Congresso Judaico Latinoamericano.
 
 
                Desde que em 1948, contra todas as previsões dos estrategistas militares, diplomatas experimentados e pedantes formadores de opinião, Israel não se deixou atirar no mar, o Estado judeu tem problemas de imagem e de legitimidade.
             Com menos de uma década do seu estabelecimento já estava estigmatizado pela União Soviética e pelos terceiro-mundistas de diversa afiliação como "avançada do imperialismo", enquanto que o regime de Nasser e os dois partidos "baatistas" da Síria e do Iraque recebiam o rótulo de "progressistas".
              Quando Nasser fechou o Estreito de Tiran e obrigou as forças da ONU a se retirarem na véspera do que foi a Guerra dos Seis Dias, o Presidente francês Charles De Gaulle declarou agressores aos israelenses e teve sua famosa frase "povo seguro de si mesmo e dominador".
              Veio depois o abjeto sabá na ONU, quando se declarou ao sionismo racista. O século XX precisava do seu libelo de sangue e conseguiu-o no mais alto nível internacional.
              Atacado no meio de Iom Kipur, Israel –perdedor no princípio- teve a ousadia de se recuperar e de expulsar o inimigo para o seu território.
           Israel se defendeu e acabou vitorioso em guerras que, de ter sido derrotado em uma, teria deixado de existir. Recebeu mais de meio milhão de judeus perseguidos e saqueados no mundo árabe e em lugar de conservá-los como refugiados transformou-os em cidadãos. Além disso, Israel não treina suas crianças e adolescentes na estratégia do fanatismo anti-árabe do terror e do desprezo à vida humana. Tampouco pertence a nenhum bloco regional, não tem vinte-e-um estados irmãos nem mais de cinqüenta que pratiquem sua mesma religião.
              Estas circunstâncias certamente não contribuem para polir a imagem israelense. Mais de vinte mil soldados e civis mortos nas guerras que lhe foram impostas e nos atentados terroristas são "pouco" sangue derramado. Ter se defendido com eficácia, um "pecado" maior. Não ter mantido e exposto seus próprios refugiados à miséria, um demérito para atrair a compaixão universal. E o pior de tudo, Israel prefere se manter firme e incompreendido antes que destruído e consolado na sua desgraça.
             A atual pulsão anti-israelense do mundo midiático e da opinião pública que implica em espasmos de anti-semitismo com "honrada consciência" está repleta de tergiversações e hipocrisias.
             Há um par de mentiras grosseiras que foram adotadas com entusiasmo digno da melhor causa pela "non sancta alianza" de agitadores pró-palestinos, energúmenos neonazistas, esquerdistas cheios de ódio pelo afundamento do mundo comunista, e intelectuais e políticos –especialmente europeus- que se deleitam vilipendiando Israel, que se arriscam em nome do direito internacional e dos Direitos Humanos enquanto proclamam não serem anti-semitas.
             Mentira número uno: Israel é um Estado estrangeiro no Oriente Médio.
Mentira número dois: Israel invadiu a Palestina.
             Si estas mentiras tivessem um ápice de verdade, tudo o que se denomina civilização ocidental cairia por sua base e literalmente não existiria. A carta constitucional do povo judeu é o Tanach, a Bíblia que o mundo civilizado considera como a fonte primigênia de legitimidade, cultura e moral.
             Mil anos antes do nascimento do judeu Jesus de Nazareth e mais de 1600 anos antes do surgimento do Islã no deserto da Arábia, David e Salomão já reinavam como governantes de um Estado judeu em Eretz Israel e nunca, em nenhuma época, houve na referida terra um Estado autóctone que não fosse judeu. Houve, sim, invasões imperialistas que destruíram a independência hebréia durante longos interregnos, sem que os judeus jamais tivessem renunciado a reivindicar os seus direitos sobre sua terra nem deixaram de habitá-la por um só dia.
             A legitimidade do Estado de Israel, re-fundado em 1948 em Eretz Israel (conhecida então como Palestina e o país dos judeus) se baseia em incontestáveis fundamentos de ordem religiosa, histórica, cultural, jurídica e política.
          Todo o Tanach, a partir da concessão superior contida na Torá, da fé da propriedade judia de Eretz Israel, espaço territorial no qual se formou a personalidade do povo judeu, se desenvolveu a experiência monoteísta e se deram ao mundo os princípios fundamentais do direito e da ética, sem os quais a humanidade estaria nas trevas. Foi neste pequeno território, porém cheio de santidade e profecia que os judeus se propuseram irradiar luz para as nações, missão que cumpriram cabalmente nas mais diversas esferas e que tão ingratamente lhe foi recompensada.
             Toda a história universal fala de povos que vão e vêm, mas os judeus permanecem, e sempre na direção de Eretz Israel, sem cuja centralidade seu legado espiritual seria incompreensível.
             No mundo contemporâneo a política e o direito construíram o paradigma da autodeterminação dos povos e na ONU reconhecem-se 192 nações, entre elas 57 islâmicas e 21 árabes. A um só Estado se pretende discutir a legitimidade, ao Estado do povo do Tanach. No entanto se trata de um vão propósito, que só esconde a frustração dos que têm que se resignar por não poder destruir militarmente Israel. Ninguém está fazendo um favor ao Estado judeu ao reconhecer seu direito à existência, nem ninguém pode afetá-la ao desconhecê-la. Israel se funda pela decisão do povo judeu e pela justiça da sua causa, amparada não só pela promessa bíblica, pela história, pela cultura e por decisões relevantes do direito internacional, mas por seu próprio direito natural a ser um Estado na terra da sua origem e constituição.
             Num mundo do avesso da mídia e da política atuais, destruir as Torres gêmeas, atentar contra a Estação de Atocha ou colocar bombas em Londres é sempre terrorismo da pior espécie. Porém enviar bombas humanas para massacrar israelenses em confeitarias, discotecas, ônibus escolares, pontos de ônibus e outros lugares de aglomeração pública, "não é terrorismo, é resistência". Lançar mísseis de foguetes contra a população civil do sul de Israel, "luta".
             Tamanha aberração só se explica porque o desacreditado anti-semitismo pós Segunda Guerra Mundial encontrou por fim sua válvula de escape: o anti-israelismo. Hoje Israel é entre os Estados o que os judeus foram durante séculos entre os povos e é objeto de idênticas calúnias e libelos.
             Que os judeus somos os únicos aliados fiéis com que Israel pode contar já não é uma mera frase retórica. Hoje mais que nunca a missão das comunidades judias no mundo é levantar-se em apoio a Israel, repudiando e desmascarando as difamações e informações falsas de que é vítima. A confrontação é em essência um choque de vontades e a primeira parte que se desmoraliza perde. É por esta razão que aprofundar a consciência judia em nossas comunidades se tornou hoje mais que nunca uma tarefa urgente. Com fé em nosso destino, o povo e o Estado judeu ganharão também esta batalha, que é a batalha não só de Israel, porque nesta luta está em jogo ao mesmo tempo a honra e a seguridade das comunidades judias do mundo inteiro.
 
Fevereiro de 2009.
(Artigo original não editado)

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25 de fev. de 2009

Netanyahu inicia negociações para formar coalizão em Israel

Netanyahu inicia negociações para formar coalizão em Israel


O líder do partido de direita Likud, Binyamin Netanyahu, inicia nesta quarta-feira negociações com partidos de extrema direita e ultraortodoxos do país para formar uma coalizão em que o Likud será o partido mais à esquerda.

Depois de receber respostas negativas tanto do partido de centro Kadima como do Partido Trabalhista, Netanyahu vai tentar compor uma coalizão com cinco partidos cujas posições politicas são consideradas à direita de seu próprio partido, o Likud.

Netanyahu vai se reunir com representantes de dois partidos ultraortodoxos - o Shas, que obteve 11 cadeiras no Parlamento, e o Yahadut Hatorah (Judaísmo da Torah), que obteve cinco.

O líder do Likud também deverá se encontrar com representantes do partido de extrema direita e secular Israel Beiteinu (15 cadeiras) e de mais dois partidos da linha nacionalista religiosa - o Ihud Leumi (União Nacional), que obteve quatro cadeiras, e o Habait Hayhudi (Lar Judaico), com três.

Se conseguir chegar a um acordo com esses cinco partidos, Netanyahu deverá formar uma coalizão bastante instável, baseada no apoio de apenas 65 dos 120 membros do Parlamento, e cada um dos partidos, ou mesmo a dissidência de alguns membros do próprio Likud, poderá levar à queda do governo.

Consenso

Existe um consenso básico entre o Likud e seus cinco parceiros potenciais sobre a questão do conflito com os palestinos, pois todos os partidos são contra a criação de um Estado Palestino nos territórios ocupados, contra a divisão de Jerusalém e contra a retirada de assentamentos.

Porém, há várias divergências sobre outros temas fundamentais para a sociedade israelense, como o conflito entre religiosos e seculares que pode dificultar a formação da coalizão.

O partido Israel Beiteinu, liderado por Avigdor Liberman, é secular e muitos de seus eleitores são imigrantes da ex-União Soviética.

Entre os imigrantes, há cerca de 300 mil que não podem se casar em Israel porque não são judeus e não existe casamento civil em Israel.

Uma das condições básicas do Israel Beiteinu para entrar na coalizão governamental é a instauração do casamento civil, que seria fortemente vetado pelos partidos ultraortodoxos, que defendem a continuação do monopólio do rabinato sobre casamentos e divórcios.

O Israel Beiteinu exige que sejam instauradas regras menos rígidas do que as existentes para a conversão de não judeus ao judaísmo, e essa exigência também deverá enfrentar uma forte oposição por parte dos partidos ultraortodoxos.

Economia

Outro problema que Netanyahu deverá enfrentar nas negociações para a formação da coalizão será de caráter econômico.

Os partidos ultraortodoxos já afirmaram que exigirão mais recursos para subsidiar famílias numerosas e a construção de moradias para o setor ultraortodoxo da população.

Em plena crise econômica, Netanyahu terá dificuldades para satisfazer as exigências orçamentárias desses partidos, mas, sem eles, não poderá formar uma coalizão.

Os partidos da linha nacionalista religiosa, cujo eleitorado é constituído principalmente por colonos que moram nos assentamentos na Cisjordânia, já anunciaram que vão exigir mais orçamentos para a consolidação da infraestrutura e a expansão da construção dos assentamentos.

Além dos problemas orçamentários, as exigências do Ihud Leumi e do Habait Hayhudi também podem criar problemas políticos e diplomáticos para Netanyahu pela forte oposição da comunidade internacional à ampliação dos assentamentos.

24 de fev. de 2009

Descobrindo o Passado Judaico de Portugal

Descobrindo o Passado Judaico de Portugal

Descobrindo o Passado Judaico de Portugal

Por: Michael Freund - Tradução: David Salgado

No final de um estreito caminho de pedras, no coração da cidade do Porto ao norte de Portugal, encontra-se um antigo monumento que ensina o valor e a sagacidade judaica.
Há muitos anos atrás, trabalhadores encarregados de renovar uma estrutura medieval na rua São Miguel 9 no antigo bairro judaico, descobriram uma entrada secreta no piso. Quando a removeram, ingressaram num grande quarto todo empoeirado que tinha um curioso buraco na fachada.
Historiadores locais e experientes foram rapidamente chamados, eles identificaram ali uma arca sagrada de uma sinagoga secreta utilizada por "judeus escondidos" portugueses após as conversões forçadas ao cristianismo em 1497. Este foi o ano em que o monarca português, o rei Manoel I, ordenou cruelmente o batismo dos judeus de seu reino.
Apesar do trauma vivido, muitos dos anussim (palavra em hebraico para "aqueles que foram forçados"), como começaram a ser chamados os judeus convertidos à força, continuaram praticando o judaísmo secretamente enquanto em público professavam o cristianismo. Expondo sua família e a si mesmos, lutaram para manter a fé de seus antecessores ao longo dos séculos.
Para um visitante no Porto a arca é um símbolo palpável da presença judaica que, em seu momento, ali floresceu bem como em todo o país. De fato, enquanto observo a abertura na parede e toco com minhas próprias mãos a suave pedra, penso maravilhado na coragem deles ao desobedecer a poderosa mão de ferro da Inquisição e a seus seguidores.
Entretanto,  isso é o que incontáveis números de anussim (aos quais os historiadores apenas se referem com o nome pejorativo de "marranos") decidiram fazer em Portugal e outros países. Em 1506, milhares deles foram assassinados nas ruas da capital no que ficou conhecido como "O Massacre de Lisboa".
Depois, em 1536, a Inquisição portuguesa foi estabelecida, e continuou caçando aqueles suspeitos de judaizar, os cripto-judeus. Desde 1540 até quase o fim do século XVIII, milhares de anussim foram levados às cortes eclesiásticas, que não tardaram em queimar nas fogueiras àqueles sentenciados culpados de seguir a Lei de Moisés.
Porém, mesmo perante tal perseguição, os anussim continuaram cumprindo o judaísmo. Uma determinação incrível, onde ousaram construir casas clandestinas de oração mantendo-se leais ao Deus de Israel.
Mas não apenas Sinagogas secretas são as relíquias palpáveis e visíveis do passado judaico de Portugal, o qual está sendo descoberto hoje em dia. Mais intrigante e excitante é o processo de descobrimento que está acontecendo à medida que mais e mais anussim portugueses desejam reconectar-se a sua herança judaica.
Na semana passada, no último andar da Sinagoga Mekor Chaim do Porto, estive sentado juntamente com uns 60 anussim portugueses, dentro os quais alguns já fizeram o retorno oficial ao judaísmo. Cantaram canções em hebraico, recitaram bênçãos tradicionais antes e depois de comer e relataram comoventes histórias pessoais. 
Uma dessas pessoas, a qual chamarei Miriam, é uma pesquisadora na Universidade local. Ela comentou como sua mãe acendia velas a cada sexta-feira de forma clandestina, em um canto escondido de sua casa, longe dos olhos curiosos dos vizinhos. E apesar de acreditar em uma sociedade sumamente católica, nem ela nem seus irmãos foram batizados, mantendo assim uma tradição familiar que data de várias gerações na família de sua mãe. "Aqui, na Sinagoga, me sinto sinceramente em casa" me disse.
Há alguns meses atrás, a pequena comunidade judaica do Porto escolheu e elegeu um novo presidente. Enquanto tais eleições são comuns no mundo judaico, o resultado no Porto foi muito significativo. Pela primeira vez, um dos anussim residentes, o Professor José Felipe Ferrão, foi eleito para liderar a comunidade. Desde pequeno, lembra, seus pais o advertiam para que nunca voltasse a contar as estrelas do céu, para que os vizinhos não suspeitassem que ele praticava o judaísmo.
Deste modo, os cripto-judeus de Portugal determinavam quando o Shabat havia terminado.
Quando era estudante em Paris, Ferrão foi a uma Sinagoga para o serviço de Kabalat Shabat e teve uma grande experiência: "Nunca me esquecerei. Era como se eu conhecesse todas as canções e as orações, como se fosse uma parte intrínseca de mim", disse. Passou as seguintes duas décadas estudando sobre judaísmo e aproximando-se da fé que a Inquisição tentou, mesmo que em vão, apagar.
Faz dois anos, Ferrão junto com outros 15 anussim do Porto, vieram a Jerusalém e passaram por um processo formal de retorno ao judaísmo diante de um tribunal rabínico, com a ajuda da Shavei Israel, organização que presido. Eles se encontram hoje em dia no centro do renascimento judaico no Porto.
É fato, que em todos os países de fala espanhola e portuguesa, existem centenas de milhares de anussim, e possivelmente muito mais, que ainda carregam a centelha do judaísmo dentro deles e que buscam retornar.
Israel e o mundo judaico devem, aos anussim e a seus ancestrais, pela angústia e sofrimento que passaram, ao menos facilitar a possibilidade de seu retorno.
Especificamente, existem alguns passos que podem e devem ser tomados para ajudar aos anussim, tais como publicar mais material em português e espanhol, mandar professores e rabinos para assisti-los e aumentar a consciência sobre sua existência tornando assim possível facilitar sua reintegração a comunidade judaica.
Desde a Espanha e Portugal ao Brasil e sudeste dos Estados Unidos, o número de anussim que decidem começar a busca pelo regresso ao judaísmo está aumentando, inclusive e ainda que estejamos vendo tantos jovens judeus afastando-se de nosso povo. Agora, mais do que nunca, devemos abrir nossa porta coletiva e permitir-lhes regressar a casa.

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21 de fev. de 2009

Judeus saúdam expulsão de bispo que negava o Holocausto

Judeus saúdam expulsão de bispo que negava o Holocausto

Líderes judaicos mundiais elogiaram na sexta-feira a decisão da Argentina de expulsar do país um bispo católico ultratradicionalista que provocou furor internacional ao negar a extensão plena do Holocausto.

Um grupo pediu que outros governos sigam o exemplo da Argentina e reprimam o antissemitismo e a negação do Holocausto em seus países.

O governo argentino anunciou na quinta-feira que ordenou ao bispo Richard Williamson que deixe o país em dez dias ou será expulso. Williamson vive na Argentina há anos.

– O governo da Argentina promoveu a causa da verdade e desferiu um golpe contra o ódio – disse Elan Steinberg, vice-presidente do Agrupamento Americano de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes.

Williamson, que até o início deste mês dirigiu um seminário tradicionalista nas proximidades de Buenos Aires, disse que não houve câmaras de gás e que não mais de 300 mil judeus morreram nos campos de concentração nazistas na Alemanha, em lugar de 6 milhões, uma cifra que é largamente aceita.

– Essa decisão é louvável, mais ainda porque o governo argentino deixa muito claro que os negadores do Holocausto não são bem-vindos no país – disse Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial.

Williamson foi um dos quatro bispos ultratradicionalistas cujas excomunhões foram revogadas pelo papa Bento 16 em janeiro. A decisão do papa de abrir a porta para ele ser plenamente readmitido na Igreja foi criticada fortemente por judeus e muitos católicos.

Lauder, do CJM, disse que espera que a iniciativa argentina inspire outros países a tomar medidas contra aqueles que negam o Holocausto.

Infelizmente, outros países e governos se mostram menos inclinados a reprimir as tentativas de denegrir as vítimas da Shoah", disse Lauder, usando o termo hebraico para Holocausto.

O Vaticano não comentou a ordem de expulsão dada pela Argentina, país de maioria católica e que tem uma das comunidades judaicas mais antigas fora de Israel.

O Vaticano ordenou a Williamson que se retrate. O bispo britânico respondeu que precisa de mais tempo para rever as "evidências".

A negação do Holocausto é um crime na Alemanha, onde Williamson fez as declarações em 2008 que foram transmitidas pela televisão sueca no mês passado. Promotores públicos da cidade alemã de Regensburg estão investigando o bispo por suspeita de incitamento.
O espião libanês que trabalhava para Israel e a tenista israelense barrada em Dubai

O espião libanês que trabalhava para Israel e a tenista israelense barrada em Dubai

O espião libanês que trabalhava para Israel e a tenista israelense barrada em Dubai

por Gustavo Chacra,

Beirute é a terra dos espiões. Quando estava na cidade, alguns amigos meus desconfiavam de mim. Esta história de brasileiro, neto de libaneses e a maneira de falar o "r" em Bahrein não enganava. "O Guga deve ser agente israelense", chegaram a dizer. Um pouco em tom de brincadeira, um pouco não. Eu mesmo suspeitava de um ex-colega da Universidade Columbia, americano, que vivia em um bom apartamento em Ashrafyieh enquanto era free-lance de publicações americanas e libanesas.

As próprias autoridades libanesas e sírias desconfiam muito de quem chega aos aeroportos. Mas este não é o motivo usado para barrar cidadãos israelenses ou pessoas com carimbo de Israel, como ocorreu recentemente com a tenista nos Emirados Árabes. Negar a entrada de israelenses é mais uma forma de boicote, especialmente no caso da atleta Shahar Peer, cuja única arma é a raquete. Afinal, os espiões não precisam entrar pela fronteira e muito menos usar um passaporte original. Seria extremamente amador enviar um agente secreto com um passaporte israelense para um país árabe. Tampouco precisariam se disfarçar de jornalista brasileiro neto de libaneses. Os espiões no Oriente Médio, muitas vezes, são cidadãos do próprio país. Claro, Israel usa drusos e judeus originários de países árabes. Para operações de alto risco, como na fracassada tentativa de matar Khaled Meshal na Jordânia, enviam os seus melhores homens do Mossad. Mas, em grande parte das vezes, os israelenses usam libaneses, sírios e palestinos que fazem o serviço em troca de dinheiro.

Foi desta forma que Israel matou muitos líderes palestinos, como o xeque Ahmed Yassin, do Hamas. Um palestino liga e informa que determinada pessoa está saindo de um prédio ou de uma mesquita em certo momento e Israel bombardeia. Este artifício também foi usado em Gaza. Entre os palestinos, é muito fácil conseguir colaboradores. Há membros radicais do Hamas pregando da boca para a fora a destruição de Israel, mas sem perder a boquinha de ganhar uns dólares para delatar seus superiores.

Com o Hezbollah, é bem mais difícil. São raros os colaboradores do grupo xiita libanês. A disciplina na organização é bem maior do que no Hamas. Quase como uma máfia. Para completar, o Hezbollah tem bastante dinheiro. Mas, se Israel não consegue colaboradores dentro do grupo, pode conseguir espiões em outros segmentos da sociedade libanesa. O que não falta em Beirute é gente que odeia o Hezbollah. Muitos sunitas, alguns cristãos.

Em 1982, pouco depois de Israel invadir Beirute, na época da valsa com Bashir, Ali al Jarrah passou a espionar para os israelenses. Inicialmente, os sírios, depois, o Hezbollah. Eu escrevi sobre ele aqui no blog em novembro. Também fiz reportagem para o jornal. Na época, em Beirute, as pessoas desenvolveram mil teorias da conspiração, pois Jarrah é primo e morava na mesma cidade que Ziad Jarrah, um dos terroristas do 11 de Setembro.

O jornalista Robert Worth, do New York Times, foi a Maraj, no vale do Beqaa, e conversou com muitos moradores para saber a história de Jarrah (o espião, não o terrorista). Por anos, ele tirou fotos e enviou informações para os israelenses. Chegou a ir à Bélgica e a Itália, onde recebia um passaporte de Israel e voava para Tel Aviv. Entre os amigos, era um defensor árduo da causa palestina para não levantar suspeitas. Mas acabou descoberto no ano passado por autoridades libanesas. O governo israelense afirmou que não iria se pronunciar sobre o episódio.

Antes que critiquem Israel, lembro que muitos países do mundo espionam. É uma prática normal e foi ainda mais comum na Guerra Fria. Os árabes também tentam conseguir infiltrar espiões dentro de Israel. Faz parte da política da região e de todo o planeta.

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Reação israelense contra foguetes viola soberania, diz Líbano

Reação israelense contra foguetes viola soberania, diz Líbano

Israel lançou sete projéteis contra território libanês após ser atingido; nenhum grupo assumiu autoria.
BEIRUTE - O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, condenou neste sábado, 21, o lançamento de três foguetes katyusha contra o norte de Israel, vindos do sul do Líbano, assim como a reação do Exército israelense, que respondeu com sete projéteis contra seu país. Segundo comunicado do escritório do premiê, os disparos contra o Líbano constituem uma "violação inaceitável e injustificável da soberania libanesa."

 

O governo israelense informou que uma mulher sofreu ferimentos superficiais no povoado de Maalot, perto da fronteira, depois de ter sido atingida por estilhaços de vidro provocados pela explosão do terceiro foguete. Não há registros sobre ferimentos do lado do Líbano.

 

"Os projéteis disparados do sul libanês ameaçam a segurança e a estabilidade do Líbano, além de violar a Resolução 1701", que pôs fim a uma guerra de 34 dias entre Israel e o grupo militante Hezbollah em 2006. Tropas de paz das Nações Unidas patrulham a região libanesa de onde os foguetes foram lançados, e o Exército libanês também afirmou ter reforçado a sua presença na área.

 

Durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, militantes não identificados, acusados de integrarem grupos palestinos, começaram a atuar no sul libanês. Na época, eles chegaram a disparar foguetes contra o norte de Israel, mas ainda não se sabe quem estaria por trás dos ataques deste sábado. O Hezbollah negou a autoria dos ataques anteriores.



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20 de fev. de 2009

Netanyahu é escolhido para formar o novo governo de Israel

Netanyahu é escolhido para formar o novo governo de Israel


Líder da direita terá seis semanas para negociar coalizão e se tornar premiê; Livni descarta união nacional
JERUSALÉM - O presidente de Israel, Shimon Peres, escolheu o líder conservador Benjamin Netanyahu para formar o novo gabinete e se tornar o primeiro-ministro do país. Com o anúncio, Netanyahu tem agora um mês e meio para selar acordos políticos e formar uma coalizão com maioria no Parlamento. Nos primeiros comentários após o anúncio, Netanyahu afirmou que desejava formar um governo de união nacional com o centrista Kadima, de Tzipi Livni, e com a esquerda do Partido Trabalhista, do atual ministro da Defesa Ehud Barak. Porém, Livni já afirmou que seu partido ocupará a oposição.
Peres fracassou na tentativa de convencer Netanyahu, chefe do partido de direita Likud, e a líder do Kadima, Livni, a formar um governo de união nacional dirigido pelo líder conservador. Qualificando o gabinete previsto por Netanyahu como um "governo sem visão política", Livni afirmou que seu partido passará para a oposição, já que "tal governo não tem nenhum valor" e que o Kadima "quer uma solução de paz baseada em dois Estados", um palestino e outro israelense, acusando o futuro governo de Netanyahu, formado com o apoio da extrema direita, de se opor à proposta. "Existe uma coalizão baseada em uma visão política", "a coalizão existente não me permitirá exercer o caminho do Kadima".
Durante a reunião, o dirigente do Likud transmitiu a Peres que está disposto a impulsionar a negociação para formar um governo de união nacional. Após o anúncio oficial, Netanyahu afirmou querer se unir com Kadima e os trabalhistas, de esquerda. "Eu chamo a líder do Kadima, Tzipi Livni, e o líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, e digo a eles: vamos nos unir para assegurar o futuro do Estado de Israel. Eu peço para encontrá-los para discutir com um amplo governo de união nacional para o bem do povo e do Estado", disse Netanyahu. No pleito, o Kadima que obteve mais cadeiras, 28, uma a mais que o Likud, que, no entanto, conta com mais apoio devido ao aumento do número de deputados no bloco de direita.
Após a indicação, Netanyahu afirmou ainda que o Irã é o maior dos desafios que Israel enfrentará. "Israel atravessa um período crucial e deve enfrentar os desafios colossais. O Irã busca uma arma nuclear e constitui a ameaça mais grave para a nossa existência desde a guerra da independência" de 1948.
A chanceler Tzipi Livni, líder do Kadima, disse na quinta em entrevista ao jornal Haaretz que não se juntará a um governo liderado por Netanyahu que inclua partidos religiosos como o Shas, que se oporiam a negociações com os palestinos. Mas ela disse que estaria disposta a considerar uma coalizão formada por Likud, Kadima e Israel Beiteinu, partido ultranacionalista que acabou em terceiro lugar nas eleições parlamentares e anunciou o apoio a Netanyahu, embora o líder do partido, Avigdor Lieberman, tenha defendido a formação de uma ampla coalizão, que inclua o Kadima, mas com Bibi como premiê.
Esta é a primeira vez, em 60 anos de história israelense, que o líder do partido mais votado não é chamado a comandar o governo. Durante consultas com Peres na quinta-feira, cerca de 65 deputados, inclusive 15 do Yisrael Beitenu, recomendaram que Netanyahu seja indicado como primeiro-ministro.
Netanyahu já foi primeiro-ministro entre 1996 e 99, período em que a cidade de Hebron (Cisjordânia) foi parcialmente entregue aos palestinos.
Netanyahu deve ser novo Premie.

Netanyahu deve ser novo Premie.

Presidente de Israel escolhe conservador Netanyahu para formar novo governo



O presidente de Israel, Shimon Peres, escolheu o líder do conservador partido Likud, Benjamin Netanyahu, para tentar formar a coalizão de governo com maioria no Parlamento e obter assim o cargo de primeiro-ministro, informou o gabinete do presidente Shimon Peres em um comunicado divulgado nesta sexta-feira.

Novo governo

  • Moshe Milner/AFP

Líder do Likud, Benjamin Netanyahu (esquerda), cumprimenta o presidente israelense, Shimon Peres (direita).

"O presidente tomou sua decisão no que diz respeito à formação do governo e a presidência convocará o deputado Benjamin Netanyahu (...) para lhe confiar esta tarefa", afirma a nota.

Em uma tentativa de buscar um governo de coalizão, capaz de avançar no processo de paz com os palestinos, Peres havia se reunido pela manhã com Netanyahu e com sua principal rival, a chanceler Tzipi Livni, líder do partido Kadima, mais ao centro.

Ao final do encontro, Livni repetiu o que já havia adiantado nos últimos dias: não participará de um governo liderado por Netanyahu. Com isso, o Kadima caminha para compor o principal grupo de oposição ao futuro governo.

A chanceler argumentou que seu partido "quer uma solução de paz baseada em dois Estados", um israelense e um palestino, e acusou os apoiadores de Netanyahu de negarem essa opção.

Por sua vez, Netanyahu defendeu a "necessidade de unidade". "Imediatamente depois que me encarregue a responsabilidade de criar uma coalizão, convocarei o Kadima à negociação", afirmou o líder do Likud.

O Kadima ganhou 28 cadeiras nas eleições legislativas em 10 de fevereiro, uma a mais que o Likud, mas Netanyahu dispõe de uma maioria de 65 parlamentares graças a uma aliança com partidos da extrema direita (laica e religiosa) e dos ultraortodoxos.

A partir do momento em que Peres faz a designação oficial, Netanyahu tem 28 dias, prolongáveis por mais 14, para apresentar sua proposta de governo para o Parlamento (Knesset).

O político conservador, que desde o princípio se opôs aos acordos de paz assinados em Oslo em 1993, reduziu seus efeitos quando foi primeiro ministro, entre 1996 e 1999, retomando em grande escala a instalação de colônias israelenses em territórios palestinos.

Tradicionalmente hostil à criação de um Estado palestino, Netanyahu foi impreciso durante a campanha eleitoral a respeito de suas intenções concretas para o governo.

*Com agências internacionais

 

19 de fev. de 2009

Israel terá um governo de Direita

Israel terá um governo de Direita

O presidente de Israel, Shimon Peres, recebeu nesta quarta-feira os resultados oficiais das eleições parlamentares do último dia 10 e deu início às consultas para definir quem terá o direito de tentar formar uma coalizão para governar o país. Por lei, o presidente deve escolher o líder do partido com a melhor chance de conseguir o apoio da maioria dos deputados para ser premiê.
O centrista e governista Kadima, partido de Peres e da ministra de Relações Exteriores e candidata a premiê, Tzipi Livni conquistou uma vitória apertada, com apenas 28 das 120 cadeiras, apenas uma vaga a mais que o direitista Likud, do ex-premiê Binyamin Netanyahu. Livni apega-se à dianteira nas urnas, enquanto Netanyahu conta com a maioria conservadora no novo Parlamento para montar a coalizão e ser escolhido.
Em um cenário dividido, até a ordem dos encontros foi alvo de interpretações políticas. "O fato de o presidente ter se reunido primeiro com o Kadima fala por si mesmo", disse o ministro dos transportes Shaul Mofaz, membro da delegação partidária que defendeu a candidatura de Livni, em um encontro no início da noite com Peres. "À luz dos desafios que Israel encara atualmente, o Estado precisa de um governo de unidade liderado pelo Kadima, porque tal governo unirá todos os setores do povo e representará os desejos de todos". As declarações foram divulgadas pela versão online do jornal israelense "Yediot Aharonot".
Para os representantes do Likud, a pretensão de Livni esbarra na falta de apoio no novo Knesset. "Não existe possibilidade matemática, mesmo no papel, para Livni formar um governo", disse o deputado Gideon Sa"ar durante o encontro com Peres, de acordo com o jornal "Haaretz". "Há apenas uma pessoa que tem a chance de formar um governo, e ela é Binyamin Netanyahu."
A "matemática" da negociação pode ficar mais clara nesta quinta-feira, quando Peres reúne-se com, Avigdor Lieberman, do partido de extrema direita Yisrael Beitenu, terceiro colocado nas eleições, com 15 cadeiras. Apesar de estar mais próximo ideologicamente do Likud, Lieberman tem feito mistério sobre sua decisão, usando a inédita força de seu partido para ganhar força na nova administração. Seu partido já apoiou governos tanto do Likud quanto do Kadima, no passado.
Analistas políticos apontam que uma indefinição prolongada sobre o novo premiê --os partidos podem optar por não apoiar nenhum dos candidatos-- pode levar à criação de um governo de união nacional, com os dois principais partidos no gabinete, o que poderia acontecer por meio de um acordo de rotação entre Livni e Netanyahu na chefia de governo.
"A palavra "rotação", até onde eu me lembro, não foi mencionada na sala [de reuniões], mas perto do fim da sessão eu disse ao presidente que se nenhuma decisão for tomada até o fim da semana, ele deveria [...] colocar os dois lados dentro de sua sala até que suba a fumaça branca", disse o ministro das finanças Ronny Bar-On, que se reuniu com Peres para defender a escolha de Livni.
Peres continuará as consultas com os demais partidos que estarão representadas no Parlamento até sexta-feira (20), antes de tomar uma decisão final. O líder partidário escolhido por Peres terá até seis semanas para tentar formar o governo.

18 de fev. de 2009

Protetora de Anne Frank completa 100 anos

Protetora de Anne Frank completa 100 anos




Miep Gies

Miep Gies encontrou o diário de Anne Frank e o transformou em livro

A principal protetora da menina judia Anne Frank e sua família completa 100 anos neste domingo.

Miep Gies é a única sobrevivente do pequeno grupo de pessoas que conheciam o esconderijo onde os Frank viveram por dois anos, em Amsterdã, na Holanda, durante a Segunda Guerra Mundial.

Gies era secretária do pai de Anne Frank, Otto, e ajudou sua família e outras quatro pessoas a se manterem escondidas dos nazistas, levando comida, jornais e outros mantimentos, de 1942 a 1944.

Depois que uma denúncia anônima levou os alemães à descoberta do esconderijo e à prisão dos Frank e seus companheiros, Gies encontrou no local o diário e outras anotações de Anne, cujo conteúdo virou um dos livros mais lidos do mundo.

'Tranquila'

Em uma entrevista na semana passada, Miep Gies, que ainda vive em Amsterdã, disse que vai comemorar seu aniversário tranquilamente, com amigos e familiares.

Ela afirmou que não merece toda a atenção dada a ela e lembrou que outras pessoas fizeram muito mais para proteger os judeus holandeses durante a Segunda Guerra.

Gies virou uma espécie de "porta-voz" dos Frank, viajando pelo mundo para falar de Anne e para fazer campanha contra a negação do Holocausto e contra boatos de que o diário teria sido inventado.

Nunca se descobriu quem fez a denúncia anônima sobre o esconderijo.

Anne Frank morreu de tifo no campo de concentração de Bergen-Belsen poucos meses antes do fim da guerra. Seu pai foi o único da família a sobreviver.

Junto com Gies, ele compilou as anotações da filha em um livro que foi publicado em 1947. A obra foi traduzida para vários idiomas e vendeu dezenas de milhares de cópias até hoje.

17 de fev. de 2009

Biblioteca Nazista

Biblioteca Nazista


Leitor voraz e destrutivo, Hitler tinha 16 mil livros

Jacinto Antón

Do El País


Hitler queimava livros, mas também os lia. E o fato de fazer ambas as coisas — além de detonar a II Guerra Mundial e comandar o extermínio dos judeus — o torna um leitor muito especial.


Sua relação com os livros, inclusive com os que não queimava, não era amável. Incapaz de relações profundas e sinceras de amor e amizade — mesmo o que sentia por Eva Braun e por sua cadela Blondie seriam afetos envenenados —, Hitler tampouco nutria carinho pelos livros, uma marca dos bibliófilos decentes.


Da mesma forma que fazia com os países, as instituições e as pessoas, Hitler depredava os livros. Essa era sua forma de lê-los. Ele mesmo explicou seu método de leitura abusivo e oportunista em "Mein kempf" (Minha Luta).


"Ler não é um fim em si mesmo, mas sim um meio para alcançar um fim." A leitura, em geral, servia para confirmar opiniões que já tinha. "Tiro dos livros o que necessito", disse certa vez. Não lia nunca por prazer, embora lesse muito. "Os livros eram seu mundo", escreveu seu amigo de juventude August Kubizek. Hitler chegou a Viena muito pobre, mas com quatro caixas repletas de livros. Em sua época de agitação política, quando não estava fazendo discursos ou andando pelas cervejarias, passava o tempo lendo.


Almanaques e enciclopédias

"Claro que ler muito não significa ler bem", frisa Ian Kershaw, em sua monumental biografia "Hitler". "Ler não era algo que fizesse para se ilustrar ou para aprender, mas sim para confirmar seus preconceitos." Kershaw questiona ainda a ideia de que Hitler tenha lido tudo o que havia colecionado. Parece que, dos clássicos da literatura, teria lido bem pouco. Não gostava de romances. Por outro lado, apreciava muito o subgênero antisemita (o que não surpreende).


Gostava muito das enciclopédias e dos almanaques, de onde podia extrair, para impressionar, muita informação em pouco tempo. E ainda as obras sobre ocultismo. Foi encontrado entre seus livros — e isso não é uma piada — o título "A arte de tornar-se um orador em poucas horas". Hitler tinha um fraco, e talvez essa seja sua única faceta sincera como leitor, por relatos do explorador Sven Hedin e pelos faroestes de Karl May. Isso não impedia que acendesse os cigarros de oficiais nazistas com páginas em brasa das obras de May.


Muito já se escreveu sobre a biblioteca de Hitler, de cerca de 16 mil volumes, sua composição, as obras que de fato leu, e os livros que contribuíram para afirmar suas (más) ideias. Agora, um livro apaixonante, "A biblioteca privada de Hitler — os livros que moldaram sua vida", de Timothy W. Ryback, rastreia com habilidade detetivesca e pulso literário, as obras que teriam sido decisivas, por seu significado emocional ou intelectual, na vida do Hitler leitor.


O líder nazista chegava a ler um livro por noite, revela o autor, mas era superficial.


Muito pouco de Shakespeare, quase nada de Nietzsche e Schopenhauer. Muita coisa de Nostradamus.


Veja mais:

El País (16/02/2009): Un lector llamado Adolf Hitler

http://www.elpais.com/articulo/cultura/lector/llamado/Adolf/Hitler/elpepicul/20090216elpepicul_1/Tes

Nazismo, ocultismo e conspirações

Nazismo, ocultismo e conspirações

João Fábio Bertonha

Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá/PR e Pesquisador do CNPq.

História Unisinos - 11(3):381-384, Setembro/Dezembro 2007.


O lado oculto do Nazismo

Sobre a reportagem do jornal espanhol "La Vanguardia" (07/03/2008), segue uma indicação de leitura sobre o tema da relação do ocultimo, do misticismo e do esoterismo com o Nazismo.


RIBEIRO JÚNIOR, João. O que é nazismo. 3a.ed. São Paulo: Brasiliense, 2005. p.50-51, 66-71, 74-84, 86.

Nos pequenos trechos indicados, o autor se propõe a fazer considerações a respeito do tema ocultimo, esoterismo (e outros) e a sua influência, impacto e conseqüências no nazismo, mostrando que o nazismo é muito mais do que um simples movimento político.
Tenista de Israel probida de entrar nos Emirados Árabes pede que esporte se separe da política

Tenista de Israel probida de entrar nos Emirados Árabes pede que esporte se separe da política

A tenista israelense Shahar Peer, que não disputa o WTA de Dubai, nesta semana, por ter tido o visto de entrada nos Emirados Árabes Unidos recusado, fez um apelo nesta terça-feira para que a política não tenha mais influência no esporte. Em nota distribuída à imprensa, ela agradeceu o apoio dos amigos e fãs no episódio e lamentou ter sido vítima do que classificou de discriminação e injustiça. Na nota Shahar Peer alerta para que o mesmo não ocorra com tenistas de Israel classificados para disputar o torneio masculino de Dubai, marcado para a semana que vem.

"A política e a discriminação não deveriam ter lugar no tênis profissional nem em nenhum outro esporte", disse a jogadora, de 21 anos, através da nota. "Quero agradecer de coração o apoio dos meus amigos, seguidores e companheiros", ela acrescenta, para concluir afirmando que este é um momento muito difícil em sua vida profissional e pessoal.

Shahar Peer teve o visto negado pelas autoridades dos Emirados Árabes poucos dias antes do início do torneio, disputado desde domingo, dia 15. Com a proibição de entrada da israelense no país, a companheira dela no torneio de duplas, a alemã Anna-Lena Groenefeld, também ficou prejudicada.

Apesar dos protestos emitidos pelo presidente executivo da WTA (entidade que promove a categoria feminina do tênis), Larry Scott, e pelo presidente da Federação Internacional de Tênis (ITF), Francesco Ricci Bitti, os Emirados Árabes não voltaram atrás na decisão. A WTA permaneceu com o torneio em Dubai depois do ocorrido, mas Peer confia que a entidade estudará o caso com atenção para evitar que o fato se repita.


16 de fev. de 2009

Vozes do terror - Hezbollah diz ter direito a defesa antiaérea

Vozes do terror - Hezbollah diz ter direito a defesa antiaérea

Vozes do terror - Hezbollah diz ter direito a defesa antiaérea

Da Reuters:
O Hezbollah disse na segunda-feira que se vê no direito de adquirir armas antiaéreas para usar contra os aviões israelenses que cotidianamente violam o espaço aéreo libanês.
As declarações do dirigente Hassan Nasrallah foram o primeiro sinal claro de que o grupo poderia já ter obtido tal sistema, o que deve inflamar as tensões com Israel, dois anos e meio depois de uma guerra de 34 dias entre os dois inimigos.
"A cada poucos dias há um relato (na imprensa israelense) de que a resistência obteve armas avançadas de defesa aérea, é claro que não confirmo nem nego isso", disse Nasrallah num comício alusivo ao primeiro aniversário do assassinato do comandante militar Imad Moughniyeh.
"O que eu quero confirmar hoje é que temos todo o direito de obter qualquer arma, inclusive armas de defesa aérea, e temos todo direito de usar tais armas", afirmou.
De acordo com Nasrallah, a obtenção desse arsenal seria decisiva num eventual conflito com Israel, já que o planejamento militar do Estado judeu depende pesadamente da sua supremacia aérea.
Nasrallah tem sido mais explícito ao falar da capacidade militar do grupo xiita desde a guerra de 2006, como parte de sua estratégia de dissuasão.
O grupo conseguiu se rearmar e aumentar o seu contingente nos meses seguintes à guerra, apesar de uma resolução do Conselho de Segurança que proibia o envio de material bélico à facção.
Israel realiza sobrevoos diários no Líbano, também violando uma resolução da ONU, mas sob o argumento de que precisa monitorar a movimentação militar do Hezbollah.
Nasrallah reiterou sua promessa de vingar a morte de Moughniyeh, ocorrida em 12 de fevereiro de 2008 em Damasco. "Esta promessa será cumprida, se Deus quiser", disse ele.
Israel não assumiu a autoria do carro-bomba que matou o militante, mas celebrou a morte de um homem que passou 25 anos na lista de terroristas mais procurados pelos EUA.
Moughniyeh era apontado como responsável por uma onda de sequestros de ocidentais em Beirute na década de 1980, além de atentados letais contra alvos dos EUA e Israel no Líbano e em outros países.


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França reconhece responsabilidade no Holocausto

França reconhece responsabilidade no Holocausto

Corte de Justiça assumiu responsabilidade do governo em deportação de judeus.
A mais alta corte de Justiça da França reconheceu formalmente nesta segunda-feira a responsabilidade do país na deportação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Analistas dizem o anúncio do Conselho representa o maior claro reconhecimento das autoridades francesas da participação do país no Holocausto. O Conselho de Estado disse que a França permitiu ou facilitou deportações que levaram à perseguição antisemita sem sofrer coerção dos nazistas, que controlaram a França de 1940 a 1944. Porém, o Conselho concluiu que já foram feitos os devidos reparos "na medida do possível, para todas as perdas sofridas", descartando assim qualquer tipo de compensação para deportados ou seus familiares. Chirac Entre 1942 e 1944, cerca de 76 mil judeus foram deportados da França para campos de concentração nazistas pelo governo francês instalado pelos nazistas no centro-sul do país, com capital na cidade de Vichy. O governo de Vichy dividiu entre 1940 e 1944 a administração do território da França com a própria Alemanha, que controlava Paris, o norte e o oeste do país. Em 1995 o então presidente francês, Jacques Chirac, já havia reconhecido a responsabilidade do governo na deportação de judeus franceses, encerrando décadas de ambiguidade de todos os governos anteriores. "Estas horas mancham nossa história e são um insulto ao nosso passado e nossas tradições" disse Chirac na época. "Sim, a estupidez criminosa de nossos ocupantes foi sustentada pelos franceses, pelo Estado francês."

15 de fev. de 2009

Trégua só com liberdade de Shalit

Trégua só com liberdade de Shalit

Shalit com 19 anos ao ser capturado, em 2006

O premier em exercício de Israel, Ehud Olmert,voltou a reafirmar que  não aceitará nenhuma trégua na Faixa de Gaza com o grupo terrorista Hamas, a menos que o soldado israelense Gilad Shalit,sequestrado em 2006 por terroristas  palestinos seja libertado."A posição do primeiro-ministro é que Israel não vai chegar a um acordo sobre uma trégua antes da libertação de Gilad Shalit", disse o premier.Há relatos de que a diplomacia egípcia estaria próxima de finalizar um acordo de trégua, teoricamente duradoura, entre Israel e o Hamas, grupo árabe palestino que domina militarmente  Gaza. Paralelamente, os egípcios negociavam a libertação de Shalit em troca de centenas de palestinos capturados por Israel.O Hamas vinha se negando a incluir a libertação do soldado nas negociações para a trégua em Gaza.Na quinta-feira(12), dirigentes do Hamas disseram esperar que a trégua fosse anunciada dentro de poucos dias. Naquele dia, Moussa abu Marzouk, um dos vice-líderes do grupo, declarou que o Hamas havia chegado a um acordo com Israel para a formalização de uma trégua de 18 meses e que o anuncio seria feito em 48 horas.Mas há indicações de que o governo israelense não deseja fixar um prazo para o final da trégua. Os árabes palestinos desejam que Israel relaxe o bloqueio à Gaza, em vigor há 18 meses, desde que o grupo militar-terrorista Hamas conquistou o controle do território em meados de 2007.Já os israelenses desejam o fim dos ataques realizados por foguetes lançados de Gaza em direção ao seu território e o contrabando de armas do Egito para o território palestino.

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Livni descarta governo de coalizão com Netanyahu em Israel

Livni descarta governo de coalizão com Netanyahu em Israel

Líder do Kadima diz que 'já foi número 2' e não avançará desta forma; direitista tem mais chances para premiê

JERUSALÉM - A presidente do partido Kadima, Tzipi Livni, sugeriu neste domingo, 15, que rejeitará se unir a um Executivo que seja liderado pelo chefe do Likud, Benjamin Netanyahu, com mais chances de formar governo. "Já fui número 2 e, desta posição, não serei capaz de fazer avançar nenhum processo", disse Livni, em conversa a pessoas próximas citada pela edição online do jornal Haaretz.

Livni se referia a seu desempenho como vice-primeira-ministra no atual Executivo liderado por Ehud Olmert, que, apesar da renúncia, em setembro, continuou no poder, em parte devido à incapacidade da líder do Kadima de formar governo. Outros responsáveis próximos à líder do Kadima, legenda que obteve 28 cadeiras parlamentares nas eleições realizadas na terça-feira passada, uma a mais que o Likud, fizeram declarações semelhantes em dias anteriores.

 

"Ou (fazemos parte de) uma coalizão de rotação ou vamos para a oposição", disseram essas fontes, antes de destacar: "Não nos sentaremos em um governo direitista sob a liderança de Netanyahu". Olmert pediu que Livni se transforme em oposição em vez de se juntar a um governo com Netanyahu, informou hoje a imprensa local.

 

Segundo Olmert, se Livni decidir seguir sua recomendação, estará em melhor posição de conseguir uma vitória à frente do Kadima diante das próximas eleições, uma vez que haja um eventual Executivo de Netanyahu. A própria Livni, segundo o Haaretz, prefere integrar a oposição caso fracassem suas tentativas para formar uma coalizão parlamentar, posição apoiada por vários membros de seu partido.

 

Por causa da sugestão de Olmert a Livni, o Likud, que a princípio conta com mais chances para consolidar uma maioria direitista no Parlamento, sugeriu que o Kadima se una a um Executivo junto a Netanyahu. "É uma pena que Livni não deixe de lado razões políticas e considere os interesses nacionais como sua máxima prioridade", afirma o Likud, em comunicado.


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Magal
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14 de fev. de 2009

Shimon Peres - "Uma Região, Dois Estados"

Shimon Peres - "Uma Região, Dois Estados"

 

Uma Região, Dois Estados

 

Por Shimon Peres(Presidente de Israel) – 10 de fevereiro de 2009

 

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/02/09/AR2009020902098.html

 

Não há falta de opiniões quando se trata de questões relativas ao Oriente Médio, e os acontecimentos recentes em Gaza confirmam isto.  Uma minoria de especialistas em Oriente Médio têm advogado a causa de uma solução de um estado, que minaria a legitimidade e o direito reconhecido internacionalmente de Israel existir, como o estado judaico soberano na terra de meus antepassados. Tendo testemunhado pessoalmente o admirável progresso realizado pela Autoridade Palestina em anos recentes, creio que uma solução de dois estados não é apenas a melhor solução para este conflito antigo, mas uma que está ao nosso alcance.

 A solução de um estado tem falhas intrínsecas suficientes para fazer com que não haja solução alguma. Partindo da perspectiva de Israel, não é possível ao povo judeu aceitar um acordo que signifique o fim da existência do estado judaico.  Da perspectiva palestina, eles não devem ter negada a oportunidade de tomar seu destino nacional em suas próprias mãos.

 Dissidentes da solução de dois estados discordam - não sem alguma razão-que a Faixa de Gaza e a Cisjordânia são pequenas demais para absorver os refugiados palestinos.  Mas isto também seria o caso sob a fórmula de um estado, resultando em um estado de 24.000 quilômetros quadrados, e que já está transbordando com uma população de 10 milhões (5.5 milhões de judeus e 4.5 milhões de árabes). Enquanto cínicos poderiam questionar o tamanho da Cisjordânia e de Gaza, os otimistas não deveriam olhar além de Cingapura para ter a confiança restabelecida.

 A área da Cisjordânia e de Gaza é nove vezes do tamanho de Cingapura.  Entretanto a população combinada de palestinos nas duas regiões é menor que a de Cingapura.  Este país do Sudeste Asiático goza de um dos melhores padrões de vida do mundo.  Temos fé que os palestinos são capazes de obter o mesmo sucesso, e continuaremos a trabalhar sem descanso com nossos parceiros na mesa de negociações, para estabelecer um estado palestino autônomo, onde a população estabelecerá uma economia moderna, baseada na ciência, tecnologia e nos benefícios da paz.

 O estabelecimento de um país multinacional é um caminho tênue que não é um bom presságio para a paz, ao invés disso, reforça a perpetuação do conflito. O Líbano, tomado por carnificina e instabilidade, representa apenas um dos muitos exemplos de uma indesejável situação muito difícil.

 As dificuldades de uma solução de dois estados são numerosas, mas permanecem como sendo a única formula moral e realista para terminar o conflito Israel-palestina.  Os que não estão comprometidos com esta solução, argumentam que, após a criação de um estado palestino, a "cintura" de Israel ficaria muito estreita - umas seis milhas - para assegurar a segurança de seus cidadãos.

 Realmente, seis milhas seria muito estreito para garantir total segurança, o que apenas reforça nossa crença de que a segurança de Israel não está apenas relacionada com a defesa territorial, mas na paz. A paz providencia a amplitude das asas, mesmo quando a cintura for estreita.

 No mês passado, o líder líbio Muammar Gaddafi esboçou suas  sugestões para uma solução de um estado.  Apesar de discordar dessa fórmula, estou encorajado pela maneira com que ele elucida e constroi sua posição. 

 Principalmente, é saliente sua premissa fundamental e central de que: "O povo judeu quer e merece sua pátria".  A ressonância destas palavras é crucial, pois estas se opõem aos elementos islâmicos radicais que rejeitam o próprio direito do povo judeu de ter sua pátria na terra de seus antepassados e, com base nisto, advogam uma "jihad" assassina, cujo objetivo é destruir Israel.

O povo judeu deseja e merece viver em paz, em sua terra natal por direito e história.  O povo palestino deseja e merece sua própria pátria, suas próprias instituições políticas e seu direito à auto-determinação. É vital que esta causa esteja baseada no prospecto de coexistência entre judeus e árabes, que se traduz em cooperação em áreas como a economia, turismo, meio ambiente e defesa. A obtenção de tudo isto será possível apenas garantindo a cada povo seu estado e fronteiras, para permitir que seus cidadãos orem de acordo com sua fé, cultivem suas culturas, falem suas próprias línguas e guardem suas heranças.

 Vamos envidar nosso maior esforço para permitir que estes dois estados floresçam.  Talvez um dia, israelenses e palestinos escolherão, como na Europa, não permitir que as fronteiras inibam a coordenação econômica ou sirvam de razão para a guerra.

Circuncisão, um santo remédio _ DRAUZIO VARELLA

Circuncisão, um santo remédio _ DRAUZIO VARELLA




DRAUZIO VARELLA
Circuncisão, um santo remédio


Ninguém mais discute: em heterossexuais, ela reduz em 50% os índices de transmissão do HIV


A CIRCUNCISÃO é arma de grande valor no combate à Aids.
As primeiras evidências surgiram nos anos 80, quando alguns médicos observaram que a prevalência da infecção pelo HIV na Ásia e África parecia mais baixa, em regiões nas quais homens eram circuncisados por imposição religiosa.
Vários estudos realizados nos anos seguintes obtiveram resultados contraditórios, até que em 2002, Bertram Auvert, da Universidade de Versalhes, realizou o primeiro trabalho criterioso para comparar a prevalência do HIV entre homens submetidos ou não à circuncisão, em Orange Farm, na África do Sul, comunidade com grande número de casos de Aids.
Depois de 12 meses, o comitê de segurança do estudo decidiu interromper o acompanhamento e oferecer circuncisão para todos os participantes. Os dados eram indiscutíveis: 60% de proteção entre os homens heterossexuais operados.
Desde essa data, mais dois ensaios clínicos foram efetuados: um no Quênia, outro em Uganda. Ambos foram interrompidos por causa dos resultados francamente favoráveis à circuncisão.
Hoje ninguém mais discute: em homens heterossexuais, ela reduz em 50% a 60% os índices de transmissão do HIV. Os epidemiologistas calculam que 3 milhões de vidas poderiam ser salvas, apenas na região abaixo do deserto do Saara, caso esse procedimento cirúrgico fosse colocado à disposição.
Além da proteção contra o HIV, homens circuncisados apresentam menos infecções pelos papilomavírus, pelo treponema da sífilis e pelos vírus do herpes genital.
Os mecanismos por meio dos quais a circuncisão protege são mal conhecidos. Provavelmente, a pele que recobre a glande cria um espaço que funciona como reservatório para o HIV (e outros germes) e assegura contato prolongado do vírus com as mucosas, facilitando seu acesso à corrente sanguínea.
Nos países em que a prevalência do HIV é alta, estaria a circuncisão indicada para todos os homens? Infelizmente, não existe consenso. Primeiro, porque os críticos a consideram um procedimento cirúrgico sujeito a complicações; segundo, por motivos econômicos e políticos.
O primeiro argumento é mais fácil de discutir. De fato, quando a cirurgia é realizada por pessoas despreparadas, em locais inadequados e com más condições de higiene, as complicações ocorrem com maior frequência. Caso contrário, são bem raras. Nos estudos africanos citados, elas variaram entre 1,7% e 3,6%, números não muito distantes dos 0,2% a 2% referentes às complicações das circuncisões realizadas em meninos, nos Estados Unidos.
O segundo argumento é mais problemático. A justificativa econômica se baseia no fato de que, para oferecer circuncisões em larga escala, seria necessário alocar recursos materiais e deslocar profissionais que prestam serviços em outras áreas da saúde (atendimento à infância, cuidados maternos, combate à tuberculose etc.), justamente em países pobres que se ressentem da escassez de ambos.
Além dessas restrições econômicas e logísticas, alguns governantes dos países africanos mais atingidos pela epidemia tendem a receber com desconfiança as sugestões que vêm de seus antigos colonizadores. Ainda mais, quando são propostos procedimentos cirúrgicos.
Alegam que depois da circuncisão os homens poderiam sentir-se mais confiantes e engajar-se em práticas sexuais inseguras, e que não há evidências diretas de que as mulheres seriam protegidas.
Os estudos, no entanto, mostram que o comportamento sexual dos homens circuncisados não difere significativamente dos demais e que eles se tornam mais receptivos aos programas de educação sexual. Quanto à proteção oferecida às mulheres, as evidências indiretas são indiscutíveis: quanto menor o número de homens infectados numa comunidade, mais baixo o risco de transmissão do vírus nas relações heterossexuais.
Qualquer estratégia preventiva para combater a transmissão de uma doença infecciosa deve ser baseada em dados científicos. No caso da epidemia de Aids, infelizmente, a intromissão indevida de grupos que defendem interesses religiosos, econômicos ou políticos retarda e, às vezes, impede a introdução de programas que evitariam muito sofrimento humano.
No caso da circuncisão em países com alta prevalência de AIDS, leitor, se dispuséssemos de uma vacina capaz de proteger 50 a 60% dos homens, deixaríamos de vacinar os meninos antes da puberdade?

A complexa gênese do povo judeu

A complexa gênese do povo judeu

A complexa gênese do povo judeu

Descobertas arqueológicas e etnográficas recentes revelam: a idéia de que os judeus seriam descendentes diretos de Moisés, Davi e Salomão é uma farsa ideológica. Como tantos outros povos, eles formaram-se num processo histórico rico e contraditório, que envolve múltiplas etnias e não cabe na descrição religiosa e fundamentalista que ainda prevalece
Shlomo Sand

Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá [1]no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judéia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.

Foram quase 2 mil anos de errância desde então. A tribulação levou-os ao Iêmen, ao Marrocos, à Espanha, à Alemanha, à Polônia e até aos confins da Rússia. Felizmente, eles sempre conseguiram preservar os laços de sangue entre as comunidades, tão distantes umas das outras, e mantiveram sua unicidade.

As condições para o retorno à antiga pátria amadureceram apenas no final do século 19. O genocídio nazista, porém, impediu que milhões de judeus repovoassem naturalmente Eretz Israel, a terra de Israel, um sonho de quase vinte séculos.

Virgem, a Palestina esperou que seu povo original regressasse para florescer novamente. A região pertencia aos judeus, e não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso. Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa.

De onde vem essa interpretação da história judaica, amplamente difundida e resumida acima?

Trata-se de uma obra do século 19, feita por talentosos reconstrutores do passado, cuja imaginação fértil inventou, sobre a base de pedaços da memória religiosa judaico-cristã, um encadeamento genealógico contínuo para o povo judeu. Claro, a abundante historiografia do judaísmo comporta abordagens plurais, mas as concepções essenciais elaboradas nesse período nunca foram questionadas.

Em Israel, há departamentos acadêmicos especiais para o estudo da "história do povo judeu". Lá prevalecem temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas
Quando apareciam descobertas capazes de contradizer a imagem do passado linear, elas praticamente não tinham eco. Como um maxilar solidamente fechado, o imperativo nacional bloqueava qualquer espécie de contradição ou desvio em relação ao relato dominante. E as instâncias específicas de produção do conhecimento sobre o passado judeu contribuíram muito para essa curiosa paralisia unilateral: em Israel, os departamentos exclusivamente dedicados ao estudo da "história do povo judeu" são bastante distintos daqueles da chamada "história geral". Nem o debate de caráter jurídico sobre "quem é judeu" preocupou esses historiadores: para eles, é judeu todo descendente do povo forçado ao exílio há 2 mil anos.

Esses pesquisadores "autorizados" tampouco participaram da controvérsia trazida pela revisão histórica do fim dos anos 1980. A maioria dos atores desse debate público veio de outras disciplinas ou de horizontes extra-universitários, inclusive de fora de Israel: foram sociólogos, orientalistas, lingüistas, geógrafos, especialistas em ciência política, pesquisadores em literatura e arqueólogos que formularam novas reflexões sobre o passado judaico e sionista. Dos "departamentos de história judaica" só surgiram rumores temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas.

Ou seja, após 60 anos recém-completos, a historiografia de Israel amadureceu muito pouco e, aparentemente, não evoluirá em curto prazo. Porém, os fatos revelados pelas novas pesquisas colocam para todo historiador honesto questões fundamentais — ainda que surpreendentes, numa primeira abordagem.

Considerar a Bíblia um livro de história é um dos debates. Os primeiros historiadores judeus modernos, como Isaak Markus Jost e Léopold Zunz, não encaravam o texto bíblico dessa forma, no começo do século 19. A seus olhos, o Antigo Testamento era um livro de teologia constitutivo das comunidades religiosas judaicas depois da destruição do Primeiro Templo. Foi preciso esperar até 1850 para encontrar historiadores como Heinrich Graetz, que teve uma visão "nacional" da Bíblia. A partir daí, a retirada de Abraão para Canaã, a saída do Egito e até o reinado unificado de Davi e Salomão foram transformados em relatos de um passado autenticamente nacional. Desde então, os historiadores sionistas não deixaram de reiterar essas "verdades bíblicas", que se tornaram o alimento cotidiano da educação israelense.

Nos anos 1980, as descobertas arqueológicas abalam os mitos fundadores. Moisés não conduziu à "terra prometida". Não houve revolta dos escravos egípcios. O reinado suntuoso de Davi e Salomão foi inventado. A "segunda diáspora", também
Mas eis que, ao longo dos anos 1980, a terra treme, abalando os mitos fundadores. Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século 13 antes da nossa era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à "terra prometida" — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros.

Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.

E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido?

Paradoxalmente, esse "evento fundador" da história dos judeus, de onde a "diáspora" tira sua origem, não rendeu sequer um trabalho de pesquisa. E por uma razão bem prosaica: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo.

Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina.

Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia [2].

O êxito da religião de Jesus não colocou fim ao judaísmo. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Após o século 7, berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica
Mas, na falta de um exílio a partir da Palestina romanizada, de onde vieram os judeus que povoaram o perímetro do Mediterrâneo desde a Antigüidade? Por trás da cortina da historiografia nacional, esconde-se uma surpreendente realidade histórica: do levante dos macabeus, no século 2 a.C., à revolta de Bar Kokhba, no século 2 d.C., o judaísmo foi a primeira religião prosélita. Nesse período, a dinastia dos hasmoneus converteu à força os idumeus do sul da Judéia e os itureus da Galiléia, anexando-os ao "povo de Israel". Partindo desse reino judeu-helenista, o judaísmo se espalhou por todo o Oriente Médio e pelo perímetro mediterrâneo. No primeiro século de nossa era surgiu o reinado judeu de Adiabena, no território do atual Curdistão, e a ele seguiram-se alguns outros com as mesmas características.

Os escritos de Flávio Josefo são apenas um dos testemunhos do ardor prosélito dos judeus: de Horácio a Sêneca, de Juvenal a Tácito, vários escritores latinos expressaram seu temor sobre a prática da conversão, autorizada pela Mixná e pelo Talmude  [3].

No começo do século 4, o êxito da religião de Jesus não colocou fim à expansão do judaísmo, mas empurrou seu proselitismo para as margens do mundo cultural cristão. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Seus descendentes mantiveram a fé judaica após a expansão do Islã e preservam-na até os dias de hoje. Da mesma forma, os cronistas árabes nos contam sobre a existência de tribos berberes judaizadas: contra a pressão árabe sobre a África do Norte, no século 7, surgiu a figura lendária da rainha judia Dihya-el-Kahina. Em seguida, esses berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica e estabeleceram ali os fundamentos da simbiose particular entre judeus e muçulmanos, característica da cultura hispano-arábe.

A conversão em massa mais significativa ocorreu, no entanto, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no imenso reino Cazar do século 8. A expansão do judaísmo do Cáucaso até as terras que hoje pertencem à Ucrânia engendrou várias comunidades que seriam expulsas para o Leste europeu pelas invasões mongóis do século 13. Lá, os judeus vindos das regiões eslavas do sul e dos atuais territórios alemães estabeleceram as bases da grande cultura ídiche [4].

Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas "científicas" israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro
Esses relatos sobre as origens plurais dos judeus figuraram, de forma mais ou menos hesitante, na historiografia sionista até o início dos anos 1960. Depois disso, foram progressivamente marginalizados e, por fim, desapareceram totalmente da memória pública israelense. Afinal, os conquistadores de Jerusalém em 1967 deveriam ser os descendentes diretos de seu reinado mítico, e não de guerreiros berberes ou cavaleiros cazares. Com isso, os judeus assumiram a figura de éthnos específico que, depois de 2 mil anos de exílio e errância, voltava para a sua capital.

E os defensores desse relato linear e indivisível não mobilizam apenas o ensino de história: eles convocam igualmente a biologia. Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas "científicas" israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro. A "pesquisa sobre as origens das populações" representa hoje um campo legítimo e popular da biologia molecular, e o cromossomo Y masculino ganhou um lugar de honra ao lado de uma Clio judia na busca desenfreada pela unicidade do "povo eleito".

Essa concepção histórica constitui a base da política identitária do estado de Israel e é exatamente seu ponto fraco. Ela se presta efetivamente a uma definição essencialista e etnocentrista do judaísmo, alimentando uma segregação que mantém a distância entre judeus e não-judeus.

Israel, 60 anos depois de sua fundação, não aceita conceber-se como uma república que existe para seus cidadãos. Quase um quarto deles não é considerado judeu e, de acordo com o espírito de suas leis, esse estado não lhes pertence. Ao mesmo tempo, Israel se apresenta como o estado dos judeus do mundo todo, mesmo que não eles não sejam mais refugiados perseguidos, e sim cidadãos com plenos direitos, vivendo como iguais nos países onde residem. Em outras palavras, um etnocentrismo sem fronteiras serve de justificativa para uma severa discriminação ao invocar o mito da nação eterna, reconstituída para se reunir na "terra dos antepassados".

Escrever uma nova história judaica, para além do prisma sionista, não é tarefa fácil. A luz que se refrata ao passar por esse prisma se transforma, insistentemente, em cores etnocêntricas. Mas, se os judeus sempre formaram comunidades religiosas em diversos lugares e elas foram, com freqüência, constituídas pela conversão, obviamente não existe um éthnos portador de uma mesma origem, de um povo errante que teria se deslocado ao longo de 20 séculos.

Sabemos que o desenvolvimento de toda historiografia — e, de maneira geral, as da modernidade — passa pela invenção do conceito de nação, que ocupou milhões de seres humanos nos séculos 19 e 20.

Recentemente, porém, esses sonhos começaram a ruir. Cada vez mais pesquisadores analisam, dissecam e desconstroem os grandes relatos nacionais e, principalmente, os mitos da origem comum, caros aos cronistas do passado. Certamente os pesadelos identitários de ontem darão espaço, amanhã, a outros sonhos de identidade. Assim como toda personalidade é feita de identidades fluidas e variadas, a história também é uma identidade em movimento.

 


 traduções deste texto >> English — Israel deliberately forgets its history Esperanto — Kiel elpensiĝis la juda popolo ? français — Comment fut inventé le peuple juif فارسى — چگونگي برساختن قوم يهود
[1] Texto fundador do judaísmo, a Torá é composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia, ou Pentateuco: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

[2] Cf. David ben Gurion e Yitzhak ben Zvi, Eretz Israel no passado e no presente (1918, em ídiche), Jerusalém, Yitzhak ben Zvi, 1980 (em hebraico), e Yitzhak ben Zvi, Nossa população no país (em hebraico), Varsóvia, O Comitê Executivo da União da Juventude e o Fundo Nacional Judeu, 1929.

[3] A Mixná, considerada como a primeira obra de literatura rabínica, foi concluída no século 2 d.C. O Talmude sintetiza o conjunto dos debates rabínicos referindo-se à lei, aos costumes e à história dos judeus. Há dois Talmudes: o da Palestina, escrito entre os séculos 3 e 5, e o da Babilônia, concluído no fim do século 5.

[4] Falado pelos judeus da Europa oriental, o ídiche é uma língua eslavo-germânica, com palavras vindas do hebraico


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Magal
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