30 de mar. de 2008

Soldado israelense Gilad Shalit está vivo e bem tratado

Soldado israelense Gilad Shalit está vivo e bem tratado

O soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos perto da Faixa de Gaza em junho de 2006, está vivo e bem tratado, declarou um dos chefes do Hamas, Khaled Mechaal, em entrevista que será divulgada nesta segunda-feira na rede britânica Skynews.

"Gilad está vivo e muito bem tratado, enquanto os israelenses tratam mal nossos prisioneiros como todo o mundo sabe", declarou o líder no exílio do Hamas.

O cabo Gilad Shalit, de 25 anos, foi seqüestrado no dia 25 de junho de 2006, em território israelense com a fronteira de Gaza, por três grupos de palestinos armados.

O Hamas fez chegar a Israel, através do Egipto, uma lista de 450 prisioneiros para os quais exige a libertação em troca de Gilad Shalit.

Um dirigente israelense já havia afirmado que a maioria dos prisioneiros dessa lista havia cometido crimes de sangue, pelo que nem todos poderiam ser libertados. A entrevista de Khaled Mechaal foi realizada pela Sky News em um lugar secreto de Damasco.



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Magal
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29 de mar. de 2008

A Historia de Bruna - Carolina na Cinemateca de Tel Aviv

A Historia de Bruna - Carolina na Cinemateca de Tel Aviv



Em 1988   este caso foi chamado O Julgamento de Salomão , só que o final foi triste porque apesar que a mãe biológica tenha ganhado  a causa ela escolheu sacrificar aquela criança que poderia ter tido outra vida .
Para quem não conhece a historia de Bruna - Carolina como a conhecemos aqui em Israel pode ver a reportagem (no site abaixo)  onde ha uma sinopse do filme que vai ser projetado dia 12 de abril na Cinemateca de Tel Aviv as 18 hs .
 
A repórter Nili Tal foi procurar a Bruna depois que assim como eu tambem nela ficou gravado o choro daquela criança de 2 anos que em hebraico dizia ima , aba e o psicólogo israelense tentava ensina-la  dizer mamãe , papai . E na naquela época eu me lembro ter comentado com minhas amigas israelenses que diziam que a mãe biológica tinha o direito de leva-la ao Brasil  que elas não conheciam a realidade no Brasil e que esta criança estava destinada a ser tão prostituta como a mãe .
 
Que pena que esta gente se deixou levar pelo jornalismo e não pensou nesta criança .
 
   

24 de mar. de 2008

Peres na França

Peres na França



Visita de Peres foi marco histórico no relacionamento com a França

As principais entidades judaico-francesas publicaram anuncio de pagina inteira, congratulando-se com Peres, pelo sucesso de sua visita. O CRIF, Fonds Social Juif Unifié e o Consistoire Central-Union dês Communités Juives de France, declararam que as bandeiras da França e de Israel, tremulando juntas nas ruas de Paris, deram um brilho especial e iluminaram o país durante a estada do presidente israelense.
Seguem-se a estes momentos de euforia, um clima de comemoração dos 60 anos de independência de Israel. Nas principais livrarias da capital, são encontradas vitrines com mostras de livros relacionados ao tema, desde a historia do país e de seus lideres políticos, até as biografias ilustradas do pai do sionismo político, Theodor Herzl, que escreveu seu famoso livro "L´Etat Juif" num hotel aa Rue Cambon, em Paris.





Nas vitrines externas e no interior das livrarias,
um destaque para Israel e sua história

Também temas judaicos ganham destaque neste momento especial, como na matéria de capa do "Le Magazin Littéraire" deste mês, dedicada ao tema "Os Judeus e Literatura", ocupando 23 paginas desta renomada publicação.


Tema judaico na capa do renomado "Le Magazine Littéraire"

No sábado passado (23/03), o importante jornal francês "Le Figaro", trouxe encimando sua capa, a matéria sobre a Páscoa católica e o Pessach judaico, tendo como debatedores do tema o Cardeal de Lyon, Philippe Barbarin, e o Grão-rabino da Sinagoga de La Victoire de Paris, Gilles Beruheim, candidato à eleição em junho de 2008 para ocupar o cargo de Grão-rabino da França.


Na capa do Figaro o destaque para o diálogo cristão-judaico


Neste clima de festa e prestígio para a comunidade judaico-francesa, apenas um registro de pesar pelo fechamento definitivo do mais popular símbolo da vida judaica no bairro parisiense do Marrais, conhecido mundialmente, o tradicional restaurante Goldenberg-Pletzl.  Após vários meses com suas portas fechadas, na semana passada, seu administrador deu entrevista aos jornais informando de um próximo pedido de falência desta casa com mais de 50 anos de tradição.



Fecha um ícone do judaísmo em Paris:
Goldenberg-Pletzl da Rue des Rosiers

O local virou símbolo da tenacidade judaica quando, em agosto de 1982, dois terroristas árabes lançaram uma granada no interior do restaurante lotado, matando seis pessoas e ferindo outras 22.  Na época, Jo Goldenberg, proprietário da casa, afirmou que não se curvaria ao terror, reabrindo o estabelecimento reformado, agora fechado definitivamente, por dificuldades financeiras. A vida judaica na França atual é efervescente em dois pontos: nas praticas de um judaísmo tradicional e no engajamento ao movimento sionista pró-Israel.



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Magal
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23 de mar. de 2008

Para refletir: Regras de conduta do sábio (Eliahu Toker)

Para refletir: Regras de conduta do sábio (Eliahu Toker)



Regras de conduta do sábio (Eliahu Toker)

 

Obra de sábios, o Pirkê Avot dá especial atenção à sabedoria. Por isso afirma: "Aquele que aprende de seu semelhante apenas um capítulo da Torá, uma halachá, um versículo, um dito, até mesmo uma só letras, deve tratá-lo com respeito particular. Pois assim aprendemos que Davi, rei de Israel que, embora não tenha aprendido de Ahitofel mais do que duas regras de conduta, o chamava de "meu grande e reverenciado mestre".

Segundo o livro, a sabedoria tem proeminência sobre o sacerdócio e a realeza, pois a realeza exige 30 condições, o sacerdócio, 24, enquanto a sabedoria exige 48.

Entre as regras de conduta estão normas que dizem respeito ao estudo dos textos. É preciso estudar com alegria, escutar, compreender e chegar ao fundo das coisas e ainda aguçar a mente, formulando perguntas que promovam a busca de respostas adequadas.

Também as atividades cotidianas fazem parte das regras: dormir pouco, cortar as conversas banais, moderar a dedicação aos negócios e evitar a frivolidade.

O estudo religioso e o respeito aos mestres são partes importantes desse conjunto, como também a humildade, a sensatez, a bondade e o amor ao próximo e a Deus.

Algumas delas, válidas para o ambiente acadêmico até hoje, são: não permitir que os padecimentos o afastem do estudo, expor com precisão, escutar atentamente e aportar idéias próprias, aprender para ensinar, intervir de maneira inteligente, acrescentando assim ao saber de seu mestre e expor idéias mencionando seu autor, pois "todo aquele que expõe idéias e menciona seu autor contribui para a redenção da humanidade" (6:3-6).  

Extraído de:
Revista História Viva - Grandes Religiões - número 2 - Judaísmo. São Paulo, Duetto, /março de 2007/, p.27.

 

Cabalá

Cabalá

Curso de Introdução à Cabalá

Aula 1

O que é a sabedoria da Cabalá?
 

  • Por que os cabalistas pedem a todos que estudem a sabedoria da Cabalá?

  • O que é a alma? Como se desenvolve?

  • Existe algo fora de nós mesmos ou isso é simplesmente uma ilusão?

  • Quem são os cabalistas?

  • Como é possivel saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

No ítem 155, no final da introdução do Talmud Eser Sefirot (o Estudo das Dez Esferas), Baal HaSulam (Rabino Yehuda Ashlag) escreve: "Portanto…devemos perguntar: porque os cabalistas obrigavam cada pessoa a estudar a sabedoria da Cabalá? Na verdade, há algo importante aqui, digno de ser publicado: há um remédio magnífico e inestimável…"

Qual é esse remédio inestimável? Ele explica que todos temos uma alma. Esta alma existe dentro de cada um de nós num estado latente.

Para despertar a alma e abri-la, temos que desenvolvê-la para que possa absorver a Luz Superior que vem de cima. O avanço da alma é efetuado pela Luz Superior. A razão pela qual não nos desenvolvemos suficientemente até hoje é porque não atraimos a Luz Superior até nós.

Que método deveriamos usar para fazer isso? Enquanto estudamos, especialmente durante as duas horas seguintes, devemos nos esforçar para atrair a Luz Superior. Isso se consegue de uma maneira simples: não esquecendo o porquê de estarmos estudando e qual é o propósito de nossa aprendizagem. Não se trata apenas de saber o que está escrito e entender o que estou explicando, e sim de viver, alcançar, sentir, trabalhando dentro de nós mesmos, porque só estamos falando do que esta dentro de nós.

Fora de nós mesmos só existe a Luz Superior de cima, o Criador; e tudo o que nós somos capazes de imaginar, tudo isso, está dentro de cada um.

Os mundos espirituais, este mundo, tudo o que podemos pensar, absolutamente tudo se encontra em nós mesmos, dentro de nós. E se nos parece que existe alguma coisa fora de nós mesmos, isso é simplesmente uma ilusão. Quem for recompensado rapidamente e conseguir ver as coisas dos mundos lá de cima verá que isso é verdade – que tudo se encontra dentro do homem.

Enquanto você estuda, pense que todos nós somos um grande grupo uniforme e especial. Temos um grande desejo, uma grande vasilha espiritual ("kli"), através da qual atraímos uma grande luz espiritual. Eu estou aqui para possibilitar a materialização deste processo, para apoiar, e vocês devem se esforçar para criar uma atmosfera agradável e confortável para todos nós.

É importante saber que estamos a ponto de receber um grande poder do Alto, um poder que nos ajudará a progredir e subir na escada espiritual. Logo vocês o sentirão e o verão. Isso é o mais importante.

Além disso, eu não usarei nenhum livro específico e contarei a vocês quais são as minhas fontes. Mas, em realidade, não é importante de onde isso vem. Meu propósito é dar a vocês uma base e cada vez usarei partes de diferentes lugares dos livros.

Como adquirimos o conhecimento que você esta aprendendo nessas aulas?

Aprendemos de pessoas como nós, que viviam como nós, neste mundo, e, de repente, algo acima deste mundo foi revelado a eles. Começaram a ver através das paredes, através das pessoas, através de onde eles estavam vivendo – dentro de cavernas, em tendas, até em palácios. Começaram a ver algo fora deste mundo e começaram a escrever tudo o que viam e sentiam.

Começaram a medir este sentimento, a examiná-lo e analisá-lo constantemente. Rapidamente, eles começaram a descobrir um completo mundo novo fora deste. Lentamente, eles juntaram suas impressões em livros, que se transformaram nas bases da Sabedoria da Cabalá.

A Cabalá é chamada "A Sabedoria da Cabalá" porque fala da revelação da linha de Criador. Como receber a revelação do Poder Superior e senti-Lo, vê-Lo e estar unido a Ele. Isso é o que eles escreveram e o que desejaram para nós.

Por que escreveram? Primeiro eles experimentaram e depois escreveram. Mediram, repetiram todas as suas experiências e realmente falaram uns com os outros através de seus livros. Obviamente, seus escritos eram entendidos só por aqueles que haviam pessoalmente alcançado o sentimento do Mundo Superior.

Estudando o que eles escreveram, nós recebemos a Luz Circundante. No momento em que pensamos e esperamos atrair a Luz Circundante a nós, para desfrutar dela, com sua ajuda nós tambem podemos alcançar um estado no qual veremos como eles, uma realidade maior e superior. E essa realidade nos ajudará a saber quem somos, de onde viemos e para onde nos dirigimos no futuro.

Isso significa que estudando a Sabedoria da Cabalá e os livros escritos pelos cabalistas podemos observar duas influências. A primeira é a que um Cabalista passa a outro cabalista, que pode ler e caminhar pelos mesmos lugares que o autor esteve – subir e descer, exatamente como ele – e, em poucas palavras, realmente viver e exprimentar as mesmas situações descritas nesses livros.

A segunda influência é sobre nós: por enquanto desfrutamos dela como Luz Circundante. Sem entender o que é, nos esforçamos para atrair o poder que nos melhorará e nos elevará às mesmas situaçoes descritas pelos cabalistas.

Portanto, vale a pena ler esses tipos de livros, que, na verdade, têm poderes especiais, grandes poderes. Apesar de haver muitos livros escritos sobre Cabalá, nós não vamos ler todos (os cabalistas escreveram em linguagem e formas distintas). Mas certamente usamos livros especiais, escritos por pessoas do mais alto nível de correção ("tikun"), de um nível muito alto. Além disso, esses livros foram escritos especialmente para nós para aqueles abaixo da barreira ("massach") e que desejam ultrapassá-la. Não temos muitos desses livros: os livros do Santo Arí, os livros de Ramhal (cujas escrituras ainda não estudamos porque ele escreveu numa linguagem muito especial) e os livros de Baal HaSulam.


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Graus e Denominações

Graus e Denominações

Pergunta:
O senhor disse que todos os níveis pelos quais a alma passa nos mundos espirituais, projetam-se a seguir em nosso mundo. Em outras palavras, se a alma já passou pelo nível de Faraó, esse nível se materializa em seguida, em nosso mundo, em um corpo no nível da alma do Faraó? Ou será que somente no corpo do Faraó, com seus atributos terrestres? Em outras palavras, quando em nosso mundo, uma alma passa, no corpo, pelo nível de Faraó, no mundo espiritual seguinte, ela já se encontra no nível espiritual seguinte, por exemplo, o de justo. Em outros termos, será que nos mundos espirituais já se prepara o novo nível do Justo para o nosso mundo, enquanto em nosso mundo, a alma passa pelo estado de Faraó? Tudo o que vai acontecer ao Faraó no nosso mundo, ele não pode mais mudar? O Faraó pode, no nosso mundo, influenciar seu futuro nível de Justo, que se forma paralelamente no mundo espiritual? Se por exemplo, a alma se desenvolve no mundo espiritual de acordo com o esquema Goy-Faraó-Justo, é possível que ela possa voltar, por uma razão qualquer, ao nível precedente, ao de Goy, em vez de ir para o nível seguinte, o de Justo? Em outras palavras, o esquema Goy-Faraó-Justo pode, de algum modo, dar um passo atrás? Isso depende da maneira como a alma se conduz, no corpo de Faraó?
Resposta de Rav Laitman:

Você corre o risco de se confundir porque você raciocina de um ponto de vista extrínseco, e não intrínseco. Toda a Torah nos fala unicamente sobre a maneira pela qual nós podemos acessar o nível superior; ela não nos conta fatos históricos. Nos mundos espirituais, essa história ainda não existe, ela foi escrita para cada alma que passa pelos níveis de Goy-Faraó-Moisés. E é somente assim, a Torah foi escrita para uma única pessoa, para um único homem, para cada um em particular, e é somente na escala individual que é preciso senti-la.

A alma pode passar por várias transformações enquanto está em um corpo terrestre, aliás essa é a razão pela qual ela se encontra nesse corpo. Todas as partes da alma universal são obrigadas a passar pelos estágios da correção, do nível mais baixo até o mais elevado, enquanto estão encarnadas em um corpo de nosso mundo, ou seja, vivendo em nosso mundo. O homem tem a obrigação de sentir todos os níveis da progressão pelos 613 degraus, até o último, aquele da igualdade com o Criador.

O que acontece em nosso mundo, na sua matéria, é similar àquilo que está narrado na Torah a respeito dos eventos entre as forças dos mundos espirituais; é apenas uma cópia, feita na matéria de nosso mundo. Será que o Faraó (*heb. Paro) terrestre e o Moisés (*heb. Moshe) no mundo terrestre tiveram essa força, esse nível espiritual no qual se situam os autênticos Faraó e Moisés? Será que o Primeiro e o Segundo Templos correspondiam a seus níveis espirituais? O que significa 'corresponder'? No que você procura a espiritualidade, nisso tudo? No que eles conseguiram fazer? Então estamos na descida desde o Alto, e não na progressão a partir do baixo. Esses são exemplos daquilo que o homem deve atravessar em si mesmo!

A Torah fala somente do caminho de elevação de cada um de nós, através dos níveis que ela descreve. Todas as descrições são daquilo que nós devemos sentir. Todos esses personagens e seus eventos, nós devemos representá-los, vivê-los em nós mesmos. É somente depois que a 'peça tenha sido representada', que nós seremos capazes de sentir o que foi, efetivamente, que o Criador preparou para nós. A Torah nos diz: 'cada um deve tornar-se Moisés'. É possível especificar: cada um deve ser também os outros personagens da Torah, como o Faraó, como Bilam etc. Moisés é o objetivo do progresso da alma. Certamente, não é possível chegar a esse nível de desenvolvimento se não deixarmos entrar em nós todo o egoísmo do Faraó.

O essencial, portanto, é fazer esforços internos para caminhar segundo o caminho da Torah; é isso que designa o mandamento de 'escrever o livro da Torah', como foi dito, 'Inscreva Minhas palavras em teu coração'.

Quanto ao fato de que o homem possa atravessar um nível neste mundo, enquanto sua alma está em um outro nível em outro mundo: uma mesma alma não pode estar em vários níveis simultaneamente. Todos os nossos níveis futuros, até o último, a perfeição, situam-se nos 613 degraus dos mundos espirituais.

No entanto, não estamos falando da alma, mas desses níveis, daquilo a que ela vai alcançar após ter-se elevado a esse nível.

Nosso mundo (de baixo para cima) é semelhante ao mundo de Assiyah, que é semelhante ao mundo de Yetzirah, que é semelhante ao mundo de Beriah, que é semelhante ao mundo de Atzilut. Ou ao inverso (do alto para baixo): à imagem do mundo de Atzilut, sucessivamente, os mundos de BY"A e nosso mundo foram criados e foram copiados, a partir dele.

A Torah descreve os eventos que se produzem no mundo de Atzilut. Em todos os mundos espirituais de BY"A, que se situam abaixo do mundo de Atzilut (abaixo, com relação ao nível espiritual), produzem-se os mesmos eventos que em Atzilut, mas numa medida menor, do ponto de vista espiritual. No nosso mundo, há igualmente uma similaridade com os eventos do mundo de Atzilut, mas em uma outra matéria, não espiritual: no egoísmo, na matéria do nosso mundo. É por isso que não nos é possível fazer uma idéia precisa dos eventos. Nós não conseguimos captar o vínculo entre nosso mundo e os outros mundos porque nós não dominamos as noções da matéria espiritual.

Somente o cabalista tem uma percepção simultânea dos dois mundos. Todavia ele não pode explicar isto a quem não sente a matéria espiritual. É por isso que a ciência da compreensão dos mundos espirituais é individual, e é qualificada como secreta: seus frutos só são visíveis por aquele que compreende, e ninguém mais. No mundo de Atzilut, o Faraó representa o egoísmo não reparado, criado pelo Criador. O Faraó, por conseqüência, está oposto ao nível do Criador. A reparação do Faraó nesse nível significa a reparação total de Malchut, de toda a criação.

O protótipo do Faraó no mundo de Beriah, situado abaixo do mundo de Atzilut, significa a reparação precedente do Faraó, no nível do degrau situado abaixo, antes daquele correspondente ao acabado.

O Faraó no mundo de Yetzirah encontra-se, em sua reparação, a dois degraus, dois níveis precedentes, com relação ao acabado.

O Faraó, no mundo de Assiyah, encontra-se, portanto, a três degraus, três níveis precedentes, piores, abaixo daquele correspondente ao acabado.

No nosso mundo, em outras palavras, no corpo terrestre do Faraó, não há nada de espiritual, nada nesse Faraó terrestre, pois nosso mundo é apenas matéria, nosso corpo e tudo aquilo que o cerca, o inanimado, o vegetal, o animal. Se a alma acompanha o corpo em nosso mundo, o homem é chamado 'cabalista'. Se a alma não acompanha o corpo, o homem situa-se em um estado prévio de desenvolvimento espiritual; ele ainda não tem alma, ainda não tem o vínculo manifesto com os mundos espirituais, nem de Assiyah, nem de Yetzirah, nem de Beriah, nem de Atzilut.

No nosso mundo, a alma é acompanhada pela sua correspondência na matéria de nosso mundo, à imagem do mundo de Atzilut: o Faraó (o egoísmo, a klipá) corresponde ao soberano do mundo. Moisés é a força que aspira ao Criador, oposta ao Faraó; se Moisés vai ao Faraó a partir do Criador, o Faraó e o Criador são iguais no homem, e há livre arbítrio.

Tudo, no nosso mundo, na matéria de nosso mundo, deve concordar com os mundos espirituais, mas segundo uma fórmula bem precisa de concordância. Essa concordância existe sem a intervenção do homem, simplesmente pela descida do alto abaixo, que conduz aos eventos históricos neste mundo.

Na história de nosso mundo, deverá acontecer, em tal ou qual momento, que cada alma passe a viver nos mundos espirituais, elevando-se sobre os degraus de nosso mundo até o mundo de Atzilut. O nível chamado 'Faraó' corresponde ao homem que, enquanto estuda a Kabbalah, sente seu egoísmo com acuidade, da forma totalmente primária; ele sente seu antagonismo com relação ao Criador. Trata-se de um degrau poderoso, o mais negativo, oposto à correção total – o que precede a ascensão ao primeiro degrau, a correção final. Se o homem corrige o nível do Faraó em si mesmo, ele conclui sua correção.

Tudo em nosso mundo, em sua história, representa, em sua matéria, os níveis espirituais que todo homem tem a obrigação de atravessar em si mesmo, segundo o princípio de que 'o homem é um microcosmo'. O conjunto da humanidade evolui assim historicamente: as novas almas em cada geração descem nos corpos para empurrar os corpos ao progresso material, e o homem ao progresso espiritual.

Quando uma alma chega ao limiar (*seuil) de seu desenvolvimento egoísta, nascem nela aspirações espirituais, e é então que a pessoa vem me ver e começa o estudo da Kabbalah. Progressivamente, ela passa pelos degraus, partindo do zero (embrião espiritual) para chegar ao alto, até o final da correção. Cada degrau comporta um nível negativo em que o homem se atribui desejos egoístas cada vez mais poderosos, que ele corrige, para em seguida receber a luz do degrau em que ele se encontra então, em seu desejo corrigido.

Os diferentes degraus correspondem a atributos tanto negativos quanto positivos. Mas isso acontece alternativamente, da linha esquerda (não corrigida) em direção à linha direita (a força divina), e em seguida na direção da linha média (a correção da linha esquerda por meio das forças da linha direita). É somente assim que se efetua a elevação.

O sentimento de seus desejos egoístas, negativos, conduz o homem a se atribuir o nome de 'Goy'. Após ter sido criado, Adam dá nomes a cada coisa e a cada propriedade do mundo em volta. O homem, quando se eleva espiritualmente, torna-se um Adam corrigido, e dá um nome a seu mundo interior, a suas qualidades. Ele se chama 'Faraó', 'Goy', 'Moisés' etc.

A seus desejos egoístas, ele atribui a denominação de 'Goy'. As diferentes manifestações no homem, do desejo egoísta, portam as denominações particulares dos goyim indicados na Torah. Segundo esse mesmo princípio, as manifestações positivas portam a denominação de Israel, de 'iashar – El': diretamente na direção do Criador (na direção do Seu desejo). As denominações particulares existem igualmente para os filhos de Israel, os Levyim, os Cohanim, em função do degrau espiritual (o degrau esquerdo, corrigido, é chamado 'Levy'; o direito, 'Cohen'; o médio, 'Israel'). Jamais acontece um passo atrás, somente em frente, muito embora a pessoa possa ter a impressão do contrário, quando o homem tomba no egoísmo maior ainda, correspondente ao degrau seguinte, ou seja, na linha esquerda, não corrigida.



21 de mar. de 2008

Cursos sobre “Israelismo” ou o sentido de pertinência a Israel

Cursos sobre “Israelismo” ou o sentido de pertinência a Israel



As FDI apresentam:
Cursos sobre "Israelismo" ou o sentido de pertinência a Israel

Do Ha'aretz - Yuval Azulai

www.haaretz.com

Eles emigraram para Israel nos últimos dois anos, mal sabendo uma palavra em hebraico.  Em uma base militar das FDI, ao Norte do país, estão agora aprendendo a utilizar armamento e equipamentos de telecomunicação – mas aprendem, também, noções sobre sionismo e hebraico, para vencer a barreira da língua.  Seu objetivo:  facilitar sua integração na sociedade israelense.  Três minutos... já!

     Os soldados da Companhia Dror, alistados nas FDI há apenas seis semanas, estavam sentados em uma sala de aula, no formato em "U", em uma base na Região Norte do país.  Ao fundo, ouvia-se uma canção popular, executada pelo conhecido conjunto "Hadag-Nachash". Diante deles, Maya, sua oficial subalterna, contava-lhes que aquela música tinha sido escrita por David Grossman. Para os novos imigrantes, especialmente dos países da antiga URSS, o nome desse famoso compositor e o da famosa banda de hip-hop israelense não significavam absolutamente nada.  "Daqui a três minutos, quero que todos preparem um adesivo em hebraico, com seu mantra, isto é, seu moto de vida", ordena Maya aos soldados enquanto distribui papel e canetas coloridas.  "Quero os adesivos mais bonitos de sua vida.  Comecem agora.  Vocês têm três minutos: já!". Um dos soldados acerta seu cronômetro de pulso.

     A jovem cabo tenta explicar a instrução a um soldado que não entendeu o significado da palavra "adesivo". "É uma coisa que se vê com freqüência nos carros", explica.  "Todos sabem quem foi Rabin, não é?  Há muitos adesivos com a frase 'Shalom, Amigo' ou 'Amigo, sentimos sua falta'. Outros dizem "Não temos em quem confiar, a não ser em Nosso Pai na Reserva'".  Os soldados, cujo hebraico está longe de ser fluente, tentam concentrar sua atenção na criação de um slogan legal, tendo por fundo aquela música barulhenta.  Quando o tempo se esgota, instruem-nos a guardar as canetas coloridas e mostrar os adesivos, uns aos outros.  Um deles escreveu: "Cuidado, bebê a bordo", enquanto outro escreveu e ilustrou, na maior calma, um adesivo colorido que dizia: "Cuidado. Mulher ao volante".

     Ao mesmo tempo, os soldados em outra classe aprendiam hebraico utilizando anúncios de jornal.  A responsável por eles, Cabo Nohar, pergunta-lhes acerca dos riscos do cigarro; cada um dos soldados tinha que responder em hebraico. Nohar lhes conta, sempre em hebraico, que há pesquisas que demonstram que os homens que fumam são mais expostos à depressão, acrescentando imediatamente a palavra em inglês, "depression"'. "O método pede que se diga a palavra em hebraico, junto com sua tradução em inglês, facilmente reconhecido em qualquer lugar do mundo", explica a 1º Tenente Hadas Ben-Guigui, um dos comandantes do curso para imigrantes, naquela base.  Enquanto isso, a aula continua e a instrutora fala, agora, sobre os riscos envolvidos em ingerir alimentos com muito açúcar.  "As pessoas que comem muito açúcar se tornam gordas", um dos soldados diz em hebraico.

Disciplina férrea

     Como seus amigos da Companhia Nir, os soldados da Companhia Dror, na base do Corpo Educativo Allon, próximo à aldeia de Maghar, na Galiléia, emigraram para Israel nos últimos dois anos.  Sabiam pouquíssimo ou nenhum hebraico, e o programa das FDI do qual participam foi projetado para lhes equipar com um vocabulário mínimo que lhes permita conduzir uma conversa em hebraico básico.

     Este programa especial para imigrantes dura três meses. O primeiro mês é dedicado ao treinamento básico das FDI que inclui treinos físicos, de disciplina e operação de armamento e equipamentos de comunicações.  A seguir, participam de workshops intensivos com o propósito de aprender hebraico e recebem aulas sobre sionismo.  A 1º Tenente Ben-Guigui está convencida de que, além de ser uma forma de aprender hebraico e noções sobre sionismo, esta estrutura de ensino constitui nada menos do que um curso de "Israelismo".

     O curso, em si, é ministrado com uma "disciplina de ferro", explica a oficial, "com uma programação muito rígida e pré-determinada".  Eles se levantam às 5:30h da manhã e seu dia inclui exercícios, desjejum, parada matinal, reunião com o comandante da Companhia, e, a seguir, sete horas contínuas de estudo de hebraico, com vários intervalos de poucos minutos entre as aulas.  A última hora é dedicada à auto-aprendizagem e à ajuda para quem necessita de uma atenção extra, por parte do comando.  Entre as atividades como aprender expressões idiomáticas, conectar frases, aumentar o vocabulário e lhes transmitir autoconfiança para adotar esse idioma tão estranho a eles, a equipe de instrutores também lhes dá aulas de sionismo e história judaica, incluindo temas como anti-semitismo, Holocausto e guerras de Israel.

 

Dia do aniversário das mães

O Tenente Coronel Itai, comandante da base, serviu anteriormente como piloto de combate em esquadrilhas Phantom e F-16.  Foi nomeado comandante da Base Allon há seis meses e está orgulhoso com os resultados do programa.  "Ano após anos fornecemos às FDI vários soldados que anteriormente não sabiam falar hebraico ou tinham escassos conhecimentos do idioma, e que agora já conseguem fazê-lo.  Quando eles chegam aqui, dou-lhes um briefing introdutório, em hebraico, e muitos deles não me entendem", conta, "mas, na minha mensagem de encerramento, eles entendem praticamente tudo".

     O comando da base está especialmente orgulhoso de três soldados que deram seus primeiros passos nas FDI através do programa de estudo do hebraico.  Eles estão entre os que receberam menções após participar na última guerra, no Líbano.  "Não é fácil", admite o comandante da base.  "Além das dificuldades do idioma, eles têm outros problemas relacionados com a integração, as diferenças nos níveis disciplinares, problemas em aceitar a autoridade de seus superiores, problemas domésticos e, por exemplo, o sentimento especial que alguns têm quando é aniversário da mãe, especialmente quando são da Rússia.  O assunto é muito sensível para alguns deles e, se um membro do comando não entender isso, este superior é bem capaz de cometer erros e acabar com a carreira militar do soldado nas FDI.

    Os cabos-de-fileira Dennis Kim, de Bat Yam, e Igor Rachles, de Hod Hasharon, emigraram para Israel há um ano e meio. Ambos estão muito motivados para estudar hebraico e noções de sionismo.  Igor diz que, em casa, sua família não fala o idioma.  "Meu pai não fala nada de hebraico, além de 'shalom', 'lehitraot' e 'O que você quer de mim?'. A princípio, achei a língua muito difícil.   Irritava-me o fato de o hebraico conter tantas opções, que me eram difíceis de memorizar.  Agora eu entendo bem mais", acrescenta Igor.  Dennis quer terminar o curso e se alistar na Companhia 101 de Pára-quedistas, seguindo os passos de seu irmão mais velho. Por enquanto, ele está aperfeiçoando seu novo idioma. "É difícil, para mim, mas não há outra opção.  Temos que aprender hebraico", explica.  "Acabo de terminar a lição de casa, que era traduzir um poema russo para o hebraico.  Foi bem interessante, o hebraico não é assim tão difícil.  O russo é bem mais complicado, com muitas opções mais.  Mas os verbos em hebraico são super-difíceis...".

    

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18 de mar. de 2008

Negro e judeu ortodoxo, Y-Love faz rap sem fronteiras

Negro e judeu ortodoxo, Y-Love faz rap sem fronteiras

 

Negro e judeu ortodoxo, Y-Love faz rap sem fronteiras

Artista norte-americano rima em inglês, hebraico, aramaico e árabe.
Em entevista ao G1, ele fala sobre como é conciliar hip hop e sua fé.
Shin Oliva Suzuki
 
 
Foto: MySpace do artista 
MySpace do artista
O rapper Y-Love (Foto: MySpace do artista)

Cena: na cidade de Baltimore, nos EUA, um garoto negro de sete anos assiste a um comercial de TV sobre os festejos da Páscoa judaica. Como acontece freqüentemente com as crianças, o menino surpreende a mãe, de origem porto-riquenha e católica, com uma frase inusitada: "mamãe, eu quero ser judeu!". Mas a história não ficou só como uma anedota de guri para render risadas anos mais tarde. O garoto percorreria um longo e nada fácil caminho para se tornar um devoto judeu ortodoxo do ramo hassídico e ainda usaria um instrumento nada convencional, o hip hop, para apregoar a sua fé.

Yitzchak Jordan, o menino da história, hoje é o rapper Y-Love, que mistura batidas poderosas com versos em inglês, hebraico, árabe e até aramaico (aliás, a língua que Jesus Cristo falava, já que o papo é religião) e faz rimas do tipo "não vejo judeus balançarem assim desde o êxodo" (!) - mas também sobre união racial e reconciliação com os palestinos. Aos 29 anos, ele atualmente vive no bairro do Brooklin, em Nova York, e se prepara para lançar seu primeiro álbum, "This is Babylon" (Ouça faixas aqui).

Em entrevista ao G1, Y-Love fala de sua conversão, de como é ter sofrido preconceito tanto por parte de judeus quanto de negros e de sua visão sobre o Oriente Médio. E diz que tem vontade de passar pelo Brasil, como o seu amigo reggaeiro Matisyahu, outro judeu ortodoxo cantor. Confira a seguir:

G1 - Gostaria de perguntar sobre suas raízes. Como foi a sua criação e como você começou a ter contato com as tradições judaicas?

Y-Love - Eu nasci em Baltimore, que fica a uns 320 quilômetros de Nova York. Fui criado pela minha mãe, que era católica e tinha imagens de virgens e santos pela casa, mas ela nunca foi de ir muito à missa. O meu primeiro contato com o judaísmo foi um comercial de TV quando eu tinha sete anos e dizia: "Feliz Páscoa de seus amigos do canal 2". Cheguei para minha mãe e disse: "Mamãe, quero ser judeu" e eu comecei a desenhar estrelas de David a torto e a direito. As pessoas falam sobre uma batalha pessoal quando se trata de conversões religiosas, que procuram por respostas, mas eu tinha sete anos e nem sabia amarrar meus sapatos. Eu apenas sabia que havia um grupo de pessoas chamado judeus e eu queria ser um deles.

 

G1 - E como foi sua ida para Israel?

Y-Love - Na verdade eu fui para Israel depois da minha conversão. A partir dos meus 14 anos eu comecei usar alguns hábitos judaicos, a freqüentar cultos e a respeitar o shabat [descanso semanal dos judeus, do pôr-do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado]. Eu tinha 21 anos quando decidi me mudar para Nova York e iniciar o processo de conversão. Um dos rabinos da minha comunidade me disse que eu deveria viajar para Israel para aprender nas escolas religiosas. Então eu fui para lá, seis semanas depois da minha conversão.

 

G1 - O processo de conversão geralmente é muito difícil. Foi para você?

Y-Love - Durou 13 meses e é preciso muito, muito estudo. Se é difícil? Sim e não. Sim, porque é lei [o que está nos ensinamentos], porque praticamente muda o jeito de você viver. Em vez de você acordar e procurar algo para comer, você levanta, lava suas mãos e rezar antes de fazer qualquer coisa. Você precisa também memorizar muita coisa, aprender hebraico e o Talmud [conjunto de leis e costumes judaicos]. Mas mudar sua rotina é realmente a parte difícil.

 

G1 - As tradições judaicas estão muito ligadas ao verbo, a palavra falada. Como você relaciona ao rap.

Y-Love - Bom, eu comecei a fazer rap na escola religiosa. A gente sempre faz os estudos relacionados às tradições judaicas em pares, porque você não pode convencer a si mesmo sobre as respostas erradas. Então a gente usava hip hop para decorar as leis do Talmud. A gente fazia um freestyle [improvisação] como modo de memorização. Então, para mim, foi desse jeito que judaísmo e hip hop se uniram. No livro do Êxodo, está escrito quando Moisés separou as águas do Mar Vermelho e o povo atravessou, a primeira coisa que eles fizeram foi cantar uma música. Era uma expressão do que Deus fez, de ter salvado a vida.

 

 

Foto: MySpace do artista 
MySpace do artista
Y-Love vai lançar seu disco 'This is Babylon' (Foto: MySpace do artista)

G1 - Como é a recepção de seu trabalho na comunidade judaica, já que o que você faz é uma manifestação cultural moderna?

Y-Love - Varia muito. Quando eu comecei a minha carreira, eu tive muitos problemas porque o rap é considerado uma forma de arte distintivamente não-judaica. Então o desafio era como tornar algo não-judaico judaico? Para mim isso nem corresponde à realidade, já que os judeus têm feito rap desde o começo do gênero, exemplo os Beastie Boys [cujos três integrantes são judeus]. E agora há um movimento ainda mais conservador no judaísmo ortodoxo, para restringir as performances ao vivo de música. Há muita oposição por um lado. Mas, por outro, há muitos garotos e adolescentes [da comunidade] que adoram a minha música. E na minha música sobre festas, sobre estar em um clube, mas eu não falo sobre homens e mulheres fazendo qualquer coisa juntos. Mostro às pessoas que elas podem ser respeitar o judaísmo e se divertir como qualquer outra pessoa.

 

G1 - Você sofre algum tipo de preconceito da comunidade negra pelo fato de você ser judeu ortodoxo?

Y-Love - Quando você tem contato com negros que não são judeus - porque na verdade há muitos negros judeus - às vezes falam que eu estou tentando ser algo que na verdade eu não sou. Dizem que eu estou vivendo uma mentira. Isso justamente por causa de uma mentira que é afirmar que ser judeu é igual a ser branco. Mas também na comunidade judaica, até a minha conversão, eu tive que enfrentar muito racismo.

 

G1 - E como você lidou com isso?

Y-Love - Eu queria ser judeu a minha vida inteira. eu não ia deixar um grupo de racistas, que representa apenas 5% ou 10% de todas a comunidade, tirar isso de mim. É algo que significa muito para mim para simplesmente tomarem de mim. Claro que muitas vezes que eu chorei, mas com o passar dos anos meu rosto começou a se tornar familiar para as pessoas da comunidade judaica... Por outro lado, quando fui visitar os meus amigos em Baltimore, eles falavam: "Ei, o que aconteceu com você??".

 

G1 - No seu blog você faz críticas tanto ao [grupo palestino terrorista e político] Hamas quanto ao governo israelense. Qual é a sua visão do conflito no Oriente Médio?

Y-Love - É muito infeliz que as pessoas falem sobre fronteiras e nacionalismos enquanto tanta gente não tenha suas necessidades básicas atendidas. Quando os judeus tinham assentamentos na Faixa de Gaza, o desemprego era de 50%. Quando eles saíram, foi para 70%. O que o Hamas fez por essas pessoas? As pessoas dizem que não é possível haver desenvolvimento econômico na Palestina com ocupação israelense, mas, em 2006, em uma pesquisa na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a população dizia que a corrupção do governo palestino era um problema pior do que a ocupação israelense. No lado do governo israelense, há os judeus que foram obrigados a sair durante a retirada israelense da faixa de Gaza, continuam vivendo em hotéis, dois anos depois. Eu vejo uma grande falta de atenção às necessidades básicas do cidadão médio.

 

G1 - Qual é a sua opinião sobre o rap de sucesso de hoje, que é criticado por falar de mulheres, dinheiro e armas?

Y-Love - Acho que a realidade do hip hop não tem nada a ver com isso. Essa é uma pequena parte. O que você vê na TV, um cara em um carrão alugado, ao lado de mulheres contratadas para o clipe, e o que acontece com essas pessoas quando a filmagem acaba? Voltam para a casa de metrô! Nos anos 80 e no começo dos 90 o hip hop tinha muitas mensagens. "Brenda's gotta a baby", de Tupac Shakur, falava sobre a decadência urbana, prostituição e gravidez adolescente em uma única música. Hoje o hip hop é criado e concebido para que as pessoas comprem o álbum. Para comprar.

 

G1 - Seu amigo Matisyahu esteve aqui no ano passado. Há alguma chance de você aparecer aqui?

Y-Love - O Brasil ficou marcado como uma nova Índia, né? Em termos de crescimento econômico e desenvolvimento no cenário mundial. Bom eu espero ter a chance de aparecer bastante em breve. Adoraria me apresentar no país.


16 de mar. de 2008

A presença oculta: o judeu em cada um de nós

A presença oculta: o judeu em cada um de nós

A presença oculta: o judeu em cada um de nós

A presença oculta

Paulo Valadares
Fundação Ana Lima 292 páginas

Edição Impressa 145 - Março 2008


O JUDEU EM CADA UM DE NÓS

Estudo revela presença da descendência dos cristãos-novos brasileiros

Léa Vinocur Freitag

Esta obra do historiador Paulo Valadares foi originalmente feita sob a orientação da professora Anita Novinsky, o que confere um aval respeitável em termos de trabalho acadêmico.

O autor realizou uma investigação paciente e fecunda, analisando documentos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, Centro Cultural Vergueiro, PUCCamp, IFCH-Unicamp e FFLCH-USP (São Paulo), Real Gabinete Português de Leitura carioca, Arquivos Distritais portugueses, Biblioteca Pública Municipal do Porto e Bibliotecas Nacionais de Lisboa e Madri.

Valadares é um nome de destaque na linha de pesquisa histórica e genealógica, co-autor do Dicionário sefaradi de sobrenomes, ao lado de Guilherme Faiguenboim e Anna Rosa Bigazzi, premiado em 2003 como "o melhor livro de referência judaica". Pertence a Sociedades Genealógicas Nacionais e Internacionais e vem publicando trabalhos em revistas especializadas, com temas instigantes, como "Os Mesquitas do Estadão vistos pela genealogia judaica".

A presença oculta é o primeiro trabalho acadêmico que buscou responder a uma questão central na história da formação nacional: o que aconteceu aos descendentes dos cristãos-novos no país?

"Com o fim da Inquisição terminou a perseguição à cultura dos cristãos-novos no Brasil, mas continuou a existir o estigma que satanizou o judeu. Tanto que os poucos judeus que chegam no período a seguir não se identificam como tal: eram "hebreus", "israelitas", "russos", "alemães", "franceses" etc. O mesmo se deu com o nome das instituições judaicas, que preferiram denominar-se "israelitas".

Nos anos 1930 e 40 o anti-semitismo difundiu-se no Brasil, inclusive pela influência do integralismo. Fernando Raja Gabaglia, diretor do respeitado Colégio Pedro II e descendente da cristã-nova Branca Dias, foi questionado pelo ministro Gustavo Capanema sobre a forte presença judaica na instituição – soube contornar o problema defendendo a liberdade religiosa e a integração dos seus alunos.

Um dos expoentes da diplomacia brasileira no pós-guerra foi Hugo Gouthier de Oliveira Gondim, falecido em 1992, da linha genealógica de Branca Dias. Chegou ao posto de embaixador brasileiro na Itália, comprou e restaurou o Palácio da Piazza Navona, em Roma, mantendo amizade com grandes personalidades internacionais, como Kennedy. Foi aposentado compulsoriamente em 1964 e teve os direitos políticos cassados.

Nomes ilustres da sociedade brasileira têm suas origens ligadas a cristãos-novos: "Antônio Henrique Cunha Bueno, neto materno de Maria Cursina de Leão, baiana de Macaúbas, foi deputado federal por São Paulo. Defendeu a comunidade judaica durante os seus mandatos legislativos e membros de sua família são voluntários em instituições judaicas".

O historiador Sérgio Buarque de Holanda, autor de Raízes do Brasil, pai de Chico Buarque, chegou a ser inquirido pelo regime nazista, quando estudou na Alemanha. Aparece nas pesquisas genealógicas como descendente de Abraham Senior.

Outras personalidades dos meios econômicos e empresariais citados por Paulo Valadares são Luís Eulálio de Bueno Vidigal e Gastão Vidigal, este último presidente do Banco Mercantil.

Referindo-se aos "profetas hebreus que nos espiam das Gerais", Valadares vê na cultura cristã-nova das serras mineiras uma opção pelos profetas judeus, mais do que pelos apóstolos cristãos. Em Congonhas do Campo os profetas estão fora da igreja e são imagens dessacralizadas – os católicos preferem cultuar sua fé dentro da igreja.

Nessa linha de idéias, o autor observa também uma aproximação dos carmelitas com os judeus, exemplificando com os fundadores da Ordem, santa Teresa d'Ávila e são João da Cruz, ambos de origem cristã-nova. Em Ouro Preto o profeta Elias é reverenciado na Igreja N.S. do Carmo, e é comum encontrar nas igrejas imagens de Abrão e Moisés.


Léa Vinocur Freitag é professora titular pela Escola de Comunicações e Artes (USP) e doutora em Ciências Sociais



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Pronunciamento da FIERJ sobre Merkaz Harav

Pronunciamento da FIERJ sobre Merkaz Harav

Pronunciamento da FIERJ sobre Merkaz Harav
Esclarecimento aos nossos leitores e telespectadores
O Comunidade na TV é editado às quintas-feiras e precisa estar nas redes de TV até às 12h00 de sexta-feira. Sendo assim, é impossível que se consiga colocar conteúdo relevante de eventos que ocorram no final da tarde de quinta, ou posteriormente, até o domingo.
No caso do massacre da Yeshiva Merkaz Harav, decidimos usar o YouTube para fornecer uma matéria extra e um pronunciamento oficial da FIERJ sobre mais esta barbárie terrorista palestina. Levantamos os dados mais completos possíveis e há muitas imagens e fotos ainda não divulgadas.
Lamentavelmente, neste últimos dias o sistema do YouTube está com sérios problemas e somente conseguimos carregar nosso vídeo no final da tarde de domingo, uma situação atípica para o serviço que é muito veloz.
Suposições
Após este ataque surgiram diversas versões nos mais variados jornais e TVs e não há uma versão oficial com o histórico da ação. Optamos por utilizar a que parece mais lógica. Nos jornais israelenses de HOJE (domingo) há uma confirmação feita por residentes de Jerusalém de que o terrorista foi motorista da Yeshiva e uma suposição de que ele teria sido preso há quatro meses atrás e solto após dois meses. Segundo a polícia, que desmente os jornais, o terrorista não tinha sido preso e era motorista de taxi. Ao contrário do inicialmente divulgado de que o terrorista tinha 20 anos, como em nossa matéria de vídeo, hoje sai a informação de que sua idade era 26.
Fatos muito simples de serem esclarecidos pela direção da Merkaz Harav: como o terrorista entrou no local, se foi motorista deles, se havia guardas, se havia um policial na porta ainda não foram divulgados. O comunicado do governo israelense foi lacônico, generalizado e não esclareceu nada sobre o ataque.
Em relação a atuação do general Shapira e de Daton, aluno da Yeshiva, há pelo menos quatro versões completamente diferentes e ficamos com a mais realista, sendo o trecho sobre Daton retirado de sua confusa entrevista na TV após o massacre, mais parecendo uma declaração ideológica que um simples depoimento após um acontecimento terrível, e não dos jornais.
Gostaríamos de esclarecer que enquanto a participação de Daton não for oficialmente definida, por ele mesmo, fica complicado entender o que ocorreu. Ao colocarmos o general Shapira como herói e Daton não, seguimos a lógica de que, armado, Daton disparou duas vezes contra o terrorista, não interrompendo a ação dele. Podia disparar mais e decidir o caso, mas não o fez. Apenas quando Shapira chegou a cena, alguns minutos depois e matou o terrorista é que a ação terminou. Do momento do primeiro disparo até a morte do terrorista passaram 10 minutos!
Hezbollah ou Hamas
O Hezbollah comemorou o ataque assumido por uma facção desconhecida, apresentada como "Povo Livre da Galiléia". As ceúlas do Hezbollah costumavam usar diversos nomes para criar confusão em seus ataques. Esse grupo assumiu como vingança a morte de um líder do Hezbollah na Sìria. Mas am Gaza, nas rádios e serviços de alto-falantes das mesquitas, o Hamas assumiu a autoria, nos sermões de sexta-feira.
A família do terrorista ergueu uma tenda memorial em Jerusalém para homenageá-lo. Nela há bandeiras do Hamas e do Hezbollah. Oito pessoas foram presas para interrogatório, inclusive o pai e o irmão do terrorista, mas já foram libertadas. O governo da Jordânia proibiu que os parentes do terrorista erguessem uma tenda semelhante por lá. Mas isso não incomoda o imenso grupo que produz notícias tendenciosas sobre Israel. Se o governo israelense tivesse feito isso, seria um exemplo do "nazismo de Israel", mas como foi o da Jordânia, é melhor nem publicar...


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Intolerancia

Intolerancia

 

 


http://www.omelete.com.br/game/100011470/Sete_paises_do_Oriente_Medio_boicotam_o_Salon_du_Livre__a_Feira_de_Livros_de_Paris.aspx

Sete países do Oriente Médio boicotam o Salon du Livre, a Feira de Livros de Paris

O protesto é contra a escolha de Israel como convidado de honra do evento

15/03/2008

Ederli Fortunato

Sete países decidiram boicotar o Salon du Livre, a Feira de Livros de Paris, aberta na última quinta-feira. Argélia, Irã, Líbano, Marrocos, Arábia Saudita, Tunísia e Iêmen anunciaram o boicote em protesto contra a escolha de Israel como convidado de honra do evento. O boicote foi convocado pela Islamic Educational, Scientific and Cultural Organization (ISESCO), entidade sediada no Marrocos, em protesto contra as ações de Israel em relação aos palestinos. Em sua comunicação oficial aos 50 países membros, a ISESCO declarou que os "crimes cometidos por Israel nos Territórios Palestinos" o tornam inadequado como convidado de honra e apontaram o 60º aniversário da criação do Estado de Israel como a real motivação para a escolha. Os organizadores da feira negaram que a escolha de Israel tenha sido motivada pelo aniversário de criação do país e reafirmaram que o objetivo da feira é honrar a literatura. Christine de Mazieres, porta-voz da associação de editores que organiza a feira, declarou que os acontecimentos no Oriente Médio são tristes, mas não têm ligação com o evento. Mazieres completou dizendo que os países que decidiram boicotar o evento já sabiam que Israel seria o convidado de honra quando inscreveram-se e que muitos dos autores israelenses presentes à feira são favoráveis à existência de um Estado Palestino. Serge Eyrolles, chefe da organização da feira, disse não ser um ministro de estado e que, portanto, não convida países para o evento, e sim escritores, e que seu trabalho é trazer literatura para os leitores. 39 escritores e editores israelenses, entre eles Amos Oz, David Grossman, A.B. Yehoshua, Aharon Appelfeld e Sayed Kashua, um autor árabe israelense que escreve em hebreu, devem comparecer à feira em Paris. O boicote dos países muçulmanos atraiu a ação do jornalista e intelectual francês Bernard Henri-Lévy, que conclamou o público a comparecer em massa à feira como forma de protesto contra o boicote. À Reuters, Henri-Lévy disse esperar que o povo de Paris demonstre com sua presença que recusa a lógica de organizadores de boicotes e pessoas que queimam livros. Em sua opinião, o boicote é um caso de países tomando escritores como reféns. O jornal Le Monde concordou com o escritor, classificando o boicote de absurdo e chocante. Alguns escritores árabes também se uniram às críticas, garantindo que vão comparecer à feira apesar das instruções de seus governos para que fiquem longe do evento. O escritor marroquino Tahar Ben Jelloun escreveu em seu blog que as pessoas devem criticar a política de um país, mas devem criticar um livro por seu mérito literário e não misturar as duas coisas. Apesar das declarações de que a feira é sobre livros e não política, esta não é a primeira vez que o evento se transforma em teatro para outros assuntos. Em 2002 a Ministra da Cultura da França, Catherine Tasca, ameaçou boicotar a feira se Silvio Berlusconi comparecesse à abertura, o que levou a Itália a se retirar do Salon du Livre em protesto. Novos protestos também são esperados na feira de livros de Londres, quando o convidado de honra será o mundo árabe.

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FORFAIT FRANCÊS

FORFAIT FRANCÊS

FORFAIT FRANCÊS

O presidente francês Nicolas Sarkozy avisou que não estará presente nas comemorações oficiais dos 60 anos do Estado de Israel. Inicialmente na lista dos convidados de honra para o evento de gala que acontecerá no mês de Maio, Sarkosy adiou sua visita ao país para junho. O aviso foi feito durante a visita do presidente de Israel, Shimon Peres, a Paris. Peres foi agraciado com a Legião de Honra da França, a mais alta condecoração do governo francês. O presidente francês declarou ainda que, embora permaneça firme no suporte à segurança de Israel, vê como ponto principal dos problemas na região, os assentamentos judaicos na Cisjordânia.


Shimon Peres demonstra alegria com o novo smoking, enquanto Sarkosy alegre com a nova esposa Carla


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13 de mar. de 2008

Judaísmo ontem, hoje e amanhã - Deborah K. Zveibil

Judaísmo ontem, hoje e amanhã - Deborah K. Zveibil



 
 

  Judaísmo ontem, hoje e amanhã - Deborah K. Zveibil

 

 

Me inspirando num livro de crônicas, que numa matemática interessante aborda que se somasse todos os quilos perdidos em regimes pelo autor, este deveria pesar hoje meia tonelada...
Se usássemos a mesma matemática para contabilizar os judeus que foram obrigados a se converter por ondas diversas de anti-semitismo. que foram mortos pela inquisição, progroms e segunda guerra, os Oliveiras, Carvalhos e mais alguns,acho que seríamos centenas de milhões de judeus no mundo. No entanto somos apenas alguns poucos milhões e no Brasil alguns poucos milhares. Ainda assim nas diversas comunidades em que nos integramos, seja por que razões for, não passamos desapercebidos.

 

Somos muitos povos e muitas raças ligados por uma religião, o povo da memória. Lembramos o nosso passado para criarmos o nosso futuro. Procuramos paz ao longo dos tempos passando por fases de povo guerreiro. Nos destacamos em artes e não em esportes e conseguimos recriar um pais onde a religião oficial nos deixa andar pelas ruas , com todas as caras, de todas as formas e com todas as raças e com orgulho de , no meio de tantas intempéries, sermos plurais e no que nos "religa", nos reportarmos a um único Deus, bondoso e guerreiro.

 

A história judaica não para na bíblia, ela continuou ao longo dos últimos 5768 anos e deve continuar a ser contada
O mundo não parou no final do velho testamento. Tanto não parou, que muito depois dele o surgimento de movimentos criou correntes chassídicas, a cabala e criou o Talmud. Rabi Hillel escreveu uma parte da história, Rabi Lubavitch outra; Moshé Dayan, Ben Gurion, Golda Meyr, outra; Freud, Einstein e Marx outra. Sabin outra, e todas estas histórias são hoje o povo judeu. Um povo que pode se orgulhar de sua cultura e religião. Um povo espalhado pelo mundo e que ao longo do tempo se adaptou aos lugares onde se fixou e deles participou, guardando suas tradições e se mantendo unidos.

 

A assimilação era inexorável, assimilação de todos os lados, com pessoas entrando ou saindo do judaísmo e criando famílias junto a pessoas de todas as religiões, ainda assim, como diria um amigo, tem dois olhos e um nariz no meio ?...

É gente!

 

Os casamentos mistos e as conversões são uma realidade, não uma tragédia. Somos todos humanos, primeiro e maior fato. Professamos a religião de nossos pais ou a que escolhemos para nós.Criamos nossos filhos dentro dos preceitos de uma religião por acreditarmos em seus fundamentos de conduta, ética e moral. Porque achamos que isto fará deles homens e mulheres melhores e não porque achamos que eles saberão rezar melhor ou pior, senão seríamos todos rabinos, pastores ou padres.

 

O fruto da mistura de seres humanos é nossa responsabilidade de pais e educadores. Os religiosos estão ai para conduzir rituais, nos ajudar e congregar . E não podemos esquecer , que recebem formação para fazer isto profissionalmente, como lembrou Noah Gordon em seu romance " O Rabino". Professar o judaísmo com intensidade ritual maior ou menor não nos faz mais ou menos judeus. Não cria judeus de primeira ou segunda categorias. Não compramos graças, nem pagamos intermediários com Deus. Ele está em cada um de nós!

 

Na análise de Kapra em "O Ponto de Mutação" o autor traça uma curva e mostra que a humanidade passa por ciclos de religiosidade. Parece que estamos vivendo mais um. Mais judeus ortodoxos, mais evangélicos, mais muçulmanos fundamentalistas, e mais pessoas buscando conforto e apoio nos rituais religiosos. Não há erro nisso. O erro estar em se deixar dominar por pessoas tão humanas quanto nós e que se arvoram ao direito de reger nossas vidas ,mexer em nossas instituições e fazerem pessoas de mentes mais fracas acreditarem que só a forma ritual de ser judeus os faz judeus. Se atrevem a proibir e excluir todos aqueles que não forem da maneira que "eles" acham correta. Como se, se vestir com vestes de inverno da Lituânia do século XVII fosse judaísmo. Contem isso a Moshé Rabeinu ou ao Rabi Hillel!

 

Nós não enterramos homicidas e suicidas junto aos demais, pois eles fizeram mal a si mesmo ou ao próximo. Levamos, porém, mais de 50 anos para reconhecer que as "polacas" , que não deixamos enterrar em nossos cemitérios, foram sim vítimas usadas por aqueles, que nos nossos cemitérios, perto de nossos parentes já há muito tempo estão "repousando em paz". Criamos celeumas sobre a possibilidade de doação de órgãos, mas não temos dúvida em pedir um para nossos filhos, se necessário. Não se abre o espaço necessário sob a terra para um jovem que optou pelo judaísmo e provavelmente cantou muito mais músicas em hebraico e Hatikvas que muitos de nós. Precisamos encarar de frente esta incoerência e acabar com a hipocrisia Em nome do futuro de nossos filhos e da realidade do judaísmo, não permitir sepultamentos, exigir comida kasher, comprar jovens com dinheiro para que se tornem ortodoxos, não aceitar conversões , não aceitar o casamento de pessoas divorciadas, é afastar do mais profundo judaísmo aqueles que se sentem judeus. Ele não faria isto.

 

Um religioso de verdade é um conciliador , não um segregador. É um exemplo a ser seguido e não a ser temido.

Pessoas que fazem todos nós parecermos segregacionistas e arrogantes e que acabam atraindo para todos reações anti-semitas só podem nos envergonhar. Não podem ser os "verdadeiros" judeus. Ser judeu é aceitar o próximo, é salvar uma vida para salvar a humanidade, é dar com a mão direita sem que a esquerda saiba, é não esquecer Jerusalém , é não deixar dividir seu filho, para não perdê-lo. Todos os judeus são judeus independente de comidas e roupas, dependente de Deus e ética. Ser judeu de verdade é muito bom.

 

Eu de minha parte tenho orgulho de ser judia.

 

Deborah Krutman Zveibil

judia, brasileira, baiana, médica e voluntária, na Associação Cultural Moshé Sharett e Tnuat Avodá

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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12 de mar. de 2008

RESGATAR UMA ALMA ELEVADA (Leiam!)

RESGATAR UMA ALMA ELEVADA (Leiam!)



De fato não precisamos nos alimentar de frutos proibidos e poluídos, a Torá nos trás a sabedoria, não nos deixa ser engandos por falsos mestres que hoje estão se espalhando no mundo todo.

RESGATAR UMA ALMA ELEVADA

http://www.beitlubavitch.org.br/#rapaz


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E ajudá-la a completar a sua missão

No pequeno vilarejo de Zhurovitch no distrito de  Mohilev, na Rússia Branca, vivia um judeu temente a D-us. Cumpria todos os preceitos com fé pura e dedicação, sem questionamento. Seu sustento provinha de esforço próprio e, apesar de ser pobre, nunca queixou-se com seu Criador.
Passado algum tempo, nasceu-lhe um filho, uma criança prodígio. Desde tenra idade perceberam que o menino era dotado de memória fenomenal. Tudo que lhe contavam ou ensinavam, jamais esquecia.    
Logo na primeira vez, quando lhe mostraram o alef-bet, já o decorara. Em pouco tempo aprendeu aler. Seus pais receavam mandá-lo ao chêder por medo de "olho gordo". Assim , o pai resolveu ser seu mestre. Em pouco tempo, o menino superou o pai e também um professor particular que deu continuidade a seus ensinamentos.
Enquanto meninos da sua idade davam os primeiros passos no aprendizado da leitura, ele já havia concluído os cinco Livros da Torá e iniciado o estudo de Mishná e Talmud. Aos dez anos, já sabia muitos tratados de cor e, por ocasião de seu bar mitsvá, todo o Talmud estava em sua memória.
É raro um jovem com grande capacidade de absorção também ser aplicado nos estudos, mas o fato era que este rapaz possuía as suas habilidades; seu desenvolvimento intelectual ultrapassou as expectativas. Diziam que nada era difícil demais para ele, inclusive os segredos da Torá.
Certo dia, o pai entrou no quarto onde o menino estudava e, para seu grande espanto e desilusão, deparou-se com o garoto absorto num pequeno livreto por cima do Talmud aberto. Quase desmaiou ao verificar que tratava-se de uma obra dos infames maskilim (defensores do "modernismo, i.e., heresia), que procuravam atrair jovens inteligentes a adotar seu modo de vida, contrário aos caminhos de Torá.
Depois de recuperar-se do choque, o pai chamou a atenção de seu filho: "Por que precisa se alimentar com frutos proibidos, por que beber de fontes poluídas? A Torá inteira é sua – manacial de sabedoria pura."
O rapaz ouviu pacientemente e quando o pai terminou, desculpou-se, dizendo que encontrara aquele folheto por acaso e havia se interessado pelo conteúdo simplesmente para saber como refutar suas distorções. O pai aceitou a desculpa, embora intimamente receasse que o filho tivesse caído nas garras dos hereges, que já haviam feito inúmeras vítimas entre os jovens.
Passadas algumas semanas, novamente encontrou-os lendo os mesmos fascículos indesejáveis. O pai implorou-lhe para que interrompesse o vínculo com os corrompedores. Desta vez o jovem foi mais ousado. Não mais negou nem se desculpou como anteriormente; respondeu rispidamente ao pai, embora com cuidado para não ofendê-lo. Comprometeu-se, da boca pra fora, que não mais leria tais folhetos. O pai não acreditou muito. Deste momento em diante, o menino não mais escondeu que os "berlinenes", como eram chamados, o haviam fisgado e afastado do caminho de Torá.
Mais uma semana se passou. Certa noite, o garoto foi deitar-se tão cedo que surpreendeu os pais. Levantou-se depois de algumas horas, virou-se para o pai com desprezo e disse:
"Já venho há algum tempo pesquisando sobre os temas "sabedoria" e "tolice", e cheguei à  seguinte conclusão: os maiores tolos do mundo encontram-se na Rússia; os mais insensatos dentre estes, na Rússia Branca. E no distrito de Mohilev, está a maior concentração. Especialmente na cidade de Zhurovitch acham-se os mais bobos de toda a vizinhança. E no nosso bairro ficam os mais tolos dentre todos. Na nossa rua, na nossa casa, você é o mais tolo de todos eles. Cheguei a triste conclusão que nada mais me resta fazer neste lar."
Deixou a família perplexa com seu pouco caso. Quando terminou o discurso pegou seus pertences, já empacotados, e se foi apressadamente. Uma carruagem que o conduziria a Berlim o aguardava na esquina.
Ao chegar na Academia, foi saudado calorosamente. Perceberam logo que o garoto recém-chegado era dotado de talentos incomuns. Os portões da Ciência foram lhe abertos e ele progredia continuamente.
Passaram-se alguns anos. Mesmo não tendo completado seu vigésimo aniversário foi quem mais se destacou de toda a academia. Devido às pesquisas que conduzia viajava para outros países, inclusive a Paris. Lá pôde aprimorar-se em várias outras ciências, tornando-se famoso em todas as capitais do mundo civilizado. As honras que lhe concediam insuflava seu ego. Sentia-se no auge de sua felicidade.
Interessou-se especialmente por duas áreas acadêmicas: medicina, especificamente, anatomia; e a base teórica da matemática. Resolveu redigir livros sobre os dois temas. Muito tempo e empenho dedicou a essas duas obras. Quando mostrava seu manuscrito a especialistas era sobremaneira elogiado. Apresentou-se também a cientistas estrangeiros que se admiraram com a lógica maravilhosa e idéias extraordinárias nas quais baseara suas "obras-primas". Seu nome foi louvado dentre um grupo de célebres cientistas internacionais. Toda essa honra e pompa fez com que se sentisse ainda mais orgulhoso. Editoras procuravam obter direitos exclusivos do que acreditavam ser os maiores clássicos de suas áreas. Porém, por algum motivo desconhecido, ele hesitava em imprimir seus manuscritos.
Resolveu que havia chegado a hora de se casar. Muitos ofereceram suas filhas, mas recusou-se em conhecer alguém enquanto não reatasse com os pais. Por tratar-se de pessoa sensível, a dor que causara a seus pais, na insensatez da juventude, o importunava. Agora que havia alcançado tanto destaque na vida, acreditava que entenderiam por que havia tomado medida tão drástica.
Na primeira oportunidade que tirou férias da academia onde ministrava aulas e palestras, com o intuito de viajar para a Rússia e rever os pais. No decorrer da longa jornada pensava: "O que meu pai entende sobre Ciência? Certamente não se interessará por meus manuscritos nem sequer exercerão qualquer influência sobre ele. Seria aconselhável primeiramente trocar idéias com o mestre de meu pai, conhecido como o Tsadic de Liozna. Contam que há dezenas de anos já demonstrava profundo conhecimento de astronomia, engenharia e também outras ciências afins.
Tinha ouvido falar sobre um relógio solar no palácio de propriedade do Príncipe Sheksyenski, próximo a Vitebsk, que repentinamente parou de funcionar entre quatorze e dezessete horas. O príncipe convidou todos os renomados cientistas e professores, mas ninguém desvendara o enigma. O Rebe de Liozna, na época com quinze anos, baseando-se num dito talmúdico, explicou o motivo do ocorrido. Quando seguiram suas instruções, o relógio voltou a funcionar. Pouco depois, também desvendou uma questão de engenharia para um professor idoso, que ninguém até então conseguira decifrar.
Lembrando-se desse dois episódios pensou que o Rebe entenderia a profundidade intelectual ocultada em seus manuscritos. Isto certamente amenizaria a atitude do pai e da família, o que contribuiria para fazer as pazes.
Assim, alterou o rumo de sua viagem, seguindo para a cidade de Liozna para encontrar-se com o Alter Rebe e mostrar-lhe suas descobertas. Ao chegar em Liozna entrou na sinagoga do Alter Rebe. As roupas modernas, típicas dos intelectuais alemães da época, chamaram a atenção dos discípulos que lá se encontravam. Entre estes estava o chassid, Reb Moshê Meizlish, originalmente de Vilna, e recebendo a benção do próprio Gaon para esta viagem. Lá estudou vários idiomas, como alemão, francês, italiano e também filosofia.
Reb Moshê aproximou-se do visitante, estendeu-lhe a mão e dirigiu-se a ele em alemão e francês. Este confiou-lhe o motivo de sua vinda: conseguir uma audiência particular com o Alter Rebe.
A mensagem foi transmitida ao Rebe que, por sua vez, concordou em receber o visitante, embora não mais fosse horário destinado à yechidut.
O rapaz permaneceu na sala do Alter Rebe por muito tempo. Ao sair, seu rosto estava corado. Perambulava pelo quintal da sinagoga com emoção incontrolável. Não reagiu a qualquer pergunta. Parecia envolto numa profunda angústia espiritual e frente a uma decisão crucial.
Repentinamente apanhou um de seus manuscritos e aproximou-se do forno que ficava num canto da sinagoga. Atirou o volume para junto da lenha que ardia. Parecia mais aliviado. Prosseguiu vagueando de um lado para outro, imerso em seus pensamentos. Pouco depois atirou o segundo volume da obra, à qual dedicara tanto esforço e tempo. Os dois tomos arderam em chamas. Só então sentou-se para descansar.
Reb Moshê Meizlish, que observava de longe o acontecimento, resolveu aproximar-se naquele momento. Quando percebeu que se acalmara, iniciou a conversa. O jovem contou-lhe  o ocorrido. Havia apresentado seus dois trabalhos ao Rebe que mostrou-se interessado pelo manuscrito.
Primeiramente abriu o livro de matemática. Na quinta página, fez um traço com um lápis, da primeira à última linha. Continuou folheando-o rapidamente. Em seguida exclamou: "Seu livro se baseia numa lógica extraordinária; uma obra-prima de racionalização teórica. Porém, logo no início, há um erro gravíssimo." O Rebe mostrou-lhe a página que assinalara e continuou: "Uma vez que toda a obra se apóia nesta premissa falsa, todo o conteúdo torna-se infundado."
"Fiquei estarrecido" – contou o jovem para o Reb Moshê – "com a fenomenal percepção do Rebe e sua lógica firme. Revi suas palavras e conclui que tinha razão. No início tentei argumentar, mas pouco depois tive que admitir meu erro." 
O Rebe pegou o segundo volume e a cena se repetiu. Ao folheá-lo rapidamente, assinalou logo umas das primeiras páginas, varrendo todo o livro num instante. Depois acrescentou: "Também neste caso você "construiu um prédio admirável", mas o que afirma nesta página assinalada a lápis contradiz um dito claro de nossos sábios sobre a junção dos tendões." O Rebe convenceu-o que os sábios tinham razão. Assim, também o segundo livro baseou-se em premissas falsas.
"Quando me dei conta de meus profundos equívocos, saí da sala envergonhado. Fiz uma retrospectiva das palavras do Rebe. Quem sabe encontrarei uma maneira de argumentá-las! Quanto mais me embrenhava, concluía que o engano era meu. Admirei-me como todos os intelectuais das academias e universidades da França e da Alemanha não se deram conta destes lapsos. Não tinha o que fazer a não ser atirá-los ao fogo!" – findou seu estranho relato.
"O que vai fazer agora?" – perguntou Reb Moshê
"Oxalá pudesse conversar novamente com o tsadic."
"Gostaria de estudar com ele?"
"Seria a maior felicidade de minha vida."
Reb Moshê transmitiu a conversa ao Alter Rebe e o visitante foi chamado novamente à sala do Rebe. O Rebe concordou em lhe dar aulas particulares diárias de Torá.
Quando o filho do Rebe – que mais tarde tornou-se o segundo Rebe, chamado de o Míteler Rebe – descobriu que seu pai estava estudando com o visitante, pediu também para participar. O Alter Rebe respondeu: "No momento não é possível. Mas daqui a sete semanas entenderás o motivo de todo o ocorrido."
Passaram-se sete semanas de estudos. De repente o visitante não sentiu-se bem e veio a falecer.
Só depois o Alter Rebe desvendou este mistério: "Este jovem era a reencarnação da alma de Rabi El´azar ben Durdaya. Inúmeras vezes esta alma desceu à Terra. Sempre cumpria Torá e mitsvot na juventude e depois desviava-se do judaísmo. Desta vez, ao passar por minhas mãos, resolvi não deixá-la escapar, para que pudesse completar o ticun (retificação da alma)."
Mais tarde, o Alter Rebe entregou ao filho as anotações de seus estudos com o visitante. Baseando-se neste manuscrito, o Míteler Rebe escreveu sua renomada obra Dêrech Hachayim, com profundos ensinamentos para baalê teshuvá.

Rabi Shneor Zalmen conhecido como o Rabi Hazaken, fundador da chassidut de Chabad autor do livro do Tania e Shulchan Aruch.
Rabi Shneor Zalmen foi o discípulo menor do Maguid de Mezritch, aluno do Baal Shem Tov e antes do nascimento de Rabi Shneor Zalmen o Rabi Baal Shem Tov havia dado uma brachá especial aos seus pais que ainda não tinham filhos, que eles teriam um filho e como eles deveriam cuidar desse filho pois essa alma era uma alma nova e que estava sendo mandada ao mundo. Tanto que Rabi Shneor Zalmen tem um nome shei - or = são duas luzes (luz da torá oculta e luz da torá revelada) e zalmen = trocando as palavras dá lizman.
Rabi Shneor Zalmen foi o fundador da Chassidut Chabad e nos ensinou a famosa frase: moach shalit al halev = a mente domina o coração. Geralmente as pessoas gostam de fazer o que elas sabem e acham certo, seguimos sempre a nossa mente, por exemplo alguém gosta de comprar sorvete porque sabe que é gostoso, você não pula a janela porque você sabe que vai se machucar.
Rabi Shneor Zalmen se perguntava como queremos que pessoas fiquem excitadas com o judaismo se eles não entendem o que eles têm que fazer? Ele começou a ensinar as pessoas o que é uma mitsvá, porque devemos amar fazer uma mitsvá, tudo baseado na filosofia da chassidut que ele aprender com o Baal Shem Tov. Então foi uma experiência totalmente nova, as pessoas começaram a fazer mitsvot com seus corpos, estavam excitados com isso no seus corações e entendiam isso em suas mentes.