Comentário da parashá - massorti

Parashat Hashavúa

Tazría-Metsorá [Vaicrá 12:1 – 13:39]

 

Pequenos Milagres

 

No próximo dia 6 de Iyar, judeus e israelenses se unirão novamente para celebrar a fundação do Estado de Israel em 1948, um dos milagres mais visíveis ao longo de toda a história judaica. Surgiu um novo centro de gravidade para uma comunidade judaica mundial traumatizada pelo Holocausto, exatamente no mesmo lugar onde floresceram, uma vez, duas nações judaicas seguidas. A terceira nação judia ergueu-se moderna, em seu abraço à democracia, ao domínio da lei e à importância dada à educação e à cultura.

 

Mas é dos pequenos milagres que nos rodeiam que quero falar.

 

Nossa parashá começa com uma breve dissertação sobre um parto, não de um estado ou nação, mas de uma criança. O parto torna a mãe impura; no caso de um menino, por 33 dias, e no caso de uma menina, por 66 dias. A perda de fluidos corporais, especialmente de sangue, explica a impureza da mãe. Todo parto beira as fronteiras da morte.

 

Antes do advento da medicina moderna, muitas mulheres compartilharam do destino de Raquel, que morreu ao dar à luz seu segundo filho, Benjamin. Todo parto bem-sucedido, do qual mãe e filhos saíam saudáveis, era considerado um ato de Deus, digno de gratidão.

 

O nascimento de um bebê impulsionou a imaginação rabínica a representar Deus como um artista incomparável. Apropriadamente, elegeu um versículo da gratidão de Chana depois que Deus a curou da sua esterilidade. Quando devolveu Samuel, seu filho pequeno, ao Tabernáculo em Shiló para dedicá-lo a uma vida de serviço a Deus, ela afirmou triunfante:

O meu coração exulta pelo Eterno, o meu poder está exaltado no Eterno. Não há santo como o Eterno porque não há outro além de Ti, e não há Rocha como nosso Deus. (1 Samuel 2:1-2)

 

O Midrash se valeu da palavra bíblica tsur, rocha, a única apelação a Deus que aparece na Declaração de Independência de Israel: "Com confiança na Rocha de Israel (Isaías 30:29), damos nossa assinatura em testemunho a esta declaração ..." Em hebraico, as palavras para rocha e artista, tsur e tsaiár, têm a mesma raíz, embora tsaiár seja uma palavra pós-bíblica. Assim o Midrash relê o louvor de Chana a Deus, dizendo: "Não existe artista como nosso Deus." A criação de um filho é uma obra de arte incomparável. Os produtos da criatividade Divina preenchem o mundo de louvores a Deus. Enquanto um feto emerge de uma simples gota, os artistas mortais precisam de uma abundância de tintas e cores para produzir suas imagens humanas; o nascimento de um único bebezinho saudável torna menor o maior artifício dos artistas humanos (Midrash Tan'humá, Tazría 2).

 

Texto do rabino Dr. Ismar Schorsch

Originalmente publicado em 3 de Iyar 5764/ 24 de abril de 2004

Tradução e adaptação: Uri Lam, em 2 de Iyar 5767/ 20 de abril de 2007

 

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