29 de nov. de 2005

Mezuzá

Mezuzá

Mezuzá
Hoje em dia, e sempre, a mezuzá, uma mitsvá que tem acompanhado o povo judeu ao longo dos anos, mais do que nunca constitui o sinal de que nesta residência ou estabelecimento se encontra um judeu, e em sua porta sua maior proteção: D'us.

"Mezuzá" é a palavra hebraica para designar umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, "Shemá" e "Vehaiá". A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: "Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões" (Deuteronômio VI:9, XI:20)
A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.
É no conteúdo, guardado em seu interior, que reside o verdadeiro valor da mezuzá, e não em seu invólucro. A mezuzá não deve ser julgada pela sua aparência. Para ser casher deve ser escrita à mão, sobre pergaminho, e por um sofer (escriba) temente e observador dos mandamentos divinos, habilitado para esta função, o que é fator essencial para tornar o pergaminho sagrado.
No momento em que é afixada no batente da porta, ela atrai a santidade de D'us que pairará sobre a casa ou estabelecimento.
No verso do pergaminho estão escritas as letras hebraicas Shin, Dalet e Yud, que forma o acróstico das palavras hebraicas "Shomer Daltot Israel" – "Guardião das casas de Israel".
A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.
Conteúdo
A Mezuzá contém duas passagens bíblicas que mencionam o mandamento Divino de afixá-la nos umbrais das portas: "Shemá" e "Vehaiá" (Devarim 6,4-9 e 11,12-21).
O "Shemá" proclama a unicidade do D'us único e nosso eterno e sagrado dever de servi-Lo, e somente a Ele.
O "Vehaiá" expressa a garantia Divina de que nossa observância dos preceitos da Torá será recompensada e nos previne sobre as consequências se os desobedecermos.
A mitsvá da mezuzá demonstra claramente que não somente a sinagoga ou qualquer outro local de estudo são sagrados, como também nosso lar.
Significado
Embora atualmente existam centenas de sofisticados equipamentos de vigilância (câmeras, aparatos eletrônicos, entre alarmes e até cercas elétricas) para o povo judeu a mezuzá afixada na porta sempre constituirá sua maior proteção.
Ao entrar ou ao sair seremos sempre lembrados de quem é o verdadeiro "Guardião das casas de Israel."
Cuidados na aquisição
É importante lembrar que o componente principal da mezuzá é o pergaminho, e não o estojo. Deve-se tomar cuidado na hora da compra da mezuzá, pois ela é um objeto sagrado. Deve ser escrita por um escriba autorizado, com tinta e pena apropriadas sobre um pergaminho de um animal casher.
Mesmo que na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida por várias razões. Uma única trinca numa pequena letra pode tornar a mezuzá não-casher, imprópria para uso; por isso ela deve ser periodicamente verificada por um escriba competente.
Leis referentes à colocação da mezuzá
  • O rolo de pergaminho é enrolado no sentido do comprimento e envolvido por um plástico ou papel e colocado dentro de um estojo e afixado ao batente da porta. É permitido talhar uma cavidade (com menos de 7,5 cm de profundidade) no batente para lá colocar a mezuzá.
  • A mezuzá deve ser colocada em cada entrada da casa (mesmo que apenas uma entrada seja usada normalmente), escritório, loja, fábrica, etc.
  • Pátios e propriedades fechadas por cercas ou muros também devem possuir mezuzá, que deve ser colocada na entrada, uma vez que está escrito que as mezuzot precisam ser afixadas "nos teus portões".
  • Coloca-se uma mezuzá na entrada de cada cômodo no interior da casa, não somente na porta principal, mas em todas as portas que conduzem a aposentos com área mínima de 1.80 m2 (inclusive despensa e quarto de empregados).
  • Não se coloca mezuzá nas portas de banheiros, toaletes ou casas de banho.
  • Ela é afixada no terço superior do batente direito, na parte mais externa do umbral e em posição oblíqua, com a parte superior apontada para o interior do aposento, para os ashkenazim, e em posição quase reta para os sefaradim.
  • Quando a porta se abre para dentro do cômodo a mezuzá é afixada do lado direito de quem entra; quando a porta se abre para fora, ela é afixada do lado direito de quem sai.
  • Não se deve afixar a mezuzá atrás da porta dentro de casa.
  • Se mais de uma mezuzá fôr afixada ao mesmo tempo (em várias portas), uma só bênção é suficiente (na primeira a ser afixada).
  • Onde não houver porta entre dois ambientes, o lado direito será considerado da entrada para o aposento mais importante.
  • Numa casa própria a benção da mezuzá é recitada na hora da colocação, enquanto que numa alugada, é recitada somente sobre a mezuzá afixada após trinta dias do início da locação. (exceto na Terra de Israel, onde devem ser afixadas imediatamente).
  • O costume Chabad é afixar as mezuzot logo, sem recitar a bênção; e no trigésimo dia trocar a mezuzá da porta principal por outra de melhor qualidade e então recitar a brachá.
  • A mezuzá só precisa ser colocada em casas ou cômodos construídos para uso permanente (uma sucá, por exemplo, não precisa de mezuzá, pois é uma moradia temporária).
  • Toda abertura construída com dois batentes e uma verga precisa de mezuzá (se não possuir uma porta para fechá-la, coloca-se sem recitar a brachá, bênção).
  • A mezuzá pode ser afixada por qualquer membro da família.
  • Quando nos mudamos de uma casa e sabemos que um judeu se mudará para lá, devemos deixá-las.
  • Desde tempos imemoriais a mezuzá, vem marcando o lar judeu e identificando-o como uma residência judia. O judeu deve lembrar ao entrar e ao sair, da Presença Divina e de Sua Unicidade, bem como de seu dever de acatar todas as leis e todos os preceitos contidos na Torá.
  • Maimônides explica que são ignorantes os que consideram a mezuzá um amuleto, algo que traz sorte para a casa. "Aqueles tolos não apenas deixam de cumprir a mitsvá, mas tratam uma grande mitsvá, que diz respeito à Unicidade de D'us e nos lembra a amá-lo e venerá-lo, como se fosse um amuleto destinado a beneficiá-los pessoalmente...".
  • É costume colocar a mão direita sobre a mezuzá e beijá-la, ao entrar e sair de casa.
  • As mezuzot devem ser examinadas ao menos duas vezes a cada sete anos, embora seja aconselhável que sejam revisadas uma vez por ano por um escriba devidamente qualificado. Mesmo se na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida.
  • Em caso de dúvida um rabino deve ser consultado.
Bênção
Antes de afixar a mezuzá, a seguinte bênção deve ser recitada:
Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu, Me-lech haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu licbôa mezuzá.
"Bendito és Tu, ó Eterno nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou afixar a mezuzá."
Duas Histórias
O poder da mezuzá
O Talmud nos conta que Ônkelos, filho de Kalônimos (eminente personagem do antigo Império Romano), ao converter-se ao judaísmo, despertou a ira de César.
César enviou um grupo de soldados para induzi-lo a mudar de idéia, mas ocorreu justamente o contrário. Ônkelos conseguiu persuadir os soldados a se converterem, como ele próprio havia feito.
César enviou outros soldados prevenindo-os para não conversarem com Ônkelos. Os soldados agarraram-no para levá-lo perante César, e ao deixar a casa, Ônkelos pousou sua mão na mezuzá e sorriu.
Ao perguntarem-lhe porque fazia isto, respondeu: "Habitualmente, quando um rei de carne e osso está dentro de seu palácio, seus servos protegem-no, e ficam do lado de fora. :Nosso Rei do Universo permite que seus servos sentem do lado de dentro, enquanto Ele os protege".
Também aqueles soldados converteram-se.
Rabi Yehudá Hanassi, o "Príncipe"Relato do Talmud
O Talmud relata uma história sobre o grande Rabi Yehudá Hanassi (o "Príncipe"): Artaban, o rei de Partin enviou-lhe como presente uma pérola maravilhosa. Rabi Yehudá retribuiu com outro presente – uma mezuzá. Ultrajado pelo que lhe parecia zombaria, o rei repreendeu severamente a Rabi Yehudá:"–Vós me insultastes. Eu vos enviei um presente de valor incalculável e vós retribuistes com uma ninharia sem valor!"
Rabi Yehudá apressou-se em explicar: "O presente que me enviastes é tão valioso que deverá ser cuidadosamente vigiado, ao passo que o que eu vos dei vos guardará mesmo quando estiveres dormindo".
Pobreza é novo inimigo de Israel - Reprodução

Pobreza é novo inimigo de Israel - Reprodução


Pobreza é novo inimigo de Israel

NEWTON CARLOS

Israel tem um novo inimigo, a pobreza. É o que mostram, a cada ano, relatórios do National Insurance Institute, agência do governo a cargo da seguridade social.
Amir Peretz, o novo líder do Partido Trabalhista, agrupação com marcas de nascença de centro-esquerda e que exerceu o absoluto domínio da política israelense até os anos 70, trata de escapar dos termos vagos sobre uma "nova geração" no comando do trabalhismo.
Garante que ele voltará às suas raízes de batalhador contra desigualdades. Como não se vê há muito tempo em Israel, questões sociais e econômicas, e não só de segurança, estarão com forte presença no debate político e eleitoral.
É o que prometem Peretz e os seus aliados, o que levou um destacado articulista do "Jerusalém Post", o mais importante jornal de língua inglesa de Israel, a prever o colapso nas urnas do "novo" trabalhismo. "Somos hoje uma sociedade de livre mercado e ponto final", sentenciou.
O premiê Ariel Sharon e seu novo partido procurarão explorar a imagem de Peretz de velho seguidor de um socialismo ainda voltado para conceitos de lutas de classes do século 19, com crença em economia centralizada e nacionalizada e num Estado forte, com poderes reguladores.
O "Haaretz", diário liberal e independente, reduto de intelectuais, no entanto, se diz convencido de que não faltará senso de realidade. Relembra o que dizia Moshé Dayan, de que "só os asnos não mudam de idéias".
Mas discursos com elevada dosagem social não faltarão. "É preciso acabar com os demônios étnicos, lidar com as desigualdades", diz Peretz. A realidade, no caso, está a seu lado.
Quase uma em cada cinco famílias de Israel vive abaixo da linha da pobreza. A média é de uma em cada três crianças.
"Sinal vermelho, está a perigo a sociedade israelense", foi o desabafo de um ministro diante das informações levantadas pelo National Insurance Institute.
Nos anos 50 e 60, Israel foi um dos países mais igualitários entre os "ocidentais". Tornou-se um dos mais injustos a partir dos anos 80.

Guerra de 1967
Um ponto de inflexão foi a guerra de 1967. Nasser, o herói do nacionalismo árabe, preparou-se durante dez anos para a "batalha do destino".
Iria jogar Israel no mar. Israel não só sobreviveu triunfante mas também ocupou a parte oriental de Jerusalém, a Cisjordânia, a faixa de Gaza, as colinas de Golã e a península do Sinai.
Esse triunfo formidável, quando parecia em jogo a própria existência de Israel, subiu à cabeça de boa parte dos israelenses. A partir daí ganhou tons dominantes a idéia até então remota de tomar em definitivo terras ancestrais de Israel.
Fincaram-se as primeiras estacas de um "Grande Israel" com as derrotas impostas, numa só tacada, ao Egito, Síria e Jordânia.
Os desdobramentos políticos foram a criação do Likud, portador de ambições liberadas e oposição à direita ao trabalhismo afinal derrotado em 1977.
No começo dos anos 80, os gastos militares já representavam 32% do Orçamento israelense. A central operária Histadrut, de onde emerge Peretz, foi acossada pelo neoliberalismo e perdeu a condição de instrumento do controle social de grande parte da economia do país.
Os "kibutzim", espécies de cooperativa nas quais estava embutido o sonho de criação de um Israel "socializante", perderam o significado. Cada vez mais se parecem com empresas comuns.
Um importante filósofo chegou a chamar os "kibutzim" de "aldeias de povoadores da utopia". Pelo menos um deles, o Shamir, já negocia ações em "Wall Street" e na bolsa Nasdaq dos EUA, de empresas de alta tecnologia. É dono da empresa Shamir Optical Industry.


O jornalista Newton Carlos é analista de questões internacionais

 



Medalha pela resistência ao nazi-fascismo

Medalha pela resistência ao nazi-fascismo

 MEDALHA PELA RESISTÊNCIA AO NAZI-FASCISMO

Professor da Uenf que sobreviveu a vários campos de concentração recebe medalha do presidente da Rússia


Sessenta anos após o fim da 2.ª Guerra Mundial, o russo Guerold Sergueevitch Bobrovnitchii é um conceituado cientista da Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos (RJ), onde desenvolveu, com sua equipe, a tecnologia brasileira de síntese de diamantes artificiais. Mas aos dez anos, Guerold era uma criança ainda analfabeta recém-liberta dos campos de concentração alemães, onde a mãe morreu e o pai desapareceu. Por este ato de bravura imposto pela brutalidade nazi-fascista, Guerold foi condecorado pelo presidente da Federação Russa, Vladimir Putin.  

— Sua geração está ligada à resistência e à sobrevivência na luta mais dura de todos os tempos e povos. Em memória das pessoas que resistiram durante essa guerra, estou lhe desejando, de todo o meu coração, felicidade e saúde — escreve o presidente russo, na correspondência de entrega da medalha ao pesquisador da Uenf.

Na mente de Guerold, a lembrança dos horrores do nazi-fascismo remonta a seus cinco anos de idade, quando a cidade de Odessa, onde morava sua família, era bombardeada quase diariamente. Guerold se recorda de um tempo em que a cidade ficou sem qualquer instância formal de comando.

Ao bombardeio alemão seguiram-se saques efetuados por aliados romenos. Depois entraram as tropas alemães, começando o terror anti-semita. Guerold, que não é judeu, lembra ter presenciado o enforcamento de vários deles.

Em outono de 1943, quando as tropas soviéticas começavam a avançar, a polícia secreta nazista decidiu transferir parte do bairro onde morava Guerold para um campo de concentração na Alemanha, levando todos moradores. Além de Guerold, foram transferidos seus pais e a irmã Angelina, de apenas três anos.

— Foi uma viagem terrível, realizada em vagões destinados ao transporte de gado. Durante o percurso sentia cheiro de gente morta. Até hoje fico tenso quando sinto esse cheiro — conta Guerold.

Ele tinha cerca de oito anos quando foi levado para o primeiro campo de concentração, do qual não guarda qualquer lembrança. Mas do último, perto da cidade de Neuberg, Guerold se lembra alguma coisa. Era um local cheio de mulheres e crianças — separados à força de seus maridos e pais —, onde, ao que tudo indicava, eram realizados experimentos médicos com crianças. Sempre que sua mãe intuía o perigo, Guerold e irmã se escondiam para escapar dos guardas.

— Minha mãe morreu lá. O que eu me lembro para sempre era doença e fome, doença e fome, doença e fome...


GUEROLD VIU O HISTÓRICO BOMBARDEIO DE DRESDEN
 
Uma das situações mais dramáticas daquele período ocorreu enquanto os prisioneiros eram transferidos, andando a pé, de um campo para outro, perto da cidade alemã de Dresden. De repente soou um "barulho estranho" e apareceu enorme quantidade de bombardeiros voando muito baixo e em sentidos opostos. Depois se viu muito fogo e fumaça no horizonte.

— Passamos perto de Dresden e só vimos ruínas e fumaça. Lá não existia indústria militar. Nunca entendi por que os americanos destruíram aquela cidade.

A libertação ocorreu com a chegada das tropas soviéticas. Depois de dois anos de prisão, o menino Guerold ainda enfrentou seis meses no hospital militar do Exército Soviético. A irmã Angelina, que tinha cinco anos ao ser liberta, também teve que passar por tratamento médico.

DE MENINO ESTIGMATIZADO A CIENTISTA DE PRESTÍGIO


Guerold foi criado pela avó materna. Criança magra e barriguda, teve que enfrentar o preconceito e a gozação de colegas ao dar seus primeiros passos na escola intensiva onde começou os estudos.

Sempre com excelente desempenho, Guerold terminou a sétima série em 1950 e concluiu o curso técnico em Eletromecânica em 1955. Graças às ótimas notas obtidas, foi recomendado para a Universidade Técnica, em 1955, onde fez o curso de Construção de Máquinas e o mestrado em Mecânica.

Guerold veio para o Brasil em 1994, a fim de trabalhar no Laboratório de Materiais Avançados da Uenf. Nove anos depois, em 2003, Guerold e sua equipe anunciaram o domínio da tecnologia nacional de produção de diamantes sintéticos. O menino analfabeto e barrigudo perseguido pelos colegas russos se transformou num cientista de prestígio internacional.


26 de nov. de 2005

Relatório da UE sobre Jerusalém preocupa Israel

Relatório da UE sobre Jerusalém preocupa Israel

Israel disse na sexta-feira torcer para que a União Européia (UE) não volte à sua política tendenciosa no Oriente Médio, depois que diplomatas europeus criticaram as ações israelenses em Jerusalém Oriental como sendo nocivas à perspectiva de paz.

Frequentemente tensas, as relações entre Israel e UE melhoraram desde a desocupação da Faixa de Gaza, em setembro.

Mas um esboço de relatório feito por diplomatas em Jerusalém Oriental e Ramallah a chanceleres dos 25 países do grupo recomenda uma postura mais agressiva contra as ações israelenses na parte árabe de Jerusalém.

Uma porta-voz de Javier Solana, chefe da política externa da UE, disse que o documento não é definitivo.

O texto acusa Israel de incentivar a ampliação de assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e arredores, e também de usar o traçado da sua barreira para isolar a maioria dos 230 mil palestinos de Jerusalém Oriental da Cisjordânia.

"As políticas israelenses estão reduzindo a possibilidade de um acordo sobre o status final de Jerusalém que possa ser aceito por qualquer palestino", afirmou o relatório.

O destino de Jerusalém, cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, é um dos problemas mais complicados nas eventuais negociações de paz. Capturada durante a Guerra dos Seis Dias, de 1967, essa parte da cidade foi anexada por Israel como parte da sua "capital indivisível", mas isso nunca foi reconhecido pela comunidade internacional. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu eventual Estado, que também incluiria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

"Certamente seria uma pena se este impulso positivo (nas relações entre Israel e UE) acabar e tivermos uma regressão à tendenciosa posição (européia) do passado", disse Mark Regev, porta-voz da chancelaria israelense.

Já Saeb Erekat, negociador de paz dos palestinos, elogiou o relatório. "O mundo está assistindo às políticas de Israel e à sua criação de fatos no terreno. O governo israelense deveria parar com essas políticas...a fim de retomar o processo de paz."

Os autores do relatório recomendam à UE que peça a Israel para "parar o tratamento discriminatório dos palestinos em Jerusalém Oriental, especialmente no que diz respeito a autorizações de trabalho, autorizações de construção, demolição de casas, impostos e gastos".

"As medidas israelenses também criam o risco de radicalização da até agora relativamente pacata população palestina de Jerusalém Oriental", disse o texto.

Um funcionário da UE declarou que o documento foi redigido pelos chefes das missões diplomáticas de países da UE em Jerusalém Oriental, sob a liderança da Grã-Bretanha, que ocupa a Presidência do bloco neste semestre.

A UE frequentemente critica os assentamentos israelenses e a barreira que o país está construindo dentro da Cisjordânia, sob o argumento de impedir a infiltração de militantes suicidas. Os palestinos dizem que a barreira representa uma anexação da sua terra. A Corte Mundial condena a barreira e os assentamentos,

(Com reportagem de Wafa Amr e Mohammed Assadi em Ramallah)
 

25 de nov. de 2005

Low fertility and high intermarriage are pushing American Jewry toward extinction.

Low fertility and high intermarriage are pushing American Jewry toward extinction.


Low fertility and high intermarriage are pushing American Jewry toward extinction.

Reprinted with permission from Commentary, October 2005

Not long ago, a Manhattan rabbi stunned his congregants by informing them that the future of the Jewish people would be secured not through trips to Israel, not through the battle against anti-Semitism, and not through the continued upward mobility of Jews, but in the bedroom. What shocked his sophisticated Upper East Side audience had nothing to do with his allusion to sex; these days, it is perfectly acceptable to speak in public about intimate behavior. What is not permissible in polite Jewish company is an allusion to the decisions people make about their own family lives, or to the impact of those decisions on the ability of the Jewish community to sustain itself.

It is not as if the contours of today's demographic crisis are hidden from view. "American Jews See Population, Birthrate Drop," screamed a recent headline in the Los Angeles Times. "Low Fertility Key to 2000 Census," proclaimed a front-page story in the country's largest-circulation Jewish newspaper. By the year 2006, according to a policy institute in Israel, the American Jewish community, hitherto the world's largest, will for the first time fall behind the Jewish community of Israel in size.

Nor is it as if Jewish leaders are unalarmed. Last spring saw a series of private meetings, including one called by the president of the state of Israel, to discuss the demographic situation and what to do about it. Thus far, the result has been much hand-wringing and little action. This is hardly surprising: the problem of Jewish population decline is complex, and huge difficulties lie in ambush for any plan aimed at reversing it. But an even more intractable obstacle lies elsewhere. Until it is confronted, there is little prospect of accomplishing anything beyond hand-wringing.

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How many Jews are there in the United States? That in itself is not a simple question. Indeed, the very process of counting has become wrapped in controversy. The most recent National Jewish Population Survey (NJPS), conducted under the auspices of the federations of Jewish philanthropies in the years 2000-01 with guidance from a stellar team of scholars, was blemished by a series of polling mishaps. Damagingly, the survey stretched out over a two-year period, some data were lost, and some respondents were never asked the full battery of questions.

Even before this, however, demographers had come to an impasse over whom to count as part of the Jewish population -- a question necessitated by the increasingly porous nature of American society and the country's generally high rates of intermarriage. For example, should an individual raised as a Christian or as an adherent of an Eastern religion be considered a Jew if he or she had one Jewish parent? What if a born Christian who has never undergone any type of formal conversion asserts an identification with the victims of the Holocaust or in some way claims to have joined the Jewish people? What about the very common situation of a Gentile not married to but living in the same household with a Jew? What about the children and the grandchildren of intermarried Jews? If they were not raised as Jews, should they nevertheless be considered part of the Jewish population?

The result of all this confusion is disagreement as to the total size of the American Jewish population. Although most scholars have settled on a figure of between 5.2 and 5.5 million, a few, counting both Jews and the Gentiles living with them, would add as many as 1.2 million more. On the basis of the consensus figure of 5.5 million, the Jewish population of the United States has, at best, remained static for the past 50 years, despite the influx during that same period of at least a half-million Jewish immigrants.

If there is debate over absolute numbers, there is far wider agreement on the patterns of behavior within the Jewish population -- behavior confirmed by dozens of community studies and separate opinion polls. Two trends are particularly telling. First, in terms of median age, Jews are seven years older than other Americans. Second, even by the most cautious figures, at least half of all marriages involving a Jew are to non-Jews. Neither trend suggests demographic vitality.

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A new report by Tom W. Smith documents the first of these tendencies. Entitled ewish Distinctiveness in America: A Statistical Portrait1, it marshals considerable evidence for the relatively advanced age of the American Jewish population. Among religious groups, only liberal Protestants exceed Jews in this regard; among ethnic groups, only Americans of British ancestry do. Among Americans of all kinds, moreover, Jews have the fewest number of siblings, the smallest household size, and the second lowest number of children under eighteen at home.

Smith's study also makes plain why the Jewish age structure has become so skewed. For one thing, as the 2000-01 NJPS confirms, Jews marry later than other Americans, with the greatest disparities occurring in the age group between twenty-five and thirty-four. For Jewish women in particular, late marriage means lower rates of fertility compared with other Caucasian women - who themselves are barely producing babies at replacement level (figured at 2.1 children). The fertility gap is especially enormous among Jewish women under the age of thirty-five; even though the gap narrows considerably over the course of the next ten years, at no point do Jewish women attain the fertility levels of their non-Jewish peers or bear children in numbers sufficient to offset population losses from natural causes.

It is true that low fertility rates among Jewish women are not a new phenomenon. Economic advancement, the availability of birth control, and rising educational achievement caused Jewish fertility to start dropping as long ago as the middle of the 19th century in Europe and later in other modernizing societies like the United States. Nor, as is well known, is the phenomenon limited to Jews, or to the U.S.; in contemporary Europe and Japan, it has reached proportions that threaten catastrophe.

Still, Jewish women in the United States are significantly less fertile than their white, Gentile counterparts. To explain this fact, the demographer Frank Mott has pointed to the extraordinary rates of educational achievement among Jewish women, who spend significantly more time than their Gentile peers in programs of higher learning. For many of them, still more childless years follow as they work to advance their careers.

Add to all this the losses sustained through the high rate of intermarriage. Once upon a time, it was thought by at least some sociologists that intermarriage could prove to be a demographic boon. In the aggregate, said the optimists, it would take fewer intermarried Jews producing children identifying themselves as Jews to result in a net gain. But nothing of the sort has happened. 2

Not only does the birth rate among intermarried Jews tend to be even lower than among in-married ones, but nearly three-quarters of children raised in intermarried families go on to marry non-Jews themselves, and only 4 percent of these raise their own children as Jews. As for their links with Jewish life, only a minority of children raised by dual-religion parents identify themselves with Judaism or with the institutions of the Jewish community. Although a number of adult children of intermarriage do express "somewhat" of a connection with the Jewish component of their identity, such feelings are rarely translated into behavior. Like their parents, most tend not to join synagogues, contribute to Jewish causes, visit Israel, or participate in Jewish rituals nearly as much as do the adult children of in-married families.

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The cumulative effect of these demographic trends is now being felt and will only become amplified as time goes by. In a community that has long since ceased to replace its natural losses, continued low fertility rates mean that the number of children in the communal pipeline will soon drop sharply, causing a decline over the next decade in enrollments in Jewish schools and other institutions for the young. This will be further accelerated by the losses through intermarriage. Before long, as Bruce Phillips has concluded, "there will be fewer practitioners of Judaism" in the United States, and "this development will at some point become evident in the number and/or size of synagogues and other Jewish institutions."

But this brings us to the one major exception to the general rule -- namely, Orthodox Jews. Not only do the Orthodox suffer many fewer losses from intermarriage, but their fertility rate is far above the Jewish norm. As against the overall average of 1.86 children per Jewish woman, an informed estimate gives figures ranging upward from 3.3 children in "modern Orthodox" families to 6.6 in Haredi or "ultra-Orthodox" families to a whopping 7.9 in families of Hasidim. These numbers are, of course, difficult to pin down definitively, but anecdotal evidence is compelling. In a single year, according to a nurse at one hospital in the Lakewood, New Jersey area serving a right-wing Orthodox population, 1,700 babies were born to 5,500 local families, yielding a rate of 358 births per thousand women. (The overall American rate is 65 births per thousand women.)

The statistical evidence behind these birthrates is laid out in the 2000-01 NJPS. Orthodox adults are younger on average than other American Jews, with more than half falling between the ages of eighteen and forty-four. As for children eighteen and under, these make up 19 percent of the Orthodox community; the figure for the total American Jewish community (including the Orthodox) is only 12 percent.

It does not take a prophet to discern the eventual impact of these trends. The Orthodox are the smallest of the three major denominations; in numbers, the Conservative and Reform movements far outstrip them. But among synagogue-affiliated Jews, the Orthodox sector contains more children than either of the other two. If the Orthodox continue to retain the loyalties of their young people, as they have mostly done over the past 30 or 40 years, they will become an ever larger, more visible, and better represented part of the total community, and will be in a position to insist on a larger share of communal expenditures -- as some Orthodox leaders are already doing.

But what accounts for the high fertility rates of Orthodox Jews? It is certainly true that they marry much earlier than other Jews. Almost two-thirds of Orthodox women are wed by the age of twenty-five, and 90 percent by thirty-five. (For Conservative women, the comparable figure at age twenty-five is 9 percent, for Reform women 3 percent, and for women who identify themselves as "just Jewish" 14 percent; by age thirty-five, only slightly over half of Reform women are married.) 3 These Orthodox women go on to bear children at a younger age, and to have larger families.

But this just begs the question of causation; something is at work to produce those figures. It is hardly enough to say, as some do, that the Orthodox lag behind the rest of the Jewish population in levels of educational attainment. That is emphatically not the case with the modern Orthodox, and it is less and less the case in the Haredi community. Nor has the fact that Orthodox women are pursuing higher education and entering the labor force in large numbers impeded their determination to marry young and bear children.

A recent class exercise at an academically-oriented, modern-Orthodox day school in Manhattan may offer some insight here. The assembled fifteen-year-olds, boys and girls alike, were asked how many children they themselves hoped to have. Only two gave two as their ideal number, and none wanted fewer than that. A large majority named four. Whether all of these young people will actually follow through on their stated aspirations is not the point; the point is the aspirations themselves. It is unlikely that a similar exercise would yield the same results in Jewish schools of other denominations.

In brief, we are in the realm of norms and values. Orthodox communal culture encourages child-bearing, and has more thoroughly insulated itself from the "substantial downward pressures" that, in the reasonable judgment of Frank Mott, are currently depressing the overall size of the Jewish population -- and that may themselves be the results of a rather different value system.

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Remarkably, there has been little inquiry into any of these matters -- that is, into why so many in the Jewish community are remaining single, or are having smaller families, or are intermarrying. In light of the pain expressed by many Jews about what has happened within their own families, this willed ignorance is in itself shocking. Thirty- and forty-year-old singles speak freely of their loneliness, and their inability to meet eligible Jewish mates. Because of late marriages, huge numbers of Jewish couples are struggling with infertility or with the difficulties of finding babies to adopt. Parents of adult children cannot fathom why their offspring are still living alone or moving from one transitory relationship to the next. Tens of thousands of families are trying to cope with the consequences of intermarriage or find themselves at a loss to explain to their children why, even though an uncle or aunt is married to a Gentile, it is not all right to consider "interdating."

No doubt, many feel there is not much to be said about any of this -- that the twin trends of low fertility and high intermarriage are forces of nature, not to be questioned but merely endured. Besides, one can always point to the larger social forces at work, from the sexual revolution, to the felt economic need to maintain dual-career marriages, to the obsessive quest for success, to a predisposition among the best-educated to regard family itself as a suspect category and child-rearing as a chore best left to others, to the triumph of the cult of individualism and freedom of personal choice, and so forth.

The litany is well-known, and its constituent elements have surely affected Jews as much as anyone else. In fact, to judge by the figures cited above, they have affected Jews more than others. But, precisely because that is so, it is useful to consider the particular beliefs and social values embraced by the majority of American Jewish families.

Tom Smith's study of distinctiveness is a good place to start. His surveys demonstrate, for example, that American Jews are exceptional in the emphasis they place on raising independent-minded children. Asked to rank the relative importance of five values to be passed on to the next generation, overwhelming numbers identify their highest priority as the ability to "think for himself or herself," far more than those naming "working hard" or "obedience."

That no other ethnic group shows results like these is a finding in which many Jews would undoubtedly express pride. But there is surely a price to be paid for this unmodulated emphasis on independent-mindedness. At least in part, it has been paid in the coin of group allegiance and even of fidelity to one's own parents when it comes to things like marriage and family. The same can be said for the value that Jews place upon education. Although this certainly accounts for their disproportionate presence at top-tier colleges and universities, it, too, is pursued at the cost of other values.

An outfit called the Curriculum Initiative has estimated the number of Jewish children enrolled in private prep schools at 50,000. Many of these private schools are under Christian auspices. When asked to explain their choice, parents regularly extol the extraordinary education their children are receiving. They may well be right about that; but choosing one course of action entails rejecting another. A report by the National Study of Youth and Religion notes the extent to which young Jews fall behind every other American group in religious identification and practice. Young people well understand their parents' priorities - and live them out.

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These particular trends may seem relatively easy to explain; others are more opaque. Take the spiraling intermarriage rates. To the extent that these are understood at all, they are generally ascribed to two factors. The first is that Americans in general think nothing these days of crossing ethnic and religious boundaries in marriage; the second is that, for Jews, intermarriage is the natural result of a great blessing, namely, the radical diminution of anti-Semitism in American society. Both explanations focus on trends beyond the control of Jews and therefore requiring no response.

In fact, however, we know very little about how Jewish men and women actually regard each other and why so many of them opt to date or to marry non-Jews. Is it true, as one hears, that Jewish men do not want to marry someone who reminds them of their mother, or that Jewish women do not want to marry someone who reminds them of their father? And if it is, why have they only recently begun acting on this disinclination in such massive numbers? Might it be the reverse -- that, for example, Jewish men want to marry someone more like their mother than the typical young Jewish woman of today, and that Gentile women happen to fit the bill?

Similar questions might be asked about the decisions of young Jews when they think about forming a family. What values and beliefs correlate with delayed marriage? How is it that Jewish adults who have themselves grown up in intact homes, and whose parents' enduring togetherness might be thought to serve as a positive model, nonetheless choose to remain single? Despite the vital relevance of such questions to the future of the Jewish community, they have gone unexplored.

In the meantime, the outlook of the organized Jewish community has been characterized mostly by denial. Faced with irrefutable evidence of demographic decline, communal leaders have worked to "reframe" the discussion. The reframing goes like this: the Jewish population should be seen not as hemorrhaging, but rather as evolving new forms of expression. Yes, today's Jews are choosing to behave differently from Jews in the past, but, if treated with dignity and respect, they will surely return to play a positive role within the community. Yes, Jews are intermarrying at high rates, but if intermarried couples are offered a more welcoming environment, they will participate gladly in Jewish activities and both they and their offspring will come to identify strongly with Jewish life. Yes, Jews are producing fewer children, but what counts is quality, not quantity. Yes, fewer Jews are affiliating with synagogues and other communal institutions, but eliminating exclusionary and inhospitable attitudes will cause the situation to reverse itself.

The challenge of demographic decline, then, is to be met by inclusiveness, pluralism, and a welcoming atmosphere. The worse the decline has grown, the more fervently has this mantra been invoked -- and not just invoked, but acted upon. Here, for example, is a "Statement on Human Sexuality" issued in 1998 by the rabbinate of the Reform movement:

In our age, the traditional notion of family as being two parents and children (and perhaps older generations) living in the same household is in the process of being redefined. Men and women of various ages living together, singles, gay and lesbian couples, single-parent households, etc., may be understood as families in the wider, if not traditional sense. "Family" also has multiple meanings in an age of increasingly complex biotechnology and choice....

Having thus radically expanded the definition of a Jewish family to accommodate what it calls "contemporary secular norms," the statement goes on to encourage "adults of all ages and physical and mental capabilities to develop expressions of their sexuality that are both responsible and joyful." Never once, however, does it encourage Jews to marry, or even mention that marriage is the one element previously thought to be the sine qua non of Jewish sexual expression and family life.

A second document, this one issued by the Reconstructionist rabbis, also avoids an endorsement of marriage as a Jewish ideal. "Contemporary liberal Jews," it states, "affirm the equality of both partners and understand that it is the obligation of each partner to treat the other with dignity. It is the qualities of mutual respect, trust, and love that we consider the fundamental attributes of loving partnerships." Marriage, disparaged elsewhere in the document as "historically a relationship of two unequal parties," evidently fails to meet these criteria. While praising the family "as the primary, stable unit of intimacy," the statement quickly adds that "many old and new kinds of families can fulfill these values."

Not much detective work is needed to discover the impulse behind these rejections of traditional Jewish teachings. In order to welcome Jews who live in unconventional family arrangements, and in particular to eliminate any negative judgment of gays and lesbians, the rabbis have rushed to scuttle what Judaism has always held about the centrality of marriage. They have done so, moreover, largely in order to address the discomfort, real or imagined, of the 1 or 2 percent of the Jewish population that is gay or lesbian, slighting their duty to instruct the other 98 percent on the Jewish understanding of sexuality and family. The same drive to offer hospitality at any cost -- together with a rote allegiance to the supposed legacy of the civil-rights movement and the demands of "equality" -- motivates the several hundred rabbis who now officiate at so-called interweddings.

*     *     *

The obvious damage here is to the integrity of Judaism and to two millennia of Jewish preachment. In the case of intermarriage, there is also a subtler consequence. The fact is that Jewish men have consistently outpaced Jewish women as intermarriers. This means that Jewish women wishing to marry confront a shrinking pool of potential Jewish mates. The result in female behavior can be seen quite vividly in the figures gathered by the 2000-01 NJPS.

In the 1960's, when rates of intermarriage first began to take off, many more Jewish men than Jewish women married non-Jewish spouses; in the 1970's, Jewish women caught up with and overtook them. In the 1980's, the men spurted ahead again, and in the early 1990's they were again matched by women. We are now in the next spin of an upward spiral: intermarriage rates for Jewish men in the late 1990's once more exceeded the rates for Jewish women; before the end of this first decade of the 21st century, as the pool of marriageable Jewish men shrinks still further, we can expect to see still another spike in the rate of intermarrying Jewish women.

Many of the rabbis who perform intermarriages claim to be ardent champions of women. To what are they contributing, however, and what are they abetting? In this area, too, there is no lack of testimony to the damaged lives of actual people. Jewish newspapers around the country have carried personal articles by women lamenting the paucity of Jewish men to marry. At public gatherings, women speak bitterly of being driven to look for non-Jewish mates, and of deciding to do so as long as they have some assurance that their children can be raised as Jews. A small but growing number have taken the extraordinary step of bearing children through artificial insemination, and reportedly some, in the name of Jewish continuity, have contemplated asking the organized community to support their choice financially.

The working assumption of Jewish officialdom seems to be that the acceptance and encouragement of every kind of "family arrangement" will insure that Jewish life will thrive. This is not only a gross distortion of Judaism, it is palpably false. Under the banner of unconditioned equality, the needs of the affiliated are ignored, and the overall Jewish population continues to contract.

But -- one can imagine the scoffing reply -- can anyone seriously believe that contrary declarations by rabbis or communal leaders would have any salutary impact on behavior? By refusing to officiate at intermarriages, would rabbis reduce the incidence of such marriages in the slightest? If Jewish organizations undertook actively to encourage young Jews to marry and raise children, would anyone pay attention?

This line of thinking is the necessary counterpart to the mantra of inclusiveness, and now passes for realism in much of the Jewish organizational world. If nothing else, however, the exceptionalism of Orthodox Jews suggests what is wrong with it. Beliefs, communal norms, and expectations do in fact play a powerful role in shaping behavior -- not overnight, but over time. The pro-natalism of the Orthodox community was a policy deliberately nurtured over the decades through an educational system, through countless sermons and homilies by Orthodox rabbis, and through inculcating in generations of young Jews the positive value of standing apart from those "contemporary secular norms" to which the authors of the "Statement on Human Sexuality" appeal for validation.

In the face of today's secular norms, the Orthodox call on an additional source of strength: the power of Jewish norms and obligations. Until other sectors of the community are prepared to speak boldly and forthrightly about Judaism's truly countercultural ideas, they will continue to lose larger and larger numbers of the next generation, and to face a smaller and smaller future.

1Based on surveys conducted by the National Opinion and Research Center, the report was released earlier this year by the American Jewish Committee.

2In what follows I draw from the as yet unpublished research of the sociologist Bruce Phillips.


Fonte : www.aish.com


Shabat Shalom !

24 de nov. de 2005

A águia

A águia


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.

Mas para chegar a essa idade, em determinado momento, ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.

Aos 40 anos ela está com:
As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta.
O bico alongado e pontiagudo, se curva.
Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é muito difícil!

Então, a águia só tem duas alternativas:

Morrer...

... ou enfrentar um difícil processo de renovação que irá durar 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.

Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir desprendê-lo.

Depois disto, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois tirar suas unhas.
Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.
E só após cinco meses, sai para o famoso vôo de renovação. E vai viver então mais 30 anos.
Na parashá desta semana, Vaierá, temos uma bonita lição de renovação.

Aos 89 anos de idade Sara, nossa primeira matriarca, recebe a notícia de que será mãe pela primeira vez.

Sua primeira reação é uma sonora gargalhada. E nem poderia ser diferente.

Depois de tantos anos de esterilidade, tentando e tentando engravidar, depois que o seu ciclo já se tinha encerrado (como descreve a torá – referindo à menopausa da Matriarca). Vem um visitante à sua tenda e anuncia que ela terá um filho.

E o impossível acontece. Aos 90 anos de Idade, Sara dá vida ao seu primeiro e único filho Isaac. Sara vive até os 127 anos. E, segundo os nossos rabinos, os últimos 37, desde o nascimento de Itzchák são os anos mais felizes da vida de Sara.

Em nossa vida, muitas vezes, parece que as coisas chegaram à um ponto e daí não poderão mais sair. Quer seja o nosso emprego, o nosso casamento, ou a relação com a família ou nossos amigos. Em determinado instante, temos a impressão de que o ápice, o ponto mais alto, já foi vivido e a partir daí as coisas ficarão mais ou menos do jeito que estão.

Este é um grave engano.

Ao escolhermos pela manutenção do "status quo". Ao decidirmos por continuarmos para sempre da maneira que tudo está. Estamos decidindo morrer. E existem aqueles que decidem "começar a morrer" enquanto ainda são muito jovens.

É exatamente esta a oportunidade de virarmos o jogo. É o momento de optarmos pela vida. Qualquer que seja a nossa idade, qualquer que seja a situação.

Precisamos tomar o destino em nossas mãos e sabermos que o melhor vôo, é aquele de novação. É o vôo em que batemos nossas asas quando outros já teriam perdido as esperanças. E assim, descobrimos que ainda tínhamos pela frente, os melhores anos de nossas vidas.
 
Voem alto.
 
 Shalom!


Kadima!

Kadima!


Partido de Sharon vai chamar-se Kadima

O novo partido do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, vai chamar-se Kadima («em frente», em hebreu), noticiou hoje à noite a rádio pública israelita. O Kadima, uma formação de centro-direita, regista-se oficialmente esta quinta-feira a fim de concorrer às próximas eleições legislativas. A data do escrutínio foi oficialmente fixada a 28 de Março com a assinatura pelo presidente israelita, Moshe Katsav, de um decreto que ordena a dissolução do Parlamento, abrindo assim caminho a eleições gerais antecipadas.
 O decreto da dissolução será publicado no registo do Parlamento a 08 de Dezembro e as eleições legislativas terão lugar a 28 de Março de 2006. Até 8 de Dezembro, Sharon pode nomear novos ministros interinamente, sem ter de obter o aval do parlamento, onde já não dispõe de uma maioria. O primeiro-ministro dispõe de uma força parlamentar de 15 deputados, de um total de 120, dos quais 14 vindos do partido Likud, que ele deixou, nomeadamente os ministros das Finanças, Ehud Olmert, da Segurança Interna, Gideon Ezra, da Justiça, Tzippi Livni, e do Turismo, Abraham Hirshon.



 
A Prova da Existência de D'us

A Prova da Existência de D'us

Por Rabi Nissan David Dubov

"Prove-me que D’us existe" é um desafio tão antigo quanto a própria religião. A religião é definida como a crença na existência de um poder controlador sobre-humano, e quando declaramos o Judaísmo como nossa religião, nossa crença em D’us é axiomática. Apesar disso, muitos judeus ainda questionam este próprio alicerce. Além disso, qualquer resposta geralmente é seguida por uma torrente de protestos questionando estas crenças, como as perguntas "se há um D’us, onde estava Ele durante o Holocausto?" e ainda "Por que acontecem coisas más às pessoas boas?"


Muitos judeus recitam diariamente os Treze Princípios da Fé, baseados no comentário de Maimônides à Mishná Sanhedrin 10:1. 

Os primeiros quatro princípios são:

1 – Creio com fé total que o Criador, bendito seja Seu nome, é o Criador e Amo de todos os seres criados, e que somente Ele fez, faz, e fará todas as coisas.
2 – Creio com fé total que o Criador, bendito seja Seu nome, é Um e somente Um; que não há unicidade como Ele; e que somente Ele é nosso D’us – foi, é, e será.
3 – Creio com fé total que o Criador, bendito seja Seu nome, é incorpóreo; que Ele está isento de todas as propriedades antropomórficas; e que Ele não tem qualquer semelhança.
4 – Creio, com fé total que o Criador, bendito seja o Seu nome, é o princípio e o fim.

Sempre que um judeu recita o Shemá, ele dá testemunho da existência do único D’us, uma existência experimentada pelos nossos ancestrais e transmitida a nós através de uma linha ininterrupta de tradição.


Provar a existência de D’us? Na verdade devemos analisar a pergunta antes de tentar respondê-la. O que se considera prova? Como se prova que algo existe? Vejamos, por exemplo, um cego. A cor existe para o cego? Ele não pode ver a cor, porém ela existe. Este fato é estabelecido por outros que podem ver. O cego acredita e confia que os outros podem ver que a cor existe, embora esteja além de sua experiência pessoal.


Ainda um outro exemplo: a eletricidade. Quando acendemos uma luz, podemos ver a eletricidade? A resposta é não, podemos apenas ver o seu efeito. A gravidade. Quando um objeto cai, não podemos ver, sentir, provar ou cheirar a gravidade – vemos apenas seu efeito. Todos concordam que a gravidade é um fato indiscutível da natureza – pois observamos seu efeito. Ainda hoje os cientistas ficam desconcertados para explicar "exatamente" o que é a gravidade.

Em resumo, a prova da existência de qualquer coisa não significa necessariamente que temos de senti-la, seja da maneira que for. Ela existe porque vemos seu efeito ou, no caso do homem cego, acreditamos em outros que podem vê-la. 

D’us não tem um corpo ou forma de corpo. Ele está em toda parte e cria o tempo e o espaço. Por definição, não podemos transcrever qualquer descrição física de D’us. Por definição, o homem na verdade não pode ver D’us. Portanto, para provar a existência de D’us, devemos confiar nós mesmos em Seus efeitos, ou em outros que viram Seu efeito (como o homem cego).

Para resumir, provar a existência de D’us pode ser feito em duas maneiras. Primeiro, examinando se alguém realmente testemunhou algo Divino ou, em segundo lugar, por uma prova irrefutável da existência de Seus efeitos. Para expressar isso de maneira um pouco diferente, por tradição ou por prova metafísica, devemos também examinar a prova de existência estudando a História Judaica e o cumprimento da profecia.

Antes de examinarmos todos estes caminhos, deve-se mencionar que os filósofos mais notáveis do Judaísmo discordam sobre qual é a prova mais forte. Rabi Yehuda Halevi em seu livro Kuzari (2:26) argumenta que: "A fé mais elevada é aquela derivada somente da tradição, em cujo caso a prova metafísica deveria apenas ser usada como um último recurso para impedir a descrença."
Maimônides (Moreh Nevuchim 3:51) discorda. Ele argumenta que "nossa fé começa com as tradições que nos foram transmitidas por nossos ancestrais e em nossa sagrada literatura. Isso é mencionado no versículo: ‘Ouve, ó Israel, o Eterno é nosso D’us, o Eterno é Um.’

No entanto, o grau mais elevado de fé vem da prova filosófica, e aqueles que têm capacidade são exigidos para provar os fundamentos da nossa fé."


Neste ensaio, examinaremos todos os caminhos. Nossa abordagem é que, ao combinar provas tradicionais, filosóficas e históricas, qualquer judeu pensante será levado a uma fé firme na existência de D’us. 

O Talmud refere-se aos judeus como "Crentes, Filhos de Crentes". É quase como se a crença em D’us fosse hereditária. Na verdade, porém, a crença inata surge no próprio âmago da alma judaica. Job descreve a alma como "uma parte do Divino". A fé simples de um judeu vem daquilo que ele sente como a própria fonte de sua alma – sua própria essência. Aquela essência pode muitas vezes se tornar oblíqua por meio das insensibilidades e indulgências do corpo.
No entanto, o ponto principal permanece para sempre intacto e, naquelas ocasiões muito especiais em que a alma reluz, o judeu sente sua verdadeira fonte, sua própria essência.

A Prova Tradicional

Num tribunal, a prova mais forte de que algo aconteceu ou existiu é a declaração de uma testemunha. Ver é crer. Não se pode comparar algo visto com algo que se ouviu.

Qualquer fato histórico é provado por aqueles que testemunharam e registraram o evento. Quanto mais testemunhas para aquele evento, mais crível é o fato.
Um dos Dias Festivos mais celebrados no calendário judaico é Pêssach. Nas noites do Sêder, judeus no mundo inteiro se reúnem em família para relembrar o Êxodo do Egito. A noite está repleta de ritual e a Hagadá é nosso manual. Algo comum a todos é o consumo de matsá – o pão da aflição. O Zohar (uma obra cabalista fundamental) chama a matsá de pão da fé. Ela nos lembra que os judeus comeram matsá ao deixarem o Egito. Embora os costumes possam diferir, a história básica do Êxodo permanece a mesma. Judeus de Bombaim, Birmingham ou Bielo Rússia – todos relatam a mesma história.

Pergunte a qualquer judeu quantas foram as pragas no Egito e a resposta será 10. Se alguém sugerisse que foram 11, seria imediatamente corrigido, não apenas pelo detalhe histórico, como apresentado na Torá, mas basicamente pela reconstituição anual das Dez Pragas no Sêder. Temos o costume de derramar um pouco de vinho à menção de cada praga. Nós teríamos nos lembrado se fossem 11 pragas. Não, foram 10.

Na verdade, se tivesse havido alguns "mentirosos" distorcendo a história com o passar das gerações, teríamos terminado com versões diferentes da história. Todos concordam, porém, que os judeus deixaram o Egito e, quarenta e nove dias depois, estavam perante o Monte Sinai e ouviram de D’us os Dez Mandamentos.

Isso é conhecido, não apenas por causa daquilo que um livro (a Torá) nos relata, mas simplesmente pela tradição – pelo fato de que geração após geração de judeus transmitiu esta história, que é baseada na experiência real de toda uma nação. Portanto, permanece como um fato histórico incontestável. Os judeus que deixaram o Egito testemunharam as Dez Pragas, o Êxodo, a revelação no Sinai, e transmitiram estes eventos de geração em geração.

No decorrer da história judaica nunca houve menos que cerca de um milhão de judeus a transmitirem esta tradição, e a história básica permaneceu a mesma mesmo quando os judeus foram dispersos e espalhados pelos quatro cantos da terra. No Sinai, 600.000 homens entre 20 e 60 anos, além de mulheres e crianças (e homens abaixo dos 20 anos e acima dos 60) – um total de cerca de três milhões de pessoas – ouviram os Dez Mandamentos do Próprio D’us. Este evento, registrado na Torá, é, ao mesmo tempo, um acontecimento testemunhado da história e portanto um fato histórico irrefutável. Desacreditá-lo é altamente não-científico.

Deve-se enfatizar que a revelação no Sinai foi diferente de qualquer outra revelação alegada por qualquer outra religião. No Cristianismo, a revelação é atribuída a um homem ou a um pequeno grupo de discípulos, e o mesmo se aplica ao Islã (a Maomé) e o Budismo (a um antigo sábio hindu, Buda – o iluminado – cujos seguidores adotaram seus ensinamentos e doutrinas e se denominaram budistas). Não foi assim no Judaísmo – a revelação ocorreu para uma nação inteira.

Na verdade, um grande rabino, Rabi Shlomo ben Aderet (Rashba), explica que a parada no Sinai foi necessária porque se a revelação fosse feita a um homem apenas – Moshê – teria sido controvertida. Ele explica: imagine Moshê chegando ao Egito e contando aos judeus que era chegado o tempo de sua redenção. A princípio eles duvidariam dele, mas assim que começasse a provocar as Dez Pragas, eles perceberiam que eram poderes sobrenaturais em ação. Moshê supera os mágicos egípcios e faz surgir pragas que eles não podem reproduzir. Até eles admitem que era "o dedo de D’us" em ação. Moshê, em nome de D’us, constantemente faz uma advertência seguida por uma praga. Após as Dez Pragas e o Êxodo, e especialmente após a abertura do mar, a Torá atesta o fato de que as pessoas "acreditaram em D’us e em Moshê, Seu servo."

No entanto, haveria um problema. Os judeus ouviram aquilo de uma criatura de carne e osso que D’us tinha enviado com uma mensagem. Ainda havia espaço para o céptico – especialmente numa geração posterior – duvidar. Assim, diz Rashba, a reunião no Sinai foi necessária. Testemunhado por uma nação inteira, D’us Se revelou no Monte Sinai e outorgou os Dez Mandamentos. Cada judeu experimentou o mesmo nível de comunicação que Moshê recebeu. A partir daí, os judeus estavam plenamente convictos de que quando Moshê transmitiu as palavras de D’us, era realmente de origem Divina.

Deve-se mencionar que os Filhos de Israel naquela época não eram escravos incultos que podiam ser facilmente enganados. Dentre eles havia sábios, sacerdotes, arquitetos e construtores, profissionais que tinham construído pirâmides e outras estruturas – maravilhas do mundo – cuja arquitetura ainda assombra os construtores modernos. Formavam uma geração culta – certamente argumentativa e teimosa como ficou provado em muitas ocasiões. Se parte da nação tivesse "sonhado" uma história, certamente esta teria sido rejeitada pelos outros.

O Êxodo e a revelação no Sinai permanecem fatos históricos inegáveis. Como foi mencionado previamente, as testemunhas são a prova de maior peso num tribunal – e muito mais, quando a testemunha ocular é uma nação inteira! Esta certamente é uma prova científica da existência de D’us. Embora não possamos vê-Lo – como o cego que não consegue ver as cores – nossos ancestrais testemunharam esta revelação e transmitiram o fato como tradição oral e escrita. Talvez seja por este motivo que no primeiro mandamento D’us diz: "Eu sou o Eterno teu D’us que te tirou da terra do Egito." A criação do mundo é um fenômeno muito mais complexo e assombroso que o Êxodo do Egito, então por que D’us não diz, "Eu sou o Eterno teu D’us que criou o céu e a terra"? 

Uma resposta possível é que os cientistas ainda hoje questionam a origem do cosmos e alguns ignoram a D’us. Quando D’us Se comunicou com os judeus, tornou a comunicação muito pessoal. "Eu sou o D’us que você viu te tirando do Egito, e que agora está falando contigo." O povo não precisava de quaisquer provas filosóficas. Viram com seus próprios olhos e ouviram com seus próprios ouvidos. Foram testemunhas que estiveram no Sinai. Esta é a maior das provas!
A prece mais conhecida no Judaísmo é o Shemá. Num Sêfer Torá ou Mezuzá a letra ayin da palavra Shemá e a letra dalet da palavra Echad estão escritas em grandes letras em negrito. Juntas, elas grafam a palavra hebraica Ed que significa testemunha. Sempre que um judeu recita o Shemá, ele dá testemunho da existência do único D’us, uma existência experimentada pelos nossos ancestrais e transmitida a nós através de uma linha ininterrupta de tradição.

Provas Filosóficas

Além da prova tradicional, podemos agora examinar outras provas filosóficas. Muitas provas têm sido citadas e devemos nos limitar neste capítulo às mais conhecidas e mais freqüentemente mencionadas.

1 – A obra clássica Chovot Halevovot (1:6) menciona uma linda parábola. 
Certa vez um rabino entrou no palácio de um rei e recebeu uma audiência com o soberano. Este lhe fez a pergunta: "Como sabe da existência do Criador?" O rabino pediu respeitosamente ao rei para deixar a sala por alguns instantes. Sobre a mesa havia uma pena, um tinteiro e papel. Enquanto o rei estava fora do aposento, o rabino escreveu um bonito poema no papel. Quando o rei voltou, viu o poema e ficou surpreso pelo seu estilo poético. A tinta ainda estava úmida e o rei elogiou o rabino por escrever poema tão bonito. O rabino respondeu que não tinha escrito o poema, mas sim que tinha pegado o tinteiro, derramado a tinta sobre o papel e que as letras tinham se formado por si mesmas. O rei ridicularizou tal sugestão, dizendo que era impossível a tinta se arranjar sozinha numa única letra, que dirá uma palavra, muito menos uma frase, e certamente não num lindo poema! O rabino respondeu: "Aqui está sua resposta. Se a tinta de um tinteiro não pode formar um poema sem a mão de um poeta, então certamente o mundo, infinitamente mais complexo que o poema, não teria se formado sem a mão de um Criador!"

Uma história fictícia semelhante – embora mais contemporânea – é relatada sobre os americanos, russos e chineses que se reuniram e decidiram enviar uma nave tripulada a Marte. Após gastar milhões de dólares, rublos e yuans, além de anos de preparação, finalmente uma espaçonave é lançada rumo a Marte. Pouco mais tarde um astronauta dá um pequeno passo para o homem mas um grande salto para a humanidade, e pisa na superfície de Marte. As câmeras enviam cada movimento seu para a Terra. De repente, após dar alguns passos, o mundo é surpreendido pela visão de uma lata de Coca-Cola pousada numa rocha próxima. O astronauta apanha a lata, vê que é de verdade, pois sobre ela estão as palavras "Coca-Cola é marca registrada – fabricada nos EUA". Os russos e os chineses estão revoltados – os americanos obviamente os enganaram, enviando uma nave antes daquela ocasião. Os americanos negam aquela alegação, mas estão desconcertados pela aparição da lata de Coca-Cola. Finalmente, a imprensa entrevista um professor da Universidade de Oxford. Este explica o enigma sugerindo que no decorrer de bilhões e bilhões de anos, é possível que, através da evolução, uma lata de Coca tenha se formado, chegando a ter as palavras "fabricada nos EUA"!

Seus comentários são ridicularizados. Mesmo após bilhões de anos, a probabilidade matemática das palavras se formarem é nula. E muito mais a criação deste mundo, tão complexo!

Mesmo atualmente, os cientistas concordam que até agora só descobriram a ponta do iceberg na complexidade do universo. Como é possível que tenha se formado por si mesmo, sem um supremo arquiteto e projetista?

A surpreendente quantidade de informação genética contida nas cadeias de DNA humano deixa a mente perplexa. Estas cadeias super complexas poderiam ter se formado por si mesmas?


Uma história semelhante é relatada sobre um homem que entrou numa fábrica de carros totalmente automatizada e, ao ver um carro inteiro sendo produzido por uma máquina, do começo ao fim, chegou à conclusão que os carros se fabricavam por si mesmos! Como é ridículo pensar que uma fábrica assim não tenha sido projetada por um mestre em Engenharia Mecânica!


2 – Rabino Aryeh Kaplan escreve (Manual do Pensamento Judaico 1:1)
A existência de um Criador proposital é indicada pelo fato de que o universo inorgânico contém todo ingrediente necessário para tornar possível a vida orgânica. O mundo existe como uma arena para a vida, e a probabilidade de que isso se deva inteiramente ao acaso é infinitesimal. A essência do argumento é que matematicamente, quanto mais complexa uma estrutura organizada, menor a probabilidade de esta estrutura ser devida ao acaso. A química da vida é o processo mais complexo em nossa experiência, e apesar disso achamos que a matéria inorgânica do universo pode apoiar este processo. Como existe apenas um tipo de matéria orgânica no universo, as chances de ele ter todas as propriedades químicas e físicas necessárias para suportar a vida são infinitamente pequenas, a menos que levemos em conta um Criador proposital.

3 – O Talmud declara que o homem é um microcosmo. Sem sequer olhar para o cosmos, vemos pelas maravilhas do corpo humano que esta é a obra de um Mestre Criador, pois nem mesmo em bilhões de anos, algo tão complexo como isso jamais teria surgido.

Vejamos o exemplo do olho humano. Os olhos de um bebê, que começam a se formar no embrião de dezenove dias, terão mais de doze milhões de pontos por centímetro quadrado; a retina, ou porção do olho sensível à luz, terá mais de cinqüenta bilhões desses pontos. O quadro que os olhos registram é homogêneo porque estes pontos sensíveis à luz se misturam num só todo. 
Pegue uma lente de aumento e examine qualquer foto num jornal. Você verá que é composta de centenas de pontos, alguns escuros e outros claros, que juntos formam a foto quando você a olha de uma certa distância. Isso é exatamente o que o olho faz, somente com detalhes muito mais apurados.

De onde vêm estes bilhões de células no sistema nervoso? Do óvulo fertilizado, que ainda está se dividindo depois de um mês, para formar os tecidos e órgãos que uma criança precisa. Foi estimado que todos os dois bilhões de células nervosas específicas que formam um indivíduo estão localizadas na cobertura externa do cérebro, o córtex, e que estes dois bilhões de células poderiam ser guardadas num dedal. O desenvolvimento continua em certas partes do cérebro, mesmo após o nascimento. Ao final do primeiro mês do desenvolvimento embriônico, nenhuma dessas partes do cérebro, cordão espinhal, nervos ou órgãos do sentido está completamente formado, mas o alicerce para eles foi colocado.

O desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, e sua regra de integração de todos os sistemas permanece um dos mistérios mais profundos da embriologia.

Somente os olhos mostram um planejamento tão inteligente a ponto de deixar estupefato alguém que os estude. No estágio embriônico, os olhos são formados dos lados da cabeça e estão preparados para a conexão com os nervos ópticos crescendo independentemente do cérebro. As forças que permitem esta integração até agora não foram descobertas, mas devem ser de fato formidáveis, pois mais de um milhão de fibras ópticas nervosas devem enredar-se em cada olho.

Pense por um momento sobre aquilo que é considerado um feito da engenharia humana – a escavação de túneis a partir dos dois lados dos Alpes, e que devem se encontrar exatamente e se juntarem numa auto-estrada contínua. Apesar disso, qualquer uma das milhares de coisas que um feto deve fazer como parte da rotina de desenvolvimento é muito mais assombrosa.

O mesmo pode ser dito sobre a maravilha que é a primeira respiração do bebê. Após receber oxigênio durante nove meses através do cordão umbilical, numa questão de segundos os pulmões milagrosamente se abrem sem qualquer problema. Antes da primeira respiração, os tubos estavam inoperantes, e uma respiração faz funcionar todo o sistema. Isso é realmente fenomenal.
Estes são apenas dois entre milhares de exemplos das maravilhas da natureza, para demonstrar que estes sistemas são tão complicados que é quase impossível terem se formado por si mesmos, e não projetados por um Criador. Não admira que os cabalistas digam que é possível enxergar a alma através dos olhos, e o Rei David tenha escrito nos Salmos que deve-se louvar a D’us por toda respiração.

Esta percepção é reforçada pela recente decodificação do genoma – a cadeia do DNA humano. A surpreendente quantidade de informação genética contida nessas cadeias deixa a mente perplexa. Estas cadeias super complexas poderiam ter se formado por si mesmas?

Conclusão

Podemos concluir pela própria existência da vida e pela complexidade do universo que tudo deve ter sido projetado e sustentado por um Mestre Criador. Foi nosso Patriarca Avraham que, por meio desta dedução lógica, chegou à conclusão monoteísta – a crença em um único D’us; uma força unificada que cria um universo diversificado. Avraham converteu metade da civilização em seu tempo a esta crença e a transmitiu aos seus descendentes. Sete gerações depois, seus filhos se postaram como uma nação no Sinai, onde receberam a Torá diretamente de D’us. O fato histórico inegável do Êxodo do Egito e da estada no Sinai, além da necessidade de um projetista mestre e arquiteto do cosmos, "provam" a existência de D’us.

A Prova Histórica

Há uma prova final que devemos examinar. Não é tradição, nem filosofia; ao contrário, é prova da existência de D’us como o D’us da história. O povo judeu é chamado de "Povo Escolhido". Foram escolhidos por D’us para cumprir um propósito específico – aderência à Torá e mitsvot, criando assim uma morada para D’us neste mundo. Um exame em profundidade da história judaica levará inevitavelmente à fé em D’us como Mestre do Mundo.

É surpreendente que a única muralha que sobrou do Segundo Templo – o Kotel Maaravi – o Muro Ocidental – tenha permanecido de pé e jamais foi destruída. Os rabinos declararam que a Divina Presença jamais se afastou do Muro.
E a história ainda não acabou.


Rabino Meur Simcha Sokolowsky escreve em seu livro Profecia e Providência – o Cumprimento das Profecias da Torá no Decorrer da História Judaica (Publicações Feldheim):

A Torá nos conclama a termos em mente os eventos passados e estudá-los. Um estudo do passado levará à convicção de que o rumo da História foi cuidadosamente programado com antecedência, e que os eventos do mundo e da história judaica se desenrolaram segundo um plano preconcebido. Obviamente, tanto o plano como sua execução devem ser a obra do Criador que domina a História e direciona o seu curso.

Longamente, ele demonstra em seu livro como:
1 – A história da nação judaica até a época atual tem correspondido totalmente a todas as profecias da Torá.
2 – Segundo as leis da natureza, a história judaica deveria ter tomado um rumo diferente daquele que realmente seguiu. Chega-se à conclusão que somente um Criador, que controla sozinho as forças do universo, poderia ter determinado de antemão o que o futuro traria.
3 – Os eventos da história judaica são realmente notáveis e extraordinários. Além de terem sido previstos com antecedência, servem como prova intrínseca da orientação singular e sobrenatural que os judeus sempre desfrutaram como Povo escolhido de D’us.
Para fazer justiça ao tema, na verdade deve-se ler o livro. No entanto, daremos aqui um breve resumo que, esperamos, encorajará o leitor a estudar o assunto com maior profundidade.
Antes de fazê-lo, a título de introdução, vale a pena citar a famosa declaração de Mark Twain, "Sobre os Judeus": Em conclusão – se as estatísticas estão corretas, os judeus constituem apenas um por cento da raça humana. Isso sugere um grãozinho de poeira perdido na imensidão da Via Láctea. Respeitadas as proporções, o judeu mal se faria ouvir; porém ele é ouvido, sempre foi ouvido. Ele é tão proeminente no planeta como qualquer outro povo, e sua importância comercial é extravagantemente fora de proporção à pequenez de seu total. Suas contribuições à lista de grandes nomes mundiais em literatura, ciência, arte, música, finanças, medicina e erudição são sempre desproporcionais à sua quantidade. Ele fez uma luta maravilhosa neste mundo, em todas as eras; e fê-la com as mãos atada às costas. Ele poderia se envaidecer, e ser desculpado por isso. Os egípcios, os persas, os babilônios, surgiram, encheram o planeta com seu esplendor, depois perderam força e se desvaneceram; os gregos e os romanos os seguiram, fizeram muito barulho, e se foram; outros povos brotaram e ergueram sua tocha durante algum tempo, mas ela se apagou, e agora todos estão num crepúsculo, ou desapareceram. O judeu viu a eles todos, e agora é aquilo que sempre foi, não exibindo decadência, enfermidades da idade, enfraquecimento de seus membros, nenhuma diminuição de suas energias, nenhuma apatia em sua mente alerta.Todas as coisas são mortais, exceto o judeu; todas as outras forças passam, mas ele permanece. Qual é o segredo da sua imortalidade?
(Harper’s Magazine, junho de 1899)

Um dos princípios da fé judaica é que D’us concede o dom da profecia ao homem. Quando um profeta prevê o futuro, e tudo que ele prediz ocorre com surpreendente exatidão, podemos estar certos de que esta era a palavra de D’us. Em nenhum outro lugar isso é demonstrado de maneira tão notável como nos Cinco Livros de Moshê. Há três passagens em particular nas quais Moshê diz aos Filhos de Israel o que lhes acontecerá no futuro. Em Profecia e Providência, Rabino Sokolovsky demonstra longamente como toda e cada profecia foi acurada e como ocorreu no desenrolar da história judaica. Neste capítulo procuraremos resumir essa tese.


Imagine que você é um repórter acompanhando a história do Êxodo dos judeus do Egito. Você esteve no local, testemunhou as Dez Pragas e a abertura do mar. Viajou com o povo durante 40 anos no deserto e agora estão a ponto de entrar na Terra Prometida. Você conseguiu marcar uma audiência com Moshê – uma entrevista coletiva – na qual Moshê, antes de morrer, manifestará sua última vontade e testamento ao mundo. Você está esperando que Moshê abençoe o povo com boa sorte, desejando-lhe sucesso na chegada e conquista da terra. Você talvez espere que ele os admoeste, como um pai que adverte os filhos a continuarem no caminho certo. No entanto, esta entrevista coletiva é um pouco diferente do esperado. Moshê começa a desenrolar um documento no qual – em nome de D’us – ele profetisa exatamente o que acontecerá com esta nação a partir do momento em que entrar na Terra Prometida até o Final dos Tempos. 

Você fica chocado – como Moshê poderia saber com tanta riqueza de detalhes os três mil anos seguintes da História Judaica, especialmente quando ele revela uma história tão de mau agouro alguém poderia considerar sua narrativa como um enredo de pesadelo, que não poderia acontecer na vida real? Como um ser humano, nas planícies de Moab, poderia ter tamanho conhecimento sobre as futuras crônicas de seu povo? Você, como céptico, talvez tivesse deixado de lado as previsões de Moshê, considerando-as fantasiosas.

No entanto, na época atual, tendo a vantagem de poder olhar para trás e contemplar esta entrevista coletiva, você vê que Moshê falou a verdade, e sua Torá é verdadeira. Tudo aquilo que Moshê falou veio a ocorrer. Como isso é possível?

Há apenas uma resposta e somente uma conclusão. Moshê foi um verdadeiro profeta, recebeu e transmitiu a palavra de D’us. Somente o Mestre Criador poderia conhecer esta história e somente Ele poderia tecer o fio da história para fazê-la acontecer. Uma revisão sincera da história judaica aponta inexoravelmente para a existência de D’us.

Um último ponto antes de começarmos brevemente a examinar aquelas profecias. Durante sua formação como nação o povo judeu teve a orientação da Divina Providência. A intervenção Divina nos assuntos humanos foi manifesta e tangível. A nação inteira viu claramente que havia um D’us em Israel. Porém, quando os judeus começaram a se afastar dos caminhos da Torá, a orientação Divina do seu destino mudou para um estilo diferente; tornou-se oculta e encoberta – como nos diz a Torá (Devarim 31:17): "E Minha ira se erguerá contra eles naquele dia e Eu os abandonarei e ocultarei Minha face deles." Quando "aquele dia" chegou, o aspecto miraculoso da intervenção aberta de D’us na nossa história cessou, sendo substituído por uma intervenção encoberta no destino do homem. Esta Providência disfarçada deixa espaço para dúvida e erro, pois às vezes faz parecer que, D’us não o permita, Ele abandonou Seu povo.

Assim começaram os dois modos oscilantes da manifestação Divina. Às vezes Sua presença estaria manifesta e em outras oculta. Este é, na verdade, um dos pontos mais conflitantes do Calendário Judaico e ciclo anual. Em Pêssach, Shavuot e Sucot celebramos o fato de que D’us nos libertou do Egito, nos deu a Torá, e nos concedeu a proteção Divina com as Nuvens da Glória. Em Chanucá celebramos a vitória sobre os gregos e acendemos a Menorá para simbolizar a vitória espiritual sobre as forças de assimilação do Helenismo. Em Purim, celebramos a frustração da "Solução Final de Haman." Em todos estes dias a presença de D’us é clara. E mesmo assim, em Tishá B’Av choramos e pranteamos a destruição dos Templos. Em outros dias nacionais de jejum lamentamos os eventos que levaram àquela destruição e outras catástrofes na História Judaica. Nesta geração ainda estamos todos abalados pelo cemitério da História Judaica, o Holocausto. Nestas ocasiões, a presença de D’us estava encoberta.

Porém o judeu celebra e pranteia simultaneamente. Ele sabe que seu destino vai muito além das leis da natureza e que as provações e tribulações da Providência encoberta não se devem meramente ao acaso, mas sim a uma meticulosa percepção da vontade premeditada e pré-calculada de D’us. É esta mesma fé que permite ao judeu navegar pelas ondas do anti-semitismo e zombar de seus inimigos. O judeu sabe que ele é eterno – conhece seu segredo de imortalidade. D’us lhe prometeu (Yirmiyáhu 5:18): "Até naqueles dias devastadores, diz D’us, Eu não darei um fim completo em vocês" e (Vayicrá 26:44): "Eu não os rejeitarei, nem os abominarei, para destruí-los totalmente."

Examinemos agora mais de perto aquelas profecias. Em duas passagens da Torá, Moshê nos dá uma Tochachá (admoestação) - Vayicrá cap. 26 e Devarim cap. 28.

Nachmânides, em seu comentário sobre a Torá, explica que estas duas passagens foram ambas cumpridas consecutivamente. Vayicrá cap. 26 pela destruição do Primeiro Templo, e Devarim cap. 28 pela destruição do Segundo Templo e pelo árduo exílio subseqüente. Uma terceira passagem em Devarim cap. 30 fala sobre o arrependimento definitivo e a redenção do povo judeu.

Vayicrá cap. 26
"E eu os dispersarei entre as nações." – o primeiro exílio para a Babilônia.

"E Eu levarei desolação à terra." – a ruína da Terra de Israel.

"E Eu levarei desolação aos seus santuários." A destruição do Primeiro Templo.

"E Eu não aspirarei o perfume de seus suaves odores." A cessação do sacrifício no Primeiro Templo.

"Então a terra será compensada pelos seus anos sabáticos." A duração do primeiro exílio – 70 anos – foi proporcional ao número de anos sabáticos que não foram previamente observados.

"E comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas." Uma profecia cumprida, conforme descrito por Yirmiyáhu no Livro das Lamentações (2:20) quando da destruição do Primeiro Templo.
Alguém poderia perguntar: "Como foi possível para Moshê saber que, mais de 800 anos depois de os judeus entrarem na Terra de Israel sob a liderança de Yehoshua, os babilônios destruiriam o Primeiro Templo e exilariam o povo por 70 anos? Como ele sabia sobre a cessação das oferendas e que comeriam a carne? Somente a dissonância cognitiva permitiria que o céptico negasse que esta foi uma profecia vinda do D’us verdadeiro; o D’us vivo que cria, sustém e governa o rumo do mundo.

Devarim cap. 28

E sereis arrancados da terra." - O segundo exílio.

"Vossos filhos e filhas serão dados a uma outra nação… e servireis ao vosso inimigo… em fome e sede." - Antes do exílio.

"O Eterno trará sobre vós uma nação vinda de longe, dos confins da terra." - Uma referência a Roma.

"… que vos arrebatarão como uma águia." - Uma referência às legiões romanas cujos estandartes tinham o desenho de uma águia.

"E haverá um cerco a todos os vossos portões, até que suas muralhas altas e fortificadas… 
venham abaixo." - A terra é conquistada, haverá um cerco, e as muralhas caem.

"O estranho que está em vosso meio montará sobre vós cada vez mais alto." - Uma referência a Herodes.

"Vocês tomarão uma esposa, e outro homem se deitará com ela." - Um decreto romano.

"E D’us vos dispersará entre todos os povos, de um canto a outro da terra." - O judeu é exilado aos quatro cantos da terra.

"E dentre aquelas nações não tereis descanso, e não haverá repouso para a sola de vossos pés… e tereis medo dia e noite." - A situação dos judeus no exílio.

"Vossa vida estará pendurada em dúvida perante vós." - Nenhuma segurança financeira.
"E quanto àqueles que sobrarem entre vós, Eu enviarei uma fraqueza no coração… e não tereis força de enfrentar vossos inimigos." - Os judeus são facilmente dominados.

"A maldição de cada dia será maior que a do dia anterior." - Os eventos ocorrerão tão rapidamente, que o judeu mal conseguirá se recuperar de um incidente antes que outra calamidade se abata sobre ele.

"Sereis afligidos por doenças e pragas nem sequer mencionadas na Torá." - Os muitos sofrimentos do exílio.

"Vós servireis a deuses… madeira e pedra ali." - Uma referência ao fato de que, no decorrer de seu longo exílio, o judeu estará sujeito ao deus de madeira – a cruz – queimado na fogueira com conversões forçadas, e ao deus de pedra de Meca e Medina. 

"Eu levantarei a espada para vós… e perecereis entre as nações e a terra de vossos inimigos vos devorará." (veja Vayicrá 26:33-38) - decretos de conversão forçada e pogroms.

"E sereis poucos em números entre as nações aonde D’us os levará." - De fato, é surpreendente que, especialmente durante a Idade das Trevas, os judeus não tenham desaparecido completamente.

"E vos tornareis motivo de assombro." - Os judeus se tornarão um tópico de discussão para todos.
"… um provérbio e um apelido." - O judeu errante será o símbolo do sofrimento e perseguição.
"E eles colocarão sobre vós um sinal para espantar." - Os distintivos que muitas vezes tivemos de usar para nos identificar como judeus.

Com riqueza de detalhes, Moshê profetizou a destruição do Segundo Templo e o exílio subseqüente com impressionante exatidão. Ele estava falando sobre eventos que ocorreram 1.500 anos após seu falecimento. Como ele poderia ter sabido? E mesmo assim o judeu sobrevive – e prospera.

"Pois Eu sou D’us, não mudo, portanto vós, filhos de Yaacov, não são consumidos." (Malachi 3:6) – a eternidade do povo judeu.

"Somente se o sol, a lua e as estrelas desaparecerem, a semente de Israel cessará de ser uma nação." (Yirmiyáhu 31:35)

Em meio a grande perseguição, sofrimento e exílio, o estudo de Torá floresceu. Sempre houve academias talmúdicas produzindo eruditos de Torá que levaram adiante o bastão do estudo de Torá e o transmitiram à geração seguinte. Isso cumpre a profecia: "Pois ela, a Torá, não será esquecida da boca de sua semente." (Yeshayáhu 59:20-21)

O tempo todo, o judeu guardou o Shabat.

"O Shabat será um pacto eterno entre D’us e Israel." (Bamidbar 31:16)

"É um sinal entre Eu e os Filhos de Israel." (ibid.)

Não é fascinante que, quando as duas outras principais religiões separaram um dia para seu repouso, uma pegasse o domingo e a outra a sexta-feira, mas o Shabat permaneceu como o dia de repouso para os judeus? Isso não foi profetizado? Mais esclarecedoras são as profecias sobre a Terra de Israel durante o tempo em que seu povo estaria no exílio:

"E teus inimigos que habitarão a Terra de Israel ficarão desolados nela." (Vayicrá 26:32) 
A terra pertence a nós, mesmo quando estamos no exílio. Em nossas preces dizemos "por causa dos nossos pecados fomos exilados de nossa terra". Não é fascinante que, antes da destruição dos Templos, a terra fosse populosa e fértil, e depois da destruição, tenha se tornado uma terra desolada, de pântanos? Mark Twain, numa visita à terra, expressou sua surpresa – quem poderia dizer que esta é a Terra Prometida, uma terra fluindo leite e mel? O maior número de pessoas que habitou a terra desde o tempo do segundo exílio até a virada do século vinte foi 300.000 – na época dos turcos – e mesmo então a população diminuiu devido aos terremotos. Hoje, após o retorno de muitos judeus ao país, sua população chega aos milhões. Aquilo que era pântano foi reclamado, e hoje é novamente pasto verde. Era uma terra que estava esperando pela volta de seu povo.

É surpreendente que a única muralha que sobrou do Segundo Templo – o Kotel Maaravi – o Muro Ocidental – tenha permanecido de pé e jamais foi destruída. Os rabinos declararam que a Divina Presença jamais se afastou do Muro.

E a história ainda não acabou. Há uma passagem em Devarim cap. 30 que descreve o retorno completo e a redenção da nação judaica:

"E quando vierem sobre ti todas estas coisas, a bênção e a maldição que pus diante de ti, e te recordares delas em teu coração, estando entre as nações para onde o Eterno, teu D’us, te houver lançado, e voltares para o Eterno, teu D’us, e ouvires a Sua voz, segundo tudo que Eu hoje te ordeno, tu e teus filhos, com todo teu coração e com toda tua alma e te trará o Eterno teu D’us com Ele de volta do cativeiro e Se compadecerá de ti, e te fará voltar juntando-te de todas as nações para onde te espalhou o Eterno teu D’us. Ainda que o teu desterro esteja na extremidade dos céus, dali te ajuntará o Eterno e dali te tomará. O Eterno teu D’us te levará à terra que herdaram teus pais e a herdarás; Ele te fará bem e te fará mais numeroso que teus antepassados. O Eterno teu D’us circuncidará teu coração e o coração de teu descendente, para amar o Eterno teu D’us, com todo teu coração e com toda tua alma, para que vivas.

"O Eterno teu D’us colocará todas estas maldições sobre teus inimigos e aqueles que te odeiam, que te perseguem. Tu retornarás e escutarás a voz de D’us, e cumprirás todos os Seus mandamentos que Eu te ordeno hoje. D’us te fará abundante em toda a tua obra – no fruto do teu útero, o fruto de teus animais, e o fruto de tua terra – para o bem, quando o Eterno retornar para Se rejubilar contigo pelo bem, como Ele Se rejubilou com os teus antepassados, quando ouviste a voz do Eterno teu D’us, para cumprir Seus mandamentos e Seus decretos, que estão escritos neste Livro da Torá, quando retornares ao Eterno teu D’us, com todo teu coração e toda tua alma.

"Pois este mandamento que Eu te ordeno hoje – não está oculto de ti nem está distante. Não está no céu, dizer ‘aquele que sobe ao céu por nós e o tomará para nós, para que possamos ouvi-lo e cumpri-lo?’ Nem está do outro lado do mar para dizeres ‘quem pode cruzar para o outro lado do mar por nós e tomá-lo para nós, para que possamos ouvi-lo e cumpri-lo?’ Ao contrário, o tema está muito perto de ti – em tua boca e teu coração para cumpri-lo.

"Vê – Eu coloquei diante de ti hoje a vida e o bem, e a morte e o mal, aquilo que Eu te ordeno hoje, amar ao Eterno teu D’us para seguires os Seus caminhos, cumprir Seus mandamentos, Seus decretos e Suas ordens; então tu viverás e te multiplicarás, e o Eterno teu D’us te abençoará na terra que possuíres. Mas se teu coração se afastar e não escutares, e se te afastares, e se te prostrares perante deuses estrangeiros e os servires, Eu te digo hoje que tu certamente estará perdido; teus dias não se alongarão na terra que cruzaste o Jordão para lá chegar, para possuí-la. Conclamo céu e terra hoje para testemunhar contra ti; Eu coloquei vida e morte perante ti, bênção e maldição; E ESCOLHERÁS VIDA, para que vivas tu e teus descendentes – para amar o Eterno teu D’us, para escutares a Sua voz e te apegares a Ele, pois Ele é tua vida e a duração dos teus dias, para habitares a terra que o Eterno prometeu a teus antepassados, a Avraham, a Yitschac e a Yaacov, para dar a eles."

O Talmud está repleto de surpreendentes previsões que ocorrerão ao Final dos Dias. Estas estão agora completamente documentadas para o leitor. 

Estamos nos referindo ao livro Mashiach por Rabino J. I. Schochet.