30 de ago. de 2005

 Quem é verdadeiramente um cabalista?

Quem é verdadeiramente um cabalista?


O dia de Lag Baomer é também o da festa da sabedoria da Cabalá. O povo judeu relembra o falecimento de Rabi Shimon bar Yochai, autor do Sefer haZohar (Livro do Esplendor). Esta é uma boa oportunidade para tratar do florescimento dos livros cabalísticos em nossa geração. Atualmente, em toda livraria judaica, os livros de Cabalá e mística ocupam um lugar de destaque. Toda obra cujo título inclua a palavra “Cabalá” tem sua venda aumentada. Cursos e faculdades para o estudo da Cabalá são muitos difundidos. Toda uma indústria de bênçãos, talismãs, água santificada e fitas vermelhas faz circular milhões de dólares. Tudo isso tem realmente um valor verdadeiro?

É surpreendente descobrir o quanto as pessoas estão dispostas a ser ingênuas. Ninguém vai a um médico sem antes se certificar de que ele é um bom profissional. Uma propaganda no jornal de uma oficina mecânica desconhecida não atrairá muitos clientes. Porém, no campo da mística, é suficiente que alguém escreva em seu cartão de visitas a palavra “cabalista” para que as multidões afluam. Há pessoas que não aplicarão um só centavo em investimentos que não sejam totalmente seguros. No entanto, até mesmo elas se apressarão em gastar dinheiro e comprar um livro de um autor cabalista, sem jamais ter examinado a seriedade de seus conhecimentos cabalísticos.

Na realidade, não existe uma sabedoria que possa servir de alvo mais fácil para o embuste do que o conhecimento cabalístico. Pouquíssimas pessoas entendem a fundo do assunto, de modo que é muito fácil fazer colocações numa palestra sem que alguém proteste. Ademais, a Cabalá está escrita em “códigos” especiais. Rabi Shimon bar Yochai quis ocultar esta sabedoria, escrevendo-a de tal modo que apenas quem conhece o código verdadeiro poderá compreender realmente as coisas. Conceitos como as dez sefirot, as “cascas”, a emanação, etc. – só serão compreensíveis para aquele que tiver recebido a explicação correta de um cabalista autêntico. Por conseguinte, é possível afirmar qualquer coisa “em nome do Livro do Zohar”. 

É possível dizer toda e qualquer idéia que venha à cabeça, em nome de cada trecho do Zohar. Isso se assemelha a uma carta codificada: existe um único código verdadeiro, por intermédio do qual ela poderá ser decifrada. Ao usá-lo, revela-se o que o seu autor realmente queria dizer. Um charlatão poderá inventar um código alternativo e dizer para pessoas ingênuas coisas totalmente diferentes das escritas na carta. Para o falso cabalista é deveras fácil “mostrar no Zohar” tudo o que lhe aprouver.

Infelizmente, pode-se afirmar que, hoje, a maior parte daqueles que aparentam falar em nome da Cabalá nada mais são que embusteiros, que ganham dinheiro às custas da ingenuidade alheia. Parte deles deixa, inclusive, crescer sua barba e usa vestes rabínicas, fazendo-se passar por religiosos.
Como poderemos saber quem é o autêntico cabalista? De que maneira verificaremos a veracidade dos seus conhecimentos?

1. Podemos examinar, com relativa facilidade, seus conhecimentos de Guemará e Halachá. Quem não sabe calcular quanto é 1+1, certamente nunca poderá ser um professor de matemática. Do mesmo modo, a sabedoria da Cabalá é um conhecimento muito profundo e elevado do Judaísmo. É absolutamente impossível atingi-lo sem conhecer a fundo o primeiro estrato da Torá. Quem não é muito versado na Guemará e nas codificações rabínicas, é incapaz de interpretar qualquer uma das normas do Shulchan Aruch e, por conseguinte, de entender adequadamente a Cabalá.

2. Existe uma diferença fundamental entre a Cabalá e outras sabedorias. Nestas, é suficiente ler e estudar o texto para dominar bem o assunto. Não se atribui nenhuma importância ao nível moral do indivíduo, mas apenas ao quanto ele investe na leitura e no estudo. Isso não ocorre no caso da Torá e, especialmente, da Cabalá. Trata-se de um conhecimento extremamente profundo, que nunca poderá ser compreendido apropriadamente sem a ajuda especial de Hakadosh Baruch Hu. Não é uma mera coletânea de conhecimentos, mas uma forma de pensamento. Podemos ler o Zohar na íntegra sem nada entender corretamente. Somente aquele que cumpre a vontade de Hakadosh Baruch Hu e observa seus preceitos terá o privilégio de receber esta ajuda divina.
Podemos, portanto, verificar até que ponto o cabalista observa os preceitos religiosos judaicos, bem como seu nível moral. Quem não guarda o Shabat ou cumpre a mistsvá da cashrut adequadamente, com certeza nada entende a respeito da Cabalá. Aquele que está cego pelo orgulho e pela ambição de riquezas e de honra terá uma compreensão equivocada da Cabalá. Apenas aquele que se dedica plenamente a cumprir a vontade divina terá a prerrogativa de usufruir da ajuda de Hashem para se tornar um cabalista verdadeiro.
É evidente que um cabalista que se vangloria dos feitos e dos milagres por ele realizados não pode ser considerado autêntico. Quem faz isso não pode ser tido como um “rabino cabalista – mekubal”, e sim um “rabino que recebe – mekabel – dinheiro”.

3. Mesmo depois de todas estas verificações, devemos averiguar o nível de conhecimento do cabalista com especialistas sérios e renomados. É aconselhável, inclusive, perguntar ao próprio cabalista com que rabino ele estudou, saber se seu mestre é um verdadeiro cabalista e se considera que seu discípulo está apto para ensinar a Cabalá.

O estudo da Cabalá não é algo simples. Na Guemará (Haguigá, 14) conta-se acerca de quatro grandes rabinos que quiseram estudar a Cabalá. Os resultados foram desastrosos. Um deles morreu, outro perdeu sua sanidade mental, o terceiro perdeu a fé e abandonou o Judaísmo. Apenas um, Rabi Akiva, conseguiu tornar-se um cabalista autêntico. O estudo da Cabalá, sem uma orientação apropriada, pode transformar-se num jogo muito perigoso. Vamos fazê-lo com seriedade e com cuidado.

29 de ago. de 2005

 Moradores de 'aldeia de espiões' de Gaza irão para Israel

Moradores de 'aldeia de espiões' de Gaza irão para Israel


 

 

Moradores de 'aldeia de espiões' de Gaza irão para Israel

 

JERUSALÉM (Reuters) - Israel pretende absorver a maioria dos moradores de uma aldeia da Faixa de Gaza considerada pelos palestinos um refúgio de espiões que ajudaram o Estado judeu durante quase quatro décadas de ocupação, disseram autoridades neste domingo.

Elas informaram que 200 moradores de Dahaniya, entre palestinos e árabes beduínos da península do Sinai, no Egito, irão se mudar em massa para Israel e receberão a mesma indenização estatal que os 8.500 colonos judeus retirados de Gaza neste mês.

"A maior parte dos que vão se mudar tem cidadania israelense, ou estão se naturalizando", disse à Reuters Shlomo Dror, do Ministério da Defesa de Israel. "Eles vão receber centenas de milhares de dólares por família em indenizações de mudança."

Dahaniya é um aglomerado de tendas com proteção do Exército de Israel e que serviu de abrigo para informantes palestinos que fugiram de ataques vingativos por terem ajudado os israelenses a capturar ou matar militantes em Gaza e na Cisjordânia.

Muitos dos beduínos da aldeia, que também foram recrutados em troca de dinheiro ou de favores administrativos, trabalharam para autoridades de ocupação israelense na península do Sinai antes da devolução para o Egito, sob um acordo de paz em 1979.

Autoridades israelenses, bem como os moradores da aldeia, insistem que os informantes deixaram a área há muito tempo e agora vivem em Israel. Mas os palestinos consideram os 300 residentes como espiões.

O prefeito de Dahaniya, Shtiwe Shtiwe Ermillat, confirmou que o acordo de mudança foi assinado com Israel. Os moradores não incluídos serão absorvidos pela Autoridade Palestina.

"Lutamos pela mudança em conjunto o máximo que pudemos", disse Ermillat por telefone. "Merecemos ser colocados em Israel depois de tudo o que passamos."

Uma fonte de segurança palestina disse que os moradores sem histórico de espionagem poderão continuar no território.

"Eles serão tratados como qualquer outro cidadão palestino porque sofreram com o domínio dos espiões em Dahaniya", disse a fonte.

Segundo Dror, três famílias palestinas poderão entrar em Israel, mesmo sem documentos do país, por serem "casos humanitários especiais".

"Essas famílias estão sob ameaça de represália, mesmo sem nunca terem trabalhado com nossas forças de segurança", disse Dror. "Infelizmente, o estigma de espião atinge a todos em Dahaniya."

 



23 de ago. de 2005

Gradual Correçao Espiritual

Gradual Correçao Espiritual


A fé acima da razão permite que a pessoa perceba seu maior inimigo (aquele que fica em seu caminho para atingir a divindade), precisamente através da razão. A pessoa sente e percebe o mal somente na medida em que acredite, acima da razão, no prazer espiritual.

Objetivamente, não há nada além do Criador, mas essa compreensão ocorre no nível mais alto da percepção cabalística. Até então, no entanto, a pessoa se percebe também neste mundo. No processo de ganhar percepção, chega-se a entender o que é:
 1) o Criador, 
2) a Primeira criação, 
3) as criaturas e 
4) o prazer que o Criador deseja doar às Suas criaturas. 

Todo o progresso, naturalmente, desenvolve-se de acordo com a cadeia de ‘causa e efeito’, e não O Criador existe. O Criador deseja que haja uma criação, para que Ele possa gratificá-la. O Criador gera o desejo de ser deliciado precisamente por esse prazer (tanto em quantidade quanto em aspecto) que Ele deseja doar.

A primeira criatura chama-se Malchut. A primeira apreensão da luz do Criador, por parte da criatura, é conhecida como o Mundo Sem Fim. O nome ‘Sem Fim’ é usado porque nesse estado a criatura recebeu a luz do Criador sem que isso causasse nenhuma limitação na quantidade de luz que foi recebida. A criatura ganhou muita alegria por sua recepção da luz. Porém, quando junto com a recepção, ela também sentiu o Próprio Criador – Seu desejo de doar, e como Malchut anseia por ser similar a Ele, isso fez com que Malchut no final rejeitasse a recepção da luz, e a luz, então, partiu.

Essa ação de Malchut é chamada restrição (a restrição da recepção da luz – tzimtzum). Nada falta ao Criado, de modo que Malchut não pode doar ao Criador do mesmo modo como o Criador doa a Malchut. Como Malchut pode ‘doar’ ao Criador? Submetendo-se à vontade do Criador, que é doar o bem às criaturas, e recebendo do Criador, para agradá-Lo – isso é considerado ‘doação’, por parte da criatura. Malchut somente pode modificar a forma pela qual recebe. Essa mudança pode ser alcançada pela adição, à recepção, da intenção de agradar o Criador. O primeiro estágio requerido, para chegar a essa nova forma, é a restrição; isso quer dizer, deixando que a luz parta.

A Malchut restrita, então, divide-se em muitas, muitas partes – almas, nas quais cada uma, separadamente, corrige seu egoísmo. Essas pequenas partes de Malchut, despojadas da luz do Criador, são então postas na condição e na situação que nós chamamos ‘nosso mundo’. Após, pouco a pouco, essas porções deixam o desejo de receber para si mesmas e adquirem um desejo de doar, enquanto elas se encontram na condição do ‘nosso mundo’. A força que ajuda a alma a abandonar as inclinações egoístas é conhecida como a ‘salvadora’, o Messias.

Os níveis da gradual correção espiritual são chamados os mundos espirituais, enquanto as graduações interiores são conhecidas como Sefirot. O objetivo da correção é o retorno ao estado original, antes da restrição, em que o prazer é recebido não para si mesmo, mas em prol do Criador. Tal condição é conhecida como o fim da correção.

Todas as questões que surgem na pessoa, a respeito dos objetivos da criação, e o objetivo de seus esforços, tais como, ‘isso é necessário?’, ou ‘de qualquer modo, o Criador agirá de acordo com Seu próprio plano e desejos, então o que Ele quer de mim?’ etc. – todas essas questões surgem porque são enviadas diretamente pelo Criador. Então, mais uma pergunta ocorre à pessoa: ‘Para quê?’

Se todas essas questões que surgem na pessoa, a respeito da Criação, fazem com que ela fortaleça seu caminho para o espiritual, então o significado das questões tornar-se-á claro. Mas naqueles que de início embarcam nessa jornada, há pensamentos constantes acerca das dificuldades, sobre os aspectos de desespero e de desvantagem desse caminho. Não há outra força nem outro desejo além do Criador, e tudo é criado pelo Criador, para adquirirmos um entendimento sobre o propósito da criação, incluindo, naturalmente, as questões destrutivas, os pensamentos e forças que atrapalham nosso progresso na Sua direção.

O Criador põe muitos obstáculos no caminho que Ele decidiu que a pessoa precisa seguir para a elevação espiritual, precisamente para que a pessoa adquira o temor de que talvez não vá atingir seu objetivo de perceber a grandeza do Criador, e de que será deixada para sempre em seu estado de baixeza. Essa percepção pode convencer o seu coração a querer o altruísmo.

A pessoa precisa entender que somente o Criador pode abrir seus olhos e seu coração para o reconhecimento da grandeza do espiritual. Questões destrutivas emergem especificamente para que ela possa sentir essa necessidade.

Uma das questões mais fundamentais que surgem para os principiantes pode ser enunciada da seguinte maneira: se o Criador quisesse, Ele poderia Se revelar para mim; e se Ele Se revelasse para mim, então, eu (o meu corpo: o meu egoísmo – meu ditador no presente) imediata e automaticamente concordaria em substituir meus atos egoístas por atos altruístas, e o Criador Se tornaria meu ditador. Eu não quero a liberdade de escolher minhas próprias ações. Eu acredito que o Criador esteja correto, que o melhor para mim seja não pensar em minha própria recompensa. Somente então eu realmente irei merecê-la. Mas eu não consigo me modificar. Então, vamos deixar que o Criador venha e faça isso por mim, pois Ele me criou dessa maneira, e somente Ele pode corrigir o que Ele fez.

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O Criador certamente poderia doar à pessoa um desejo e o sentimento pelo espiritual, o assim chamado despertar do Alto. Porém, se o Criador fizesse isto, então a pessoa nunca seria capaz de escapar do domínio ditatorial do seu desejo egoísta de se autogratificar, e então ela seria forçada a trabalhar em prol do prazer, sem ter livre escolha. Tal trabalho não é considerado como tendo sido feito em prol do Criador, mas sim, em prol de receber prazer.

O objetivo do Criador é induzir a pessoa a escolher o caminho correto na vida por sua própria e livre vontade, e então justificar as ações do Criador na criação. Isso somente pode ser compreendido em condições de completa liberdade do egoísmo, sem considerar os prazeres pessoais.

Por essa razão, o Criador formou uma condição essencial para a elevação espiritual: a aceitação da fé nEle, e da justiça da Sua supervisão. Assim, nossa tarefa consiste no seguinte:

1. Acreditar que há um Governante no mundo.

2. Reconhecer que embora a fé possa não ser importante para nós, ainda assim, o Criador escolheu para nós especificamente esse caminho.

3. Acreditar que precisamos seguir o caminho da ‘doação’, e não o caminho da ‘recepção’.

4. Enquanto trabalhamos ‘em prol do Criador’, acreditar que Ele aceita nosso trabalho, não importa como esse trabalho possa parecer aos nossos próprios olhos.


5. No processo de autodesenvolvimento, passar através das duas categorias de ‘fé acima da razão’: a) a pessoa procede com fé acima da razão porque não tem outra alternativa; b) mesmo que ela receba conhecimento suficiente, de modo que não precise mais se apoiar na fé acima da razão, ainda assim ela escolhe seguir o caminho da fé acima da razão.

6. Saber que se o trabalho for feito dentro das bases do egoísmo, então os frutos de todo o sucesso, que em sua imaginação, a pessoa espera alcançar, vão em direção ao próprio prazer da pessoa, enquanto que, quando a pessoa ama o Criador, ela abrirá mão de todos os seus benefícios, e todos os frutos de seus esforços, em prol dos outros.


7. Agradecer ao Criador pelo passado, porque disso depende o futuro, pois na medida em que a pessoa aprecia o passado e agradece ao Criador por isto, nessa medida ela aprecia o que recebeu do Alto, e é capaz de preservar a ajuda que recebeu do Alto, sem perdê-la.

8. Manter o trabalho primário, que é principalmente avançar ao longo da linha direita, com o sentimento de plenitude. Isso quer dizer que a pessoa está feliz mesmo com a pequena conexão que ela tem com a espiritualidade. Ela está feliz por ter merecido receber o desejo e a capacidade de fazer até mesmo o mínimo no domínio espiritual, perante o Criador.

9. Avançar também na linha esquerda. Porém, trinta minutos por dia são suficientes para refletir o quanto a pessoa prefere o amor ao Criador, em vez do amor por si mesma. E na medida em que a pessoa sinta o quanto lhe falta, nessa medida ela será obrigada a pedir, numa prece ao Criador, quanto a esses sentimentos, que Ele a atraia para próximo de Si, no verdadeiro caminho que combina especificamente as duas linhas.

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No trabalho, em si, a pessoa é obrigada a concentrar seus pensamentos e desejos de modo a que:



1. Aprenda os caminhos do Criador e os segredos da Kabbalah, para que esse conhecimento possa ajudá-la a satisfazer a vontade do Criador, e este seja o principal objetivo da pessoa.

2. Anseie por corrigir completamente a sua alma, e retornar à sua raiz – o Criador.

3. Anseie por apreender o Criador, e por agarrar-se a Ele, com o reconhecimento da Sua perfeição.

O Criador está em um estado de absoluto repouso. Também, a pessoa que alcança o objetivo da criação atinge esse estado (de absoluto repouso). É claro que esse estado de repouso somente pode ser apreciado por alguém que previamente tenha estado em condições de movimento, esforço e trabalho. Como estamos nos referindo aqui ao repouso espiritual, fica clara a intenção de que o movimento, esforço e trabalho que a pessoa sentiu anteriormente também tenham sido espirituais em sua natureza.



O trabalho espiritual consiste em esforçar-se para dar prazer ao Criador. Todo o nosso trabalho começa precisamente quando nosso corpo (desejo de receber) opõe-se ao trabalho, que não traz nenhum benefício pessoal, porque isto (o corpo, o egoísmo) não entende as implicações do trabalho altruísta, e não sente nenhuma recompensa nisto.



Grandes esforços são exigidos da pessoa, para que suporte as justificáveis (em princípio) queixas do corpo: por um longo período de tempo, você se tortura em um esforço para ganhar algum entendimento do espiritual, e o que você recebe em troca? Você conhece alguém que se distinguiu nessa tarefa? É possível que o Criador queira que você sofra desse modo? De acordo com a sua experiência, o que foi que você conseguiu? Considerando seu estado de saúde, é sequer imaginável que você abuse de si mesmo desse modo? Pense em você mesmo e na sua família, em suas crianças que estão crescendo. Se o Criador desejar assim, Ele continuará a guiar você adiante, do mesmo modo que Ele trouxe você até a Kabbalah, pois em todas as coisas, somente o Criador domina e conduz!

Todas as queixas mencionadas acima e muitas outras similares (muitas vezes expressas por familiares, que também estão relacionados com o conceito do corpo) são absolutamente justificadas, mas não há resposta para lhes dar, e respostas não são necessárias. Porque se a pessoa deseja sair dos limites de seu corpo, ela simplesmente não deve aceitar esses argumentos, nem prestar atenção neles, e dizer a si mesma: o corpo tem razão, os argumentos são lógicos, as queixas são verdadeiras, mas eu quero sair do corpo, isto é, dos seus desejos. E assim eu sigo o caminho da fé, e não o caminho do senso comum. Somente em nosso mundo a minha razão é considerada lógica. Porém, no mundo espiritual, embora eu não o entenda, pois eu ainda não tenho a visão espiritual nem o intelecto espiritual, tudo funciona de acordo com uma lei diferente, que no momento me parece estranha, pois não tem fundamento na realidade física. Tudo funciona de acordo com a lei da onipotência do Criador e pela completa e voluntária submissão a ele, tanto na mente quanto no espírito; em outras palavras, na completa fé na Sua ajuda, contrária aos protestos do corpo (desejo de receber).

Quando a pessoa trabalha assim sobre si mesma, isso é chamado ‘doar em prol de doar’, ou seja, um ato puramente altruísta, que é representado pela linha direita. Ela doa tudo, simplesmente porque deseja doar. O prazer recebido de um tal trabalho deriva da similaridade com o Criador, pois a pessoa somente doa, assim como o Criador. Isso é chamado a luz da fé ou misericórdia – Or Chassadim.

Se a pessoa tenta se comportar dessa maneira, então o Criador abre para a pessoa o sentimento da Sua infinita grandiosidade e poder. A fá dá seu lugar ao conhecimento; o corpo começa a sentir a importância do Criador e se dispõe a fazer tudo em prol dEle, porque a percepção da importância, a aquiescência do Grandioso em receber qualquer coisa da pessoa, é aceita como o alcançar do prazer.

Mas nesse caso, a pessoa novamente sente que ela está progredindo com o corpo. Não é a grandeza do Criador, mas o prazer e a confiança pessoal no trabalho feito em prol do Grandioso que determinam suas ações. Então, novamente a pessoa cai no âmago do egoísmo e do ganho pessoal. Precisamente, foi o período da completa ausência de percepção do Criador que lhe permitiu insistir em que ela age em prol do Criador, altruisticamente, espiritualmente, A revelação do Criador, que é representada pela linha esquerda, é conhecida como ‘o conhecimento da luz da sabedoria’.

Assim, a revelação do Criador traz a necessidade de estritas restrições na aquisição de conhecimento, em lidar com e em perceber a grandiosidade, de modo a contrabalançar a fé e o conhecimento, a ausência de percepção e a delícia no Criador, numa proporção que assegure que a pessoa não se torne novamente uma presa do egoísmo.

Acrescentando uma pequena porção de egoísmo ao estado original, a pessoa pode usar essa pequena porção e ainda proceder como se ela não tivesse aprendido nada, assim como no estado original. Contrabalançando a linha direita com uma pequena porção da linha esquerda, a pessoa, de certo modo, cria uma linha intermediária. A parte da linha esquerda na linha intermediária determina a elevação do nível espiritual da pessoa. O estado espiritual, em si, é considerado como aquele do ‘grandioso’.

A progressão seguinte, até o nível final e mais alto, no qual a pessoa e o Criador fundem-se completamente em suas qualidades e desejos, ocorre através de um aumento gradual e alternado das linhas direita e esquerda. O equilíbrio de ambas as linhas tem lugar em cada nível da escada espiritual.

No estado da linha direita, e pessoa deve ficar feliz sem nenhuma razão, mas somente com o pensamento de que o Criador existe neste mundo. Ele não exige nenhuma outra condição para a felicidade. Tal estado é conhecido como ‘estar feliz com o que se tem’. Se nada é capaz de tirar a pessoa dessa condição, isso se considera absoluto.

Mas se a pessoa começa a testar seu estado espiritual, ela verá que de modo algum ela se aproximou do Criador. Como ela também experimentou o fato de que não consegue corrigir a si mesma, ela pede ajuda ao Criador. A luz do Criador que ajuda a pessoa a vencer o egoísmo do corpo (o desejo de receber) é conhecida como alma.

O modo mais seguro de determinar se um ato é altruísta ou egoísta é ver se a pessoa sente que esta pronta para desprezar qualquer resultado, seja prazer ou pagamento, não importa a imensa tendência a se recompensar como resultado de seu próprio trabalho. Somente nesse caso, tendo recebido prazer, a pessoa ainda pode insistir em que fez isto em prol do Criador, e não, por si mesma.



O inteiro caminho da ascensão espiritual é uma gradativa recusa a receber prazeres cada vez maiores: primeiro, os prazeres de nosso mundo, e então, os reais prazeres espirituais, em particular a percepção do Criador.

O Criador Se ocultou de modo a permitir à pessoa que gradualmente regule a sua tarefa. Assim, o ocultamento do Criador deve ser visto como um aspecto de nossa correção, e devemos pedir a Ele que Se revele para nós, pois logo que sejamos capazes de percebê-Lo sem nenhum prejuízo para nós mesmos, Ele imediatamente Se revelará.


Se a pessoa pudesse sentir o prazer de perceber o Criador em seu estado egoísta, inicial, ela nunca conseguiria reunir forças suficientes para abandonar seu egoísmo, para pedir ao Criador que lhe desse a força de vontade para suportar a atração da recompensa. Como as borboletas noturnas que se apressam em direção à luz que as mata, assim a pessoa pereceria nas chamadas do prazer, e não conseguiria evitá-lo. Somente alguém que alguma vez na vida tenha experimentado a falta de força diante do grande prazer entende que não seria capaz de evitar derivar prazer, se o prazer fosse maior que o poder de sua vontade e do que o reconhecimento do mal.


O Criador Se esconde de nós especificamente para nosso próprio bem, para que não sejamos vencidos pelos prazeres, de modo a que seja possível para nós percorrermos o caminho da fé, e adquirir vasos de doação. Se a pessoa deseja fazer algo que não seja para o seu benefício, então imediatamente o seu corpo (egoísmo) exige uma prestação de contas sobre se vale a pena ou não fazer isto, pois sem um objetivo, sem a recompensa do prazer, ele não é capaz de trabalhar, e busca todas as espécies de falhas, desejos espirituais e defeitos em seu objetivo ou anseios espirituais.


Nosso corpo primeiro pergunta, com qual propósito nós precisamos nos envolver nisto? Nessa situação o corpo é chamado a má inclinação. No estágio posterior a este, ele atrapalha a pessoa a conseguir aquilo que planejou. Nessa situação, ele é chamado ‘satan’ (em hebraico satan deriva do verbo listot, que significa desviar), porque ele quer fazer com que nós nos desviemos do caminho. Após, ele mata a espiritualidade da pessoa, afastando de seu aprendizado e do seu envolvimento com a Kabbalah todos os sentimentos da espiritualidade, e dando prazeres específicos, revestidos das roupagens deste mundo – nessa situação, ele é chamado o anjo da morte.


Há somente uma resposta a todas as queixas do corpo: eu prossigo adiante, apesar do que você me diga, com a força da fé, porque o Criador exige assim. Essa condição do Criador é conhecida como a lei dos mundos superiores.

A pessoa não tem a força para evitar a recepção do prazer, a menos que de início ela se convença de que isso é prejudicial a ela. Quer dizer, ela coloca a mente contra o coração. Porém, mesmo nesse caso, não será preciso mais do que um simples cálculo do que é para o seu próprio bem: o prazer imediato e o sofrimento subseqüente, ou evitar o prazer e permanecer na sua situação atual. Porém, a cada vez que ela rejeita o prazer, ela precisa prestar ao seu corpo uma conta exata de por quê não é valioso para ela derivar prazer daquilo que lhe sobreveio.


Portanto, a pessoa pode responder ao seu corpo na linguagem que o corpo entende: seja na linguagem do prazer, - dizendo que é melhor livrar-se dos prazeres tolos e ocasionais, agora, em prol dos prazeres no pós-mundo, - ou na linguagem do sofrimento, dizendo que não vale a pena ter prazer agora, se após, ela tiver que suportar o sofrimento no inferno. Desse modo, a pessoa precisa construir a linha de defesa contra o corpo. Porém, nisto também, a necessidade de prazeres pode frustrar uma demonstração, e pintar uma fala imagem da correlação entre prazeres e sofrimento.


A única solução segura é responder ao corpo que a pessoa decidiu trabalhar com a espiritualidade sem nenhum ganho para si mesma, pois nesse caso ela cortará todas as conexões entre suas ações e o seu corpo, e o seu corpo não poderá mais interferir com seus cálculos sobre se vale a pena ou não trabalhar. Essa resposta é chamada o trabalho do coração, pois o coração anseia por prazeres.

Bnei Baruch
Hoje Gaza, amanhã  Jerusalém

Hoje Gaza, amanhã Jerusalém


Hoje Gaza, Amanhã Jerusalém
Os críticos de Israel estão certos? A “ocupação” de Judéia, Samária e Gaza é a causa real do anti-semitismo dos palestinos, de suas fábricas de suicídio e de seus atos terroristas? E é verdade que estes horrores só terminarão quando civis e tropas israelenses deixarem os territórios? A resposta virá logo. A partir do dia 15 de agosto o governo israelense despejará uns 8.000 israelenses de Gaza e entregará suas terras à Autoridade Nacional Palestina. Além de ser um acontecimento único na história moderna (nenhuma outra democracia extirpou pelo uso da força milhares de seus próprios cidadãos de uma mesma religião de suas casas construídas legalmente), também oferece uma rara experiência de ciência social ao vivo. Nós nos encontramos em um divisor de águas esclarecedor. Se os críticos de Israel tiverem razão, a retirada de Gaza melhorará as atitudes palestinas em relação a Israel, conduzindo ao fim da incitação e a uma queda expressiva nos atentados com uso de violência, seguida por uma renovação nas negociações e um pleno entendimento. Afinal de contas, a lógica exige que se a “ocupação” for mesmo o problema, seu término, mesmo parcial, conduzirá a uma solução. Mas eu prevejo um resultado muito diferente. Considerando que uns 80 por cento de palestinos continuam rejeitando a própria existência de Israel, sinais de fraqueza israelense, tais como a retirada de Gaza que se aproxima, em vez disto inspirarão um intensificado irredentismo (N.T. aspiração de anexação de territórios à pátria) palestino. Absorvendo sua nova dádiva sem qualquer gratidão, os palestinos se concentrarão então nos territórios que os israelenses não evacuaram ainda. (Isto foi o que aconteceu depois que as forças israelenses abandonaram o Líbano.)A retirada não inspirará respeito. Ao invés disso, um novo sentimento de alegria e rejeição, um maior frenesi de ódio anti-sionista, e uma explosão da violência anti-Israel. Os próprios palestinos estão dizendo isto abertamente. Ahmed al-Bahar, uma alta patente do Hamas em Gaza, diz que “Israel nunca esteve em tal estado de recuo e fraqueza como está hoje após mais de quatro anos do intifada. Os ataques heróicos do Hamas expuseram a fraqueza e a volatilidade da impotente instituição de segurança sionista. A retirada marca o fim do sonho sionista e é um sinal do declínio moral e psicológico do estado judeu. Nós acreditamos que a resistência é o único caminho para pressionar os judeus.” Sami Abu Zuhri, um porta-voz do Hamas, diz igualmente que a retirada é “devida às operações de resistência palestinas... e nós continuaremos com a nossa resistência.” Outros são mais específicos. Em um comício popular na Cidade de Gaza, quinta-feira passada, uns 10.000 palestinos, dançaram, cantaram e salmodiaram, “Hoje Gaza, amanhã Jerusalém”. Jamal Abu Samhadaneh, comandante dos Comitês de Resistência Popular de Gaza, anunciou no domingo, “Nós moveremos nossas células para Judéia e Samária" e advertiu que “A retirada não estará completa sem Judéia, Samária e Jerusalém”. Ahmed Qurei da Autoridade Nacional Palestina também afirma, “Nossa marcha só terminará em Jerusalém”. As intenções palestinas preocupam até mesmo os esquerdistas israelenses. Danny Rubinstein, especialista em assuntos árabes para o jornal Haaretz, observa que o Primeiro-Ministro Ariel Sharon só decidiu deixar Gaza depois que a carnificina anti-Israel tinha se agravado muito. “Mesmo que estes ataques não fossem a razão pela qual Sharon propôs a idéia de desengajamento, os palestinos estão certos que sim, e isto reforça sua convicção de que Israel só entende a linguagem de ataques terroristas e violência.” O website “Israel National News” colheu outros comentários esquerdistas: Yossi Beilin, Ex-Ministro da Justiça e presidente do Partido Yahad/Meretz: “Há um perigo concreto de que em seguida ao desengajamento a violência aumente enormemente em Judéia e Samária com o objetivo de alcançar o mesmo que foi alcançado em Gaza".Shlomo Ben-Ami, Ex-Ministro do Exterior do Partido Trabalhista: “Uma retirada unilateral perpetua a imagem de Israel como de um país que foge quando está sob pressão... A Fatah e o Hamas assumirão que eles devem preparar-se para sua terceira intifada – desta vez em [Judéia e Samária]”. Ami Ayalon, ex-chefe do Serviço de Segurança Geral (Shin Bet): “Se retirar sem conseguir nada em retorno é suscetível de ser interpretado por alguns dos palestinos como rendição.... Há uma chance elevada de que logo após o desengajamento a violência seja renovada". Eitan Ben-Eliyahu, ex-comandante da Força Aérea: “Não há qualquer chance de que o desengajamento garanta estabilidade a longo prazo. O plano como está colocado só pode conduzir a uma renovação do terrorismo.” Meu prognóstico é que os eventos provarão que os críticos de Israel estão completamente errados, mas eles não aprenderão nenhuma lição. Não sendo influenciados por fatos, eles exigirão novas retiradas israelenses. Este primeiro desastre israelense abrirá de maneira lúgubre o caminho para outros desastres. Daniel Pipes é o diretor do Fórum do Oriente Médio (fundado em 1994) e um colunista premiado do New York Sun e do The Jerusalem Post. É PhD (1978) pela Universidade de Harvard em história e ensinou na Universidade de Chicago, Harvard University, e na Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos. Serviu em várias posições no governo norte-americano, incluindo dois cargos designados pelo presidente.
Escrito por: Daniel Pipes - Publicado no New York Sun - Traduzido por Irene Walda HeynemannPublicado no site em: 15/08/2005

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Agora é a Cisjordânia

Agora é a Cisjordânia

Três ônibus saíram nesta terça-feira do assentamento de Sa Nur e outros três em Jomesh, dois dos últimos locais na Cisjordânia que ainda restam por ser desalojados para completar o Plano de Desligamento, que começou em 15 de agosto.

A resistência de judeus radicais nas colônias, que montaram barricadas e se entrincheiraram em uma sinagoga, está sendo desfeita em ambos os assentamentos perante a presença maciça da polícia israelense. De acordo com fontes militares, os dois lugares devem ser completamente evacuados já nesta terça.

Mais cedo, centenas de agentes da polícia local desalojam à força os colonos entrincheirados na sinagoga do assentamento de Sa Nur, após o fracasso das negociações para que a abandonassem voluntariamente o local.

Um grande contingente de soldados israelenses cruzaram nesta terça-feira os muros protetores nos assentamentos de Homesh e Sa Nur na Cisjordânia, para a retirada dos colonos e dos militantes extremistas, que permaneceram entrincheirados no local durante toda a noite.

Sa Nur e Homesh se perfilam como as colônias mais duras para o despejo pela resistência dos colonos e de milhares de extremistas e por seu enclave, ao serem construídos nos cumes das montanhas do norte da Cisjordânia.

As casas e edifícios de Sa Nur nos quais resistem os colonos foram cercados por arame farpado para dificultar as tarefas dos serviços de segurança israelenses. Enquanto isso em Homesh, as autoridades militares negociam um despejo pacífico com os residentes.

21 de ago. de 2005

 De volta às origens

De volta às origens

De volta às origens


Filme desvenda os rituais ocultos dos cristãos-novos



Solange Bagdadi 

Depois de ler uma reportagem que falava da existência de uma vila com menos de 800 habitantes no extremo oeste do Rio Grande do Norte, cuja população, preponderantemente católica, praticava hábitos judaicos, a fotógrafa Elaine Eiger e a jornalista Luize Valente partiram para o Nordeste e seguiram a trilha dos marranos, descendentes dos chamados cristãos-novos - judeus que foram forçados a se converter ao cristianismo a fim de não serem queimados nas fogueiras da Santa Inquisição. Para escapar da perseguição, muitos fugiram de Portugal para o Brasil. Da expedição das produtoras no interior do país, nasceu o documentário A Estrela oculta do sertão que revela traços surpreendentes da formação da identidade brasileira.
As diretoras já haviam produzido o documentário Caminhos da memória - a trajetória dos judeus em Portugal, e ganharam o primeiro prêmio com A estrela oculta do sertão, no 9º Festival de Cinema Judaico, em São Paulo, na semana passada. No Rio, o documentário (com ingressos esgotados) participa do mesmo festival, que acontece entre os dias 18 e 25 de agosto. Ainda há uma chance de assistir ao filme no dia 27, no Memorial Getúlio Vargas.
A estrela oculta do sertão registra a história de brasileiros que vivem no sertão nordestino, principalmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte - região do Seridó, até o extremo oeste do estado - na cidade de Venha Ver, em Natal, Mossoró e Caicó. São pessoas que pertencem a famílias católicas mas que, sem saber, sempre praticaram rituais do judaísmo. Um dos personagens do documentário é o médico Luciano Oliveira, 28 anos, nascido na Paraíba, e que até a juventude não tinha consciência da sua identidade judaica.

Desde pequeno ele acreditava que todos em sua casa seguiam a religião católica. Mas os rituais que presenciava não pertenciam ao cristianismo. Em sua casa, havia um oratório com letras em hebraico, sua mãe acendia velas às sextas-feiras, jejuava em determinados períodos do ano e mantinha hábitos como sepultar os mortos com mortalha e sem caixão e jogar fora as ''águas'' da residência quando morria alguém da família. O médico então descobriu que sua gente pertencia a um grupo de descendentes de marranos, que durante séculos precisaram guardar os costumes secretamente.

- Nosso filme fala dos judeus que, para fugir da Inquisição, que durou mais de 300 anos, foram seguindo o curso dos rios e adentrando os sertões, e preservaram os rituais religiosos, até porque a globalização demorou a chegar nessas regiões - conta Elaine Eiger, uma das diretoras.

Elaine lembra que essas pessoas revelam uma face menos conhecida da mistura que originou o povo brasileiro, além de índios, negros e portugueses.
A sensação de que algo estranho precisava ser esclarecido acompanhou o médico Luciano até os 13 anos, quando começou a investigar suas origens. Aos 18 anos, fez circuncisão (rito de iniciação judaico que consiste em cortar o prepúcio) e hoje luta para ser reconhecido pela comunidade judaica.
O documentário esbarra em questões de fé, tolerância e pertencimento. Trata da reivindicação por parte dos marranos do retorno ao judaísmo sem a necessidade de se converterem. No judaísmo, considera-se judeu quem nasce de mãe judia ou quem se converte.
- Minha mãe acende vela todas as sextas-feiras e Jesus não é a figura central de sua crença. Ela reza para os anjos e para Deus. Antes de descobrir que era judeu, eu já me identificava com os preceitos. Não como carne de porco, jejuo no Iom Kippur (Dia do Perdão) e também preservo o Shabat. Quero viver o judaísmo plenamente, com todos os direitos e deveres - diz o jovem médico.
Os episódios ocorridos durante a Santa Inquisição na Espanha e em Portugal, como a expulsão e fuga dos cristãos-novos e os posteriores destinos dessas pessoas, são fatos aprendidos nos bancos escolares e sempre foram tema de teses e livros. Autor de Das fogueiras da inquisição às terras do Brasil - a viagem de 500 anos de uma família judia (ed. Imago), Joseph Eskenazi Pernidji, advogado de profissão, dedica-se há 50 anos a pesquisar a história dos judeus na Espanha e em Portugal. Esta semana, ele lança A Saga dos Cristãos-Novos (Imago).
- Eu quis contar a história dos judeus que foram batizados à força, mas retornaram ao judaísmo. Escolhi falar sobre algumas famílias como Castro, Seixas, Cardoso, Pereira, Sequeira, Nunes, entre outros. A saga do povo brasileiro deve muito aos judeus e cristãos-novos - destaca Joseph.
O genealogista e historiador Paulo Valadares, um dos autores do Dicionário sefaradi de sobrenomes (ed. Fraiha), confirma que o assunto, pouco discutido na imprensa, sempre mereceu muita pesquisa e estudo na academia. A oportunidade de alcançar um público maior será um dos grandes méritos do documentário.
Valadares, que também deu consultoria ao documentário, chama atenção para o conflito presente nas histórias contadas no filme, que exibe casos de marranos como o do poeta negro pernambucano Odmar Braga e seus filhos, o da família Medeiros, de Natal - já na terceira geração de retornados ao judaísmo -, de dona Cabocla, nascida e criada no vilarejo de Venha Ver, no Rio Grande do Norte, beata, devota de 26 santos, e com hábitos nada cristãos, e do médico Luciano.
- O filme mostra quando Luciano vem a São Paulo falar com os rabinos ortodoxos, que explicam como um judeu é reconhecido. Mas o pessoal do Nordeste não aceita a conversão. Querem ser considerados como judeus mas não querem ser convertidos. É nesse instante que se dá o conflito da história - revela Valadares.
Para a historiadora da Universidade de São Paulo Anita Novinsky, que orientou a parte histórica do documentário, o marrano é um homem dividido, porque é cristão-novo e católico, com práticas judaicas dentro de casa, mas considerado cristão fora dela. Autoridade mundial em inquisição portuguesa, Anita conta que há 15 anos foi a Caicó e encontrou uma comunidade marrana. Segundo ela, o que acontece no Brasil é um caso único na história universal.
- Não existe um fenômeno antropológico dessa envergadura no mundo. Em vários lugares, há reminiscências, mas não há nenhum caso de comunidades que tenham vivido 500 anos sem se revelar. Hoje podemos comprovar que 30% da população brasileira, branca, de classe média é de origem judaica - afirma Anita.
Talvez a truculência da Inquisição tenha justificado o silêncio dos antepassados. De acordo com a historiadora, não havia escolha a não ser a conversão. Se apenas pedissem perdão, ainda assim eram garroteados. Quando clamavam por inocência, eram queimados vivos. Para a professora, eles podem ser considerados os precursores da modernidade por não aceitarem o jugo implacável das leis inquisitoriais.
- Não acreditavam em superstições e fanatismos, repeliam as imagens e não aceitavam o ato da confissão por acharem que os padres eram tão pecadores como as pessoas comuns - enumera a historiadora.
Recentemente, o filme foi exibido em Israel, causando grande impressão no público. Para Anita, a partir de agora o Brasil vai introduzir um novo capítulo na sua história, que deve ser ensinado nas escolas e universidades.
- O documentário de Elaine e Luize mostra que a herança judaica permaneceu durante séculos, preservada apenas pela fé daquela gente, sem livros nem contato com outros judeus - completa Anita, que acaba de criar o Laboratório da Intolerância, na USP, entidade interdisciplinar que vai se dedicar a pesquisar casos de intolerância e exploração contra crianças, mulheres, índios, negros e outros grupos discriminados.

De Portugal ao sertão nordestino

Até o século 15, viveram na Península Ibérica três diferentes populações identificadas pela religião: judeus, mouros e cristãos. Mas a região passou por um processo de homogenização, em que as leis restringiram as religiões.
A partir de então, haveria um só governo e uma só religião. Em 1497, por ordem do rei Dom Manuel, em Portugal, os judeus que viviam em terras lusas foram obrigados a se converter ou teriam de deixar o país.
Naquela época, estima-se que quase um terço da população portuguesa fosse composta de judeus. Os que ficaram se tornaram cristãos-novos. Com as dificuldades para deixar o país por conta da ameaça dos piratas, mares revoltos, saques e seqüestros comuns naquele período, muitos ficaram e se converteram. Mesmo os que mudaram de religião, sofreram preconceitos, perderam direitos (não puderam se tornar professores universitários, sacerdotes, oficiais do exército, entre outras funções importantes) e eram persecutoriamente fiscalizados pelo Santo Ofício. Se fossem descobertos praticando costumes judaicos, poderiam ser condenados à pena de morte; separados em bairros (judiarias) e teriam que usar roupas com inscrições e desenhos que representavam o primeiro passo para ser queimado.

Com a descoberta do Brasil, em 1500, parte dessa população vislumbrou que poderia vir para cá. Com o objetivo de fugir da inquisição e pela promessa de negócios em terras novas, muitos cristãos-novos se estabeleceram no Recife, em Salvador e em outras regiões litorâneas.

Mas as perseguições não acabaram. Em 1591, começaram a aparecer o que se chamou de ''visitador'' - representante do Santo Ofício - que procurava pessoas que estavam ''judaizando'' (praticando a religião). Depois da invasão holandesa em 1624, instaurou-se uma certa liberdade religiosa nos locais onde se estabeleceu o domínio holandês (Pernambuco e Paraíba), possibilitando que mais cristãos-novos e mesmo judeus imigrassem para cá.

Com a expulsão dos holandeses, 40 anos depois, uns voltaram para Holanda ou foram para o Caribe e para Nova Amsterdam (Nova York), onde fundaram a primeira sinagoga da América do Norte. Os que tinham menos recursos rumaram para as regiões inóspitas do sertão do Brasil. Eles sabiam que eram descendentes de judeus e casaram entre si para preservar a identidade. Em 1773, surgiu a figura de Marquês de Pombal, em Portugal, um estadista que entendeu que todo português era igual a outro, sem distinção. A partir dessa data a repressão acabou, no entanto, um grupo de cristãos-novos continuou mantendo alguns rituais judaicos secretamente.

18 de ago. de 2005

Soldados invadem sinagoga em Gaza e retiram colonos à força

Soldados invadem sinagoga em Gaza e retiram colonos à força

KFAR DAROM, Faixa de Gaza (Reuters) - Soldados israelenses invadiram uma sinagoga no maior assentamento de Gaza, na quinta-feira, para remover centenas de jovens ultranacionalistas que ali se entrincheiraram em uma resistência que já dura dois dias. Os colonos estão sendo tirados do local à força.A operação de retirada dos colonos dos assentamentos de Gaza prossegue, mesmo com a resistência encontrada pelas tropas em alguns bolsões.
No segundo dia de uma operação militar de grandes proporções, soldados desarmados entraram no assentamento de Kfar Darom a pé e cercaram uma sinagoga lotada por centenas de jovens radicais, muitos dos quais cantavam no telhado.
Enquanto negociadores tentavam conseguir um fim pacífico para o impasse, soldados batiam às portas e mandavam as pessoas saírem. Depois entraram na sinagoga e começaram a retirar à força as pessoas, repetindo cenas de outros assentamentos em Gaza no dia anterior.
"Não seremos retirados da Terra de Israel", gritava um homem barbado com um xale de preces e acorrentado a um corrimão.
As tropas também arrastaram um soldado que ser recusava a participar da operação em Kfar Darom -- a primeira insubordinação desde o início da retirada forçada dos assentamentos de Gaza, de acordo com o plano de "desengajamento" do primeiro-ministro Ariel Sharon.
Houve confrontos também no maior enclave de Gaza, Neve Dekalim, onde a maioria da população foi retirada na quarta-feira, alguns à força.
Em uma outra cena caótica, forças israelenses cercaram o assentamento de Shirat Yam, onde colonos apoiados por partidários ultranacionalistas bloquearam a entrada com pneus e pilhas de lixo em chamas.
A resolução dos impasses pode quebrar a resistência da oposição ao plano de Israel para pôr fim aos 38 anos de ocupação.
Apesar de alguns bolsões de resistência, a retirada de 21 assentamentos de Gaza e de quatro dos 120 enclaves da Cisjordânia, dentro do plano de Sharon de reduzir o conflito com os palestinos, está ocorrendo mais rapidamente do que o esperado.
FORA ATÉ TERÇA-FEIRA
Autoridades israelenses disseram que a retirada de Gaza seria finalizada até terça-feira, levando menos da metade do tempo do que o previsto anteriormente.
A retirada dos assentamentos de Gaza, onde 8.500 judeus vivem em meio a 1,4 milhão de palestinos, é a primeira de terras que os palestinos querem para formar o seu Estado.
Os palestinos consideram a retirada bem-vinda, mas sua raiva foi atiçada na quarta-feira quando um colono judeu matou quatro trabalhadores palestinos a tiros em um assentamento da Cisjordânia, em uma aparente tentativa de sabotar a retirada. Foi declarado um período de luto de quatro horas nas cidades da Cisjordânia na quinta-feira.
Militantes palestinos lançaram dois morteiros no assentamento de Gadid na quarta-feira e um foguete improvisado perto de Neve Dekalim na madrugada de quinta-feira, depois de prometer vingança pela morte dos trabalhadores, mas não houve danos ou vítimas.
Os palestinos vêem a retirada dos assentamentos com um misto de alegria e ceticismo. Eles temem que Sharon esteja trocando Gaza por uma permanência maior na Cisjordânia, onde 240 mil judeus vivem cercados por 2,4 milhões de palestinos.
"MOMENTO DRAMÁTICO"
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, disse em uma entrevista ao jornal New York Times que a retirada representava um "momento dramático" no Oriente Médio, e pediu que israelenses e palestinos continuem caminhando rumo à criação de um Estado palestino.
As autoridades dizem que 70 por cento dos judeus de Gaza haviam deixado suas casas ou sido retirados e que a operação pode terminar em alguns dias. Mais de 50 mil policiais e soldados foram mobilizados na maior operação militar israelense desvinculada de ações de guerra.
Pesquisas mostram que a maioria dos israelenses apóia a retirada, mas a oposição dizem tratar-se de uma recompensa à violência palestina.



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16 de ago. de 2005

Gaza - fim do prazo para os colonos

Gaza - fim do prazo para os colonos

O prazo para a saída voluntária dos colonos dos 21 assentamentos da faixa de Gaza e de quatro na Cisjordânia expirou à 0h (18h de Brasília) desta terça-feira, o que permite que o Exército e a polícia passem a retirar os moradores à força.

Segundo o jornal israelense "Haaretz", as forças de segurança israelenses, visando obter vantagem numérica sobre os esperados oponentes que devem resistir à ação em Neve Dekalim --maior assentamento da faixa de Gaza --enviaram milhares de soldados para a área do assentamento, logo após a meia-noite.

Nesta terça-feira, altos oficiais do Exército afirmaram que a retirada dos colonos de Neve Dekalim pode ser completada em um prazo de 24 horas.


Soldados caminham em ruas do assentamento de Neve Dekalim, o maior da faixa de Gaza
Nas primeiras horas após a meia-noite, os soldados não devem usar a força física. No entanto, no início da manhã desta quarta-feira, deve ter início a retirada à força no assentamento, segundo o general Dan Harel, comandante da região militar sul de Israel, com jurisdição na faixa de Gaza.

Na noite desta terça-feira, mais de mil soldados já haviam se dirigido para Neve Dekalim, batendo de porta em porta em um último esforço para que os colonos saíssem por vontade própria antes do fim do prazo.

O Exército teve de arrebentar o portão de metal da entrada da colônia para que colonos não impedissem a passagem do local. Ao menos 50 pessoas foram presas e banidas da região.

Os soldados removeram pneus queimados deixados nas ruas do assentamento --maior da faixa de Gaza e sede do movimento de colonos

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A entrada das tropas em Neve Dekalim ocorreu logo após um anúncio de Harel. "Nas próximas horas, começaremos a exigir que os moradores, principalmente em Neve Dekalim, saiam de suas casas", afirmou. "Estamos entrando na fase da retirada forçada".

Quando o prazo para a retirada voluntária estava no fim, uma longa linha de tratores, caminhões e ônibus do Exército, lotados de soldados, partiram do cruzamento de Kissufim e entraram em Gaza por meio do assentamento de Netzer Hazani, em Gush Katif.

Anteriormente, o alto funcionário responsável pela retirada, Eival Giladi, havia afirmado que quase metade dos moradores da faixa de Gaza haviam deixado a região voluntariamente.

"Esse plano acontecerá dentro do prazo. Cerca de metade dos moradores já deixaram suas casas", afirmou Giladi, general da reserva e chefe de coordenação e estratégia do escritório do premiê israelense, Ariel Sharon, à imprensa.

"Eu diria que, em poucos dias, não haverá colonos ou pessoas infiltradas em Gaza", disse.

Números

De acordo com o "Haaretz", o número oficial de colonos que permanecia em Gaza na noite desta terça-feira é controverso. Uma fonte teria afirmado que, de um total de 1.700 famílias, mil já haviam deixado Gush Katif. No entanto, um relato posterior dava conta de que 830 famílias teriam saído.

Apenas de Neve Dekalim, 210 famílias teriam saído nesta terça-feira --cerca de metade do total de colonos que viviam no assentamento. Sete colônias de Gush Katif já estão praticamente vazias ou com poucas famílias.

No assentamento de Ganei Tal, também em Gush Katif, os colonos chegaram a um acordo com o Exército, que lhes deu até a meia-noite desta quarta-feira para se retirarem de suas casas voluntariamente.

A colônia de Dugit, foi a primeira colônia de Gaza a ser totalmente desocupada, nesta terça-feira. Outra duas colônias, Ganim e Kadim, ambas na Cisjordânia, também já estão vazias. Restam ainda 20 colônias na faixa de Gaza e 2 na Cisjordânia.

13 de ago. de 2005

Ttisha beav

Ttisha beav


Qual o dia mais triste da vida de uma pessoa? Provavelmente é o dia do falecimento de um parente mais próximos (pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha ou cônjuge). E se a pessoa não sente nenhuma tristeza pelo falecimento de seu parente próximo? Então certamente deveria se sentir triste por sua falta de apreço e sua incapacidade de sentir a emoção apropriada. 

Dia 13 de agosto, sábado, iniciando-se ao pôr do sol, até o anoitecer de domingo, é Tishá BeÁv, o 9o. dia do mês Judaico de Av (Em S. Paulo, o jejum se inicia às 17:49 hs de sábado e se encerra às 18:19 hs de domingo). É o dia mais triste do calendário Judaico. O que a pessoa deve fazer se não tem nenhum sentimento em especial por Tishá BeÁv? Se for Judia e se se identifica com o Judaísmo, então lhe cabe descobrir o porquê de nós, como um Povo, estarmos de luto neste dia. O que perdemos nesta data? O que ele significa para nós? O que devemos fazer para recuperar o que perdemos? No mínimo deveríamos sentir muito o fato de não sentirmos nenhum pesar nesta data.

Em 1967, pára-quedistas israelenses capturaram a Cidade Velha de Jerusalém e abriram caminho até o Muro das Lamentações (Kotel HaMaaravi). Muitos dos soldados religiosos estavam tomados de emoção e encostaram-se no Muro, orando e chorando. Um pouco afastado do Muro estava um soldado não-religioso que também estava chorando. Seus colegas perguntaram: "Por que você está chorando? O que o Muro representa para você?" O soldado respondeu: "Estou chorando por não saber por que deveria estar chorando!"

O dia de Tishá BeÁv é observado para lamentarmos a perda dos Templos Sagrados de Jerusalém. Qual foi a grande perda resultante da destruição dos Templos? Foi a perda do sentimento da presença Divina entre nós. O Templo era um local de orações, espiritualidade, santidade, milagres a céu aberto. Era a parte mais importante do Povo Judeu, o ponto focal da identidade Judaica. Três vezes ao ano (Pessach, Shavuót e Sucót) todo Judeu ascendia ao Templo. Sua presença permeava todos os aspectos da vida Judaica: o planejamento do ano, o lado para onde a pessoa se voltava para rezar, onde recorria por justiça ou para estudar Torá, onde trazia certos dízimos, etc.

Neste mesmo dia, através da História, muitas tragédias aconteceram com o Povo Judeu, incluindo: 

1. O incidente com os espiões difamando a Terra de Israel, com o conseqüente decreto para vagarem pelo deserto por 40 anos.
2. A destruição do Primeiro Templo, em Jerusalém, por Nevuchadnétzar, Rei da Babilônia.
3. A destruição do Segundo Templo, em Jerusalém, pelos romanos, no ano 70 E.C.
4. A queda da cidade de Betar e o fim da revolta de Bar Kochvá contra os romanos, 62 anos depois, no ano 132 E. C.
5. Os Judeus da Inglaterra são expulsos em 1290.
6. Iniciam-se as Primeiras Cruzadas. Dezenas de milhares de Judeus são mortos, e muitas comunidades completamente destruídas.
7. Os Judeus da Espanha são expulsos em 1492, dando início à Inquisição Espanhola.
8. A Primeira Guerra Mundial irrompeu em Tishá BeÁv de 1914, quando a Rússia declarou guerra contra a Alemanha. O ressentimento alemão após ter sido derrotado criou o palco para o Holocausto.
9. Começou a deportação dos Judeus do Gueto de Varsóvia.

Tishá BeÁv é um dia de jejum (com a mesma duração que Yom Kipur, do anoitecer de um dia até o anoitecer do dia seguinte) que culmina e encerra as Três Semanas de luto do Povo Judeu. Neste dia somos proibidos de comer e beber, banhar-nos, usar cremes, loções ou óleos, calçar sapatos de couro ou manter relações conjugais. A idéia é minimizar o prazer e fazer o corpo sentir o desconforto que a alma deveria sentir em relação a tragédias como estas. Como em todos os dias de jejum, o objetivo deste dia é a introspecção, fazendo um balanço espiritual e corrigindo nossos caminhos -- o que em Hebraico é chamado Teshuvá, retorno para o caminho do bem e da honra. 

Teshuvá é um processo de quatro etapas:
1) Precisamos nos conscientizar das coisas erradas que fizemos e nos arrepender de tê-las feito. 2) Precisamos parar de fazer estas transgressões e corrigir qualquer dano que possamos ter causado. 3) Devemos aceitar sobre nós não repetir o erro novamente. 4) Precisamos, verbalmente, pedir ao Todo-Poderoso que nos desculpe.

Na noite de Tishá BeÁv, lemos na sinagoga a Meguilá Eichá, o livro das Lamentações, escrito pelo profeta Yirmiyáhu (Jeremias). Também recitamos as Kinót, poemas especiais recontando as tragédias que aconteceram com o Povo Judeu. Com o ambiente à meia luz, sentamos em almofadas ou pequenas banquetas em sinal de luto.

O estudo da Torá é o coração, a alma e o sangue do Povo Judeu. É o segredo de nossa sobrevivência. Estudar leva ao entendimento e o entendimento leva à ação. Uma pessoa não consegue amar aquilo que não entende. Estudar Torá nos dá uma grande satisfação ao nos proporcionar a oportunidade de entendermos nossas vidas. Em Tishá BeÁv somos proibidos de estudar Torá, com exceção daquelas partes que tratam sobre as calamidades que o Povo Judeu tem sofrido. Precisamos parar, refletir, mudar a nós mesmos e, somente assim, estaremos aptos a fazer deste um mundo melhor.

Durante toda nossa História passamos por Holocaustos, Pogroms, Cruzadas e outros massacres. Isto por si só já nos faria despertar a seguinte pergunta: "Por que nossos ancestrais tão persistentemente insistiram em se manter Judeus quando, com poucas palavras, poderiam ter se convertido - exceto durante o Holocausto - e salvado suas vidas e a de seus familiares? O que eles sabiam que não sabemos? O que precisamos então saber? Para aprender mais, clique em http://www.aish.com/holidays (em inglês) ou http://www.aish.com/espanol/festividades/tisha_beav/default.asp (em espanhol).

A História nos conta que, certa vez, o imperador francês Napoleão Bonaparte estava andando pelas ruas de Paris e ouviu lamentos e gritos vindos de uma sinagoga. Querendo saber o motivo, vieram lhe informar que aquele era o dia de Tishá BeÁv e que os Judeus estavam chorando pela destruição de seu Templo em Jerusalém. "Como eu não ouvi sobre isto? Quando aconteceu?", perguntou Napoleão. Quando descobriu que o fato ocorrera há quase 2.000 anos, Napoleão falou: "Uma nação que recorda seu Templo destruído e lamenta tão profundamente e por tanto tempo sua perda, certamente terá o mérito de tê-lo reconstruído novamente!" 

11 de ago. de 2005

Ritual de morte

Ritual de morte


TV usada para incitamento ao extremismo


Movimento Paz Agora (*)

Reprodução integral de texto traduzido e editado pelo grupo Paz Agora / BR (*)
O Movimento PAZ AGORA acusou nesta quarta-feira um programa noticioso da TV israelense de fomentar extremismo e incitamento, após este ter comprado o vídeo de uma cerimônia macabra de elementos da extrema direita que invocava a morte do primeiro-ministro.

Os líderes dos extremistas disseram que tinham realizado uma cerimônia para colocar uma `Pulsa Denura`, praga haláchica, sobre o primeiro-ministro Ariel Sharon para levá-lo à morte.

Michael Ben-Horin, um dos organizadores da cerimônia, disse que em vista da cerrada segurança em torno de Sharon, que "é dez vezes mais forte que [era] a segurança de Hitler e Stalin", nenhum homem seria capaz de matá-lo. Portanto, haviam "apelado aos anjos da destruição para matar Sharon", disse Ben-Horin. Ele acrescentou que o ritual eximiria a necessidade de um ser humano ter de matar Ariel Sharon, permitindo que os "anjos da destruição" o fizessem.

O ritual macabro foi realizado no alvorecer da sexta-feira ao lado do túmulo de Shlomo Ben-Yosef em Rosh Pina, próximo a Sfat, conhecido centro cabalista. Membro da organização direitista Betar, Shlomo Ben-Yosef fora enforcado pelas autoridades inglesas em 1938 por ter atirado num ônibus árabe em protesto contra vários ataques de árabes contra alvos judeus.

Outro extremista presente disse que "os homens oraram a Deus para que nos livrasse do maldito ditador assassino [Sharon]", e disse ainda que o local foi escolhido porque "Shlomo era a antítese de Sharon": "Ben Yosef deu sua vida pelo povo judeu e recusou-se a reconhecer o governo britânico, enquanto Sharon faz tudo por si mesmo", declarou.

Antecedentes

Um dos os organizadores do ato foi o rabino Yosef Dayan de Psagot [assentamento próximo a Ramalah], na Cisjordânia, que também havia promovido uma pulsa denura contra Rabin, poucas semanas antes de ele ser assassinado por um religioso ultra-nacionalista. Após a morte de Rabin, o rabino Dayan foi preso por ameaçar realizar outro ritual contra Shimon Peres. Dayan é membro do grupo radical "Kahane Chai", proscrito por fomentar terrorismo contra a população árabe, e já se candidatou ao Knesset (Parlamento israelense) com o apoio do grupo.

O rabino Dayan revelou que "faz uns oito meses, quando o plano (de retirada de Gaza) de Sharon estava ganhando apoios, pensamos pela primeira vez em lançar uma ‘Pulsa Denura’".

Extremistas: Sharon morrerá dentro de 30 dias

Vinte homens, incluindo rabinos e cabalistas, participaram da cerimônia, na pequena cidade de Rosh Pina, ao norte de Israel, próxima a Sfat. Os participantes acreditam que Sharon irá morrer nos próximos 30 dias, caso contrário todos os que atuaram na cerimônia morrerão.

"Pulsa Denura" ["chicote de fogo" em aramaico] é um ritual com origens no misticismo cabalístico. Surgiu inicialmente em Israel quando rabinos de extrema-direita o realizaram durante o turbulento período que precedeu a morte do antigo primeiro-ministro trabalhista Yitzhak Rabin, há cerca de 10 anos, à saída de um ato pacifista gigantesco em Tel Aviv.

A cerimônia, que supostamente causa a morte do sujeito dentro de um ano, insta os "anjos da destruição" a não perdoar seus pecados e a matá-lo, invocando todas as pragas nomeadas na Bíblia.

Os participantes tinham que ser casados, ter barba e mais de 40 anos. Todos vestiam negro, menos um líder que estava de branco, que dirigia a cerimônia em aramaico, pedindo a danação de Ariel Ben-Dvora Sheinerman [Sharon].

Ben-Horin disse que enquanto Rabin era apoiado por todo um movimento na sociedade, Sharon está sozinho na defesa de seu plano de desligamento. Sua morte iria cancelar a retirada, acrescentou.

Fanatismo via Mídia

Além de buscar a morte do primeiro-ministro, os extremistas também queriam lucrar com o ato oferecendo seu vídeo à venda para a mídia.

A partir da manhã de terça-feira, os extremistas tentaram vender o vídeo, por US$ 5 mil, para os principais canais comerciais de mídia do país – Canal 2, Canal 10, Yedioth Aharonot e Maariv.

O editor do jornal Maariv, Amnon Dankner, está entre os que condenaram a venda do material: "Todo o negócio", escreveu Dankner, "não é nada além de um show de verão para uma mídia sedenta e generosa".

O fotógrafo Benzi Gobstein disse à Rádio do Exército que, como apoiador da "Pulsa Denura", também orou pela morte de Sharon e filmou voluntariamente o evento. Queria financiar seu trabalho vendendo a fita. Disse que se aproximou primeiramente dos noticiários dos canais de TV 2 e 10, aos quais a ofereceu por US$ 5 mil. Ele confirmou que as duas emissoras concordaram entre si que não pagariam pela fita, e que também abordou a Reuters antes de receber uma oferta do programa Mishal Ham. Após a compra, foi transmitido um pequeno segmento do filme na noite de terça-feira.

O Movimento PAZ AGORA apelou a Motti Sklar, diretor-geral da Segunda Autoridade de Radio e TV, a proibir a transmissão na noite de quarta-feira do vídeo pelo programa Mishal Kham.

Ética na Imprensa

"A concordância do Mishal Ham em pagar pelo cassette o torna parceiro de um crime, e o principal patrocinador financeiro de uma atividade de incitamento", disse Yariv Oppenheimer, porta-voz do PAZ AGORA.

Em carta emitida ao presidente da emissora de TV responsável pelo programa, o diretor da agência reguladora, Motti Shklar, escreveu que embora reconhecesse o direito da concessionária de difundir o material, pedia-lhe reconsideração: "Parece inapropriado dar expressão a grupos extremistas insignificantes, assim dando-lhes força, inclusive através de uma transação financeira".

Shklar adicionou que se a concessionária decidisse exibir o vídeo, pediria a ela que equilibrasse o programa, por exemplo, com uma discussão com outros rabinos "para pôr as coisas no devido contexto". "Infelizmente, já fomos estarrecidos por caso similar antes do assassinato do finado primeiro-ministro Yitzhak Rabin, quando a mídia também atuou nas mãos de grupos extremistas e bizarros", acrescentou.

Em resposta à carta de Shklar, o programa emitiu um comunicado dizendo que seus produtores pretendiam realizar uma discussão equilibrada durante o programa, que refletiria a variedade de opiniões sobre o assunto.

Comentando sobre a venda do vídeo para o programa do Canal 2, Avi Barzilai, diretor do programa do concorrente Canal 10, disse à Rádio do Exército: "Esta é uma cerimônia desprezível realizada por gente desprezível e bizarra, que produziram uma fita desprezível e bizarra que foi obtida e difundida por pessoas que pensam ser jornalistas que estão prontas a baixar suas calças só para aumentar os índices de audiência."

"Como jornalista veterano, [sustento que] aqueles que obtêm e difundem este vídeo não são parte da minha profissão. Eu não os respeito", disse Barzilai, que afirmou que iria processar por difamação os responsáveis pelo programa Mishal Ham que haviam declarado que ele também havia tentado comprar a fita.

"Todos os canais se esforçaram para obter o vídeo", disse em resposta Yisrael Segal, diretor do programa Mishal Ham, dizendo que não fazia sentido atacar seu programa por quebra da ética jornalística.

Não existiria um limite ético ao princípio da liberdade de imprensa, no caso da manipulação da mídia para a pregação do crime e do terrorismo? Com informações de Agência EFE, Jerusalem Post e Haaretz [27/7/05].

9 de ago. de 2005

Circo de Jerusalém Une Jovens Judeus e Árabes

Circo de Jerusalém Une Jovens Judeus e Árabes


Um circo montado em Jerusalém, com jovens judeus e árabes de sete a dezenove anos, é exemplo de como uma iniciativa simples pode auxiliar o processo de paz entre os dois povos.



A Jerusalem Circus Association foi idealizada há 11 anos pela professora de arte Elisheva Yortner, judia tunisiana que vive em Israel desde 1984. O objetivo era que o circo multicultural servisse como exemplo de coexistência pacífica e referência de ponte entre as culturas judaica e árabe. A idéia deu certo.

Em entrevista ao jornal israelense Haaretz, o jovem árabe Abdullah Taha, 19, conta que desde que entrou no circo ganhou diversos amigos judeus. “Melhorei o meu hebraico e aprendi sobre os costumes judaicos.” Seu colega de picadeiro Aaron Tobias, judeu, concorda, afirmando que “o trabalho no circo me apresentou a outras culturas”.

A primeira apresentação do grupo aconteceu em 2000, em uma escola no bairro de Katamon. Mas o Jerusalem Circus ganhou mais notoriedade no início deste mês de junho, quando se apresentou em Berlim, no castelo de Bellevue.

Enquanto aprendem mágicas e malabarismos, as crianças e adolescentes do circo estabelecem laços culturais pouco estimulados pelas autoridades israelenses e árabes. A organização do circo enfatiza que a proposta é proporcionar aos jovens uma oportunidade de se expressar artisticamente e em equipe, buscando um objetivo comum.




Fonte para entrevistas: Elisheva Yortner, formada em artes plásticas pela Universidade de Sorbonne e diretora da Jerusalem Circus Association.