31 de mai. de 2005

Lula pode visitar Israel

Lula pode visitar Israel

 

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse ontem que sua missão oficial a Israel "criou o clima adequado" para uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país e que a possível viagem foi um dos temas do encontro com o premiê israelense, Ariel Sharon. As relações entre os dois países, segundo diplomatas israelenses, ficaram "desconfortáveis" depois da visita de Lula a países árabes e da missão de Amorim ao Oriente Médio, que não incluíram Israel, e da cúpula entre países sul-americanos e árabes, em Brasília. Após o encontro com Sharon, descrito como "franco e positivo", Amorim disse que se sentia "absolutamente realizado": "Fiquei quase uma hora com ele, que é o primeiro-ministro de um país que tem muitos problemas. Isso demonstra a importância que ele dá ao Brasil. Só posso entender isso como uma homenagem ao Brasil e ao presidente Lula". "Foi ótimo. Até mostramos fotos dos netos um para o outro." Segundo ele, o tema da cúpula foi levantado por Sharon, mas discutido apenas "de passagem": "Sharon expressou as preocupações do ponto de vista de Israel". Amorim disse que o premiê demonstrou conhecimento sobre a população e o território do Brasil e sobre as relações comerciais de Israel com o país.

 

Amorim disse que convidou Sharon a visitar o Brasil, e que ele reagiu com "muito gosto e interesse". O gabinete de Sharon chegou a cancelar o encontro com Amorim. Mas, sob insistência do Departamento de América Latina da Chancelaria israelense, apenas o horário da reunião foi mudado. O primeiro-ministro israelense não fez declarações à imprensa brasileira depois do encontro e o gabinete em Jerusalém não emitiu nota com reações oficiais. Amorim disse que repetiu a Sharon o ponto de vista brasileiro em relação ao conflito no Oriente Médio. "Disse que o plano de retirada é um ato corajoso, que somos a favor da criação de um Estado palestino, mas que Israel também tem direito a viver em segurança." Antes do encontro com Sharon, Amorim visitou uma escola de futebol que reúne crianças israelenses e palestinas em Jerusalém, patrocinada pelo Centro Peres para a Paz. Ele tirou fotos ao lado dos garotos, tentou fazer embaixadas e trocou passes com um aluno. Pela manhã, Amorim reuniu-se em Tel Aviv com Shimon Peres, vice-premiê israelense e líder do Partido Trabalhista, e participou do encontro de empresários brasileiros da delegação oficial com firmas israelenses. O encontro com Sharon foi o último compromisso oficial da missão brasileira. Segundo o Itamaraty, Israel tem interesse em jatos comerciais e álcool, além de projetos conjuntos de irrigação e tecnologia espacial.

 

Judeus ultra-ortodoxos voltam-se para produção de filmes

Judeus ultra-ortodoxos voltam-se para produção de filmes

Judeus ultra-ortodoxos voltam-se para produção de filmes
    
Jonathan Saul
 
Uma sombra atravessa a sala na qual o seminarista judeu examina um pergaminho religioso. Ele olha assustado para a figura que aparece na frente dele: um amigo que ele acredita ter morrido em um acidente de trânsito.
Depois de noites sendo assombrado pela aparição, o judeu é instruído pelo rabino a repetir um encantamento antigo, segundo o qual em dado momento o espírito atormentado, visível apenas para a audiência, desaparece para outro mundo.

Podem faltar o sangue e os tradicionais gritos de horror, mas "Cry of the Dead" é o primeiro filme de terror feito por judeus ultra-ortodoxos.

"O mundo ultra-ortodoxo está se abrindo e as pessoas dentro dele estão procurando por algo alternativo. É um novo cinema que está abrindo fronteiras", disse Nissim Verta, escritor e ator de "Cry of the Dead".
O mundo ultra-ortodoxo havia se fechado à cultura popular, preocupado de que ela poderia minar seu estilo de vida e impor idéias estrangeiras aos fiéis seguidores.
Tanto que eles são conhecidos como haredim, que significa "temerosos" do pecado em hebraico.
Mas os haredim estão começando a usar a mesma mídia que já evitaram para atrair jovens devotos.
No centro de "Cry of the Dead", há uma fábula moral na qual um estudante, morto em um acidente de trânsito por agredir verbalmente um amigo, precisa voltar do mundo dos mortos para reparar seus erros.
Verta acredita que o filme, produzido com apenas 10 mil dólares, tenha sido
visto por mais da metade da população adulta de ultra-ortodoxos de Israel,
que chega a 1 milhão dentro do total de 5,4 milhões de habitantes judeus.
"É sexy para a população secular de Israel e eles querem olhar o mundo
ortodoxo visualmente", diz Renen Schorr, diretor de filmes e da Escola Sam
Spiegel para filmes e televisão, de Jerusalém.
"Os haredim são uma parte significativa da vida israelense e eles merecem
estar na telona. O que vemos é o início de uma nova tendência."

FILMAGEM CASTA
Ainda há limitações para os diretores haredim. As mulheres não têm permissão para aparecer em razão das leis de castidade e estão proibidos palavrões e violência.
"Dentro desses limites, tudo o mais é aberto e temos muita liberdade", disse
Ariel Cohen, diretor de "Cry of the Dead".

O produtor e diretor Roni Zarfati disse que o que distingue essa indústria é
que ela permanece instrutiva.
"Dentro da história há uma mensagem ética ou um ensinamento, diferente do
mundo secular, onde os filmes são apenas emoções", afirmou ele. "Mas isso
não significa que você não possa fazer comédias ou mesmo filmes de ação."

Diretores de filmes de ação haredim tais como Moshe Levy conseguiram contornar a violência e ainda fazer filmes com perseguições de carro.

"Ninguém morre nem é assassinado nesses filmes - essa é uma linha que não atravessamos. Basicamente, tentamos criar uma nova cultura com a qual nossos jovens se identifiquem com a preservação da Torah (os ensinamentos sagrados judeus)", disse Levy.

A maneira de distribuir e assistir aos filmes também é diferente da do mundo secular. Os títulos são comercializados basicamente nas lojas haredim, que vendem livros religiosos e gravações de sermões dos rabinos.

"Como os haredim não estão conectados à TV, estamos assistindo a todo um novo modo de transmissão: por meio de CD Rooms, DVDs e exibição de filmes em conferências especiais sobre judaísmo", disse Zarfati.

"Temos vistos entre 50 e 100 filmes produzidos por ano, bem mais do que havia há cinco anos. Os filmes estão ficando mais sofisticados, com melhores diretores, atores, figurinos e locações."

30 de mai. de 2005

Princípios judaicos – a visão judaica do dinheiro

Princípios judaicos – a visão judaica do dinheiro


A forma que a Torá tem de fazer caridade, o respeito ao que pertence ao próximo e a negociação honesta no comércio.

Rabino Aryeh Kaplan

O amor de uma pessoa por D’us deve exceder seu amor pelas coisas materiais. Somos ordenados a “Amar a D’us com todo nosso coração, alma, e força” (Deuteronômio 6:5), ou seja, mesmo que custe toda a nossa riqueza. Portanto, há tempos em que a pessoa deve estar pronta para sacrificar todas suas possessões por D’us, mesmo que não seja exigido que entregue sua vida. 

Se uma pessoa vive num lugar em que não é possível manter a religião, esta deve se mudar para um outro lugar em que isto seja possível, sejam quais forem as despesas ou perdas. 
A pessoa deve sacrificar todas suas possessões a violar qualquer mandamento negativo da Torá...

Então nunca se deve fazer negócios no Shabat, mesmo sabendo que este é o melhor dia para fazê-lo, pois poderá cair na tentação de ganhar um lucro extra no Shabat.
Embora deva se empobrecer no lugar de cometer um pecado, isto não é necessário para se fazer uma boa ação. Dos dois dízimos agrícolas, aprendemos que D’us não quer que usemos mais do que um quinto (20 por cento) de nossos recursos para propósitos religiosos. Então, não é preciso gastar mais do que um quinto de seu dinheiro para cumprir um mandamento positivo, mesmo que haja outra chance de cumprí-lo mais tarde. Por exemplo, não precisamos gastar mais do que isso para ter um tallit ou tefillin, uma sucá ou etrog para Sucot, ou matzá para Pessach.

Dando caridade (tzedaká)

De modo semelhante, um quinto do salário é considerado uma contribuição generosa para tzedaká, e não deve exceder esse valor. É proibido empobrecer-se distribuindo toda sua riqueza e a pessoa que o faz é considerada piedosa de forma insensata e trará a destruição ao mundo. Porém, uma pessoa pode deixar um terço de suas propriedades para tzedaká.

De qualquer modo, o mínimo de um-décimo do salário/lucro pertence a D’us, e deve ser usado para a caridade ou propósitos religiosos. Esta medida é tirada dos Patriarcas, quando Iakov (Jacó) disse a D’us: “De tudo o que Você me dá, eu guardarei um décimo para Você” (Gênesis 28:22). Da mesma forma, o Talmud ensina que devemos dar um décimo de nosso lucro para a caridade, o que percebemos pelo verso: “Honra a D’us com teus bens e com os primeiros frutos de sua produção” (Provérbios 3:9).

Se há uma necessidade urgente de caridade ou de cumprimento de algum mandamento, deve se sacrificar um quinto, ou pelo menos um décimo, de todas as suas possessões. Embora, depois da primeira vez, só seja preciso dar o dizimo de sua renda anual. Em todo caso, as pessoas muito ricas devem dar o quanto for necessário.

É um mandamento positivo dar caridade, como a Torá diz, "Abra sua mão generosamente, e estenda para [seu irmão necessitado] quanto for preciso para sua necessidade” (Deuteronômio15:8). O mínimo que alguém pode dar para cumprir este mandamento é um terço de shekel por ano. Deste modo, está escrito: "Colocamos sobre nós mesmos a responsabilidade de doar um terço de um shekel anualmente para o trabalho da casa de D’us" (Neemias 10:33). Esta quantia deve ser dada pelos mais pobres, pois, caso contrário, estes estarão violando o mandamento de dar tzedaká. Porém, se uma pessoa vive uma vida boa e dá menos do que a décima parte de seus lucros esta é considerada avarenta. 

Se a pessoa estiver acostumada a usar o dízimo para caridade somente, não deve usar seu dinheiro para nenhum outro motivo religioso. Embora possa usar para comprar artigos ou livros religiosos, que, por sua vez, emprestará ao mais necessitado, desde que esteja claramente designado para este propósito. 
Intensificando as Mitzvot

Fomos escolhidos para cumprir os mandamentos de D’us da forma mais bonita possível, como a Torá descreve: Este é o meu D’us e vou glorificá-lo” (Êxodo 15:2). Então, sempre que possível, não devemos comprar o artigo religioso mais barato disponível, e sim gastar um pouco mais de um terço para obter um artigo melhor. Quando é preciso escolher entre dois artigos desta forma, a pessoa deve gastar um terço para comprar o melhor. Por exemplo, antes de comprar um talit mais barato, deve-se gastar um pouco mais de um terço para ter um melhor. 

Se a pessoa gasta mais do que o extra de um terço requerido para intensificar o cumprimento do mandamento, D’us lhe devolverá de forma ampla aqui na Terra. Portanto, qualquer lucro ou renda inesperada pode ser usado para este propósito. 

Deve-se sempre dar do melhor para D’us, como está escrito: “A melhor escolha pertence a D’us” (Levítico 3:16). Neste caso, quando uma congregação constrói uma sinagoga, esta deve ser construída da forma mais bonita possível, como as escrituras notificam: "D’us nos concedeu um favor... para que possamos colocar no alto a Casa de D’us” (Esdras 9:9). Não deve haver nenhum sinal de pobreza, falsa economia, ou restrições ao construir uma casa dedicada a Torá de D’us. Porém, isto não deve ser feito às custas de outras obras beneficentes, nem negar afiliação àqueles com menos recursos.

Porém, até com bens mais sagrados, o desperdício e a riqueza não são normas de estética e bom gosto. Por exemplo, não se deve usar ouro sendo que a prata seria a mesma coisa.

Somos ensinados pela Torá a ter consideração pelo dinheiro, e não devemos desperdiçá-lo. Encontramos isto no exemplo de uma casa que está com praga, onde está declarado: “O sacerdote ordenará que despejem a casa, antes que venha examinar a praga, para que não seja contaminado todo o que está na casa: depois virá o sacerdote, para examinar a casa” (Levítico 14:36). 

Da mesma forma, descobrimos que D’us faz milagres não somente para salvar nossas vidas como também para salvar nossas possessões, como, por exemplo fez com que caísse água não só para os Israelitas como também para o seu gado. 

Não seja esbanjador

É proibido destruir qualquer objeto útil, como aprendemos pelo mandamento, "Você não deve destruir as árvores da cidade" (Deuteronômio 20:19). Aquele que destrói cruelmente mobília ou utensílios, roupas rasgadas, ou desperdiça boa comida, é culpado de violar este mandamento. Além disso, se o fizer com raiva, é considerado como se cometesse idolatria.Não se deve destruir nada em que foi dito uma prece, como está escrito: “Não destrua a videira, pois a benção sobre o vinho está nela” (Isaias 65:8).

Este tipo de destruição é proibido somente se não houver motivo para tal. Se há alguma razão lógica, é permitido. Além disso, se se trará de uma questão de saúde, logicamente é melhor que se destrua uma possessão do que a saúde de uma pessoa. 

É também proibido danificar ou destruir bens alheios, ou fazer alguma coisa que poderá causar prejuízo. Se uma pessoa causa prejuízo, ele deve restituir o que danificou, como está escrito: “Quem matar um animal, o restituirá, igual por igual” (Levitico 24:18).

Enganando e roubando

É proibido roubar, furtar ou tomar ilegalmente algum bem ou dinheiro, como somos ordenados: "Não roube... Não detenha o que é de seu próximo." (Levítico 19:11, 13). Ou seja, devemos ser estritamente cuidadosos para não se apropriar ilegalmente de qualquer dinheiro ou bem de qualquer maneira, não importa o quão trivial seja seu valor, não importando de quem seja, adulto ou criança. 

É proibido também roubar com o objetivo de fazer alguma brincadeira com o próximo ou aborrecê-lo, mesmo que a pessoa pretenda devolver o que pegou imediatamente. O profeta diz, "Se um homem perverso se converter de seu pecado e restituir o que pegou...certamente viverá” (Ezequiel 33:15), da onde aprendemos que roubar é considerado um ato perverso mesmo que pretendamos devolver ou restituir o artigo roubado.

D’us manda que devolvamos qualquer bem que está ilegalmente conosco, como a Torá afirma: “Ele deve retornar o artigo roubado, os capitais retidos, o artigo encontrado" (Levítico 5:23). Se o artigo roubado estiver disponível e intacto deve ser devolvido, caso contrário, deve haver uma restituição que favoreça seu valor na hora do roubo. Se o proprietário se mudou para uma cidade distante, somos obrigados a informá-lo sobre o artigo para que ele venha pegá-lo. Se o proprietário não estiver mais vivo a restituição deve ser feita a seus herdeiros.

Uma pessoa que rouba ou engana o público não tem a quem reembolsar e não poderá se retificar pelo que fez. Mesmo assim, deve dar o seu melhor para conseguir o bem-estar do público e ajudar em suas necessidades, para que aqueles de quem ele roubou possam, indiretamente, se beneficiar. E se for possível, deve fazer uma confissão em público e pedir perdão. 

É proibido comprar um artigo roubado, assim como se tornar um cúmplice do ladrão e encorajá-lo a roubar mais. Em relação a isto está escrito: "Aquele que compartilha com um ladrão odeia sua própria alma" (Provérbios 29:24). É proibido, também usar um artigo roubado ou tirar qualquer benefício dele. Então não se deve comprar alguma coisa que talvez possa ser roubada ou obtida de modo desonesto. Aquele que negocia com bens roubados de qualquer forma é considerado como se tivesse roubado em público, e seu arrependimento é extremamente difícil.

Possessões alheias

O ato de pegar emprestado sem permissão é considerado o mesmo que roubar. Por isso, é proibido usar algo de outra pessoa sem a permissão desta. Este ato é proibido mesmo se soubermos que a pessoa emprestará tranqüilamente o objeto. 
Se por acaso o casaco ou alguma outra coisa foram, acidentalmente, trocados numa reunião ou festa pública, deve-se devolver o artigo para seu proprietário legítimo, mesmo que o seu artigo possa estar perdido. Da mesma forma que se a roupa de uma outra pessoa está com você, ou qualquer situação deste tipo, a pessoa que está com a roupa não pode usá-la, deve devolvê-la a seu dono.

Não se deve aceitar qualquer coisa dada num ato de ameaça ou humilhação. Aceitar um presente que não é dado sinceramente é a mesma coisa que roubá-lo. Em relação a isto a Torá nos adverte: “O que é ávido por lucro desonesto, transtorna a sua casa, mas o que odeia o suborno, viverá” (Provérbios 15:27). Então, não devemos comer numa casa onde não haja comida suficiente ou onde o convite não seja verdadeiro, como somos ensinados: "Não comas o pão de um homem invejoso" (Provérbios 23:6).

É proibido também desdenhar os bens do próximo, como nos fala a Torá: "Não desejes a casa de seu vizinho nem seu campo, nem seu empregado... ou qualquer outra coisa que seja dele” (Deuteronômio 5:18). Se alguém tenta convencer o dono de algum bem a vendê-lo contra a sua própria vontade, é culpado de violar o mandamento que diz: "Não tenhas inveja da casa de seu vizinho... ou de qualquer outra coisa que a ele pertença" (Êxodo 20:14). Ambas as leis estão nos Dez Mandamentos e são aplicadas até onde não há desonestidade envolvida.

Transações de negócios

É proibido ser desonesto ou trapacear em qualquer transação de negócios, como somos ordenados: "Quando venderes alguma coisa ao teu próximo, ou a comprares da mão de teu próximo, não oprimas a teu irmão”. (Levítico 25:14). Manter a honestidade ao lidar com negócios é equivalente a segurar a Torá inteira, e é a primeira coisa que é julgada no tribunal divino. 

Assim como é proibido ser desonesto com um judeu, também é proibido roubar, trapacear ou furtar de um não-judeu. Em muitos casos, isto é pior do que roubar de um judeu, pois faz com que as pessoas pensem nos judeus de forma errada, como tendo uma má reputação, além de ser uma profanação do nome de D’us.

A honestidade de uma pessoa deve ir além dos requisitos da Lei, e todos seus procedimentos devem ser íntegros e justos para todos. Em todos os caminhos da vida, deve-se estar ciente de que D’us está sempre assistindo ao que fazemos e como agimos. Por isso, somos ordenados a: "Faras o que é reto e bom aos olhos de D’us" (Deuteronômio 6:18). 

É proibido usar dinheiro desonesto para a caridade ou qualquer outro propósito religioso, como D’us disse a Seu profeta, "Porque Eu, D’us, amo a justiça, e odeio o roubo" (Isaias 61:8). O salmista também nos ensina, "O cobiçoso se vangloria de sua incontida ambição e o iníquo ousa blasfemar contra o Eterno” (Salmos 10:3). Da mesma forma, a pessoa que tem dívidas excessivas deve indenizá-las antes de dar tzedaká. 

É uma bênção poder ganhar nossa própria entrada no mundo e poder apreciar os frutos de nosso próprio trabalho, como o Salmista escreve, "O trabalho de suas mãos proverá sustento, feliz será e tudo lhe correrá bem” (Salmos 128:2). Assim, os negócios e a carreira devem estar sempre em segundo lugar no que diz respeito as nossas tarefas perante D’us. Aquele que coloca as considerações materiais acima do serviço de D’us é culpado por violar o mandamento de amar a D’us acima de tudo. 

Do Manual do pensamento judaico. “The Handbook of Jewish Thought” (Vol 2, Maznaim Publishing. Reeditado com permissão.

29 de mai. de 2005

Israel quer que Brasil ouça seu lado sobre conflito

Israel quer que Brasil ouça seu lado sobre conflito

O governo de Israel considera a visita do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao país, neste fim-de-semana, uma oportunidade para que o Brasil entenda melhor a posição israelense no conflito com os palestinos.
Amorim chega no sábado a Jerusalém e, na segunda-feira, se encontra com o vice-primeiro-ministro Shimon Peres e com o premiê Ariel Sharon.
A vice-diretora do departamento de América Latina do Ministério do Exterior israelense, Dorit Shavit, disse à BBC Brasil que Israel vê com grande interesse a visita do chanceler brasileiro.Mas, segundo ela, o governo israelense considera que a postura do governo brasileiro na região tem sido mais favorável aos países árabes.
O outro lado
"É uma visita importante, de um país importante", disse Shavit. "O Brasil é uma potência na América Latina e está se tornando cada vez mais importante também do ponto de vista global. Porém, infelizmente tem mais tendência para os países árabes do que para Israel."
Israel espera poder equilibrar essa visão durante a visita de Celso Amorim, em discussões sobre os possíveis próximos passos em questões relacionadas ao conflito.
"O Brasil conhece muito bem o lado árabe, e é muito importante que também ouça o nosso lado", disse Dorit Shavit. "Durante a visita, pretendemos apresentar ao ministro Celso Amorim a nossa posição sobre o conflito com os palestinos, inclusive a nossa visão sobre temas como a retirada da Faixa de Gaza, o Mapa da Paz e o combate ao terrorismo."

"Compromisso com a paz"

A visita de Amorim comeca neste sábado e durará três dias. Um encontro com o premiê Ariel Sharon está marcado para a segunda-feira, em Jerusalém.
Será a visita mais importante de uma autoridade brasileira a Israel em uma década, sendo que o último chanceler brasileiro que visitou o país foi Luiz Felipe Lampreia, em 1995.
O embaixador do Brasil em Israel, Sergio Moreira Lima, disse que isso aumenta ainda mais a importância da viagem.
"Tendo em vista esse longo período que passou, a visita se reveste de uma grande importância", disse Moreira Lima. "Trata-se de uma retomada do contato no mais alto nível político."
O embaixador afirmou que "o relacionamento político tem sofrido em função da evolução do conflito no Oriente Medio". "Porém, quando, como no contexto atual, existem perspectivas de retomada do processo de paz, há uma maior aproximação política, porque o compromisso do Brasil é com a paz e com a solução do conflito."
Moreira Lima também disse que um dos objetivos da visita do chanceler Celso Amorim será verificar em que medida o Brasil pode continuar contribuindo para a melhoria da relação entre israelenses e palestinos.
"Este é um momento positivo, com perspectivas que estão se abrindo em diferentes frentes, tanto políticas como econômicas", acrescentou o embaixador.

Comércio

Celso Amorim terá uma agenda cheia durante a visita. Os planos incluem encontros com o ministro do Exterior, Silvan Shalom, o presidente Moshe Katzav e o vice-primeiro-ministro Ehud Olmert (que visitou o Brasil recentemente), além de Peres e Ariel Sharon.
Amorim chegará a Israel acompanhado de um grupo de empresários brasileiros que deverá se reunir com parceiros potenciais do lado israelense.
De acordo com Dorit Shavit, um dos temas importantes da visita será a relação comercial entre os dois países.
"Em 1999, o total do comércio entre Israel e o Brasil era de apenas US$ 200 milhões. Desde então as relações comerciais se intensificaram muito e hoje já alcançamos um total de US$ 700 milhões por ano", afirmou.


Há 200 empresas israelenses operando no Brasil, principalmente nos setores de tecnologia avançada (telefonia, computadores e ótica) e fertilizantes para a agricultura.
O Brasil vende para Israel principalmente produtos como carne e soja.
De acordo com o embaixador Sergio Moreira Lima, nos últimos dois anos as exportações do Brasil para Israel duplicaram, aumentando de US$ 100 milhões para US$ 200 milhões por ano.
Segundo Moreira Lima, o Brasil é hoje o segundo maior parceiro comercial de Israel nas Américas, depois de ter superado o Canadá.

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25 de mai. de 2005

Judeus no Iraque

Judeus no Iraque

 

 

A cidade de Bagdá, próxima ao reino da antiga Babilônia, tornou-se o centro do Califado por volta de 762 da era comum, transformando-se rapidamente em uma cidade esplendorosa. Acompanhando esse ritmo e valendo-se da tranqüilidade e do sistema de autogoverno que os califas lhes proporcionavam, as comunidades judaicas também vivenciaram um período de grande prosperidade e desenvolvimento. Sua afluente população incluía em seu seio banqueiros, médicos, engenheiros, astrônomos, lingüistas tradutores, entre outros.

 

Essa prosperidade atinge seu ponto culminante durante o reinado de Harun al-Rashid, no início do século IX. Nesse período, Bagdá viu aumentar seu contingente de estudiosos e senhores de grandes riquezas. Tornou-se um grande centro comercial, científico e artístico. Também nesse período para lá se transferiram os dois grandes centros educacionais judeus, as ieshivot de Sura e Pumbedita, cada uma liderada por um Gaon (eminência, em hebraico). O título usado pelos diretores das academias da Babilônia do séc. VI ao séc. XI denota a sua liderança espiritual como guardiões da tradição de autoridade emanada do Talmud Babilônico. Respondiam perguntas formuladas por judeus de todo o mundo sobre o significado dos textos talmúdicos, iniciando assim a célebre “literatura das Responsas”. Eram estes Gaonim que, ao lado do Exilarca, governavam todos os aspectos da vida comunitária.

 

Foi justamente a importância de Bagdá como centro de estudo judaico e de grande erudição o que fez com que a autoridade dos Gaonim fosse aceita pelos judeus do mundo todo. Os primeiros textos sobre leis e preceitos religiosos foram elaborados na cidade e de lá enviados para outras comunidades em diferentes países. O primeiro livro de rezas foi preparado especialmente para as comunidades da Espanha e do Cairo.

 

Essa autoridade suprema dos Gaonim em questões religiosas continuou até os séculos X - XI, quando surgiram novos centros de estudos judaicos na África do Norte, na Europa cristã e na Espanha moura. Segundo os historiadores, talvez uma das maiores contribuições do período gaônico tenha sido o desenvolvimento do método de ensino do Talmud, ainda utilizado nos tempos contemporâneos.

 

A história continua e sucedem-se os conquistadores. Em 945, a cidade de Bagdá é conquistada por muçulmanos shiitas, para ser depois tomada pelos turcos, por volta de 1058.

 

Assim que Bagdá foi atacada por conquistadores estrangeiros, iniciou-se um período de decadência e corrupção interna. A liderança judaica local também foi afetada e, apesar de a comunidade continuar a prosperar, houve um enfraquecimento da liderança espiritual. Somente no século XII, o poder do Exilarca volta a crescer junto ao califado. Um texto desse período revela a sua importância: “Cavaleiros, judeus e não judeus, escoltavam-no toda quinta-feira quando ele ia visitar o grande califa. Arautos seguiam à sua frente, proclamando: ‘Abram o caminho para o nosso senhor, o filho de David’. Ele está montado em um cavalo e veste roupas de seda...o califa se levanta e o encaminha ao trono...e todos os príncipes maometanos levantam-se diante dele”.

 

Segundo um relato de 1170 de Benjamim de Tudela, cerca de 40 mil judeus viviam pacificamente em Bagdá. A comunidade possuía 28 sinagogas e dez colégios religiosos. Outros relatos do mesmo período dão conta de que a comunidade judaica era composta por médicos, perfumistas, lojistas e acadêmicos, entre outras profissões.

 

A era áurea de Bagdá encerrou-se definitivamente com a conquista da região por Hulagu, um neto do Gengis Khan, em 1258. Os exércitos mongóis saquearam a cidade, massacrando, sem piedade, sua população. Se, inicialmente, os conquistadores preservaram a população judaica, até indicando um judeu para o cargo de governador supremo da Babilônia , a situação foi-se alterando à medida que os mongóis se convertiam ao islamismo.

 

A dominação continua se alternando entre persas e turcos. A população judaica a todos sobrevive, apesar de sua vida ter ora períodos de tranqüilidade, ora de perseguições.

 

Império Otomano

 

Na Baixa Idade Média (século XI ao XV) os otomanos, procedentes das regiões armênias, iniciaram destemidas conquistas. Em 1453, depois da tomar Constantinopla, conquistaram o Islã e suas grandes concentrações urbanas. Em 1534, os turcos-otomanos tomaram Bagdá, lá permanecendo por quatro séculos. Há poucas informações detalhadas sobre a mesma até meados do século XVI, quando grupos de judeus que fugiam da Inquisição refugiaram-se na outrora suntuosa cidade dos califas. Foi somente a partir dessa época que para lá retornaram em números significativos. Encontraram uma Bagdá bem diferente. Os institutos de estudos dirigidos pelos gaonim haviam desaparecido, assim como também o cargo de “Príncipe do Cativeiro”, com todas as honras garantidas pelos califas. Em seu lugar, foi instituído o cargo de Nassi, isto é, presidente da comunidade.

 

Bagdá, no entanto, ainda mantinha uma posição estratégica enquanto rota de comércio. Pela cidade passavam mercadorias vindas da Europa rumo ao Golfo Pérsico, além das caravanas que, atravessando o deserto de Alepo, na Síria, buscavam o Mediterrâneo e a Europa, garantindo-lhe o status de importante centro comercial. A cidade prosperava, levando consigo, nesse ímpeto, os judeus, cujas fortunas aumentaram consideravelmente durante o império turco-otomano.

 

Quando o sultão Suleimã, o Magnífico, entrou em Bagdá, em 1534, vinha acompanhado por um médico e vários estudiosos judeus. No entanto, apesar da tolerância do soberano, cada cidade tinha um governante local e o tratamento destinado à população judaica dependia de suas idéias e desejos. As perseguições das autoridades não eram, no entanto, o único problema enfrentado pela comunidade. As molés-tias e as intempéries climáticas também os afetavam. Em 1742, uma epidemia matou quase todos os mais importantes rabinos da cidade e os membros do Beth Din. O novo líder espiritual vindo de Alepo também caiu vitimado pela moléstia. Cinco famílias oriundas da mesma cidade conseguiram sobreviver e ajudaram a aumentar a população judaica local, que decrescera sensivelmente.

 

 A Era Moderna

 

Assim sendo, em função das mudanças na relação entre judeus e governantes que variavam a cada novo califa, a partir do século XIX os judeus começaram a buscar outros locais para viver, entre eles a Índia, Pérsia e também Alepo, antes de finalmente chegarem à Europa e, posteriormente, às Américas. Os que permaneceram em Bagdá, porém, tentaram fazer reviver o brilho do passado, chegando a fundar um instituto de ensino superior, o Beth Zilkha, em 1840. Foi nesse local que estudaram rabinos que, anos mais tarde, deslocaram-se para outros países, no desempenho de sua função. Grande parte dos rabinos sefaraditas de Israel é oriunda do Iraque. A instrução, no entanto, manteve-se restrita a determinados círculos e o papel de difundir o ensino entre a população coube às escolas ocidentais, da rede da conhecida “Alliance Israélite Universelle”. Como resultado, o ensino laico substituiu gradativamente a educação religiosa.

 

No início do século XX viviam no Iraque mais de 80 mil judeus, dois terços dos quais em Bagdá. Em 1908, o governo turco fez uma série de reformas, concedendo aos judeus igualdade de direitos. A partir de então, poderiam ocupar cadeiras no parlamento e trabalhar em instituições públicas nas cidades de Bagdá, Basra e Mosul. Os mercadores ampliaram suas atividades e, pela primeira vez em sua história, a comunidade judaica da região vislumbrava um futuro no qual seus membros não mais seriam considerados “cidadãos de segunda classe”. Quando a Grã-Bretanha assumiu o mandato sobre a região, depois da Primeira Guerra Mundial, criou o Reino de Iraque. O rei Faisal, o novo monarca imposto pelo Mandato Britânico, concedeu liberdade religiosa, de educação e de trabalho para todos os judeus de Bagdá, os quais, segundo ele, tiveram papel determinante para o desenvolvimento e progresso da região. Constituíam cerca de 25% da população de Bagdá e controlavam o comércio da cidade. Muitos foram indicados para cargos de confiança no governo e outros tantos tornaram-se representantes no Parlamento e no Senado. No entanto, esse período de tranqüilidade para os judeus terminou com a morte do rei Fasal em 1932, um ano após a independência do Iraque.

 

A bonança terminou com a ascensão ao poder de seu filho Ghazi, que o sucedeu e não nutria os mesmos sentimentos pelos judeus. Coincidentemente, no mesmo período, Hitler chegava ao poder, sendo seu livro “Mein Kampf” traduzido para o árabe e uma embaixada alemã era aberta no Iraque. Rapidamente começaram as perseguições contra todas as minorias, não apenas a judia.

 

O governo de Ghazi foi vítima de um golpe de estado em 1936, mas o ódio contra a população judaica se perpetrou através dos anos, como decorrência da crescente simpatia oficial pelas idéias e táticas nazistas. Atentados a bombas contra instalações judaicas tornaram-se cada vez mais comuns, sob o pretexto de abrigarem atividades sionistas – o que era totalmente proibido no Iraque . Ademais, em 1939, Bagdá tornou-se o refúgio do abertamente anti-semita e totalmente pró-Alemanha Raschid Ali, o Grande Mufti de Jerusalém.

 

Em seu ápice, na década de 1940, a comunidade judaica do Iraque totalizava 130 mil pessoas, que despontavam em cargos governamentais, no comércio, na medicina e nas artes. Viviam, em sua maioria, em Bagdá, e a segunda maior concentração de população ocorria na cidade portuária de Basra. Nos anos que antecederam a II Guerra Mundial, mais da metade dos importadores e exportadores do Iraque eram judeus, segundo Itamar Levin, autor do livro “Locked Doors: The Seizure of Jewish Property in Arab Countries” (A portas trancadas: o confisco das propriedades de judeus nos países árabes). A comunidade orgulhava-se, também, de seus quatro grandes colégios judeus, que formava seus alunos em inglês, árabe, francês e hebraico.

 

Em 1941, simpatizantes do nazismo e do Grande Mufti incentivaram uma rebelião contra o governo iraquiano, partidário da Grã Bretanha. Derrotado, o Mufti fugiu para Berlim. Apesar da derrota e da repressão a seus adeptos, um violento pogrom tomou conta de Bagdá. As tropas britânicas na região recusaram-se a intervir, alegando não ter recebido ordens para tal. Foi uma das datas mais sangrentas na história de violência contra a população judaica do país. Cerca de 180 pessoas foram assassinadas e mais de mil feridas por uma multidão armada, com a complacência da polícia e do exército. A violência desses eventos levou muitos judeus a deixaram o Iraque, rumo à Índia, Pérsia, Indonésia e Cingapura, onde, graças a seus contatos comerciais, algumas comunidades de judeus iraquianos conseguiram estabelecer-se.

 

 

 

 Tempos modernos

 

Considerada uma das comunidades judaicas mais antigas do mundo, cuja origem remonta a quase 2.700 anos, os judeus do Iraque têm sido vítima de perseguições constantes pelos governos que se sucederam no poder. A partir do violento pogrom de 1941 e, mais especificamente, após a criação do Estado de Israel, em 1948, uma certeza tomou conta dos judeus iraquianos: sua vida, já bastante difícil, tornar-se-ia cada vez mais complicada. As medidas adotadas pelas autoridades nos anos seguintes infelizmente o comprovaram.

 

Em 1948, havia aproximadamente 150 mil judeus no Iraque, mas a perseguição orientada pelo governo forçou-os a fugir e, segundo os dados do The Jerusalem Post de 28 de setembro de 2002, atualmente sobraram apenas 38 judeus em Bagdá e mais uma meia dúzia no norte do Iraque, região controlada pelos curdos.

 

Os judeus iraquianos foram, em sua maioria, para Israel, apesar de o Iraque congelar todo o patrimônio dos que para lá se dirigiam. As autoridades permitiam a partida dos judeus devido à pressão internacional, aliada ao desejo de apossar-se dos seus bens e à idéia de que a absorção de grandes contingentes causaria o colapso do jovem Estado Judeu, relata Itamar Levin na obra acima citada. Hoje em dia, uma das mais ricas famílias judias do Iraque, que era proprietária do terreno onde fica o palácio presidencial de Saddam Hussein, vive praticamente na miséria. Os bens judeus confiscados pelo Iraque são avaliados em mais de US$ 4 bilhões, em termos atuais, conta o autor.

 

Entre as determinações impostas pelo Iraque aos judeus estavam restrições de caráter econômico e de liberdade pessoal, além da constante violência física incentivada pela retórica anti-semita, disfarçada de anti-sionismo. A situação tornou-se tão grave que, em 1949 e 1951, o governo do recém criado Estado de Israel ordenou a realização das operações “Ezra” e “Nehe-mias”, com o objetivo de resgatar os judeus daquele país. Cerca de 104 mil foram evacuados e mais 20 mil conseguiram sair clandestinamente através da fronteira com o Irã.

 

Em represália, em 1952, os judeus foram proibidos de emigrar e, a partir de 1960, de vender suas propriedades, além de serem obrigados a ostentar uma estrela amarela em seus cartões de identidade – medida semelhante à adotada durante a II Guerra Mundial, quando os nazistas os obrigavam a colocar uma estrela amarela em suas roupas. Foram-lhes também vedados os cargos públicos.Tiveram seus bens confiscados, seus negócios fechados, seus telefones desligados e as autorizações de viagem canceladas, além de serem mantidos em prisão domiciliar por longos períodos, de acordo com o humor das autoridades iraquianas.

 

A Guerra de Seis Dias de 1967 fez recrudescer ainda mais o anti-semitismo, que chegou ao ápice em 1969. Naquele ano, o julgamento e posterior enforcamento público de onze judeus, acusados de pertencer a uma rede de espionagem, provocou forte condenação internacional. O governo, no entanto, negou as acusações de anti-semitismo, afirmando que “apenas enforcara 11 espiões”. O mais chocante no episódio foi o fato de as autoridades terem convocado a população para assistir o enforcamento, conclamando-os a “vir para se divertir”. Cerca de 500 mil pessoas – homens, mulheres e crianças – desfilaram e dançaram diante dos corpos expostos, cantando “morte a Israel” e “morte a todos os traidores”.

 

No início da década de 1970, as autoridades permitiram a saída dos judeus que ainda estavam no país. No entanto, muitos do que haviam permanecido eram muito idosos e já não tinham condições de partir. Raramente eram realizados casamentos e bar-mitzvot. O último casamento foi realizado em 1980. Em 1991 só restavam no Iraque 150 judeus. O último rabino morreu em 1996. Os rituais fúnebres não puderam ser realizados, pois ninguém os conhecia. Atualmente há apenas uma sinagoga aberta no Iraque, na cidade de Bataween, outrora um dos principais bairros judaicos de Bagdá.

 

Até hoje, apesar de poderem seguir a sua religião, os pouquíssimos judeus que restam ainda são proibidos de ocupar cargos públicos ou trabalhar em empresas estatais. A retórica anti-semita e antiisraelense se manteve até os dias atuais. Nos discursos oficiais, os judeus são denominados de “descendentes de macacos e porcos e adoradores do tirano infiel”. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, os membros remanescentes da comunidade continuaram proibidos de viajar e de manter contatos com grupos judaicos do exterior. Agora, com a nova Guerra no Iraque, os poucos judeus que ainda lá vivem se perguntam qual será o seu destino.

 

Os judeus do Iraque têm um antigo ditado:  “Bagdá é um barril de ouro, mas em seu interior, há uma serpente”.  Alguns dos judeus que saíram do Iraque vêem o ouro; outros vêem a serpente.  Mas, pensando melhor, devem ser unânimes no fato de que jamais haverá um futuro judeu no Iraque.

 

 

Bibliografia:

• Stillman, Norman A., The Jews of Arab Lands in Modern Times, Ed. The Jewish Publication Society

• Gubbay, Lucien e Levy, Abraham, The Sephardim - Their Glorious Tradition from the Babylonian Exile to the Present Day, Ed. Carnell Limited

• Levin, Itamar, Locked Doors: The Seizure of Jewish Property in Arab Countries.

 

24 de mai. de 2005

 Lançamento de Livro

Lançamento de Livro

 

LANÇAMENTO
Terça-feira, 31 de maio de 2005
A partir das 18h30
Livraria Cultura Av. Paulista, 2073 Conj. Nacional
Tel.: (11) 3170-4033, São Paulo, SP

A Editora Perspectiva, a Livraria Cultura, a Cátedra Jaime Cortesão e o LEI - Laboratório de Estudos sobre a Intolerância-USP convidam para o lançamento do livro

PRECONCEITO RACIAL EM PORTUGAL E BRASIL COLÔNIA de Maria Luiza Tucci Carneiro

Trata-se de livro pioneiro sobre os estatutos de limpeza de sangue na história da Espanha, Portugal e Brasil Colônia, a comprovar, como izia Charles Boxer, que nossos colonizadores eram muito mais racistas do que supunha Gilberto Freyre.

Tucci Carneiro relança o livro com atualização bibliográfica e
documental e discute o significado do mito da pureza de sangue, suas
bases institucionais, sua história, desde as origens até sua extinção,
no século XVII, focando o assunto nos cristãos-novos. Entretanto, os
estatutos não se limitaram a estigmatizar os cristãos-novos, mas se
estenderam aos mouros, índios, ciganos, negros, mulatos, enfim, aos
descendentes dos que na época eram chamados, sem nenhum pudor, de "raças infectas". O assunto tem sido redescoberto pelos historiadores em suas pesquisas sobre o passado. E a questão do racismo, com toda a polêmica sobre cotas, está na ordem do dia. Conhecer as bases do racismo àmoda antiga é essencial. Este livro nos ensina o por quê.

Maria Luiza Tucci Carneiro é historiadora livre-docente e Professora
Associada do Departamento de História da Universidade de São Paulo.
Seus temas de pesquisa incluem direitos humanos, intolerância aos
grupos étnicos, anti-semitismo no Brasil, censura, imigração judaica e
o Holocausto.




23 de mai. de 2005

Un texto escalofriante

Un texto escalofriante

 


El tenedor de libros de Auschwitz

Por Matthias Geyer

El oficial SS Oskar Gröning sirvió durante dos años en el campo de concentración Auschwitz. Contaba el dinero de los judíos muertos y estaba de guardia en la rampa cuando los trenes de carga descargaban su desdichada carga humana. Dice que no ha cometido ningún delito. Durante los últimos sesenta años, Gröning ha buscado otra forma de llamar a la culpa.

AP

Las vías del campo de Auschwitz-Birkenau en el 60º aniversario de la liberación en Enero 2005.

Los pájaros están cantando en el exterior; una suave y tibia brisa viene del jardín y entra delicadamente al living. Un hombre viejo, alto y poderoso, con su pelo blanco y ojos azules, está sentado en un sillón cerca del hogar. Tres ángeles se ven bordados en un mantel.
El hombre apoya su pierna derecha sobre un banquito. Es apacible, calmado y habla suavemente sobre la historia del hombre que una vez fue.
"Llegó un nuevo embarque. Había sido asignado a la rampa y mi trabajo era cuidar el equipaje. Los judíos ya habían sido llevados de allí. A mi alrededor el piso estaba cubierto de basura, restos de pertenencias desparramadas. De pronto escuché el llanto de un bebé. Yacía sobre la rampa envuelto en trapos. Una madre lo había dejado tal vez porque sabía que las mujeres con niños eran enviadas inmediatamente a las cámaras de gas. Vi a otro soldado SS soldado tomar al bebé por los pies. El llanto le había molestado. Estrelló la cabeza del niño contra el borde de hierro de una carretilla hasta que se hizo el silencio."
El hombre mira hacia el exterior de la ventana del living, casi inmóvil. Su pulgar va y viene sobre el borde de su asiento como un metrónomo. Afuera, el sol brilla sobre la prolija fila de casas de ladrillo de los alrededores, con jardines cuidadosamente atendidos, sin malezas. Oskar Gröning vive en un mundo prolijo y ordenado. Desabotona y levanta su manga izquierda. "Aquí," dice, "mire esto."
Hay una pequeña mancha azul sobre sus codos, el recuerdo de un tatuaje. "Estaba mal hecho," dice. Se suponía que era un cero, representando la sangre tipo 0. Todos en Auschwitz estaban tatuados, tanto prisioneros como guardias. Los judíos eran tatuados con su número como internos y los guardias SS con su tipo de sangre. Oskar Gröning fue miembro de los SS en Auschwitz durante dos años.
Sus sueños lo despiertan en gritos muchas veces. Los gritos se vuelven truenos, los truenos en murmullos y los murmullos en silencio. Son los sonidos de la muerte en las cámaras de gas.
Un mundo organizado en medio del terror
Gröning, sin embardo, no mató a nadie. No vertió Zyklon B en las hendiduras ni quemó pilas de muertos. Miró. Vio. Estuvo ahí. Shoqueado al principio. Luego indiferente. Se hizo rutina.
Vivía en un mundo organizado y su orden aseguraba que el terror de los campos de concentración pudiera ser compartimentado, apartado de los fundamentos de la civilización. El terror era gestado en claras estructuras jerárquicas y esquemas de servicio estrechamente regulados, designaciones de tareas y posiciones, que determinaban que alguien fuera un torturador y otro un tenedor de libros.
Gröning era un tenedor de libros, uno bien concienzudo. Contaba el dinero de los judíos, lo separaba y catalogaba y lo guardaba en una caja de seguridad. Era el tenedor de libros del terror.

Manfred Witt

Oskar Gröning en su hogar: Fue un victimario o un mero engranaje en el sistema?

Hay un álbum de fotos sobre la mesa ratona, la vida de Gröning en fotografías. Dos tercios de las fotos son en blanco y negro, el ultimo tercio en color. Pero las fotos no revelan nada de lo que quiere decir. Gröning solo quiere hablar, durante horas, días, "no importa cuánto tiempo," dice, "hablar ayuda."
Oskar Gröning, nacido en 1921, es uno de los escasos miembros de las SS que hoy aún vive. Su historia, una historia alemana, es una historia de seducción y fanatismo, de victimarios y cómplices, de vivir con culpa y de la búsqueda de otras palabras para llamarla. Es una historia del intento de un hombre por superar un pasado tan oscuro que no tiene fin.
Abre el álbum. Las delgadas hojas entre las páginas susurran y hojea las fotos familiares de su padre, abuela, abuelo, tía Marie, fotos de coches de bebés y de bicicletas, hasta que llegan las imágenes de hombres en uniforme. Su padre era miembro del ”Stahlhelm" (Cascos de acero), un grupo paramilitar de nacionalistas alemanes que lucharon contra el Pacto de Versalles, contra las exigencias por las reparaciones de la Primera Guerra Mundial, más tarde contra la república de Weimar entre las dos guerras y contra la democracia. "Papá actuó en obras de teatro nacionalistas que se daban en salones ubicados detrás de bares locales," dice Gröning. En una obra, un alemán recibió un disparo de un francés porque había resistido la ocupación francesa de pos-guerra en la zona industrial alemana del Ruhr. "Disciplina, obediencia, autoridad, así es como fuimos criados," dice Gröning. Su madre murió cuando tenía 4 años.
Los judíos eran los comerciantes sucios"
Continúa hojeando el álbum, buscando claramente algo. "Acá," toca una foto con su dedo, "mire el modo en el que acostumbrábamos a marchar."
La foto, tomada en 1933, muestra un grupo de chicos usando uniformes militares, marchando tras una bandera. Una bandera con una svástica cuelga en una casa. El joven Oskar, marchando en la primer fila, tiene doce años y es un miembro del ala juvenil del "Stahlhelm."
-¿Qué significaba el uniforme para usted?
"Me fascinaba. Aún hoy, cuando escucho música militar…" su voz tiembla y se quiebra. "Perdóneme, pero es un experiencia tal para mi, tan elevada, aún hoy..."
Cerca de la casa de su padre había un negocio de venta de objetos de hierro cuyo dueño era un judío llamado Selig. Tenía una hija, Anne, y los dos chicos solían jugar a las bolitas en la calle. Un día unos hombres de la SA colocaron en el frente del negocio un cartel que decía: "Alemanes, no compren a judíos." Luego de eso, Gröning y Anne comenzaron a jugar en el patio en lugar de hacerlo en la calle.
-¿Qué pensaba usted cuando vio ese cartel?

DPA

Gröning dice no conocer nada sobre los juicios sobre Auschwitz de 1964.

"Nada, completamente nada," dice Gröning. Su voz se ha aquietado y es firme otra vez.
Una puerta se abre y su esposa deja una bandeja con torta sobre la mesa. La bandeja está cubierta con un envoltorio plástico. "Para después," dice. Y se va. Prefiere no escuchar.
Él espera hasta que su mujer ha cerrado la puerta de casa. Luego dice: "¿Ve? Para nosotros los judíos eran comerciantes sucios, como los abogados que han tenido siempre tan sombría reputación cuando se trataba de dinero. La gente decía: Los judíos siempre se aprovechan de los cristianos. Es la forma habitual en la que se conducen."
-¿Acaso el padre de Anne Selig se aprovechó de la gente?
"Yo no lo pensaba entonces."
Oskar Gröning baja la pierna del banquito, se sienta erguido y comienza a cantar, calladamente al principio, luego más fuerte. "Y cuando la sangre judía comience a chorrear de nuestros cuchillos, las cosas volverán a estar bien."
"Mi honor es la lealtad"
La distinción entre el hombre de hoy y el del pasado se borran por un instante, cuando regresa al presente dice: "Entonces ni siquiera pensábamos en lo que estábamos cantando."
Continúa hojeando el álbum. Tiene escrito en tinta azul bajo una foto con bordes dentados "1941, con tía Anna". Muestra al joven Gröning, alto, rubio y usando un uniforme con las letras SS cosidas en el cuello. Está sentado en el brazo de una silla y sonríe, obviamente muy orgulloso de su uniforme.
Había visto imágenes de los SS en informes semanales de las noticias. Pensaba que eran inteligentes, la unidad más inteligente de todas. Se ofreció como voluntario en1940.
-¿Por qué?
"Era entusiasmo espontáneo, una sensación de no querer ser el ultimo del juego, de quedar afuera de todo lo que sucedía."
Ya en las SS, durante dos años, Gröning trabajó en la oficina de pago. En octubre de 1942, recibió nuevas órdenes. Un oficial superior le dijo que había sido asignado a un trabajo especial, uno de la mayor importancia para el pueblo alemán, para que Alemania alcanzara la victoria definitiva. Le dijo que debía pensar en su juramento, en las palabras inscriptas en su faja. "Mi honor es la lealtad." Y le dijo por último que no podría revelar jamás la naturaleza de su nuevo destino, a nadie, por el resto de su vida.

AP

Montañas de pertenencias de los prisioneros exhibidas en el museo de Auschwitz.

Se oye la campanada de un reloj en el living. Son las seis en punto y Oskar Gröning ha estado hablando durante las últimas cinco horas. Come la torta y sigue hablando. En ese punto de su historia, el joven Gröning ha llegado a Auschwitz.

-¿Tal vez el viejo Gröning quiera un descanso?
"No, no, no me molesta para nada," dice. Trae una botella de agua mineral de la cocina. Su esposa aún no ha vuelto.
Gröning tiene 21 años cuando llega a  Auschwitz en un día de octubre. Llega en un tren que viene de Katowice, y es llevado a su lugar en las barracas administrativas. Los demás, que ya estaban de antes, comienzan a poner la mesa para la cena: sardinas y jamón, vodka y rhum.
Los SS están cómodos en este campo. Pero debe haber algo particular respecto de ello, piensa Gröning. Toman mucho. Después, se abre una puerta y alguien anuncia que ha llegado un nuevo transporte. Tres hombres se ponen de pie de un salto, se ajustan las fajas y toman sus pistolas.

AP

Gröning  vigilaba que nadie robara los equipages de los prisioneros en la rampa de Auschwitz.

Gröning quiere saber qué está pasando. Alguien dice: "Llegaron judíos, y en estos momentos están siendo admitidos en el campo. Eso es si tienen suerte."
"¿Qué quiere decir?" pregunta Gröning.
"Quiere decir que algunos serán exterminados," dice otro hombre.
Gröning es conducido la mañana siguiente a una oficina. Le informa a su oficial superior que ha sido entrenado en tareas bancarias. Lo asignan pues a “Administración del dinero de los internos." Un asistente le instruye en sus nuevos deberes y le informa que los judíos deben entregar su dinero ni bien llegan al campo. Es colocado en una caja de madera y el trabajo de Gröning será ordenarlo, clasificarlo y, de tanto en tanto, llevarlo a una oficina administrativa de Berlín.
Le dice también que la mayoría de los judíos son conducidos a las cámaras de gas. Al día siguiente, Oskar Gröning comienza a contar el dinero.
Cree en Adolf Hitler y en Joseph Goebbels. Cree que es el deber de los alemanes la destrucción del judaísmo global. Cree que los alemanes perdieron la Primera Guerra por causa de los judíos. Y quiere que Alemania gane esta guerra.
Come bien, trabaja con diligencia y duerme bien. Los hombres de las SS duermen en camas confortables cubiertos con edredones suaves. Habían pertenecido a los judíos.
Luego de dos meses en el campo, Gröning recibe una instrucción adicional. Más y más trenes llegan a la rampa, y alguien debe vigilar que ningún equipaje sea robado. Es en el primer día de esta nueva asignación que presencia cuando la cabeza del bebé es estrellada contra la carretilla.
Esa noche, acostado en la cama esa noche, no puede dormir. Te metiste en una situación muy fea, piensa. Dibuja una línea entre los excesos individuales y el asesinado masivo cometido por la sociedad como un todo. Cree que los excesos son barbáricos, pero que el asesinado masivo es legítimo.
Se dirige al oficial al mando y le dice: "Si esta es la manera en que las cosas son hechas aquí, preferiría ser transferido." El oficial responde: "Lo que viste el otro día fue ciertamente algo fuera de lo común. Pero firmaste una carta de compromiso. Es tu deber que servir donde fuiste destinado."
Clasificando el dinero de los muertos
Gröning vuelve al orden del terror. Es ascendido de dirigente de tropa a delegado de la compañía. Vigila la rampa cuando es destinado allí, y cuenta el dinero cuando llegan las cajas de madera. Lo llama "dinero sin dueños." Clasifica zlotys polacos,  dracmas griegos, francos franceses, guilders holandeses, liras italianas, el pillaje de una comunidad global.
A la noche, luego de haber completado sus tareas, Gröning cena en la barraca, juega a las cartas con sus camaradas y su oficial superior. A veces sus compañeros están borrachos cuando se van a acostar y usan sus pistolas para apagar la luz. Gröning se une los fines de semana a un grupo para hacer gimnasia y deportes no lejos de la rampa y de la cámara de gas. Se divierten mucho juntos.

DPA

La fábrica IG Farben en Auschwitz. El trabajo esclavo de los internos se ocupaba en hacer el veneno con el que serían gaseados los judíos.

Una noche lo despierta un sonido de silbatos. Los judíos han escapado. Corre en la oscuridad hasta que llega a una granja llena de gente desnuda que es arreada dentro de la casa. Ve a un oficial superior cerrar la puerta, ponerse una máscara anti gas, abrir una lata y derramar su contenido en una abertura. Luego oye gritos. Los gritos se hacen un ruido atronador, los truenos se vuelven murmullos, y luego sobreviene el silencio.
Vuelve a su barraca en compañía de otro hombre. Este dice: Conozco un atajo. En el trayecto, le cuenta a Gröning lo que sucede cuando los cuerpos son quemados en los hornos. Se estiran, se enderezan, los penes se ponen erectos, dice.
El atajo hace pasar a los dos hombres por una pira de cuerpos recientemente cremados. Gröning se acerca para ver qué sucede cuando un ser humano es quemado.
Envía otra solicitud de transferencia. Y luego otra. En septiembre de 1944, lo envían a una unidad de campo y lucha contra los aliados durante la ofensiva en los Ardennes.
La noche ha comenzado a oscurecer el jardín de Oskar Gröning. Contó la historia de su vida en Auschwitz, sobriamente, como si relatara un documental. Se pone de pie para traer más agua mineral. "Siga adelante, pregúnteme más."
Algo horrible pero necesario
-¿Qué pensaba cuando se dio cuenta de que los judíos estaban siendo gaseados en Auschwitz?
"Que era una herramienta para llevar adelante la guerra. Una guerra con métodos de avanzada."
-Pero usted no estaba en la guerra. Estaba en una fábrica cuya tarea era un asesinato sistemático.
"Si uno estaba convencido de la necesidad de la destrucción del judaísmo, ya no importa cómo se hace la matanza. Ya en 1939, Hitler dijo en un discurso que si los judíos forzaban a los alemanes a una nueva guerra, significaría el fin del judaísmo en Europa."
-Pero hay una diferencia entre vitorear a Hitler como parte de una multitud anónima y trabajar en una máquina mortífera.
"Sí, hay una diferencia. Pero, infortunadamente, sucedió que me llevaron, a mí, Oskar Gröning, al campo donde las cosas por las que todos vitoreaban estaban sucediendo en realidad. Y luego, en un punto uno simplemente estaba allí y el único sentimiento que quedaba es: Soy parte de este hecho necesario. Un hecho horrible, pero necesario."
-¿Qué sentía cuando los judíos eran llevados a la cámara de gas?
"Nada, debo decir. Porque lo espantoso no era obvio. Cuando uno sabe que está habiendo una matanza, uno también sabe que hay gente muriendo. Los horrores solo se me hicieron patentes cuando escuché los gritos."
-¿Sería correcto decir que usted se habituó a Auschwitz?

DPA

Gröning creía en las palabras de Hitler de que los judíos debían morir.

"Me instalé pronto. O mejor dicho: fui parte de una emigración interna. En parte vivir en Auschwitz era perfectamente normal. Había una verdulería donde también se podían comprar huesos para sopa. Era como una pequeña ciudad. Tenía mi unidad y las cámaras de gas eran irrelevantes para esa unidad. Había ese aspecto de la vida en Auschwitz, y también estaba el otro, y ambos estaban más o menos separados."
Son las 8:30 de la noche. La puerta de entrada se abre y entra su esposa. Pregunta si queremos que haga sándwiches de queso. Sugiere que podría dejarlos preparados y salir a visitar a una vecina.
Cuando Gröning volvió de un campo británico para prisioneros de guerra en 1948, le dijo: "Muchacha, te pido que nos hagas un favor a ambos: no preguntes." Todavía no pregunta.
Gröning me ofrece continuar con la entrevista en un hotel. Quiere seguir adelante. Quiere arreglar las cuentas.
A la mañana siguiente dice que durmió profundamente. Había tomado un somnífero. Su mujer ya se fue de la casa. Hay una botella de agua mineral sobre la mesa ratona. El álbum de fotos ya no está, reemplazado ahora por documentos, documentos que podrían absolverlo. Algo así como los certificados de logros de Oskar Gröning.
Un pequeño elemento en la estructura
Un documento lleva como referencia el número VP-55b/9.44/Zö/IG. Es una carta del comando de los SS en Berlín confirmando su traslado. "El mencionado ha servido voluntariamente en el frente," establece el documento.
El segundo documento es una carta de la corte del distrito de Duisburg. La carta establece que Gröning es convocado para testificar como testigo contra un miembro de las SS acusado de haber asesinado a internos en Auschwitz.
Oskar Gröning subrayó con tinta azul seis palabras en esta carta.
"Convocado para testificar como testigo." No como acusado. Es inocente, al menos ante la ley.
Cuando Gröning volvió del campo de prisioneros de guerra, fue a vivir con sus suegros. Un día estaban a la mesa, cenando, cuando el padre de su suegra dijo: "¿Cómo sé que no estoy sentado acá frente a un asesino? ¿O de un potencial asesino?"
Golpeó la mesa con su mano y respondió: "Estoy sentado acá porque no soy culpable. No fui un victimario, y en ese sentido soy un ser humano honorable."
Oskar Gröning, el ser humano, un pequeño elemento en la estructura jerárquica de  Auschwitz. Así es como se sentía, y así es como se siente hoy. Pero son pocos los que acordarían con él.
En la noche anterior, cuando Gröning ya dormía, la televisión había pasado un documental inglés sobre la liberación de los campos de concentración. La película no diferenciaba entre los que asesinaron y los que contaban el dinero de los asesinados. Mostraba hombres en uniformes de la SS y montañas de cadáveres. Monstruos y sus víctimas.
"No miro ese tipo de cosas. Es inconducente. Sé qué aspecto tienen los cadáveres," dice Gröning. Su voz es fría y ausente. Una lágrima se agolpa en su ojo izquierdo.
Las imágenes cuentan otra historia. Dicen que es culpable. Las fotos que Gröning muestra son más suaves, menos radicales, no tan claras. Dicen que es inocente.
Gröning debe continuar con su vida cuando vuelve del campo de prisioneros de guerra en 1948. No desea ser perturbado.
Desde entonces, nunca miró nada, ni escuchó nada o ni leyó nada que pudiera llevarlo de vuelta al campo. No sabe sobre el juicio de Auschwitz que comenzó en 1963, un juicio que presentó por primera vez a la joven democracia alemana  los detalles de la máquina de exterminio. "No sé nada sobre eso," dice.

DPA

Gröning todavía sin responder la pregunta de su propia culpa.

En 1968, cuando los hijos ya adultos, estaban llevando a juicio a la generación de sus padres, sus propios hijos tenían 26 y 19 años. Fueron a la universidad y volvían poco a la casa. Sabían que su padre había estado en Auschwitz, pero nunca hablaban con él sobre eso. No tenían preguntas.
"No nos importaba," dice Gröning.
Ignorando el pasado
En 1979, se emitió por la televisión alemana la serie norteamericana "Holocausto”. La pintura mostraba el destino de una familia judía en un relato de ficción. Fue una lección de historia para las familias alemanas y todo el mundo hablaba sobre ello. "La lista de Schindler" fue un hecho pasajero comparado con la serie "Holocausto".
"Nunca supe de su existencia," dice Gröning.
Hay solo alguien con quien Oskar Gröning dialoga sobre la verdad de lo sucedido en aquellos años: Dios. Quiere liberarse de algo que siente pero no sabe cómo llamarlo. ¿Culpa? ¿Es un victimario? ¿Un cómplice? O, según él cree, ¿ninguno de los dos? Se hace las mismas preguntas que un país entero. Pero se las plantea a sí mismo, acá en su living. Y no recibe respuestas.

Cuando al guerra termina, Gröning comienza una vida normal, de clase media, trabajando en una pequeña fábrica como liquidador de sueldos. Nadie sabe lo que había hecho. Se siente seguro si sólo se ocupa de dinero. Fue siempre su modo de ser. Tiene un perro salchicha y colecciona estampillas. Pertenece a un club filatélico. En 1985, asiste a un encuentro anual del club. Está con otro coleccionista charlando sobre estampillas y política. Escucha el comentario: "Es increíble que estén acusando a gente que niega el holocausto, si realmente eso no pasó."
Es un momento significativo en la vida de Oskar Gröning, una explosión, casi como si alguien hubiera pinchado un globo con una aguja. Gröning le dice: "Yo sé algo más acerca de todo eso; deberíamos conversarlo algún día." El otro coleccionista le da "La mentira de Auschwitz," escrito por el viejo nazi Thies Christophersen. Gröning devuelve el libro con algunas hojas escritas por él, su respuesta a Christophersen.
"Yo vi todo," escribe. "Las cámaras de gas, los crematorios, el proceso de selección. Un millón y medio de judíos fueron asesinados en Auschwitz. Yo estuve allí."
Era una carta para su propia conciencia.
Medio año después, sus notas fueron publicadas en una periódico neo nazi. Gröning ya no podía seguir oculto. Ahora corre hacia delante y ve finalmente una forma de salvarse. Puede usar su pasado como moneda de cambio. Puede convertirse en el testigo estrella contra los acusados de difundir la mentira de Auschwitz. Busca una tarea, una misión en su futuro. Incluso también atenuantes.
Se sienta y escribe afiebradamente. Desde las ocho de la mañana hasta las diez de la noche, durante tres semanas. Llena con su máquina de escribir 87 páginas, su vida así como él la ve. En su historia, hay citas de libros de Sebastian Haffner. Pero Haffner intentó explicar el fenómeno Hitler, no el de Auschwitz. Gröning entrega las páginas a sus hijos. Cree que finalmente ha conseguido explicar algo. Que será exonerado. El padre espera ser absuelto.
Su hijo mayor, ya abogado, no contesta. El hijo menor, un filólogo, escribe preguntas en los márgenes. Los hijos expresan juicios silenciosos.
Buscando respuestas en la BBC
Gröning vuelve a sentarse y continúa escribiendo. Debe responder a las preguntas de su hijo menor. Hace copias con su texto y se las entrega a sus amigos. Difunde su historia al mundo como si repartiera panfletos por la calle. Sus amigos opinan Oskar que se sumergió en una ordalía. Nadie hace preguntas. Nadie quiere explicaciones.

-¿Tal vez las explicaciones sean imposibles?
"La gente les teme. Así es como lo veo," dice Oskar Gröning.
Se pone de pie y va al cuarto contiguo. Están allí su cama, su escritorio, su computadora, su biblioteca y sus cajas. En la biblioteca hay libros sobre nazismo y una Biblia. En las cajas hay copias de sus notas y cintas de video.
Una barrera invisible se yergue entre el living y el dormitorio. Los libros de cocina de su esposa están en el estante del living. Toma la caja con las cintas. "Nueve horas," dice.
Oskar Gröning estuvo frente a las cámaras de la BBC durante nueve horas para la filmación del documental sobre Auschwitz. La BBC quería el relato de un miembro de las SS, y el miembro de las SS quería el perdón.
Era un experimento. El miembro de las SS decía algo, y la BBC haría los comentarios. Por ejemplo, Gröning decía que Auschwitz era un buen destino para la gente de las SS, más agradable que pelear contra el Ejército Rojo en el frente oriental. El documental mostró a Gröning como quien fue, un lubricante en la máquina de la exterminación masiva. La BBC tampoco ofreció ninguna absolución.
Gröning quiere pasar los videos a DVD para poder verlos en la computadora de su cuarto. No quiere monopolizar el living. Dice que su esposa no quiere ver las cintas.
-¿Por qué no?
"Tal vez porque tiene miedo."
-¿De qué?

"Tal vez tiene miedo de la verdad."
Vuelve a living y se sienta en su sillón otra vez, listo para más preguntas.

-¿Es usted culpable?
Oskar Gröning mira la cinta de video que está sobre la mesa frente suyo. Reflexiona sobre la pregunta un largo tiempo. Le es imprescindible encontrar las palabras correctas. Luego dice: "La culpa tiene relación con acciones, y debido a que creo que no fui un victimario activo, no creo ser culpable."
-Si no fue un victimario, ¿qué fue? ¿Un cómplice?
"No lo sé. Evito la pregunta; me pone en dificultades. Cómplice es demasiado para mí. Describiría mi rol como un ´pequeño engranaje en el mecanismo total´. Si eso puede ser descrito como culpa, entonces soy culpable, pero no voluntariamente. Legalmente hablando, soy inocente."
Argumentando sobre la culpa
-¿Y la moral?
"Desde un punto de vista cristiano, desde el punto de vista de los Diez Mandamientos, los mandamientos dicen: No matarás, ser un cómplice es ya una violación. Pero propone otra pregunta: las cosas que hice me convierten en asesino?"
-Usted se hizo cargo de una función en un sistema cuyo exclusivo propósito era el asesinato.
"Permítame ponerlo de otro modo: Me siento culpable ante el pueblo judío, culpable de haber formado parte de un grupo que cometió esos crímenes, aún sin haber sido un victimario yo mismo. Pido perdón al pueblo judío. Y le pido perdón a Dios."
Cuando la cinta de la BBC termina, dice: "Aun no encontré una respuesta." La está buscando desde hace 60 años.
Oskar Gröning dijo todo lo que puede decir. No hay más preguntas a ser preguntadas. Fue suficiente. Ahora todo lo que quiere es ser pereNVIADOeNdonado. Y si el perdón es imposible, querría al menos ser comprendido.
Camina hacia el jardín. Hay una pila de pequeños platos negros sobre el césped.  Gröning vertió 300 kg de alimento para aves sobre el pasto en el invierno pasado y colgó de los árboles 150 recipientes para alimentar a los pájaros. Ama a los pájaros. Uno hizo su nido hace poco en su buzón. A los pocos días apareció muerto. Alguien le había disparado con un arma.
"Casi me hizo llorar," dice Oskar Gröning.


Traducido del ingles por
Diana Wang. De la versión inglesa traducida del alemán por Christopher Sultan publicada el 9 de mayo de 2005 en el número especial sobre el 60º aniversario de la terminación de la guerra. Se la puede encontrar en

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