29 de abr. de 2005

Judeus em Sao Tomé e Principe

Judeus em Sao Tomé e Principe


Judeus em Sao Tomé e PrincipeA história de São Tomé e Príncipe, duas pequenas ilhas da costa ocidental africana, próximas à Guiné, inclui uma era trágica. Em 1493, um ano após os judeus serem expulsos da Espanha, uma grande porcentagem deles se refugiaram em Portugal, onde o édito de expulsão só foi decretado em 1496.

O rei Manuel I, de Portugal, na procura de fundos para financiar seu programa de expansão colonial, passou a cobrar dos judeus impostos exorbitantes, dando a eles pouco tempo para pagar e multas para aqueles que não pagassem a tempo.

O rei queria colonizar as ilhas de São Tomé e Príncipe (para "branquear a população", como ele mesmo colocou), mas os portugueses recusavam fixar-se naquelas ilhas cálidas e infestadas de crocodilos.

Como parecia pouco provável que a maioria dos judeus pagasse os impostos, por padecerem necessidades, o rei deportou seus pequenos filhos, de idade entre 2 e 10 anos, para São Tomé e Príncipe.

 No porto de Lisboa, não menos que 2000 crianças foram separadas de seus pais e postos em barcos como escravos (Rabi Samuel Usque relata isso em seu livro, "Os Sofrimentos e Tribulações de Israel"). Em um ano, apenas 600 crianças permaneciam vivas. Usque relata que quando os pais viram que a deportação era inevitável, eles passaram às crianças a importância de observar as Leis de Moisés; e alguns até casaram suas crianças.

Os esforços dos pais aparentemente não foram em vão, como relatam os rumores que chegaram ao Ofício da Inquisição em Lisboa de que em São Tomé e Príncipe havia incidentes de clara observância judaica. A Igreja Católica Romana foi grandemente afrontada.

O bispo nomeado a São Tomé e Príncipe em 1616, Pedro da Cunha Lobo, ficou atormentado com o problema. Em 1621 ele foi acordado por uma procissão, levantada para confrontá-los, e foi insultado tão sinceramente que em desgosto ele desistiu e pegou o primeiro navio de volta para Portugal.

Havia um certo fluxo de judeus comerciantes de cacau e açúcar nas ilhas nos séculos XIX e XX, dois deles estão enterrados no cemitério de São Tomé e Príncipe.Hoje ainda podem ser achados os descendentes das crianças escravizadas. Alguns costumes judaicos permanecem, embora misturados com os valores e cultura da sociedade crioula.

27 de abr. de 2005

Diagrama da Àrvore da Vida

Diagrama da Àrvore da Vida




O diagrama da Árvore da Vida é concebível em cada um dos quatro mundos da Cabala :
Em Atzilut às dez Sefirot são atribuídos dez Nomes Divinos, de acordo com as características das Sefirá, de forma que, sempre que determinado Nome é pronunciado, vibra a Seifrá correspondente.
As dez Sefirot em Atzilut são os dez nomes :
1. Keter - Ehieh .
2. Chochmá - Ihwh .
3. Biná - Elohim .
4. Chesed - El .
5. Guevurá - Iah .
6. Tiferet - Ihwh Elohim .
7. Netzach - Ihwh Tzvaot .
8. Hod - Elohim Tzvaot .
9. Iesod - El Shai Shadai .
10. Malchut - Adonai .
Em Briá, as Sefirot são governadas por arcanjos, de acordo com a seguinte relação :
1. Keter - Metatron .
2. Chochmá - Raziel .
3. Biná - Zafkiel .
4. Chesed - Zadkiel .
5. Guevurá - Samael .
6. Tiferet - Michael .
7. Netzach - Haniel .
8. Hod - Rafael .
9. Iesod - Gabriel .
10. Malchut - Sandalfon .
Em Ietzirá, as Sefirot recebem influências de hostes angelicais e de vibrações planetárias, de acordo com as relações:
hostes angelicais / vibrações planetárias
1. Keter - Chaiot Hakodesh. / Primeiros remoinhos.
2. Chochmá - Ofanim. / O zodíaco.
3. Biná - Arelim. / Saturno.
4. Chesed - Chashmalim. / Júpiter.
5. Guevurá - Serafim. / Marte.
6. Tiferet - Malachim. / Sol.
7. Netzach - Elohim. / Vênus.
8. Hod - Bnei Elohim. / Mercúrio.
9. Iesod - Querubim. / Lua.
10. Malchut - Ishim. / Terra.
Atualmente, com a descoberta dos planetas Urano, Netuno e Plutão, costuma-se associar Urano a Chochmá, Netuno a Keter e Plutão a Daat. Considerando a similaridade entre as características dessas Sefirot e as dos planetas descobertos, en termos de influências planetárias, o que reforça o principio Cabalístico da unicidade na Criação, de que tudo está em tudo e contém tudo, e que a separação é apenas uma impressão sensorial e temporária.
Em Assiá, a Árvore da Vida é comparavel ao corpo humano, sues membros e órgãos vitais, da seguinte forma :
Keter - Cabeça.
Chochmá, Chesed e Netzch - Lado direito do corpo.
Biná, Guevurá e Hod - Lado esquerdo do corpo.
Tiferet - Coração.
Iesod - Órgãos reprodutores.
Malchut - Pés.

As Sefirot nos quatro mundos, indica o processo duplo de involução / evolução, dispostas em diagrama convencional, denotam sua polivalência, bem como seu valor relativo, de acordo com determinado critério ou ponto de vista. Em outras palavras, isso significa, em termos de valores, que nada é absolutamente bom ou mal, superior ou inferior, ativo ou passivo, positivo ou negativo, que tudo depende de uma relção de troca, de uma determinada posição no espaço, ou de um determinado instante no tempo.
Assim, cada plano é teoricamente divido em dois, e cada metade pode ser concebida sob dois aspectos ou ponto de vista, enquanto algumas Sefirot podem ser concebidas até mesmo sob três aspectos, de forma que Keter é também Tiferet e Malchut.
Na realidade, a localização das Sefirot na Árvore da Vida e no diagrama dos quatro mundos representa estados ou níveis de consciência.
Localizar ou nomear uma Sefirá em uma determinada posição é uma questão de avaliação pessoal, nos casos subjetivos. No caso objetivo de determinada Sefirá em sua posição é concebida no contexto do plano mencionado em um determinado momento.
Em outras palavras, um homem, em um nivel de consciência atribuído a uma certa Sefirá em algum plano, encontra-se em estado superior em relação a um plano inferior, ou em estado inferior em relação a um plano superior.
Visualize o diagrama, para que esta idéia torne-se mais compreensível :
Astros e bençãos

Astros e bençãos

Astros e bençãos
Astros e bençãos
Quando, alguns dias após o início do mês judaico, avista-se a Lua, recita-se uma bênção denominada Kidush Levaná - literalmente, a "santificação da Lua", ou Bircat Ha'levaná. 

O judaísmo nos ensina que devemos agradecer e abençoar a D'us por tudo que está em nossa volta, pela criação do mundo e dos astros, por cada um dos elementos que compõem a vida e nos beneficiam.

No caso dos astros, uma bênção mensal é recitada somente sobre a Lua, pois além de ser o astro mais próximo de nós, sua luz ilumina a noite. E, diferentemente do Sol, que ilumina de forma constante e uniforme, a Lua tem um período em que não é vista. Por isso, quando ressurge e volta a banhar a noite com seu brilho prateado, entoamos nossa gratidão a D'us. ( N.R. A bênção do Sol é por sua vez feita de 28 em 28 anos quando recitamos uma bênção agradecendo a D´us pelo sol. A próxima ocorrência será em 2009.)

Kidush Levaná é um mandamento da Torá. É um importante ritual judaico que não deve ser confundido com o Kidush HaChodesh - a antiga prática do Sanhedrin - a Corte Suprema de Israel - que proclamava o dia em que se iniciava um novo mês judaico. O Kidush Levaná não afeta o calendário judaico e é um mandamento que, ao contrário do Kidush HaChodesh, aplica-se a todos os judeus do sexo masculino.

O Talmud discute e elucida a bênção de Kidush Levaná. Há várias leis que definem quando e como deve ser recitada. Apenas os homens ou os meninos que já saibam recitar as bênçãos têm a obrigação de recitar o Kidush Levaná. Por ser um mandamento positivo, as mulheres são isentas de seu cumprimento. A berachá deve ser recitada no mínimo três dias - e, no máximo, quatorze dias - após o molad - a Lua nova. Segundo o costume sefaradita e chassídico, baseado em obras cabalísticas, este período é de sete dias após o molad.

A bênção da Lua só pode ser feita à noite, após o surgimento das estrelas: mesmo que um minian - o grupo de dez homens judeus - já tenham rezado Arvit, a oração da noite, deve-se aguardar o anoitecer. O Kidush Levaná é recitado apenas quando a Lua está visível, de preferência após o término do Shabat. É importante, mas não necessário, recitá-lo na presença de um minian ou de, pelo menos, três outros homens judeus. Se uma pessoa estiver enferma, pode até dizer a berachá sozinha, em seu lar. Mas é necessário que enxergue a Lua através da janela ou da porta aberta.

Há, basicamente, dois motivos para o mandamento de Kidush Levaná. O primeiro diz respeito a D'us; o segundo, ao povo judeu. No Talmud, Rabi Yochanan ensina que aquele que recita a bênção da Lua é como se estivesse saudando a Presença Divina - a Shechiná. Um dos maiores sábios de nossa história, Rabeinu Yoná, explicou que quando saudamos a Lua, estamos saudando seu Criador, Mestre do Universo. Pois, como o rei David decanta em seus Salmos, pode-se perceber e apreciar a grandeza de D'us através de cada um dos elementos de Sua criação.

O segundo motivo para esse ritual é que a Lua simboliza a história do povo judeu. Aos nossos olhos, a Lua parece diminuir, chegando até a desaparecer completamente; mas sempre volta a crescer até chegar à fase de Lua Cheia. Este ciclo lunar simboliza a história de nosso povo. Houve épocas de escuridão - perseguições, opressão e assimilação. 

Mas os filhos de Israel sempre voltam a crescer física e espiritualmente. Quando a luz do judaísmo parece estar em perigo, prestes a ser ocultada, há uma reviravolta: toda queda é seguida por uma grande ascensão. Como a Lua Cheia numa noite de escuridão, o povo judeu - que nas palavras do profeta Isaías é a "luz entre as nações" - tem o mandado Divino de iluminar o mundo.

A Lua ensina o povo judeu a ter fé em D'us. Este tema é especialmente enfatizado em nossas orações do Shabat, quando recitamos, "pela manhã, cantarei Seus louvores, (mas) fé eu terei à noite" (Salmos 92:3). Simbolicamente, é durante a noite, que representa a severidade e as dificuldades, quando mais precisamos de fé. A Lua ilumina a noite, lembrando-nos ser a vida um ciclo, como uma Fonte de Luz e Esperança constantes que rege o Universo. Não é de surpreender que o primeiro mandamento dado por D'us ao povo judeu, mesmo antes do Êxodo do Egito, refere-se ao Rosh Chodesh - o novo mês - determinado pela Lua.

Por ser um tributo a D'us e ao povo judeu, o Kidush Levaná deve ser realizado com alegria. Um dos motivos pelos quais deve ser recitado de preferência após o Shabat é que os homens estão vestidos em seus belos trajes.

No mês de Menachem Av, o Kidush Levaná só é recitado após Tishá B'Av - o nono dia do mês. Em Tishrei, o mês que se inicia com Rosh Hashaná, a bênção só pode ser dita após Yom Kipur. A razão disto é que os sentimentos de tristeza que permeiam os primeiros dias de Av e a introspecção necessária durante os Dias de Julgamento não condizem com o sentimento de grande alegria inerente à berachá da Lua.

Durante a Santificação da Lua, pedimos a D'us que Ele nos proteja de nossos inimigos e que estes passem a temer o povo judeu. Após proferirmos estas palavras, dirigimo-nos a três pessoas e dizemos "Shalom Aleichêm": "Que a paz esteja entre vós", indicando que não nos estamos dirigindo a inimigos em nossa comunidade ou um povo. 

O Midrash revela uma outra explicação mística para este desejo de paz. Explica que a Lua tinha sido criada do mesmo tamanho que o Sol, mas teria reclamado a D'us: "O mesmo reino não pode ser regido por dois soberanos". 

Ao que D'us teria respondido: "Então, você, diminua em sua grandeza". Na Era Messiânica, a Lua "fará as pazes" com o Sol e D'us lhe devolverá todo o seu esplendor original. Conforme está descrito no texto de Kidush Levaná, a Lua terá a mesma grandeza e brilho que o Sol.

É muito importante ressaltar que esta bênção não é um culto à Lua. Os idólatras da antigüidade rezavam para a Lua e para outros astros celestiais, pois acreditavam que o mundo era regido por eles. O judaísmo proíbe isto terminantemente. Portanto, para que o Kidush Levaná não seja mal-interpretado, ele é seguido da reza "Alenu", que se inicia com as palavras: "É nossa obrigação louvar o Senhor de tudo". O último parágrafo desta reza termina com a afirmação que "Ein Od" - não há nada em nosso mundo - nem no Céu, nem na Terra - digno de ser adorado, além do Todo-Poderoso.

A gratidão é uma virtude intrínseca ao judaísmo. O povo judeu abençoa a D'us todos os dias do ano, louvando e agradecendo a Ele por todas Suas maravilhas e bondades. A Lua sempre foi de grande utilidade para o homem. Portanto, quando ela se renova a cada mês, emitindo luz que beneficia nosso mundo, nós, judeus, recitamos o Kidush Levaná. Através desta benção, afirmamos nossa fé em D'us e nossa confiança no brilho do povo judeu que, como a Lua Cheia, em toda a sua plenitude, "deve ser uma luz entre os povos".

25 de abr. de 2005

Surpresa

Surpresa

Os amigos de Yechiel Nahari planejaram-lhe uma surpresa: trouxeram sua mãe do Iêmen para assisti-lo desfilar na parada de sua formatura.

Por Yehudit Yechezkeli, no Yediot Ahronot

Ontem, pela manhã, o recruta da Polícia das Fronteiras, de 19 anos de idade, imaginava que o evento mais empolgante que o aguardava naquela manhã seria a cerimônia que marcava o fim de seu treinamento básico. Estava redondamente enganado! Seus comandantes e companheiros de Batalhão lhe tinham preparado uma surpresa muito mais emocionante…

A parada de formatura da Polícia das Fronteiras, ontem realizada nas redondezas do Moshav Hadid e de Lod, começou como todas as demais cerimônias militares. Pais e mães, sentados nas arquibancadas de concreto, e bem equipados com cestas com guloseimas e máquinas fotográficas, aguardavam pela entrada dos novos formandos na praça.

A cerimônia começou precisamente às 13:00 horas. Os comandantes saudaram os soldados após terem sido condecorados com suas patentes e insígnias. Em seu pronunciamento, o Comandante da Polícia das Fronteiras, General-de- Divisão Hasin Faris, afirmou: “Os soldados da Polícia das Fronteiras são a sentinela avançada na guerra contra o crime e na defesa das fronteiras de Israel”.

Terminou seu discurso dizendo: “Concluo com uma mensagem pessoal aos pais. Vocês depositaram sob nossos cuidados o que tinham de mais precioso – os seus filhos. Estejam certos de que faremos todo o possível para mantê-los afastados de qualquer perigo; e peço a sua licença para me desviar de todo o protocolo imposto pelo cerimonial militar. Não somos apenas conhecidos por ser uma corporação unida, mas também uma família carinhosa – e fazemos por manter esta reputação”.

Yechiel Nahari, da Companhia Dror, foi instado a dar um passo à frente, enquanto o Comandante continuava: “Trouxemos-lhe sua mãe, de lá do Iêmen”. Incrédulo e boquiaberto, Yechiel arregalou os olhos para aquela senhora, trajada com a vestimenta típica iemenita, que vinha em sua direção.

Ele não a via há 12 anos, desde quando tinha apenas 7 anos, lá no Iêmen...

Incapaz de controlar sua emoção, Yechiel irrompeu em lágrimas, no que foi acompanhado por muitos da platéia. Até o mais durão entre os soldados da Polícia das Fronteiras não conseguiu conter a emotividade. “Vi-a caminhar em minha direção e não conseguia acreditar em meus olhos. Era minha mãezinha, a quem eu não via desde que deixara o Iêmen, ainda criança. Olhei-a fixamente, atônito, sem poder impedir as lágrimas, Yechiel contaria mais tarde. Ele e a mãe ficaram abraçados por vários minutos. “Não chora, filho. Um soldado não gosta de ser visto chorando”, pediu-lhe a mãe. “Espera até estarmos sós e choraremos junto, abraçados”.

Os responsáveis pela operação sigilosa da vinda da mãe de Yechiel do Iêmen foram seus comandantes e amigos, chefiados por Zohar Bushari, Sargento-Ajudante da Escola de Treinamento da Polícia das Fronteiras. “Conheci Yechiel através de um amigo dele que também viera do Iêmen, há dez anos, e era um de meus recrutas um semestre antes da chegada de Yechiel”. “Ele vivia sozinho em um apartamento alugado, em Rehovot. Eu e minha mulher, Ronit, nos apaixonamos por ele logo à primeira vista e o apresentamos à Polícia das Fronteiras. Sugerimos, também, que durante o treinamento básico ele passasse seu tempo livre conosco. Foi assim que conhecemos sua irmã, Tzan'a, que vive com o marido e os filhos no Moshav Avnei Hefetz. Lá pelo final do período de treinamento básico, começamos a dar corpo à idéia de trazer sua mãe para a parada de formatura. Itzik Peretz, pai de um outro recruta, ofereceu-se para arrecadar US$ 2.000 para financiar o projeto.

Foram auxiliados por Shlomo Grafi, responsável pelo resgate dos últimos judeus remanescentes no Iêmen e por trazê-los para Israel. Grafi, obviamente comovido, disse ontem: “Tenho acompanhado o Yechiel – na época, Yichye – desde que ele era um jovem abandonado em um abrigo para crianças, nos EUA. Seu pai morrera no Iêmen, quando ele tinha apenas 7 anos, deixando a mãe, Laúda, sozinha com 6 filhos.

Os Chassidim de Satmar prometeram à mãe que seus filhos teriam uma boa educação e os levaram para os Estados Unidos. Yechiel foi logo separado de seus 2 irmãos e 1 irmã, que tinham ido junto. Ele foi forçado a falar o iídiche e a abandonar seus costumes e raízes iemenitas. Quando se revoltava, era humilhado e surrado. Conseguiu fugir do grupo Satmar e foi então que o encontrei, abandonado e vagando pelas ruas de Nova York. Trouxe-o a Israel quando estava com 14 anos. Desde então ele mora com a irmã, que naquele ínterim emigrara para Israel. De criança miserável e abandonada, ele se desenvolvera, tornando-se um israelense de primeira linha e um soldado exemplar, grandemente admirado por seus amigos e comandantes”.

Na segunda-feira passada, Grafi trouxe Laúda para Israel através da Jordânia. Ela ficará um mês antes de retornar ao Iêmen. Disse que apenas emigraria para Israel após voltar a se reunir com suas duas filhas mais novas que foram forçadas a desposar iemenitas da região e se converter ao islamismo. “Pretendemos ajudá-la a se encontrar com os dois filhos que estão nos Estados Unidos. Pode ser que ela até consiga trazer essas duas filhas que estão no Iêmen e, assim, ter toda a sua família reunida em Israel”, agregou Bushari.

Ontem, ao término da cerimônia, a família toda sentou-se na grama, como os demais grupos familiares – Laúda e Yechiel, a filha Tzan'a e Zachi, seu genro. Comeram uma refeição tradicional iemenita, que incluía kubana, jachnun e grande quantidade de schug. Os olhos de Yechiel brilhavam de alegria – finalmente ele não estava só. “Não houve um momento sequer em que eu não estivesse pensando em minha mãe. Quando a vi descendo as escadas em minha direção, fiquei assombrado. Não quis acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, que não era apenas um doce devaneio. Mas era a minha mãe querida, aquela que aparecia em meus sonhos. Não havia mudado nada. E ela foi-se aproximando de mim e quando me abraçou, apertado contra seu regaço, e me beijou, não pude mais me conter e desatei em um pranto há muito acumulado... Soldados não choram, sei disso. Mas sentia tanto a sua falta e, de repente, fiquei tão feliz de vê-la, que perdi totalmente o auto-controle”.

O garoto do pôster

Em 1992, Arik Haddad, ex-presidente do Conselho Municipal de Kiryat Ekron e, hoje, assessor sênior do Ministro Binyamin Ben Eliezer, viajou para conhecer os últimos remanescentes do judaísmo iemenita. Conheceu a família Nahari, fotografando o pequeno Yichye (Yechiel). A fotografia foi publicada em um pôster distribuído em todo o mundo pela Agência Judaica, com a seguinte legenda: “Não se esqueçam, de mim – Judeus Iemenitas pró Israel”.

19 de abr. de 2005

Israel analisa a identidade judaica

Israel analisa a identidade judaica

O governo de Israel está analisando a possibilidade de criar um Instituto de Conversão para educar novos judeus em uma das correntes da religião. Para alguns, a definição do termo "judeu" ainda se divide entre a interpretação sionista, de uma nação judaica, e a interpretação religiosa, que considera judeu, aqueles que obedecem as leis judaicas.A questão da identidade judaica é abordada por meio de vários aspectos. Mas, de acordo com a legislação de Israel, qualquer judeu que queira viver no país recebe concessão imediata de cidadania, inclusive pessoas convertidas ao judaísmo.

O termo "judeu" se divide entre a interpretação de uma nação judaica e a religiosa, que considera judeus, aqueles que obedecem as leis judaicas. Mas os novos convertidos não são aceitos facilmente por todos os judeus como verdadeiros judeus. De acordo com este grupo de pessoas, somente pode ser judeu quem é nascido de mãe judia ("lei do ventre"). Ortodoxos. É possível se converter ao judaísmo, mas a religião não busca adeptos. E, segundo analistas, é assim que alguns problemas surgem em Israel. 

Um exemplo: rabinos ortodoxos não aceitam conversão de pessoas ao judaísmo, encorajadas por rabinos ultra-ortodoxos e também são contra a decisão de Israel de aceitar convertidos ao judaísmo. No caso de judeus conversos, é necessário que um rabino assine um documento comprovando que se trata de um judeu converso.Israel: cronologia. 

O Império Romano dominou Israel durante a época (63 d.C), mas concedeu aos judeus liberdade de culto. A era atual ou Era Comum, EC, começa com o nascimento de Jesus Cristo. O judaísmo rabínico teve início no ano 70. Essa corrente de pensamento compreendeu uma nova forma de adoração. 

A idéia de um lugar único para o louvor, o templo, foi abandonada. A partir de então, o judaísmo passou a ser uma fé que pode ser praticada em qualquer lugar do mundo.70-200 EC - Durante os primeiros 150 anos da Era Comum, os judeus se rebelaram duas vezes contra os líderes romanos. Ambas as revoltas foram brutalmente reprimidas e seguidas de restrições severas à liberdade dos judeus.

A primeira revolta em 70 EC levou à destruição do templo. Já na segunda revolta, em 132 EC, centenas de milhares de judeus morreram, milhares foram levados cativos, e os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém.200-700 EC - Entre os anos 200 e 700, o judaísmo se desenvolveu rapidamente. 

Politicamente, foi uma época de altos e baixos para o povo de Israel. Os judeus puderam se tornar cidadãos romanos, mas mais tarde foram proibidos de possuir escravos cristãos ou casar com cristãos.Em 439, os romanos proibiram que sinagogas fossem construídas e que judeus se tornassem funcionários públicos.

A Era de Ouro - Judeus na Espanha - Mil anos após o nascimento de Cristo, os judeus viveram na Espanha uma época de sucessos. Eles coexistiram com os islâmicos que habitavam o país e desenvolveram estudos nas áreas de ciência, literatura hebraica e Talmud. Essa época, considerada a Era do Ouro, resistiu apesar da tentativa de forçar os judeus ao islamismo, registrada em 1086. 

O milênio seguinte começou com as Cruzadas, operações militares comandadas por cristãos para capturar a Terra Santa.Os Exércitos das primeiras Cruzadas atacaram comunidades judaicas no caminho para a Palestina, especialmente na Alemanha. Quando os soldados das Cruzadas conquistaram Jerusalém, eles mataram e levaram cativos milhares de judeus e muçulmanos. E, a exemplo dos romanos, anteriormente, proibiram os judeus de entrar em Jerusalém. Em 1100, os judeus foram expulsos do Sul da Espanha após uma invasão bárbara. 

Na França, eles foram acusados de sacrificar crianças em rituais macabros.Na Inglaterra, judeus foram mortos enquanto tentavam presentear o rei Ricardo I, durante a coroação. Em 1215, a Igreja Católica condenou os judeus a viver em áreas segregadas, conhecidas como guetos, e a vestir roupas distintivas.Em 1290, os judeus foram expulsos da Inglaterra e logo depois da França. Em 1478, foram vítimas da Inquisição espanhola, e em 1492 foram expulsos da Espanha. Cinco anos mais tarde, era a vez de Portugal enviar todos os judeus para fora do país.

Na Alemanha, em 1547, uma das grandes vozes do anti-semitismo partiu de Martinho Lutero, o monge que iniciou o movimento de reforma da Igreja Católica. É dele um dos manifestos contra os judeus, conhecido como "Sobre os judeus e suas mentiras".Nessa época, é publicado na Espanha o Livro do Esplendor, que influenciou o misticismo judaico durante séculos. A cabala, forma de misticismo dos judeus, ganhou nova força.

De 1600-1900 - Esse é um período de expansão considerável do judaísmo. Os judeus são autorizados a voltar para a Inglaterra e vêem seus direitos aumentarem. Nos Estados Unidos, os primeiros judeus chegaram em 1648.Hassidismo - Na Polônia e na Europa Central surge o movimento hassidista. Essa corrente judaica inclui grande quantidade de misticismo cabalístico e a idéia de fazer a santificação presente na vida cotidiana de forma intelectual e alegre ajudou a aumentar a popularidade do hassidismo entre os judeus. 

O movimento também causou divisão. Na Lituânia, o hassidismo foi excomungado em 1772, e os judeus pertencentes a esse movimento proibidos de negociar ou se casarem com outros judeus.Perseguição na Europa - Durante o final do século 18, judeus começaram a sofrer perseguição na Europa Central. 

Na Rússia, eles foram confinados a uma área do país. No século 19, nasce o movimento reformado do judaísmo que começou na Alemanha e defendia que o judaísmo e as leis da religião tinham que acompanhar as mudanças do tempo, em vez de permanecerem rígidas.Em 1860, os judeus da Grã-Bretanha passaram a ter os mesmos direitos de cidadãos britânicos. Mas nessa mesma época, houve pogroms na Europa Central e na Rússia, série de ataques acompanhados de destruição, o saque de propriedade, mortes e estupros perpetrados pelas populações cristãs russas contra os judeus. 

Em Israel, a cultura judaica florescia, e a língua hebraica foi recriada de uma língua de história e religião para um idioma vivo e moderno. Século 20 - Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, essa foi uma época de imigração para os judeus que fugiram da perseguição dos pogroms na Rússia e na Polônia. O nascimento do sionismo - O movimento sionista, cujo objetivo era criar um estado judaico em Israel, começou no final do século 20. Começou a ganhar força quando os judeus sentiram que a única maneira de viverem seguros era em um estado judaico. O governo britânico ofereceu aos judeus uma vasta área em Uganda, mas a principal organização sionista insistia que o Estado judaico deveria ser construído na Palestina.Em 1917, na Declaração Balfour, a Grã-Bretanha concordou que um Estado judaico deveria ser estabelecido em Israel.Durante os anos 30 e 40, o Holocausto consumaria planos da Alemanha nazista e países aliados para eliminar todos os judeus da Europa. Durante o Holocausto, 6 milhões de judeus foram assassinados, e um milhão deles eram crianças. O Holocausto afetou convicções religiosas de muitos judeus, que tentavam entender como Deus pode ter permitido a matança do povo.

O Estado de Israel - O movimento sionista conseguiu fazer com que o Estado de Israel fosse criado em 1948, após uma campanha paramilitar contra o reinado britânico. Israel teve que sobreviver a três grandes guerras: a da independência, logo depois de o Estado ter sido criado, a dos Seis Dias, em 1967, e da Yom Kippur (ou Dia do Perdão) em 1973, além de vários conflitos.Israel tem tido dificuldades em suas relações com os vizinhos árabes, que não concordam com o êxodo dos palestinos que viviam na região antes da criação de Israel. Desde sua criação, Israel tem sido apoiado militarmente e politicamente pelos Estados Unidos, que concentram uma grande comunidade judaica.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, territórios palestinos, além das Colinas de Golã, na Síria, e da Península do Sinai, no Egito. A Península do Sinai foi devolvida quando Egito e Israel assinaram um acordo de paz, na década seguinte. Mas as negociações em torno dos territórios palestinos têm caminhado lentamente.Segundo resoluções da ONU aprovadas depois da guerra de 1967, Israel já deveria ter desocupado essas regiões, mas os governos israelenses continuaram promovendo uma política de criação de assentamentos judaicos tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza.Grupos palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica iniciaram ondas de ataques contra civis israelenses, o que, segundo Israel, tem impedido o avanço das negociações de paz definidas no acordo de Oslo, em 1993.

O objetivo formal do diálogo continua sendo a criação de um Estado palestino que conviva pacificamente com Israel, o que já estava previsto no processo que criou o Estado de Israel.

16 de abr. de 2005

Nazistas húngaros protestam em Budapeste

Nazistas húngaros protestam em Budapeste

Nazistas protestam no Dia do Holocausto húngaro

Cerca de cem neonazistas participaram neste sábado de um protesto à frente da embaixada alemã em Budapeste, na Hungria, pedindo a libertação de um homem preso na Alemanha por ter negado a existência do Holocausto. A manifestação coincidiu com o 60º aniversário da abertura do primeiro campo de concentração de judeus na Hungria.

Ernst Zuendel, 65, foi deportado do Canadá em março, acusado de estimular o racismo por suas declarações polêmicas. O líder neo-nazista disse quer o Holocausto, no qual a Alemanha nazista assassinou mais de seis milhões de judeus, foi uma farsa.

"Zuendel era um homem do bem, que, ao contrário do presidente (dos EUA) George W. Bush, é contra armamentos e a favor da ciência e da discussão", afirmou um dos líderes do grupo, Zsolt Illes. Milhares de manifestantes realizaram uma marcha pelo centro de Budapeste para relembrar o Holocausto. Mais de 500 mil judeus foram mortos na Hungria.

15 de abr. de 2005

Curiosidades sobre Purim

Curiosidades sobre Purim

Purim é mencionado na Bíblia?
O estabelecimento da festa de Purim é de certa forma descrito na Bíblia, até porque a Meguilá Esther faz parte dos 24 livros da Bíblia. Mas ainda é considerada uma festa "rabínica", porque foi instituída por profetas, diferente de Pessach e Sucot, que aparecem nos Cinco Livros de Moisés.

Não existe mais reis ou rainhas poderosos, nem homens maus, qual relevância tem Purim para mim nos dias de hoje?
E o que dizer sobre Osama bin Laden, Yasser Arafat e tantos outros terroristas que desejam nos destruir? A triste verdade é que sempre existirá muitos "Hamans" esperando por uma oportunidade para nos perseguir e aniquilar.

Como a Torá espera que nós reajamos frente a essas terríveis pessoas e organizações terroristas? Simples, basta olharmos na Meguilá e ver como os Judeus naquela época responderam ao Haman original.

O plano de Mordechai e Esther era audacioso. Esther não era chamada perante o rei há trinta dias, e aproximar-se dele inesperadamente poderia facilmente resultar numa execução imediata. Vale lembrar que o rei Ahasuerus já tinha matado a rainha anterior (Vashti)! E mesmo que o rei permitisse Esther de aproximar-se e expor seu caso, quem garantiria que ele atenderia seu pedido de clemência?

Mas Mordechai e Esther sabiam que seu "plano" era de segunda importância. Eles sabiam que a salvação viria de D'us e somente Ele poderia determinar se o "plano" funcionaria ou não.

Sendo assim, Esther disse para que todos os Judeus de Shushan jejuassem, rezassem por três dias. Enquanto isso, Mordechai juntou 22.000 crianças judias e começou a ensiná-las Torá. D'us ouviu as rezas e milagrosamente o plano de Esther deu certo.

Sim, devemos usar todos os meios normais a nossa disposição para lutar contra nossos inimigos. Porém devemos sempre lembrar de usarmos nossa “Arma Maior" que ultimamente é nossa Torá, Mitzvot e rezas, que garantem nossa sobrevivência.

Moisés comemorou Purim?
O milagre de Purim ocorreu perto de mil anos após a morte de Moisés.

Mas nossos sábios dizem que Moisés foi mais do que um ser humano, ele é um legado que continua presente por toda a nossa história. Toda geração tem seu próprio "Moisés". Isso se refere ao líder espiritual da geração, aquele que inspira o povo a acreditar em D'us e conectar-se a Ele através da Torá e Mitsvot.

Modechai foi o Moisés da história de Purim. Quando o plano de Haman tornou-se conhecido, foi Mordechai quem fez com que os Judeus entendessem que Haman e Ahasuerus eram meras ferramentas para implementar um plano divino. Então a solução deveria ser um fortalecimento da nossa relação com D'us. Conseqüentemente ele mobilizou os Judeus para rezarem, jejuarem, garantindo assim a salvação.
Respondendo a questão: Moisés não ouviu a Meguilá em 14 de Adar, mas seu espírito com certeza estava presente na história de Purim.

O que Vashti fez para merecer um destino tão terrível?
Vashti (rainha de Ahasuerus até ele saber sobre a sua recusa em participar do seu banquete) não foi uma grande pessoa, a ponto de sentirmos pena.

Ela era neta de Nebuchadnezzar, o homem que destruí o Primeiro Templo e mandou todos os Judeus para o exílio. Ela herdou do seu avô um profundo ódio pelos Judeus. No Shabat, chamava as crianças Judias e forçava-as a executar trabalhos humilhantes no seu sagrado dia de descanso. Por isso também que ela foi punida no sétimo dia do banquete, que era também o sétimo dia da semana, ou seja, o Shabat.

Por que Moderchai instruiu Esther a esconder sua identidade judaica?
Os comentaristas nos dão inúmeros motivos. Aqui estão dois:

1. Mordechai queria ter certeza de que ela conseguiria continuar observando os mandamentos da Torá. A corte pérsia não sabia da sua simpatia pelos costumes judaicos. Ou seja, quanto mais secreto ela mantivesse seu judaísmo, seria mais fácil cumprir os mandamentos em segredo.

2. Ele temia que um dia Ahasuerus se aborrecesse com Esther como tinha sido Vashti. Se ele soubesse que ela era Judia, ele poderia descontar sua raiva por ela em todo povo (Targum).

Como Esther manteve o Shabat sem levantar suspeita?
Esther tinha sete empregadas (Esther 2:9). Ela fazia um rodízio entre elas, para que cada uma servisse num dia da semana. Dessa forma, a empregada que servia ela no Shabat só a via naquele dia e achava que Esther nunca trabalhava. Nos outros dias ela trabalhava porque sabia que ficar sentada sem fazer nada não seria saudável para sua saúde mental.

Como Mordechai ouviu o plano de matar o rei?
Alguns dizem que ele soube do plano através de uma visão profética (Targum Sheini).

O Talmud diz que os dois conspiradores, Bigsan e Seresh, estavam conversando na sua língua nativa, o Tursi. Mordechai era membro do Sanhedrin, e sendo assim era fluente em 70 idiomas. (Pelo menos, alguns membros do Sanedrín deveriam ser fluentes em todos os idiomas. Isso porque eles precisariam interrogar as testemunhas na sua língua mãe e não era permitido o uso de intérpretes.)

O que aconteceu aos Judeus após o episódio de Purim?
Aproximadamente três anos depois Darius II (filho de Esther e Ahasuerus, que sucedeu seu pai como rei um ano após a história de Purim) permitiu aos Judeus reconstruir o Segundo Templo Sagrado em Jerusalém. Estava em ruínas por 70 anos, desde sua destruição por Nebuchadnezzar em 422 a.e.c. (Os profetas Judeus anunciariam que os Judeus ficaram no exílio por 70 anos.)

O Templo foi concluído logo após este episódio e os Judeus começaram a retornar para sua terra. O Segundo Templo durou mais 420 anos, até o ano de 69 da E.C.

Por que o nome de D'us não é mencionado uma única vez na Meguilá?
Num nível mais elevado, a idéia é de que no milagre de Purim D'us não foi revelado. Diferente do milagre de Chanucá, por exemplo, quando algo sobrenatural ocorreu: um pote pequeno de óleo durou por oito dias. Ninguém confundiria aquilo como um fato natural. Mas em Purim, os fatos aconteceram sucessivamente: Esther tornou-se rainha, ela teve acesso ao rei, Mordechai acabou sem querer ouvindo o plano dos dois rapazes que queriam matar o rei etc. etc. Então todos esses eventos poderiam ser mal interpretados como eventos naturais, ou simples "coincidências" se você preferir. Claro que tudo foi orquestrado por D'us para proteger os Judeus – mas não estava na sua cara. Ele estava trabalhando as coisas por trás da cena.

Por isso que Seu nome não foi mencionado, para enfatizar o fato de que mesmo quando não vemos os milagres abertamente, não significa que D'us não participou do espetáculo. Como nos dias de Purim, a presença de D'us pode estar oculta – mas não significa que Ele não esteja lá fazendo Suas coisas.

Esther era sobrinha ou prima de Mordechai?
Esther era filha de Avichayil, que era tio de Mordechai, por isso eram primos. Mordechai adotou Esther após a morte do seu tio.

Talvez você pudesse perguntar porque sempre dizem que ele era tio dela?
Provavelmente devido a diferença de idade entre eles. É muito mais lógico supor que uma criança órfã que cresceu como sua própria filha é de uma geração mais nova – uma sobrinha – e não da mesma geração, como uma prima. Mesmo possível, trata-se de um mal-entendido de Esther 2:15, quando se lê: "...Esther a filha de Avichayil, o tio de Mordechai...”, quando numa leitura rápida ou até mesmo desatenta, parece "Esther... Tio Mordechai" e dai a confusão.

[Existe uma opinião no Talmud que Esther era sua esposa, não (somente) ele a adotou como filha. Baseado na leitura da palavra hebraica "bat" (filha) como "bayt" (casa): bayt significa esposa na terminologia do Talmud.]

O que Esther comeu no banquete não-kasher do rei?
Na Meguilá Esther (2:9) lemos que Hegai, o guardião das mulheres, fez algo especial para Esther e suas servas. O Talmud (Meguilá 13a) nos dá inúmeras possibilidades sobre o que vinha a ser este tratamento especial.

Os rabinos dizem que ele lhe deu comida Judaica. (A pesar de Esther nunca ter dito que era judia, sabia-se que ela tinha crescido na casa de Mordechai. As pessoas achavam que apesar de Mordechai ter adotado Esther ela não fosse Judia. Então Esther disse que queria comida Kasher, porque era o que ela estava acostumada a comer.)

Shmuel disse que ele lhe deu bacon (oy gevald!). Não se preocupe, existe opinião que ela não comeu. Porém, alguns dizem que ela foi forçada a comer (Rashi). O comentarista Torá Temimá sugere que lhe tenham oferecido este bacon, mas ela não teria aceito. De acordo com a leitura de Aruch dos textos, não foi bacon, mas uma cobertura, um creme, de alface.

Se Esther era Judia e se casou com um rei não judeu, por que a intolerância com os casamentos mistos?
Você entende que o relacionamento de Esther com Ahasuerus não era legal? De fato, de acordo com o Talmud, Esther já era uma mulher casada e feliz; casada com seu primo Mordechai.

Você poderia perguntar: então Esther não estava interessada em ganhar o "concurso de beleza"? Essa é uma impressão que muitos têm dos tempos de escola...

Absolutamente não. A Meguilá nos conta que enquanto as mulheres gastaram 12 meses se embelezando com produtos cosméticos, se preparando para o grande evento real, Esther exigiu que nenhum ajudante de beleza fizesse nada nela.

A vida pessoal de Esther é o lado triste da história de Purim frequentemente esquecido. Na verdade ela trouxe a salvação para todos os seus irmãos—o que certamente lhe trouxe uma enorme satisfação—mas teve que pagar um preço muito alto por essa salvação. Nossa heroína justiceira habitou por anos num palácio pagão. Tendo em mente por anos toda selvageria e corrupção vividas numa típica corte real.

Acredito que isso nos ensina que a liberdade e o sucesso de uma pessoa são sempre resultado do sacrifício de outra.

14 de abr. de 2005

Ghetto de Varsóvia

Ghetto de Varsóvia



Resistencia

Por Jaim Guri
Resistió quien consiguió un trozo de pan
Resistió quien dio clases a escondidas
Resistió quien escribió y distribuyó un diario clandestino poniendo fin a falsas ilusiones
Resistió quien introdujo secretamente un Sefer Torá
Resistió quien falsificó documentos “arios” que salvaron vidas
Resistió quien condujo a los perseguidos de una tierra a otra
Resistió quien describió los acontecimientos enterrándolos en papel
Resistió quien ayudó a los más necesitados
Resistió quien pronunció aquellas palabras que lo llevaron a su propio fin
Resistió quien levantó el puño contra los asesinos
Resistió quien transmitió mensajes entre los sitiados, y consiguió traer provisiones y algunas armas
Resistió quien sobrevivió
Resistió quien combatió armado en las calles de ciudades, montanas y bosques
Resistió quien se reveló en los campos de exterminio
Resistió quien se reveló en los ghuettos , entre muros caídos, en la revuelta más destituida de esperanzas que supo alguna vez el ser humano.
Estimados mejanjim


Recordar el Levantamiento del Ghetto de Varsovia nos presenta un escenario que, como mejanjim, debemos repensar. Durante años esta jornada nos daba la oportunidad de recordar a aquellos que con valentía decidieron enfrentar al ejercito nazi. Grandes nombres de grandes protagonistas inundaban nuestros recuerdos.

Con el transcurrir de los años y la reflexión producida tras las investigaciones históricas, la memoria del Levantamiento nos situá en otro lugar, nos invita a recordar también a todos aquellos que, anónimamente, resistían día a día el proceso de deshumanización inaugurado por el régimen nazi-alemán en 1933. Hombres, mujeres y niños que desde una experiencia progresivamente cruel redescubrían la dignidad en hábitos simples de la vida cotidiana.

En esta ocasión queríamos compartir con ustedes algunos escritos, presentar los materiales disponibles en el Merkaz y una serie de links muy útiles para trabajar con sus talmidim /janijim en este intento de recuperar aquellas vidas y testimonios de una resistencia que día a día buscaba humanizar escenas que se regían por lo perverso.

13 de abr. de 2005

A expulsão dos judeus da Espanha

A expulsão dos judeus da Espanha


É uma tradição antiga que após a destruição do Primeiro Templo Sagrado alguns dos exilados migraram para a Espanha e ali estabeleceram uma comunidade judaica.



Após a destruição do Segundo Templo e a dispersão de muitos judeus pelos países da Europa, a comunidade espanhola foi muito aumentada pelos novos exilados. 

Muitas coletividades foram fundadas, floresceram e se tornaram grandes em Torá, em sabedoria, em riqueza e prestígio, a ponto da Espanha se tornar o principal centro de judaísmo na Diáspora.


Durou por um período de cerca de 1.400 anos e chegou a seu fim em 5252 (1492), quando a família real espanhola deu à comunidade judaica a escolha entre a conversão, a morte ou o exílio.

O começo da calamidade

Embora a comunidade espanhola fosse a mais afortunada das comunidades judaicas no exílio durante um extenso período e os dias da sua boa fortuna chegassem a ser denominados "A Idade de Ouro" do judaísmo espanhol, não obstante, a maior parte da história judaica espanhola foi marcada por perseguições e sofrimento. Assim é o destino de Israel no exílio: seus dias de sofrimento são menos recordados por eles. Seus dias de bem-estar, mesmo que sejam poucos, deixam forte impressão.

Durante o primeiro período de sua estadia na Espanha, os judeus viveram em paz e com prosperidade. Depois que os governantes da Espanha abraçaram a fé cristã, a ira do clero se voltou contra os judeus. No início, os judeus permaneceram fiéis a sua própria fé, e a recusa em abraçar a fé dominante era vista como afronta intolerável. O espírito de ódio que se levantou contra eles não conhecia limites.

Conversão forçada e aniquilamento

Em 5151(1391), 101 anos antes da Expulsão, uma onda de conversões forçadas e pogroms varreu centenas de comunidades na Espanha. As medonhas calamidades quebraram seu espírito, pois nunca estiveram acostumados à vida de aflição e supressão, como estavam seus irmãos da França e da Alemanha. O número de conversos cresceu e entre eles havia também uma quantidade de homens de grande preeminência, líderes comunitários, a quem faltaram forças suficientes para santificar o nome de D'us. Sentiam-se incapazes de desistir da riqueza e prestígio a que estavam acostumados.

Um grande segmento dos convertidos, que excedeu duzentas mil almas, manteve contatos secretos com seus irmãos judeus e continuou a praticar o judaísmo em segredo.

Os tombados e os heróis

Com a exceção dos pogroms de turbas, quando às vítimas era oferecida a alternativa de conversão ou morte, a política oficial do governo dava a alternativa de conversão ou expulsão. Por isso é estranho que tantas dezenas de milhares de judeus tenham aceito a conversão, uma vez que não eram diretamente ameaçados pela espada. Por contraste, no caso de comunidades judaicas em outros países, conversões eram encontradas só muito raramente e a grande massa dos judeus escolheu a morte para santificar do nome de D'us.

O que enfraqueceu o judaísmo espanhol, a ponto de tornar tantos de seus filhos incapazes de resistir à prova? Os sábios daquela geração revelaram a causa da fraqueza. Por um lado, estavam acostumados a uma vida de luxo sem comparação com a de outras comunidades da Diáspora, cuja força de vontade fora forjada pelas duras provas de privação e perseguição. O judaísmo espanhol estava também enfraquecido pela preocupação com a filosofia racionalista. O esposar do racionalismo atenuou a profundidade de sua crença e o tornou mais suscetível de sofrer perseguições por causa de sua fé.

Não obstante, a santidade judaica não cessou mesmo entre aqueles que tropeçaram. Com a passagem do tempo, muitos deles retornaram ao seio de sua fé; no princípio secretamente, e subseqüentemente com a santificação pública do nome de D'us, até a morte.

Os Marranos

Aproximadamente 100 anos antes da Expulsão, a comunidade judaica espanhola estava dividida em dois segmentos principais: aqueles que permaneceram leais ao judaísmo apesar de todas as perseguições, e uns duzentos e cinquenta mil cristãos-novos que abraçaram a fé dominante, pelo menos publicamente, e que pertenciam de modo geral à classe abastada. Mesmo estes viviam uma vida de isolamento e temor.

Isolaram-se de seus irmãos que permaneceram judeus. Tinham igualmente medo de manter contato uns com os outros, com receio de suspeição de conservarem ligações com seu passado. Tampouco foram absorvidos pela população, que continuava a odiá-los e a espioná-los dia e noite, a fim de entregá-los para julgamento pelo deslize de serem relapsos com a sua nova fé.

Esses judeus eram chamados de "marranos" pelos cristãos velhos. A palavra "marrano" significa "porco". Eram vistos como se estivessem engordando do trabalho dos outros e de quem não se podia beneficiar a não ser por sua morte, quando sua carne podia ser ingerida.

Os que permaneceram judeus publicamente eram ameaçados somente de expulsão, ao passo que os marranos encaravam a penalidade de serem queimados vivos pelo pecado de deslealdade. Os marranos eram constantemente espionados. Às vezes as acusações eram procedentes, mas em outras seus inimigos forjavam mentiras, a fim de se apossarem de seus bens.

A Inquisição

Dezoito anos antes da Expulsão, Torquemada, o mais brutal entre os sacerdotes católicos, instalou a Inquisição: um tribunal para impor penalidades sobre os desleais. Ostensivamente, as atividades da Inquisição diziam respeito a todos os cristãos, mas na realidade a "heresia" dos marranos era a principal preocupação da Inquisição.

Torquemada conquistou o coração da rainha Isabel que se desviou de todas as outras preocupações e ficou apaixonadamente absorvida em avançar o trabalho da Inquisição, erradicar a "heresia" e procurar a expulsão dos judeus que permaneceram leais em público a sua fé. Esperava, desta forma, obter o perdão de todos seus pecados.

Mais de trinta mil marranos foram condenados à morte e queimados vivos pela Inquisição. Outras dezenas de milhares foram submetidos à tortura física mais horrível que a morte. A maioria santificou o nome de D'us ao morrer, após ter antes falhado em resistir à pressão para a conversão pública. As repetidas confissões dos torturados, que haviam permanecido leais à Torá e ao judaísmo, enfureceram os inquisidores e seus agentes, e fizeram com que perseguissem os marranos ainda mais ferrenhamente.

Essas repetidas confissões também deram aos inquisidores maiores argumentos em seus esforços para convencer o rei Fernando a emitir um decreto de expulsão contra todos os judeus remanescentes. Pois, "enquanto os judeus continuassem a viver na Espanha, influenciariam seus irmãos a aderir à fé de seus pais".

O edito de expulsão

Na introdução a seu comentário ao Livro dos Reis, Don Yitschac Abarbanel, descendente da Casa Real de David e líder da comunidade judaica, descreve o edito de expulsão proclamado pelo rei Fernando no primeiro dia de Adar 5252 (fevereiro de 1492):

"Em 1492, o rei da Espanha capturou o reino de Granada junto com sua cidade-capital. Um sentimento de poder e arrogância fê-lo pensar: 'Como posso ser aceitável perante o Altíssimo que me armou com força para a guerra? Como posso agradecer a meu Criador que me entregou esta cidade, se não trazendo sob Suas asas os povo que caminha nas trevas, o rebanho disperso de Israel?'

Abarbanel continua: "Quando eu estava presente no palácio real, gritei até ficar rouco - falei com o rei três vezes - supliquei diante dele, dizendo: 'Salve ó rei! Por que farás isso aos teus servos? Multiplica penalidade de dinheiro contra nós a vontade, e cada um dos judeus dará tudo o que tem em prol de seu país.' Procurei meus amigos que vinham à presença do rei, para implorar por meu povo. Príncipes se reuniram e insistiram fervorosamente com o rei para revogar o escrito de ira, para desistir de seu plano de destruir os judeus. Mas ele selou os ouvidos como se fosse surdo e recusou terminantemente reconsiderar. A rainha estava a seu lado direito, para incitá-lo ainda mais... para agir com determinação definitiva. Lutamos, mas nenhuma prorrogação nos foi dada. Não descansei, não desisti, mas fui incapaz de desviar a condenação.

"O povo ouviu as más notícias e se entristeceu. Onde quer que chegasse a palavra do rei e sua ordem, houve grande luto entre os judeus. Havia terrível medo e angústia como nunca foram conhecidos desde o exílio de Yehudá para solo estrangeiro. Resolvemos: 'Sejamos fortes em nome de nossa fé, da Torá, de nosso D'us, na presença dos que blasfemam e dos que nos odeiam. Se nos deixarem viver, viveremos, e se nos assassinarem, morramos, mas não profanemos nosso pacto e não permitamos a nosso coração recuar. Iremos em nome de D'us.'

"Eles foram sem força - 300.000 a pé - os jovens e os idosos, pequeninos e mulheres, num dia - de todas as províncias do rei, para onde os levasse o vento."


Don Yitschac Abarbanel também escreve em seu comentário sobre Yirmiyáhu: "Quando o rei da Espanha decretou a expulsão dos judeus, a data foi marcada para o fim de três meses a partir do dia em que foi proclamado. Esse dia foi 9 de Av. Mas o rei não conhecia o caráter desse dia quando emitiu o decreto. Foi como se tivesse sido guiado de Cima para fixar esse prazo."

Após a proclamação do edito

Muitos judeus foram assassinados e roubados pelos vizinhos ainda antes de chegar a hora da partida, pois o sangue judeu era indefeso. Muitos fugiram da Espanha e se dispersaram pelas estradas indo para além das fronteiras da Espanha mesmo antes do prazo marcado. Mas toda sorte de calamidades os assolou na estrada, como se a mão de D'us Se tivesse erguido contra eles, a fim de destrui-los.

Música, canto e louvores

Os exilados saíram para a estrada no decorrer do período das Três Semanas, entre 17 de Tamuz e 9 de Av. Grupos de vários tamanhos precederam a grande partida no dia 9 de Av.

Embora esses dias sejam de luto e pranto pela destruição dos Santuários e da Terra de Israel, e a música proibida, os sábios daquela geração deram permissão para os exilados marcharem ao som de músicos, a fim de fortalecer o espírito do povo e infundir nele esperança e fé em D'us. Davam graças a D'us por terem resistido à prova, não se submetendo à conversão e por conseguirem atingir o mérito de santificar o nome de D'us com sua partida da Espanha.

Era também a intenção dos Rabis, ao permitir o toque de instrumentos, ensinar o povo que nunca derramamos lágrimas pela partida ao exílio; choramos somente pela partida de Jerusalém.