Hebraico uma língua ressuscitada das cinzas da história

Há pouco menos de 2000 anos, a cidade de Jerusalém foi queimada e arrasada, e o povo judeu viu-se exilado de sua terra natal. 

Como resultado desse cataclismo, a religião judaica mudou dramaticamente. Sem um Templo, os sacrifícios cessaram e foram substituídos pela oração. 

Da mesma forma, a língua hebraica também mudou drasticamente. Espalhados por toda a Diáspora, os judeus deixaram de usar o hebraico em seus assuntos diários. O idioma era reservado apenas para fins sagrados. Era a linguagem de oração na sinagoga, conhecida como lashon hakodesh (לָשׁוֹן הַקּוֹדֶשׁ), significando “língua sagrada”.

Os primeiros falantes nativos do hebraico moderno

Milagrosamente, no final do século XIX o hebraico foi trazido de volta à vida pelos pioneiros sionistas. Há quase 150 anos, o eminente erudito Eliezer ben Yehuda tirou o pó da língua arcaica da Bíblia, ajustando-a à vida moderna. Ele inventou centenas de palavras novas, expandindo raízes linguísticas antigas. Seu filho Ben-Zion foi o primeiro falante nativo do hebraico desde os tempos do antigo Israel. No começo, as pessoas burlaram desse projeto louco. Mas ele foi bem-sucedido! Esta é uma das contribuições mais importantes do Estado de Israel para a identidade judaica.

Eliezer Ben Yehuda considerado o pai da língua hebraica moderna. Nasceu na cidade de Luzki, na Lituânia, filho de Yehuda Leib e Fayga Perelman. Foi educado em uma ieshivá (seminário religioso), onde recebeu os preceitos do judaísmo ortodoxo e tomou contato com o hebraico, então considerado apenas como a “língua sagrada” do povo judeu. No fim da adolescência, conheceu os ideais do sionismo. Aos 17 anos, deixou a vida religiosa e passou a atuar no movimento sionista. Mudou seu sobrenome para Ben Yehuda e passou a trabalhar em prol do restabelecimento de um lar na antiga Terra de Israel e da união do povo judeu pelo uso do mesmo idioma.

Em 1881, Ben Yehuda, já casado, mudou-se para Jerusalém. Poucos anos depois, ajudou a fundar duas organizações – a Techiat Israel (Renascimento de Israel) e Safá Brura (Linguagem clara/simples) – com o objetivo de estimular o ensino e o uso do hebraico entre os imigrantes judeus que começavam a chegar à Terra de Israel. Também participou da fundação do primeiro jornal em hebraico da região. Foi na atividade de repórter e editor que começou a modernizar o idioma, cuja maioria dos termos remontava às épocas bíblicas. Várias palavras e conceitos de outras línguas, como o árabe, o russo, iídiche, o inglês e idiomas latinos foram incorporadas ao hebraico. 

Ben Yehuda também foi um dos criadores do Conselho da Língua Hebraica, que antecedeu a Academia de Língua Hebraica, e publicou o primeiro dicionário do Hebraico Moderno e Antigo. Foi um dos pioneiros do desenvolvimento do alfabeto hebraico em letra cursiva. Ao morrer, aos 64 anos, em Jerusalém, Ben Yehuda já tinha visto seu sonho tornar-se realidade. O crescimento da comunidade judaica na antiga Terra de Israel unida pelo uso do idioma hebraico remodelado e que continua a ser atualizado.
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