Antologia foi organizada por Moacyr Scliar, Eliahu Toker e Patricia Finzi e publicada em 1990
Do Éden ao DivãReza a lenda que a pior pessoa para quem você pode contar uma piada de judeu é exatamente um judeu, pois ele sempre dirá que já a conhece e que além disso sabe contá-la muito melhor do que você. Mas até mesmo os judeus terão o que descobrir com o relançamento do livro Do Éden ao Divã – Humor Judaico (Companhia das Letras), publicado pela primeira vez em 1990.
Organizado pelo escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937 – 2011), pelo poeta e tradutor argentino Eliahu Toker (1934 – 2010) e pela escritora Patricia Finzi, ex-proprietária da editora Shalom, que lançou a primeira edição, o volume é uma antologia de piadas e cartuns sobre o povo hebreu.
Além de evitar que esse legado se perca na tradição oral com o passar das gerações, o livro conta com textos que o situa do ponto de vista histórico e geográfico. Esse rico material de apoio é um diferencial em relação às inúmeras compilações de piadas judaicas disponíveis no mercado.
O relançamento será marcado com uma mesa-redonda nesta segunda-feira (27/11), às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Av. Túlio de Rose, 80), em Porto Alegre, com as presenças de Abrão Slavutzky, Leniza Kautz Menda, Cíntia Moscovich e participação especial de Patricia Finzi. A mediação será da jornalista de Zero Hora Cláudia Laitano. O evento, que integra a programação dos 80 anos de nascimento de Scliar, ainda contará com uma atração de stand-up comedy com Jairo Trombka e Alexandre Shapiro, que contarão piadas do livro. A entrada é franca.

Negreiros / Reprodução
Embora o humor judaico seja associado principalmente ao tipo de piada melancólica que remete à vida nos shtetls, as comunidades judaicas do Leste Europeu, essa verve cômica sofreu mutações ao longo do tempo. Muita coisa separa o senso de humor contido de Kafka e o sarcasmo de Woody Allen. Patricia avalia que o humor judaico faz parte da milenar tradição cultural judaica:
– É o único humor de um povo que ri de si mesmo, e não de outros povos.  É o humor da autocrítica. Não perde atualidade no que se refere a temas importantes da vida cotidiana como  família, antissemitismo, comida, negócios, riqueza e pobreza, ingenuidade e inteligência.
Patricia lembra que a literatura de Scliar está impregnada de humor desde o início:
– Quando lhe propus compilar um livro sobre humor judaico desde a época bíblica até os anos 1990, ele achou impossível. Dois minutos depois, estava contando e criando piadas.

Redi / Reprodução
Para Abrão Slavutzky, psicanalista e autor do livro Humor É Coisa Séria (Arquipélago), a piada é também uma espécie de crônica de uma época:
– Não sei se daqui a cem anos contaremos histórias da idishe mame. Hoje, as mães judias têm profissão e não ficam o tempo todo cuidando do filho.
No final das contas, o chiste é também uma maneira de tratar dos assuntos mais espinhosos da existência, como a própria finitude. Perseguições, pobreza e ironia em relação a Deus são temas presentes no humor judaico. Slavutzky tem uma metáfora culinária para explicar:
– Quando pegamos uma panela quente, geralmente utilizamos uma toalha ou um agarrador para não nos queimarmos. O humor é justamente essa toalha ou agarrador, pois a realidade é traumática, sofrida, difícil.

Do Éden ao Divã


Reprodução / Reprodução
Capa do livro
Organização de Moacyr Scliar, Patricia Finzi e Eliahu Toker. Companhia das Letras, 248 páginas, R$ 59,90 (livro) e R$ 39,90 (e-book). Lançamento nesta segunda-feira (27), às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Av. Túlio de Rose, 80).

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