Em abril deste ano (2017), o presidente americano Donald Trump autorizou um ataque de mísseis Tomahawk à base aérea síria em Homs, um ato interpretado como possível rotação da nova administração na política externa dos EUA para o Oriente Médio.

O episódio poderia marcar nova etapa na Guerra Civil, pois analistas apontavam Washington como espectador, cedendo protagonismo no pós-guerra a Moscou, que alinhava a reconstrução da Síria com opositores a Estados Unidos e Israel.

Nas discussões sobre o futuro sírio, Putin se reuniu em Sochi, em 22 de novembro de 2017, com os presidentes de Irã e Turquia, encontro visto por especialistas como pano de fundo numa disputa regional projetada a partir da Síria, acrescentando-se que foi o primeiro do qual os EUA não participaram.

Ilan Goldenberg, que atuou em questões do Oriente Médio no Pentágono e Departamento de Estado, sob a administração de Barack Obama, considera que após o encontro de Putin com Assad, também em Sochi, “Putin ganhou na Síria” e que esse reconhecimento passa por “culpa tanto de Obama, como de Trump”.

Nesse contexto geopolítico, a posição de Washington está em buscar alternativas, principalmente após a decisão de Trump de cancelar o programa secreto da CIA que culminaria no custeio de armas para rebeldes sírios moderados que lutam contra o regime de Assad.

Segundo analistas, com tal posicionamento, o objetivo é fazer esforço para reverter a influência do Irã, que se associou a Rússia para defender Assad, já que este é um cenário preocupante para Israel.

Concomitantemente, ao projetar frear a expansão de Teerã no Oriente Médio, o tenente-general das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Gadi Eisenkot, revelou em entrevista à mídia saudita que Tel-Aviv estava pronta para compartilhar inteligência com países árabes moderados, com a finalidade de combater o Irã, uma decisão unilateral, a qual, segundo foi apurado, não teve influência de Trump.

Ao apresentar tal iniciativa, ficou claro para especialistas nos EUA e em Israel que há críticas no núcleo duro do Governo israelense, que interpreta a abordagem da administração Trump para o Oriente Médio como pouco clara e desarticulada, considerando que isso ocasiona ambiente de incertezas, ao passo que a coalizão Rússia, Irã, Síria, Hezbollah avança.
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