Polícia de Israel dá ultimato a Netanyahu para prestar depoimentoJerusalém, 22 out (EFE).- A Polícia de Israel enviou um ultimato ao escritório do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, para que marque uma data para que preste um novo depoimento sobre os casos de corrupção dos quais é suspeito. 

As informações foram divulgadas neste domingo pelo site "Ynet". Após uma semana de espera, a polícia alertou Netanyahu que, se ele não oferecer uma data para que o interrogatório seja realizado, os investigadores estabelecerão o dia e o primeiro-ministro terá que adaptar sua agenda para atender a requisição. 

A imprensa israelense afirmou no mês passado que Netanyahu voltaria a ser interrogado no fim de seu período de férias, concluído no último dia 12. A Agência Efe questionou a Polícia de Israel sobre o caso, mas não teve resposta. 

Netanyahu deve ser questionado sobre várias acusações, em particular sobre o chamado "Caso 1000", que investiga o recebimento de presentes luxuosos de vários milionários em troca de favores e tráfego de influência por parte do primeiro-ministro. 

Nos últimos meses, os investigadores ouviram um dos suspeitos, o produtor e bilionário Arnon Milchan, que reconheceu ter enviado presentes caríssimos a Netanyahu e sua esposa. No entanto, ele afirmou que eram apenas "presentes normais entre amigos". 

Por outro lado, o parlamento de Israel deve debater hoje uma proposta de lei apresentada pelo deputado Dubi Amsalem, do Likud, o partido de Netanyahu, que propõe a proibição de investigações contra primeiros-ministros no exercício do cargo. 

Amsalem disse que, caso aprovada, a lei não afetará as investigações em curso, um argumento que não convence os opositores, entre eles o ministro de Finanças de Israel, Moshe Kalon. 

O primeiro-ministro é citado em quatro casos e é formalmente considerado suspeito pela polícia pelos crimes de suborno e fraude em dois deles. O primeiro é o caso 1000, dos presentes em troca de favores. O segundo é uma uma suposta tentativa de Netanyahu de conseguir uma cobertura favorável de um jornal em troca de prejudicar a distribuição de um concorrente. 

O terceiro tem relação com a compra de submarinos militares da Alemanha e o último, batizado como "caso Bezeq", acusa Netanyahu de um possível conflito de interesses com essa companhia telefônica. 

Na semana passada, Netanyahu criticou a Polícia de Israel e fez várias críticas contra o comissário Roni Alsheij, a quem acusou de ser responsável pelo "tsunami" de vazamentos à imprensa sobre os casos nos quais está envolvido. 

O primeiro-ministro diz haver uma campanha contra ele e garante que os investigadores não encontrarão nada de errado. 
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