Mamãe está no céu e papai comprando nossos uniformes

Por Nancy Hochman

Minha amiga Linda relatou por telefone uma experiência que me abalou profundamente.

Aquilo também reforçou algo que a princípio poderia passar com uma coincidência, mas na verdade é a mão de D'us em nossas vidas.
Um dia, Linda estava olhando roupas femininas numa loja de departamentos. De repente, duas meninas apareceram à frente dela e começaram a falar.

“Olá! Você tem filhos?” perguntou a menina mais velha, enquanto os olhos de sua irmã examinavam cuidadosamente a face de minha amiga.



Linda, uma ex-professora de escola primária com mais de 50 anos, estava acostumada com esse tipo de pergunta, embora não de duas estranhas. “Na verdade, eu tenho,” Linda respondeu com um sorriso amigável.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, a menina mais nova recebeu uma pista da irmã e continuou a fazer perguntas. ”Quais são os nomes e idades deles? Eles moram todos com você?”

“Apenas minha filha de 15 anos,” respondeu minha amiga. “Meu filho e minha filha mais velha são adultos e vivem por conta própria.”

“Estamos comprando nossos uniformes escolares,” a menina mais velha informou a Linda, num tom um tanto comercial. “Precisamos de duas blusas brancas e duas saias pretas.”

Atrás das meninas estava o pai, balançando nervoso numa perna e na outra, o rosto preocupado.

“Você sabe onde minhas filhas podem encontrar as roupas certas?” perguntou ele à minha amiga.


Sem demorar um minuto, Linda ofereceu-se para acompanhar a família até a seção infantil. “Se quiserem, posso ajudá-las a escolher as roupas,” disse ela ao pai.

“Isso seria ótimo,” respondeu ele com uma visível sensação de alívio.

Linda caminhou pelas seções da loja com as duas meninas ao lado. Mais uma vez ela sentiu a forte dor excruciante nos ossos, que ela raramente deixava que a atrapalhasse. Cinco anos atrás Linda fora diagnosticada com câncer de mama estágio IV, que tinha resultado em metástases em seus ossos. Até então ela tinha vencido as dificuldades, não somente com o tratamento médico, mas também devido ao exercício diário, uma atitude mental positiva e uma forte crença na benevolência e ajuda de D'us.

Obviamente, ela não passou essa informação às duas meninas em busca de apoio materno. Bastava deixá-las saber que há pessoas gentis que estão dispostas a ajudar.

Então, em vez de concentrar-se na sua dor, Linda cuidadosamente dirigiu a atenção para as meninas. Informada dos seus nomes, idades e tamanhos das roupas, minha amiga saiu em busca de algumas peças. O pai delas esperava pacientemente enquanto Linda levava uniformes ao provador para as irmãs. “Se quiserem, posso esperar do lado de fora, e quando vocês se trocarem, podem me mostrar,” disse Linda a elas.

“Costumávamos fazer isso para a mamãe,” disse a menina de sete anos, e agarrou a mão de minha amiga.

“Nossa mãe morreu de câncer no ano passado, e meu pai não sabe nada sobre coisas de meninas.”

Então era isso. Duas irmãs que perderam a mãe tinham encontrado apoio de uma mulher estranha, atacada pela mesma doença. Ela ficou abalada pela emoção, pensando nas próprias filhas. Respirou fundo e encontrou força para sorrir enquanto as meninas perguntavam, mostrando as roupas que vestiam.

Ela disse, encorajando as meninas: “Vocês estão especialmente bonitas com essa roupa. Combina bem com vocês.”

Talvez as meninas tenham sentido a emoção da minha amiga. Talvez elas estivessem simplesmente gratas.

“Podemos lhe dar um abraço?” as meninas perguntaram, quase simultaneamente. “Eu adoraria receber um abraço,” respondeu minha amiga.

As roupas foram compradas, o pai agradeceu a Linda muitas vezes antes que o trio saísse da loja.


Linda refletiu interiormente sobre a experiência. As coisas nem sempre tinham sido fáceis com sua filha adolescente. Mais tarde, elas tinham formado um vínculo mais forte. Porém ela não tinha percebido o quanto era forte até que partilhou com Sara sua história na loja de departamentos. Embora Linda não esperasse que Sara chorasse, ela entendeu as lágrimas e abraçou a filha.

No meio da noite Sara acordou a mãe. “Eu não lhe contei o suficiente, o quanto recebo de você e irei carregar comigo sempre. Estou tão feliz por você ser minha mãe...”

Na verdade, foi a mão de D'us.

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