Benjamin Netanyahu, deve se reunir com o presidente do Brasil, Michel Temer durante a próxima Assembleia Geral da ONU
Benjamin Netanyahu deve encontrar Temer em NYO primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve se reunir com o presidente do Brasil, Michel Temer durante a próxima Assembleia Geral da ONU, que acontecerá de 19 a 23 de setembro em Nova York. 
O encontro, que está sendo coordenado por diplomatas dos dois países, pode ser uma maneira de debelar um pequeno mal-estar pelo fato do premiê ter decidido não incluir o Brasil na primeira visita de um chefe de Estado israelense no poder à América Latina.
"Ao que tudo indica, o primeiro-ministro vai se encontrar com o presidente do Brasil na Assembleia-Geral da ONU. Tenho certeza de que haverá um encontro em breve", disse à BBC Brasil o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.
A visita começou nesta segunda na Argentina, onde Netanyahu ficará por dois dias e se reunirá com os presidentes Mauricio Macri e com o líder do Paraguai, Horacio Cartes. Depois, o premiê israelense seguirá para a Colômbia (dia 13), onde ficará por algumas horas em reunião com o presidente Juan Manuel Santos, antes de terminar o giro-relâmpago no México (dia 14), onde se encontrará com o presidente Enrique Peña Nieto.
Apesar de ser o maior país e maior parceiro comercial de Israel na região, o Brasil ficou de fora da visita.
Segundo o embaixador Yossi Shelley - muito próximo a Netanyahu e indicação política do premiê para o cargo -, a decisão de não incluir o país na viagem foi tomada porque, quando a viagem estava sendo organizada, ainda não estava claro se Temer sobreviveria à votação no Congresso da denúncia de corrupção passiva contra o presidente, que aconteceu no dia 2 de agosto.
"No momento em que foi decidido que ele visitaria a América Latina, a agenda política no Brasil era diferente e, quando as coisas se estabilizaram no Brasil, não havia mais tempo para coordenar segurança e a assinatura desses acordos internacionais", afirmou o embaixador Shelley.
"A preparação da agenda de viagem do primeiro-ministro é feita com muita antecipação e as incertezas políticas no Brasil, na época em que foi fechado o roteiro, não permitiu incluir nosso país, ir a mais três países, falar na ONU e voltar para a festa do Rosh Hashana (Ano Novo judaico)", corrobora o cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, Osias Wurman.
"Certamente o Brasil merecerá uma visita especial numa melhor ocasião."

Crise diplomática?

Para o professor Arie Kacovicz, professor de Relações Internacional da Universidade Hebraica de Jerusalém, os motivos, no entanto, podem ter sido outros.
"Pode ser que a instabilidade política interna tenha sido o motivo. Mas é capaz que Temer não queira que Netanyahu o visite agora. Não podemos esquecer que houve uma crise diplomática com o Brasil há pouco tempo", disse Kacovicz, se referindo ao imbróglio diplomático envolvendo o indicado israelense à embaixada em Brasília, Dani Dayan, que foi recusado pelo governo Dilma Rousseff, em 2015.
Segundo Fernando Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), a crise diplomática foi totalmente superada. Ele afirma que as relações entre Brasil e Israel estão passando por um bom momento.
"Agora temos embaixadores bem ativos em Brasília e Tel Aviv, e a comunidade judaica brasileira vem ganhando projeção internacional. Gostaríamos que ele viesse, seja pela importância das relações bilaterais, seja por se tratar da segunda maior comunidade judaica da América Latina, mas esperamos que venha numa próxima oportunidade", diz.
O embaixador de Israel no Brasil também afirma que o relacionamento entre os dois países vai de vento em popa. Shelley conta que há assuntos importantes que estão sendo negociados entre ministérios de Israel e do Brasil: um memorando de entendimentos com o Ministério da Defesa e acordos de cooperação com o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e com o da Saúde.
Ele diz que, por exemplo, neste momento há uma delegação de 60 executivos e empresários do ramo da água de Goiás, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Brasília participando da Conferência Watec 2017, em Tel Aviv. A delegação vai se encontrar com o ministro da Economia israelense, Eli Cohen.

Decepção

Mas o fato de que Netanyahu vai passar apenas quatro dias em três países latino-americanos decepcionou a Roberto Spindel, presidente da Câmara de Comércio Israel Latinoamérica.
Ele apontou para o jornal israelense Haaretz Spindel o pequeno número de empresários que se dispuseram a viajar por apenas tão poucos dias (30 em meio à delegação de 100 pessoas de Netanyahu). Em 2013, por exemplo, o ex-presidente Shimon Peres visitou a região levando 80 empresários.
O comércio entre Israel e toda a América Latina representa apenas 4% do comércio total de Israel, movimentando US$ 2,8 bilhões (dados de 2015). Mas o maior parceiro é, sem dúvida, o Brasil, com US$ 903 milhões. México é o segundo colocado (US$ 543 milhões), seguido da Argentina (US$ 259 milhões).
Comércio à parte, é o apoio político da América Latina que parece ser mais importante para Benjamin Netanyahu. Ele gostaria de obter mais votos em favor de Israel em fóruns internacionais como a ONU, mostrando que o país tem apoio internacional, ao contrário do que afirmam os opositores do primeiro-ministro.
Para os países latino-americanos, a visita mostraria que Israel se interessa pela região.
"Essa visita tem importância só pelo fato de estar acontecendo. Havia realmente uma sensação, entre os países da América Latina, de que Israel nem sempre dá importância suficiente ao relacionamento com a região, apesar do apoio regional, em 1947, ao Plano de Partilha da Palestina da ONU (que abriu caminho para a criação de Israel)", diz Raanan Rein, vice-presidente da Universidade de Tel Aviv e especialista em América Latina.
"Este é realmente um momento político confortável para Israel, com Macri na Argentina e Temer no Brasil."
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