Ayelet Shaked  vista como a nova Golda Meir de Israel
A princesa de gelo vista como a nova Golda Meir de Israel.

Nacionalista laica num partido de  
direita, sionista e religioso, Ayelet Shaked tem sido criticada por ser jovem (tem 41 anos) e mulher. Ela não descarta vir a ser primeira-ministra.

Em julho, a Lady Globes, a revista feminina do jornal financeiro Globes elegia Ayelet Shaked como a Mulher do Ano em Israel. Jovem, bela e reservada de uma forma calculada, a ministra da Justiça de Benjamin Netanyahu já foi apelidada de "Princesa do Gelo". Mas esta nacionalista laica, que nem por isso deixa de ser um ícone do partido de sionista religioso Lar Judaico (que ajudou a formar em 2013) e popular entre os judeus ortodoxos, está habituada a que a desvalorizem.

Apontada pelo diário de esquerda Haaretz como "a política israelita mais bem sucedida desde Golda Meir", a própria Shaked não destaca a hipótese de ser a segunda mulher a chefiar o governo do país. Mas, garante ela, só o seu mentor, Naftali Bennett, ter sido primeiro-ministro.

Ayelet Shaked  vista como a nova Golda Meir de IsraelTanto como deputada como desde que se tornou ministra, em 2015, Shaked tem dado passos para levar Israel no caminho do que vê como um Estado Judaico. Passos esses que os seus apoiantes aplaudem como exemplo de verdadeiro patriotismo e sionismo, enquanto os adversários a descrevem como racista, xenófoba e anti-democrática.

As suas prioridades são claras: reforças o domínio israelita na Cisjordânia, acelerando a construção de colônias, retirar a cidadania a árabes israelitas condenados por terrorismo, escrutinar as ONG que atuem em Israel mas recebam dinheiro de governos europeus para promover causas negativas para o Estado e promover reformas no processo de escolha dos juízes do Supremo, transferindo o máximo de poder para o Knesset (o Parlamento). Um dos seus maiores sucesso foi em fevereiro a nomeação de quatro juízes para o Supremo, três deles conservadores.

"Se Shaked fosse primeira-ministra não poderia responder a estas perguntas de forma livre", afirma ao DN Gideon Levy. O jornalista do Haaretz garante que se chegar ao poder, a ministra "vai mudar os últimos vestígios de democracia israelita, até para os seus próprios cidadãos". Quanto ao texto que escreveu a elogiar a sua honestidade, Levy sublinha que é apenas por ela que a respeita - "outros pensam o mesmo e escondem-no".
Ayelet Shaked  vista como a nova Golda Meir de Israel
Quanto às comparações com Golda Meir, Levy garante que são diferentes e que "os tempos também são diferentes". Já Diane Bederman, capelã num hospital de Toronto e colaboradora do Times of Israel, de direita, recorda ao DN que há "uma longa história de mulheres judias fortes que começa na Torá".
Comparada pelo presidente turco, Recep Erdogan, a Hitler, Shaked foi repetidamente atacada nas redes sociais com imagens manipuladas de fotografias sua vestida de nazista. Para Diane Bederman, "que alguém compare qualquer judeu a Hitler vai para além de qualquer comentário".

Mas mesmo quem despreza as ideias que defende, aprecia a sua habilidade política. E em termos de estratégia, Shaked tem tido bons professores - sobretudo os dois políticos com quem mais conviveu até hoje: Naftali Bennett e Benjamin Netanyahu. Segundo o Haaretz, com o primeiro aprendeu a "não pedir desculpas" pelas suas posições pró-colonos, anti-solução dos dois Estados "para agradar seja aos centristas, aos media ou aos líderes estrangeiros". Com o segundo, aprendeu a ser uma política laica com a qual os judeus mais religiosos se conseguem identificar.

Convidada por Netanyahu em 2006 para ser sua chefe de gabinete, tudo indicava que Shaked se tornasse numa estrela em ascensão no Likud, o partido de direita do atual primeiro-ministro. Mas em 2012 deixou o Likud e juntou-se a Naftali Bennett, que ela própria contratara para a equipe de Netanyahu, no Habait Hayehudi (Lar Judaico). As reações não se fizeram esperar, com muitos próximos a questionarem a sua ida para um partido religioso: "Enlouqueceste? És mulher e nem és religiosa. Que hipótese tem de ser eleita? Mas foi e em 2013 entrou no Parlamento como deputada.

Ayelet Shaked  vista como a nova Golda Meir de IsraelO fato de muitos dos ataques contra ela referirem a sua aparência valeu-lhe, por outro lado, o apoio de muitas mulheres. Até das que não podiam concordar menos com as suas ideias políticas. A começar pela ex-ministra Tzipi Livni. "Discordo profundamente das opiniões de Shaked, dos membros do Habait Hayehudi e do governo, de modo geral. Mas condeno enfaticamente a atitude sexista em torno dela". Também Zehava Galon, a líder do Meretz, partido de esquerda sionista, se mostrou "farta" dos comentários sexistas sobre Shaked, que descreveu como "uma política inteligente e trabalhadora", sublinhando, contudo não se coibirá de criticá-la.

Nascida em Tel Aviv em 1976, Shaked cresceu em Bavli, o bairro de classe média alta onde ainda mora. Filha de um iraquiano nascido no Irã e que sempre votou Likud, Shaked orgulha-se das origens. Já a mãe, com raízes na Rússia e Romênia e professora de Torá, sempre votou no centro esquerda. Lá em casa não se costumava discutir política, mas em criança Shaked recorda-se de assistir a um debate entre Shimon Peres e Yitzhak Shamir e de ficar encantada com a voz de Shamir.
Excelente aluna, Shaked andou no ballet e foi escoteira. Mas só durante o serviço militar (obrigatório em Israel para homens - três anos - e mulher - dois anos) se interessou pela política, reforçando as ideias de direita que sempre tivera. Serviu em Hebron, tendo então percebido que "a solução para o conflito palestino não viria agora".
Formada em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação em Tel Aviv, começou a carreira na área das novas tecnologias. Casada com um piloto de caça, tem dois filhos.


Coisas Judaicas

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