A benção do solDas muitas tradições judaicas, a benção do sol praticada ao longo das gerações apresenta uma característica única: o seu ritual somente se dá a cada 28 anos, quando o sol, de acordo com os sábios, retorna à posição exata onde estava no momento de sua criação. 

Diz o Bereshit: “E fez D’us os dois luzeiros grandes: o luzeiro maior para governar o dia; e o luzeiro menor para governar a noite... E foi noite e foi manhã, dia quarto.”

Para celebrar esse mandamento (mitzvá), as pessoas se reúnem ao ar livre e é recitada uma benção especial – Bircat Hachamá (benção do sol) - precedida e seguida de salmos e preces. Sempre ocorrendo em uma manhã de quarta-feira – o dia da semana no qual D’us colocou em órbita o sol, a lua e todos os corpos celestes - o último encontro se deu em 8 de abril de 2009 (ano judaico de 5769), quando mais uma vez foi recitada a prece que lembra os milagres divinos: “Bendito és Tu, Senhor nosso D’us, que reencena as obras da Criação.” (Baruch Ata Adonai, Eloheinu Melech HaOlam Ossê Maassê Bereshit).

Mas, apesar das explicações rabínicas sobre a benção do Sol – que tem o intuito de louvar a Criação Divina -, pesquisadores como Gardiner e Osborn insistem em enxergar vestígios desse ritual ancorados a uma tradição desconhecida anterior a dos hebreus. O arqueólogo e historiador Zecharia Sitchin (1920-2010), estudioso dos idiomas antigos orientais, expõe em seu livro “O código cósmico” (2003), a familiaridade dos antigos hebreus com as constelações do zodíaco, iniciada com Taré, pai de Abrãao, em Ur, na Suméria (atual Iraque). Ele faz uma correspondência entre os 12 signos zodiacais com os 12 filhos de Ismael (“Dele nascerão dozes chefes; E sua nação será grande” - Gênesis 17:20), os 12 filhos de Jacob (“E o número dos filhos de Jacob foram doze” – Gênesis 35), e as 12 tribos que povoaram a Terra Prometida, após o Êxodo, uma constância que, em sua opinião, “preserva a  exigência-santidade do Doze celeste”.

Sitchin, que viveu em Israel e nos Estados Unidos, revela que a expressão hebraica “mazal-tov”, pronunciada nas festividades e entendida pela maioria como “boa sorte”, significa literalmente “uma boa e favorável constelação zodiacal”. Segundo o arqueólogo o termo deriva do acadiano (a mãe das línguas semitas), em que manzalu significa “estação” – a estação zodiacal na qual o sol “estacionava” no dia do casamento ou nascimento. Ele também assegurava que a monumental e enigmática estrutura de círculos de pedra na planície das colinas de Golã, o Gilgal Refaim, foi um observatório astronômico construído por uma civilização desconhecida 7 mil anos antes da Era Comum.

 Sheila Sacks 
Coisas Judaicas

Coisas Judaicas

Blog Judaico - Tudo sobre Israel, judaísmo, cultura e o mundo judaico

Deixe seu comentário:

0 comments:

Deixe sua opinião