Por que as mulheres não são chamadas à Torá nas sinagogas ortodoxas?

Pergunta:

Como explico à minha amiga por que as moças não recebem Aliyá [ser chamada à Torá] nas sinagogas ortodoxas?

Resposta:

Há diversas razões práticas/técnicas para isso1. Aqui estão duas delas:
Recato:
Colocar uma mulher num pedestal na frente de uma sala repleta de homens e fazê-la cantar em voz alta é totalmente contrário aos valores judaicos que prezam pela discrição e recato. Embora muitas mulheres na sociedade atual possam não ver nada de ofensivo nesse tipo de ritual, o Judaísmo o considera ofensivo para uma mulher, e portanto não o permite. Afinal, embora a ideia secular de honra seja a exposição – quanto mais exposição, mais honra – a ideia do Judaísmo sobre honra é: “Toda a honra da filha do rei reside em seu interior”2
Cortesia para os homens:
A leitura pública da Torá é basicamente uma obrigação masculina3 (aqui a ênfase é obrigação, em vez de privilégio). Se uma mulher se levantasse para a leitura da Torá no lugar de um homem, isso significaria que nenhum dos homens presentes é capaz de cumprir sua obrigação.4 Isso é análogo a um chefe informando seus executivos de que está terceirizando um projeto específico. Isso automaticamente implica que o chefe considera seus próprios executivos incapazes de executar o projeto com competência. Naturalmente isso causa um mal estar em sua equipe.
O mesmo conceito é aplicável sobre a mitsvá de acendimentos das velas no Shabat. Embora a mitsvá seja uma exigência geral, está conectada diretamente às mulheres. Portanto, seria inadequado um homem acender as velas do Shabat se houver uma mulher presente. Se isto fosse simplesmente uma questão acadêmica, estas respostas seriam satisfatória. No entanto, geralmente esta não é uma questão acadêmica, e portanto estas respostas não parecem solucionar o problema.
Após 2.000 anos de exílio, muitos judeus não aprendem sobre o Judaísmo com fontes judaicas autênticas, mas sim com as culturas e religiões do mundo que os rodeia. O judeu olha para as religiões da maioria da população e conclui equivocadamente que o Judaísmo é uma religião semelhante, mas com alguns detalhes e crenças diferentes. Em nossa sociedade, outras religiões são cerimoniais. O foco da religião é a frequência aos serviços. Aquele que comparece é “religioso”, aquele que não pode ir ou não participa dos serviços se sente deixado de fora da religião.
No judaísmo há um forte anseio de estar conectado com D’us e Sua Torá, em qualquer lugar, em todas as horas e ocasiões: ao deitar, ao levantar, ao comer enfim, em todos os aspectos de sua vida diária.

NOTAS
1.
É essencial notar que contrário à equivocada concepção popular, ser chamado/chamada à Torá não torna você bar/bat mitsvá, nem é exigido de qualquer maneira para o “sucesso” do bar/bat mitsvá. Uma menina (e um menino) se tornam bar/bat mitsvá sem serem chamados à Torá. Alguns artigos explicam por que as mulheres em geral não são chamadas à Torá.
2.
Salmos 45:14.
3.
A leitura da Torá é parte do aspecto de “cerimônia” do serviço da sinagoga, do qual as mulheres são isentas.
4.
Talmud, Tratado Meguilá 23 a e Maimônides, Leis da Prece 12:17.
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