Neonazistas suecos ganham força e ameaçam principal fórum político do país
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Ativista de 42 anos protestou sozinha contra centenas de neonazistas (Foto: DT.se

Neonazistas suecos ganham força e ameaçam principal fórum político do país.

Copenhague, 3 jul (EFE).- O Movimento Resistência Nórdica (NMR), grupo neonazista mais ativo na Suécia, multiplicou seu protagonismo nos últimos dias ao participar da semana de Almedalen, principal reunião política anual do país, enquanto três pessoas vinculadas ao grupo são julgadas por vários ataques com explosivos. 
O parque de Almedalen, em Visby, na ilha de Gotland, começou a ser usado para reuniões políticas improvisadas com os cidadãos suecos pelo falecido ex-primeiro-ministro Olof Palme no fim da década de 1960. 
Quase meio século depois, a semana de Almedalen se transformou em um fórum de referência na Suécia. Mais de 40 mil pessoas comparecem ao local para participar de discussões políticas entre os líderes dos partidos e organizações de todo o tipo, uma ideia exportada com sucesso para outros países da região. 
Mas a edição deste ano, que começou neste domingo, é marcada pela polêmica presença do NMR, que ameaça frear o que se considera como um exemplo do modelo democrático escandinavo. 
A presença do grupo foi autorizada pela polícia com a aprovação das autoridades locais, que quiseram voltar atrás depois das críticas. No entanto, era tarde demais para mudar de ideia. 

Ainda que os organizadores aleguem que o NMR não faça parte da programação oficial e que a polícia tenha garantido a segurança, a participação de um grupo de ideologia abertamente nazista gerou bastante revolta na sociedade sueca. 

"Trata-se de uma organização sem nenhum apreço pela democracia. Não acredito que devamos dar a eles plataformas democráticas", afirmou o primeiro-ministro da Suécia, o social-democrata Stefan Löfven, que não estará presente no evento. 

Deputados socialistas e o Partido Feminista anunciaram seu boicote à Almedalen em protesto. A Associação Nacional para a Igualdade Sexual (RFSL) suspendeu vários atos programados. Além disso, organizações como a Save the Children e o Fundo Mundial para a Natureza enviaram uma carta expressando preocupação com o fato. 

Fundado em 1997 a partir de outro grupo neonazista, o NMR ganhou força nos últimos anos, estendendo-se para os demais países da Escandinávia. O movimento também anunciou a intenção de lançar candidatos nas eleições legislativas do próximo ano na Suécia. 

O NMR já conta com dois vereadores em duas localidades na região de Dalarna, no centro da Suécia, que se aproveitaram das listas abertas do partido ultranacionalista Democratas da Suécia - terceira maior força parlamentar do país -, para se elegerem. 

Em Dalarna mora a maioria dos 150 membros do grupo da Suécia. No total, o NMR tem 250 filiados, um terço deles recrutado em 2015, segundo o último estudo da Fundação Expo, dedicada a investigar os ativistas de extrema-direita. Um dos criadores do órgão é o falecido escritor Stieg Larsson, autor da famosa série "Millennium". 

Várias pessoas ligadas ao NMR têm condenações por atos violentos. Um caso especial é o de um dos fundadores e ex-líder do movimento, Klas Lund, que cumpriu pena de quatro anos por homicídio e atualmente é acusado de roubo e posse ilegal de armas. 

O NMR, que defende um estado nacional-socialista e luta pela "liberdade e sobrevivência da raça nórdica", multiplicou sua presença em manifestações e protestos até se tornar um grupo neonazista mais ativo e perigoso, segundo as autoridades suecas. 

Um simpatizante do grupo jogou seu carro contra uma passeata pró-refugiados em Malmö, no sul da Suécia, há um mês, sem deixar feridos. Outras três pessoas ligadas ao NMR esperam julgamento por vários ataques com explosivos contra imóveis de solicitantes de asilo no país e uma livraria. 

O NMR, por sua vez, tenta se distanciar de qualquer participação nos atentados e outros atos similares, mas apoia publicamente os suspeitos de serem os autores dos atos. 
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