Em meio a pressão vinda de  Mohsen Araki ao Brasil é incerta

O clérigo iraniano Mohsen Araki (à esq.) e o aiatolá Ali Khamenei,
líder supremo do Irã, em Teerã

Matéria atualizada
Numa manobra diversionista o aiatolá Moshen entrou no Brasil essa madrugada

Em meio a pressão de entidades, vinda de clérigo do Irã ao Brasil é incerta

O anúncio da visita ao Brasil de um clérigo do alto escalão iraniano para um evento em São Paulo gerou manifestações de repúdio que colocaram em dúvida a realização do evento que teria o religioso como convidado.

O aiatolá Mohsen Araki, nascido no Iraque, é um dos 88 membros da Assembleia dos Especialistas do Irã, responsável por indicar e destituir o líder supremo iraniano —cargo ocupado desde 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei.

Araki falaria sobre o enfrentamento ao terrorismo e radicalismo em evento no Novotel Center Norte no sábado (29).

O hotel publicou em uma rede social nesta quarta-feira (26) que "o evento com a presença do Sr. Mohsen Araki não será mais realizado no Novotel Center Norte." Procurado, o hotel não informou o motivo do cancelamento.

O organizador do evento, o Centro Islâmico no Brasil, afirmou à Folha que o encontro havia sido transferido "por razões técnicas", mas não informou o novo local.

Em ofícios enviados na semana passada ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores, a secretária municipal de Direitos Humanos do Rio, Teresa Bergher, pediu que a entrada de Araki no país fosse barrada por ele proferir "com frequência discursos de ódio".

O Itamaraty confirmou o recebimento do ofício e disse que não há impedimentos legais para a visita de Araki ao Brasil. O Ministério da Justiça também confirmou ter recebido o pedido, mas não informou uma resposta a ele até a publicação desta reportagem.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo divulgou nota no dia 19 repudiando a visita do aiatolá, "que em suas pregações conclama à destruição do Estado de Israel".

O Centro Islâmico nega que o aiatolá propague discursos de ódio e afirma que "ele vem para discutir o problema do terrorismo".

A pressão aumentou nesta quarta-feira, quando líderes religiosos brasileiros divulgaram nota alertando "contra qualquer discurso destinado a propagar o ódio entre nossas comunidades".

O texto é assinado pelo arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer; pelo presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, dom Flavio Irala; pelo rabino Michel Schlesinger, da Confederação Israelita do Brasil; e pelo xeque Houssam Ahmad el Boustani, do Instituto Futuro da Comunidade Muçulmana.

"Pessoas como esse líder, que tem o costume de realizar discursos inflamados pedindo a destruição do próximo, não combinam com o que a gente vê no Brasil", afirma o rabino Schlesinger. "Nos orgulhamos muito da relação que temos no Brasil, um país que propicia que cristãos, muçulmanos e judeus convivam bem. É preocupante que essa paz possa ser ameaçada pela importação de conflitos que não são nossos."

O xeque sunita Houssam Ahmad el Boustani afirmou que a divulgação da nota dias antes da visita de Araki, que é do ramo xiita do islã, é "uma coincidência" e que o texto seria divulgado "antes de qualquer visita que inflama ódio aqui no Brasil ou fora".

O Centro Islâmico foi contactado para confirmar a vinda do aiatolá Araki, mas não retornou a informação. 



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