Judeus chilenos preocupados com o conflito árabe-israelense

Uma série de eventos recentes no Chile causaram tensões  entre as comunidades judaica e  palestina local. 
O líder da comunidade judaica alertou que o conflito no Oriente Médio está sendo “importado para o país”.  A comunidade judaica do Chile apresentou uma denúncia sobre o suposto antissemitismo durante uma partida de futebol, em 8 de junho, entre a equipe Estádio Israelita Maccabi e o Club Palestino, como parte da competição amiga "Superliga".
O conselho diretor da comunidade judaica do Chile, representantes do time Maccabi e parlamentares reuniram-se com o procurador regional Manuel Guerra para apresentar a queixa de incidentes racistas, xenófobos e antissemitas que ocorreram no jogo de futebol.

De acordo com a comunidade judaica, Guerra expressou preocupação com a situação e disse: "Todos buscamos viver em paz e não queremos atos que intimidem  uma comunidade. Nada justifica os atos de violência. Nós não queremos que isso se transforme em um divisor de comunidades que contribuíram para o progresso do Chile, portanto, a Procuradoria Geral da República realizará investigações destinadas a esclarecer os fatos."

A mídia chilena informou que o jogo foi suspenso e vários jogadores do Club Palestino foram expulsos por conduta agressiva e anti-desportiva, bem como por insultos racistas e antissemitas contra jogadores de origem judaica.

De acordo com a queixa, um grupo de cerca de 200 pessoas insultaram jogadores do Maccabi com frases racistas, além de ameaças violentas e pedidos, através das redes sociais, para que os admiradores da equipe palestina fossem ao jogo para perseguir o time adversário.

Os árbitros relataram que eles também foram atacados e que um fã palestino entrou no campo segurando uma bandeira palestina, jogando-a no rosto de um jogador judeu e gritando "esta é uma bandeira, não como a sua, pois eu limpo minha bunda com a sua, Vou matar você, f *** ing Jewish”. Outros insultos antissemitas incluindo referências ao Holocausto também foram registrados.

Os fãs da equipe palestina, segundo notícias, perseguiram os jogadores judeus até os vestiários, depois que o jogo foi paralisado. Alguns jogadores judeus relataram que seus carros foram arranhados e vandalizados com frases nazistas. Já o clube palestino acusou a comunidade judaica de aproveitar a situação por meios políticos e de exagerar o incidente.

Alguns dias após a partida, pichações foram encontradas nos muros do Club Palestino com as palavras "terroristas árabes", "Palestina não existe" e "Am Israel Chai" ao lado de uma Estrela de Davi.  O clube Palestino denunciou o vandalismo chamando de uma "agressão covarde". 

Após o violento ataque, o presidente da comunidade judaica do Chile, Shai Agosin, afirmou que os membros de sua comunidade "estão extremamente preocupados com situações que nunca ocorreram em nosso país, por grupos que querem importar um agressivo e violento conflito de milhares de quilômetros de distância". 
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Shai Agosin

Segundo reportagens locais, a comunidade judaica também condenou a pichação e expressou sua solidariedade com a comunidade palestina.

Nos últimos dias o conflito importado também foi travado nas páginas de um grande jornal chileno, El Mercurio, após a comunidade palestina do Chile publicar um anúncio “ denunciando os 50 anos de ocupação e apartheid na Palestina". A comunidade judaica retaliou com outro anúncio - em colaboração com o Congresso Mundial Judaico, onde dizia que "para a paz é preciso dois lados".
Outro ponto de disputa entre as duas comunidades foi à nova política de Israel de proibir os ativistas do Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) de entrar no país.

Em abril, Israel impediu a entrada do diretor executivo da Federação Palestina do Chile, Anwar Makhlouf, e este mês recusou a entrada de um membro de 24 anos da Federação, chamado Omar Salamé. Makhlouf já viajou para Israel, Cisjordânia e outros países da região, mas retornando a Israel em um voo da El Al, as autoridades o acusaram de mentir sobre a natureza de sua viagem.

O Ministério chileno dos Negócios Estrangeiros condenou Israel por ter deportado Salamé e a Federação Palestina aumentou sua campanha na mídia para que o Chile sancione Israel em resposta. A comunidade chilena em Israel enviou uma carta ao ministro das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz.
Apoiando a decisão de Israel e acusando Salamé de "promover um boicote a um personagem racista e incitar o ódio contra Israel e o povo judeu", o próprio Muñoz negou qualquer envolvimento nas atividades de BDS e ressaltou que havia voado em uma companhia aérea israelense.

Citando um relatório divulgado em novembro passado pela EMOL, Agosin ressalta que no ano passado 790 chilenos foram deportados ou negados a entrada em vários países ao redor do mundo, mas que o Ministério das Relações Exteriores apenas protestou quando o país em questão era Israel: "É como se Israel fosse um país diferente e você tem que tomar uma decisão diferente quando você está falando sobre Israel";

Ele ressaltou que os defensores do BDS compõem um grupo muito pequeno, mas ativo no Chile, que "quer importar os problemas do Oriente Médio para o nosso país".

"Estamos muito preocupados com a situação entre as comunidades palestinas e judaicas", disse. No início deste mês, a Universidade de Alberto Hurtado cancelou uma conferência sobre a arqueologia israelense, devido à pressão do movimento BDS. 

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