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04/06/2017

Antes da Guerra dos Seis Dias, Israel temia um novo Holocausto

Antes da Guerra dos Seis Dias, Israel temia um novo Holocausto

Passados 50 anos da Guerra dos Seis Dias, evento cujas consequências políticas continuam na ordem do dia, as causas e o contexto do conflito passam longe do noticiário e, por consequência, do senso comum.

Não, não houve invasão nem ocupação do Estado palestino – mesmo porque ele não existia. Não, Israel não era apoiado maciçamente pelos EUA. Não, Israel não tinha mais armas do que os países árabes.

Após a criação, em 1964, da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), as incursões de comandos palestinos contra Israel, principalmente a partir dos territórios jordaniano e sírio, tornaram-se cada vez mais frequentes, e as forças israelenses reagiam com retaliações. Note-se que os hoje chamados territórios ocupados eram antes de 1967 ocupados por Jordânia e Egito. Cabe a pergunta: qual “Palestina” a OLP queria libertar?

Naquela década de 1960, Israel começou a construir seu sistema de irrigação nacional, para trazer água do mar da Galileia para o sul do país. Em resposta, a Síria começou a construir canais para desviar as fontes do Rio Jordão. Com o confronto sobre a divisão das águas entre Israel, Síria e Jordânia, as tensões se intensificaram, com um pico em abril de 1967.

Em 16 de maio de 1967, Nasser, o presidente do Egito, ordenou que todas as tropas da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF), estacionadas há mais de 10 anos na fronteira com Israel no deserto do Sinai, saíssem de lá. Enquanto o secretário-geral da ONU, U Thant, pedia esclarecimentos ao Cairo, tropas egípcias cruzaram a linha da UNEF e ocuparam alguns postos.

U Thant reuniu-se com os membros do Comité Consultivo da UNEF e informou-lhes dos acontecimentos no terreno, explicando que, se um pedido formal de retirada da UNEF fosse feito pelo governo egípcio, ele teria de cumprir, pois a Força estava lá somente com o consentimento do governo e não poderia permanecer sem ele. Seguiu-se grande divisão na ONU sobre o que deveria ser feito. Antes que uma decisão fosse tomada, os governos da Índia e da Iugoslávia decidiram retirar seus contingentes da UNEF.

Enquanto isso, o secretário-geral consultou o governo israelense sobre a possibilidade de colocar as tropas no lado israelense, mas Israel declarou que isso seria inaceitável. Pouco tempo depois, o representante do Egito enviou uma mensagem a U Thant indicando a decisão do seu governo de pôr fim à presença da UNEF no Egito e na Faixa de Gaza, pedindo-lhe que se procedesse a retirada o mais rapidamente possível. Com o fracasso das negociações, o comandante da UNEF foi instruído a retirar as tropas. 

Logo após, em 22 de maio as forças de Nasser retomaram a cidade de Sharm el-Sheikh, bloqueando o Estreito de Tiran e fechando o acesso de Israel ao mar Vermelho. No final de maio, a Jordânia assinou um pacto de defesa mútua com o Egito - não custa lembrar que a Jordânia anexou a CIsjordânia e Jerusalém Oriental em 1950 e três anos depois passou a chamar a cidade de sua "segunda capital".  O Iraque se juntou alguns dias depois. Os líderes árabes proclamaram que iriam “reconquistar a Palestina” de uma vez por todas. O jornal O Estado de S. Paulo, edições de 27 e 31 de maio de 1967, destacou:
Antes da Guerra dos Seis Dias, Israel temia um novo Holocausto



A França, que apoiava militarmente Israel, decidiu retirar seu apoio no dia 3 de junho [ao contrário do senso comum, os EUA não apoiaram militarmente Israel nem na Guerra de Independência, em 1948, nem na de 1967].

Após a longa Guerra de Independência da Argélia (1954-1962), De Gaulle tinha tomado uma decisão estratégica: reforçar a estatura da França no vasto mundo árabe, o que significou manter por algum tempo um jogo duplo, que chegou ao fim quando a crescente tensão em 1967 o forçou a tomar uma posição, que chocou os israelenses: abandonar Israel.
A França tornou permanente o embargo de armas contra Israel, procurou fazer acordos petrolíferos com os Estados árabes e adotou uma retórica cada vez mais anti-Israel.
A União Soviética temia que Israel estivesse construindo uma bomba nuclear em Dimona e fez o possível para levar os árabes à guerra. Já os EUA, obcecados com a guerra no Vietnã, não deram garantia de ajuda.
Nesse contexto, a população Israel temia um novo Holocausto. Rabinos consagravam parques públicos como cemitérios, e milhares de sepulturas foram cavadas, antecipando mortes em massa. À medida que alguns israelenses cavavam túmulos, outros começaram a armazenar lápides e caixões. 

O jornal O Estado de S. Paulo, edições de 28 e 30 de maio de 1967, destacou:

Antes da Guerra dos Seis Dias, Israel temia um novo Holocausto

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