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05/05/2017

Desenvolvendo confiança em Hashem

Desenvolvendo confiança em Hashem

Por Michoel Lozenik
Esse texto tentará explicar um conceito que provavelmente não é mencionado em nenhum lugar por escrito. Existem algumas coisas que não são escritas mas que se pode encontrar lendo nas entrelinhas, e nesse artigo veremos como se pode encontrar uma explicação, não num discurso chassídico, mas na conduta de um dos maiores Rabinos que jamais viveram.
Há alguns anos o livro “O Segredo” foi lançado e vendeu milhões de cópias no mundo inteiro. Muitos outros aproveitaram a carona escrevendo livros semelhantes. O livro fala sobre o poder do pensamento positivo e todas as boas coisas que poderia trazer na vida de uma pessoa. Também fiquei intrigado pelo livro mas então percebi que eles não estavam realmente dizendo algo novo. A Lei da Atração foi na verdade escrita no início de 1900 por vários autores, mas estou me referindo a algo muito mais antigo. Os Cinco Livros de Moisés falam sobre o poder do pensamento positivo e do negativo.
A maneira mais fácil de explicar é comparando nossas mentes com um imã. Assim como um imã atrai objetos de metal, nossas mentes também têm o poder de atrair diferentes coisas. A diferença é que podemos controlar que tipo de coisas nossas mentes irão atrair. Podemos criar um imã que atraia coisas positivas para nossas vidas ou podemos mergulhar em pensamentos negativos e atrair experiências negativas para nossas vidas.
Esta parece uma declaração bastante séria. Mas sabemos pela nossa experiência pessoal que nossa mente tem o poder de fazer as coisas acontecerem. Não sei se você conseguirá entortar colheres como fazia o israelense Uri Geller, mas isso é realmente importante? Nenhum cônjuge ficará feliz se descobrir que toda a sua Coleção Oneida está dobrada pela metade. Nossa mente pode afetar as pessoas. Tente olhar para uma pessoa pelas costas dela e concentre—se totalmente nela, você perceberá que na maioria dos casos aquela pessoa vai se voltar para ver quem está olhando para ela. Quantas vezes você já pensou num amigo, e de repente o telefone toca e é seu amigo no outro lado da linha.
Não são somente as pessoas que podem ser afetadas por nossos pensamentos, podemos afetar as coisas que acontecem ao nosso redor. A fonte na Torá, onde encontramos o “segredo” do poder do pensamento é mencionada em Shemot (Êxodus 2,11-15). Quando Moshê um dia deixa o palácio para ir ver seus irmãos trabalhando como escravos, ele viu um egípcio batendo em um escravo judeu. Após assegurar que ninguém estava olhando, Moshê defendeu o escravo judeu, e terminou matando o egípcio e enterrou-o na areia. No dia seguinte ele voltou, viu dois judeus brigando e tentou detê-los. A resposta deles a Moshê foi “você está planejando nos matar como matou o egípcio ontem?”
Em um dos poucos exemplos da Torá, somos informados o que Moshê estava pensando naquele momento que o fez sentir medo. Moshê estava pensando: se o assunto agora for descoberto, o faraó provavelmente descobrirá e vai enviar soldados prender-me e me colocar na prisão. E a Torá continua: imediatamente após o pensamento negativo de Moshê, o faraó enviou soldados para prender Moshê, e ele teve de fugir para Midian. A fuga de Moshê somente aconteceu depois que o faraó emitiu um pedido para capturar Moshê, não foi o medo em si que o fez fugir.
Por que foi necessário para a Torá nos dizer que Moshê tinha medo do faraó?
A Torá está usando essa oportunidade para nos ensinar o poder dos pensamentos. A energia gerada pelo pensamento positivo em confiar que D'us salvará alguém é o que traz a salvação. Se Moshê tivesse confiado que D'us o teria protegido de qualquer dano, o resultado da história teria sido diferente. O medo que assolou Moshê foi o que “fez”o faraó ouvir falar do incidente, e emitir um decreto para capturar Moshê.
O versículo também enfatiza que Moshê expressou seu medo em palavras: “E Moshê temia… e ele disse…” Isso nos ensina que quando alguém expressa sua falta de confiança com palavras, o dano é aumentado. E o mesmo ocorre com o pensamento positivo. Quando também expressamos nossos pensamentos positivos pela fala, isso apressa e torna a salvação ainda maior.
Quando a pessoa encontra alguns obstáculos ou desafios na vida, deveria saber que a solução está inteiramente em suas próprias mãos, i.e., mudando seus pensamentos e suas palavras. Isso por sua vez faz a pessoa ter emoções que a fazem sentir-se bem, criando vibrações positivas e o oposto com pensamentos negativos.
Se alguém coloca inteiramente sua confiança em D'us, que Ele ajudará com um bom resultado, e sente isso tão verdadeiramente que fica calmo e sereno sabendo que não há motivo para se preocupar, e que já fez todo o humanamente possível, está garantido de ter um bom resultado.
O texto acima é uma breve sinopse sobre o poder da Confiança.
O mistério é: há tantos mandamentos na Torá, e cada qual tem tantos detalhes sobre a maneira de cumpri-lo, o tempo e local adequados, e questões sobre diferentes dúvidas que podem surgir de diversas situações. Sobre o dia sagrado do Shabat, há dezenas de livros que lidam com os diferentes aspectos do Shabat. E assim também com a maioria dos mandamentos.
No entanto, quando se trata do tema de Bitachon (Confiança), muitos livros foram escritos sobre o assunto, descrevendo como isso é vital no serviço a Hashem, e todas as coisas boas que resultam de colocar a própria confiança em Hashem. Mas um aspecto importante está faltando nesses livros. Nenhum deles discute como a pessoa atinge este nível. Não está sob discussão uma ação física como afixar uma mezuzá no batente da porta ou acender velas para o Shabat. Aqui estamos tentando desenvolver uma emoção, um sentimento. Você não pode simplesmente dizer a uma pessoa para começar a amar aquela pessoa, ou sentir arrepios quando se aproxima desse parceiro em perspectiva. É preciso trabalhar num relacionamento para desenvolver um sério apego emocional.
Há livros e professores que explicam a importância de ter uma dieta saudável, um regime sadio de exercícios e então vão explicar quais são os passos a serem tomados, os exercícios específicos e assim por diante. Assim também, eu estava procurando um livro que explique como se chega a um nível, onde se possa sentir que é uma pessoa que confia em Hashem. Quais são os passos que se deve dar para desenvolver Confiança.
Eu gostaria de apresentar um jogo infantil chamado Kerplunk. Funciona mostrando várias pedras pousadas em estacas que passam por um cilindro vazio. Quando se removem os cilindros, as bolas de mármore terminam caindo pelo cilindro numa bandeja plástica. Por analogia podemos comparar as estacas a resistência/dúvida, as pedras representando todos os desejos que uma pessoa poderia ter, e as pedras caídas representam a manifestação dos nossos desejos.Uma pessoa pode ter fortes desejos, mas enquanto houver resistência, nada irá acontecer. Somente depois que a resistência é removida os desejos serão manifestados.
Portanto a chave é exatamente o que quero dizer por resistência e qual é a maneira de remover aquelas estacas (resistência)?
Após muitos anos da minha vida aprendendo as palestras do Rebe, e assistindo incontáveis vídeos do Rebe falando com pessoas de todas as esferas da vida, entendi que o Rebe também nos ensinava muitas coisas pela maneira que falava e agia.
O Rebe explica num discurso chassídico (Maamar Vayigash 5725) que quando uma pessoa reza a D'us sempre tem uma resposta, e na maneira que queremos ver respondida. Não a resposta comum que muitos dão que às vezes D'us responde NÃO ou às vezes Ele responde, mas permanece nos âmbitos espirituais e ainda tem de descer a este mundo físico.O Rebe explica que sempre recebemos resposta neste mundo, porque é para isso que rezamos.
A questão então é por que nem sempre vemos isso? E a resposta é que a resposta de D'us às vezes está oculta e tudo o que temos de fazer é retirar as capas. Quais são exatamente essas capas e como as retiramos?
Eu gostaria de sugerir que essas capas são semelhantes àqueles bastões do jogo Kerplunk mencionado acima. A crença do Rebe era que há muitas coisas na vida de uma pessoa que criam uma certa barreira espiritual entre aquilo que queremos e as verdadeiras manifestações do nosso desejo. E há ainda comportamentos que a pessoa poderia perceber na maneira de pensar e falar do Rebe.

O Maior Obstáculo é a Dúvida

A dívida vem de crenças limitadas, ex.; difícil demais, fraco demais, não ter dinheiro suficiente, etc. Essas dúvidas geram energias negativas que são os bastões/capas nos impedindo de ver o objeto do nosso desejo. Se por um lado eu rezo e confio que D'us vai me responder, mas por outro lado tenho pensamentos negativos de como isso pode ser conseguido, então isso jamais vai se manifestar.
As Ferramentas que o Rebe nos ensinou, não em qualquer um dos seus escritos, mas em seu comportamento, foram:

1 – Linguagem Positiva

Usar somente linguagem positiva e evitar linguagem negativa o máximo possível. (Note que usei a palavra “evitar” em vez de “não usar”. A palavra não, contra, e quaisquer outras “más” palavras são todas palavras que emitem sentimentos negativos, e o Rebe no decorrer das milhares de horas de palestra evitava usar palavras negativas. Em vez de dizer casher e traif, seria melhor dizer casher e não casher. O Rebe acreditava que palavras têm poder, e temos de ser cuidadosos para escolher as palavras certas quando falamos ou escrevemos. Este é um exercício poderoso que deveríamos usar e após passar algum tempo trabalhando nisso, a pessoa percebe que tudo ao seu redor parece ficar mais positivo. Este é o primeiro bastão que devemos começar a remover, e algumas das nossas dúvidas começarão a desaparecer.

2 – Pensar Grande

Sempre que quisermos fazer alguma coisa, a abordagem do Rebe era seguir para o melhor e o maior. Incontáveis histórias foram contadas quando as pessoas estavam trabalhando em determinados projetos, o Rebe sempre tentava levá-las a números maiores, edifícios maiores, estadias mais longas, etc. (O livro sobre o Rebe escrito por Rabi Telushkin relata muitas dessas histórias).

3 – Usar Declarações Permissíveis

Sempre pense e aja como se o desejo requerido esteja no processo de acontecer. Permita que D'us o entenda. Farei aquilo que tenho de fazer e estou confiante de que D'us o fará acontecer além das minhas expectativas.

4 – Ser Bom com as Pessoas

Acredito que os comportamentos acima mencionados são alguns dos maiores presentes do Rebe. Essas são suas ferramentas, as halachot de Bitachon.
O Rebe nos ensinava como remover a energia negativa de nossas vidas e trazer energia positiva. É assim que removemos aqueles bastões de resistência, e desembrulhamos os presentes que D'us nos envia em resposta às nossas preces. E até que tenhamos a resposta, a ida pode ser totalmente ampliada. Teremos uma abordagem mais serena, feliz e confiante a tudo que Ele faz.

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