Como os Judeus viveram em Tomar até ao século XV

A comunidade hebraica de Tomar é um exemplo da integração pacífica dos judeus em Portugal até à sua expulsão. Apesar de serem uma minoria, praticavam a fé e os negócios com toda a segurança. E esta judiaria tinha a proteção do infante dos Descobrimentos.

Muito tempo antes de existir o reino de Portugal já os judeus se encontravam em território peninsular, expulsos ou forçados a sair de Jerusalém nos primeiros séculos depois de Era Comum. Durante o período de domínio islâmico, as três comunidades religiosas – muçulmana, cristã e judaica – coabitaram em paz. Foi uma época esplendorosa, como ressalta a historiadora Maria José Ferro Tavares, neste programa. Depois da reconquista e das perseguições dos cruzados que vinham do norte, os monarcas cristãos assumiram a “proteção das minorias”.

Na vila de Tomar, desde o início do século XIV, exista uma pequena judiaria. Os judeus que ali viviam ocupavam uma rua que ficava nas proximidades da praça central, onde se desenrolava toda a atividade social e mercantil. Comerciantes por excelência e artesãos experientes, terão estado ao serviço da Ordem dos Templários, mais tarde substituída pela Ordem de Cristo, que começou por ser governada pelo Infante D. Henrique. 

Alguns dos seus membros deram um importante contributo científico para a expansão marítima e, por isso, a comunidade beneficiou da proteção tanto do infante, como dos reis envolvidos no projeto dos Descobrimentos. Foi nesta altura que foi fundada a Sinagoga, a casa da oração, a “cabeça da comunidade”, que só funcionaria durante cerca de 50 anos. Em 1496, o templo foi mandado encerrar por ordem de Manuel I.

O casamento do rei com D. Isabel,  filha dos monarcas católicos de Castela, tinha como condição a expulsão dos judeus do reino, à semelhança do que acontecera no país vizinho e noutras nações europeias. Nesses anos, milhares de pessoas fugiram para Portugal, fragilizando a coexistência pacífica com cristãos e provocando instabilidade social e econômica. 


Apesar de ter aceitado a imposição da prima castelhana, D. Manuel I convida os judeus que quisessem permanecer em Portugal a converterem-se ao catolicismo. O édito de 5 de dezembro de 1496 marca o surgimento dos cristãos-novos, judeus forçados à conversão que podiam manter o culto religioso dentro de casa. A chegada da inquisição, em 1536, vem pôr um fim a esta tolerância.


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