A Torá e a Responsabilidade de um Povo

No calendário judaico, depois de Pessach, temos a Festividade Shavuot.

A Torá foi dada ao povo judeu no Monte Sinai há mais de 3.300 anos. A cada ano, no Festival de Shavuot, nós celebramos o recebimento da Torá.

É interessante notar que não há tanta celebração familiar nesta festividade, mas costumamos passar a noite estudando.

A tradição rabínica conta que quando Deus falou no Sinai, o mundo silenciou – os pássaros não cantaram, as folhas das árvores não se mexeram. Desse profundo silêncio surgiu a voz de Deus e se o mundo voltasse a silenciar, voltaríamos a escutar o eterno eco da Sua voz.

Os rabinos também contam que a Torá recebida é o contrato de casamento entre Deus e seu povo, mas que pode ser mais bem descrito como um pacto, afinal, o judeu é um povo pactual. Um pacto que exalta obrigações sagradas. Um pacto que define o judeu como um povo com responsabilidade coletiva e com um propósito comum de obedecer a Deus, um Deus que agora não faz só milagres, mas cria, através deste documento, uma sociedade de liberdade e justiça, de compaixão e integridade, com mandamentos para que o rico ajude ao pobre e que o poderoso ampare o carente.

A Torá entregue no Sinai cancela débitos a cada sete anos, cria regras de conservação do meio ambiente e traz muitos outros conceitos que são a espinha dorsal do povo judeu.

De todas as civilizações ocidentais, o povo judeu é o único que se mantém tão intacto pois tem este fio condutor que o remete à antiguidade.
Em todas as épocas em que foi perseguido, o judeu não deixou de seguir a Torá e ter nela sua bússola moral. Mesmo quando não tinha direitos assegurados pelas nações onde vivia, o judeu sempre buscou cumprir seu papel social e sempre manteve organizações de ajuda porque a Torá exigia isso de seu povo.

Também, a Torá é o grande diferencial cultural do povo judeu. A simples missão de cada judeu saber ler a Torá implica na educação de seus filhos e na erudição do povo como um todo.
A tradição de releitura do texto a cada ano permite infinitas interpretações da Torá, o que cria uma sabedoria na literatura rabínica, transmitida de geração em geração.

A Torá é um documento constitucional, político. É a primeira constituição jamais escrita de qualquer nação. Isto é a Torá inteira, os cinco Livros de Moisés. A Torá inteira é um documento constitucional estabelecendo que nós somos os cidadãos da República da Fé.

Foi através desta constituição que os judeus sobreviveram dois mil anos no exílio. Para o judeu, o importante para a sobrevivência não foi território, pessoa, poder, mas sim a palavra sagrada. Foi o que nos trouxe até aqui. É a responsabilidade compartilhada advinda do recebimento da Torá que nos faz povo e nação.

É o povo do Livro, que reverencia a cada ano o recebimento deste pacto de união eterna que lhe permite ser este povo unido e responsável por si e pelo outro no mundo. 

Chag Shavuot Sameah.

Floriano Pesaro
Secretário Estadual de Desenvolvimento Social
Deputado Federal


Coisas Judaicas

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